A LEITURA COMO AÇÃO REFLEXIVA
 
A LEITURA COMO AÇÃO REFLEXIVA
 


A LEITURA COMO AÇÃO REFLEXIVA

 

Gênova, Ana Cristina Saraiva

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Perez, Adriana

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Resumo

Toda educação verdadeiramente comprometida com o exercício da cidadania precisa criar condições para o desenvolvimento da capacidade de uso eficaz da linguagem que satisfaça necessidades pessoais e sociais. E que ainda estejam (co) relacionadas às ações efetivas do cotidiano, à transmissão e busca de informação e ao exercício da reflexão. Sendo assim o “fazer pedagógico” voltado para a consolidação de um cidadão crítico pretende sempre valorizar a diversidade das leituras e as inúmeras linguagens apresentadas em nosso dia a dia. Por isso este artigo enfatiza a valorização da prática da leitura, dando um espírito inovador e tratando a mesma como um valioso instrumento de transformação na vida do educando, transformando a reflexão em ação positiva, que servirá de alicerce a uma nova sociedade. Pois de modo geral, hoje os incontáveis textos existentes são produzidos, lidos e ouvidos, porém não se pode negar a importância daqueles que respondem às exigências das práticas de vida, que favorecem a reflexão crítica e imaginária, o exercício de formas de pensamentos mais elaboradas e abstratas, ou seja, os textos e possíveis leituras mais vistas para a plena participação numa sociedade letrada.

 

Palavras-chaves: leitura - reflexão - texto - cidadania

 

INTRODUÇÃO

Entendendo educação como um processo que vive em constantes mudanças e  sentindo-nos parte integrante deste processo que gradativamente evolui, vimos a necessidade de contribuirmos com atividades inovadoras e construtivas nesta questão ambígua chamada texto. Existe uma dissonância que instiga os alunos a produzir e a ler, contudo prioriza-se pouco a qualidade dos textos. Os livros didáticos são elaborados mediante realidades diversificadas, instiga-se ao aluno o hábito de ler, os prendemos em textos didáticos e pouco nos preocupamos com o tipo de leitores que estamos formando. Com essa análise procuramos redigir este artigo a todos os envolvidos nesta questão educacional, então engajamo-nos em analisar como estão sendo trabalhadas estas produções e leituras, com objetivos direcionados à qualidade e à ação reflexiva dos mesmos.

O fenômeno leitura, por sua complexidade deve ser estudado numa perspectiva interdisciplinar integrando às diferentes ciências da linguagem e da comunicação. Este trabalho pretende oferecer a reflexão, proposto, sobre práticas pedagógicas, análises de leitura, com autores bastante reconhecidos na área ao apresentarem trabalhos que convergem para uma visão mais integrada do ato de ler, bem como demonstrar a concepção ou a situação real de alunos e professores na realidade onde atuamos.

O objetivo geral deste trabalho é demonstrar que um texto, livro ou qualquer escrito, desde que direcionado com objetivo direto e estruturado pode transformar a ação do leitor, desde que este esteja com uma formação intelectual preparada, com estruturas lapidadas ao ler com reflexão, muitas vezes um texto por mais retrógrado, pode despertar o senso crítico, a postura deve se voltar à análise e interpretação do mesmo.

Despertar a consciência crítica e reflexiva através de produções de textos; rever metodologias instigando análises de produções e co-produções de textos.

Instigar a diálogos, debates e seminários dos textos lidos; propiciar a interação da mídia e suas mensagens a produções e análises de textos.

Levar a interação os segmentos escolares e suas funções através de produções inovadoras.

METODOLOGIA

Apresentaremos um breve histórico da leitura, em que relatamos o início da mesma, sua importância e como foi gradativamente crescendo e tendo influências consideráveis a cada década. Neste contexto relata-se a importância das bibliotecas no 6º ano, tendo como subtítulo o conceito de natureza da leitura relatamos conceitos da natureza e, paralelamente o conceito de aluno como o professor vê, ou deveria ver o aluno; para completar temos a leitura como tratamento didático, sua função e seus objetivos; apresentando como metodologia.

