CONSTRUÇÃO DE VALORES NA ESCOLA: DESENVOLVIMENTO DE VALORES PARA UMA CONVIVÊNCIA NO COTIDIANO E...
 
CONSTRUÇÃO DE VALORES NA ESCOLA: DESENVOLVIMENTO DE VALORES PARA UMA CONVIVÊNCIA NO COTIDIANO ESCOLAR
 


CONSTRUÇÃO DE VALORES NA ESCOLA: DESENVOLVIMENTO DE VALORES PARA UMA CONVIVÊNCIA NO COTIDIANO ESCOLAR

Maria Borges dos Santos e Silva
Isa Maria dos Santos

Resumo: Pretendeu-se com este trabalho analisar a importância dos valores na formação do aluno no cotidiano escolar. A amostra foi não aleatória constituída de 23 sujeitos, sendo 19 alunos e 4 professores do ensino fundamental, selecionados especialmente para esse estudo. Os resultados alcançados mostraram que os professores têm interesse em desenvolver projetos sobre educação em valores e os alunos mostraram-se inclinados a participar de atividades que tratem de valores não só na escola como na vida.

Palavras-chave: Valores. Educação. Ensino-Aprendizagem. Convivência.

1 INTRODUÇÃO

Com o tema Construção de Valores na Escola: desenvolvimento de valores para uma convivência no cotidiano escolar, fez-se um estudo criterioso sobre os valores já existentes nos educandos da 4a série do Ensino Fundamental da Unidade Integrada Marechal Castelo Branco, turno matutino para verificar se os mesmos estão sendo desenvolvidos na escola.
Dada a importância do tema, mostra-se através do estudo feito a hierarquia de valores e o que ela representa para cada um individualmente e para o grupo. Procura-se também sugerir atividades que demonstrem valores que devem, ser cultivados pelo ser humano.
Estudiosos como sociólogos e antropólogos falam sobre o assunto e mostram o que é viver bem em sociedade moderna, considerando os valores existentes.
Para Salvador (2000, p. 322) a escola é um dos principais agentes de socialização de valores positivos, pois "valores atuam como objetivos e referentes na vida" do homem.
Salvador diz ainda (2000, p. 323) que os valores orientam o trabalho educativo e marcam a direção em que é preciso progredir e por essa razão, aparecem nos objetivos de qualquer etapa da educação escolar. Ele exemplifica, citando valores que considera positivos e que podem ser inseridos nos objetivos da educação fundamental como: autonomia, iniciativa, higiene, solidariedade, cooperação, responsabilidade, sensibilidade, tolerância, convivência, respeito e identidade pessoal e nacional.
Dentro deste contexto, descreve-se o cenário da educação destacando-se duas fontes educacionais da criança: a família e a escola como agentes que devem tornar claros os seus valores positivos. Portanto, torna-se imprescindível que família e escola explicitem seus valores positivos para que as crianças possam desde cedo concebê-las como ferramentas, que as nortearão por toda a vida.
Buscou-se demonstrar o que os alunos pensam sobre valores positivos e negativos. A. realidade sobre os educandos foi detectada por meio de informações dos docentes e dos alunos, colhidas através de questionários aplicados e por observações in loco, realizadas pela autora do trabalho visando a identificação de quais valores têm predominância sobre o comportamento dos educandos.
O trabalho consta de quatro capítulos o primeiro a Introdução, onde se fala sobre o tema, objetivos que se propõe alcançar. O segundo capítulo trata do referencial teórico em que se fala sobre os valores e seus aspectos históricos e formativos no processo ensino aprendizagem, destacando a importância dos valores na convivência, na construção de valores na escola, no cultivo das habilidades e a hierarquia dos valores. O terceiro capítulo trata da metodologia aplicada no desenvolvimento do trabalho. No quarto capítulo faz-se uma análise e discussão dos dados da pesquisa, seguido das considerações finais sobre o trabalho.

