A Improvisação e Arranjo Como Ferramenta na Educação Musical
 
A Improvisação e Arranjo Como Ferramenta na Educação Musical
 


Silas Azevedo Ribeiro1

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Resumo: Esse artigo apresenta informações de como a improvisação e o arranjo podem ser úteis para o desenvolvimento da educação musical do estudante. Visto que o domínio das mesmas requer muito conhecimento, o uso de várias ferramentas, vários elementos, várias informações. Informações que serão abordadas ao longo da pesquisa. A sensação de experimentar música proporcionada pela improvisação é essencialmente necessária, fará o estudante a desenvolver capacidade para lidar com estruturas musicais e formar um discurso musical criativo. Pois a improvisação é uma criação musical espontânea e extremamente elaborada, trabalhada, construída segundo as regras da harmonia ou do contraponto. Para que um estudante faça um arranjo ele terá que mergulhar em um estudo que engloba o domínio de aspectos como criação de base rítmica, estilo, dinâmica, variações de andamento, expressão, encadeamento de acordes e muitas outras instruções. De acordo com os resultados obtidos na pesquisa chegamos a conclusão de A prática interdisciplinar de integrar a improvisação e o arranjo para auxiliar a educação musical é uma valiosa alternativa que contribui para a fundamentação de novas idéias e novas tendências.

Palavras-chave: Arranjo. Improvisação. Educação Musical.

THE IMPROVISATION AND ARRANGEMENT EDUCATION AS A TOOL IN MUSICAL

Abstract: This article contains information on how to improvise and the arrangement can be useful for the development of musical education of students. Since the field requires a lot of the same knowledge, the use of several tools, various elements, more information. Information that will be addressed during the search. The feeling of experiencing music provided by improvisation is essentially required, the student will develop the capacity to deal with musical structures and forming a creative musical discourse. Because improvisation is a spontaneous musical creation and very elaborate, carved, constructed according to rules of harmony or counterpoint. For a student he made an arrangement that will delve into a study that encompasses the area of issues such as creating the basic rhythmic, style, dynamic, changes in tempo, phrasing, the chord sequence and many other instructions. According to the results obtained in the search reach conclusion of the interdisciplinary practice of incorporating improvisation and arrangement to help music education is a valuable alternative that contributes to the rationale of new ideas and new trends.

Keywords: Arrangement. Improvisation. Music Education.

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1Pós-Graduando em Teoria e prática da Interpretação Musical - Universidade Vale do Rio Verde de Três Corações-UNINCOR.

1.INTRODUÇÃO

O mundo está cada vez mais evoluído em tecnologia, portanto naturalmente a educação deve evoluir junto com o mundo.A interdisciplinaridade nasceu com objetivo de criar uma dinâmica de inter-relação entre as disciplinas para que seja possível a construção de um novo sistema científico. Já que o ensino de disciplinas isoladas não podem mais satisfazer as necessidades do mundo.

A integração entre as técnicas da improvisação, e as técnicas do arranjo é uma combinação infalível na prática pedagógica. Ambos requerem um estudo de longos anos, muita experiência e prática. São fontes ricas de conhecimento que todos músicos deveriam ambicionar saber.

2.ARRANJO MUSICAL

O arranjo é o enfeite da música, é a elaboração de uma nova roupagem, onde se desenvolve a idéia principal da música. O arranjo precisa de tempo para ser feito, experimentado. Pois se escreve, também, para outras pessoas tocarem. Fazer um arranjo é preparar uma composição musical para a execução por um grupo específico. Este grupo pode ser tanto de vozes quanto de instrumentos musicais. O ideal é que façamos o arranjo de modo próprio, ele deve estar adaptado de acordo com o nível musical do grupo. Para isso o arranjador tem que conhecer a capacidade técnica de quem irá tocar o arranjo, ele deve ter claramente na cabeça "para quem" está direcionado o arranjo. Segundo Josué Avelino conhecer as limitações do grupo, trará ao arranjador uma melhor percepção do que se pode escrever em relação à tonalidade, ao fraseado, aos ornamentos, ao grau de dificuldade de interpretação e todos os fundamentos que poderão enriquecer e embelezar o arranjo.

