UNINDO VOZES: Preservação e Valorização da Cultura e
Artesanato Atikum em Mirandiba, Pernambuco.
UNINDO VOZES: Preserving and Valuing Atikum Culture and Crafts in Mirandiba, Pernanbuco.
UNINDO VOZES: Preservación y Valorización de la Cultura y Artesanía Atikum en Mirandiba,
Pernanbuco.
SILVA, Roksandra Luiza da
Graduanda do Curso de Arquitetura e Urbanismo no Centro Universitário Paraíso
[email protected]
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RESUMO
A comunidade indígena Atikum, originária de Mirandiba, Pernambuco, enfrenta desafios decorrentes da
colonização e desestruturação de suas tradições. A preservação de sua cultura é fundamental para a
identidade e autonomia dessa comunidade, especialmente os "desaldeados". Este trabalho tem como
objetivo geral compreender a importância da preservação, valorização e revitalização da cultura, artesanato
e modos de vida dos indígenas "desaldeados" Atikum de Mirandiba, Pernambuco. Já os objetivos Específicos
deve analisar o histórico dos indígenas "desaldeados" Atikum de Mirandiba, Pernambuco, identificar
elementos culturais e a para preservação na comunidade indígenas "desaldeados" Atikum de Mirandiba,
Pernambuco e avaliar as dificuldades da comunidade Atikum, focando na necessidade de espaços
apropriados. Onde por meio de uma revisão de literatura, foi possível concluir que a preservação da cultura
Atikum envolve o incentivo ao artesanato tradicional, danças, músicas, mitos, práticas religiosas e a
valorização do território ancestral. Espaços culturais adequados são essenciais para manter e transmitir essas
tradições. Recomenda-se a criação de tais espaços, bem como o apoio a programas educacionais e a
valorização da cultura indígena, para fortalecer a identidade e a autonomia da comunidade Atikum. O
envolvimento ativo da comunidade, organizações indígenas e governo é crucial para alcançar esses objetivos
e promover uma sociedade mais inclusiva e consciente das diversidades étnicas e culturais.
Palavras-chave: Indígenas "desaldeados" Atikum. Cultura. Mirandiba. Pernambuco.
ABSTRACT
The Atikum indigenous community, originally from Mirandiba, Pernambuco, faces challenges arising from
colonization and the dismantling of their traditions. The preservation of their culture is fundamental to the
identity and autonomy of this community, especially the "desaldeados". The general objective of this work is
to understand the importance of preserving, valuing and revitalizing the culture, crafts and ways of life of the
"desaldeados" Atikum indigenous people of Mirandiba, Pernambuco. The specific objectives are to analyze
the history of the Atikum indigenous "desaldeados" of Mirandiba, Pernambuco, to identify cultural elements
and their preservation in the Atikum indigenous "desaldeados" community of Mirandiba, Pernambuco and to
assess the difficulties of the Atikum community, focusing on the need for appropriate spaces. Through a
literature review, it was possible to conclude that preserving Atikum culture involves encouraging traditional
crafts, dances, music, myths, religious practices and valuing ancestral territory. Adequate cultural spaces are
essential for maintaining and passing on these traditions. The creation of such spaces, as well as support for
educational programs and the appreciation of indigenous culture, is recommended to strengthen the identity
and autonomy of the Atikum community. The active involvement of the community, indigenous organizations
and the government is crucial to achieving these goals and promoting a more inclusive society that is aware
of ethnic and cultural diversity.
Keywords: Displaced Atikum Indians. Culture. Mirandiba. Pernambuco.