2 REFERENGIAL TEÓRICO

2.1 Os Valores e seus Aspectos Históricos e Formativos no Processo Ensino- Aprendizagem

Entende-se por valores um conjunto de métodos e técnicas que tentam ajudar a pessoa a ter consciência do que valoriza e construir sua identidade pessoal (Serrano, 2002, p. 123).
Para muitos autores, o ponto inicial para a construção da personalidade autônoma e responsável é o conhecimento de si mesmo. Daí a célebre frase: "conhece-te a ti mesmo". Isso implica numa tarefa para toda a vida. Incita-nos a ter consciência daquilo que valorizamos, sentimos, pensamos e acreditamos para depois analisar a realidade, dialogar, intervir, solucionar conflitos ou situações diversas que se apresentam na vida cotidiana.
Na antiguidade os valores já eram motivos de indagações. Os filósofos gregos tinham noção do valioso e elaboravam concepções sobre o bem e o mal. Sócrates acreditava que só o homem sabe o que faz antes mesmo de fazê-lo e o faz com plena consciência. Para esse filósofo os valores como o melhor e o mais justo, o bem e a justiça eram essenciais à compreensão da realidade humana.
Os valores, portanto, faziam parte do universo inteligível dos povos antigos. Os valores de ordem política, moral, jurídica eram preocupações constantes, naquela época. Assim, é que Platão aprofunda essa pesquisa sobre valores e chega ao mundo de idéias, isto é, no sentido de entidades, coisas; os valores teriam existências próprias. A doutrina platônica equipara o ser ao valor e a verdade como supremo valor. E esses valores passam a ser apreciado nas próprias coisas.
No período medieval os valores são recheados de religiosidade. Deus é o princípio, e a partir dele é que os seres e os valores ganham existência e significação. A teologia de Aristóteles torna-se expressão máxima de norteamento de valores terrestres. Só a partir do Renascimento é que surgem novas perspectivas que irão pôr em questão os valores como entidade. A visão valorativa do homem moderno volta-se para ele mesmo. Verifica-se um redimensionamento completo dos valores e ações valorativas.
Quanto à renascença, o que a caracteriza mais que a busca e imitações do Antigo, são seus gênios e talentos extraordinários no campo das artes. Ressurge a valorização do homem e o seu fazer.
Do século XVIII ao XX toma corpo e se estabelece a Axiologia como teoria dos valores. Rudolf e Hermann Lotze e Nietzsche no final do século XIX contribuíram substancialmente para uma definitiva constituição da Teoria dos valores.
Max Scheler um dos expoentes da Axiologia moderna, conclui que os valores são objetos de intuição e que o homem pode ter acesso a eles através das descrições fenomenológicas.
Levando para o campo de formação dos valores no processo ensino aprendizagem, isto é, formação dos valores na sala-de-aula, pode-se verificar que todo acervo foi sucessivamente aprendido, acumulado e transmitido através das gerações. É de fundamental importância o que Oliver Reboul escreve:

O homem não nasce homem: é ponto no qual todas as ciências humanas estão hoje de acordo. De tudo quanto constitui a humanidade - a linguagem e o pensamento, os sentimentos, a arte, a moral, de tudo quanto a civilização levou milênios a conquistar - nada passou para o organismo do recém-nascido; cumpri-lhe adquiri-lo pela educação. (REBOUL, 1980 p. 34).