Segundo Ian Guest (1996, pág. 121), deve-se pensar primeiramente para qual finalidade será destinada o arranjo, qual é o propósito: se é ao solista ou a uma orquestra, uma apresentação ao vivo: um concerto, show, festival, concurso, trilha sonora, ou se é para gravação: disco ou fita comercial, anúncio para televisão, radio ou se é somente para o aprendizado: exercícios, verificação de técnica, por exemplo. Para obter êxito, o arranjo deve ser direcionado ao nível de execução dos músicos que o irão tocar. É preciso pensar nos recursos disponíveis, nas características gerais. E condições acústicas, da sonorização, da gravação: se a apresentação será em um ambiente sem amplificação, ou com amplificação; ou ainda, se será em um estúdio de gravação. Em geral, pensa-se no equilíbrio e qualidade do som que será transmitido ao público. Como disse Nelson Faria: "Os ajustes de tessitura das frases e transposição devem ser feitos de acordo com a necessidade de cada instrumento".

Para um estudante se transformar em um arranjador será preciso que ele domine as técnicas necessárias. O arranjador é uma pessoa especializada e muito experiente. Que aplicou muitos anos de sua vida em um estudo que engloba muitos elementos diferentes, diversas técnicas, muitas qualidades musicais. O músico deve possuir muito conhecimento, além de uma vasta bagagem musical. Ele deve dominar aspectos como: criação da base rítmica, contracantos e linhas de baixo (acompanhamento harmônico de base); a criação da base rítmica deve utilizar a métrica e variações de ritmo; estilo, dinâmica, variações de andamento, expressão, encadeamento de acordes e outras instruções; estruturação da peça, criação de seções de introdução, interlúdio e coda e repetições das seções principais e refrões, quando existentes.

O cuidado com a orquestração é importantíssimo na construção de um arranjo, pois um arranjo direcionado ao violão não será o mesmo de um direcionado para a flauta doce, que por sua vez será completamente diferente de um arranjo para orquestra ou um quarteto de cordas. Pois cada formação obterá um resultado diferente, por isso a necessidade de conhecer e valorizar as virtudes de cada instrumento: a extensão, o timbres, tessitura, a clave, se é um instrumento transpositor e saber usar essas qualidades na linguagem de cada estilo. Enfim, conhecer a capacidade e limitação de cada um, a fim de estar preparado para escrever ao maior número possível de instrumentos.

Em um arranjo pode haver momentos abertos para a improvisação dos músicos ou não.A grande diferença entre o arranjo e a improvisação é que o arranjo é uma peça escrita, diferente da improvisação.

A IMPROVISAÇÃO NA EDUCAÇÃO MÚSICAL

A improvisação é uma técnica especializada em música, que pode ser muito apropriada como uma estratégia pedagógica. Visto que ela é entendida como um fator propiciador de conhecimento e expressão musical. A improvisação leva o sujeito a desenvolver capacidade para lidar com estruturas musicais e formar um discurso musical criativo. É um meio de desenvolver a compreensão, estruturar conceitos musicais. Para confeccionar um improviso devemos ter em vista a execução, pois assim desenvolveremos as habilidades técnicas/mecânicas, porém é essencialmente importante que sempre haja preocupação com a música em si. Sua prática se restringe ao estudo da música popular: blues, jazz, choro, fusion etc.

A sensação de experimentar música é fundamentalmente necessária, pois proporciona ao sujeito uma realização pessoal, um sentimento de competência inexplicável. A experiência musical direta, o ato de experimentá-la como ouvinte, executante e criador fará com que sejam desenvolvidas as habilidades profissionais, além da compreensão, da sensibilidade e "do desfrutar da música". Gainza (1988) concebe a idéia de improvisação como uma criação musical espontânea, ou jogo musical onde o sujeito desenvolverá a capacidade de manipular a realidade à sua volta como o seu mundo interior. Para Swanwick (1979, p.43) a improvisação assume um valor primordial em Educação Musical, que se concentra na possibilidade de sugerir a introspecção, que é conseguida no relacionamento direto e particular com a música.

A improvisação, em suas formas livres e "pautadas", segundo contribuem ativamente para a mobilização e metabolismo das estruturas musicais internalizadas, bem como promove a absorção de novos materiais e estruturas mediante a exploração e manipulação criativa dos objetos sonoros (Gainza, 1988, p.22).

O vínculo entre a música e a improvisação se dá pela "criação". De acordo com Swanwick (1979, p.52-53), um objeto criado para ser entendido esteticamente necessita ser claro2, lúcido, inteligível e intenso3, no sentido de causar impacto seja pela expressão ou excitação. Portanto, a partir do momento que a improvisação começa a interagir, modificar as intenções originais da música, ela passa a ganhar vida própria através da experiência do improvisador.

Segundo Collier (1995, p.57), o improvisador não despeja simplesmente notas impensadas, mas ouve em pensamento as notas que vai tocar antes de tê-las

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2 claro reconhecimento do objeto que se apresenta ao sujeito.

