ANTONI GRAMSCI E A EDUCAÇÃO BRASILEIRA
 
ANTONI GRAMSCI E A EDUCAÇÃO BRASILEIRA
 


Antonio Gramsci (1891-1937) além de político foi filósofo, comunista, antifascista e cientista. Nasceu em um pequeno vilarejo ao norte da Sardenha, desde sua infância sofria por dificuldades financeiras e problemas com a polícia italiana. Gramsci foi vencedor de um prêmio que lhe permitirá estudar Literatura na Universidade de Turim, tornando-se um notável jornalista com seus escritos sempre endereçados a jornais com temas políticos, chegando até ser eleito deputado pelo Vêneto em 1924 em Roma.

Para Martins (2007):
"A teoria de Estado gramsciana consiste em uma atualização da teoria marxista, e não sua negação ou seu desvirtuamento idealista. Na verdade, ela consiste numa adequação à nova realidade vivida no final do século XIX e início do século XX nas "sociedades ocidentais" as do capitalismo mais desenvolvido, mas sem abandonar os princípios elementares do paradigma teórico-metodológico marxista: o materialismo, a dialética e o historicismo". (MARTINS, 2007)

Dizer isso significa considerar que Gramsci entende as relações materiais de produção como determinantes no empenho das relações sociais. Contudo, essa determinação não é direta, mas dialética. Ao se destacar o princípio educativo gramsciano, que é o trabalho, há que se considerar que em Gramsci a educação é política, pois, ele a concebe como um processo integrado às relações dialéticas que se estabelecem entre estrutura e superestruturas, ou seja, a educação se torna um elemento importantíssimo na disputa pelo poder, sobretudo em se tratando das formações econômicas e sociais. Isso porque nelas o Estado, pode produzir e reproduzir as relações com a sociedade civil e sociedade política, procurando construir um consenso em relação e visão de mundo do grupo dominante sob o grupo dominado. Pois o grupo hegemônico necessita tornar senso comum a sua visão de mundo para que o modo de vida seja reproduzido de acordo com a sua ideologia.
O grande desafio de Gramsci foi de pensar numa escola socialista unitária, que articulasse o ensino técnico-científico ao saber humanista. Tal teoria gramsciana seria uma solução viável para que os trabalhadores em comum pudessem perseguir na busca de sua autonomia apropriando-se do conhecimento erudito, desenvolvendo uma nova cultura, oposta daquela imposta pela burguesia. Gramsci (1973) debatia a impotência das instituições da classe operária (o sindicato e o partido, antes de tudo) em realizar essa educação para a emancipação, em organizar a auto-educação dos trabalhadores, pois, para ele:

(...) o proletariado é menos complicado quanto pode parecer. Formou-se uma hierarquia espiritual e intelectual espontaneamente, e a educação intercambiável opera onde não pode chegar a atividade dos escritores e dos propagandistas. Nos círculos, nos feixes, nas conversações diante das oficinas se esmiúça e se propaga tornada dúctil e plástica a todos os cérebros, a todas as culturas, a palavra da crítica socialista. (Gramsci, 1973, p. 189)

Portanto, para Gramsci, a liberdade do homem encontra-se particularmente na sua atividade de produtor, dotado de conhecimento técnico capaz de controlar o processo produtivo. Neste caso a educação é também elemento necessário, mas não suficiente, na disputa pelo poder. Contudo, o processo de superação nas relações sociais também exige uma educação que eleve a consciência das classes subordinadas a um patamar em que ela possa inicialmente se reconhecer como classe e, depois, lutar pelos seus próprios interesses. Esse processo de luta em favor da transformação social é também educativo, pois exige o aprendizado de uma nova forma de ver, de entender a realidade e de agir nela.
Para Gramsci não só a educação é política, pois ela se faz presente na disputa que se dá entre os dominantes e dominados, mas também a política é eminente educativa. Gramsci não entende a educação senão como um espaço da disputa política definidora dos rumos históricos: se ela é elemento de consolidação da ideologia dominante, deve ser também utilizada pelos sujeitos como um instrumento estratégico que pode auxiliar na tarefa de superação do capitalismo. Essa visão politizada da educação ao mesmo tempo educativa funda-se em um princípio educativo: o trabalho, essa concepção educativa traduzida em uma proposta pedagógica resulta na "escola unitária" gramsciana. Tal proposta parte do pressuposto que todos os homens e não somente alguns, devem ter a possibilidade de se desenvolver integralmente.
De modo óbvio que uma proposta pedagógica como essa aplicada à sociedade de classes, marcadas pela divisão social do trabalho, tem um alto potencial em questionar a dualidade da escola que lhe é característica: da escola como aparelho ideológico de Estado e, portanto, reprodutora das relações de poder. E da "escola unitária" gramsciana que pretende desenvolver os homens de forma a que possam ser sujeitos de seu próprio destino histórico como indivíduo e como coletividade. Em se tratando da realidade brasileira, uma das mais destacadas figuras que expressa essa noção educativa de Gramsci é Dermeval Saviani. Além de ter sido um dos que introduziram Gramsci no Brasil, ele elaborou uma proposta pedagógica marcadamente gramsciana, qual seja a Pedagogia histórico-crítica.
 
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