A IMPORTÂNCIA DOS CONHECIMENTOS BÁSICOS SOBRE O SISTEMA COGNITIVO CEREBRAL NA FORMAÇÃO DO PEDAG...
 
A IMPORTÂNCIA DOS CONHECIMENTOS BÁSICOS SOBRE O SISTEMA COGNITIVO CEREBRAL NA FORMAÇÃO DO PEDAGOGO
 


Denize Teresinha Sucharski¹

RESUMO

O Brasil esta em 53º lugar no ranking mundial, segundo o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), 2010. Resultados que demonstram a necessidade de uma reavaliação dos programas curriculares e metodologias de ensino. Este trabalho propõe incluir nas grades curriculares dos cursos de formação de professores, conhecimentos básicos sobre o sistema cognitivo cerebral, desenvolvendo novas habilidades e competências aos educadores para melhor compreenderem como seus alunos aprendem, memorizam e fixam a aprendizagem nos primeiros anos escolares.
Palavras-chaves: Cérebro. Aprendizagem. Formação docente.

¹ Pedagoga e Tutora em EaD do Instituto Superior de Educação da América Latina (ISAL) e Faculdade São Braz, Especialista em Noergologia, Neuropsicologia Educacional e Organização do Trabalho Pedagógico

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INTRODUÇÃO O tema abordado neste trabalho visa abrir uma relação entre aprendizagem da criança nos primeiros anos escolares, seu desenvolvimento cognitivo e os conhecimentos do professor que fará a mediação do processo cognitivo do aluno.
Os conhecimentos adquiridos pelo professor durante sua graduação sobre o cérebro do seu aluno.
O cérebro humano e sua ligação com o pensamento são elementos fundamentais para a compreensão da aprendizagem. Fundamentado no estudo dos neurônios, pode-se entender como uma criança aprende, como cérebro executa suas funções relativas à recepção e transmissão de informações, processamento e utilização destas informações.
A Evolução das idéias sobre a relação entre cérebro, comportamento e cognição é abordada por Fuentes (2008), no livro "Neuropsicologia - Teoria e Prática". Junto com outros autores, Fuentes, explica que o papel da Neuropsicologia é avaliar e tratar as disfunções do sistema nervoso. Não se tratando apenas do funcionamento, mas, também das disfunções do cérebro, o desenvolvimento desta ciência vem ocorrendo há vários séculos, Fuentes (2008), afirma:
Partindo da busca pela compreensão sobre a relação entre o organismo e os processos mentais, até o estágio atual, em que buscamos compreender como o sistema nervoso modula nossas funções cognitivas, comportamentais, motivacionais e emocionais. (Fuentes, 2008, P.16) Objetivando compreender o processo de ensino/aprendizagem na escola básica, esta proposta, buscará entender se os conhecimentos do sistema nervoso correspondente ao processo cognitivo do cérebro que efetiva a aprendizagem humana, esta sendo estudado pelos professores e tentar estabelecer relações com teorias sobre aprendizagem, refletindo a formação docente.
Ensinar ciência, ou seja, conhecimentos sistematizados, organizados e com fins previamente definido, é objetivo de todo educador. O grande desafio é fazer seu aluno entender sua mensagem e ser transformado por ela.
Pesquisas da Neurociência no que se refere ás funções do cérebro indicam caminhos desafiadores para compreender o micro sistema neuronal. Estão nos neurônios e em sua rede de ligações as respostas das indagações que levarão à compreensão dos processos cognitivos do homem. Cientistas como o anatomista Franz Gall no século XVIII, já acreditavam que o cérebro era uma máquina sofisticada que produz comportamento, pensamento e emoção, como nos explica, no primeiro capitulo do livro Neurociência da Mente e do Comportamento, LENT(2008). A autora, Suzana Herculano Houzel, faz uma breve viagem na história lembrando a relação entre o cérebro e a mente. Ao citar Franz Gall, Hauzel confirma que desde que se reconheceu que o córtex cerebral tem zonas anatomicamente definidas, passou a ser possível elencar locais das diferentes funções mentais, sendo Gall um dos primeiros a postular 27 zonas afetivas e intelectuais.
