O TEXTO LITERÁRIO NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
 
O TEXTO LITERÁRIO NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
 


UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVA

CENTRO DE LETRAS E ARTES – CLA

CURSO DE LETRAS

DISCIPLINA: LITERATURA INFANTO - JUVENIL

PROFESSOR (A): MARIA EDINETE TOMÁS

O TEXTO LITERÁRIO NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Mikaele Correia da Silva

RESUMO

O  presente artigo, tem como objetivo analisar e descrever os modos de trabalhar com o texto literário nos anos iniciais do ensino fundamental ( 1° ao 5° ano). Tendo em vista que as séries iniciais exercem papel fundamental na formação do indivíduo. Desenvolveu-se uma pesquisa de campo para levantar as práticas realizadas na sala de aula com o texto literário. Verificou-se que esta atividade tem levado o leitor a estabelecer diálogos com diferentes tipos de livros, contribuindo, assim, para seu posicionamento crítico face à realidade. Diante disso, foi descrita a metodologia do trabalho com a literatura infantil, nas escolas que foram pesquisadas.

PALAVRAS-CHAVES: Texto Literário, Ensino, Escola, Leitor, Literatura Infantil.

INTRODUÇÃO

            A abordagem do texto literário no Ensino Fundamental vem sendo motivo de preocupação por estudiosos e docentes que nele percebem um rico instrumento para a formação do leitor e do cidadão crítico.

            Ao entrar na Escola, a criança passa a estabelecer uma íntima relação com livros, pois estes vêm ao encontro do seu mundo de fantasias. Elas, então têm prazer em aprender a ler para desvendar o mistério de tudo que está escrito nos livros. Há um esforço por parte dos professores, pois e, principalmente da criança nesse processo.

            Leitura e Literatura são formas de conhecimento e o gosto se forma na aprendizagem escolar. Entendendo que é fundamental o papel do professor na interação entre o texto e o leitor, é necessário planejar estratégias de como trabalhar o texto literário de forma que o aluno seja envolvido em um processo que o levará a perceber que a literatura não se esgota no texto e sim, completa-se no ato de leitura. Partindo desse pressuposto, o presente trabalho é resultado de uma pesquisa, na qual possibilitou o confronto entre teoria e a prática, através da pesquisa nas escolas, como se dá o encaminhamento da leitura literária no Ensino Fundamental e num segundo momento com textos teóricos para fundamentação do assunto.

O TEXTO LITERÁRIO NA SALA DE AULA.

            O primeiro contato da criança com um texto é feito oralmente, através da voz da mãe, do pai ou dos avôs, contando contos de fada, trechos da Bíblia, histórias inventadas, poemas sonoros e outros mais.

            Quando um texto literário é levado para a sala de aula sem receber o merecido prestígio, o professor está negando aos seus alunos a possibilidade de descobrir a beleza semântica e estética que pode ser explorada através de uma leitura prazerosa. A escola tem o papel de contribuir para que os livros lidos em sala de aula e fora dela, cumpram o ciclo completo do seu destino, proporcionando a reflexão sobre a arte e sobre a vida, despertando emoções que serão únicas e irrepetíveis para cada leitor.

A FORMAÇÃO DO LEITOR CRÍTICO

            A literatura infantil é como uma manifestação de sentimentos e palavras que conduz a criança ao desenvolvimento do seu intelecto, da personalidade, satisfazendo suas necessidades e aumentando sua capacidade crítica. Esta literatura como já foi expressa, tem o poder de estimular e/ou suscitar o imaginário, de responder as dúvidas do indivíduo em relação a tantas perguntas, de encontrar novas idéias para curiosidade do leitor. Nesse processo, ouvir histórias tem uma importância que vai além do prazer. É através de um conto ou de uma história que a criança pode conhecer coisas novas, para que efetivamente sejam iniciados a construção da linguagem, da oralidade, idéias, valores e sentimentos, os quais ajudarão na sua formação pessoal. Isso fica claro quando Cademartori (1994, p. 82) diz:

Leitor e texto ligam-se na medida em que o texto é uma organização simbólica com uma função representativa que se cumpre no leitor, pois a leitura é parte determinante de qualquer texto. Este, por natureza, apresenta vazios constitutivos que só encontram preenchimento através da inserção da faculdade imaginativa do leitor. Assim a leitura é vista como atividade produtora de sentido, sem a qual, o texto não se efetiva. O processo é reversível: O leitor realiza o texto e este age sobre ele modificando-o.

            Percebemos então como o leitor é importante no processo de leitura, pois é ele quem decodifica a mensagem e faz as suas interpretações. Reconstrói mensalmente a simbologia da história com a sua lição de vida.

            Considera-se que o gosto pela leitura se constrói através de um longo processo e que é fundamental para o desenvolvimento de potencialidades, há a necessidade de se propor atividades diversas e diferenciadas para a formação do leitor crítico.

            De acordo com Zilberman (2003, p.30) “... o uso do trabalho na escola nasce, pois, de um lado, da relação que se estabelece com seu leitor, convertendo-o num ser crítico perante sua circunstância.”