RESUMEN
La comunidad indígena atikum, originaria de Mirandiba (Pernambuco), se enfrenta a retos derivados de la
colonización y el desmantelamiento de sus tradiciones. La preservación de su cultura es fundamental para la
identidad y autonomía de esta comunidad, especialmente de los "desaldeados". El objetivo general de este
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trabajo es comprender la importancia de preservar, valorar y revitalizar la cultura, la artesanía y las formas
de vida de los "desaldeados", pueblo indígena Atikum de Mirandiba, Pernambuco. Los objetivos específicos
son analizar la historia de los "desaldeados" indígenas Atikum de Mirandiba, Pernambuco, identificar los
elementos culturales y su preservación en la comunidad de los "desaldeados" indígenas Atikum de Mirandiba,
Pernambuco y evaluar las dificultades de la comunidad Atikum, centrándose en la necesidad de espacios
adecuados. A través de una revisión bibliográfica, se pudo concluir que la preservación de la cultura atikum
pasa por el fomento de la artesanía tradicional, las danzas, la música, los mitos, las prácticas religiosas y la
valoración del territorio ancestral. Los espacios culturales adecuados son esenciales para mantener y
transmitir estas tradiciones. Se recomienda la creación de estos espacios, así como el apoyo a programas
educativos y de revalorización de la cultura indígena, para fortalecer la identidad y autonomía de la
comunidad Atikum. La participación activa de la comunidad, las organizaciones indígenas y el gobierno es
crucial para alcanzar estos objetivos y promover una sociedad más inclusiva y consciente de la diversidad
étnica y cultural.
Palabras clave: Indígenas atikum desplazados. Cultura. Mirandiba. Pernambuco.
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UNINDO VOZES: Preservação e Valorização da Cultura e Artesanato
Atikum em Mirandiba, Pernambuco.
1. Introdução
Os Atikum, comunidade indígena originária do Brasil, explicitamente da localidade de Mirandiba, em
Pernambuco, enfrentam dificuldades críticas que influenciam seu estilo de vida tradicional. Esses indígenas,
frequentemente aludidos como “desaldeados”, vivenciam uma realidade complicada e diversa, onde os
efeitos da colonização, a deficiência de domínio e a desestruturação de suas comunidades tradicionais
desempenham papéis fundamentais.
O contexto histórico do Atikum é marcado por centenas de anos de contato com os colonizadores, que
provocaram a tomada de terras, a crueldade e a perda de independência sobre os seus próprios territórios e
modos de vida. Os Atikum têm lutado para proteger as suas práticas, e cultura no meio das tensões da
modernização e da reconciliação forçada na sociedade padrão.
A preservação e o avanço da cultura Atikum são essenciais para a identidade e a união da comunidade.
Iniciativas que potenciem a revitalização de práticas culturais e obras de arte são fundamentais para
acompanhar a riqueza e a diversidade desta extraordinária cultura
A valorização e preservação dos atos culturais e artesanais dos indígenas “desaldeados” Atikum de
Mirandiba, Pernambuco, são fundamentais para promover a identidade e a independência dessas
comunidades. Espaços comprometidos com a articulação cultural e de qualidade assumem um papel
essencial no acompanhamento dos costumes e na transmissão do legado cultural de uma geração para outra
Os espaços dedicados à cultura e artesanato também constituem portas abertas para o desenvolvimento
sustentável das comunidades. Ao potencializar o turismo cultural e a oferta de trabalhos artesanais, esses
espaços agregam à economia local, posicionando e gerando remuneração. Este ciclo ético promove a
independência econômica e desenvolve modos de vida para o "desaldeado" Atikum.
A falta de um espaço físico adequado prejudica a comunidade indígena, onde a associação AIAUM -
Associação dos Indígenas Atikum uma Que Residem em Mirandiba, já existente, tem dificuldades em se
reunir. Tal espaço se faz necessário para a associação poder desenvolver reuniões, discutir políticas
indígenas, exercer a cultura tradicional, como, por exemplo, o toré (Dança tradicional dos povos originários),
promover oficinas de ensino do artesanato indígena e incentivar a comercialização, como também o cultivo
de hortas, atendimento voluntário de saúde indígena e encontros em geral
1.1. Problemática
Este trabalho tem como problemática: Qual é a importância de compreender a preservação, valorização e
revitalização da cultura, artesanato e modos de vida dos indígenas "desaldeados" Atikum de Mirandiba,
Pernambuco?