Embora Gall apresente resistência por parte da igreja e da comunidade científica, serviu de subsídio para a hipótese de que sendo o cérebro dividido em regiões específicas e cada uma com sua função, certamente se lecionada, causaria determinada deficiência. Segundo Hauzel, nascia nesse momento um dos métodos da Neurociência experimental que conhecemos hoje. "Com as teorias de Frans Gall, pode-se dizer que iniciava a era do "localizaciononismo".
Em 1861 foi o francês Paul Broca que comprovou esta teoria, afirmando que a linguagem humana tinha uma localização precisa no córtex cerebral, como prossegue Hauzuel, em sua viagem. Muitos outros anatomistas desvendaram regiões do cérebro e a conclusão que se pode tirar para dar a introdução a este trabalho é que o cérebro comanda todas as funções do corpo, as emocionais e físicas. Assim, justifico esta proposta, para que os professores que estarão junto às crianças nas séries iniciais da sua vida acadêmica, conheçam como se dá a aprendizagem no complexo sistema cerebral de seus alunos.
Obviamente não se propõe que o professor saia do curso de Pedagogia um verdadeiro anatomista, porém, deve estudar noções preliminares do sistema nervoso, suas funções psíquicas e fisiológicas, conhecer a base que fundamenta a Neurociência cognitiva.
Conhecer sobre os neurônios, que são células especializadas e contam mais de cem bilhões, participam em cada função, uma gama de elementos para que a informação recebida pelo aluno chegue a ser memorizada e faça sentido. Toda essa complexidade neuronal envolve desde os cinco sentidos, até outros componentes humorais e hormonais, como os neurotransmissores e as neuroglias. O mais fascinante de todo este sistema complexo de funcionamento cerebral é o fato de que esta diretamente ligado às emoções, ao pensamento.
Noções básicas de Neurociência, ainda são inexistentes nos currículos dos cursos de formação de professores. O cérebro ainda é um ilustre desconhecido dos nossos professores, e a ligação pensamento-cérebro mais ainda. Esta é uma proposta de tentativa para desenvolver os caminhos das possibilidades para aplicar os conhecimentos da aprendizagem cerebral para melhoramento do processo ensino/aprendizagem.
1. A ESCOLA E O CÉREBRO A escola pode ser o espaço para aprender, porém sabe-se que não corresponde ao único lugar em que o indivíduo recebe informações. Antes mesmo das primeiras experiências com a aprendizagem sistematizada as crianças estão aprendendo. A observação do mundo ao redor, os símbolos expostos a olhos vistos em todo espaço urbano. Para Robert Lent (2005), o cérebro possuí aproximadamente cem bilhões de neurônios com aptidões para desenvolver cada célula centenas e até milhares de outras ramificações. A cada momento, acrescenta informações, estas células incrivelmente ágeis criam e processam conteúdos segundo a maior ou menor riqueza de conhecimentos que já possuí.
A aprendizagem é um processo interativo, que envolve o aprendiz, o educador e o meio, este último sendo o mundo que os sentidos observam e registram durante todos os segundos que o ser está desperto. Para Lent (2005), a aprendizagem é um processo de aquisição de informações e difere da memória que é a capacidade de armazenar informações que possam ser recuperadas. Segundo este autor, recebemos um número imenso de informações e nem todas são necessárias e devem ser descartadas, afirmando assim que o esquecimento faz parte do processo de aprendizagem. A seleção do que lembramos ou esquecemos nem sempre é voluntária e na maioria das vezes não sabemos o porquê de certas lembranças virem à tona em detrimento de outras.
O Plano Nacional de Educação, Lei n. 10.172 de 9 de Janeiro de 2001, ao tratar dos objetivos e metas de Ensino Superior, item 12 do currículo da formação docente, nestes termos:
Incluir nas diretrizes curriculares dos cursos de formação de docentes temas às problemáticas tratadas nos temas transversais, especialmente no que se referem às abordagens tais como: gênero, educação sexual, ética (justiça, diálogo, respeito mútuo, solidariedade e tolerância), Pluralidade cultural, meio ambiente, saúde e temas locais.
A Resolução CNE/CP Nº 1, de 15/5/2006(1), institui Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia, licenciatura. Nesta proposta do MEC, vamos encontrar as diretrizes para formar professores, que abrangem aspectos sobre avaliação, meio ambiente, sócio-cultural, inclusão, ética, etc. Porém, não há nenhuma citação específica que defina uma disciplina sobre os aspectos neuropsicológicos da criança.
