PORQUE É TÃO DIFÍCIL ENSINAR E TAMBÉM APRENDER A PRODUZIR TEXTOS?
 
PORQUE É TÃO DIFÍCIL ENSINAR E TAMBÉM APRENDER A PRODUZIR TEXTOS?
 


UNIVERSIDAD DEL NORT
MESTRADO EM CIÊNCIAS DA EDUICAÇÃO.

PORQUE É TÃO DIFÍCIL ENSINAR E TAMBÉM APRENDER A PRODUZIR TEXTOS?

Artigo apresentado a Universidad Del Nort como pré-requisitos de Nota da disciplina Metodologia da Pesquisa Cinetífica

PROF.ºDrª Marta Canese

Asunción
2010

ANA CLÁUDIA CARDOSO SANTOS

INTRODUÇÃO

Dos anos 80 até os dias atuais, houve uma maior preocupação com o ensino da Língua Portuguesa nas escolas brasileiras, de como vem sendo aplicada, se tem aproveitamento e qual providência deveria ser tomada em prol de sua melhoria. Isso surgiu em decorrência da necessidade de descobrir porque os alunos fracassam na leitura e na escrita, principalmente nas séries iniciais, o que traz conseqüências para o resto da vida. Esse problema despertou a atenção de pesquisadores e profissionais da área
As dificuldades dos Professores na mediação da aprendizagem da Produção de Texto aos alunos do Ensino Fundamental são provenientes da falta de aprofundamento detalhado das fundamentações teórico - metodológicos pré e pós formação profissional especificamente do ensino de Produção de Texto, porque a metodologia de ensino aplicada na escola pela maioria dos professores é exaustiva, sem criatividade ou melhores explicações sobre o que fazer e como proceder para escrever bons textos e parte destes fatores são resultados da falta de formação que tiveram durante sua vida profissional. Isso então torna o ensino de produção de texto precário e com muitas dificuldades de ensino - aprendizagem.

No início do ano letivo ao se fazer a divisão de disciplina (do sexto ao nono ano) é comum notar certa rejeição de alguns professores que lecionarão a Produção de Texto ou Redação. O nome não importa, mas ensinar o aluno a produzir textos em qualquer modalidade de ensino é um dilema que já começa pela falta de preparação ou até mesmo capacitação especifica do professor. Passa o professor, então a questionar todas as dificuldades que surgem desde a falta do hábito de leituras dos alunos, de preparação para discorrer sobre o tema proposto, de informação e a grande quantidade de textos para corrigir. Em vista destas questões, surge a pergunta: porque é tão difícil ensinar e também aprender a produzir textos?
Inicialmente a resposta encontra-se no hábito de ler de todos que formam a escola. É preciso que os professores adotem o hábito de leitura como prática importante para a transformação e criticidade do aluno. Não existe produção de texto sem que antes haja um processo que privilegie a leitura dinâmica, que se preocupa com a transformação e interação social. Para isso, é necessário que haja um fortalecimento das habilidades de leitura, do dado mínimo do código escrito e da linguagem. Aprender a ler é um dos eixos fundamentais na formação da criança. Para Antunes (2005, p.13): "A leitura deve ser a preocupação de cada um de nós e também da escola e deve estar presente no dia-a-dia em sala de aula."
Mas esta motivação deve ter o compromisso do professor em estar inteiramente envolvido neste processo. Afinal um professor leitor, que tem paixão pela leitura, apreciando-a verdadeiramente, influencia positivamente na vida do aluno. Só se lê em ambiente que se lê. Antunes (2005, p.19) ainda diz:"O trabalho de leitura na escola deve começar pelo professor, para que ele professor, se aproxime do livro, vença suas dificuldades pessoais, amplie seus conhecimentos e cultive o gosto pela leitura..."
Sabe-se que nem sempre este trabalho vem sendo cumprido pelo professor, pois a maioria deles, na sua formação profissional ( e quando também eram alunos) não vivenciam as situações que hoje são apontadas como fundamentais para a formação do leitor. Como resultado, encontra-se uma grande quantidade de professores, que embora conscientes da necessidade de ler e das suas responsabilidades na formação de alunos leitores, sentem muitas dificuldades em sua atuação e reconhecem que também não são leitores ativos. Isto não é culpa do professor é decorrente dos fatores históricos e culturais que resultaram nas desigualdades sociais e que também influenciaram na formação do professor, quando era aluno. E é este mesmo saber que vem sendo aplicado aos alunos nas aulas de produção de texto: mecânico e sem nenhum desenvolvimento crítico, construtivo e reflexivo para o aluno. Conforme diz Ramos (2000, p.96):

