REFLEXÕES SOBRE LEITURA E ESCRITA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
 
REFLEXÕES SOBRE LEITURA E ESCRITA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
 


  REFLEXÕES SOBRE LEITURA E ESCRITA NA EDUCAÇÃO INFANTIL 

GARCIA, Walleska Maria de Carvalho Guedes[1]

Resumo: 

O presente estudo teve como finalidade refletir sobre a importância dos fundamentos teóricos e metodológicos acerca da leitura e escrita. Entendemos que fomentar uma cultura de valorização da leitura e da escrita na escola e na comunidade, fortalece a relação entre elas, e cria um ambiente propício à irradiação da leitura entre alunos e comunidade. Sabe-se que a criança passa por um processo de maturação para a alfabetização, partindo desde a gestação até o ambiente escolar e que os pais e, professores são tomados como alicerces principais para a iniciação da leitura e da escrita. Sob a ótica, acreditamos que a escola tem um papel fundamental no sentido de ampliar os conhecimentos que as crianças já têm, a partir de sua leitura de mundo. A leitura de imagens tem sido um meio instigador do desenvolvimento da linguagem e da escrita para a construção do conhecimento, e tem proporcionado a criança o contato direto com o conhecimento sócio-cultural. O presente estudo pretende mostrar que as imagens estão presentes na música, no teatro, nas brincadeiras, e tem a finalidade de estimular a autoconfiança, a autonomia e o gosto pela leitura. No decorrer do trabalho apresentamos os conceitos que fundamentam as propostas da leitura de imagens e, sinalizando suas proximidades com a leitura e a escrita. Contrasta alguns referencias teóricos, da arte, da educação, e relatamos acerca da importância da leitura de imagens em ambientes de aprendizagens.

Palavras-chave: leitura, conhecimento, imagens, escrita

Abstract:

This study aimed to reflect on the importance of the theoretical and methodological about reading and writing. We believe that fostering a culture of valuing reading and writing in school and community, strengthens the relationship bet ween them, and creates an environment conducive to the irradiation of reading among students and community. It is known that the child goes through a maturation process for literacy, starting from pregnancy to the school environment and that parents and teachers are seen as key foundations for the initiation of reading and writing. From the viewpoint, we believe that the school has a key role in broadening the knowledge that childrenalready have, from his reading of the world. Reading images has been a meansinstigator of language development and writing for the construction of knowledge, andthe child has provided direct contact with the socio-cultural knowledge. This studyaims to show that the images are present in music, theater, in plays, and aims tostimulate self- confidence, independence and love for reading. During this work we present the concepts underlyng the proposals of image reading, and signaling their closeness with reading and writing. Compares some theoretical references, art, education, and report on the importance of reading pictures in learning environments.

Keywords: Reading, knowledge, images, writing

Sabe-se que a criança passa por um processo de maturação para a alfabetização, partindo desde a gestação até o ambiente escolar e que os pais e professores são tomados como alicerces principais para a iniciação da leitura e da escrita no dia-a-dia das crianças.                                                                                                                                                     Apesar dos avanços tecnológicos, ao mesmo tempo em que enriquece as possibilidades de uma comunicação e expressão, a linguagem representa um potente veículo de socialização. É através da socialização que as crianças são inseridas na linguagem, cada língua tem seu jeito próprio de ver o mundo. A linguagem oral está presente em nosso cotidiano, como também na prática das instituições que concebem a linguagem de modo bastante diferente. Em algumas práticas o aprendizado da linguagem é um processo natural com intenção de favorecer esta aprendizagem. Em relação ao aprendizado da língua escrita, a idéia para alfabetização está presente em várias práticas. Há uma crença de que o desenvolvimento de algumas habilidades necessárias para aprender a ler e escrever é resultado da maturação da criança. Por outro lado, alguns pensam que este processo depende de incentivos estimuladores. É preciso respeitar o ritmo de adaptação de cada criança, para que estejam preparadas para mudanças conforme a faixa etária, para isso a escola ou professor deve estar em sintonia com as necessidades de cada criança. (VIGOTSKY, apud BRANDE, 2006).

Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, RCNEI, existem alguns conceitos de como se entender o desenvolvimento de uma criança, que são relacionados á maturação, desenvolvimento e aprendizagem. Quando falamos de maturação queremos dizer a respeito do crescimento físico do índividuo. Quanto ao desenvolvimento referimos-nos as funções humanas como linguagem, raciocínio, memória, atenção e estima. As crianças, na medida em que vão crescendo, têm a necessidade de entrar em contato com o mundo que a rodeia já que, durante o desenvolvimento da aprendizagem, incorporamos novos conhecimentos (BRASIL, 2002).

A maturação por si só não é capaz de desenvolver a linguagem e raciocínio, é preciso a interação com outras pessoas para que haja aprendizagem, por exemplo, o bebê só vai se desenvolver a partir de certa maturação e a aprendizagem da fala vai acontecer a partir do diálogo  com os pais.

Assim acontece com a aprendizagem da criança, ela tem que ter um estímulo, deve ser motivado a ter curiosidade em aprender. É necessário que o seu esforço seja recompensado de alguma forma por um elogio ou por carinho, para que se sinta recompensado e estimulado a continuar, mas não se esquecendo que cada criança tem um desenvolvimento de aprendizagem, não se devem fazer comparação, segundo afirma Nolte:

[...] temos de estar atentos às necessidades, talentos próprios de cada criança. Identificar as diferenças individuais - como uma criança lida com o desânimo e os contratempos, de que forma a outra é capaz de manter seu interesse em um projeto, qual necessita de um auxílio e direcionamento, qual trabalha melhor independentemente - é o segredo para dar a cada uma delas orientação eficaz e concreta rumo a seus objetivos. (2003, p.13)

Esta citação nos leva a compreender que a criança é inocente em suas dificuldades, por não ter muito jeito em se expressar e que sua aprendizagem varia de acordo com suas condições pessoais e sociais. Corre um grande risco ao se definir o que é infância, uma vez que, enquanto o fazemos, a infância já mudou! Entendemos que a infância é uma criação da sociedade, sujeita a transformações sociais, conforme podemos observar na afirmação de Gisela Wayskop:

              A criança desenvolveu-se pela experiência social, nas interações que estabelece desde cedo, com a experiência sócio-histórica dos adultos e do mundo por eles criado. Dessa forma, a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo–se em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio cultural dos adultos. (2001, p25)

A criança se desenvolve de acordo com sua interação desde cedo, com materiais e ambientes que lhe tragam prazer e sem que ela saiba, estará se inteirando na leitura e na escrita. Cada criança se desenvolve conforme o mundo que o cerca, são diferentes em termos de pensamento, raciocínio e compreensão que trazem para o trabalho escolar. Os jogos simbólicos (faz de conta) e as brincadeiras contribuem de forma significativa no desenvolvimento da linguagem, leitura e escrita. A ludicidade propicia a criança o desenvolvimento e construção da personalidade e um avanço nas relações interpessoais.

Conforme o RCNEI as crianças quando brincam, usam brinquedos ou brincadeiras como objetos substitutos relacionando seus significados, sua expressão corporal, plástica, musical e dramática, como por exemplo, quando uma criança faz da vassoura um cavalo, de uma boneca uma filha e ainda se coloca no papel de mãe. Através das brincadeiras e brinquedos as crianças vão se interando pouco a pouco na leitura e na escrita. (BRASIL, 2002).

É de suma importância que o ambiente que cerca as crianças seja rico em elementos alfabetizadores orais e escritos, tais como relatos de passeios, leitura de obras de literatura infantil, brinquedos com letras e objetos variados, filmes, desenho, gibis, jogos, revistas, jornais e outros. As crianças precisam estar mergulhadas em um ambiente alfabetizador, porque o mundo no qual elas estão inseridas apresenta enorme quantidade desses elementos que as envolve para a construção da linguagem escrita e oral.  Cabe a nós, mostrar - lhes que podem ler e escrever e que a leitura do mundo torna-se o foco do dia-a-dia. Dessa forma, Seber afirma que:      

            Para entender, como a criança vai construindo suas idéias a respeito da escrita devemos partir de algumas situações do cotidiano. É difícil imaginar um meio social, onde não haja placas de trânsito, cartazes, jornais, rótulos de produtos, televisão. Dependendo das condições sociais a criança também participa de experiências nas quais observa o adulto escrevendo recados, cartas, listas de compras ou, lendo livros, jornais, revistas, folhetos. (1997, p.12)

