A importância da família no processo de aprendizagem da criança.
 
A importância da família no processo de aprendizagem da criança.
 


A IMPORTÂNCIA DA FAMILIA NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM DA CRIANÇA

Jaqueline Maria Pereira Fulgencio
Estudante, CUMSB, Rio de Janeiro, [email protected]

Priscila de Souza Nascimento
Estudante, CUMSB, Rio de Janeiro, [email protected]

Lúcia Baroni Martinazzo
Orientadora, CUMSB, Rio de Janeiro, [email protected]

RESUMO

Este artigo tem como objetivo contribuir para o processo ensino-aprendizagem abordando sobre a importância da integração da família na aprendizagem da criança, pois a relação família-escola é de extrema importância na construção da identidade, da autonomia, responsabilidade, conhecimento e exercício de cidadania para o sucesso no desenvolvimento intelectual, moral e na formação do indivíduo como um todo.
A partir do momento em que acontece o acompanhamento desta integração durante o processo educacional, percebe-se a aquisição de segurança por parte dos filhos que se sentem duplamente amparados, ora pelo professor, ora pelos pais, o que irá intervir positivamente nos resultados do processo ensino-aprendizagem.
Devemos sempre enfatizar a importância da instituição escola em aumentar seu envolvimento com a comunidade onde está inserida, pois com a participação das famílias nas escolas, é possível conhecer melhor a necessidade de cada sujeito, e inovando sempre as práticas pedagógicas voltadas para o comprometimento mútuo para o desenvolvimento de metas e do aprendizado. Tudo isto, precisa ser realizado em regime de parceria, que favoreça a troca de saberes para que a mudança seja contínua, tendo como objetivo uma melhor socialização, o respeito mútuo e confiança , preparando um cidadão para a sociedade, para o mercado de trabalho, garantindo-lhes a ascensão profissional, a autonomia, a liberdade de expressão, com uma prática educativa crítica, dialógica e libertadora.

Palavras-Chaves: FAMÍLIA, ESCOLA, CRIANÇA, ENSINO APRENDIZAGEM.

Introdução

“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.” (FREIRE, 1987, p. 68).

A família é o primeiro grupo social que possibilita o desenvolvimento de uma criança, pois é no meio familiar que o indivíduo encontra afeto, carinho, aprende sobre princípios, valores, respeito, cultura e ética. É primordial que os membros da família saibam preparar seus filhos para a educação formal, escolar. É advinda dos pais a responsabilidade pela educação dos filhos, por isso é demasiadamente importante a integração da família no ambiente escolar.
A instituição escolar é o segundo grupo social onde é oferecido todos os conceitos educacionais, culturais e formativos. No ambiente escolar ensina-se também valores que são indispensáveis na vida das crianças, jovens ou adultos, preparando assim todos os estudantes para que no futuro possam se tornar cidadãos aptos para exercer seu papel na sociedade.
Na escola, toda a equipe Pedagógica enfatiza e prioriza uma educação preparando todo o corpo discente para uma melhor qualificação do ensino e do aprendizado. Um ambiente escolar transformador é aquele em que o individuo está sujeito a oportunidades de aprendizagem o tempo todo e a todo o tempo.
Este ambiente escolar deve ser planejado, organizado e preparado para que ocorram todas as práticas educativas.
É de extrema importância a participação e colaboração da família no ambiente escolar, pois quando ocorre essa integração o professor participa efetivamente da vida do educando, conhecendo e percebendo melhor todas as qualidades e as dificuldades específicas do mesmo, facilitando assim que o educador elabore aulas mais significativas, que avalie de forma ampla sua práxis pedagógica, possibilitando a promoção e o desenvolvimento no processo ensino-aprendizagem.
Ressalta-se neste artigo a importância de refletir o quanto a educação e os costumes transmitidos pela família, que influenciam, não apenas no aprendizado, mas também na conduta e no comportamento apresentado pelo indivíduo em qualquer local, independente da presença familiar.
Na escola não é diferente. Também nela, o aluno apresenta ou não os costumes e hábitos aprendidos e vivenciados no ambiente familiar.
O acompanhamento e a relação desenvolvida em família são indispensáveis para que o aluno se insira no ambiente escolar sem maiores problemas.
Para Tiba (1996, p.178) “É dentro de casa, na socialização familiar, que um filho adquire, aprende e absorve a disciplina para, num futuro próximo, ter saúde social...”.
Os resultados que se esperam alcançar da parceria família/escola é a integração, é uma parceria de verdade, pois unindo a instituição escola com a instituição família e todos os aspectos que envolvam a situação do aprender; como o amor, o respeito ao próximo, a colaboração e a troca, possibilita-se verdadeiramente uma educação de qualidade viabilizando de maneira extremamente positiva o desenvolvimento do sujeito quanto ao processo de ensino aprendizagem, melhorando de maneira qualitativa e significativa sua situação escolar, quanto sua auto-estima, integração social e familiar.