Apresentamos sugestões metodológicas através de dicas que propiciam a leitura como uma ação reflexiva que estrutura a formação de cidadãos críticos, voltados a mudanças e análises do cotidiano, cita-se também projetos que estão em funcionamento e com resultados relevantes. Os referidos projetos são citados para que realmente tenhamos perspicácia na continuidade desta ardua lutar, rever metodologias, analisar nosso trabalho, propor mudanças. Os apontamentos que direcionam ao centro do problema, ou seja, faz-se uma análise ampla de todos os fatores apontados como coadjuvantes na leitura construtiva, de como ela influencia o cotidiano do aluno e para encerrarmos, procuramos fazer apontamentos que precisam ser revistos, reformulados, transformados, em função de realmente contribuirmos como um todo para a construção de novos conceitos sobre a leitura, que a reflexão crítica seja um hábito natural atribuído aos textos lidos.

CONCEITO E NATUREZA DA LEITURA

Processo complexo, a leitura compreende várias fases de desenvolvimento. Antes de mais nada é um processo perspectivo durante o qual se reconhecem símbolos. Em seguida, ocorre a transferência para conceitos intelectuais.  Essa tarefa mental se amplia num processo reflexivo à proporção que as ideias se ligam em unidades de pensamento cada vez maiores.

O processo mental, no entanto, não consiste apenas na compreensão das ideias percebidas, mas também na sua interpretação e avaliação. Para todas as finalidades práticas, tais processos não podem separar-se uns dos outros, fundem-se no ato da leitura, a percepção dos símbolos impressos ocorre durante as "pausas de fixação" à medida que os olhos prosseguem seu trabalho. O leitor inexperiente só consegue perceber uma ou duas letras, em cada uma dessas pausas. A prática leva a um "período de fixação" maior em que se percebem duas ou três palavras ao mesmo tempo.

Outro ponto a ser pensado é quem é meu aluno? Essa é a interrogação que faz a si mesmo todo o professor, antes de elaborar o seu planejamento de curso,pois as atividades propostas pelo professor deverão acompanhar paralelamente o processo de desenvolvimento físico, afetivo e cognitivo da criança, para que o objetivo da leitura na educação possa ser alcançado, que nada mais é do que favorecer a auto expressão e a criatividade, oferecendo meios para que gradativamente se desenvolvam a espontaneidade, a imaginação, a percepção, a observação e consequentemente, a criatividade e o hábito de ler.

A leitura na escola tem sido fundamentalmente um objeto de ensino. Mas para que possa construir também objeto de aprendizagem, é necessário que faça sentido para o aluno, isto é, a atividade de leitura deve responder, do seu ponto de vista, a objetivos de realização imediata.

Isso significa trabalhar com a diversidade de textos e de combinações entre eles, significa trabalhar com a diversidade de objetivos e modalidades que caracterizam a leitura, ou seja, os diferentes "para quês".

Se o objetivo é formar cidadãos capazes de compreender os diferentes textos com os quais se defrontam, é preciso organizar o trabalho educativo para que experimentem e aprendam isso na escola. Principalmente quando os alunos não têm contato sistemático com bons materiais de leitura e com adultos leitores, quando não participam de práticas onde ler é indispensável, a escola deve oferecer materiais de qualidade, modelos de leitores proficientes e práticas de leitura eficazes.

Eis a primeira e talvez a mais importante estratégia didática para a prática de leitura: o trabalho com a diversidade textual. Sem ela pode-se até ensinar a ler, mas certamente não se formarão leitores competentes.

Levando em consideração as contradições presentes na sociedade brasileira, ler é possuir elementos de combate à alienação e ignorância. Para ser compreendida, esta definição deve levar em conta a estrutura subjacente à sociedade brasileira, a dicotomia das classes sociais, mantida pela ideologia da classe que está no poder, dominar o mecanismo da leitura e ter acesso aos livros que narram criticamente a respeito da estrutura hierárquica.

Dessa forma, a pessoa que sabe ler e executa esta prática social em diferentes momentos de sua vida possibilita desmascarar os ocultamentos feitos e impostos por classes dominantes.