Diante disso entende-se que para compreendermos o mundo em que as crianças vivem e seus pensamentos, deve-se  instigá-las a conhecer o novo e demonstrar suas opiniões e sua leitura, deixando-as expostas a situações que as façam pensar soluções ou a interpretar, levando a uma observação inteligente. O educador deverá acompanhar as crianças em suas atividades atento às suas questões, auxiliando-as em suas hipóteses sobre o mundo em que vivem. Podemos observar a criança através de desenhos, onde ela expõe suas necessidades e curiosidades, pois é através do desenho que faz uma descrição de mundo e que tem um primeiro contato com escrita, pois “[...] ao desenhar, a criança está inter-relacionando seu conhecimento imaginativo. E, quando se apropria das convenções do desenho, a criança está aprimorando esse sistema de representação gráfica [...]” (PILLAR, 1996, p.51).                                                                                                

Dessa forma, podemos constatar que a criança em um contato direto com diversos desenhos, começa a perceber e diferenciar o real do imaginário, se apropriando de representações gráficas para mostrar esta diferença, tornando cada vez mais perceptível e clara essas representações. Antes da escrita, a criança se expressa através da linguagem quando faz a leitura de mundo, do seu ambiente familiar e social. Os desenhos, assim como o jogo e a fala, são formas de expressão de vida interna das crianças. Pelo desenho a criança se comunica com o adulto, estabelecendo assim um meio de comunicação.

As crianças chegam à escola com vontade de conhecer coisas e atribuir sentindo a elas. A curiosidade é uma forma diferente de interesse em conhecer o novo ou o diferente. Cabe ao professor encorajar o aluno ao conhecimento, ou instigá-lo para a curiosidade. A função educativa é exercida primeiramente pela família, depois ampliada para um novo mundo de conhecimento através de profissionais com a função de promover e assegurar o bem-estar, o crescimento e o desenvolvimento de bebês e crianças pequenas. A criança deve ser incentivada a pensar e tomar decisões, pois só assim ela poderá se tornar um adulto crítico, reflexivo, pois conforme Vigostsky “[...] o conhecimento é uma construção social, pois é o grupo cultural onde o indivíduo se desenvolve que lhe vai fornecer o universo de significados que ordena o real em categorias (conceitos), nomeadas por palavras [...]” (apud BRANDE  2006, p.46).

Observa-se que os alfabetizadores são os pais, que a criança ainda no ventre da mãe é envolvida no mundo mágico da linguagem, por brincadeiras, conversas e logo se torna falante. Os pais e pessoas próximas servem de base estruturais para pensar e observar o mundo a sua volta. A criança vai se alfabetizando, buscando respostas ás curiosidades ao longo da vida e não só nos primeiros anos escolares.

O referencial[2] abrange a faixa etária de 3 a 6 anos, dizendo que nesta idade para a criança tudo é como se fosse uma descoberta de mundo, a família é a primeira instituição a trazer aprendizagem a criança . Elas progridem no seu processo de desenvolvimento e aprendizagem a partir das situações e experiências que vivem em casa e na escola. A família e a escola devem estar em constante comunicação para que a criança se sinta mais segura em sua relação com o professor, pois, são muitos pequenos, e a família deve interagir com a escola para uma formação consciente. É preciso conhecer o que cada criança já aprendeu nas suas experiências vividas nos anos anteriores, escolares, ou no âmbito familiar. Um alfabetizador que conheça os estágios e os níveis psicogenéticos de seus alunos saberá conduzir o processo ensino-aprendizagem de forma prazerosa e dinâmica. As mesmas situações podem ser lidas de várias formas nos diferentes níveis de desenvolvimento das crianças. Assim, o professor será o construtor da ponte entre o que o aluno já sabe e o que ele pode aprender, por isso, deve ser estudado o nível de desenvolvimento potencial de cada criança.

A alfabetização de uma criança vai além da leitura e da escrita. É preciso considerar que a construção do conhecimento e aprendizado vai além da língua materna. E isso acontecerá em um ambiente que propicie os desenvolvimentos cognitivo, afetivo, emocional, psicomotor, criativo através da interação da criança com seu meio, com as pessoas e com os seus objetos do conhecimento.

