FILOSOFIA RELIGIOSA DO BRASIL: ORIGENS E DIFERENÇAS ASCÉTICAS NA RELIGIOSIDADE CRISTÃ
 
FILOSOFIA RELIGIOSA DO BRASIL: ORIGENS E DIFERENÇAS ASCÉTICAS NA RELIGIOSIDADE CRISTÃ
 


FILOSOFIA RELIGIOSA DO BRASIL: ORIGENS E DIFERENÇAS ASCÉTICAS NA RELIGIOSIDADE CRISTÃ


1 INTRODUÇÃO

Quando o assunto é religião, há uma grande probabilidade de haver muita
discussão, porém na filosofia da religião a questão é a consciência e a compreensão
que o homem faz do absoluto, é através dela que o homem enxerga como criado por algo maior, o que chamamos de revelação do Divino.
Sendo assim nos prenderemos as questões religiosas relevantes no território brasileiro e que há tempos vem influenciando e sendo influenciada pela formação cultural e social deste povo.


Religião é oriundo do latim religare, que significa "religar"e "atar", é um sistema qualquer de idéias, de fé e de culto, como é o caso da fé cristã.
Religião é um conjunto de crenças e práticas organizadas, formando algum sistema privado ou coletivo, mediante o qual uma pessoa ou um grupo de pessoas é influenciado.
Religião é um corpo autorizado de comungantes que se reúnem periodicamente para prestar culto a um deus, aceitando um conjunto de doutrinas que oferece algum meio de relacionar o indivíduo àquilo que é considerado ser a natureza última da realidade. ( Apostila do Instituto Cristão de Pesquisa).
Religião é o reconhecimento da existência de algum poder superior, invisível; é uma atitude de reverente dependência a esse poder na conduta da vida; e manifesta-se por meio de atos especiais, como ritos, orações, atos de misericórdia, etc.
No Brasil a religião pode ser classificada como universal e primitiva, sendo a primeira aquela que acredita ter importância para todo o mundo e tentam, com maior ou menor intensidade, converter pessoas através do proselitismo.
Proselitismo do grego: prosélitos = aderente. Consiste em conquistar aderentes de uma doutrina. Nestas há uma escritura, como é o caso da Bíblia, na religião cristã. ³
E primitiva é a que tendem a ser locais, seus praticantes não a consideram relevante para outros povos. Está ligada a povos que vivem em uma cultura primitiva.
A filosofia religiosa do Brasil remonta a sua história, haja vista que há indícios de uma prática religiosa em solos brasileiro antes mesmo da chegada por aqui dos colonizadores. Este trabalho de pesquisa tem por objetivo entender como foi e como esta a questão religiosa no Brasil.


2 RELIGIÃO INDÍGENA DO BRASIL


A religião primitiva ou indígena do Brasil está entre os índios, os primeiros
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¹ http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/portugue.html. Enciclopédia Simpózio.
habitantes de que temos registro nas Américas, e é muito difícil definir, o sistema religioso indígena devido ao grande número de tribos, mas podemos enquadrá-lo nas formas de animismo que é a crença de que um espírito ou divindade reside dentro de cada objeto, o controle de sua existência e influenciam a vida humana e eventos no mundo natural.
O totemismo, que é descrito como sendo a associação da tribo com um animal, ou ocasionalmente, uma planta que representa a marca ou símbolo da unidade social da tribo e sua identidade.
Alem do xamanismo, que está relacionada com a cura, bruxos, doutores, ou Shaman. É o domínio dos espíritos por um indivíduo possuído por um espírito. Com o propósito de enfeitiçar as pessoas ou expulsar os demônios delas.( Apostila de Religiões Comparadas do SPRCianorte, 1999)
No entanto, não podemos deixar de ressaltar os elementos xamãnicos, como a crença em um Ser Superior, de caráter celeste, em espíritos também celestes, que intervêm na vida dos homens e nas atividades do pajé, que se acredita ser capaz de curar e de se comunicar com os espíritos.
Os pajés utilizam a técnica do êxtase, que domina, e que consiste em poder abandonar o corpo quando em estado de transe. Este líder religioso exerce as funções de curandeiro, sacerdote e condutor de almas. (PREZIA, OUT/2008).