Mas especificamente o ato de ler se constitui num instrumento de luta contra a dominação, a manipulação do povo ocorre através de uma real contradição, ao mesmo tempo que se prioriza a leitura, esconde-se o fato de que as condições de produção da leitura não são tão concretas assim, temos que considerar que estamos vivendo em uma sociedade letrada, ou seja, os veículos escritos são necessários à própria sobrevivência e atualização dos homens nesse tipo de sociedade e as etapas evolutivas da civilização garantem à sociedade a condição ou categoria de letrada.

Embasados nestas afirmações a busca pela qualidade na construção e repercussão da leitura estruturam este trabalho com o objetivo de constatar a influência positiva na reflexão da leitura, enfatizando a necessidade de textos, livros e biografias que estejam em âmbito construtivo, alicerçando ideias renovadoras. Para tanto, a leitura é um excelente veículo que oferece esse suporte, as pesquisas aqui apontadas seguem a regra as necessidades de constatar as mudanças ocasionadas pela leitura, o trabalho relata grandes autores que auxiliam nosso trabalho, enfatizam a necessidade desta ação reflexiva que pode tornar-se um grande ponto de referência na transformação do aluno-leitor que através de escritos voltará a analisar sua condição de existência e sua importância como sujeito "transformador".

A leitura é comprovadamente o fator que deve ser reestruturado na busca das reais mudanças necessariamente apontadas. Ela foi outrora considerada simplesmente um meio de receber uma mensagem importante, hoje, porém, a pesquisa neste campo define o ato de ler em si mesmo, como um processo mental de vários níveis, que contribui para o desenvolvimento do intelecto, o processo de transformar símbolos gráficos em conceitos intelectuais exige grande atividade do cérebro, durante esse processo de armazenagem da leitura, coloca-se em funcionamento um número infinito de células cerebrais. A combinação de unidades de pensamento em sentenças e estruturas mais amplas de linguagem constitui, ao mesmo tempo, em processo cognitivo e um processo de linguagem.

Por todas as razões a leitura é uma forma exemplar de aprendizagem, estudos psicológicos revelaram que o aprimoramento da capacidade de ler também redunda no da capacidade de aprender como um todo, indo muito além da mera recepção.

A boa leitura é uma confrontação crítica com o texto e as ideias do autor. Neste contexto Ruth Rocha (1998, p. 11) afirma que há uma espécie de zona cinzenta entre o analfabetismo e o saber ler; saber ler significa decodificar, ou seja, compreender o texto. A autora acentua que em casas onde pai e mãe têm o hábito da leitura fica mais fácil que os filhos leiam com naturalidade, todavia os pais devem de todas as maneiras conversar e debater qualquer informação que entre em casa, oferecendo livros para os filhos, e assim o livro deve ser valorizado como objeto de prazer e conhecimento.

Já Monteiro Lobato (1921, p. 26) afirma que a criança é um ser onde a imaginação predomina em absoluto. Ele diz que a criança nos livros quer que lhe demos cartolas, coisas mais altas do que podem entender. Isso a lisonjeia tremendamente, mas se o tempo inteiro a tratarmos puerilmente ela nos manda às favas.

Essa citação enfatiza a necessidade de apresentarmos textos inovadores com coerência que dêem ânimo e possibilidades de mudanças, a leitura e os livros têm hoje um novo significado e já não basta a uma pessoa completar sua educação escolar, o progresso da ciência e da tecnologia se processa num ritmo tal que a instrução que hoje ministramos será considerada insuficiente amanhã, a tarefa do futuro é a educação permanente ou, melhor ainda, a autoeducação permanente.

A leitura é um hábito saudável e inspira grandes poetas como Castro Alves que vê nos livros sua fonte de inspiração: Oh! Bendito que semeia livros, livros à mão cheia, e manda o povo pensar. O livro caindo n 'alma é germem que faz a palma, é chuva que faz o mar”. Para melhor entendermos essa poesia devemos valorizar a prática da leitura, neste sentido a grande preocupação está em procurar redimensionar a concepção escolar de leitura nela, o texto às vezes tem servido como pretexto para cópias, resumos, repetições; sem que isso alcance um sentido para quem aprende ler, além do mais, os exercícios costumam, ser sempre os mesmos, carregados de linearidade, quando se põe em evidência o caráter interacional da leitura, como afirma Smith (1941, p. 402), dizendo que o interesse é a pedra de toque do progresso, do prazer é da utilidade da leitura. É o gerador de toda a atividade voluntária de leitura.

