PSICOMOTRICIDADE - EDUCAÇÃO DO MOVIMENTO
 
PSICOMOTRICIDADE - EDUCAÇÃO DO MOVIMENTO
 


Alessandra de Souza Santos

Elisangela Pereira

Lerci de Jesus

Suzidarlen Moreno Mendes

Vanessa Priante Alecrim

 

RESUMO: O presente artigo tem como finalidade mostrar a importância da psicomotricidade e quão amplo é seu processo e sua abrangência. Visto que a psicomotricidade compreende variados aspectos, ela é estudada e praticada por diferentes profissionais, tais como o pedagogo, o profissional de educação física, o psicólogo, o fisioterapeuta, o terapeuta ocupacionale também o médico. Além disso, se relaciona ao estudo do homem através de seu corpo em movimento, sendo um processo de desenvolvimento do mesmo em seu aspecto físico, social, psicológico e afetivo. Assim, destacamos que o movimento do homem ocorrerá conforme esse desenvolvimento. Portanto, é necessário respeitar cada individuo de acordo com suas limitações.Trabalhamos de forma a envolver os conhecimentos da área pedagógica, educacional e de saúde.

Palavras-chave: Psicomotricidade, Motricidade, Desenvolvimento, Maturação, Corpo, Movimento.

ABSTRACT: This article aims to present the importance of psychomotricity and how wide it is its process and its amplitude. Whereas psychomotricity embrace many aspects, it is studied and applied by different professionals as pedagogues, professionals of Physical Education, psychologists, physiotherapists, occupational therapists and physicians. Furthermore, this science studies man through the movement of his body that is a development process of his physical, social, psychological and affective aspects. Thus, we point out that man's movement befalls because of this development process. Hence, it is necessary to respect every individual in accordance to his limitation. Our study involves pedagogy, education and health knowledge.

Keywords: Psychomotricity, motricity, development, ripening, body, movement.INTRODUÇÃO

A psicomotricidade é uma disciplina educativa, reeducativa e terapêutica, ou seja, quer destacar a relação existente entre a motricidade, a mente e a afetividade. Facilitanto assim a abordagem global do individuo por meio de uma técnica. (http://www.coladaweb.com/edfisica.htm)

É uma ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. Sustentada por três conhecimentos básicos: o movimento, o intelecto e o afeto. (http://www.psicomotricidade.com.br/apsicomotricidade.htm)

Psicomotricidade, portanto é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização. Ela contribui de maneira expressiva para a formação e estruturação do esquema corporal o que facilitará a orientação espacial. (http://www.psicomotricidade.com.br/apsicomotricidade.htm)

Em sua prática pedagógica visa contribuir para o desenvolvimento integral da criança no processo de ensino-aprendizagem, favorecendo os aspectos físico, mental, afetivo-emocional e sócio-cultural, buscando estar sempre condizente com a realidade dos educandos. (http://pessoal.educacional.com.br)

Segundo Lê Bouche (1969), "a psicomotricidade se dá através de ações educativas de movimentos espontâneos e atividades corporais da criança, proporcionando-lhe uma imagem do corpo contribuindo para a formação de sua personalidade."

Assim sua finalidade tem grande importância para todas as crianças. Pois as mesmas usam seu corpo como linguagem para transmitir suas reações, sentimentos e emoções. O lugar da criança na psicomotricidade é o do prazer sensório-motor, da expressividade psicomotora e de comunicação.

Esta disciplina traz benefícios específicos àquelas crianças com comportamento "normal", mas que apresentam dificuldade motora ou psicomotora especifica no grafismo, na lateralização, na organização, no tempo e no espaço.

As crianças com problemas de comportamento podem ser ajudadas por meio desta ciência. Geralmente, são crianças cuja organização da personalidade não se apresenta de forma patológica: são instáveis, inibidas, voltadas para si mesmas, agressivas, tristes e sem auto-confiança e com dificuldade de relacionamentos interpessoais. Então a prática da mesma é indicada para toda criança que apresenta qualquer dificuldade que a coloque à margem das normas mentais, fisiológicas, neurológicas ou afetivas.