2.1 Conceitos que nos leva a entender a concepção religiosa dos Índios


Observando a história indígena do Brasil, descobrimos que cada povo indígena possuía crenças e rituais religiosos diferenciados, todas as tribos acreditavam nas forças da natureza e nos espíritos dos antepassados. Para os quais, faziam rituais, cerimônias e festas.
O pajé é o responsável por transmitir estes conhecimentos aos habitantes da tribo. Algumas tribos chegavam a enterrar o corpo dos índios em grandes vasos de cerâmica, onde além do cadáver ficavam os objetos pessoais. (http://www.suapesquisa.com/indios/). Isto mostra que estas tribos acreditavam numa vida após a morte.
Como podemos observar nas lendas dos Tupis e Guaranis que afirmam que ambos eram irmãos que, viajando sobre o mar, chegaram ao Brasil e com seus filhos povoaram o nosso território; mas um papagaio falador fez nascer à discórdia entre as mulheres dos dois irmãos, donde surgiram a desavença e a separação, ficando Tupi na terra, enquanto Guarani e sua família emigraram para a região do Prata. Porém uma pesquisa científica afirma que o grupo Tupi-Guarani é originário da região hoje chamada de Rondônia. ( SCHADEN, 1974.p. 161-165 )
O Guarani emigrou para o sul, penetrando no Paraguai, enquanto o Tupi penetrava no Brasil, estendendo-se por todo o seu litoral, desde o Rio Grande do Sul até o atual território do Amapá.
O que fica evidente é que esta movimentação dos Tupis Guaranis prende-se à busca de uma espécie de Paraíso, onde os homens poderiam refugiar-se quando chegassem o fim do mundo, e que estaria colocado na direção leste.
Por isso, cada vez que a situação se tornava calamitosa, os Tupis, sob o comando de um pajé ou de um profeta, empreendiam a longa caminhada em busca da "terra sem mal".
O Mito, recolhido entre os Apapocuva, guaranis originários do Mato Grosso, mas estabelecidos no Estado de São Paulo, diz o seguinte: Nyanderuvusu, "nosso pai grande", ser principal da mitologia apapocuva, criou o mundo e a primeira mulher, Nyandesy, "nossa mãe", que concebeu dois gêmeos, mas foi devorada por uma onça, que respeitou as duas crianças, Nanderykey e Tyvyry, identificados com o sol e a lua. Nyandesy sobrevive na "terra sem mal", onde os homens vivem eternamente felizes. (SCHADEN, E. Aspectos fundamentais da cultura Guarani. São Paulo: E.P.U./Edusp, 1974, p. 161-165).
Entre os Mundurucus, tupis do Tapajós, Caro Sacaibu é um deus criador onisciente e herói civilizador, pois ensinou aos homens a caça e a agricultura. Disse o mito que maltratado pelos mundurucus retirou-se ao mais alto do céu, sendo confundido com a cerração.
No fim do mundo, queimará os homens no fogo. Mas é benévolo e atende as preces dos que a ele recorrem antes da caça, da pesca, e nas doenças. Castiga os maus e acolhe benignamente os bons.

O binômio Monam (divindade criadora) e Tupã (divindade destruidora) constituiria o cerne da religião dessas populações, com predominância para o último, devido à crença num novo e inevitável arrasamento da terra. De fato, quase todos os textos quinhentistas e mesmo posteriores sublinham o papel relevante concedido a Tupã na mitologia Tupi, considerando-o inclusivamente como sua principal personagem (COUTO, 1998, p.111).