Para alterar esse quadro, preconiza-se que o professor procure levar para a sala de aula os diferentes textos que circulam na vida real. Estes textos devem representar acontecimentos vivos e permitir que os sujeitos se identifiquem nos mesmos, relacionando-os à vida cotidiana, além disso, o aluno precisa aprender a ler em situações concretas, em que saiba o que está fazendo e com que objetivo o faz, só assim é capaz de atribuir significado ao que lê e, dessa forma, desenvolver suas estratégias de leitor.

Vygotsky (1991, p. 79) estrutura o texto destacando que os conceitos científicos, com os seus sistemas hierárquicos de inter-relações, parecem construir o meio no qual a consciência e o domínio se desenvolvem, sendo mais tarde transferidos a outros conceitos e a outras áreas do pensamento, a qual funciona como guia do primeiro, aprimorando tanto as funções mentais amadurecidas quanto as que estão por amadurecer. . 

E a leitura é um desses fatores de construção, que guiam e aprimoram essas determinações, esse amadurecimento segundo o autor é a fase gradativa do processo na  leitura, é essa transformação que citamos, a conscientização através dos textos, onde os alunos incorporem a ação no cotidiano; no contexto escolar da educação surge uma variedade de linguagem e de leituras que requerem uma atenção dos educadores onde a escola dentre as várias funções destaca a prática de leitores consciente e de seu papel na sociedade.

A prática de leitura nas salas de aula está distante de uma prática que promova a formação de leitores críticos e participativos, numa sociedade globalizada como a nossa, a leitura desenvolve nossa capacidade criativa e nos informa sobre o mundo e as pessoas que nos cercam.

Ana M. Lucena (1982, p. 16) afirma que a leitura deve emergir primeiro como fonte de prazer, depois como desvendamento de um mundo de conhecimentos para nos tornarmos eternamente cativos.

Nós últimos anos, muitos autores têm discutido a questão da leitura nas escolas. Basicamente, eles argumentam que os nossos alunos não leem e que a escola não os têm ajudado a ler. Parece que a principal causa desse fenômeno deve-se ao fato de professores continuarem atrelados a uma concepção de continuarem a leitura como “decodificação mecânica de signos linguísticos”, como “mera reprodução do que o texto veicula”.

Na nova visão de leitura estabelece que a leitura é um processo de compreensão abrangente envolvendo componentes verbais e não verbais, ou seja, a leitura é uma ação política, cultural e linguística, é embate entre leitor, autor, e contexto é compreensão.

Maak Pereira (1984, p. 39) enfatiza a necessidade da leitura como única estrutura e diz que ler é uma tarefa imprescindível na aprendizagem de qualquer língua. Mas segundo Pereira acontece que muitas vezes essa é uma tarefa relegada a um segundo plano, deixando na vida do estudante uma lacuna lamentável.

É importante que os alunos aprendam que a leitura também é um instrumento de prazer que nos permite explorar mundos diferentes, reais ou imaginários e que nos aproximam de outras pessoas e suas ideias.

Em todos os níveis de escolaridade deve haver tempo e espaço para ler por ler, sem outra finalidade que a de sentir prazer. E essa leitura não precisa ser necessariamente na escola, uma vez que vivemos em um mundo rodeado de letras, assim como Eli Santos (1981, p. 41) diz que além das leituras obrigatórias, devemos ler jornais, revistas e livros, se desejamos aprender, progredir e desenvolver nossas capacidades intelectuais. Quanto mais nós lemos, maior será nossa capacidade de aprender e melhor será nossa linguagem.  