Nossa educação, desde sua origem, sempre negligenciou a preocupação com os valores na formação do educando, isto é, os valores sociais como: cooperação, solidarismo, o respeito a liberdade do outro. Não há uma preocupação neste sentido, mesmo com as transformações e inovações ocorridas na escola ao longo de décadas, a única preocupação tem sido com o repasse e cobrança dos conteúdos. Nesse nível de 1ª a 4a série do Ensino Fundamental, a veiculação dos valores fundamentais da pessoa, tanto no aspecto individual e social, não ocupa lugar de relevância nas atitudes de professores ao lidar com suas disciplinas.
Os valores não aparecem no currículo escolar à maneira das disciplinas tradicionais a serem ministradas, tornando-se difícil garantir uma educação que se responsabilize com a formação moral e valorativa da criança, como a inclusão de outros valores como a solidariedade, a cooperação, dedicação e amor aos estudos e respeito aos idosos. Nessa falta de formação intencional de valores sociais imprescindíveis ao convívio humano, desenvolve-se o individualismo e a discriminação a postura acrítica. Alimentou-se o egoísmo e outras tendências não sadias ao relacionamento social na escola e na sociedade.
Não se trata de dar aulas sobre valores humanos e normas morais, mas deixar de lado o discurso frio, sem vivência sobre essas realidades, de uma maneira que esses valores se instalem nas consciências dos educandos a ponto de sentirem como necessários e importantes à vida social. Essa é uma das tarefas do professor, passar esses valores como um componente de chamativo emocional partilhado por todos nas tarefas indicadas e vivenciadas pelo professor. O educando certamente ao internalizar as atitudes consideradas positivas e legitimadas pela sociedade, produzirá aprendizagem originada de uma didática aliada a componentes valorativos.
O processo educativo na concepção moderna tem o educando como o centro da relação, isto é, tem que ter clareza quanto ao tipo de homem que deseja formar.
Acredita-se que o homem, enquanto criança e jovem seja fonte de valores, faz-se necessário induzi-lo no processo educativo, a comportar-se como a ser ativo, dinâmico e co-participante do processo como diz Silva (1995, p. 114): "Ao aluno competirá, portanto, a partir de sua experiência sócio-cultural imediata, participar ativamente do processo de aprendizagem, confrontando suas apreensões com os modelos e conteúdos expressos pelo professor".
Nessa linha de percepção e prática educativa, seus novos valores são legitimados e logo assumidos pelos educandos.
O professor na relação ensino-aprendizagem surge como elemento indispensável, como orientador do processo, o que abre perspectivas a partir dos conteúdos, garantindo o envolvimento do aluno nessa ligação com sua realidade de vida. Nessa perspectiva, seu papel não será unicamente o de um transmissor de conteúdos, nem o de um policial do ensino, porém um formador de princípios e valores, para isso é de fundamental importância, a competência no domínio do conteúdo, nos métodos pedagógicos e capacidade de provocar o desencadeamento da formação crítica e moral dos educandos.
A tarefa principal da escola é a difusão dos conteúdos curriculares. Conteúdos que correspondam com a realidade social do discente. Não somente isso, mas também deve fomentar o espírito democrático e de cooperação.
A relação entre educação e sociedade é uma realidade inquestionável. Uma nova visão valorativa atribui a esse intercâmbio sociedade-escola, uma interação dialética na qual permeiam conflitos e contradições e ali são encontradas propostas alternativas de caráter social. Reafirmamos, então, a necessidade valorativa dessa relação educação-sociedade.


2.2 A Importância dos Valores na Convivência


A convivência entre as pessoas de culturas diferentes torna-se condição primordial para um clima saudável de aprendizagem. Essas novas circunstâncias criaram, às vezes, problemas de difícil solução. Esse desafio constitui uma oportunidade para educar em um clima multicultural, da perspectiva de um pluralismo positivo, orientado para a cultura da paz.
A obra intitulada La Loterância, umbral de La Paz UNESCO (1994, p. 12) "a compreensão entre pessoas de culturas diferentes é o resultado de uma aprendizagem, assim como a reconciliação. Não será possível a não ser que se aprenda e se exercite a tolerância".
Em seu estudo intitulado "Educação em Valores Humanos: o resgate da construção do indivíduo ético", Migliori (2007, p. 4) alerta que a transformação social almejada pela humanidade em direção a uma sociedade de paz e harmonia, passa por uma mudança no processo educacional. Nesta abordagem, a educação sobre os valores deve buscar a integração das dimensões do conhecer, do pensar, do vivenciar e do agir do ser humano. Portanto, faz-se necessário que desde a tenra idade o sujeito seja estimulado a desenvolver valores sociais positivos a fim de internalizar em sua personalidade concepções capazes de levá-lo a uma convivência grupal produtiva.
Segundo o MEC, por meio do seu Programa Ético e Cidadania nas Escolas (PECEs), cujo objetivo é a construção de valores na escola e na sociedade, aprender a ser cidadão e cidadã é, aprender a agir com respeito, solidariedade, responsabilidade, justiça; é aprender a usar o diálogo nas mais diferentes situações. Esses valores e essas atitudes precisam ser aprendidos e desenvolvidos pelos estudantes, portanto, deve ser ensinado na escola.