A proposta deste artigo é que haja uma reflexão sobre o que a Neurociência cognitiva propõe e realizar uma ponte com os cursos de formação para docentes, envolvendo os professores nestes conhecimentos de maneira mais específica.
2. A MEMÓRIA E A COGNIÇÃO Os neurocientistas buscam compreender através de experimentos clínicos as memórias que se manifestam independente da vontade. As lembranças surgem sem uma espécie de esquema, de ordem lógica. Para Lent, (2005), no capítulo 18, ainda é um mistério para a ciência, a aquisição, a seleção, a retenção e a evocação de eventos.
Mediante este processo de memorização, a aquisição consiste na entrada da informação conduzida pelos neurônios (segundo suas especificidades) até a memória. São estes eventos (sons, objetos, acontecimentos, pensamentos, emoções, odores, movimentos, etc.) que memorizamos. A partir de então, estes eventos deverão passar para o segundo estágio, a seleção. "Na seleção estão contidos os processos individuais de critérios, que estão ligados a fatores emocionais, de atenção ou de hábitos, histórica ou culturalmente herdado". Lent, (2005 pág. 590).
Estes fatores são elementos fortemente aceitos pelos cientistas como influenciadores das escolhas do que será guardado ou rechaçado. Ainda não há possibilidade científica de definir o que move uma recordação, não existindo um padrão lógico que a determine. Depois de selecionado o evento será conduzido para armazenamento por tempo indeterminado, pode ser por segundos ou anos.
Após selecionar o evento que será arquivado, a memória entrará no estágio de armazenar a informação, chamado de retenção. Segundo Lent (2005), esta retenção pode ser temporária e levar a informação para três caminhos, a consolidação, o esquecimento, ou a evocação e posteriormente sua utilização. O professor precisa saber sobre este processo gigantesco que se desenvolve no cérebrodo seu aluno, deve entender o funcionamento para aplicar estratégias adequadas para a aprendizagem do seu aluno.
A aprendizagem está diretamente ligada à memória, pois desta dependerá a retenção do conteúdo. Porém, só memorizar não transforma este conteúdo numa aprendizagem, é necessário que estes elementos façam sentido para o indivíduo.
Segundo Bock (1999), são considerados dois tipos de aprendizagem: a mecânica e a significativa. A mecânica é o tal "decoreba", não se faz relações com nenhum conceito anterior. A aprendizagem significativa, além de fazer relações com conhecimentos anteriores, dá-lhes maior significação. Para reter algo na memória, uma informação deverá estar associada a fatores que o sistema neuronal considerou importante para serem guardados. Bock (1999), entre outros autores, do livro "Psicologias - Uma introdução ao estudo de Psicologia". Faz uma abordagem sobre a teoria cognitivista, utilizando conceitos de David Ausubel. Nesta abordagem, os autores, definem a diferença entre cognição e aprendizagem.
Inicialmente, vale a pena esclarecer o conceito de cognição. Cognição é o
"processo através do qual o mundo de significados tem origem. À medida que o ser se situa no mundo, estabelece relações de significação, isto é, atribui significados à realidade em que se encontra. Esses significados não são entidades estáticas, mas pontos de partida para a atribuição de outros significados. Tem origem então a estrutura cognitiva (os primeiros significados), constituindo-se, nos pontos básicos de ancoragem dos quais derivam outros significados. (Bock, 1999, p.117) Segundo a teoria de David Ausubel, afirma Bock (1999), "o cognitivismo está preocupado como processo de compreensão, transformação, armazenamento e utilização das informações, no plano da cognição". Já a aprendizagem, é o processo de organização e de integração do material à estrutura cognitiva. Afirma ainda estes autores, que a abordagem cognitivista, diferencia a aprendizagem mecânica da aprendizagem significativa.
Estes fatores variam de indivíduo para indivíduo e como já dito acima, se consolidam pela atenção dada à informação, para Lent (2005), elementos de distração junto com uma informação cooperam para o esquecimento. Fatores emocionais são igualmente considerados agentes fixadores de informações, pois sempre fixamos melhor quando algum evento vem ligado a uma carga emocional, seja ela de teor positivo ou negativo. Aprender significa reter na memória algo que faça sentido.