É mediante essa afirmação que estruturamos nosso trabalho sobre a importância da leitura e sua influência na ação, quando retratamos a reflexão ativa nos referimos a uma ação onde o texto seja voltado à criticidade ativa ou então, em outras palavras, na ação do hoje, voltado ao amanhã. Quando lemos para estudar, necessitamos de alguns instrumentos simples, como um  caderno para tomarmos nota e fazermos resumos, lápis e canetas coloridas para sublinhar as partes mais importantes do texto e um dicionário, para procurar o significado das palavras que não compreendemos. Todos esses instrumentos são básicos se quisermos fazer uma leitura compreensiva e ativa que nos permita aprender, isso em se tratando de estereótipos escolares, padrões que exigem a memorização para assimilação, contudo enfatizamos que o hábito de lei deve-se iniciar através do gosto pelo que se lê, sem um aparato maior de "instrumentalização'' para ler. Mas o que não devemos esquecer é que a leitura compreensiva é a que realizamos para entender e interpretar o que o texto quer dizer.

Neste contexto temos a contribuição de Fernando Sabino (1980, p. 29) que afirma que para escrever, baseia-se em casos acontecidos na vida real, consigo mesmo ou com outros, ambos modificados pela imaginação. Muitas vezes, as histórias, embora partindo da realidade, passam a ser aquilo que poderia ter acontecido e não o que realmente aconteceu.

Assim vemos o quanto é importante a imaginação no ato de ler, através dela podemos imaginar um novo mundo, uma nova sociedade, o fim da discriminação, das guerras, falcatruas, roubos, e é essa compreensão que buscamos resgatar através da ação reflexiva.

As pessoas leem com finalidades diferentes, às vezes se lê romances de aventura por diversão, outras vezes, lemos os nomes dos ônibus para saber qual temos de tomar; em outras ocasiões lemos os nomes e números de telefone em uma lista porque procuramos o telefone de alguém; ou então lemos porque temos que estudar para uma prova. Em cada uma dessas situações, a leitura é feita de várias maneiras, prestamos atenção em determinadas coisas e obtemos tipos diferentes de informação para os diversos fins. Portanto a primeira coisa que precisamos saber é para que queremos ler, isto é, qual é o objetivo de nossa leitura.

Fazer uma leitura ativa e compreensiva quer dizer estar atento, pensando constantemente no que estamos lendo e aprendendo. Antes de começarmos uma leitura ativa e compreensiva, precisamos fazer algumas considerações: Que informações esperamos encontrar neste texto? O que sabemos sobre esse assunto? Depois da leitura, podemos realizar outras atividades para compreendermos melhor o conteúdo, por exemplo, localizar e marcar a informação principal e resumir o texto.

É importante considerar que nem todos os textos são iguais e, portanto, não podemos trabalhar com todos da mesma maneira. Como a leitura de textos expositivos é um texto que dá uma explicação sobre um   assunto.

Os PCNS discorrem sobre a importância da leitura, resgatando o ensino da língua portuguesa como uma sequência de conteúdos que se poderia chamar de aditiva, ensina-se a juntar sílabas (ou letras) para formar palavras, juntar palavras para formar frases e frases para formar textos.

Essa abordagem aditiva levou a escola a trabalhar com "textos" que só servem para ensinar a ler "textos" que não existem fora da escola, como os escritos em cartilhas em geral, nem sequer podem ser considerados textos, pois não passam de simples agregados de frases. Se o objetivo é que o aluno aprenda a produzir e a interpretar textos, não é possível tomar como unidade básica de ensino nem a letra, nem a sílaba, nem frases descontextualizadas, pouco têm a ver com a competência discursiva, que é a questão central.

O texto não se define por sua
extensão, o nome que assina um desenho, a lista do que se deve ser comprado, um conto ou um romance, todos são textos, a palavra "pare" pintada em um asfalto é um texto cuja extensão é a de uma palavra. No entanto o mesmo “pare” numa lista de palavras começadas com "p", proposta pelo professor, não é nem um texto nem parte de um texto, pois não se insere em nenhuma situação comunicativa de fato.

Analisando os textos que costumam ser considerados adequados para os leitores iniciantes novamente aparece a confusão entre a capacidade de interpretar e produzir discurso, a capacidade de ler sozinho e escrever de próprio punho, ao aluno são oferecidos textos curtos, de poucas frases, simplificando, às vezes, até o limite da indigência.