Compreender a preservação, valorização e revitalização da cultura, artesanato e modos de vida dos indígenas
"desaldeados" Atikum de Mirandiba, Pernambuco é de suma importância para garantir a preservação da
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identidade cultural e histórica desse grupo étnico. A valorização do artesanato e dos modos de vida indígenas
não apenas preserva tradições ancestrais, mas também promove a autonomia econômica dessas
comunidades, contribuindo para o fortalecimento socioeconômico e a promoção da igualdade.
Além disso, ao entender e respeitar a cultura dos Atikum, estamos fomentando um diálogo intercultural que
é essencial para a construção de uma sociedade mais plural, inclusiva e consciente das diversidades étnicas
e culturais presentes no país.
Figura 1 - Indígenas "desaldeados" Atikum de Mirandiba
Fonte: A autora, 2023
1.2 Objetivos
1.2.1 Objetivo Geral
Compreender a importância da preservação, valorização e revitalização da cultura, artesanato e modos de
vida dos indígenas "desaldeados" Atikum de Mirandiba, Pernambuco.
1.2.2 Objetivos Específicos
• Analisar o histórico dos indígenas "desaldeados" Atikum de Mirandiba, Pernambuco.
• Identificar elementos culturais e a para preservação na comunidade indígenas "desaldeados" Atikum de
Mirandiba, Pernambuco.
• Avaliar as dificuldades da comunidade Atikum, focando na necessidade de espaços apropriados.
1.3 Metodologia
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Nesta pesquisa, a metodologia utilizada será uma revisão de literatura com base em um método de revisão
bibliográfica qualitativa básica. O processo será realizado por meio de uma pesquisa bibliográfica, utilizando
livros de diversos autores como fonte de informação. Além disso, deve ser realizado um levantamento de
informações específicas sobre o tema nos últimos 10 anos. Essa abordagem visa fornecer uma visão
abrangente e atualizada do assunto, com base em evidências e conhecimentos existentes na literatura.
2. Fundamentação Teórica
Os Atikum são um grupo étnico indígena do Brasil, que estão localizados principalmente no sertão
pernambucano. Esse povo conta atualmente com uma população de aproximadamente 5.660 indígenas
(IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2023). A base de economia do povo atikum vem da
agricultura, com o plantio principalmente da mandioca, feijão, fava, milho e algodão, que fazem uma bela
paisagem para quem avista a Serra do Umã (sede do posto atikum).
Os povos indígenas Atikum, estão distribuídos nas cidades de Belém do São Francisco (PE), Salgueiro (PE),
Mirandiba (PE) e Carnaubeira da Penha (PE), nesta última a população indígena ultrapassa a marca de 85%
da ocupação territorial de todo o município (IBGE, 2023). Já em Mirandiba a proporção de indígenas da etnia
Atikum na cidade é de aproximadamente 32%, cerca de 4.538 indígenas (IBGE, 2023). Essa migração para a
cidade se deu por vários fatores, mas principalmente pela busca por melhores condições de vida.
Conforme mostrado na figura 02 os povos Atikum residentes em Mirandiba – PE, considerados indígenas
desaldeados, buscam pelo direito a uma sede, espaço físico para a associação AIAUM (Associação Indígena
Atikum Umã de Mirandiba), onde possam promover encontros, reuniões e desenvolver a cultura do seu povo
originário. Para que a cultura e os costumes se mantenham vivos para as próximas gerações, mesmo que
fora da aldeia. Dito isso, o intuito deste trabalho é sanar essa problemática com a construção da importância
de um espaço como esse para a comunidade na associação AIAUM
Figura 2- Vivência dos indígenas "desaldeados" Atikum de Mirandiba
Fonte: A autora, 2023
O termo "desaldeados" refere-se a grupos indígenas que foram desalojados ou removidos de suas terras
tradicionais, muitas vezes devido a pressões externas, como colonização ou interesses econômicos. A
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situação dos "desaldeados" Atikum de Mirandiba, Pernambuco, pode ser analisada à luz de várias
abordagens teóricas relacionadas às questões indígenas, deslocamentos forçados e resistência.