            Muitos estudos e pesquisas têm evidenciado a importância das atividades literárias diferenciadas no contexto educacional para o bom desempenho da criança. A utilização da literatura como recurso pedagógico pode ser enriquecida e potencializada pela qualidade das intervenções do educador.

            Assim, o educador preocupado com a formação do gosto pela leitura deve reservas.

O PAPEL DOS CONTOS DE FADA

            Produções literárias que são mais utilizadas nas salas de aulas (1° ao 5° ano) é o gênero contos de fadas, principalmente pelo seu apelo moralizador “embutido” em cada história. Trabalhar com contos de fadas nas escolas é uma atividade prazerosa para todos os envolvidos no processo educativo, pois é um tema de grande ocupação entre as crianças, que desperta interesse, envolvimento e participação dos mesmos. A medida que as histórias vão sendo trabalhadas, as crianças se identificam com os personagens e transferem todos os seus conflitos para aqueles vividos na história.

            Enquanto divertem as crianças, os contos trabalham o lado emocional das mesmas, favorecendo o desenvolvimento ou transformação de suas personalidades, visto que, tratam vários problemas de forma prazerosa e aceitável. E é importante ressaltar que para as crianças acostumadas a ouvir histórias e estimuladas a ter sempre contato com as mesmas, a leitura se fará constante na vida delas.

            A partir do momento em que esses contos de fadas foram incorporados e modernizados por Charles Perrault, que recupera contos populares esquecidos, usando um estilo simples e natural, o principal objetivo da contação desses contos foi o de entreter as crianças lhes passando lições de Moral. Exemplificando tem-se duas histórias particularmente: O Patinho Feio e o Corcunda de Notre Dame. Ambos os contos implicitamente falam do preconceito existente entre as pessoas, apesar de terem sido escritas há vários anos, ainda existe o mesmo modo de pensar anterior. Os professores tentam assim trabalhar o lado léxico e moral dos pequenos, motivando-os a serem pessoas anti - preconceituosas.

            É importante o docente saber diferenciar e fazer uso de histórias contadas e não histórias lidas para as crianças, já que, a linguagem se reverte de qualidade estética quando escritos, e essa diferença já pode ser percebida por ela, pois ao ouvir histórias a criança vai construindo seu conhecimento de linguagem escrita (estrutura lexical, textual, funções, formas e recursos lingüísticos).

O LIVRO NA SALA DE AULA

            A justificativa que legítima o uso do livro na escola nasce de um lado, da relação que estabelece com seu leitor, convertendo-o num ser crítico perante sua circunstância; e, de outro do papel transformador que pode exercer dentro do ensino, trazendo-o para a realidade do estudante e não submetendo este último a um ambiente rarefeito do qual foi suprimida toda a referência concreta. Como afirma Zilberman (1994, p. 65):

Quando se trata do uso do livro para crianças em sala de aula, o professor deve estar apto: a escolha de obras apropriadas ao leitor infantil e ao emprego de recursos metodológicos eficazes, que estimulem à leitura, suscitando a compreensão das obras e a verbalização, pelos alunos, do sentido apreendido.

            A afirmação com a literatura infantil e por extensão, com todo o tipo de obra de arte ficcional desemboca, num exercício de hermética, uma vez que é mister dar relevância ao processo de compreensão, pois é esta que completa a recepção, na medida em que não apenas evidencia a captação de um sentido, mas as relações que existem entre a significação e a situação atual e histórica de leitor.

            Portanto, não é atribuição do professor apenas ensinar a criança a ler corretamente; se está a seu alcance a concretização e expansão da alfabetização, isto é, o domínio dos códigos que permitem a mecânica da leitura, é ainda tarefa sua o emergir do deciframento e compreensão do texto, através do estímulo à verbalização da leitura procedida, auxiliando o aluno na percepção dos temas e reses humanos que alteram em meio à trama ficcional.

            Partindo destes pressupostos, se pode falar de leitor crítico, pois o livro fornece condições para a compreensão de seu mundo interior e uma concepção crítica da vida exterior. Nesse sentido, a literatura infantil realiza sua função formadora; dar, propor ao leitor o “conhecimento do mundo e do ser”.

A IMPORTÂNCIA DO TEXTO LITERÁRIO NA FORMAÇÃO DO IMAGINÁRIO INFANTIL.

           

            O texto literário vem há muito tempo encantando crianças e adultos. Desde os primórdios da humanidade essa prática de narrar histórias vem servindo como fonte de conhecimento e como forma do homem transmitir e compreender a realidade circundante. Pode-se até afirmar que o sucesso desses contos se deva ao fato de que o conteúdo dessas histórias terem significado comum para a maioria das pessoas.