De acordo com Couto, texto citado acima, entre os Tupinambás, Estado da Bahia, acredita se no Monan e Tupã, sendo o primeiro um Ser Superior que criou o céu, a terra, os pássaros, os animais. Mas os homens mostraram-se maus e, por isso, Monan enviou Tatá (Tatá-manha = Mãe-Fogo) que consumiu tudo.
Só se salvou Irin Magé, que Monan tinha levado ao céu, e que se tornou o herói civilizador da nova geração de homens, com o nome de Maire-Monan, do qual descende Sumé, o grande pajé, que gerou os dois gêmeos Tamendonaré (Tamandaré) e Aricute. (SCHADEN, 1974)
Nestes mitos podemos identificar algo parecido com a escatologia cristã, ainda encontramos uma concepção de um Ser Supremo, não é muito clara, mas, muitos outros mitos falam de um formador do mundo, da terra, do sol, da lua, dos homens, dos animais e fundador dos costumes humanos.


3 ASPECTOS RELIGIOSOS NA HISTÓRIA DO BRASIL

Tudo começou com a escolha de um homem, Pedro Álvares Cabral, que fazia parte da Ordem de Cristo, com seus aproximadamente 33 anos, mais oito frades franciscanos, um vigário e oito capelães, que após uma missa rezada na capela de Ermita de São Jerônimo, em Lisboa e a bandeira da Ordem sendo Benta pelo Bispo de Ceuta, parte em rumo as Índias chegando as Américas.
Segundo a Revista Ultimato, (Jul/Ago/1999), ao chegar a solo brasileiro a primeira coisa a ser feita foi uma missa, em Cabrália na BA, celebrada pelo frei Dom Henrique Soares de Coimbra, até a constelação vista pelo então astrônomo João Faras recebeu o nome de símbolo religioso, Cruzeiro do Sul.
Cerca de três dias após, é realizada a segunda missa com aproximadamente mil portugueses e 150 nativos presentes, e logo em seguida é enviada uma carta a Portugal pedindo ao rei, missionários para catequizar os nativos.
No final de 1555, um grupo de Franceses liderados por Nicolas Durand de Villegagnon instalou-se em uma das ilhas da Bahia da Guanabara. Mais tarde um grupo de colonos e pastores reformados enviados por João Calvino realiza o primeiro culto protestante no Brasil, em cerca do ano de 1557.
Por volta de 1630 a 1654, o Brasil já experimentava uma liberdade religiosa, entre judeus, católicos e protestantes, porem a igreja oficial era a reformada da Holanda com aproximadamente 22 igrejas.¹


3.1 Chegada da Família Real ao Brasil


A chegada da família real ao Brasil em 1808, abril espaço para as questões religiosas serem implantadas mais facilmente neste territórios, pois, em 1810, Portugal e Inglaterra firmaram um tratado de Comércio e Navegação, e junto estava a liberdade religiosa aos imigrantes, sendo assim muitos começaram a chegar de diversas regiões da Europa, sendo inclusive integrantes da reforma religiosa, vindos da França, Suíça e Alemanha.
A abertura foi tão benéfica que em 1827, foi fundada no Rio de Janeiro a Comunidade Protestante Alemã Francesa, que reunia Luteranos e Calvinistas, porem ainda estava restrita a imigrantes.
Mas por volta do ano de 1850 começava a ser implantado no Brasil, diversas igrejas além da Católica, que gozava de privilégios por ser considerada a religião Oficial, como o presbiterianismo, congregacionalismo, Batista e o luteranismo.
Estas denominações religiosas trouxeram várias contribuições ao Brasil na formação do cidadão, tanto social como intelectual, com a abertura de várias instituições educacionais confessionais, uma vez que, a princípio cabia ao governo manter financeiramente a Igreja Católica, inclusive com um sistema de subvenções a escolas e missões religiosas. Obrigando os então protestantes a organizar e manter suas próprias escolas para, desta forma, poder educar seus filhos.
Com a abertura religiosa no Brasil, foram implantada entidades mantidas por estas denominações que beneficiavam a todas as pessoas como, o Colégio Internacional de Campinas fundado em 1870, por Morton e Lane, a Escola Americana, fundada na capital paulista, pelo casal Chamberlain em 1870 que tornou o Mackenzie College, o Colégio Americano de Natal, que foi a primeira escola evangélica do nordeste, fundado por Katherine H. Porter, esposa do Rev. William C.Porter, em 1895. ¹
Na mesma época, na cidade de Garanhuns foram lançadas as bases de duas importantes instituições educacionais: o Colégio Quinze de Novembro e o Seminário do Norte, hoje sediado em Recife.