Tem como objetivo oferecer aos profissionais da área de educação conhecimentos para o desenvolvimento de habilidades e competências no campo da psicomotricidade possibilitando práticas educacionais preventivas e de aprendizagem na sua área de trabalho. Capacita-los com a ampliação de conhecimentos teóricos sobre a importância do corpo e sua apresentação no domínio da realidade, na área da psicomotricidade humana. Contribuir para a formação de agentes mediadores do desenvolvimento e da aprendizagem.

A prática psicomotora dentro da escola abre um novo espaço para outros desejos, além dos cognitivos, para que a criança tenha vontade de aprender e também possa expressar seus sentimentos em sua totalidade (inteligência, pensamento, afetividade e ação).

O espaço de vivência psicomotora permite que a criança fale de seu mundo, expresse suas fantasias e conflitos do mundo simbólico no interjogo das relações com os colegas e com o educador. Tal espaço não deve ser desvinculado do contexto pedagógico e dos momentos mais estruturados em sala de aula, os quais manteriam uma estreita ligação com o que foi vivenciado. Esse movimento representaria a passagem do livre/afetivo/expressivo para o pedagógico e os professores entrariam com a disponibilidade afetiva, corporal e elemento de ordem e organização. (www.clorentino.edu.br/ead.pós-graduação)

No presente artigo será abordado os itens motricidade e psicomotricidade onde falara do movimento, desenvolvimento e suas vertentes, na criança como um todo. No desenvolvimento psicomotor trará do desenvolvimento motor da criança e como ele ocorre. Já na psicomotricidade um olhar para o corpo relata a importância desta ciência e deixa claro o seu auxilio em todas as fases da vida desde a infância até a velhice, valorizando o trabalho com o corpo, e por fim na educação psicomotora e sociedade mostra como essa educação psicomotora vem sendo abordada pela sociedade.

2- MOTRICIDADE E PSICOMOTRICIDADE

A motricidade é o mesmo que motilidade, domínio do corpo, agilidade, destreza, locomoção, faculdade de mover-se voluntariamente. Possibilidade neurofisiológica de realizar movimentos (HURTADO 1983).

Já a Psicomotricidade se trata de uma ciência relativamente nova que, por ter o homem como seu objeto de estudo, engloba várias outras áreas: educacionais, pedagógicas e saúde (BUENO 1998).

O movimento é o principal elemento no crescimento e no desenvolvimento da criança (BUENO 1998).

Toda ação está pertinente a um movimento e todo ato motor tem uma ação e um significado. Mesmo em seus estágios mais primitivos, como a fase dos movimentos reflexos, em que esses são executados independentes da nossa vontade e muitas vezes sem que dele tenhamos conhecimento (nos aspectos cognitivos e sócio- afetivos) é necessário que um estímulo gere essa ação e só por essa condição coloque o ser humano sempre em relação a algo, qualquer que seja o estímulo.

Serão as respostas que propiciarão a interação do bebê, com o meio e sua forma de sobrevivência, sendo precursores dos atos voluntários no futuro são os atos reflexos os caracterizantes futuros dos atos voluntários( BUENO 1998).

Ganong (1997) refere-se a alguns reflexos: tônico-labirínticos, tônico-cervicais e os reflexos de endireitamento, os quais atuam para manter sua posição normal e pé e conservar as cabeças levantadas. O reflexo de preensão da mão deve também ser citado, pois será uma das bases para o desenvolvimento da pegada com intenção, vem como para a adoção da postura ereta futura.

O movimento, segundo alguns autores, é visto como o facilitador dos outros desenvolvimentos ( cognitivo, afetivo, social e relacional) e alguns autores fundamentam o comportamento humano sendo:

Vertente motora: a primeira vertente nos situa sobre a evolução motora no desenvolvimento, onde Harrow (1983) desenvolveu uma laxionomia do domínio psicomotor, dividindo os níveis em movimentos reflexos, movimentos básicos e fundamentais, habilidades perceptivas, habilidades físicas, movimentos especializados e comunicação não-verbal. Simpson (1967) também organizou uma classificação do domínio psicomotor.

Singer (1980) acredita que as crianças não acompanham as mesmas experiências de acordo com a idade, mais de acordo com o que chama de estágios de desenvolvimento. Gallahue (1982) dividi as fases do desenvolvimento motor em movimento reflexo, movimento rudimentar, movimento fundamental e movimento relacionado ao esporte.