3 intensidade respostas pessoais dadas à impressão criada pela experiência.

tocado. Ele quer dizer que a música já existe na sua imaginação do músico, pouco antes de executá-la ele já a ouviu em sua mente. Implica em um conjunto de ações instantâneas: ouvir antecipado, preparar a musculatura e produzir o som. Lazzarin (1998, p.243) coloca que a vivência com a música está ligada com a capacidade de apreciá-la, o educador musical deve propiciar o aprendizado auditivo, no sentido em que o sujeito possa reconhecer as relações musicais com significado, a fim de que haja um aprendizado mecânico de símbolos e memorização da teoria musical. Além de comportar uma atitude de escuta, causa também uma atitude de expressão pelos sons. Tudo isso ocorre de forma que as emoções interiorizadas passam a ser expressas através da música que é criada (toca o que sente). Visto que a criação musical é extremamente elaborada, trabalhada, construída segundo as regras da harmonia ou do contraponto musical, logicamente não se espera que um aluno iniciante saia improvisando rapidamente. Para conseguir improvisar com maestria são necessários muitos anos de dedicação, insistência, perseverança prática, muito contato com o instrumento e ouvir muitos improvisos. Além de saber reconhecer os intervalos, formação das escalas e dos acordes (em todas as tonalidades), leitura de cifras e domínio do instrumento.

No livro de Nelson Faria "A arte da improvisação", Nelson explica que primeiramente é trabalhada a improvisação por centros tonais. Isso consiste e tocar a escala do tom do momento sobre seus acordes diatônicos. Para que o estudante possa iniciar o estudo de improvisação ele terá que saber executar em seu instrumento as escalas maiores e as três formas da escala menor (natural harmônica e melódica). Dominada a primeira etapa será acrescentado ao estudo progressões com o uso de dominantes secundários, alterados e substitutos (sub V7). A partir daí, as demais partes irão se desenrolar apresentando opções de sonoridades para progressões comuns: uso de escalas pentatônicas, simétricas (cromática, diminuta e tons inteiros), superposição de arpejos etc.

3.CONCLUSÃO

Através desta pesquisa foi possível concluir que o estudo da improvisação e do arranjo musical são ferramentas valiosas que contribuem não só para desenvolver a performance, como também podem ser usados de forma estratégica para auxiliar na Educação Musical. Pois para conseguir o domínio dessas técnicas será preciso desenvolver uma boa educação musical. A prática interdisciplinar, de integrar as técnicas da improvisação e as técnicas do arranjo para auxiliar a educação musical resulta em um trabalho interessante. O aluno põe em prática as relações que existem entre elas. Isso causará nos estudantes uma busca natural de vários tipos de conhecimentos artísticos. Ainda mais vivendo em um mundo tão dinâmico, tecnológico onde a informação chega instantaneamente. Não podemos continuar negando as relações existentes entre as ciências, em prol de um tradicionalismo infundado. É necessário que sejam fundamentadas novas idéias, novas tendências e elaborar uma metodologia que possibilite a vivência da interdisciplinaridade, nas escolas, na música.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AVELINO, Josué. Arranjo Musical. Rio de Janeiro:Federação das Bandas e Fanfarras do Estado do Rio de Janeiro - FABERJ. Sexta 21 de Novembro de 2008.

COLLIER, James L. Caminhando por si: Improvisação e Execução. In: COLLIER, James L. Jazz: A Autêntica Música Americana. Rio de Janeiro: Zahar, 1995. p.55-76.

COSTA, Kristiane Munique Costa. LEÃO, Eliane. A relação entre improvisação e apreciação musical. In: Anais do IV Seminário Nacional de Pesquisa em Música da UFG, 2001.

FARIA, Nelson. A Arte da Improvisação. Rio de Janeiro: Lumiar, 1991. 75 pág.

GAINZA, Violeta H. de. A improvisação como técnica pedagógica. In: Cadernos de Estudo:Educação Musical, nº1. São Paulo: Através, 1990. p.22-30.

GUEST, Ian. Arranjo - Método prático. (3 volumes), 1996. Rio de Janeiro, Ed. Lumiar. ISBN 85-85426-31-4.

LAZZARIN, Luis F. Improvisação a luz da psicologia da música: reflexões sobre suas aplicações na educação musical. In: Fundamentos da Educação Musical 4. Salvador: ABEM, 1998. p. 240-243.

SWANWICK, Keith. A Basis for Music Education. Berkshire: NFER-NELSON, 1979.

 
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Sobre este autor(a)
Professor e guitarrista formado no Conservatório Estadual de Música de Pouso Alegre, licenciado em música e pós graduado em "Teoria e prática da interpretação musical:Improvisação". Contato: [email protected]
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