METODOLOGIA

Este trabalho acadêmico cuja pesquisa tem como área de conhecimento as ciências Humanas, focando a importância da relação família/escola, e terá como metodologia todo um aporte teórico para a compreensão da temática escolhida cujo os autores serão descritos na referência bibliográfica. Os autores têm como guia de estudo a família, que é imprescindível na orientação da construção da identidade de um indivíduo e que deve promover junto com a escola uma parceria em prol de uma educação de qualidade, a fim, de contribuir positivamente no desenvolvimento integral da criança.
Para a elaboração deste trabalho foram utilizados livros, revistas e artigos como fontes primárias, além de pesquisas em bibliotecas e internet. Inicialmente será realizada uma leitura adequada para a coleta de dados, depois se os mesmos estiverem incompletos, será realizada mais uma avaliação de pesquisas bibliográficas para que assim se possam obter resultados mais eficazes.

DESENVOLVIMENTO

O PAPEL DA FAMÍLIA NA FORMAÇÃO DO SUJEITO

A família representa um grupo social primário que influencia e é influenciado por outras pessoas e instituições. É um grupo de pessoas, ou um número de grupos domésticos ligados por descendência (demonstrada ou estipulada) a partir de um ancestral comum, matrimônio ou adoção. Nesse sentido o termo confunde-se com clã. Dentro de uma família existe sempre algum grau de parentesco. De acordo com MINUCHIN” (1990).

“Membros de uma família costumam compartilhar do mesmo sobrenome, herdado dos ascendentes diretos. A família é unida por múltiplos laços capazes de manter os membros moralmente, materialmente e reciprocamente durante uma vida e durante as gerações”.

As primeiras aprendizagens do sujeito iniciam-se em seu nascimento, quando a criança começa a diferenciar-se da mãe e a perceber a presença de outras pessoas. A aprendizagem de uma criança está relacionada diretamente aos aspectos afetivos, na interação com o meio na qual ele está inserido e na relação com outros sujeitos, assim ela vai aprendendo a criar vínculos primeiramente com sua família e posteriormente com o mundo.
O sujeito começa a aprender imitando os gestos, a linguagem e as ações do adulto, primeiro na presença dele e depois na sua ausência, como por exemplo, brincando de casinha; amamentando o irmãozinho, brigando com seus brinquedos, dizendo que vai pro trabalho etc. dando início assim a um processo de aprendizagem, porém, na medida em que vai adquirindo e vivenciando outras experiências, a criança passa a reelaborar toda essa vivência transformando-a em conhecimento e, este círculo de aprendizagens possibilitam a promoção de seu desenvolvimento cognitivo, afetivo e social. Segundo Vygotsky (1984)

“é o que apresenta maior contribuição no entendimento do complexo processo de aprendizagem humana. Ele propõe o interacionismo, que é baseado em uma visão de desenvolvimento apoiada na concepção de um organismo ativo, onde o pensamento é construído gradativamente em um ambiente histórico e, em essência, social. A interação social possui um papel fundamental no desenvolvimento cognitivo e toda função no desenvolvimento cultural de um sujeito aparece primeiro no nível social, entre pessoas, e depois no nível individual, dentro dele próprio”.

A família é uma instituição de suma importância para o desenvolvimento e formação do sujeito, conforme descrito na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional- LDB (Lei 9.394/96) afirma:

"A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. (LDB/1996. art. 2º).

