MISSA DO GALO "MACHADO DE ASSIS" A NOITE DO ADULTÉRIO
 
MISSA DO GALO "MACHADO DE ASSIS" A NOITE DO ADULTÉRIO
 


MISSA DO GALO "MACHADO DE ASSIS" A NOITE DO ADULTÉRIO

Ana Claudia dos Santos
Orientador Claudiomar P. Silva


RESUMO
Este artigo abordará as temáticas sobre o conto "Missa do Galo de Machado de Assis", cujo o foco do conto é a questão do adultério consentido: o escrivão Meneses sai de casa para ter um caso com uma senhora divorciada, enquanto que sua esposa aparentemente demonstra suportar essa situação. O papel secundário da personagem adúltera do escrivão Meneses vai ser crucial para entendermos a concepção da história, pois enquanto ele, escrivão, mantém relação de conjunção com o objeto amor (está em posse de um relacionamento extraconjugal) sua esposa encontra-se em situação contrária. Sabe-se que na época em que Machado de Assis escreveu o conto Missa do Galo, questões como essa do adultério, ainda mereciam bastantes reflexões. Contudo, ainda era um grande "tabu", muito mais passível de discursos conservadores e, conseqüentemente, preconceituosos. O que se depreende do texto, a primeira instância é que o autor seria a favor do adultério e, que, para usar uma expressão cotidiana, "chifre trocado não dói", as personagens de Nogueira e Conceição, nada mais fizeram que jogar com esse ditado popular. Enfim, os fatos narrados pelo autor, da maneira pela qual ele nos apresenta não justificam as circunstâncias que provavelmente deduzimos como adultério. Traição tanto pode ser, desejo de trair, como o fato propriamente dito, insinuações, interpretações, etc, ou nenhuma das alternativas. As obras de Machado de Assis tenta desvendar em seus vários textos sobre o tema: a complexidade da temática Fidelidade X Traição, ou seja, uma época de extrema preocupação com o status social em relação ao adultério. Será ressaltado algumas características nas obras Machadianas, características estas que podem ser notadas em todas as suas obras como no caso de suas personagens, o prazer carnal, sua narrativa a conversa, dialoga com o leitor, à linguagem perfeição gramatical, e também as características das mulheres Machadianas.

Palavras-chave: Inexperiência, prazer carnal, adultério, mulher machadiana sedutora.


Machado de Assis é um escritor naturalista, contendo características que podem ser notadas em todas as suas obras como no caso de suas personagens que são geralmente burgueses de classe dominante, mostra de maneira impiedosa e ajuda a vaidade, a futilidade, à hipocrisia, a inveja, o prazer carnal, em sua narrativa a conversa, dialoga com o leitor, faz reflexão, aguça o leitor, mostra a imperfeição da humanidade, mostra que as causas nobres sempre ocultam interesses impuros. Em relação à linguagem machadiana, era considerada uma perfeição gramatical, não se pode deixar passar despercebidas as mulheres machadianas, sim, as mulheres das Obras de Machado de Assis, todas eram consideradas mulheres racionais, fortes, dominadores, sensuais, "dissimuladas", ambíguas, astuciosas e principalmente adúlteras. Características pelos quais não se passam despercebidos, pois os romances naturalistas machadianos se destacam pela abordagem extremamente aberta do sexo e pelo uso da linguagem falada, a descrição de suas personagens é uma da caracteristica do naturalismo. O resultado são diálogos vivos, com conteúdos extraordinariamente verdadeiro, que na época foi considerado até chocante de tão inovador, pois ele possuirá certas dimensões sociais evidentes, referências a lugares, modos, usos, manifestações de atitudes de grupo ou de classe como o adultério, expressão de um modo diferente de vida entre burguês e patriarcal. Ao ler uma obra naturalista principalmente de Machado, tem-se a impressão de estar lendo uma obra contemporânea, que acabou de ser escrita, pois é algo praticamente real, mesmo que tenha sido escrita anos atrás, ainda ha uma relação com os dias de hoje, pois suas escritas foram baseadas na obervação da vivencia da sociedade e fazendo uma relação das obras machadianas com os dias de hoje é a questão do adúlterio.
No conto de Machado de Assis "Missa do Galo" é um conto que se da numa noite de Natal, entre um jovem Nogueira e uma senhora casada Conceição, praticamente nada acontece entre os dois. Mas Machado parece dizer que, onde nada acontece, tudo pode acontecer e para que o percebamos, simplesmente devemos observar e ler atentamente as marcas do desejo não explícito. O conto é narrado pela personagem Nogueira em primeira pessoa do singular. Nogueira narra um fato que aconteceu consigo quando tinha 17 anos de idade a qual não mais esquecera, morava na casa do escrivão Meneses, segundo ele seria para estudar. Naquele ano, prolongou sua entrada na Corte a fim de assistir à Missa do Galo, apesar de as férias já terem começado.
O escrivão Meneses, apesar de ser casado com Conceição, uma "santa" segundo o narrador, mantinha um caso extraconjugal com uma mulher separada do marido, ou seja, foco central das obras machadianas a questão do "adultério". "Boa Conceição! Chamavam-lhe "a santa", e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido". (MACHADO, 1899, p. 02)
Na casa, todos sabiam, inclusive sua esposa. Porém Conceição posava-se de boa moça "santa" e fazia de conta que nada acontecia. A noite de Natal foi uma das ocasiões do adultério, ou seja, o adultério declarado do marido de Conceição propicia as condições para que ela própria deseje também provar.
Assim, acontece o encontro praticamente planejado por ela, ao que tudo indica, com o jovem.
Nogueira, esperava a hora da Missa do Galo. Ele, por ingenuidade e inexperiência, pois tinha 17 anos de idade, não chega a captar exatamente as intenções de Conceição. Ela queria seduzi-lo com pode ser notado;

