O TRABALHO COM MAPAS: limites e possibilidades

O presente trabalho tem como objetivo tecer uma reflexão acerca do trabalho com mapas em sala de aula no ensino da geografia. È pertinente afirmar a importância dessa prática para a efetivação de uma aprendizagem de qualidade.
Sabe-se que o contexto escolar possui uma demanda muito urgente por práticas educacionais que verdadeiramente venham a contribuir para que os alunos tenham uma aprendizagem significativa. E para que as aulas de geografia se tornem mais atrativas e com rendimento excelente é notável que o professor lance mão do trabalho com mapas. Esse é um excelente recurso para que os educandos possam construir a habilidade de ler e interpretar as informações desse instrumento útil na representação de lugares.
Ao conhecer diversas versões de mapa, os alunos analisam quais as informações são representadas e como elas refletem pontos de vistas. O professor de geografia deve oferecer diferentes variedades de mapas para serem analisados em sala de aula. Isso permite que os alunos despertem a curiosidade pelo processo de composição de um desenho e perceba que a linguagem cartográfica se presta a diferentes funções. De acordo com MARTINELLI (2009, p.21):
Todos os alunos devem ter a oportunidade de participar de momentos de observação, comparação e criação. Pode-se dizer que, além de representar, os mapas também constroem uma visão de mundo. Apresentar uma diversidade de materiais é uma maneira de compartilhar outros pontos de vista e estimular a postura crítica diante das representações.
O autor revela que cada mapa tem uma conotação condizente com a concepção da pessoa que o produziu. Por essa razão é importante que o professor ofereça uma grande variedade de mapas para que assim, os estudantes possam confrontar as visões dos autores. A partir da leitura e interpretação dos mapas, a aula de geografia vai ser uma maneira de ensinar aos alunos como possuir uma visão crítica das informações que o mapa reproduz.
Se o tema das aulas for o mapa-múndi, os alunos logo vão ver que diversas representações podem ser consideradas corretas. A mais tradicional de Gerhad Mercator, mostra a Europa no centro e o Hemisfério Norte com mais destaque que o sul. Embora seja amais usada, ela não é a única aceita. Com isso pode ser discutido nas aulas de geografia o eurocentrismo, a Europa como centro do mundo e das decisões.
O professor deve deixar bem claro que não há um mapa que seja mais ou menos verdadeiro ou fiel à realidade. Os alunos devem aprender com as aulas de geografia que todos os mapas são passíveis de distorções. O trabalho com essa temática pode ter várias dinâmicas e o estudo da disciplina em questão pode ser fascinante para os alunos.
Uma atividade bastante rica para ser trabalhada em sala de aula pelos alunos, é que eles reproduzam a trajetória da sua casa para a escola, do contorno e localização de sua casa em relação à cidade onde moram. Outra sugestão para trabalhar o mapa-múndi é estabelecer uma discussão acerca do meridiano de Greenwich. O uso dele como referência é bastante recente e o professor precisam explicar para a turma que nem sempre foi assim e essa é uma convenção relativamente recente. Segundo DURAND (2008, p, 97):
No mundo de hoje, marcado pela globalização e pela interatividade, o nosso desafio é pensar em mapas capazes de representar essa realidade dinâmica e os elementos que a compõem. Eles podem ser de assuntos específicos ou gerais de acordo com o desempenho e interesse dos alunos.