2.2.1 Construindo Valores na Escola

Um aspecto importante a ser considerado nesse processo é o papel ativo do professor e aluno que interpretam e conferem os conteúdos com que convivem na escola, a partir de seus valores previamente construídos e de seus sentimentos e emoções. Com essas premissas o PECEs pretende criar condições necessárias para que esses objetivos sejam alcançados.
As escolas devem vivenciar o PECEs por meio de projetos pelos quais a comunidade escolar pode iniciar, retornar ou aprofundar ações educativas que levem à formação ética e moral de todos os que atuam nas instituições escolares. Dessa forma, o trabalho com ética e cidadania deve ser focado em 4 eixos que embora independentes mantém uma nítida inter-relação: Ética, Convivência democrática, Direitos Humanos e Inclusão Social.
a) Ética: levar ao cotidiano das escolas reflexões sobre ética. Gerar ações, reflexões e discussões sobre seus significados e sua importância para o desenvolvimento dos seres humanos e suas relações com o mundo.
b) Convivência democrática: A construção de relações interpessoais mais democráticas dentro da escola, cujo objetivo é de introduzir o trabalho com assembléias escolares e de resolução de conflitos, formação de grêmios e aproximações da escola com a comunidade.
c) Direitos Humanos: O trabalho sobre esta temática tem vários objetivos interligados, o primeiro: a construção de valores socialmente desejáveis, para isso a necessidade de se conhecer e desenvolver experiências educativas que tenham como foco a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Um segundo objetivo: desenvolver ações de interação da escola com a comunidade, em projetos que envolvam questões relativas aos direitos humanos e direitos da criança e do adolescente.
d) Inclusão Social: construção de escolas abertas às diferenças e à igualdade de oportunidades para todas as pessoas. Inclusive as diversas formas de deficiência e as exclusões geradas pelas diferenças sociais, econômicas, psíquicas, físicas, culturais, ideológicas e étnico-raciais.
Pelo exposto, a concepção é a de que valores positivos são aqueles fundamentais para a construção da pessoa para a vida em sociedade, levando-a a desenvolver uma conduta capaz de torná-la eficaz dentro da sociedade de acordo com suas potencialidades.
Para que isso aconteça, necessário se faz que se apóiem em pesquisadores, que através de suas obras nos darão suporte e em instituições como MEC, que darão sustentação teórica ao trabalho.


2.2.2 Cultivo das Habilidades


As habilidades sociais referem-se a um conjunto de diretrizes de vida que asseguram uma adequada socialização. Implica valorizar e reconhecer o pertencimento à comunidade, o que supõe a aquisição de normas de convivência que permitam urna correta vida coletiva, isto é, como preparar as pessoas, para torná-las competentes para uma relação social.
Nesse processo de "cultivo das habilidades sociais", a formação de idéias deve ser iniciada e cultivada nas séries iniciais de 1ª a 4a séries do Ensino Fundamental. Neste contexto destaca-se segundo Serrano (2005, p. 172) três valores fundamentais à formação do indivíduo: solidariedade, altruísmo e cooperação. Tais valores têm papel importante na formação moral da criança, inclusive no cumprimento de suas obrigações. Assim quando a criança desenvolve uma formação baseada na justiça de cooperação é possível que ela possua um senso de justiça, igualitário ao longo de sua vida.
Portanto, devem-se observar os tipos de habilidades necessárias para se ter uma convivência social sadia.
Não podemos falar de um único tipo de habilidade pessoal, pois ela depende de vários fatores, tais como: contexto, classe social, sexo, cultura e idade. Entre as habilidades pessoais, pode-se destacar:
? A capacidade de ouvir;
? Desenvolvimento da auto-estima;
? Confiança na capacidade dos alunos;
? Sinceridade do grupo;
? Fomento do diálogo entre os membros do grupo;
? Tolerância e flexibilidade normativa;
? Empatia para poder sintonizar com os pontos de vista, as vivências, os problemas e as perspectivas dos outros.