A idéia de princípios, valores, respeito, formação de caráter, de ética, de educar e preparar para os desafios da vida deve vir de casa é da família. Essa é a célula-mãe da sociedade, é a partir desta importante instituição que acontece o amparo das pessoas queridas e o desenvolvimento saudável desse novo ser que veio ao mundo. E é advinda deste cuidado e amparo que a criança ganha confiança sentindo-se assim valorizada, assistida e segura.

Os pais têm um papel muito importante nos primeiros anos de vida dos filhos. O aprendizado e o desenvolvimento começam bem antes da educação formal. A educação formal é um complemento que deve fazer parte da formação do indivíduo O papel da família também inclui ter uma atenção especial com a educação das crianças, e se interessar pelo desempenho do filho na escola bem como com a forma com que se relaciona com as pessoas de seu convívio é uma tarefa importante e tem que ser desempenhada pelos pais.

A IMPORTÂNCIA DA INTEGRAÇÃO DA FAMÍLIA NA APRENDIZAGEM DA CRIANÇA

“A aprendizagem do sujeito acontece todo o tempo e o tempo todo, segundo Visca (1999).” a criança dá um novo passo no esquema evolutivo da aprendizagem e começa a fazer aprendizagens ligadas às diferentes visões do mundo e aos valores éticos, sociais e culturais.”
E essa aprendizagem dá-se continuidade na instituição escola, onde o sujeito interliga toda sua bagagem cultural de aprendizagem adquirida, vivenciada e mediada do seu meio e complementa-as, transformando-as em conhecimento.
Qualquer projeto educacional depende da participação familiar; em alguns momentos do incentivo, em outros uma participação efetiva no aprendizado como pesquisar, debater, orientar e valorizar a preocupação que o filho traz da escola.
A família deve acompanhar de perto o que acontece na sala de aula, é imprescindível essa integração e interesse da família junto à escola do seu filho. O sucesso ou insucesso no processo de ensino aprendizagem depende efetivamente da integração da família, ela desempenha um papel decisivo na condução e evolução do sujeito.
É preciso que os pais se impliquem nos processos educativos dos filhos no sentido de motivá-los afetivamente ao aprendizado. O aprendizado formal ou a educação escolar, para ser bem-sucedida não depende apenas de uma boa escola ou de bons educadores, mas, principalmente, de como a criança é tratada em casa e dos estímulos que recebe para aprender.
É fundamental entender também que o aprender é um processo contínuo e não cessa quando a criança está em casa. Quando a família passa a perceber sua devida importância nesse processo ela possibilita a promoção da verdadeira educação significativa do sujeito enquanto cidadão livre, autônomo e pensante. Conforme Rogers (1988),

“o aluno aprende, não simplesmente por ser exposta a toda forma de conhecimento, mas quando este entende que os fatos aprendidos são considerados relevantes para o seu crescimento como pessoa, ou seja, somente quando os seus pensamentos, sentimentos e comportamentos se modificam profundamente em conseqüência do que aprendeu, Rogers denominou como aprendizagem significativa.”

É na família onde deve ser entendida como aquele lugar onde as pessoas buscam seu bem-estar, mesmo que a situação encontrada não seja aquela imposta pela sociedade. Deve ser pensada em conjunto, podendo sempre estar se modificando, isto porque, o mundo e as idéias encontram-se sempre em transformação e, para que haja mudança, é essencial que se compreenda como cada membro pensa e vive. Não existe um "modelo pronto" do que "deve" ou "não deve" ser feito, pois, além de ser ineficiente, faz com que a família sinta-se incapaz de encontrar soluções para seus problemas.
Contudo, todas essas mudanças também atingiram a escola e, dessa forma, começaram a surgir certos desencontros na relação família-escola. Se antes havia por parte da escola apenas o compromisso de passar conteúdos, agora ela passou a ser exigida e convocada a se preocupar com atitudes, valores, sentimentos, que também são ensinados.
O acompanhamento familiar possibilita uma verdadeira aprendizagem na vida dos educandos.
Tiba (2002,p.181), afirma que:
“se os pais acompanharem o rendimento escolar do filho desde o começo do ano, poderão identificar precocemente essas tendências e, com o apoio dos professores, reativarem seu interesse por determinada disciplina em que vai mal”.