É preciso reconhecer que o atraso do nosso país sempre foi muito grande quando se trata de Educação. E veja que não estamos falando de educação superior, mas da educação básica, com a qual os filhos de todos devem contar, em escola de boa qualidade, desenvolvida por professores bem preparados.

Para tal é necessária a criação (ou atualização) de uma proposta pedagógica, baseados é claro na realidade em que o professor encontra-se para mostrar as teorias modernas que tratem da leitura como forma de interação social e ainda elaborar ações que utilizem aquela de forma prática na vida dos alunos. Além disso, através daqueles criem hábitos voltados à prática de formar leitores, que não incluam somente os alunos, mas toda comunidade cultural em que a escola está inserida. Para Gandin (1988 p-76):

... a motivação e a capacitação das pessoas para participar (por vozes, p/promover esta participação). Segundo sua cultura, na escola. É claro que a participação, de inicio, será diferente conforme a posição da pessoa no contexto escolar, mas o desejo é que o grau de participação de todos vão se aproximando até o limite necessário a ação, continuamente transformando-se, não se torne impossível.


Ainda que essa proposta pedagógica seja feita de forma agradável, pois num ambiente que se ler variados gêneros textuais incidirá para uma boa produção textual por está devidamente preparado através da leitura crítica e participativa. Pois ainda é por falta da leitura dinâmica na escola que a produção de texto não é ensinda por muitos professores de forma adequada e segura. Na maioria das vezes, a utilizam como "faz-de-conta" para cumprirem o que exigem o currículo. Isso é proveniente pela falta de informação e capacitação pré e pós formação profissional que são necessárias para o domínio da disciplina Produção de Texto. Por conta disso, alunos passam a odiá-la da forma com é aplicada e proposta. De acordo com Bonjuga (l988, p.20) no texto "A Redação e o Dicionário" faz o seguinte comentário:

O segundo é que ela corrigia tintim por tintim tudo que é redação que eu fazia. Usando caneta. E, pelo jeito, eu cometia tantas barbaridades, que ela se via obrigada a reescrever a minha redação quase que todinha. Com tinta vermelha. Quando eu relia a minha escrita, assim toda avermelhada para um português correto, eu sempre sentia a impressão esquisita que a minha redação estava fazendo careta para mim?.


O que se nota é uma grande dificuldade dos professores em entender a Produção de Texto, sua estruturação, técnicas, tipos textuais e consequentemente dos alunos em compreendê-la e incorporá-la em suas práticas.
Além de ser ensinada apenas uma vez por semana, seja de 1º ao 5º ano(ou de acordo é claro, com a grade escolar de cada escola) e em alguns casos específicos do 6º ao 9º ano por profissionais que não são da área (Letras), a Produção de Texto resume-se na maioria das vezes a exercícios complementares, a interpretações de texto ou a uma série de regras, claro que são de suma importância, mas que depois desta prática, leve o aluno a criar para desde cedo aprender a argumentar sobre suas idéias, defender seus pontos de vista e assim exercitar-se na prática da linguagem. Conforme os PCN?s (1997, p.27):


Uma rica interação dialogal na sala de aula dos alunos entre si e do professor com o aluno é uma estratégia excelente de construção do conhecimento, pois permite a troca de informações, o confronto de opiniões, a negociação dos sentidos, a avaliação dos processos pedagógicos envolvidos.