2.2.3 Hierarquia dos Valores


A contestação de que os valores decorrem de um processo de interação dos homens entre si, assume seu verdadeiro aspecto na prática social. Verifica-se que em determinado momento, certos valores sobrepõem-se a outros. Max Scheler, respeitável filósofo alemão, chegou a uma escala de valores no sentido ascendente: valores úteis, lógicos, estéticos, éticos e religiosos. A atuação de cada grupo de valores realizaria tarefas de acordo com as situações vivenciadas por cada grupo.
Observando o raciocínio do professor e educador Saviani, ele rejeita essa proposta de hierarquização dos valores quando diz:

Quando questiono a idéia de hierarquia, isso ocorre pelo fato dela se colocar acima, fora, além das situações concretas. A minha proposta de substituí-Ia por prioridades são ditadas pelas situações concretas e as situações concretas vão determinar sistemas de valores diferentes o que não ocorre com a noção de hierarquia em que a escala de valores já está predeterminada. (SAVIANI: 1982, p. 49).

Observa-se que essas colocações para a realidade escolar há uma defasagem entre os valores da escola e os valores da vida, devido à valorização que a escola dá às atividades intelectuais.
Quando a escola defende valores como: a solidariedade, altruísmo, obediência, respeito à verdade, o próprio conhecimento, etc., não se preocupa muito com a maneira pela qual isso é conseguido. Essa valorização é entendida como se acontecesse de maneira mecânica.
Numa escola, onde a mudança é flexível o conflito entre valores não será tão grande, embora haja dúvidas a respeito dos valores que devem ser conservados e dos que devem ser abandonadas. Nas escolas onde o caráter tradicional tem peso, e é o único capaz de conduzir a instituição à realização dos valores consagrados, esses valores contrastantes não tem efeito sobre a instituição, mas sobre o que é proposto como valor e o que é vivenciado pelo educando. Dessa contradição resulta que à margem dos valores tradicionais consagrados, o educando desenvolve seus próprios valores e habitua-se a viver duplicidade valorativa.
A formação de valores implica em diferentes fatores determinantes na sua aquisição. Os componentes: cognitivo, afetivo e volitivo do sujeito quando mobilizados no processo educativo favorecem plenamente por meio das relações interpessoais diretas, a formação dos hábitos e atitudes.
O ensino e a aprendizagem de valores e atitudes é um fenômeno complexo. Não significa simplesmente aulas abordando valores e ensinando atitudes consideradas decentes e aceitáveis socialmente. É preciso compreender com segurança que normas e valores comportam uma dimensão social e também pessoal.
Valores e Condutas dizem respeito a conteúdos específicos, diferentes tais como: relativo às artes, à literatura, à ciência, aos esportes, como a outros que estão presentes em todo o contexto do convívio social.
A aprendizagem dos valores e atitudes não é uma constante na escola. Só com informações precisas, mediante estratégias adequadas de ensino é que se pode desencadear nos educandos formação de valores e atitudes.
A informação é necessária para concretizar uma atitude firme e fundamentada. Observe uma proposição esclarecedora dos PCNs:

Nas relações interpessoais, não só entre professor e aluno, mas também entre os próprios alunos, o grande desafio é conseguir se colocar no lugar do outro, compreender seu ponto de vista e suas motivações ao interpretar suas ações. Isso desenvolve atitude de solidariedade e a capacidade de conviver com as diferenças. Essas considerações são especialmente importantes na educação fundamental, já que os alunos estão conhecendo e construindo seus valores e sua capacidade de gerir o próprio comportamento a partir deles. (Parâmetros Curriculares Nacionais, 1997, p. 45).

É nessa fase da vida que se verifica a formação de valores e atitudes que vão fortalecer os laços de solidariedade, que se desenvolve a capacidade de conviver com as diferenças. É quando se dá a manifestação dos sentimentos e assimilação dos valores que ajudarão o sujeito a firmar-se como pessoa.
Na relação entre professor e aluno e entre os próprios alunos é importante colocar-se no lugar do outro, para que um possa compreender melhor o outro e a conviver harmoniosamente uns com os outros.