Os PCNS (1998) nos dizem que não se formam bons leitores oferecendo materiais de leitura empobrecidos, justamente no momento em que as crianças são iniciadas no mundo da escrita. As pessoas aprendem a gostar de ler quando de alguma forma a qualidade de suas vidas melhora com a leitura.

Essa visão do que seja um texto adequado ao leitor iniciante transbordou aos limites da escola e influi até na produção editorial, livros com uma ou duas frases por página e a preocupação de evitar as chamadas “sílabas complexas”, a possibilidade de se divertir, se comover, de fluir esteticamente num texto desse tipo é, no mínimo, remota. Por trás da boa intenção de promover a aproximação entre crianças e textos, há um equívoco de origem, tenta aproximar os textos das crianças simplificando-o, ao lugar de aproximar as crianças oferecendo qualidade.

Dentre os vários livros lidos que abordam a influência e a importância do ato de ler, não podemos deixar de citar Paulo Freire (1982, p.19), onde disserta que a leitura da palavra é sempre precedida da leitura de mundo e que o aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, não numa manipulação mecânica de palavras, mas numa relação dinâmica que vincula linguagens e realidade. Freire narra com autonomia que o ato de ler não se esgota na decodificação pura da palavra e da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Está mais do que na hora de pararmos para refletir como estamos oportunizando a expressividade de nossos educandos. Com base nestas fundamentações, cabe à escola refletir sua finalidade e sua realidade.

A escola é o espaço social privilegiado e, assim criado, visa à melhoria da sociedade; porém, nos atropelos do dia a dia acaba evidenciando o cognitivo, buscando transmitir informações em níveis de conhecimento intelectual, esquecendo-se de interá-los ao emocional e social. O aluno hoje, não pode ser visto como elemento passivo, e nem o professor como simples difusor de um conhecimento pré-produzido e supostamente definitivo. Nenhum ser ou ciência é algo pronto e acabado. O educador deve ser o catalisador do processo que resgatará as concepções espontâneas de seus educandos para interá-las às suas e às contidas nos documentos de referência (livros e demais registros), é através desta relação que se amplia a construção do saber, levando professor e aluno também à condição de produtores de conhecimentos. Assim a partir da reinterpretação dos postulados básicos e atuando como agentes de sua própria história poderão interagir na transformação da sociedade.

É papel da verdadeira escola e de todos os que nela estão envolvidos a reflexão e análise constante da caminhada, desta forma "estamos oportunizando o crescer da pessoa e, consequentemente, da sociedade." Como contribui Jean Piaget (1976, p. 16) dizendo que o desenvolvimento cognitivo do indivíduo ocorre através de constantes desequilíbrios e equilíbrios.

Assim estamos tentando reproduzir através da leitura esse desequilíbrio, cuja busca ocorreria no decorrer do processo, uma fase necessária para essa ação reflexiva, onde os textos, livros e demais revistas sejam lidos com o impacto real, que essa ação seja contínua e gradativamente transformadora, o ato de ler não será mais obrigatoriedade ou acaso, muito menos necessidade de comunicação e sim, um complemento básico para uma sociedade crítica e transformadora.

Com isso, os textos se complementarão pelo uso voltado à reflexão com a finalidade da ação (uso - reflexão: ação). O que se pretende é que com o uso, se reflita e nessa reflexão se incorpore progressivamente a reflexão de tal forma que transforme sua atitude, bem como sua forma de agir em todas as suas necessidades.

O  trabalho como mediador é iniciar uma longa conversa com os alunos, explicando a importância de se desenvolver a criticidade, que ao lermos um texto não devemos aceitá-lo como pronto e acabado; comentando sobre o objetivo das pesquisas realizadas e ressaltando o quanto era necessário que tivéssemos ideias próprias, que nossa criticidade tem um poder inestimável, que apesar de tantas arbitrariedades vivemos em um país livre e somos capazes de conhecer e usufruir de nossos direitos e que com isso podemos transformar essa sociedade que conhecemos. Mediante essa explicação podemos direcionar nosso trabalho a uma revisão de um clássico infantil, Chapeuzinho Vermelho; lendo a história (já conhecida por todos) e pedindo que os alunos a rescrevessem mediante nossa realidade; a produção poderia ser associada a personagem chapeuzinho como o povo e o lobo mau ao sistema corrupto e à inflação. Na continuidade podemos partir para reportagens de revistas e pesquisas na internet.