Ao ver imagens ou desenhos a criança torna-se um leitor do seu jeito e forma própria. Ela é capaz de contar sobre o seu desenho e de seus colegas, adotando significados próprios da infância. Nesse momento a criança quer aprender e dominar o desenho como um método de leitura e linguagens, determinando a aprendizagem de acordo com seu nível de compreensão, considerando que o mundo está marcado pela proliferação das imagens - out-doors, noticiário, propagandas, multimídias e que a imagem esta em todos os momentos de nossa vida desde o nascimento até o nosso último suspiro, que ela constrói o conhecimento de tal forma que propícia ao sujeito apropriar-se esteticamente de algo e dar significado a ele.

Destacarei as imagens no campo da arte, para isso primeiramente farei uma definição do que é arte, segundo Eisner (apud PILLAR. 1996 p. 37), “[...] as artes representam uma forma de pensar e uma forma de saber”, significa que a arte não é real e sim símbolos representando ou imitando o real.   A imitação, largamente utilizada no desenho pelas crianças e por muitos combatidas, desenvolve uma função importante no processo de aprendizagem. Imitar decorre antes de uma experiência pessoal, cuja intenção é a apropriação de conteúdos, de formas e de figuras por meio da apresentação.

Tem-se que levar em consideração a faixa etária das crianças, por exemplo, na Educação Infantil elas estão no período de desenvolvimento da linguagem e a formação de símbolos será sua forma de leitura, onde as fantasias estarão presentes em seus pensamentos para construção de seu conhecimento. A leitura de imagem se faz desde um simples traço a um quadro de Picasso, por isso, devemos ser conscientes que o ambiente deve ser construído, voltado para figuras, que a criança possa estar explorando de forma que contribua para a construção de vários tipos de conhecimento, afetivo e cognitivo, que por conseqüência desenvolvam uma visão em relação entre o sistema sonoro e gráfico. A imagem predomina sobre o verbal, as crianças entre2 a4 anos estão na idade da leitura de imagem, onde fantasiam, criando personagens, situações vividas por elas, nessa faixa etária desenvolvem um grande potencial imaginário e criativo diante das figuras, é pelas imagens que fazem sua relação própria e do mundo que a rodeia , portanto toda imagem tem um objetivo alfabetizador.

A imagem é todo início da construção de nosso conhecimento, para construir a criança utilizam-se das características associativas dos objetos, seus usos simbólicos, e das possibilidades reais dos materiais, a fim de gradativamente, relacioná-los e transformá-los em função de diferentes argumentos. O trabalho com imagens abrange um campo bastante amplo como facilitador no processo educacional, estimulando a imaginação da criança passando a colaborar no desenvolvimento das suas habilidades manuais. A partir daí torna-se um leitor capaz de decifrar diversos signos em textos breves mais ricos em imagens, adequando sua capacidade visual. O mundo de hoje, enfrenta um grande problema no ensino de artes, que é a estereotipizações[3] existentes em nosso meio.                                                                                                                                                                                                   

        Ao iniciar na escola a criança já trás um conhecimento construído pelas interferências culturais e sociais, e, além disso, sofre uma outra chamada de sociedade de consumo que marca a vida da criança com modelos estereotipados, causando conseqüências na construção do conhecimento, transformando os trabalhos das crianças em cópias quase idênticas da influencia sofrida. Deve-se incentivar a autonomia, autoconfiança e a imaginação das crianças, deixando de lado a obrigação de “tem que estar perfeito para aprovação” deve-se levar em conta tudo que é feito com imaginação e criatividade, porque de acordo com Buoro:

             Sabemos que a representação gráfica infantil desenvolve-se num crescendo e acreditamos que o professor possa ser um estimulador da percepção visual, da expressão, da imaginação criadora e dos processos de cognição do aluno, dentro de um projeto pedagógico ajudando a criança a construir um conhecimento da linguagem de arte, assim como possibilitando ao aluno a ampliação do conhecimento de si e do mundo. (2003, p. 41). 

Há muitos estudos acerca da leitura, Maria Helena Martins (1994, p.31-32), diz que as inúmeras concepções vigentes sobre a leitura podem ser sintetizadas em duas caracterizações: a primeira refere-se a leitura como decodificação mecânica e a segunda, a leitura como um processo de compreensão. Ao lermos precisamos necessariamente de ambas. A leitura é um processo de compreensão de símbolos, onde ler é atribuir significado a uma imagem ou a um texto.