Dentro do processo da aprendizagem, pode-se dizer que a retenção do conteúdo se efetivará quando os eventos ocorridos em sala de aula ou fora dela, forem fortemente acatados pela rede de neurônios como eventos importantes, seja ela qual for.
Devido a este sistema, que muitas vezes é involuntário e ainda bastante incompreendido por parte dos educadores, é que se propõem este direcionamento de pesquisa.
2.1 AS DIFERENTES VISÕES DOS PROCESSOS DE AQUISIÇÃO DO CONHECIMENTO Muito já se escreveu e se discutiu sobre a educação nas fases iniciais. Piaget, biólogo Francês, se dedicou em compreender como se desenvolve o conhecimento humano. Pesquisou sobre este assunto de 1896 a 1980, deixando noções importantes, como ponto de partida para muitos métodos de ensino aplicados nas escolas. Sua teoria abordava basicamente os períodos de desenvolvimento humano no aspecto mental e orgânico. Piaget decidiu entender como as crianças desenvolviam a compreensão e a aprendizagem das coisas Para Goulart, (2000), a fundamentação da teoria de Piaget vem de três linhas de pensamento, o Inatismo, onde se destacam pesquisadores como, Konrad Lorenz e Noam Chomsky. O Empirismo, dentre estes, os mais conhecidos são J. B. Watson e B. F Skinner, representantes do comportamentalismo. E o Construtivismo. Alega a psicóloga e pedagoga Ires Barbosa Goulart, que Piaget, observou mais de cinqüenta anos a psicologia infantil para deduzir que a criança constrói gradativamente seus conhecimentos no decorrer de suas faixas etárias, primeiramente pela ação do próprio sujeito em seguida esta ação se converte num processo de construção interna, o que ele chamou de esquema. Este Esquema, segundo Piaget, corresponde a uma organização interna do indivíduo, conforme seu grau de amadurecimento físico e psicológico. A interação da criança com o meio externo vai construindo sua forma de ser e pensar e conseqüentemente de entender o mundo.
Esta teoria do desenvolvimento humano, segundo Bock (1999), deu para criança um lugar adequado, pois, ate então a criança era considerada um adulto em miniatura.
Mas será que para os novos descobrimentos da ciência, observada por aparelhos capazes de captar através de processo químico as imagens do pensamento, confirmam estas idéias? Ou seja, os neurônios de uma criança aprendem gradativamente, constrói significativamente seus conhecimentos através da interação como meio, respeitando as faixas etárias que favorecem determinados aspectos. Como podemos explicar certos avanços no processo de aquisição de conhecimento e de memorização por parte de crianças ainda nos primeiros meses de vida? A Revista Veja de 18 de Fevereiro de 2009(2), na edição 2100, publicou uma reportagem sobre o instinto matemático dos animais e dos bebes. O autor do texto, Jerônimo Teixeira, cita a psicóloga americana, Karen Wynn, que mostra bebês com capacidade de raciocínio lógico.
Em 1992, a psicóloga Karen Wynn fez uma descoberta surpreendente: bebês de 4 meses são capazes de reconhecer quantidades pequenas - uma duas ou três unidades - e também de fazer somas e subtrações. Em sua experiência, a pesquisadora usou um teatrinho de bonecos e uma câmera que registrava os movimentos de olhos dos bebês. A criança via, por exemplo, um boneco no palco, que em seguida seria escondido por uma tela. Então a mão da pesquisadora aparecia colocando outro boneco atrás da tela. Quando a tela era erguida novamente, o bebê não mostrava surpresa ao ver dois bonecos em cena. Mas, quando aparecia um terceiro boneco, colocado ali às escondidas, os olhos da criança fixavam o grupo por mais tempo, demonstrando sua surpresa. Em linguagem numérica, diríamos que o bebê não conseguia entender como 1 + 1 podia ser igual a 3. A pesquisa de Wynn foi reproduzida diversas vezes, com variantes e complicadores - e os resultados sempre confirmaram o achado original: os bebês sabem identificar a formação de conjuntos de até três unidades. (Teixeira, 2009, RV ed2100) Segundo Wynn, a dificuldade da matemática na escola esta na forma abstrata de aprender. Há disponível na internet o primeiro capítulo do livro de Karen Wynn sobre a mente dos bebês. (3). Como acontece a aprendizagem em qualquer idade sobre qualquer conhecimento? Afinal, o que é o cérebro humano? Qual sua verdadeira capacidade? Os professores podem utilizar estes conhecimentos para aperfeiçoar o ensino básico? Outro pensador que atribuiu ao próprio sujeito a construção da aprendizagem, no entanto, somente com sua interação com o meio social, foi Lev Semenovick Vigotski nasceu em 1896 e morreu trinta e sete anos depois. Segundo Bock (1999), o enfoque interacionista do desenvolvimento estudado por Vigotski é um legado de concepções importantes para a compreensão da aprendizagem. Bock afirma:
Vigotski foi um dos teóricos que buscou uma alternativa dentro do materialismo dialético para o conflito para as concepções idealistas e mecanicistas na Psicologia.
