Sexualidade Na Adolescência
 
Sexualidade Na Adolescência
 


1 INTRODUÇÃO O tema escolhido foi Educação Sexual  Sexualidade na Adolescência, tendo como problemática Como trabalhar a sexualidade dos jovens na adolescência?. Para Santos (1994), a pertinência da extensão enquanto função, ou seja, numa situação ideal, a relação com a realidade social já estaria presente na prática do ensino e da pesquisa. Percebemos em nosso dia a dia o anseio da comunidade em orientar os jovens com relação à sexualidade. Por isso sentimos a necessidade de pesquisar e buscar alternativas para colaborar com a formação integral dos adolescentes da comunidade. Alem disso, pretendemos ajudá-los a esclarecer suas duvidas para que adquira maior confiança em si próprio. Ainda nos dias de hoje, é tão difícil falar sobre sexo e sexualidade, mesmo estando este tema estampado em programas de televisão, músicas, revistas e tantas outras maneiras, que fazem parte do dia a dia e da nossa realidade. As famílias não oferecem formação a seus filhos, deixando-os que aprendam tudo na escola, ou muitas vezes com pessoas de má intenção, tendo a possibilidade de aprenderem de maneira extremamente errada, causando nestes jovens preconceitos e tabus, para isso foi necessário que chegássemos bem próximos destes alunos para sabermos suas reais curiosidades, deixando ai sugestões e atividades de como poderá ser trabalhada a sexualidade nas escolas e até mesmo dentro do seio familiar. Mesmo a sexualidade sendo um assunto proibido para diversos adultos, não podemos cobrar deles mais informações, porque a educação que eles receberam sobre sexualidade leva-os a não se sentirem a vontade para falar sobre o assunto. Alguns pais não falam sobre sexualidade por medo, por não considerarem assunto para crianças e por outras razões diversas, muitas vezes pela própria educação que tiveram. A confusão forma-se na cabeça das crianças, quando os pais escondem ou inventam algo sobre o sexo, muitas vezes evitando falar sobre o assunto, criando verdadeiros tabus. Meninos e meninas acabam procurando respostas para suas curiosidades, das diversas maneiras nem sempre corretas, através de revistas, filmes e conversas com determinados amigos não obtendo na maioria das vezes respostas corretas e objetivas. Segundo Tiba (1998, p. 32) ensinar é um gesto de generosidade, humanidade e humildade. É necessário que os pais e professores se conscientizarem que independente da idade, a sexualidade está presente e as dúvidas devem ser esclarecidas e discutidas, de maneira objetiva, simples com humildade, pesquisando quando as questões apresentadas pelos filhos e alunos fugirem ao conhecimento dos pais. Para tanto, com esse projeto queremos contribuir na formação do sujeito, como ser completo, não apenas no conhecimento intelectual, mas que ele possa se perceber como ser integral, com suas emoções, comportamentos, e que o mesmo possa a vir somar com as experiências e questionamentos do nosso projeto, mudando a sua trajetória de vida, não se deixando levar apenas por emoções, fantasias, ou impulsos que mais tarde poderá acarretar em danos para sua personalidade, criando gravidez indesejada, doenças e etc. Em decorrência deste bairro, também se observa que os jovens são levados para outros caminhos que não são adequados para sua idade e nem pra vida de qualquer ser humano, como criminalidade e outros. Já na escola o comportamento destes jovens e adolescentes é bastante prematuro, pois estão sempre voltados à promiscuidade, com palavrões, gestos obscenos. Objetivou-se buscar alternativas de orientação aos jovens no sentido de suprir os questionamentos levantados por eles, pesquisar conjuntamente novas maneiras de abordar a temática da sexualidade com os adolescentes, orientar os jovens com relação ao reconhecimento sexual, colaborando com a formação integral dos adolescentes da comunidade. 