Mas quando se parte para a produção de texto, muitas vezes são aplicados temas distantes da realidade dos alunos, ou então desconhecidos ou meramente repetidos. Como diz Geraldi (1999, p.35):


O exercício de redação na escola tem sido um martírio não só para alunos, mas também para professores. Os temas propostos têm-se repetido ano por ano e o aluno que for suficientemente vivo perceberá isso. Se quiser, poderá guardar as redações na quinta série e na época oportuna: no início do ano, o título infalível Minhas Férias, em maio, Mãe... Tais temas, além de insípidos, são repetidos todos os anos, de tal modo que uma criança de sexta série passa a pensar que só se escreve essas coisas.



Além do tema não atrativo, ao realizar suas redações somente os professores a lêem, mas com o objetivo de podar gramaticalmente seus alunos. A correção, feita por ele em geral (com uma caneta chamativa) está mais preocupada com as regras da norma culta do que com o tema abordado ou com a organização das idéias e argumentos utilizados. Enfim trata-se mais de uma correção gramatical do que com uma avaliação propriamente dita. Segundo Meserani (1999, p.53):

Em vez de apenas assinalar os erros nos textos dos alunos e devolver-lhes as redações, será mais interessante fazer com que se habituem a pensar nos usos lingüísticos. Para isso, basta colocar ?marquinhas? nos erros, como se fossem códigos (previamente estabelecidos com a turma) de forma que os alunos sejam obrigados a reescrever o que estiver incorreto.


Como comprovou - se por meio desta citação de Meserani, na maioria das vezes, os professores não trabalham as dificuldades dos seus alunos em suas criações. É preciso que haja resposta ao trabalho do educando para ele superar os erros cometidos. Não basta apenas corrigir é preciso mostrar caminhos para o aluno acertar, o que geralmente não ocorre nas aulas de Produção de Texto. Alunos são frustrados e podados nas suas idéias, porque o professor preocupa-se com erros gramaticais do que com as idéias desenvolvidas. Este é um dos grandes motivos que gera aversões pela produção de texto. Comentou-se a esse respeito Bagno (2002, p.22): "Se fosse assim todos os gramaticistas seriam grandes escritores (o que está longe de ser verdade) e, os bons escritores seriam especialistas em gramáticas."
Não é estudando demasiadamente a gramática que se aprende a escrever e a produzir textos. Na verdade, só exercitando a escrita é que se poderá aprimorá-la, mas em parceria com as leituras diversificadas dos textos que ajudarão a organizar o pensamento. De acordo com os PCN?s (1997, p.52):


A relação que se estabelece entre leitura e escrita, entre o papel de leitor e escritor, no entanto, não é mecânico, alguém que lê muito não é alguém que escreve bem. Pode-se dizer que existe uma grande possibilidade de que assim seja. É neste contexto considerando que o ensino deve ter como meta formar leitores que também sejam capazes de produzir textos coerentes, coesos, adequados e ortograficamente escritos que a relação entre essas duas atividades deve ser compreendida.



Unidos às diversas leituras, alunos e professores devem entender a produção de texto como de suma importância não só na escola, mas fora dela, em várias situações que cobrarão um bom desempenho na vida profissional, por conta do mercado de trabalho ou até mesmo na vida pessoal. Lembrando que, para ingressar às universidades, o aluno precisará de um bom conhecimento e aptidão na disciplina de Redação ou Produção de Texto, isso porque ela será decisiva na maioria dos vestibulares e em alguns concursos.
Há uma outra questão que não deve ser esquecida: ao exigir a produção de texto, o professor deve enfocar textos baseados no cotidiano dos seus alunos como: entrevistas, bulas, rótulos, jornais, histórias em quadrinhos e outras para que eles saibam o que são e ficarem conscientes de que a intenção não é formar grandes escritores (mas se isto acontecer será motivo de orgulho) e sim pessoas preparadas para fazerem da escrita um meio para enfrentar a vida moderna. É necessária uma boa preparação para construírem seus próprios textos, tornando-se aptos para perceberem e diferenciarem a influência da oralidade e usarem normas gramaticais de forma não-mecanizada, como vem sendo feito. De acordo com a teoria de Emília Ferreiro enfocada na Revista Nova Escola (2008, p. 45):

... a compreensão da função social da escrita deve estimular com o uso de textos da atualidade, livros de histórias, jornais revistas.Para a psicolinguista, as cartiljhas, ao contrário oferecem um universo artificial e desinteressante.Em compensação, numa proposta construtiva de ensino, de sala de aula se transforma totalmente, criando-se o que se chama de ambiente alfabetizador.