Ao Lado de Luria e Leontiev, construiu propostas teóricas inovadoras sobre a relação pensamento e linguagem, natureza do processo de desenvolvimento da criança e o papel da instrução no desenvolvimento. (Bock,1999,P.107) Com relação ao processo ensino/aprendizagem, Vigotski afirma que a aprendizagem é um fenômeno que acontece de dentro para fora, o indivíduo aprende em contato com outros indivíduos, afirma também que a escola não ensina tudo. Vigotski defende que a criança possui duas situações de aprendizagem que denominou de zona real e zona proximal. A criança ao chegar à escola possuí conhecimentos adquiridos mediante suas experiências vividas com os outros, bem como características genéticas, isso tudo vem com o aluno (z. real). Na escola ela se depara com outro tipo de conhecimento, o conhecimento sistematizado, onde vai desenvolver de acordo com sua interação com o meio, novos conhecimentos, que ele denominou de zona proximal.
Nesta concepção interacionista do desenvolvimento, onde o aprendizado acontece, segundo Vigotski, conforme a interação do sujeito com o meio externo.
Uma questão pertinente vem à tona, como os neurônios de uma criança aprenderia, mesmo que gradualmente, recebendo apenas informações pelos órgãos sensoriais externos (visão, audição, tato, olfação, gustação) sem estar inserida em qualquer tipo de relações com outros seres humanos? Caso submetida ao contato, apenas com um aparelho capaz de produzir sons, imagens, odores, sensações de calor, frio ou algum tipo de toque na pele, aprenderia da mesma forma? Será que uma criança sendo ensinada por programas de computadores, por métodos adequados de alfabetização, leitura, raciocínio lógico, aprenderia de maneira reflexiva, ou este aprendizado se daria maquinalmente? Será que estes conteúdos teriam significados? Ou ela seria apenas um robô, cujos neurônios registraram as informações recebidas? Podemos imaginar esta criança, quem sabe, nos surpreendendo quando exposta ao convívio com serem humanos, processando relações, interagindo diante deste convívio. São perguntas que devemos fazer para entender a teoria de Vigotski com relação aos novos conhecimentos da Neurociência, que defende a inteligência humana de forma dinâmica, capaz de criar novas conexões e estabelecer relações entre novas informações e antigas memórias.
3. ESTIMULANDO OS NEURÔNIOS Sprenger, (2008), em seu livro "Como Ensinar para o Aluno Lembrar", escreve que pesquisadores da Neurociência cognitiva, descobriram alguns fatores que conduzem à aprendizagem: freqüência, intensidade, treinamento conectado, adaptabilidade, motivação e atenção. Com relação à freqüência, Sprenger, afirma que a repetição faz uma espécie de treinamentos aos neurônios, exemplifica que uma criança quanto mais ler, melhor será sua leitura, comparando a musculatura, quanto mais exercitada melhor disposição para exercícios físicos. Quanto à intensidade, comenta sobre o rigor aplicado a qualquer aprendizagem, os neurônios se afiam diante da prática intensa de estudos, ou como diz sempre o Professor Dr.
Romanelli, "neurônio que não é usado atrofia e morre".