Vertente cognitiva: na vertente cognitiva do movimento, Bloom (1956), desenvolveu uma taxionomia de objetivos no domínio cognitivo, ordenando as operações mentais gradativamente e partindo do simples ao mais complexo. Bruner (1964), preocupa- se com o processo de conhecer do ser humano em um ambiente variável, ou seja, da muita importância aos processos de interação entre desenvolvimento e aprendizagem, onde em cada estagio, a criança apresenta um modo característico de ver o mundo e armazená-lo a si mesma.

Para Magill (1984), refere-se ao movimento envolvendo domínio motor e aprendizagem motora, analisando os processos e operações mentais necessários para o individuo receber a informação, armazená-la e gerar outra informação (ou ação) apartir de dados pessoais associados aquele movimento, no qual enfatiza a importância do ambiente da aprendizagem podendo esse individuo ser tanto executor como avaliador do seu movimento.

Piaget (1982) considerou inteligência como sendo a ferramenta mestra que permite a um individuo lidar com o seu meio ambiente, em que a adaptação é o fator de equilíbrio nessas trocas, de variáveis imutáveis- o individuo incorpora e modifica internamente em sua estrutura, e que ele nomina de assinalação e acomodação- e variáveis mutáveis, área de atuação da adaptação. Os momentos de equilíbrio ele dominou estágios do desenvolvimento.

Vertente afetiva e social: Na vertente afetiva e social Wallon (1949), transfere as emoções à "raiz" da ação, sendo ela (a emoção) o fator de organização e meio de comunicação com o mundo. Krathwohl, Bloom & Mazia (1964), tentaram classificar os comportamentos afetivos em cinco categorias denominadas receber, responder, valorizar, organizar e caracterizar um valor, acreditando que o comportamento afetivo é também comportamento aprendido. Vygotsky (1989), com sua visão interacionista e social, acredita que o sujeito evolui na interação social, em que o papel do outro é fundamental para seu desenvolvimento.

Lapierre e Aucouturier (1984), questionam a supervalorização do verbal e intelectual no desenvolvimento, dando ênfase a vivencia do movimento espontâneo, em que os fatores emocionais devem ser levados em conta na decodificação do comportamento ali expresso, em interação direta com o profissional. Alguns se referem ao comportamento motor como sendo psicomotor em função do envolvimento cognitivo e afetivo na maior parte dos movimentos executados.

Há várias definições acerca do que seja a motricidade e seu estudo é bastante recente. O termo evoluiu seguindo uma trajetória primeiramente teórica depois prática, até chegarem ao meio termo entre essas duas. Dentro da evolução da psicomotricidade, no inicio deste século a sua noção fixou-se, sobretudo no desenvolvimento motor da criança. Depois foi estudada a relação entre o atraso do desenvolvimento motor da criança o atraso intelectual da criança. Surgiram-se estudos sobre o desenvolvimento da habilidade manual e de aptidões motoras em função da idade até se chegar a posição atual da psicomotricidade: ultrapassar os problemas motores e trabalhar também a relação entre o gesto e a afetividade e a qualidade de comunicação por intermédio dos mesmos (BUENO 1998).Na psicomotricidade é trabalhada a globalidade do indivíduo, é uma disciplina que estuda a implicação do corpo, a vivência corporal, o campo semiótico das palavras e a interação entre os objetos e o meio para realizar uma atividade.

O desenvolvimento psicomotor acontece num processo conjunto de todos os aspectos motor, intelectual, emocional e expressivo dividindo-se em duas fases: primeira infância (0 a 3 anos) e segunda infância (3 a 7 anos), completando-se maturacionalmente por volta dos 8 anos de idade (LAPIERRE 1984).

A psicomotricidade tem por objetivo maior fazer do indivíduo:

1- Um ser de comunicação

2- Um ser de criação

3- Um ser de pensamento operativo, ou seja, a psicomotricidade leva em conta o aspecto comunicativo do ser humano, do corpo e da gestualidade (LAPIERRE 1984).