A criança constrói significações sobre como se faz, o que é, para que serve e sobre outros conhecimentos a respeito de Arte, o papel da escola é favorecer a continuidade da experiência com Arte para a criança.

Na leitura de imagens, devem-se eleger materiais que contemplem a maior diversidade possível e que sejam significativas para as crianças. É aconselhável que, por meio da apreciação, as crianças reconheçam e estabeleçam relação como o seu universo, podendo conter pessoas, animais, objetos específicos às culturas regionais, cenas familiares, cores, formas, linhas etc.

Segundo Kehrwald (2001), a leitura envolve tanto componentes sensoriais, emocionais, intelectuais, neurológicos, quanto culturais e econômicos. Ler, portanto é atribuir significados relacionado, buscando compreensão de possíveis leituras deve-se estar vinculado á leitura de mundo, com linguagem e realidade. Pode se dizer que leitura de imagem abrange objetivos como compreensão, decomposição, interpretação para que se possa apreendê-las como um objeto e conhecer, ler uma imagem é adentrar em suas formas, linhas, cores, pois a Arte proporciona uma infinidade de leituras e interpretações que dependem das informações que variam de leitor para leitor.

   

Podemos, através das Artes na escola, educar o olhar das crianças sobre obras produzidas por artistas renomados, assim estaremos preparando um olhar mais crítico dando maior possibilidade de conhecimento de mundo. O ensino da arte, visto como forma de expressão e reflexão pode contribuir para uma nova forma de educação e o lugar propício para permitir o acesso a informação é a escola. É importante que o professor ensine as crianças os procedimentos necessários para se realizar a leitura de imagens, isto é observar detalhes, a descrever os elementos que as compõem, a comparar as informações que apresentam com aquilo que conhecem e a relacionar essas informações com o tema que está sendo trabalhado.

Trabalhar com Artes na escola não significa apenas desenvolver atividades que liberam as emoções, mas fazer da arte como construção do conhecimento, propiciando á criança os meios para a realização de experiências no fazer artístico. Na apreciação da obra de arte, a criança é capaz, embora de forma rudimentar, de se expressar, apreciar e refletir sobre arte. A tarefa da escola é viabilizar um ensino que prepare seus alunos para que possam desenvolver todas as suas potencialidades.

As crianças devem estabelecer relações como seu mundo e culturas regionais. Deve-se provocar a apreciação e leitura das imagens, pois se estimularmos desde cedo, estaremos contribuindo, para a construção da identidade da criança. A brincadeira frente ao espelho faz com que reconheçam sua própria imagem, característica e a dos outros construindo assim sua identidade. Com a exploração corporal que exerce diante do espelho a criança aprende sobre o mundo e também passa a se comunicar através da expressão corporal.

Antes da consciência de si como leitor, antes da leitura mental, a criança passa pela descoberta do livro enquanto objeto especial cheio de surpresas que a leitura, escutada permite antecipar, através do manuseio que revistas e livros. Estes fazem parte da educação para o mundo da escrita e formação do ouvinte da leitura, atento, mas que reagem por sua linguagem corporal; não mais atento apenas a receber mensagens, mas também a respondê-las. Deve-se permitir que falem sobre suas criações e dê opiniões nos trabalhos dos colegas para que reformule, e reconstruam novos conhecimentos. Estas criações devem ser expostas, durante um período para que haja a valorização dos trabalhos por parte das crianças.

O ensino da Arte desde a infância deve estar ligado em três eixos, segundo Barbosa (apud IAVELBERG, 2004): o fazer artístico é a própria produção, apreciar e analisar vem da identificação do autor da obra, e a reflexão é um repensar sobre a representação artística.

As exposições de artes são suportes para a criança ampliar suas próprias produções, exercita seu olhar faz com que desenvolva a imaginação, a falta de oportunidade gera, diferenças na produção e na reflexão entre crianças com o mesmo potencial para aprender e criar.