Somado a tudo anteriormente comentado não se deve deixar desconsiderar o papel que o meio desempenha no desenvolvimento do aprendizado dos alunos, quanto na disposição do professor em abordar temáticas que estejam voltadas para o cotidiano destes, o que facilitaria a produção textual contando que o professor na abordagem textual deva está voltado para o conhecimento local, como porta de acesso a um conhecimento exterior, fazendo com que seu público possa em primeiro ter domínio do meio cultural em que esteja inserido, podendo fazer da comunidade a que pertence objeto de reflexão de um contexto cultural maior. Considerando a investigação de Canese (2008, p.90):

La conexion oportuna entre la educación y la sociedad promueve uma mentalidad innovadora, de acuerdo a los requerimientos y preocupaciones sócio-comunitarias. Esto implica crear nuevas formas participativas de encarar la enseñanza, impulsando la interdisciplinaridad, la enseñanza vivencial y dinâmica, la posibilidad de trascender e trascenderse.

CONCLUSÃO

A produção de texto deve ser significativa para o aluno, portanto se faz necessário que o professor enfoque gêneros textuais de acordo com a realidade do aluno para que desde saiba o que são e assim produzi-los nos momentos oportunos na sala de aula. Além disso,é necessária uma boa preparação para construírem seus próprios textos, tornando-se aptos para perceberem e diferenciarem a influência da oralidade e usarem normas gramaticais de forma não-mecanizada, como vem sendo feito.
Os textos produzido nas salas de aula não devem ficar apenas na mão do professor, mas deve sair além das fronteiras da escola para que o aluno perceba que o que ele escreveu tem significação e é importante para todos.
Dessa forma, alunos e professores nunca mais dirão: como é difícil ensinar a aprender a produzir texto.

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CANESE, Marta. Política Educativa en América Latina: Contribuciones la Educación Comparada. Asunción, Paraguay: Marben, 2008.

BAGNO, Marcos. Preconceito Lingüístico ? O que é, como se faz. 11ª ed. São Paulo: Editora Loyola, 2002.

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GANDIN, Danilo. Escola e Transformação Social. Petrópolis: Editoras Vozes, 2000.

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GONÇALVES, Hortência de Abreu. Manual de Monografia, Dissertação e Tese: Inclui exercícios práticos e normas de referências, citações e notas de rodapé - NBRs 14724/10520/6023.2002. São Paulo: Avercamp, 2004.

KAUFMAN, Ana Maria Rodrigues. Escola, Leitura e Produção de Texto. Porto Alegre: Artmed, 1995.

LAKATOS, Eva Maria, MARCONI, Marina Andrade. Metodologia Científica. 2ª edição. São Paulo: Atlas 1991. 231p.

MESERANI, Samir. O Prazer da Redação. São Paulo: Ática, 1998.

MEC ? PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. Língua Portuguesa: Ensino de Primeira a Quarta Série do Ensino Fundamental. Brasília: Secretaria de Ed. Fundamental, 1997.144p.

OLIVEIRA, Sílvio L. de. Tratado de Metodologia Científica, 2ª ed. São Paulo: Cortez, 2004.

RAMOS, Wilsa Maria - A Educação no Mundo Contemporâneo-In:GUIA DE Estudo.2 ed.-Brasília:MEC.FUNDESCOLA,2000.140p.-( Coleção Magistério;Um.1).
 
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Sobre este autor(a)
Doutoranda em Gestão e Política Universitária do Mercosul pela Universidade Lomas de Zamora em Lomas de Zamora -AR, Mestra em Ciências da Educação pela Universidad Del Norte em Assunção - PY, Graduação em Letras/portugues pela Universidade Federal de Sergipe(UFS), Graduanda em História pela Universi...
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