O que gostaríamos de ressaltar é que esse trabalho é um “grão de areia no oceano”, o que prova sua existência porém, é um trabalho que deve ser “abraçado” pela comunidade escolar em sua continuidade, até em sua origem, pois segundo autores, deve ser iniciado nas 1ªs séries de forma amena, derrubando os estereótipos de leitura de livros didáticos que são patéticos sem objetivos e até ridículos.

A seguir apresentamos sugestões metodológicas comprovadas por nós professores que têm resultados positivos na construção de txtos críticos,coerentes e de uma leitura bem estruturada;são atividades retiradas de revistas pedagógica como : escola,professor e demais encontros e seminários educativos.

Atividades Permanentes de Leitura;

Roda de Leitores;

Leitura feita pelo professor;

Leitura Colaborativa;

Projetos de Leitura; a característica básica de um projeto é que èle tem um objetivo compartilhado entre todos os envolvidos; além disso, os projetos permitem dispor do tempo de uma forma flexível, são ocasiões em que os alunos podem tomar decisões sobre muitas questões; controlar o tempo, dividir e redimensionar as tarefas, avaliar os resultados em função do plano inicial.

Os projetos são situações em que linguagem oral, escrita, leitura e produções de textos se interelacionam de forma contextualizada. Alguns exemplos de projetos de leitura: produção de DVD de contos, textos, reportagens ou poemas; para acervo da biblioteca, ou para outros projetos escolares: produção de vídeos de curiosidades gerais ou associações sobre assuntos estudados, promoção de eventos de leitura crítica numa feira cultural ou na própria exposição da escola.

Atividades sequenciadas de leitura: são situações adequadas para promover o gosto de ler e privilegiadas para desenvolver o comportamento do leitor, ou seja, atitudes e procedimentos que os leitores assíduos desenvolvem a partir da prática da leitura: formação de critérios para selecionar o material a ser lido, constituição de padrões de gosto pessoal, rastreamento da obra de escritores. Funcionam como os projetos e podem integrá-los inclusive; mas não tem um produto final predeterminando. Neste caso o objetivo explícito é a leitura em si...

Sugestões para os professores: O objetivo da escola é formar escritores competentes, capazes de produzir textos coerentes, organizados e claros, o que se entende por escrito aqui é alguém capaz de escrever e não um romancista ou poeta; é aquele capaz de produzir um discurso apropriado ao objetivo que se propõe, se a intenção é convencer o leitor ele escreverá um texto argumentativo, se quer solicitar algo a uma autoridade ele redigirá um ofício em linguagem jornal e direta... o que causará entendimento a quem lê. E essa leitura será voltada ao solicitado; razão essa que enfatizamos a assimilação do que se lê, como palavra-chave; essa preocupação com o que se produz, volta-se à leitura feita pelo aluno; entretanto antes de indicarmos qualquer livro, devemos selecionar o maior número possível de obras e lermos todas, assim teremos subsídios para orientar as dificuldades que elas apresentam. Aí iremos encontrar textos chatos, de baixa qualidade que devem ser descartados; para os livros mais complexos deve-se, criar um horário de leitura em classe, assim poderão somar as dificuldades do aluno; se ensinarmos o gosto pela leitura, precisamos começar transformando a leitura em uma atividade livre; tudo o que fizermos por obrigação tende a ficar chato, fichamentos,resenhas e provas obrigatórias não ajudam;devemos sugerir que os alunos comentem sobre o que le e escrever,mas essas atividades devem ser opcionais, também é importante evitar livros muitos simplicados, sem conteúdos. O problema é que o se o texto é simples demais,provavelmente também é pobre de temática e linguagem, dessa forma o aluno não vai ter interesse nele, em vez de livros precisamos adotar obras engraçadas dramáticas,envolventes, de autores consagrados, não nos preocuparmos terem muitas páginas ou um vocabulário novo para os alunos. Sabemos que todos os textos produzidos se bem trabalhados podem se tornar grandes obras, com fins inimagináveis e transformadores. Esse método influências os alunos a lerem convivendo diariamente com a leitura. Por outro lado. Os professores veem seu papel de mediadores de forma mais abrangente,veem a oportunidade de contribuir para mudar os antigos conceitos estabelecidos à leitura;derrubando barreiras que tornam o escrever e ler obrigatoriedade,transformando em prezer , necessidade de saber, conhecer e mudança.