Em sua prática, a psicomotricidade nos revela pela afirmação de COSTE (1978): " o homem é o seu corpo", dando- nos a visão de que precisamos atuar nesse corpo em que confirmamos com Hedina(1987): " para que uma pessoa se exprima enquanto corpo que realiza mais livremente seus próprios desejos, é necessário que ela cresça não em sua individualidade absoluta, mais em suas relações com os outros e o mundo".

Para Velasco (1994) "a partir do movimento em que estamos vivos, que existimos, somo um ser psicomotor".

Mais acima de tudo, e diante de inúmeras conceituações, algumas expostas aqui, torna-se importante frisar que não se pretende encerrar a psicomotricidade em nenhuma dessas definições, pois acredita-se que, por se tratar de uma abordagem em cima do vivenciado, essa se encontra em mutação constante.

Nesse ano e em futuros acreditamos que a psicomotricidade caminha para sua própria identidade, e a clareza de atuação dos profissionais atualmente nela envolvidos determinará o seu percurso e concreticidade. (BUENO 1998)

3- DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR

A atuação da criança no mundo ocorre através de seus movimentos. Ela desenvolve-se pelos movimentos como um ser integral, único e social. Rosadas (1991) cita que o movimento é o elemento vital no crescimento e desenvolvimento da criança.

A meta do desenvolvimento psicomotor é o controle do próprio corpo até sua capacidade de extrair todas as possibilidades de ação e expressão possíveis a cada um.

Cada criança estabelece suas capacidades motoras, intelectuais e afetivas, relacionando-se com o mundo conforme suas limitações. Limitações estas construídas diariamente com o meio no qual ela esta inserida. De acordo com o que as pessoas impõem a ela e como as estimulam.

O desenvolvimento humano ocorre a partir da maturação do ser humano, de suas experiências e de seu ambiente. Incluindo neste desenvolvimento os aspectos físico, social e psicológico.

Sendo assim o desenvolvimento psicomotor é caracterizado pelo processo de desenvolvimento do ser humano integrando seu movimento, sua construção espacial, seu reconhecimento de objetos, suas posições, sua imagem corporal, seu ritmo e sua linguagem.

Esse desenvolvimento humano ainda segue alguns princípios básicos que são importantes destacar, pois referem-se a qualquer individuo e fazem parte do processo de progressivo domínio do controle corporal. Regido pelas Leis Céfalo-caudal e pela Lei Próximo-distal.

Lei Céfalo-caudal: as partes do corpo que estão mais próximas da cabeça são controladas antes, sendo que o controle estende-se posteriormente para baixo. A criança mantém sua cabeça ereta antes do tronco.

Lei Próximo-distal: as partes que estão mais próximas do eixo corporal são controladas antes que as que se encontram mais afastadas. A articulação do ombro é controlada antes da articulação do cotovelo (BUENO 1998).

Em conseqüência ao exposto por estas leis, o movimento da criança vai integrando e controlando voluntariamente um maior número de grupos musculares (psicomotricidade grossa), com o que vai se tornando progressivamente mais preciso (psicomotricidade fina), permitindo incorporar repertórios psicomotores mais especializados e complexos, que abrem novas perspectivas à percepção e à ação sobre o meio (BUENO 1998).

4- PSICOMOTRICIDADE UM OLHAR SOBRE O CORPO

A psicomotricidade é uma ciência cabível em qualquer época da nossa vida. Seja na infância, adolescência, adulta ou velhice.

Na infância, a psicomotricidade é de vital importância para o desenvolvimento e aprendizagem da criança. O corpo é nosso universo particular. Nele nos movemos, sentimos, agimos, percebemos e descobrimos novos universos. Tudo esta devidamente gravado nesse corpo, e é na infância que determinamos a quem será bem gravado e a quem nem tanto. Aprender, movimentar, sentir esse universo e partilhar com outros, será determinante na estruturação desse sujeito que se forma, assim respeitando as limitações de cada individuo, pois o processo de desenvolvimento pode não ser igual a todos. A psicomotricidade auxilia este universo em formação a se descobrir por inteiro, através de estimulação e exploração concreta do mundo (SILVA 2005).