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A discussão sobre a inclusão da sexualidade no currículo das escolas tem se intensificado a partir da década de 70, por ser considerada importante na formação global do indivíduo. As manifestações de sexualidade afloram em todas as faixas etárias. Ignorar, ocultar ou reprimir são as respostas mais habituais dadas pelos profissionais da escola. Estas práticas se fundamentam na idéia de que o tema deva ser tratado exclusivamente pela família. Os PCNs definiram a orientação sexual como um dos temas transversais que devem perpassar toda concepção e estruturação do ensino fundamental e médio em nosso país. A educação sexual escolar sempre foi objeto de polêmica em nossa tradição educacional. A escola brasileira pública e privada, sempre manteve este tema distante de seus procedimentos curriculares e responsabilidades institucionais.(NUNES, 2000, p. 13). De acordo com Sampaio (1995), a sexualidade deve ser orientada de forma a preparar o individuo para a vida, porém para educar é preciso que o educador esteja preparado para tal tarefa. Busca se considerar a sexualidade como algo inerente a vida e a saúde, que se expressa desde cedo no ser humano. Engloba o papel do homem e da mulher, o respeito por si e os estereótipos atribuídos e vivenciados em seus relacionamentos, o avanço da AIDS e da gravidez indesejada na adolescência, entre outros que são problemas atuais e preocupantes. Todos esses fatores denotam uma necessidade cada vez maior da inclusão da temática sexual no currículo escolar. Para a sexóloga Suplicy (1983), é no lar que o ser humano deveria ter sua primeira educação sexual, uma criança falante e curiosa pode começar a mostrar interesse pelo sexo aos dois ou três anos, mesmo sem o uso da palavra. A maioria o fará com quatro ou cinco anos de idade. Nesta fase o que a criança quer saber é muito pouco, não é preciso explicar detalhes, mas também não minta, não brigue, não desconverse, explique o básico na linguagem que ela puder entender. Segundo Freud (1939), a teoria do inconsciente permitiu o entendimento da formação de traumas no indivíduo, na investigação da origem dos traumas ele estudou a criança e descobriu que o início das neuroses está na repressão sexual sofrida pelos indivíduos ainda na fase infantil da vida. Podemos entender a repressão mental como processo que exclui da consciência sensações ou lembranças desagradáveis que são remetidas ao inconsciente. O instinto sexual de todos os instintos humanos é o mais reprimido pela cultura e também o que mais amplamente se manifesta seja por via neurótica ou sadia, tamanha é a sua força. Para tanto, [...] O modo de proceder dos doentes em nada facilita o reconhecimento da justeza da tese que estamos aludindo. Em vez de nos fornecerem prontamente informações sobre a vida sexual, procuram por todos os meios ocultá-la. Em matéria sexual os homens são em geral insinceros. Não expõem a sua sexualidade francamente; saem recobertos de espesso manto, tecido de mentira, para se resguardarem, como se reunissem um temporal terrível no mundo da sexualidade. E não deixam de ter razão; o sol e o ar em nosso mundo civilizado não são realmente favoráveis a atividade sexual (FREUD, 1970, p. 38-39). Fagundes (1995) acredita que se uma criança não tem desde cedo um esclarecimento sobre assuntos ligados ao sexo, não compartilha seus medos e ansiedade com seus pais. E os pais não lhe dão apoio nas suas descobertas, certamente ela será um adolescente carregado de dúvidas buscando em revistas e conversas com amigos o entendimento deste processo e, provavelmente, um adulto com complexos, culpas e preconceitos, a sexualidade infantil estabelece as bases para sexualidade na adolescência e para a sexualidade na vida adulta. Para Souza (1991) Educação Sexual é: Oferecer condições para que um ser assuma seu corpo e sua sexualidade com atitudes positivas, livre de medo e culpa, preconceito, vergonha, bloqueios ou tabus. É um crescimento exterior e interior, onde há respeito pela sexualidade do outro, responsabilidade