E com certeza se houver de verdade essa parceria entre pais e escola, possivelmente, ocorreria o alcance de bons resultados em relação ao aluno.
De acordo com Cervera (2005. WEB): “A responsabilidade dos estudos recai sobre os pais, os professores e sobre o filho-aluno. É uma responsabilidade partilhada...”

E toda a discussão do que deve ser feita, depende de todos os membros da escola já que são todos educadores e, portanto, precisam participar das decisões que serão tomadas para que, realmente, ocorra a integração escola-comunidade, visando sempre estabelecer uma relação de confiança e respeito mútuo entre a equipe escolar e as famílias. Ao agir dessa forma, ambas, estarão desempenhando um papel que têm em comum: preparar crianças e jovens para inseri-los na sociedade e desempenhar funções que dêem continuidade à vida social, visando à formação do cidadão.

CONCLUSÃO

Conclui-se a tamanha importância da integração da família, pois esta instituição é essencial para o desenvolvimento do indivíduo, independente mente de sua formação. É no meio familiar que o indivíduo tem seus primeiros contatos com o mundo externo, com a linguagem, com a aprendizagem e aprende os primeiros valores e hábitos. Tal convivência é fundamental para que a criança se insira no meio escolar sem problemas de relacionamento disciplinar, entre ele e os outros.
Ao se falar em integração família/escola, muitos fatores merecem ser levados em consideração. È importante perceber que as ações da família são, na maioria das vezes, muito diferente das ações da escola, Percebe-se, hoje, que a escola assume funções reservadas à instituição familiar, não conseguindo suportar tantas atribuições. Em virtude disso há a necessidade da parceria entre família e escola, ou seja, que a família atuante no processo de aprendizagem da criança.
Neste relacionamento a troca de informações pode possibilitar a descoberta de significados comuns. Com a devida orientação, a família pode encontrar saídas para seus problemas, de forma a possibilitar que suas crianças e adolescentes desfrutem dos seus direitos de liberdade, respeito e dignidade, inclusive garantidos por lei. Contudo, “não pode deixar de ser dito que sentimentos são ingredientes na construção de nosso modo de ver o mundo”. SZYMANSKI ( 2003, p.36).
Um passo importante para a construção de uma aprendizagem significativa e integral é, sem nenhuma dúvida, a identificação da instituição família como uma instituição educadora, que caminhando de mãos dadas com a instituição escola, terá sempre o que transmitir e o que aprender. Sendo assim, é preciso que professores, família e comunidade tenham claro que a escola precisa contar com o envolvimento e participação ativa de todos no processo de aprendizagem da criança.
A Família e a escola precisam criar, através da educação, uma força para superar as suas dificuldades, construindo uma identidade própria e coletiva, atuando juntas como agentes facilitadores do desenvolvimento pleno do educando e que todos se sintam envolvidos no processo e queiram junto com o professor alcançar o objetivo maior que é o compromisso com a educação, uma educação de qualidade e para todos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CERVERA, José Manuel; ALCÁZAR, José Antônio Os pais perante o rendimento escolar. Disponível em: . Acesso em: 05/06/2010.

Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional- LDB ((Lei 9.394/96)

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. São Paulo, Paz e Terra, 1987.

MINUCHIN, Salvador – Famílias: Funcionamento & Tratamento. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990. p. 25-69.

ROGERS, Carl. In: Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

SZYMANSKI, H. A relação escola/família: desafios e perspectivas. 2ª Ed.Brasília, DF, liber Editora, 2010.

TIBA, Içami. Disciplina, limite na medida certa. São Paulo: Gente, 1996.

VISCA, Jorge. Clínica psicopedagógica.epistemologia convergente.porto alegre,artes médicas, 1987.

VYGOTSKY L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984.

www.wikipedia.org/wiki/Família. acesso em 24/04/2010

 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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Sobre este autor(a)
Meu nome é Priscila Souza, sou Pedagoga formada pelo Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos e Pós graduada em Psicopedagogia Institucional e Clinica pela Faculdade São Judas Tadeu. Atuei como Gestora Adjunta de um Centro Municipal de Educação Infantil no Município de Seropédica, e atualmente est...
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