3 METODOLOGIA


Nesse estudo empregaram-se as pesquisas bibliográficas e de campo. Conforme (PRESTES, 2003, p. 26), pesquisa bibliográfica é aquela que se efetiva tentando-se resolver um problema ou adquirir conhecimentos a partir do emprego predominantemente de informações provenientes de material gráfico, sonoro ou informatizado.
Pesquisa de campo é aquela em que o pesquisador, através de questionários, entrevistas e observações, coleta seus dados, investigando os pesquisados no seu meio.
Usou-se um questionário com os alunos e outro com os professores durante a coleta de dados, conforme anexos 1 e 2, onde são colocadas as questões. A observação foi empregada de modo a se ter uma percepção como os alunos descobrem e usam os valores no seu dia-a-dia na escola e na vida.
A amostra foi não aleatória de 23 sujeitos, isto é, escolheu-se deliberadamente 19 alunos da 4a série do ensino fundamental e 04 professores da Unidade Integrada Marechal Castelo Branco.
A escola objeto da pesquisa fica localizada à rua Bom Jesus dos Passos, 1659, no bairro Castelo Branco, na cidade de Caxias - MA, tem nove salas de aula, funcionando apenas sete e quatro professores. Em suas dependências há salas da diretoria e secretaria, sala destinada a alunos com necessidades especiais, laboratório de informática com oito computadores, biblioteca, quadra de esportes, cantina e cinco banheiros, funcionando em dois turnos. O horário que se pesquisou foi o matutino. Tanto a diretora como a supervisora deu ampla liberdade para que se realizasse o trabalho.


4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

Depois da aplicação dos questionários com os professores; do questionamento com os alunos e da observação que se fez, passou-se a análise e discussão dos dados.


4.1 Resultado da Pesquisa Realizada com os Professores

Primeiramente entrevistou-se um total de 04 professores, com questões sobre valores em educação e sua prática pedagógica, através de atividades, visando a formação de valores nos educandos.
Procurou-se saber se havia preocupação dos professores em desenvolver atividades que trabalhassem os valores, tais como: solidariedade, cooperação, altruísmo, honestidade, formação de idéias e outros.
Os resultados obtidos por meio dos questionários aplicados a 23 sujeitos, sendo 04 professores e 19 alunos, foram os seguintes:

Questões aplicadas aos professores:

1) Que valores você acha que os alunos trazem de casa ao virem para a escola?
Os professores entrevistados responderam que os alunos já trazem consigo alguns valores como: segurança, senso de honestidade, amizade, camaradagem e religiosidade, pois desde cedo ele começa a conviver com situações que exigem a aplicação desses valores da sociedade que está inserido, como afetividade, influências sociais e religiosas.
2) Você se preocupa com a formação dos valores nos seus alunos? Que valores tenta ensinar?
De acordo com o levantamento dos dados, 90% dos professores preocupam-se com a formação dos valores nos alunos e 10% disseram que nem sempre atentaram para o assunto. Tentam passar esses valores ensinando-lhes a ter respeito para com todos, organizando tarefas nas quais cada aluno tenha uma responsabilidade a cumprir e fazendo-os entender que toda a classe irá se beneficiar com os resultados obtidos.
3) Que valores são ensinados na escola e na família?
Os entrevistados foram unânimes e concordaram que os valores ensinados na escola são valores morais, isto é, preparação moral da criança como: costumes, hábitos, formação de idéias, solidariedade, altruísmo, cooperação e honestidade. Na família são ensinados: afetividade, religiosidade, distinção entre o bem e o mal, o que é permitido ou não.

4) Que valores os alunos devem ter e como a escola pode desenvolvê-los?
As respostas dadas apontam que os alunos devem ter valores éticos, sociais e religiosos como: normas morais, modelos de comportamento, princípios religiosos, laços afetivos familiares que levam o sujeito a dar e receber amor. Cabe a escola assumir a responsabilidade na formação desses valores. A escola pode desenvolvê-los, trabalhando a afetividade, a cooperação com a finalidade de superar o individualismo, o comportamento e atitudes morais. Isto ajudará a decidir que caminho tomar mais tarde. A escola poderá conscientizar seus alunos de suas capacidades e incentivá-los a empregar seus talentos e habilidades a bem da comunidade, possibilitando a construção de novas relações valorativas de criação e recriação do seu próprio trabalho e novos valores.