"Conceição entrou na sala, arrastando as chinelinhas da alcova". Vestia um roupão branco, mal apanhado na cintura. Sendo magra, tinha um ar de visão romântica, [...]" (MACHADO, 1899, p.02)

No entanto, nenhum envolvimento maior acontece com eles, por parte de Nogueira pelo fato do mesmo ser inexperiente e não ter tido capacidade para notar que Conceição queria algo a mais do que ficar a noite toda conversando, pois naquela hora da noite não era momento de uma mulher casada estar sozinha na sala com um homem praticamente desconhecido.
Ora, se ela queria somente conversar porque escolhera justo a noite, num momento em que todos já havia se recolhido para dormir, e no momento em que seu esposo o escrivão Meneses já havia saído novamente para lhe adulterar, e pior, escolhera um momento adequado em que os dois estivessem a sós?

Os minutos voavam, ao contrário do que costumam fazer, quando são de espera; ouvi bater onze horas, mas quase sem dar por elas, um acaso. Entretanto, um pequeno rumor que ouvi dentro veio acordar-me da leitura. Eram uns passos no corredor que ia da sala de visitas à de jantar; levantei a cabeça; logo depois vi assomar à porta da sala o vulto de Conceição. (MACHADO, 1899, p.02)

Após isso, nota-se a relevância de que Conceição queria algo mais com Nogueira, pois ela não tinha nem se deitado, ela aguardara o momento da saída de seu esposo e dos criados, e Nogueira sabia, porém conteve-se. "Os olhos não eram de pessoa que acabasse de dormir; pareciam não ter ainda pegado no sono." (MACHADO, 1899, p.03).
Mas, o encanto daquele momento termina quando o vizinho bate na janela, chamando Nogueira à Missa do Galo. Daquele dia em diante, nunca mais Nogueira conversou ou escreveu para Conceição. Restou-lhe somente a imagem do balanço do corpo de Conceição, enfiando-se pelo corredor, pisando mansinho, e sumindo de sua vida, deixando na lembrança de Nogueira, a incompreensão daquela "conversação" que teve com uma senhora, há muitos anos atrás.
No final, o narrador conta que, no ano seguinte, o escrivão Meneses morre de apoplexia. Quanto à Conceição, casou-se logo depois com o escrevente juramentado do marido. E Ele nunca mais a vira.
É de se notar, nesse conto, as características mais presentes em Machado de Assis tais como: o tema do adultério e, mais especialmente na personagem Conceição.
Nogueira não consegue entender o se passou naquela conversação, o que deveria ter acontecido, pois no ser humano é impossível prever o que se passa no seu interior do pensamento de uma pessoa. Ele poderia até saber, mais resolveu mentir para si próprio pois não queria magoar ninguém e principalmente ao amigo Meneses que o acolhera.
Já Conceição estava carente, sentindo a ausência do esposo que saira para adulterá-la, ela sentindo necessidade de prazer carnal tenta uma aproximação com Nogueira, pois ela queria sentir o calor novamente de um homem o qual muito tempo já não mais sentia, tentou ter essa necessidade saciada com Nogueira, porém o mesmo não lhe mostrava interesse, não pela inexperiência, mas por respeito ao que o acolhera.
A densidade psicológica capaz de criar uma atmosfera voltada para o inusitado deve
ser anotada como supremo ato de criação machadiana. A elasticidade temporal também é uma das marcas da genialidade do escritor no conto, pois a marcação do tempo psicológico transcorre independente do tempo cronológico. Ao demorar-se no tempo psicológico o autor faz com que o leitor sinta uma ambigüidade em relação aos acontecimentos, a dúvida sobre os fatos. O leitor se vê envolvido em um clima hipnótico que só se desfaz nas linhas finais.
É notável uma relação desta obra machadiana com a atualidade uma delas é questão do adultério, pois na época de Machado praticamente estava começando, e hoje é uma coisa que se adaptou perfeitamente na atualidade, moda, outra questão também é a mulher sedutora.
Sendo dessa forma, é difícil apontarmos uma conclusão concreta no conto Missa do Galo, e nas obras machadianas, pois Machado de Assis era um sábio e profundo conhecedor da natureza humana e sempre foi louvado pela crítica como um grande delineador de personagens femininas e, segundo Alberto Bagby "onde parece que alcançou maior acerto do que na caracterização de figuras masculinas". (BAGBY, 1991. p. 295).
É ressaltavel a questão do adultério no conto, pois a mulher "Conceição" era responsável pela moral familiar, portanto, era necessário defender a reputação feminina de qualquer coisa que pudesse ser vista como mácula ? e tal necessidade era prescrita exclusivamente para o mundo feminino, não conhecendo correspondente no masculino. Por isso, confere-se dois significados a adultério, palavra que, em si, não admite mais de uma definição ? e, logicamente, condiciona o comportamento feminino, obriga a mulher à arte da dissimulação, se o objeto do seu amor não coincide com a pessoa do marido.



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

ASSIS, Machado de. "Obra Completa". Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1979. Disponível em:
www2.uol.com.br/machadodeassis> Acesso em: junho/julho/agosto de 2006.

A Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro http://www.bibvirt.futuro.usp.br
A Escola do Futuro da Universidade de São Paulo

http://pt.wikipedia.org/wiki/Missa_do_Galo_(conto)
 
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Sobre este autor(a)
Acadêmica do curso de Licenciatura Plena em Letras do sétimo semestre da Universidade do Estado de Mato Grosso UNEMAT
Membro desde março de 2011
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