Temos que nos conscientizar que muitos educadores, não percebem que ao ouvir uma história podemos fazer brotar na criança o desenhar, a música, o pensar, o imaginar e outros. Além de podermos fazer crescer na criança emoções, sonhos e sensibilidades. O brinquedo é uma forma que as crianças tem de brincar com imaginário, pois para elas não importa se sabem ler ou não as imagens e sim escutá-los e vê-las. Ao ouvir uma história, a criança, utiliza-se do imaginário para fazer e refazer, produzir e reproduzir imagens na mente imagens do passado, estimular a criatividade. E é através das imagens que formamos leitores, isto significa como afirma  Bittencourt, que “[...] os livros permitem a criança observar não só os padrões da língua escrita, mas também as imagens e seus significados que revelam comportamento e atitudes, mostrando formas diferentes do homem representar o mundo e a realidade. (2004, p.7).

Se dermos assas a imaginação da criança, estaremos contribuindo para seu desenvolvimento cognitivo, afetivo e social, tornando as capazes de criar, recriar produções de textos utilizando apenas seu imaginário, segundo Perrot (apud BITTENCOURT (2004, p.7) “[...] os livros vivos e as imagens são ferramentas e mediadores que entram no lúdico, ajudando o leitor a desligar, por assim dizer, pelo prazer do texto”.

Frente a tecnologia presente no cotidiano de nossas crianças, fica cada vez mais difícil despertar nelas o hábito da leitura, o prazer de ler e imaginar histórias. Os contos fazem parte das emoções naturais dos seres humanos, que são transformados em personagens imaginários de um mundo de fantasia. O uso de determinados livros infantis em sala de aula pode, além de estimular o gosto pela leitura, permite que a criança identifique-se com os personagens nele apresentados na medida em que abordam temas do seu cotidiano como separação dos pais, questões de identidade gênero, entre outros.

Ícones, imagens, logomarcas, textos visuais, filmes, páginas e até mesmo obras de Arte circulam diariamente diante da rotina de crianças e jovens. As formas visuais adquirem significado porque correspondem a possibilidade e expectativas presentes nas culturas que as geram e reproduzem. Hoje, nossa cultura forma uma nova visualidade e projeta-se cada vez mais como um território imaginário, com uma nova visualidade, com novos códigos e ícones, produzidos na ultima revolução tecnológica presente nas sinalizações, propagandas e estereotipias visuais típicas das cidades modernas. Na visão de Guedes (2004), a criança ao desenhar um personagem, está numa relação subjetiva e solitária. Na medida em que o outro lança um olhar sobre sua produção, ela vai crescendo, sendo modificado pela interferência desse olhar.

É nessa interação ativa que acontecem simultaneamente a observação, a apreciação, a verbalização e a ressignificação das produções. Nessas situações, novamente, a imaginação, a ação, a sensibilidade, a percepção, o pensamento e a cognição são reativados.

De todos os teóricos lidos e das atividades desenvolvidas concluímos que o trabalho com as crianças em processo de desenvolvimento é enriquecedor se estivermos numa proposta de educação do olhar, além dos dados estruturais e formais da sua linguagem, de equilíbrio e do conhecimento de mundo de si mesmo. É através de seus desenhos que a criança será capaz de expressar suas sensações e percepções, estimulando sua imaginação criadora. Entendemos que o campo das Artes tem sido um meio instigador do desenvolvimento da linguagem e da escrita para a construção do conhecimento, e tem proporcionado á criança o contato direto com o conhecimento sócio-cultural.

ASPECTOS FINAIS

 

Este artigo foi mais um desafio que enfrentamos e que conseguimos superar, por se tratar de uma pesquisa bibliográfica, em que deveríamos estudar e pesquisar o máximo em tão pouco tempo, a fim de cumprir em parte os nossos objetivos. 

Primeiramente, vi na realização deste trabalho a possibilidade de me aprofundar mais acerca da leitura de imagem, processo de desenvolvimento cognitivo das crianças, como adequar as imagens na formação da criança e também por podermos descobrir o gosto pela Arte e o olhar que nunca nos foi ensinado a ter diante das obras de Arte e do que nos rodeia diariamente.

Diante dos resultados que obtive durante toda pesquisa, vi que alguns professores tentam desenvolver um olhar crítico em seus alunos, mas sem muito resultado. Não sabemos se é por falta de capacitação, mas estão tentando, diante do que está a disposição dos mesmos.