5) Para você que valores são mais importantes? Hierarquize-os (1°, 2° e 3° valores) para a vida na escola, família e sociedade.
Os valores mais importantes na escola é a cooperação, ajuda mútua, justiça, compreensão. Na família o amor, respeito e religiosidade. Na sociedade o comportamento, convivência social e solidariedade.

6) Você já pensou em desenvolver projeto de ajuda a alunos de diferentes séries que possuem dificuldades como: dislexia, audição, visão? Justifique.
Somente 10% responderam que sim. A maioria respondeu que não, mas poderia ver as possibilidades, pois se sabe que é tarefa bastante difícil e ainda não são trabalhadas essas dificuldades na escola. Falta valorizar esses alunos, desenvolvendo projetos que os inclua entre aqueles que já desenvolvem normalmente atividades escolares.


4.2 Resultado da Pesquisa Realizada com os Alunos

O processo de pesquisa feito com os alunos foi baseado em uma amostragem num total de 23 alunos da Unidade Integrada Marechal Castelo Branco, nos dias 16 e 17 de outubro de 2007.
Nessa pesquisa objetivou-se verificar o que os alunos consideram como valores e qual a importância dos mesmos para a vida, conforme anexo 2.
Questões aplicadas aos alunos:
1) O que você considera como valor?
Dos entrevistados 85% responderam que valor é saber se comportar, ser solidário, ter respeito para com as pessoas; 15% disseram: ser honesto, responsável, ter bons hábitos e boas atitudes. Percebe-se que o aluno já tem uma noção sobre valores e que eles são responsáveis pela formação ética e espiritual da consciência humana. No entanto, verifica-se que não conceituaram valores, apenas deram respostas intuitivas.

2) Amizade, amor, ordem, disciplina são valores? Por quê?
Indagados se a relação acima era considerada valores, todos responderam que sim. E quando indagados por quê, alguns justificaram que são instrumentos de desenvolvimento de atitudes, solidariedade e respeito humano.

3) Escreva em ordem de importância 1°, 2° e 3°. Os valores que você considera mais importante e por quê?
A maioria respondeu em 1° lugar o amor ao próximo, visto que o amor gera respeito, em 2° lugar, ordem, pois havendo ordem, conseqüentemente aprende-se a ser disciplinado e em 3° a moral, pois com ela pode-se ter respeito pelas pessoas.

4) De que forma os valores são importantes na vida das pessoas?
70% Responderam que eles ajudam melhorando na convivência, orientando as ações na maneira de agir e no comportamento; 30% responderam que ajudam na formação do caráter, da personalidade, formando a auto-consciência, despertando sentimento de companheirismo e percebendo a dignidade da pessoa humana.

5) Quais os valores que você acha necessário à vida do cidadão?
Conhecimento de si mesmo, respeito pelas pessoas, compreensão, companheirismo e responsabilidade. Constatou-se que a maioria, 80%, preocupa-se com a formação dos valores coletivos ou sociais, valorizando o integrativo e o democrático, pois a cidadania está fundada na sociabilidade do homem.

6) Corno você considera os valores que a escola tem a ensinar?
60% consideram de fundamental importância, pois ajudam no desenvolvimento da personalidade, da capacidade intelectual; e 40% consideram importante na aquisição de habilidades e formação de hábitos saudáveis.

7) Como você vê o colega que tem dificuldade de leitura? É possível ajuda-lo? Como? Na escola tem alunos com dificuldades de ler e escrever? Se pedisse a você para ajudar esses alunos com dificuldades na leitura e na escrita você ajudaria? Se a escola propusesse momentos de troca, ajuda a colegas que ouvem com dificuldade enxerga com dificuldade, o que você faria?

Os alunos não tinham despertado para esse valor: a inclusão; fizeram reflexões a partir das questões formuladas e acharam importante a escola trabalhar esse valor.
A escola parece interessada em trabalhar a inclusão, no sentido de que todos têm o direito a uma aprendizagem em que todos são valorizados.