Treinamento conectado refere-se à rede neuronal esta interligada e a aprendizagem será conectada a outras memórias. Com relação à adaptabilidade, Marille Sprenger , diz que o professor, deve monitorar os avanços dos alunos, ajustarem o ensino com a aprendizagem para atender suas necessidades. E finalmente a autora se refere à motivação e atenção, como um elemento ligado a freqüência e a intensidade, diz a consultora de desenvolvimento profissional Americana Sprenger, (2008), "é fundamental manter os alunos interessados, usar estratégias para despertar a motivação".
Estes caminhos que apresentam a autora acima citada percebem-se a capacidade dos neurônios de aprender através de exercícios, de técnicas direcionadas. Sabe-se que além de conhecimentos novos, somos capazes de estabelecer novas idéias, ou ampliar idéias já adquiridas sobre as coisas. Isto que nos torna humanos, diferentes de uma maquina de computador. Todas estas questões permeiam a aprendizagem humana de forma espetacular, somos seres pensantes, autores e transformadores de informações a cada minuto. Mas, poderemos realizar este feito apenas recebendo informações? Ou como sugere Vigostki, pode-se desenvolver a aprendizagem somente em contato com o outro? Emilia Ferreiro, uma psicopedagoga argentina, na década de oitenta, desenvolveu teorias sobre o aprendizado que foram muito valorosas para a educação. Emília foi orientada por Piaget em Genebra, na Suíça, onde fez seu doutorado e a influência de Piaget foi visível nos seus fundamentos. Bock(1999), afirma que embora o compromisso de Emília Ferreiro, tenha sido com as sociedades marginalizadas da América Latina, analisando o fracasso escolar ligado aos problemas sociais das classes marginalizadas, ela contribui para de desenvolver a compreensão da alfabetização como um processo particular, em que a criança aprende do seu modo, e não necessariamente como professor ensina que a compreensão do conteúdo ensinado é percebido pelo aluno de acordo com sua compreensão de mundo. Ela sugere que o professor entenda a criança com suas particularidades, em suas elaborações pessoais, escute suas falas. Esta educadora nos fez compreender que a criança não "erra", e sim entende do seu jeito. Assim o processo de alfabetização recebeu grande contribuição. Seu método continua sendo muito utilizado na maioria das escolas de ensino básico no Brasil.
Outro pesquisador muito conhecido, Daniel Goleman (1995), famoso psicólogo americano, com seu livro "Inteligência Emocional", escreve no prefácio para edição brasileira que a aprendizagem se efetivará melhor quando os professores souberem a importância do fator emocional. Afirmando que este livro era resultado de suas análises com relação aos altos índices de violência e um malestar social geral que observava nos Estados unidos da América.
Ao se referir aos professores afirma que:
Aos professores, sugiro que considerem também a possibilidade de ensinar às crianças o alfabeto emocional, aptidão básica do coração. Tal como hoje ocorre nos Estados Unidos, o ensino brasileiro poderá se beneficiar com a introdução no currículo escolar, de uma programação de aprendizagem que, além das disciplinas tradicionais, inclua ensinamentos para uma aptidão pessoal fundamental - a alfabetização emocional. (Goleman, 1995. P. 11) Goleman, (1995), ao desenvolver a importância da inteligência emocional para a aprendizagem, apresentou novo enfoque que a neurociência vem comprovando dia após dia, as emoções ligadas ao aprendizado. Quando relata neste livro sobre a evolução do cérebro, Daniel Goleman, fala dos milhões de anos que o cérebro humano levou para chegar ao estágio atual. O cérebro se desenvolver das partes inferiores para as superiores, lembrando uma lei universal do mais simples ao mais complexo. Sobre a fisiologia cerebral vamos embasar mais adiante.
Não é o objetivo deste trabalho, elencar todos os nomes que desenvolveram pesquisas sobre a aprendizagem, apenas nos deter em alguns que consideramos ter melhores relações com nossos propósitos de desenvolver idéias sobre os principais pontos do processo da aprendizagem.
Incluir nas grades curriculares dos cursos de formação de docentes alguns conhecimentos sobre o sistema cerebral facilitará, sem sombra de dúvida os futuros professores a compreenderem melhor os caminhos para o bom desempenho de suas funções educativas.