Portanto, para conseguirmos realizar a construção de um olhar crítico e reflexivo em nossas crianças dos dias atuais, devemos em primeiro lugar desenvolver e educar o nosso próprio olhar que foi deixado adormecido no passado, mas que, nunca é tarde para educa-lo, pois estaremos sempre em constante aprendizado por toda nossa vida. Conforme afirma Seber:

Para entender, como a criança vai construindo suas idéias a respeito da escrita, devemos partir de algumas situações do cotidiano. É difícil imaginar um meio social, onde não haja placas de trânsito, cartazes, jornais, rótulos de produtos, televisão.Dependendo das condições sociais a criança também participa de experiências nas quais observa o adulto escrevendo recados, cartas, listas de compras ou, lendo livros, jornais, revistas, folhetos.(1997, p.12).

Diante disso, cabe a nós mostrarmos, as crianças que podem ler e escrever e que a leitura e a escrita, estão presentes a todo momento em nosso cotidiano e devemos instigá-los a conhecer o novo ou diferente, desenvolvendo por conseqüência a construção do olhar critico na criança.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ALFONSO-GOLDFARB, Ana Maria. O que é história da ciência. São Paulo: Brasiliense, 1994. p19.(Col. Primeiros Passos).

ALVES, Rubem. A complicada arte de ver. Disponível. http://www.releituras.com/i iron rubemalves.asp. Acesso dia 23/10/2006.

BARBOSA, Ana Mae. Tópicos utópicos. Belo Horizonte: C Arte, 1998.

BRANDE, Carla Andréia. Piaget e Vygostsky: pontos de aproximação e distanciamento entre os estudos realizados. Revista do professor. Porto Alegre, nº 85, jan/mar.2006.

BRASIL, Ministério da Educação e Cultura. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC / SEF, 1998, V – 2-3.

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CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetizando sem o ba- bé- bi- bo- bú. São Paulo: Scipione, 1ª ed, 2003.

COELHO, Nelly Novaes. Panorama histórico da literatura infantil/ juvenil. Ática, São Paulo. 4ª ed,  revista,1991.

FERREIRA, Sueli (org.). O ensino das artes: construindo caminhos. Campinas: Papirus, 2001 (Colégio Ágere)

GUEDES, Guimarães e Vieira. Produzindo uma revista em histórias em quadrinhos. Revista Professor nº 37. Porto Alegre: Revista do Professor: jan/mar, 2004.

IAVELBERG, Rosa. O desenho cultivado no percurso de criação do sujeito em arte. Disponível em: http://www.trapezio.org.br/artigo_materia.aspx?id=8. Acesso dia 08/06/2007

KEHRWALD, Isabel Petry. Ler e escrever em artes visuais. In: NEVES, Iara Conceição Bitencourt  et alli (orgs). Ler e escrever: compromisso de todas as áreas. 4ª ed. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 2001.

MARSHALL, Francisco. Leitura em Revista, jan/jun. nº 5, 2003. Ed. Unijuí.

NOLTE, Dorothy. As crianças aprendem o que vivenciam. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.

                  

PILLAR, Analise Dutra. Pesquisa em Artes Plásticas. EPAL. Porto Alegre. Educação da Universidade. Associação Nacional de pesquisadores em Artes Plásticas, 1993

PILLAR, Analice Dutra. Desenho e construção de conhecimento na criança. Porto Alegre: Artes médicas, 1996.

PILLAR, Analice Dutra (org.). A educação do olhar no ensino das artes. Porto Alegre: Editora Mediação, 1999.

SEBER, Maria da Glória. A escrita infantil: o caminho da construção. São Paulo: Scipione, 1997.

WAJSKOP, G. Brincar na pré-escola, 5ª ed. São Paulo: Cortez, 2001.


[1] Graduada no Curso Normal Superior pela UEMS e Especialização em Arte e Educação pela ISFACES.

[2] BRASIL.Ministério da Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Vol. 2. Brasília: MEC/SEF, 2002.

[3] O estereótipo é a  imagem repetida, fora de toda a magia, de todo o entusiasmo: como se fosse natural, como se por milagre, essa imagem que retorna fosse a cada vez, adequada por razões diferentes, como se imitar pudesse deixar de ser sentido como uma imitação. Imagem sem cerimônia que pretende a consistência e ignora sua própria insistência. (Roland Barthes in "O Prazer do Texto")

 
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