pelos seus atos, direito de sentir prazer, se emocionar, chorar, curtir sadiamente a vida. É ter direito a esse crescimento com confiança, graças às respostas obtidas aos seus questionamentos, podendo criticar, transformar valores, participar de tudo de forma sadia e positiva, sempre buscando melhores relacionamentos humanos. (p. 18) A questão dos preconceitos que envolvem a sexualidade não tem origem na criança, mas no mundo e sociedade onde esta criança vive. É muito difícil trabalhar a sexualidade, pois mexemos com a nossa sexualidade, com nossos conceitos em relação a ela. A educação sexual passa pela educação do educador. O professor deve estar consciente da beleza e dignidade do sexo. Deve encarar com tranqüilidade a curiosidade da criança. A ausência de uma atitude, uma fala natural sobre a sexualidade vai gerar na criança a ansiedade de saber que o fará buscar a satisfação de suas curiosidades em outras fontes nem sempre recomendáveis. A criança usa muito seu corpo para expressar os seus desejos, seus anseios, seus sentimentos relacionando-se com o ambiente ao seu redor. Porto (1995, p 25) diz: É com o corpo que sou capaz de ver, ouvir, falar, perceber e sentir as coisas. O relacionamento com a vida e com os outros corpos dá-se pela comunicação e pela linguagem que o corpo é e possui. Esta é a minha existência, na qual tenho consciência do meu eu no tempo e no espaço. O corpo ao expressar seu ser sensível, torna-se Todo o sujeito tem seu mundo construído a partir de suas próprias experiências corporais. As brincadeiras ou jogos sexuais entre as crianças são muito importantes, pois servem para atender às necessidades sexuais das mesmas. Nas crianças as brincadeiras sexuais são freqüentes e satisfazem a sua curiosidade de ver e tocar o corpo do outro, de ver se é de outro sexo ou de conferir, se o corpo do outro é igual ao seu. Esta descoberta dá prazer físico e emocional. É uma fase transitória e normal entre crianças da mesma idade e não dever ser punida. O contexto e a valorização das atividades sexuais dependem das condições sócio-econômicas e sócio-culturais, divergindo entre adolescentes do sexo masculino e feminino. Nos adolescentes masculinos, freqüentemente, se aceita que eles tenham um forte instinto sexual e a necessidade de fazer experiências na área sexual. Quase não existem restrições, pelo fato de que as conseqüências não desejadas só aparecem nas mulheres. A sociedade, genericamente, aprova as atividades sexuais das jovens mulheres casadas com menos de 20 anos de idade. A gravidez é desejada, sendo o objetivo principal ter filhos e criá-los. Porém, na maioria das sociedades desaprova-se as atividades sexuais antes do casamento. Neste caso, a gravidez não é desejada. No período entre a menarca e o casamento é de praxe controlar as atividades sexuais e possíveis conseqüências indesejadas, com ajuda de uma série de regras e hábitos. O desaparecimento dos valores tradicionais, as atrações do mundo consumista urbano e as condições econômicas reais nas cidades favorecem tanto as relações sexuais pré-matrimoniais com diferentes parceiros quanto a prostituição juvenil. A melhoria das possibilidades de educação para os adolescentes, como também as razões econômicas resultam no aumento da idade para o casamento. Daí aumentam as relações pré-matrimoniais com as suas conseqüências negativas: gravidez não desejada e aborto. Cada vez mais a escolha do parceiro, anteriormente assunto acordado entre as famílias, é assumida pelos próprios jovens. Isto, por sua vez, favorece que se tenham relações sexuais com diferentes parceiros para encontrar o certo. 