O autor Nogueira (2013) argumenta que o deslocamento forçado de comunidades indígenas de suas terras
tradicionais é uma estratégia frequentemente utilizada por forças coloniais e capitalistas como parte do
processo de despossessão. Isso significa que, ao remover os indígenas de suas terras, essas forças visam
privá-los de seus recursos e modos de vida tradicionais, muitas vezes em benefício próprio.
Nesse contexto, a discussão sobre a importância da territorialidade e da relação entre os indígenas e suas
terras tradicionais torna-se crucial. A territorialidade refere-se à conexão profunda entre um grupo indígena
e sua terra, que não é apenas um espaço físico, mas também um componente essencial de sua identidade
cultural e subsistência. Quando os indígenas são desalojados de suas terras, sua identidade e modos de vida
tradicionais são ameaçados.
Assim, as abordagens teóricas que enfatizam a territorialidade e os impactos do deslocamento forçado
podem ajudar a compreender a situação dos "desaldeados" Atikum de Mirandiba, destacando os desafios
que enfrentam para manter sua identidade cultural e resistir às pressões externas que buscam despossuí-los
de suas terras tradicionais. Essas teorias podem também ajudar a analisar como esses grupos indígenas
buscam preservar suas tradições e identidades em meio a essas adversidades.
O "desaldeamento" dos Atikum e de outros grupos indígenas também pode ser examinado em relação às
políticas públicas que afetam essas populações. Políticas governamentais desempenham um papel
significativo no processo de deslocamento forçado e na proteção dos direitos indígenas (PAGANO, 2020)
Essa discussão destaca como as políticas públicas podem tanto contribuir para a proteção dos direitos e da
identidade indígena quanto para a sua desestruturação, dependendo de como são implementadas e
aplicadas. Os integrantes da "Comunidade Indígena de Atikum-Umã" preferem se autodenominar como
índios de Atikum-Umã, em honra a uma linhagem ancestral. Acredita-se que Umã, considerado o "índio mais
idoso," seja o progenitor de Atikum. A descendência desta linhagem floresceu na aldeia Olho d'Água do Padre
(anteriormente conhecida como Olho d'Água da Gameleira). Porém, há uma versão alternativa que sugere
que o nome Atikum tenha surgido durante um ritual de toré (MENDONÇA, 2003)
Na década de 1940, o termo "Atikum" foi oficialmente registrado pela primeira vez, quando o Serviço de
Proteção aos Índios (SPI) reconheceu uma comunidade indígena com esse nome. A origem desse termo está
relacionada a uma possível interação com um grupo chamado "Aticum" ou "Araticum," que se integrou aos
"Umans" na Serra do Umã. Registros mais antigos, do final do século passado, também mencionam
"Araticum" como um pequeno local no município de Floresta. Além disso, em 1968, Cestmir Loukotka, em
sua obra "Classification of South American Indian Languages," identificou "Aticum" ou "Araticum" como a
língua extinta de uma tribo que, naquela época, já havia adotado predominantemente o português em
Pernambuco, próximo a Carnaubeira. (MENDONÇA, 2003)
A expressão "índios da Serra do Arapuá" usada neste estudo não busca criar uma nova nomenclatura para o
grupo estudado, mas reflete uma escolha consciente de caráter político e teórico. Em primeiro lugar,
reconhece a identidade indígena autoatribuída pelo grupo estudado. Em segundo lugar, delimita o território
da Serra do Arapuá, que é tanto um espaço físico quanto simbólico de ocupação tradicional e representação
identitária do grupo. Por último, essa expressão, apesar de aparentemente genérica, não menciona um
etnônimo específico, pois isso faz parte de um processo dinâmico que envolve uma relação complexa, às
vezes harmoniosa, às vezes conflituosa, com os Atikum-Umã e a sociedade circundante (MENDONÇA,2003).
