A SOCIOLOGIA E AS TEORIAS SOCIOLÓGICAS

Durante milhares de anos os homens vêm refletindo sobre os grupos e as sociedades em que vivem, procurando compreende-los. Esta reflexão vem desde a antiguidade, onde os filósofos se preocupavam em definir e organizar o seu meio social. Os homens em todo o mundo vivem em grupo. Isto favorece os sociólogos, uma vez que as conseqüências da vida em grupo são o objeto de estudo da Sociologia. O interesse pelos grupos è o que diferencia os sociólogos dos outros cientistas sociais. Os sociólogos interessam-se igualmente pelas causas das mudanças ou da desintegração nos grupos. os sociólogos estudam o relacionamento entre os .membros de um grupo e entre os grupos. Estas são algumas de muitas razões do dever da sociologia e dos sociólogos que estarão neste trabalho, onde será exposto alguns pensadores e sua teorias que colocaram o foco do seu olhar e pensar na sociedade. 

1 – Sociologia

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Sociologia é o estudo do comportamento social das interações e organizações humanas. Todos nós somos sociólogos porque estamos sempre analisando nossos comportamentos e nossas experiências interpessoais em situações organizadas.. O objetivo da sociologia é tornar essas compreensões cotidianas da sociedade mais sistemáticas e precisas, à medida que suas percepções vão além de nossas experiências pessoais.

A sociologia estuda todos os símbolos culturais que os seres humanos criam e usam para interagir e organizar a sociedade; ela explora todas as estruturas sociais que ditam a vida social, examina todos os processos sociais, tais como desvio, crime, divergência, conflitos, migrações e movimentos sociais, que fluem através da ordem estabelecida socialmente; e busca entender as transformações que esses processos provocam na cultura e estrutura social.

Através dos tempos , o homem pensou sobre si mesmo e sobre o universo. Contudo, foi apenas no século XVIII que uma confluência de eventos na Europa levou à emergência da sociologia. Quando os antigos sistemas feudais começaram a abrir caminho ao trabalho autônomo que promovia a indústria nas áreas urbanas e quando novas formas de governo começaram a desafiar o poder das monarquias, as instituições da sociedade - emprego e receita, planos de benefícios , comunidade, família e religião - foram alteradas para sempre. Como era de se esperar, as pessoas ficaram inquietas com a nova ordem que surgia e começaram a pensar mais sistematicamente sobre o que as mudanças significavam para o futuro

O movimento intelectual resultante é denominado de Iluminismo. Ainda outra influência por trás do surgimento da sociologia – a Revolução Francesa, de 1789 – acelerou o pensamento sistemático sobre o mundo social. A violência da revolução foi um choque para toda a Europa, pois, se tal violência e influência puderam derrubar o velho regime, o que houve para substituí-lo? Como a sociedade poderia ser reconstruída a fim de evitar tais eventos cataclísmicos? É nesse ponto, nas décadas finais do século XVIII e início do XIX, que a sociologia como uma disciplina autoconsciente foi planejada.

2 – Augusto Comte (1798 – 1857) - Positivismo

O positivismo foi uma corrente filosófica linha teórica da sociologia, cujo mentor e iniciador principal foi Auguste Comte, no século XIX. Apareceu como reação ao idealismo, opondo ao primado da razão, o primado da experiência sensível (e dos dados positivos). Propõe a idéia de uma ciência sem teologia ou metafísica, baseada apenas no mundo físico/material.

A filosofia positiva ou positivismo corresponde a uma forma de entendimento do mundo, do homem e das coisas em geral: ele entende que os fenômenos da natureza acham-se submetidos a leis naturais, que a observação descobre, que a ciência organiza e que a tecnologia permite aplicar, preferencialmente em benefício do ser humano. As leis naturais existem nas várias categorias de fenômenos, que Augusto Comte distinguiu em sete: há fenômenos matemáticos, astronômicos, físicos, químicos, biológicos, sociais e psicológicos.

Estas categorias de fenômenos envolvem a totalidade dos fenômenos naturais que o Positivismo reconhece como, todos eles, submetidos a leis naturais.

O Positivismo considera que, quanto ao entendimento dos fenômenos, quanto à forma de explicar o mundo, o progresso da humanidade consistiu em partir-se da concepção teológica e chegar-se à filosofia positiva.

O espírito humano, em seu esforço para explicar o universo, passa sucessivamente por três estados:

a) O estado teológico ou "fictício" explica os fatos por meio de vontades análogas à nossa (a tempestade, por exemplo, será explicada por um capricho do deus dos ventos, Eolo). Este estado evolui do fetichismo ao politeísmo e ao monoteísmo.

b) O estado metafísico substitui os deuses por princípios abstratos como "o horror ao vazio", por longo tempo atribuído à natureza. A tempestade, por exemplo, será explicada pela "virtude dinâmica"do ar

c) O estado positivo é aquele em que o espírito renuncia a procurar os fins últimos e a responder aos últimos "por quês".

O Positivismo fez grande sucesso na segunda metade do século XIX, mas, a partir da ação de grupos contrários, perdeu influência no século XX. Todavia, desde fins do século XX ele tem sido redescoberto como uma forma de perceber o homem e o mundo, a ciência e as relações sociais.