            É relevante nesse contexto considerar o lugar que os conflitos e os personagens ocupam no imaginário infantil e o papel que desempenham no equilíbrio emocional da criança. Diversos estudiosos revelam por meio de pesquisa que a literatura infantil é algo sério e bastante produtivo na educação para crianças. Porém esse é um tema polêmico. Existe inúmeras discussões e controvérsias sobre o impacto que esses textos podem causar na mente das crianças. Muitos acreditam que essas histórias são prejudiciais a formação e desenvolvimento do psiquismo da criança, por promoverem violência e uma negativa visão da realidade capazes de traumatizar a criança. Entretanto muitos também são a favor do contato das crianças com essas narrativas, pois confirmam na verdade e no valor destes como indispensáveis na formação da personalidade. Podemos perceber isso nas palavras de Cademartore (1994, p. 18 e 19):

A literatura, por sua vez, propicia uma reorganização das percepções do mundo e, desse modo, possibilita uma nova ordenação das experiências existenciais da criança. A convivência com o texto literário provoca a formação do novos padrões e o desenvolvimento do senso crítico.

            A criança ao ter contato com o texto literário passa por um processo de desenvolvimento mental muito complexo. Principalmente porque ela passa a conhecer o meio em que vive e (possa) a questioná-lo.

            A simbologia dessas narrativas simples e motivadoras está associada as emoções que elas são capazes de provocar nas pessoas mais sensíveis como as crianças. Estas, estimuladas pela curiosidade de sempre conhecer mais, encontram na literatura infantil o suporte para seus questionamentos e realizações, como afirma Cademartore (1994, p. 73): “Através da história, a dimensão simbólica da linguagem é experimentada, assim como sua conjunção com o imaginário e com o real.”

            Isso causa além da diversão uma reorganização afetiva e intelectual das experiências vividas, que responde as necessidades infantis.

METODOLOGIA

            O trabalho foi realizado com as visitas as escolas para coleta de dados, visitas à 01(uma) escola de Pires Ferreira e 02(duas) escolas na cidade de Ipu. Num segundo momento visitamos a Secretaria de Pires Ferreira, onde tivemos contato com o programa: “Escola Ativa” que foi criado para auxiliar o trabalho educativo com classes multisseriadas.

            Foram coletadas nessas visitas algumas características que serão expostas a seguir:

            Todas as escolas pesquisadas usam os seguintes elementos estruturais: cantinho da leitura, histórias narradas através de fantoches entre outras. Os professores entrevistados, utilizam como prática pedagógica no trabalho de textos literários o cantinho da leitura, um dos elementos de apropriação e de sistematização do conhecimento. Os cantinhos são espaços na sala de aula a partir dos quais educadores podem promover atividades lúdicas. Utilizam-se também de “tapetes mágicos, no qual são colocados vários livros e almofadas ao redor para as crianças sentarem e apreciarem os livros. Há também a mala do condutor: o professor distribui livros para cada criança numa sacola do leitor”, que é levada para casa pelo aluno e ser lido com os pais, instigando, assim, a participação dos pais no processo de leitura.

            Os cantinhos de leitura têm a seguinte estrutura: é um tecido composto de bolsas, onde são colocados diversos livros para as crianças. Dessa forma, estimulam o desenvolvimento do conhecimento e compreensão dos gêneros textuais orais ou escritos, seus usos, suas finalidades e suas intenções.

           

CONSIDERAÇÕES FINAIS

           

            Este projeto de Literatura Infantil teve como base o confronto em a teoria e a prática, revelando que há necessidade de que façam-se outros trabalhos para que se possa ser criados para que os acadêmicos possam estabelecer esse convívio com as escolas nas quais poderão vir a desenvolver importante papel de disseminadoras do conhecimento. Também revela que os profissionais do ensino fundamental necessitam e precisam de serem efetivamente preparados para a realização de atividades diversificadas e motivadoras.

            Verifica-se que as séries iniciais obrigam professores de todas as áreas e que são preparados para ministrarem um conteúdo em particular, como matemática, ciências e português. Além disso, a observação de matrizes curriculares dos cursos de Pedagogia e Normal Superior demonstram que a disciplina de Literatura Infantil ainda não está estabelecida entre as várias metodologias que são trabalhadas durante o curso, o que acaba deixando uma lacuna na formação desses profissionais.

            Considerando que as séries iniciais são fundamentais para a formação da criança, acredita-se que os profissionais dessas séries deveriam participar de cursos de capacitação que realmente proporcionassem a eles uma especificidade da Literatura Infantil e as atividades que podem ser desenvolvidas com os alunos.

            Após o desenvolvimento deste trabalho, constata-se que é possível promover mudanças no ensino de Literatura para crianças do nível fundamental. Apesar das dificuldades, é necessário aproveitar a criatividade e a energia que os alunos tem nesta fase. A partir de um trabalho contínuo e planejado, proporcionado por mudanças de atitude com relação a maneira de se apresentar o texto literário aos alunos. É possível levá-los a um encontro prazeroso e ao mesmo tempo responsável com obras literárias.

            É imprescindível que a escola assuma a responsabilidade que lhe cabe nesse processo, pois é o único lugar onde a maioria das crianças tem acesso a literatura. Portanto não se pode poupar esforços nem investimentos neste sentido.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil. São Paulo, editora scipione, 5ª Ed. 2006.

CADEMARTORE, Lígia. O que é Literatura Infantil. São Paulo, editora brasiliense. 5ª Ed. 1994.

ZILBERMAN, Regina. A Literatura Infantil na Escola. São Paulo: Global, 8ª Ed. 1994.

 
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