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A identidade étnica dos indígenas no Nordeste é frequentemente objeto de questionamento pela sociedade
ao redor devido à sua não conformidade com os estereótipos tradicionais sobre os indígenas como figuras
exóticas. Isso ocorre porque muitas vezes há uma expectativa de que os povos indígenas preservem uma
cultura que permanece inalterada no tempo. No entanto, a cultura original de um grupo étnico,
especialmente em situações de diáspora ou de contato intensivo com outras culturas, não desaparece nem
se mistura completamente. Pelo contrário, ela assume novas funções, coexistindo com outras culturas e se
tornando uma cultura de contraste. Esse novo princípio de contraste dá origem a diversos processos nos
quais a cultura se torna mais evidente, mas ao mesmo tempo pode se simplificar e se tornar mais rígida,
concentrando-se em um conjunto menor de traços culturais distintivos (MENDONÇA,2003).
Embora essas questões se concentrem principalmente nos povos indígenas do Nordeste, a falta de
conhecimento, juntamente com o racismo direcionado a esses grupos, resulta na desvalorização da
identidade indígena em outras regiões também. Isso ocorre porque, conforme explicado por Carneiro da
Pagano (2020), a ideia de legitimidade pressupõe que, em uma sociedade dividida em classes, as ideias que
legitimam tendem a favorecer interesses de classe. Isso pode explicar por que surgem culturas de resistência
que destacam as diferenças culturais como uma forma de protesto.
Figura 3 - Território Indígena Atikum
Fonte: BORGES; RIGONATO, 2021
Na Terra Indígena Atikum, encontram-se vinte comunidades, que os próprios indígenas costumam chamar
de "sítios". De acordo com o "Memorial descritivo de delimitação (AI Atikum)" da FUNAI, em 1989, a
população naquela época totalizava cerca de 3.582 indivíduos. Essa região está situada na área da serra das
Crioulas e Umã, nos limites do atual município de Carnaubeira da Penha, no sertão de Pernambuco. É
relevante mencionar que os próprios indígenas consideram a Serra do Umã como parte fundamental de seu
território ancestral.( BORGES; RIGONATO, 2021)
Após a separação de Carnaubeira em outubro de 1991 do município de Floresta, onde se encontrava a região
indígena Atikum, situada a 54 km da sede da cidade, o novo município de Carnaubeira da Penha criou dois
distritos: Barra do Silva e Olho d'Água do Padre. Olho d'Água do Padre é uma aldeia Atikum significativa
dentro da área indígena, onde uma feira ocorre aos domingos, atraindo não indígenas para transações
comerciais e atividades políticas durante os períodos eleitorais. Além disso, é importante mencionar a
presença constante de posseiros e fazendeiros na região Atikum. (DUARTE et. al. 2012)
É importante notar que a grafia correta para o grupo é Atikum. Os membros desse grupo não se
autodenominam como "índios Atikum-Umã", mas sempre se referem a si mesmos como "índios de Atikum-
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Umã". Isso reflete a importância da descendência de Umã para Atikum na formação da aldeia (comunidade
indígena), indicando uma relação de subordinação. (COSTA; LIMA, 2015)
Os indígenas "desaldeados" Atikum falam apenas português e têm poucas lembranças de uma língua
anterior, exceto por algumas palavras relacionadas à natureza. Enquanto a língua Aticum é considerada
extinta, no caso dos Umã, existem diferentes opiniões sobre sua classificação linguística, com algumas fontes
sugerindo uma ligação com a família Cariri e outras considerando-a isolada ou desconhecida. (PAGANO,
2020)
A negação dos direitos dos povos indígenas resulta da utilização inadequada de critérios raciais e culturais
para definir a identidade, relacionada aos interesses territoriais da classe dominante nas terras indígenas.
Portanto, ao estudar grupos étnicos nesse contexto, é importante considerar a dimensão política e social
(coletiva) da identidade étnica, juntamente com suas implicações institucionais.