4. CONSIDERAÇOES FINAIS Incluir nas grades curriculares dos cursos de formação de docentes alguns conhecimentos sobre o sistema cerebral facilitará, sem sombra de dúvida os futuros professores a compreenderem melhor os caminhos para o bom desempenho de suas funções educativas.
Sabe-se que ainda há um longo trecho a ser percorrido até que a Educação básica atinja metas satisfatórias no Brasil, a burocracia e os ranços criaram raízes fortes e o ensino básico estabeleceu-se de forma praticamente determinante. Em uma pesquisa que realizei, participando de um curso de aperfeiçoamento para Pedagogos da rede municipal (1), cujo tema foi exatamente observar a participação dos docentes diante uma proposta de estudos continuados, descobri que há uma espécie de resistência quanto às novas propostas de estudos e mais ainda com relação à pesquisa. Devo admitir que os professores já graduados estão acomodados.
Partindo deste ponto de vista, propor mudanças no currículo dos cursos que formarão novos professores deverá proporcionar gradualmente as mudanças que são tão necessárias quanto desafiadoras ao processo ensino/aprendizagem do ensino básico.
Diante os resultados das últimas avaliações do ensino básico, tias como SAEB, ENEM, acredita-se que a educação precisa de reformulações. A questão não deve estar apenas no âmbito das políticas sociais, mas esta nestes resultados, todo o processo, incluindo o currículo de formação de docentes. Temas atuais precisam estar presentes na vida do professor, como as novas tecnologias que fazem parte da vida do educando, como o próprio educando que é uma máquina complexa, mais avançada que um super computador com alta capacidade de armazenagem de informação.
A criança da atualidade esta inserida no meio social da era tecnológica, ela convive com novos hábitos, como o uso de novos aparelhos eletrônicos e a internet, que a torna um agente interativo em tempo real com todo o resto do mundo.
Independente de classe social, o aluno esta imerso neste novo contexto, vem para sala de aula habituado a realizar muitas tarefas ao mesmo tempo e rapidamente. O aluno acessa milhares de canais de informações por minuto quando esta na frente de um computador, seu cérebro esta sendo estimulado em todos os momentos pelo uso de celulares, jogos eletrônicos de ultima geração que apresentam desafios espetaculares e ainda mais que isso, ele cria seu mundo através de sites pessoais na internet e se comunica com quem desejar o tempo que puder. Assiste a filmes e televisão. Não há mais censura nem limites. É comprovado que este aluno surge como elemento novo, habituado a fazer a estimular seus neurônios com tantas ações ao mesmo tempo. Utiliza muito mais suas capacidades que alunos da década passada.
A conseqüência deste novo comportamento é um novo professor. Se o aluno muda e o professor não, certamente haverá um grande problema no processo ensino/aprendizagem. Se a sociedade esta se transformando, se adaptando a tantas mudanças e a escola permanece com idéias do século dezenove, haverá um colapso onde a educação sairá grande perdedora.
REFERÊNCIAS BOCK. A. M. B. FURTADO. O; TEIXEIRA. M.L.T. Psicologias- Uma Introdução ao Estudo de Psicologia.
Ed. 13ª. Saraiva. São Paulo, 1999.
FUENTES, D. [et al}. Neuropsicologia- Teoria e Prática. Porto Alegre: Artmed, 2008.
GOLEMAN, D. Inteligência Emocional - Teoria Revolucionária que Redefine O Que É o Ser. Objetiva.
Rios de Janeiro, 1995.
GOULART, I.B. Piaget - Experiências básicas para utilização pelo professor. Vozes Ltda. Petrópolis, 1983.
LENT R. {ET al}. Neurociência da Mente e do Comportamento. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.
2008.
LENT R. Cem milhões de Neurônios - Conceitos Fundamentais de Neurociência. São Paulo: Atheneu, 2005.
SPRENGER, M. Memória - Como ensinar para o aluno lembrar. Artimed. Porto Alegre, 2005.
Sites Internet (1). http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rcp01_06.pdf - 08.08.2010 (2) http://veja.abril.com.br/180209/p_128.shtml - 06.01.2011 (3). http://veja.abril.com.br/livros_mais_vendidos/trechos/O%20INSTINTO%20MATEMATICO_OK.pdf?v=K57fOU_GhsA -
06.01.2011
 
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