Por esse resultado, vê-se que falta realmente uma maior integração de valores nas atividades que são desenvolvidas em sala de aula pelos alunos e que os professores necessitam incentivá-los a construírem valores utilizando dinâmicas de grupo que proporcionem essa construção, como: estudos em equipes, discussão em grupo, excursões, dramatização, a fim de desenvolver a capacidade intelectual, a desinibição, o compartilhamento e o conhecimento. As dinâmicas tanto podem ser em pequenos como em grandes grupos, onde os alunos devem analisar situações de, por exemplo, desrespeito, egoísmo, injustiça e posicionar-se após reflexões.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pelo exposto, está diante de nós, um desafio: trabalhar valores que contribuam para formação do indivíduo. Não se pode esquecer que um problema pedagógico deve ser olhado do ponto de vista pedagógico. Ao psicopedagogo, cabe junto ao professor tentar mediar, propor sugestões que colaborem no equacionamento dos problemas.
Para superar as deficiências ou omissões do ensino, diante do problema detectado, devem-se abordá-la sob ótica científica e com habilidade especial do professor, tanto na percepção dos próprios valores, como no manejo da classe, rumo aos resultados que se quer obter.
Os professores da 1a a 4a série do ensino fundamental da escola pesquisada, demonstraram interesse em trabalhar educação em valores na sala de aula. Os valores que pretendem trabalhar são os que são mostrados nos PCNs como: valores sociais, éticos e religiosos. As formas de trabalhar esses valores e que foram discutidas São: história conversa, dramatização e estudo em equipes.
Espera-se que este artigo possa contribuir para o crescimento dos professores da 4a série do ensino fundamental no sentido de trabalhar atividades que ajudem no desenvolvimento dos valores nos alunos.
Com esse estudo sugere-se que os valores sejam trabalhados diariamente na escola, para isso, juntos, os professores devem:
? Planejar ações integradas de português, história, geografia com valores culturais, como: formar consciência de respeito à natureza, visita a museus, reservas naturais, produções artesanais que contribuam para o desenvolvimento humano na comunidade em que esteja inserida a escola.
? Construir projetos que viabilizem a inclusão de alunos portadores de deficiência e que todos os alunos participem dessa maratona;
? Desenvolver palestras, seminários para discutir a inclusão como valor a ser aprendido por todos na escola;
? Resgatar um outro tema de sua disciplina que proponha dúvidas éticas, a partir daí, sugerir debates sobre essas questões, não buscando consenso de respostas, mas provocando reflexões, confronto de idéias, onde possam analisar a realidade SE!m aconselhamentos piegas que não levam a nada, devendo gerar envolvimentos reflexivos em conjunto.
A escola hoje precisa não só trabalhar aspectos cognitivos, mas, afetivos,
Como amor e respeito, valores estes indispensáveis a todos os seres humanos em qualquer idade, pois a busca desse processo valorativo, estimula o aluno a valorizar o coletivo, a ter chance de adequarem suas condutas ao que vivenciarem sob a orientação cio professor. As ações dirigidas pelos docentes têm que ser produtivas para que cada aluno tenha a oportunidade de participar ativamente, fazendo com que o trabalho docente se converta em fonte de vivências tanto individuais como coletivas, que reflitam a realidade em que vivem.
REFERÊNCIAS
BRASIL. MEC. Ética e cidadania: construindo valores na escola e na sociedade. Disponível em: . Acesso em:16deout.de 2007.
MIGLlORI, Regina de Fátima. Educação em valores humanos: o resgate da construção do indivíduo ético. Disponível em:
Acesso em: 15 de out. de 2007.
PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS - Secretaria de Educação Fundamental. -- Brasília: MEC/SEF, 1997.
PRESTES, Maria Luci de Mesquita. A pesquisa e a construção do conhecimento científico: do planejamento aos textos, da escola à academia. ed. 3 São Paulo: Rêspel,2007.
SALVADOR, C. C. Psicologia do ensino. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
SERRANO, Glória Pérez. Educação em valores: como educar para a democracia. Trad. Fátima Murad. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.
SIQUEIRA NETO, Armando Correa de. Importância dos valores internos. Disponível em: . Acesso em:12deout.de 2007.
 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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