A identidade social surge a partir do processo de identificação e envolve a ideia de grupo, com foco específico
nos grupos étnicos neste estudo. Max Weber, na primeira metade do século XIX, definiu grupos étnicos como
aqueles grupos humanos que compartilham semelhanças em hábitos externos, costumes, ou ambos, e
mantêm uma crença subjetiva em uma origem comum, o que é importante para suas relações comunitárias,
independentemente da existência de uma conexão sanguínea real. (COSTA; LIMA, 2015)
Weber ressalta a dimensão social e política dos grupos étnicos, realçando a relevância do habitus e da crença
compartilhada em uma origem comum, ao invés de se limitar à herança genética. Nessa perspectiva, Barth
argumenta que os grupos étnicos são considerados como estruturas de organização social. Quando os
indivíduos usam identidades étnicas para classificar e descrever os outros durante as interações sociais, isso
resulta na constituição de grupos étnicos. (COSTA; LIMA, 2015)
Neste sentido A preservação dos elementos culturais de comunidades indígenas "desaldeadas", como os
Atikum de Mirandiba, Pernambuco, é de extrema importância para a promoção da diversidade cultural e
para garantir que a identidade e os conhecimentos tradicionais dessas comunidades sejam transmitidos às
gerações futuras. Aqui estão alguns elementos culturais que podem ser identificados como importantes para
a preservação na comunidade Atikum
3. Resultados (ou Resultados Esperados)
O artesanato tradicional é outra faceta importante da cultura Atikum. As habilidades tradicionais, como
cestaria, cerâmica, tecelagem e escultura, são passadas de geração em geração e representam uma parte
essencial da cultura material da comunidade. A preservação dessas tradições artesanais não apenas mantém
viva a história cultural, mas também pode ser uma fonte de sustento para os membros da comunidade.A
música e a dança desempenham um papel significativo na expressão cultural dos Atikum. São formas de arte
que carregam emoções, histórias e conexões com a tradição. Preservar e ensinar as músicas e danças
tradicionais indígenas "desaldeados" Atikum é vital para manter a herança cultural viva e proporcionar uma
maneira de se expressar e se conectar com as raízes culturais. (PAGANO, 2020)
A transmissão de mitos, lendas e histórias tradicionais é uma maneira importante de preservar a cosmovisão
e a sabedoria ancestral dos Atikum. Essas narrativas frequentemente contêm conhecimentos profundos
sobre a relação da comunidade com a terra, o cosmos e os valores culturais. Manter essas histórias vivas é
fundamental para a compreensão da identidade cultural da comunidade. Muitas comunidades indígenas,
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incluindo os Atikum, possuem conhecimentos valiosos sobre plantas medicinais e práticas de cura
tradicionais. A preservação desses conhecimentos é crucial para a saúde e o bem-estar da comunidade, além
de representar um importante patrimônio cultural e científico.
As práticas religiosas e cerimônias desempenham um papel fundamental na cultura Atikum, conectando a
comunidade com suas crenças espirituais e tradições ancestrais. É essencial proteger e praticar essas
cerimônias de acordo com as tradições, garantindo a continuidade das práticas espirituais que moldam a vida
da comunidade.
Os indígenas "desaldeados" Atikum podem ter sistemas tradicionais de governança e organização social que
desempenham um papel importante na coesão da comunidade. Respeitar e preservar esses sistemas é
fundamental para manter a identidade cultural e a autonomia da comunidade. A relação da comunidade
indígenas "desaldeados" Atikum com seu território e meio ambiente é central para sua cultura. A preservação
ambiental e a gestão sustentável dos recursos naturais são cruciais não apenas para a sobrevivência da
comunidade, mas também para a manutenção das tradições ligadas à terra e à natureza.
Para preservar esses elementos culturais na comunidade indígenas "desaldeados" Atikum de Mirandiba, é
necessário um esforço conjunto que envolva a própria comunidade, organizações indígenas, instituições de
pesquisa, governo e a sociedade em geral. Isso pode incluir programas de educação cultural, documentação
de conhecimentos tradicionais, apoio à revitalização da língua e projetos que promovam a valorização da
cultura indígena.
É importante respeitar os desejos e a liderança da comunidade indígenas "desaldeados" Atikum em relação
à preservação de sua cultura, garantindo que as ações sejam culturalmente sensíveis e respeitem os direitos
e a autonomia dessa comunidade indígena.
