As Novas Tecnologias e a História da Educação
 
As Novas Tecnologias e a História da Educação
 


INTRODUÇÃO

A importância das novas tecnologias na educação vai além dos interesses econômicos para o ser humano e passou a integrar um coletivo na aquisição do conhecimento por meio tecnológico, isso inclui domínio de pesquisa e, análise de textos e imagens.

No contexto atual vale ressaltar que uma parte da população no Brasil ainda possui acesso restrito ou nenhum. Portanto é de fundamental importância que esse acesso aos meios tecnológicos seja universal e plenamente democrático para que as pessoas tenham novas possibilidades e oportunidade de apropriação de horizontes amplos de conhecimento.

A tecnologia não é boa e nem má, depende do uso que se faz dela, do contexto em que está inserida e da maneira que se aplica na educação e em manifestações sociais. O problema é distinguir qual a sua verdadeira utilização no contexto educacional, então torna-se relevante que seu uso deve ser acompanhado por reflexões.

A presença da informática é inevitável, sabendo que o computador tornou-se um objeto integrante no cotidiano das pessoas. A inserção deste, possibilita uma interação divertida com relação ao saber, propiciadas através de jogos educativos, software educativo e atividades que atraem a subjetivação, auxiliando a apropriação do saber. Através dessas multimídias o aluno senti-se estimulado a buscar cada vez mais conhecimento. A utilização de computadores na educação pode causar profundo impacto no ensino e mesmo na forma como a educação é concebida. Seu uso implica em mudanças nos alunos, nos professores e nos métodos.

As técnicas sofisticadas de aquisição e organização de informações, apresentadas pelos computadores, criam novas situações, o que certamente provoca uma reflexão voltada para o papel tradicional do docente (de fonte única ou principal de informação), assinalando para mudanças, propiciando mais a construção do conhecimento pelo aluno, sujeito de sua própria aprendizagem.

Assim, o uso intensivo de tecnologias de comunicação e informação aplicadas à educação está transformando radicalmente o ambiente escolar e criando novas formas de aprendizagem. O conceito clássico da sala de aula está obsoleto.

A forma expositiva de ensinar não encontra mais eco nas expectativas dos aprendizes, criando novas atribuições e desenhando um novo perfil para o professor. Por meio da internet, os alunos agora têm acesso direto a conteúdos, banco de dados, atividades de aprendizagem, exercícios de correção automática e podem recorrer à orientação de professores a qualquer tempo e a partir de qualquer lugar. O cenário de tendências é o de interatividade crescente. E exige transformação.

Existe uma forte tendência a mitificar os computadores como se a modernização fosse uma simples decorrência da introdução dessa tecnologia, garantindo, assim, a transformação necessária no ensino e na educação. A modernização não é algo que se pode comprar ponto, mas é fruto de um processo, e, portanto, deve ser construída. E esse processo é intransferível, isto é, terá que se desenvolver dentro de cada contexto e de acordo com sua realidade específica. O desenvolvimento é produzido na medida em que o homem está no comando do processo, do qual a máquina é apenas um elemento.

A essência da mudança e do próprio processo de modernização está no ser humano, que tem poder de decisão para assumir suas próprias construções, uma vez que ele se torna consciente da sua relação de reciprocidade com o social.

A tecnologia na educação encontra seu espaço desde que haja uma mudança na atitude dos educadores, que devem passar por um trabalho de auto-avaliação, enfatizando seu saber para que possam se apropriar da tecnologia como o objetivo de otimizar o processo de aprendizagem.

A mudança de atitudes é uma condição necessária, não só para professores, como também para os gestores e demais colaboradores, pois estes devem conceber a sua posição e a sua autoridade de forma diferente - como agentes formadores, incentivadores, atuando, sobretudo, como mediadores do processo e co-participantes do trabalho escolar.

O que se pretende é a inserção da escola no mundo real, numa sociedade que assume características totalmente distintas e que, exatamente por isso, requer uma formação diferente, em novas bases, realizada em uma escola totalmente reformulada, menos burocratizada, livre para permitir o desenvolvimento de pessoas criativas.

Nessa nova escola, certamente um ponto importante é a garantia de que aí poderá ser construído o conhecimento, da mesma forma que estarão sendo criadas oportunidades de reconstrução de conhecimentos existentes. Portanto, mais do que local de simples transmissão, a escola, depois de um longo período, tem a oportunidade de voltar a ser o local privilegiado para a convergência de diferentes saberes, o seu confronto e o surgimento de idéias novas.

As tecnologias de informação não apenas invadiram e vêm alterando nosso cotidiano, como estão modificando profundamente as formas de educar no contexto escolar. Essa globalização desafia a escola em primeiro lugar, a ampliar suas tarefas de modo a garantir aos alunos, pelo menos a familiarização com essas tecnologias, seja como elemento de formação, ou seja, para formação de cidadãos capazes de viver numa sociedade cada vez mais marcada por desdobramento da ciência e tecnologia e inovação.

A educação na sociedade informatizada deve ajudar os alunos a desenvolverem a capacidade de aprender, condição fundamental para a vida nas décadas futuras. Uma crescente proporção da demanda por educação será pela educação permanente.