3 METODOLOGIA Para que nos fosse possível buscar respostas ao problema colocado, realizamos uma investigação qualitativa que o propósito fundamental da pesquisa qualitativa é a compreensão, explanação e especificação do fenômeno social. O foco desta pesquisa é a construção do significado. Ela se preocupa, nas ciências sociais com o nível de realidade que não pode ser quantificado. Minayo (2001, p.21). Segundo LÜDKE E ANDRÉ (1986), a pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador, como o seu principal instrumento. A pesquisa qualitativa supõe o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendo investigada. A pesquisa foi desenvolvida através de uma pesquisa participativa. Pesquisa-ação. Para THIOLLENT (2000), a pesquisa ação e um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo. A abordagem desta pesquisa qualitativa refere-se ao ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como principal instrumento. Há neste tipo de pesquisa maior preocupação com o processo do que o produto, a análise e a interpretação dos dados tende a seguir um processo indutivo. A pesquisa foi realizada na Comunidade Castelo Branco localizada na cidade de Júlio de Castilhos, Rio Grande do Sul, envolvendo jovens que freqüentam a escola daquele bairro. Esta pesquisa teve como um dos instrumentos de coleta de dados, a entrevista, desenvolvida de uma forma dinâmica, através de uma caixinha para tirarem suas dúvidas, onde os alunos escreveriam seus questionamentos e colocariam dentro da caixinha para posteriormente serem analisadas. Para LAKATOS (2003, p.37) entrevista é um encontro entre duas pessoas, afim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional. Nesta pesquisa foi definida à entrevista estruturada que para LIMA (2001, p.42) caracteriza-se pelo fato de, no momento da entrevista, o entrevistador e o contato se orientar por um roteiro previamente elaborado e conhecido. Esse roteiro deve ser enviado antecipadamente para o entrevistado e preparar-se para responder as questões propostas e a semi-estruturada que visa explorar amplamente uma questão sem necessariamente impor limites e direção à comunicação estabelecida entre o pesquisador e o contato. É importante que as questões das crianças tenham espaço para serem colocadas e respondidas com clareza, simplicidade, à medida que esta curiosidade vai surgindo, vamos tentar saná-las de modo que possam adquirir confiança em nós. Para isso foi oferecida uma palestra com uma enfermeira de Santa Maria, na intenção de colaborar com estes jovens e adolescentes, sanando suas dúvidas e curiosidades. 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES Conforme explicitado na introdução deste trabalho, este item, destinado à apresentação e discussão dos resultados obtidos a partir da aplicação dos instrumentos da pesquisa, segue-se a seguinte estrutura: em um primeiro momento sentimos um certo receio em concluir esta pesquisa, devido os alunos dizer saber tudo sobre sexo, não querendo sequer escrever algumas dúvidas, diziam saber tudo. Com isto tivemos de ter uma conversa mais informal, estimulando-os e explicando, que nós éramos adultos e tínhamos muitas dúvidas, imaginem se eles também não iriam ter. Também ressaltamos que as perguntas eram secretas e que ninguém a não sermos nós ficaríamos sabendo. Já num segundo momento a resposta deles para contribuição de nossa pesquisa foi bárbaro e muito gratificante para realização deste projeto. Aí foi que deixamos a caixinha no corredor da escola para que cada aluno formulasse sua pergunta e depositasse na caixinha. Os dados, quanto ao nível das perguntas, reforçam que eles têm diversas dúvidas e que deve ser sanado o mais rápido possível. Os alunos da 5ª série, por volta de 12 anos, apresentaram preocupação de como se faz sexo, tendo dúvidas de como faz o sexo em si e abrangendo curiosidades sobre o uso correto da camisinha. O resultado da pesquisa na 6ª série por volta dos 13 anos aponta para a curiosidade maior sobre as funções do corpo, preocupando-se com a menstruação, doenças sexualmente transmissíveis, masturbação e gravidez. Persistem ainda, muitos equívocos dos pais, na forma como eles lidam com esta questão. É comum encontrarmos pais que se espantam ao se defrontarem com seus filhos se masturbando, ou que explicam com meias palavras e