4 A RELIGIÃO AFRO-BRASILEIRA


O Brasil desde o princípio teve dentre seus habitantes os africanos, que no início vieram trabalhar como, escravos nas lavouras, e este grande contingente influenciou este país com a sua religião o que denominamos hoje de religião afro-brasileira.
O que antes era restrito aos escravos e seus descendentes ganharam adeptos das outras classes urbanas, que vem preservando as tradições dos antepassados.
O culto afro-brasileiro toma o nome de pajelança na Amazônia, babaçuê no Pará, tambor de mina no Maranhão, xangô em Alagoas, Pernambuco, Paraíba, e batuque no Rio Grande do Sul.
Com as misturas religiosas dos povos que colonizaram o Brasil a exemplo o Candomblé Tal como se encontra na Bahia, já se apresenta como um resumo de várias religiões trazidas pelos negros da África e incorpora ainda elementos ameríndios, do catolicismo popular e do espiritismo, sendo que, muitos escravos, mesmo se reconhecendo como cristãos, não abandonaram a fé nos orixás, vodus e enguices oriundos de sua terra natal.
Dessa forma, observamos que o desenvolvimento da Filosofia religiosa brasileira está sendo formado com base numa série de negociações, trocas e incorporações, facilitando a compreender porque vários santos católicos equivalem a determinadas divindades de origem africana.