O fenômeno da leitura, por sua complexidade, deve ser estudado e analisado numa perspectiva interdisciplinar, integrando as diferentes ciências da linguagem e da comunicação, nesta interação analisa-se a produção voltada à criticidade e à ação transformadora através de textos... o que este artigo apresentou foi uma diversidade de oportunidades que auxiliam os educandos a uma transformação inovadora, mediante essas propostas concluímos que essa atividade é viável, que existem inúmeras possibilidades de, através de textos coerentes e bem elaborados, voltarmos essa produção a uma ação reflexiva e transformadora.

O trabalho apresenta claramente que durante esse período, não se deve fazer na escola a leitura como obrigatoriedade e sim, deve-se valorizar o ensino diferenciado e individualizado da leitura, levando-se em conta não só os vários níveis de rendimento, mas também os vários interesses, desta maneira não haverá rótulos de discriminações e comparações de produção. O mediador deste processo deve aproveitar a formação de "panelinhas", característica do período, na organização de grupos de leitura, vários grupos preparam em separado suas contribuições textuais, com comentários e análises que podem ser trabalhados em debates.

Mediante esse trabalho fica explícito que o desenvolvimento de interesses e hábitos permanentes de leitura é um processo constante, que começa no lar, aperfeiçoa-se sistematicamente na escola e continua pela vida afora, através das influências da atmosfera cultural geral e dos esforços conscientes da educação e das bibliotecas públicas. Os fatos decisivos nesse processo são o prazer proporcionado pelos livros, que começa a ser experimentado em idade pré-escolar, o ensino da leitura acompanhado pela satisfação no progresso e no êxito, levando em conta, ao mesmo tempo, as múltiplas possibilidades e necessidades e o encorajamento de toda e qualquer motivação possível para ler e escrever com liberdade de expressão, a identificação com ideais e pessoas para as quais o indivíduo é orientado, como pais, amigos, professores, bibliotecários, contribui imensamente para uma atitude positiva em relação a uma leitura crítica a construtiva.

Como ficou constatado neste trabalho o fator financeiro é realmente um entrave para o desenvolvimento da leitura, em média, os livros são muitos caros para uma grande parcela da sociedade, obviamente esse não é um obstáculo intransponível, bastaria um pouco de boa vontade política para manter nossas bibliotecas públicas.

E especialmente importante que os "mediadores" e "propagadores" nessas áreas utilizem os resultados dessa pesquisa e as experiências práticas apresentadas na metodologia quando prestarem algum trabalho voltado à leitura construtiva e crítica sem esquecer que a leitura ainda representa um papel importante nos processos de comunicação, informação e esclarecimento, de que a leitura pode tornar-se com facilidade o mais difundido instrumento de treino mental e fortalecimento do poder da imaginação, que a leitura é talvez o melhor meio de impedir perigoso raciocínio "Preto e Branco" e de contrabalancear os instrumentos de persuasão e manipulação subconscientes.

Se os efeitos da leitura fossem conhecidos e reconhecidos de um modo geral, os indivíduos responsáveis, as autoridades e a sociedade fariam mais por desenvolver a motivação e o interesse pela leitura e por criar hábitos permanentes da mesma.

Com estas análises, constatamos a necessidade de reestruturarmos nosso trabalho, o objetivo principal foi alcançado. A constatação da influência tecnicista em nosso cotidiano, reforçada pela nossa própria formação e perpassada pela cultura dominante, contudo é apenas o início de uma longa jornada a ser trilhada por muitos engajados nesta busca.

 

 

 

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E-mail: ww-w.novacultura.org.com.br

 

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" Lí\to que consta citações de autores: Ruth Rocha, Eli Santos, Rimini

 

 
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