verdades as clássicas perguntas infantis sobre a origem dos bebês. A masturbação é uma atividade sexual que traz prazer e alívio de tensões, além de concorrer para o conhecimento do próprio corpo, consiste na auto-estimulação dos genitais em busca de prazer, do orgasmo. Segundo CALDERONE, & RAMEY (1986) Crianças de tenra idade experimentam um certo prazer através do ato de urinar ou defecar, podendo querer brincar com sua urina ou fezes. Podem também apreciar, examinar seus próprios genitais ou de seus amiguinhos (p.31). De acordo com BARROSO, & BRUSCHINI (1985) A criança brinca com seu próprio corpo desde pequenina, explora cada parte dele e por sua vez, se detém nos genitais. Descobre que o corpo é fonte de prazer e gosta das sensações que obtém (p.29). Logo, estas experiências precoces serão à base de uma sexualidade sadia no futuro. A masturbação não provoca nenhum efeito físico significativamente diferente das outras atividades sexuais, é um processo normal de maturação sexual e aceitação de si mesmo como seres sexuais. A professora deve transmitir ao aluno, que se masturba na sala de aula, que esta é uma atividade particular e privada. O conhecimento do corpo através do prazer é um direito da criança, mas é necessário aprender também, a enfrentar a realidade e à frustração, compreendendo que os desejos não podem ser sempre satisfeitos. Quanto às curiosidades dos alunos da 7ª série, por volta dos 13 a 14 anos, percebemos que a maior preocupação são com gravidez e métodos contraceptivos, eles já sabem o que é relação sexual e as possíveis causas da gravidez. O que nos chamou a atenção nos alunos da 8ª série é que as preocupações deles eram muito semelhantes a dos alunos da 7ª série, distinguindo-se apenas com relação ao tamanho do pênis, e se este iria crescer. Tendo como referência as análises e respostas das crianças pode-se dizer que as maiorias das crianças apresentaram curiosidades que inicia com aspectos voltados no ato sexual em si e os problemas de gravidez, métodos para o controle da natalidade. Precisamos urgentemente debater na sociedade a sexualidade na adolescência, preparando o jovem para a liberação de crenças e tabus sanando suas dúvidas, recuperando a sua autoconfiança. Os temas transversais nas escolas não são trabalhados de forma correta, devido insegurança e medo de alguns professores ao falar da sexualidade. Atualmente o tema sexualidade ainda é visto por muitas pessoas como algo sujo e feio, deixando nossos jovens com muitos tabus e preconceitos criados por nós mesmos. No passado, os princípios sobre a Educação Sexual falharam, porque a sexualidade humana era colocada como uma coisa à parte, o indivíduo era educado como se o sexo não existisse. Aprendia-se sobre sexualidade, com os mais sabidos e carregavam-se falhas e deficiências, às vezes para toda a vida. Atualmente, é preciso pensar nas crianças e adolescentes, que constituem a maior parte da atual população. Estamos na atualidade, vivendo um momento de transição, no que se refere a normas e padrões morais. Saímos de uma etapa onde o indivíduo, vivia sob um padrão moral rígido, alicerçado em princípios que desabonava tudo que se referisse à sexualidade. CONCLUSÕES A temática da sexualidade sempre nos chamou a atenção. No momento da idealização deste projeto este tema mostrou-se adequado, não somente por possibilitar um trabalho que viesse ao encontro das necessidades e curiosidades dos nossos queridos adolescentes, mas que desse suporte pedagógico aos professores que tanto discutem a maneira de como trabalhar a sexualidade com estes alunos. O exercício da sexualidade faz parte do processo de desenvolvimento biológico dos seres humanos. Entretanto, em muitos lares e escolas, as questões  e questionamentos - sexuais dos jovens são negligenciados ou empurrados para debaixo do tapete , por pais e professores, como se fossem elementos estranhos ao que conhecemos por Educação. Se, pelos mais diversos motivos (ignorância, vergonha, despreparo), o (a) adolescente não recebe, em casa, a necessária orientação sobre os riscos e precauções inerentes a uma vida sexual ativa, é obrigação de a Escola fazê-lo. O trabalho escolar deve aproximar mais no caso específico da sexualidade. Os professores também têm uma responsabilidade muito grande no sentido de planejar ações nesta necessidade das crianças. Para tanto a pesquisa participativa- ação pareceu à metodologia mais adequada, pois permitiu que colhêssemos dados qualitativos, havendo uma maior preocupação com a resolução de problemas coletivos. Através dos instrumentos, buscava-se conhecer as curiosidades dos alunos para posterior sabermos lidar com este tema dentro das escolas. Em 1998, o Ministério da Educação incluiu a Orientação Sexual nos Parâmetros e Referenciais Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental. Lá, afirma-se que, a partir da 5ª série, é importante que a escola possa oferecer um espaço específico (uma hora-aula semanal) para orientar, debater e tirar as dúvidas dos alunos sobre a sexualidade. Entretanto, como o tema tem caráter transversal, isto é, de aplicação desejável, porém não obrigatória, sua implantação definitiva na grade curricular por vezes esbarra no pensamento retrógrado e tacanho de que essa matéria poderia incentivar ou antecipar o relacionamento íntimo entre os jovens . Uma mentalidade típica daqueles que querem tapar o sol com a peneira. Diante destes resultados, sugere-se a implantação de debates de temas sobre saúde sexual e reprodutiva nas escolas, voltado para alunos, pais e professores, de forma a fornecer subsídios suficientes para diminuir as dúvidas dos adolescentes e preparar os pais e professores para melhor orientar e conviver com este grupo etário. Neste sentido podemos sugerir que as atividades propostas para o trabalho na escola deveriam partir das curiosidades das crianças e adolescentes. Também sugerimos, portanto algumas atividades como: mudança no currículo escolar, mudança no pensamento de pais e professores para expor o assunto com seus filhos e alunos de uma maneira objetiva e clara. O desejo que fica em cada um de nós é que estes resultados não se percam no tempo, servindo como mais uma pesquisa já realizada. É preciso saber ouvir a verdade e as curiosidades dos jovens e adolescentes. É preciso que pais e professores abram suas almas e enxergue os adolescentes como parte integrante da sociedade, que tem seus sonhos, dúvidas e curiosidades. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS LAKATOS, Maria; MARCONI, Martina de Andrade. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisa, elaboração, análise e interpretação de dados. 4 ed. São Paulo: Atlas, 1999. FREIRE, Paulo. Política e Educação. São Paulo: Cortez, 1997. RAMOS, Nara Vieira, SOCAL, Eliane. Pesquisa - Crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social em Santa Maria.ed.Palloti 2003. THIOLLENT, M.; ARAUJO, T; SOARES, R. Metodologia e Experiência em projetos de extensão. Niterói: ed. UFF, 2000. NUNES, Cezar, SILVA, Edna: A educação sexual da criança. São Paulo, editora autores associados, 2000. FAGUNDES, Tereza: Educação Sexual, construindo uma nova realidade. Salvador, UFBA, 1995. SAMPAIO, Simaia: Educação sexual para além dos tabus. Salvador, UFBA, 1996. SUPLICY, Marta: Conversando sobre sexo. Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes, 1983. TIBA, Içami.1998. Ensinar aprendendo: como superar os desafios do relacionamento professor-aluno em tempos de globalização. São Paulo: Gente. FREUD, S. 1970. Cinco lições de psicanálise. Rio de Janeiro: Imago. BARROSO, Carmen; BRUSCHINI, Cristina.1985. Sexo & Juventude. 2. ed. São Paulo: Brasiliense. CALDERONE, Mary S.; RAMEY, James W.1986. Falando com seu filho sobre sexo. 3. ed.São Paulo: Summus. LÜDKE, M.; ANDRÉ, M.E.D.A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986. .
 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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