5 ATUALIDADE RELIGIOSA DO BRASIL


O Brasil é hoje um país com uma diversidade religiosa muito grande, uma vez que a nossa constituição prevê a liberdade de religião. E temos a Igreja e o Estado oficialmente separados, sendo o Brasil um Estado oficialmente laico. A legislação proíbe qualquer tipo de intolerância religiosa, no entanto, a Igreja Católica goza de um estatuto privilegiado e, ocasionalmente, recebe tratamento preferencial.
A população brasileira é majoritariamente cristã. No entanto, existem muitas outras denominações religiosas no Brasil, como, os seguidores da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, judeus, muçulmanos, budistas e até mesmo Islâmicos.
O seguimento religioso que mais cresce no Brasil é os Neopentecostais, o que diminuiu o número de membros tanto da Igreja Católica quanto das religiões afro-brasileiras.
Para entendermos este movimento vamos voltar um pouco na história do protestantismo brasileiro e deparamos com o Pentecostalismo, que chegou no Brasil por volta de 1910-1911.
O pentecostalismo surgiu no Brasil no início do século XX originário dos Estados Unidos, em dois modelos distintos, um com os dois missionários suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg que se estabeleceram em Belém do Pará no ano de 1910, para trabalharem na Primeira Igreja Batista até momento em que os primeiros brasileiros receberam o batismo do Espírito Santo, e em 1911 esse grupo de pentecostais fundaram a primeira igreja da Assembléia de Deus com 17 membros. (CAIRNS, 2008, p. 421)
Nas primeiras décadas do século XX, esse movimento pentecostal assembleiano, espalhou-se paulatinamente com pregadores leigos no norte e nordeste do Brasil e só depois para as outras regiões. Das igrejas pentecostais clássicas essa foi uma das que mais cresceu em número de fiéis.
O outro modelo de pentecostalismo que surgiu concomitantemente ao iniciado pelos dois suecos, foi o do ítalo-americano Louis Francescon, este ao ser convidado para pregar numa igreja presbiteriana em São Paulo, entre uma comunidade de descendente de italianos, teve a sua mensagem bem aceita pelo grupo presente, porém os pastores presbiterianos não aceitaram algumas das suas práticas. Ele retirou-se com um grupo de simpatizantes e fundou no interior do Paraná a segunda maior denominação pentecostal no Brasil, a Igreja Congregação Cristã.
Apesar dos grupos de pentecostais clássicos nunca terem sido homogêneos, eles dominaram esse tipo de religiosidade cristã no cenário brasileiro até os anos de 1950, sempre em busca de novos adeptos pelo proselitismo e pioneirismo, nas camadas sociais com pouca ou nenhuma escolaridade e pobre, a partir da década de 50 novos missionários da Cruzada Nacional de Evangelização, vinculados a Igreja do Evangelho Quadrangular deu início a fragmentação do movimento pentecostal, diversidade institucional e inovações proselitistas. Conforme Mariano ( 2005, p.23).
As igrejas pentecostais desse período, segundo Mariano, são chamadas de segunda onda pentecostal, ou deuteropentecostalismo, elas enfatizam a cura divina, enquanto os pentecostais clássicos ensinam a glossolalia. Dessa onda surgiram as Igrejas: Brasil para Cristo, Deus é amor, Casa da Bênção e outras de menor porte.
Ricardo Mariano ( 2005) em sua obra " Neopentecostais: Sociologia do Novo Pentecostalismo no Brasil". Essa segunda onda surgiu na capital paulista. A Cruzada Nacional de Evangelização percorreu quase todos estados brasileiros, era centrado na cura divina e no proselitismo, utilizaram programas de rádio para a expansão do Pentecostalismo no Brasil. Duas Igrejas Pentecostais autônomas surgiram: "O Brasil para Cristo" (1955) e a "Igreja Deus é Amor" (1962), fundadas pelos missionários Manoel de Melo e David Miranda, respectivamente.
O movimento de avivamento de forma carismática, isto é, pentecostal, manifestado no interior das igrejas do protestantismo histórico, deu origem aos vários grupos denominados "Históricos Renovados". Há, a partir desse período, uma proliferação de novas Igrejas Pentecostais, como por exemplo, as Igreja Presbiterianas Pentecostais, Convenção Batista Nacional, Igreja do Avivamento Bíblico, Igreja Metodista Wesleyana, Igreja Cristã Maranata.( MARIANO, 2005, p 24-32).
A origem das igrejas neopentecostais, que são os grupos da terceira onda, originaram nos Estados Unidos, cujo o nome era conhecido como "movimento carismático", eram nesse país composta por pessoas oriundas das camadas mais altas da sociedade e continuaram vinculadas as igrejas reformadas históricas. Eles buscavam experiências com o Espírito Santo, tiveram teologia própria e métodos de evangelização e organização mais flexíveis. Segundo a informação de Leonildo Silvério Campos ( 1997, p.49-50).

De uma maneira geral, esse neopentecostalismo enfatiza o exorcismo, cura divina, dons espirituais, continuidade da revelação divina através de líderes carismáticos, e uma parte aceita a teologia da prosperidade. Esse neopentecostalismo ganhou força no mundo religioso norte-americano nos anos 70, período que começou a penetrar na América Latina, provocando o surgimento de novas igrejas, seitas e denominações, assim como cisões nas principais denominações protestantes brasileiras, entre elas a Metodista, Batista, Presbiteriana, Congregacional e outras. ( CAMPOS, 1997, p. 50).

É nesse quadro de igrejas da terceira onda que surge o movimento neopentecostal no Brasil, a partir da segunda metade da década de 70 e que cresceu aceleradamente nas décadas de 80, 90 e no início do século XXI. São igrejas autóctones do pentecostalismo autônomo, dentre elas destacam-se as seguintes Igrejas Nova Vida fundada em 1960, Universal do Reino de Deus, Internacional da Graça de Deus, Cristo Vive, Comunidade Evangélica Sara Terra, Comunidade da Graça, Renascer em Cristo e Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo.
Os nomes de algumas dessas igrejas neopentecostais são diversos e estranhos, segue uma lista com alguns nomes desses templos:

Igreja da Água Abençoada, Igreja Adventista da Sétima Reforma Divina,Igreja da Bênção Mundial Fogo de Poder, Congregação Anti-Blasfêmias, Igreja Chave do Éden, Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta, Igreja Batista Incêndio de Bênçãos, Igreja Batista Ô Glória! Congregação Passo para o Futuro, Igreja Explosão da Fé, Igreja Pedra Viva, Comunidade do Coração Reciclado, Igreja Evangélica Missão Celestial Pentecostal, Cruzada de Emoções, Congregação Plena Paz Amando a Todos, Igreja A Fé de Gideão, Igreja Aceita a Jesus, Igreja Pentecostal Jesus Nasceu em Belém, Igreja Evangélica Pentecostal Labareda de Fogo, Igreja Barco da Salvação, Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação Para Cristo, Igreja Pentecostal Uma Porta para a Salvação, Comunidade Arqueiros de Cristo, Igreja Automotiva do Fogo Sagrado, Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo, Igreja Palma da Mão de Cristo, Igreja Menina dos Olhos de Deus,Igreja Pentecostal Vale de Bênçãos, Associação Evangélica Fiel Até Debaixo, Igreja Pentecostal do Fogo Azul,nComunidade Evangélica Shalom Adonai, Cristo! Igreja da Cruz Erguida para o bem das Almas, Igreja Filho do Varão, Igreja da Oração Eficiente, Igreja da Pomba Branca, Igreja Socorrista Evangélica, Igreja do Amor Maior que Outra Força, Igreja Dekanthalabassi, Igreja Cristo é Show, Cruzada Evangélica do Ministério do Deus do Fogo, Igreja das Sete Trombetas do Apocalipse, Igreja Evangélica Florzinha de Jesus, Ministério Eis-me Aqui, Igreja Batista Renovada Lugar Forte, Igreja Evangélica Bola de Neve, Ministério Maravilhas de Deus, Igreja Evangélica Fonte de Milagres, Comunidade Porta das Ovelhas, Bola De Neve Church,
Catedral Evangélica Pentecostal Do Grande Deus, e outras...

Essas diversas igrejas neopentecostais refletem a complexidade desse tipo de cristianismo, bem como o entendimento e história de cada uma delas. Para uma melhor apreensão das origens e práticas desses grupos, os especialistas em Ciências da Religião, estudam as maiores denominações, que são a Igreja Universal do Reino de Deus, a Internacional da Graça de Deus e as Comunidades Sara Nossa Terra e Renascer em Cristo.
Os neopentecostais possuem uma forma muito sobrenaturalista de encarar sua vida religiosa, com ênfase na busca de revelações diretas da parte de Deus, de curas milagrosas para doenças e uma intensa batalha espiritual entre forças espirituais do bem e do mal, que afirmam ter consequências diretas em sua vida cotidiana.
Sempre procuram apresentar objetos ungidos e mágicos, como parte de seus rituais além das entrevistas com demônios.
A grande maioria, usam práticas como, cortar fios ou fitas, simbolizando a destruição de redes de tráfico e crime organizado, quebrar botija, simbolizando a quebra de sistemas mundanos, jogar flechas, sentar em torno de uma mesa, simbolizando a restauração familiar, arrancar e plantar árvores, simbolizando retirada dos maus frutos e começo dos bons, enterrar e desenterrar dinheiro, simbolizando arrancar os tesouros escondidos, orar em frente a grandes bancos, ordenando a liberação financeira, ungir em frente a locais de idolatria, fincar estacas demarcando limites para conquista, dar sete voltas em torno de locais a serem conquistados, rasgar papéis que simbolizam contratos espirituais e até marchas proféticas delimitando territórios.