Na adolescência começamos uma nova fase de nossa vida. Novos conflitos aparecem, tais como: perda do corpo infantil, perda da identidade infantil, perda dos pais infantis. Todos esses conflitos interiores vão criar uma desorganização e transformação na imagem corporal. A psicomotricidade se mostra um apoio importante para a assimilação dessa nova fase. Agindo na aceitação dessa nova imagem, através da aprendizagem, da relação, da observação de si mesmo, consciência do que somos e do que queremos, ela nos leva a nos reestruturar (SILVA 2005).

Na fase adulta, encaramos novos desafios, tornando-se nossa face profissional e financeira a prioridade momentânea. O corpo deixa, então, o seu caráter de universo de todas as sensações vividas para se tornar um apelo estético, maus hábitos, stress e tensões no dia- a- dia acarreta um descontrole tônico e emocional gerando prejuízos a saúde. Nesse momento lança-se mão da psicomotricidade, a fim de se resgatar a verdadeira essência reequilibrando e reorganizando o corpo através de terapias que vão gerar auto- conhecimento e fortalecimento da auto- imagem (SILVA 2005).

A velhice se torna outro marco de desestruturação da imagem corporal. Muitos mitos e crenças rondam essa fase da vida. Todas essas crenças e mitos levam a alterações anatômicas, funcionais e emocionais. Na velhice encontramos a gerontopsicomotricidade, que vem ajudar os sujeitos, dessa fase, nas perdas psicomotoras que acontecem durante o processo de envelhecimento. A gerontopsicomotricidade resgata o tempo do agora, auxiliando os idosos a se redescobrirem. Através do corpo e do movimento, os indivíduos recuperam sua autonomia, seu desejo, sua motivação, seu prazer e sua alegria. (http://www.psicomotricidade.com.br/sp/texto_psicomotricidade.htm)

Como podemos perceber, a nossa imagem corporal é hábil, esta sempre se transformando. Nas varias fases de nossa vida. Esse processo de transformação da imagem poderá ser auxiliado pela psicomotricidade a qualquer tempo. A psicomotricidade nos faz voltar ao inicio de todas as sensações, ao corpo onde se inscreve tudo o que verdadeiramente somos.

A prática psicomotora instaura uma nova vertente teórica. Fundamenta-se numa nova proposta embasada em um método inovador de intervenção. Passa-se a compreender o corpo enquanto um palco propício à manifestação de conteúdos inconscientes impossíveis de serem expressos pela palavra. O corpo passa então a ser concebido como um receptáculo adequado às significações não verbalizadas.

A concepção de corpo na qual o saber psicomotor focaliza seu objeto de estudo, caminha em direção de uma imagem corporal em constante processo de atualização, onde o corpo por nos percebido apresenta-se como fruto de sensações e vivencias individuais, provenientes das zonas sensoriais de nosso organismo, soma dos a uma complexa rede de estruturação libidinal que se constrói em torno das zonas erógenas, concretizando desta maneira a elaboração de uma imagem espacial do corpo, verificando-se assim, uma pluralidade de sujeitos juntamente com uma pluralidade de representações corpóreas, denotando a cada ser humano um ritmo e uma vivencia corporal singular.( http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrid=807)Sendo assim, vemos a importância da psicomotricidade nas diversas fases, valorizando o trabalho com o corpo a qualquer tempo.

5- EDUCAÇÃO PSICOMOTORA E SOCIEDADE

Silva (2005), atuante no âmbito da educação infantil e séries iniciais desenvolvendo sessões de psicomotricidade, orientando e supervisionando o trabalho de profissionais da rede pública e particular de ensino.

Para entender a inserção das práticas psicomotoras no setor de educação é necessário analisarmos como estão articuladas aos valores, hábitos e comportamentos que permeiam a nossa sociedade, ou seja, aos princípios que regem a organização capitalista de produção.

As citações estabelecidas entre corpo-mente, corpo-emoção, corpo-cognição, constituem-se como princípios fundadores do processo de produção capitalista no qual a mecanização e modernização inclui não só os meios materiais de produção como a mecanização do próprio trabalhador e conseqüentemente de seu corpo (SILVA 2005).Assim o corpo daqueles destinados ao trabalho material, passa a ser como corpo-objeto, como um sistema constituído de partes distanciado de suas singularidades, significações e complexidades.

Essa forma mecanista de conceber o corpo encontra-se presente em nossa sociedade.