A partir daí pode-se inferir que o trabalho com mapas nas aulas de geografia apresentam uma riqueza ampla e pode vir a contribuir para o sucesso da aprendizagem escolar dos alunos. O papel do professor é planejar atividades dinâmicas, inovadoras e renunciar àquelas tradicionais práticas de fazer com que os alunos apenas desenhem um mapa. Para trabalhar com esse gênero em sala de aula o professor precisa ter objetivos concretos e bem definidos.
Vários objetivos podem orientar a prática docente no que se refere ao trabalho com mapas, um dos mais pertinentes seria possibilitar com que os alunos reconhecessem as diversas representações da realidade e refletir sobre as influências da linguagem dos mapas na constituição da nossa visão de mundo.
Através de um projeto bem elaborado o professor pode ensinar aos alunos, por intermédio dos mapas, assuntos direcionados a hidrografia, relevo, clima, vegetação, solo e aspectos econômicos do município. Pode-se sugerir que os alunos façam visitas planejadas pela cidade ou sítio para que eles possam perceber a localização concreta e transcrever para o papel em forma de mapas.
O trabalho cartográfico nas aulas de geografia pode começar por um ambiente conhecido, como a escola. Desenhando a sala de aula, os alunos aprenderão conceitos relacionados a lateralidade,proporcionalidade e distância. Noções como perto, longe e interpretações de símbolos são facilmente construídas a partir da elaboração e interpretação dos mapas.
Os mapas são ilustrações que frequentemente aparecem em livros, revistas, jornais e os alunos precisam ter contato com essa importante linguagem. É preciso estabelecer relações diretas entre as imagens e o texto escrito. Os alunos não podem restringir e limitar a noção de leitura apenas a palavra escrita, eles devem ter a habilidade de ler os mapas. Essas oportunidades de trabalhar com esse suporte possibilitam aos alunos observarem as soluções encontradas por profissionais para ilustrar questões abstratas e concretas, como política, territorialidade, economia, cultura, etc.
Em relação ao trabalho com mapas nas aulas de geografia, VESENTINI (2002, p.102) diz que:
Uma aula ministrada através da utilização de mapas, muitas vezes, basta por si só. É o caso dos cartogramas que traçam uma relação do mundo entre o aspecto dos países como um campo de forças versus o aspecto dos mesmos como um mundo de centros e periferias, o mundo da riqueza, espelhado através dos índices do PIB e do poder de compra, versus o mundo da concentração populacional, ainda como uma rede hierarquizada.
Como bem revela o autor, a prática de trabalho tendo como metodologia o mapa, é muito rica e oferece múltiplas oportunidades para o professor enriquecer suas aulas. Esse trabalho pode ser feito desde cedo, ainda nas salas de educação infantil, onde o professor deve apresentar para os alunos um mapa e mencionar sua utilização e importância. Ao longo da sua escolaridade o aluno deve ter o contato direto com esse recurso para construir habilidades de construção e leitura de um mapa, com diferentes informações.
Através da cartografia, análise de elementos cartográficos e elaboração de mapas, os professores podem ministrar suas aulas de forma mais dinâmica e fazer associação destes produtos a diversos temas da Geografia.
Na atualidade, os professores devem utilizar os mapas como um importante recurso didático na sala de aula. Não vivemos mais a era da memorização e da "decoreba", onde os mapas eram utilizados apenas para decorar nomes de rios ou para colorir países. Vivemos numa era onde devemos levar nossos alunos a serem indivíduos críticos e os mapas podem trazer tantas informações quanto um texto ou artigo sobre determinado assunto. Nas palavras de SIMIELLI (1999, p.33):
Entretanto, é claro que a utilização de mapas no ensino de geografia não se dá de maneira uniforme, cada caso é um caso. Isso se dá pelo fato de que nem todas as escolas adotam a alfabetização cartográfica nas suas séries iniciais, tornando mais difícil o trabalho com mapas em sala de aula, tanto para o professor como para o aluno. Assim, poderemos ter turmas de 5 a. ou mesmo de 8a. ano necessitando de uma alfabetização cartográfica. Muitas vezes, os próprios alunos de ensino médio e de graduação sentem dificuldade em fazer uma leitura e uma boa interpretação dos mapas.
Nesse sentido, se faz necessário começar desde cedo a apresentar os mapas para os alunos, só assim, os jovens estudantes não vão possuir dificuldades em trabalhar mapas no que se refere a sua leitura e interpretação. A utilização de mapas nas aulas de geografia é uma excelente forma de enriquecer o ensino aprendizagem dessa disciplina e quem sairá ganhando com isso serão os alunos.

REFERÊNCIAS
DURAND, Marie-Françoise. Atlas da Mundialização: compreender o espaço mundial contemporâneo. São Paulo: Saraiva 2008
MARTINELLI, Marcello. Mapas da Geografia e Cartografia Temática. São Paulo: Contexto, 2009
SIMIELLI, M.E.R. Cartografia no ensino fundamental e médio. In: CARLOS, Ana. (Org.). a Geografia na sala de aula.São Paulo: Contexto, 1999.
VESENTINI, J.William. Geografia Crítica. São Paulo: Ática, 2002















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