6 CONSIDERAÇÕES FINAIS


O Brasil apresenta um misto religioso muito grande, desde as religiões de origem indígenas, como as que foram sendo implantadas ao longo da sua história, fazendo com que a questão religiosa e a cultural se misturasse, por isso, é comum vermos como bem sucedido aquele grupo religioso que mais se adéqua as formas de ser da nação.
Se tratando de religião esta herança vem das culturas indígenas onde o culto é feito de forma coletiva, com cantos e danças, são sempre festivos, e celebrando com abundância de comida e bebida. Ao contrário de nossa cultura religiosa inicial, onde a oração geralmente é um ato pessoal e muitas vezes silencioso.
Entre os índios mesmo quando o ritual é mais triste, como na festa do Kiki ? ritual fúnebre dos Kaingang de Santa Catarina ?, termina sempre com uma grande celebração, com muita bebida e dança ao redor das fogueiras.
Sendo assim podemos encontrar esta influencia no catolicismo popular, onde as comemorações religiosas são marcadamente festas profanas, sendo que algumas delas entraram para o folclore brasileiro, como as festas juninas.
Nelas vamos encontrar fortes traços não só da festa do milho, tradicional nas culturas tupi e guarani, como também na festa kaingang do Kiki, onde há a fogueira e a bebida quente.
Uma outra característica da religião no Brasil é que ela sempre atuou de formas direta ou indireta na política, sendo a princípio pelos acordos entre a igreja católica, detentora do título de religião oficial, que dava a mesma várias vantagens políticas em relação as demais denominações, ou como hoje através de planos políticos elaborados pelas igrejas para eleger seus representantes no legislativo e no executivo, tanto municipal, estadual como até mesmo federal.
Espera-se ter mostrado de forma objetiva a filosofia religiosa do Brasil que foi construída ao longo desde quinhentos anos de história do Brasil e da Igreja Cristã.

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAIRNS, Earle E. Cristianismo através dos séculos: uma história da Igreja Cristã. tradução Israel Belo de Azevedo. 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 1995.


CASIRRER, Ernst. Linguagem, mito e religião. Port: Rés, s/d.


COUTO, Jorge. A construção do Brasil. 1. Ed. Lisboa: Cosmos, 1998.


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ELIADE, Mircea. Mito e realidade. São Paulo: Editora Perspectiva, 1972.


RIZZINI, Irmã, A união da Educação com a Religião nos Institutos Indígenas do Pará (1883-1913), Universidade do Estado do Rio de Janeiro; disponível em: http://www.faced.ufu.br/colubhe06/anais/arquivos/484IrmaRizzini.pdf


LARAIA, Roque de Barros, As religiões Indígenas: o caso tupi-guarani, Revista USP, São Paulo, n.67, p.6-13, setembro/novembro 2005; disponível em www.usp.br/revistausp/67/laraia.pdf


MENDONÇA, Wilma Martins de, As Religiosidades Indígena no Brasil do Século XVI, Programa de Pós-Graduação em Ciências das Religiões, I Simpósio Internacional de Ciência das Religiões, João Pessoa, 2007; disponível em www.cchla.ufpb.br/religioes/index.php?option=com_content&task=view&id=98&Itemid=76


FRESTON, Paul. Evangélicos na política brasileira: história ambígua e desafio ético. Curitiba: Encontrão, 1994.


BUENO, Eduardo. A Viagem do descobrimento, ( Editora Objetiva, 1998).


HUME, David. Obras sobre a Religião Natural, (Lisboa: Gulbenkian, 2005)




CASIMIRO, Ana Palmira Bittencourt S. O estoicismo na pedagogia religiosa do brasil setecentista: Resquícios ou presença marcante? Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia ? UESB


CAMPOS, Leonildo Silveira. Teatro, templo e mercado: organização e marketing de um empreendimento neopentecostal. Petrópolis e São Paulo: Vozes/Simpósio/UMESP, 1997.


MACHADO, Maria das Dores Campos. Carismáticos e pentecostais: adesão religiosa na esfera familiar. Campinas: ANPOCS, 1996.


MARIANO, Ricardo. Neo-pentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. São Paulo: Loyola, 1999.




 
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