Cabe ressaltar que tradicionalmente a educação prioriza os conhecimentos formais secundarizados ou desconsiderando as experiências corporais como elemento de formação, e também tentadas como experiências motoras visando o desenvolvimento de habilidades e noções básicas como coordenação motora, noção de espaço e tempo e coordenação óculo- manual.

As práticas corporais tendem ser consideradas como instrumentos de desenvolvimento de pré- requisito para o aprendizado da leitura, escrita e dos conteúdos escolares básicos.

É importante entender como a educação psicomotora vem sendo abordada na rede pública e privada representando na educação de primeira e segunda infância a proposta educacional voltada ao trabalho corporal.

Para alguns autores como: Wallon, Kramer, Lapierre, Fonceca, Ajuriaguerra, Freud, Klein E Spitz, a primeira e segunda infância representam períodos determinantes para o processo formativo da criança. Organiza estruturas emocionais, cognitivas e motoras.

Deste modo determina a relação com a sua realidade externa e interna.

A visão defendida pelos autores acima citados passou a ter influência mais decisiva na educação brasileira a partir dos anos 50, no Paraná teve mais repercussão por volta dos anos 80(SILVA 2005).

A idéia de que a criança além de cognitivo também é um sujeito afetivo, influenciou a elaboração de projetos pedagógicos que acolheram a importância das relações primárias estabelecidas pela criança para a formação de sua personalidade e do seu desenvolvimento cognitivo.

Em 1986, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social elabora um documento para sistematização do funcionamento das creches, manual de orientação técnico administrativo do programa creche, no qual afirma que é nos primeiros anos de vida que o indivíduo forma, na sua relação com os adultos os sentimentos básicos que vão caracterizar sua personalidade futura. (PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA 1986) Influenciados pelas novas tendências da psicomotricidade, sobretudo pela obra de André Lapierre, que prioriza os aspectos da relação corporal afetiva, em detrimento de uma ação condutiva e racional sobre o corpo, a Secretaria Municipal da Criança de Curitiba, paulatinamente, observou essa concepção de trabalho, culminando, na primeira metade dos anos 90, dentre outras ações, num projeto denominado "Projeto de capacitação de recursos humanos com bases na Psicomotricidade Relacional."

O projeto além de oportunizar um espaço diferenciado de expressão e relação para a criança por meio das sessões de psicomotricidade relacional e aos educadores proporcionava uma leitura sobre o processo de desenvolvimento das crianças (BERNARD 1985, FOUCAULT 1998 e KRAMER 1993).

Nesse sentido o conhecimento de diversas linhas e práticas psicomotoras voltadas à educação principalmente da primeira e segunda infância.

Parecem ser insuficientes para a superação da prioridade das propostas de formação e intervenção relativa à área da educação psicomotora.

Conscientes dessa realidade para tratarmos a psicomotricidade de forma madura e crítica sentimos a necessidade de não só compreender, mas aprender o papel da educação psicomotora em suas múltiplas relações.

Para aprofundarmos o entendimento a respeito da educação e da psicomotricidade às praticas sociais vamos nos apoiar nos estudos de KARL MARX, Gilberto Luiz ALVES, Dermeval Saviani e Michel Foucault.

Já para o entendimento da psicomotricidade e da sua historicidade na educação vamos às obras de Lapierre, Juan Le Camus, Suzana Veloso Cabral.

Do corpo total ao corpo parcial: a disciplina é a norma da sociedade feudal para o capitalismo industrial, os modos de produção sofrem profundas modificações acompanhadas de transformação.

Neste processo o trabalhador se tornou alienado do processo de produção como um todo e com os avanços da mecanização industrial também ficou alheio ao produto em si, transformando-se num acessório consciente de uma máquina parcial (SILVA 2005).

As idéias de Alves (1998), encontram apoio na análise realizada por Marx e Engels (1987), na qual a indústria e o comércio a produção das necessidades de vida condicionam por seu lado a distribuição das diferentes classes sociais condicionadas por seu modo de funcionamento.

Nesta conjuntura, a educação, embora se proponha a ser igualitária, na realidade tem se revelado um processo organizado a partir de modos diferenciados de formação, no qual a classe trabalhadora é submetida a uma educação reducacionista e simplificada, entendida como suficiente à adequação das necessidades do sistema de produção capitalista.