O positivismo teve fortes influências no Brasil, tendo como sua representação máxima, o emprego da frase positivista "Ordem e Progresso", extraída da fórmula máxima do Positivismo: "O amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim", em plena bandeira brasileira. A frase tenta passar a imagem de que cada coisa em seu devido lugar conduziria para a perfeita orientação ética da vida social.

3 – Herbert Spencer (1820-1903) – Evolucionismo e Organicismo

Spencer, um dos pioneiros da sociologia, influi profundamente no desenvolvimento da sociologia, não só na Inglaterra, como também, na França e nos EUA. Defende o evolucionismo. Para sustentá-lo, empregou um método comparativo, do qual foi um dos pioneiros, bem como usou dados etnológicos. Utilizou dados da historia, da psicologia e da biologia. Desta ultima se serviu para desenvolver a sua teoria organicista.

Estava convencido de que a sociologia deve proceder comparando grupos sociais históricos, de modo a descobrir o que tem em comum. Faz questão de salientar que a evolução social não depende da vontade humana. Tanto a evolução social, como o progresso, são necessários, não dependendo do homem.

Como Comte, Spencer acreditava que os agrupamentos humanos podiam ser estudados cientificamente, e em seu notável trabalho "Os Princípios da Sociologia" (1874-1896), ele desenvolveu uma teoria de organização social do homem, apresentando uma vasta série de dados históricos e etnográficos para fundamentá-la. Para Spencer, todos os domínios do universo – físico, biológico e social - desenvolvem-se segundo princípios semelhantes. E a tarefa da sociologia é aplicar esses princípios ao que ele denominou de campo superorgânico, ou o estudo dos padrões de relações dentre os organismos.

Spencer retorna a questão de Comte: o que mantém unida a sociedade quando esta se torna maior, mais heterogênea, mais complexa e mais diferenciada? A resposta de Spencer em termos gerais , foi muito simples: sociedades grandes complexas, desenvolvem: 1) interdependências dentre seus componentes especializados; e 2) concentrações de poder para controlar e coordenar atividades dentre unidades interdependentes. Para Spencer a evolução da sociedade engloba o crescimento e a complexidade que é gerenciada pela interdependência e pelo poder. Se os padrões da interdependência e concentrações de poder falham ao surgir na sociedade, ou são inadequados à tarefa , ocorre a dissolução, e a sociedade se desmorona.

Ao desenvolver resposta à questão básica de Comte, Spencer fez uma analogia aos corpos orgânicos, argumentando que as sociedades, como organismos biológicos, devem desempenhar certas funções-chave se elas quiserem sobreviver. As sociedades devem reproduzir-se; devem produzir bens e produtos para sustentar os membros ; devem prover a distribuição desses produtos aos membros da sociedade; e elas devem coordenar e regular as atividades dos membros. Quando as sociedades crescem e se tornam mais complexas, revelando muitas divisões e padrões de especialização , estas funções –chave tornam-se distintas ao longo de três linhas: 1) a operacional (reprodução e produção ), 2) a distribuidora (o fluxo de materiais e informação), 3) a reguladora (a concentração de poder para controlar e coordenar).

Spencer é mais bem lembrado por instituir uma teoria na sociologia conhecida como funcionalismo. Essa teoria expressa a idéia de que tudo o que existe em uma sociedade contribui para seu funcionamento equilibrado; de que tudo o que nela existe tem um sentido, um significado.

4 – Le Play (1806-1882) - Pioneiro do Método Monográfico

Le Play tem o mérito de ter sido um dos primeiros a encarar o social dentro de uma perspectiva científica. Fez escola e foi um dos construtores da metodologia sociológica.

Tratando das ciências sociais, não formulou conclusões apressadas, pois reconhecidas que só depois da observação dos fatos se podem atingir resultados aceitáveis. Para atingi-los, imaginou uma técnica – a monografia, da qual é pioneiro.

Estabelecendo o elemento mais simples da sociedade, o sociólogo deve evitar o estabelecimento de conclusões logo após apressadas suas observações. Não se deve limitar-se a observar seu meio. Deve preferir observar grupos sociais que não lhe são familiares, pois os que lhe estão próximas podem ser vistos à luz do prisma de sua crenças ou preferenciais. Deve-se afastar de seu habitat, conhecer povos diferentes, enfim, viajar.

Acreditando que as viagens proporcionam observação direta de costumes e organizações sociais diferentes, Le Play percorreu a Europa, não como turista, mas como estudioso de questões sociais: observando, anotando e analisando.

Segundo Le Play, não seria o indivíduo isolado o elemento fundamental para a compreensão da sociedade, mas sim a unidade familiar. Estudou diversas famílias de trabalhadores sob a industrialização e pôde observar que elas estavam mais instáveis do que anteriormente. Le Play acreditava que se os respectivos papéis tradicionais do homem e da mulher dentro da família fossem resgatados, as famílias e a própria sociedade poderiam adquirir mais equilíbrio.

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Sobre este autor(a)
[email protected] wathsapp: 14-996244194 Bacharel em Filosofia pela Faculdade São Luís - Brusque/SC. Graduando em Pedagogia pela UNOPAR.
Membro desde abril de 2009