O grande desenvolvimento da tecnologia da informação está provocando uma revolução tecnológica que altera importantes aspectos sociais, em função da poderosa habilidade da nova tecnologia para manipular informações.

Se as máquinas são indispensáveis para processar a grande massa de informações, as pessoas têm que fazer todo o resto - definir necessidades e propósitos humanos, selecionar e analisar os dados relevantes, estabelecer as aquisições a serem feitas, estimular as inferências, percepções e a imaginação, criar as organizações, tomar decisões, emitir ou implementar instruções, e, acima de tudo, lidar com outras pessoas.O computador deve ser encarado como uma ferramenta que utilizamos para resolver problemas. Se a atividade realizada com o computador não permitir que o aluno use sua intuição, sua imaginação, sua curiosidade, não haverá construção de conhecimento, mas apenas a repetição automatizada de informações.

É preciso raciocinar sobre como utilizar o computador na escola e sobre como preparar um futuro no qual as barreiras que separam a escola do desenvolvimento da ciência e da tecnologia sejam totalmente destruídas. É preciso que os professores se convençam a não considerar o computador como uma enésima matéria, mas a estudar a evolução das matérias existentes com a chegada do computador na escola.

O computador deve ser visto como um instrumento capaz de compatibilizar especialização e interdisciplinaridade, abordagens restritivas e extensivas para o conhecimento na prática pedagógica. Isto representa um dos desafios trazidos para o professor por uma nova visão de ensino. O que há de atraente nessa perspectiva é a possibilidade de que ela promova uma maior flexibilização e mobilidade para as disciplinas e, assim, maior dinamismo aos currículos. Essa é uma demanda cada vez mais acentuada nos tempos atuais. É necessário, porém, que sejam consideradas as condições que hoje predominam no campo educacional e os limites que elas nos impõem.

Os processos de aquisição, transmissão e valorização do conhecimento foram, muitas vezes, atribuídos à escola. Entretanto, nos dias de hoje, a informação se propaga num ritmo acelerado. Sem dúvida, nossa sociedade está muito modificada se comparada com aquela de algumas décadas atrás. Estima-se que o conhecimento adquirido no último século foi equivalente àquele obtido durante toda a história da humanidade.

Estamos hoje presos a um verdadeiro discurso dominante que argumenta largamente que o fim da escola está próximo e que, graças às novas tecnologias e à internet, a era da autonomia do aluno já começou. Pode-se falar ainda de "novas ferramentas para velhas idéias": o aparecimento das tecnologias da informação e da comunicação pode ser a alavanca de inovações pedagógicas a serviço da construção de saberes. Nessas novas práticas, há dois eixos de abordagem fortemente complementares: um eixo que se preocupa com a midiatização tecnológica dos saberes e das ações de interação entre o sujeito e os saberes (hipertexto, interatividade, diversidade de percursos) e um eixo que visa à reconstrução das condições de uma mediação humana, vetor de interação e de construção coletiva de saberes. Assim, o paradigma que predomina nessas práticas é o da responsabilidade pelo próprio percurso de formação.

Quando uma escola se conecta à internet, um novo mundo de possibilidades se abre diante de alunos e professores. Não mais falamos, a partir daí, de instrumentos didáticos como um livro ou uma enciclopédia; falamos de uma infinidade de livros e de sites que o aluno pode visitar; de uma nova realidade de conceitos, representações e imagens com as quais o aluno passa a lidar e que vão ajudar a desenvolver outras habilidades, capacidades, comportamentos e até processos cognitivos que a escola tradicional não previa e que o mundo pós-moderno já exige dele. Além disso, os conteúdos que chegam pela internet se tornam mais interessantes e atraentes do que quando apresentados em livros ou apostilas, material já tão conhecido pelos alunos; aprender pode se tornar algo divertido, realístico e mais significativo.

A conexão da sala de aula às informações nos coloca diante do desafio de não apenas adaptar a escola ao contexto de hoje, mas, principalmente, transformá-la num espaço mais capaz de formar cidadãos envolvidos de maneira crítica na sociedade. Isso ocorrerá se o uso da tecnologia for orientado por uma filosofia que busque a formação de homens e mulheres interessados na valorização do ser humano e na construção de um mundo que garanta o bem-estar de todos. Nossa mente é a melhor tecnologia, infinitamente superior em complexidade ao melhor computador, porque pensa, relaciona, sente, intui e pode surpreender. Faremos com as tecnologias mais avançadas o mesmo que fazemos conosco, com os outros, coma vida. Se somos pessoas abertas, nós as utilizaremos para nos comunicar mais, para interagir melhor. Se somos pessoas fechadas e desconfiadas, utilizaremos as tecnologias de forma defensiva, superficial. Se somos pessoas autoritárias, utilizaremos as tecnologias para controlar, para aumentar o nosso poder. O poder de interação não está fundamentalmente nas tecnologias, mas nas nossas mentes.

 
Avalie este artigo:
1 voto(s)
 
Revisado por Editor do Webartigos.com


Leia outros artigos de Synara Freitas
Talvez você goste destes artigos também