As práticas corporais foram e são de inestimável valor para que a normatização da vida privada e institucional se concretize sobre este fato, esclarece Foucault (1988), que esses métodos permitem o controle minucioso das gerações do corpo que realizam a sujeição constante de suas forças e lhe impõe uma relação que podemos chamar de disciplinas.

A educação, a psicomotricidade e os processos produtivos formam uma malha indissociável.

Aprender o papel das práticas psicomotoras sua inserção na educação infantil e series iniciais implicará numa revisão de conceitos necessários, higienistas e cognitivistas (SILVA 2005). Conclusão

CONCLUSÃO

      Concluímos que a psicomotricidade é a relação entre o pensamento e a ação, envolvendo a emoção. A psicomotricidade favorece ao homem uma relação consigo mesmo, com o outro e com o mundo que o cerca, possibilitando um melhor conhecimento do seu corpo e de suas possibilidades.

      A Psicomotricidade está associada à afetividade e à personalidade, porque o indivíduo utiliza seu corpo para demonstrar o que sente.

     Ela contribui de maneira expressiva para a formação e estruturação do esquema corporal e tem como objetivo principal incentivar a prática do movimento em todas as etapas da vida o individuo. 

Conclusão

      Concluímos que a psicomotricidade é a relação entre o pensamento e a ação, envolvendo a emoção. A psicomotricidade favorece ao homem uma relação consigo mesmo, com o outro e com o mundo que o cerca, possibilitando um melhor conhecimento do seu corpo e de suas possibilidades.

      A Psicomotricidade está associada à afetividade e à personalidade, porque o indivíduo utiliza seu corpo para demonstrar o que sente.

     Ela contribui de maneira expressiva para a formação e estruturação do esquema corporal e tem como objetivo principal incentivar a prática do movimento em todas as etapas da vida o individuo. 

Concluímos que a psicomotricidade é a relação entre o pensamento e a ação, envolvendo a emoção. Ela favorece ao homem uma relação consigo mesmo, com o outro e com o mundo que o cerca, possibilitando um melhor conhecimento do seu corpo e de suas possibilidades e limitações.

Vemos que a Psicomotricidade está associada à afetividade e à personalidade, porque o indivíduo utiliza seu corpo para demonstrar o que sente.

É uma ciência que contribui de maneira expressiva para a formação e estruturação do esquema corporal e tem como objetivo principal incentivar a prática do movimento em todas as etapas da vida do individuo.

Como futuras pedagogas podemos transmitir com este trabalho a importância e o valor do processo de desenvolvimento do ser humano em todos seus aspectos. O quão é importante todo o processo de desenvolvimento, e o quanto isto acarreta ou acarretará a vida de cada individuo de maneira integral.

REFERÊNCIAS

SILVA, Daniel Vieira da. Psicomotricidade.- Curitiba: IESDE (Inteligência Educacional e Sistemas de Ensino), 2005. 44 p

BUENO, Jocian Machado. Teoria & Prática - Estimulação, educação, reeducação psicomotora com atividades aquáticas. Editora LOVISE. 1998

Sociedade Brasileira de Psicomotricidade- A Psicomotricidade retirado do site: http://www.psicomotricidade.com.br/apsicomotricidade.htm às 15:50 horas em 11 de Junho de 2008.

Cola da Web- Psicomotricidade retirado do site:http://www.coladaweb.com/edfisica/psico.htm às 09:00 horas em 18 de Junho de 2008.

e. educacional A Internet na Educação- 1999-2008. Portal Educacional . Psicomotricidaderetirado do site: www.pessoal.educacional.com.bràs 8:15 horas em 08 de Junho de 2008.

PONTES, Érica Gomes - Psicomotricidade Um Novo Olhar Sobre O Corpo Psicopedagogia On Line 1998  2008 Publicado em 21/03/2006 14:27:00 retirado do site: http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrid=807às 16:30 horas em 12 de Junho de 2008.

 
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Sobre este autor(a)
Sou Vanessa Priante Alecrim, tenho 23 anos. Estudante do 3º ano de Pedagogia da Universidade Paranaense. Pretendo me especializar na área de pedagogia empresarial, e/ou psicopedagogia e psicologia infantil.
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