No Sítio Lagoa, parentes de D. Amélia guardaram vestimentas usadas em rituais religiosos, incluindo um
cruzeiro, recipiente de jurema e imagens de santos semelhantes aos usados pelos indígenas "desaldeados"
Atikum em suas cerimônias na Serra Umã.
A concepção de território abrange diversas esferas, incluindo o aspecto geográfico, político e simbólico. Esses
elementos se entrelaçam para formar uma complexa rede de significados no contexto concreto, que se
reflete na maneira como indivíduos ou grupos se apropriam do território e estabelecem vínculos com o
Estado-nação em termos de identidade e representação.
Os valores territoriais desempenham um papel fundamental na definição da natureza dos territórios criados
pelos seres humanos. No contexto brasileiro, a questão territorial está intimamente ligada à divisão de poder
político e econômico, que reflete o pensamento capitalista predominante e sua concentração fundiária. No
entanto, quando se consideram os grupos étnicos, outros valores mais subjetivos emergem, influenciados
por sua experiência histórica e sua visão de mundo Zilá Mesquita (1995, p.81).
De acordo com Almeida (2009), ao longo da história, os seres humanos têm se deslocado continuamente. No
entanto, as motivações para esses deslocamentos variam significativamente, tanto em termos das condições
em que ocorrem quanto em relação aos significados atribuídos por aqueles que partem e por aqueles que os
recebem.
Os remanescentes Atikum, por exemplo, têm uma experiência nômade marcada por diferentes lugares,
paisagens, experiências gratificantes e desafios. Originários de Cabrobó, no estado de Pernambuco, onde
viviam em aldeamentos, foram realocados pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI) para uma nova área na
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ilha de Sansão, no mesmo estado. No entanto, não conseguiram estabelecer residência permanente devido
à falta de condições básicas de sobrevivência e à falta de meios para se sustentarem. Isso os levou a migrar
para Brasília, Distrito Federal, por volta de 1987.
A avaliação das dificuldades enfrentadas pela comunidade Atikum, com um foco na necessidade de espaços
apropriados para a preservação, valorização e revitalização da cultura, artesanato e modos de vida, envolve
uma série de aspectos multidisciplinares que podem ser abordados a partir de diversas perspectivas teóricas.
Abaixo, apresento um referencial teórico com citações indiretas que abordam esse tema:
Lacerda e Acosta (2017) a preservação da cultura indígena é fundamental para a identidade e o bem-estar
das comunidades, sendo assim, a cultura é o veículo através do qual os grupos indígenas se relacionam com
o mundo e se afirmam como povos distintos. A perda da cultura representa uma ameaça à sua continuidade.
A valorização do artesanato indígena desempenha um papel significativo na geração de renda e na promoção
da cultura. De acordo com Castilho et. al. (2017) o artesanato é uma expressão única da identidade cultural
indígena, e seu fortalecimento não apenas preserva tradições, mas também promove o empoderamento
econômico das comunidades, o que deve ocorre dentro do xxxxx
A disponibilidade de espaços apropriados é essencial para a promoção da cultura e da preservação do
patrimônio cultural indígena. Conforme citado por Neto e Bittencourt (2017) a criação de espaços culturais
adequados é crucial para abrigar atividades de revitalização cultural, como cerimônias, aulas de língua
indígena e oficinas de artesanato.
A disposição espacial das comunidades e de seus espaços culturais desempenha um papel crítico na
promoção da cultura. Segundo Bernardo e Carvalho (2020) a disposição dos espaços influencia as interações
sociais, o engajamento com as tradições e a transmissão intergeracional do conhecimento.
Sendo assim a avaliação das dificuldades enfrentadas pela comunidade Atikum, com foco na necessidade de
espaços apropriados para a preservação, valorização e revitalização da cultura, artesanato e modos de vida,
é um tema multifacetado que envolve a interseção de aspectos culturais, econômicos e espaciais. A literatura
acadêmica destaca a importância de abordar esses desafios de forma holística, considerando as perspectivas
e contribuições das próprias comunidades indígenas, bem como a colaboração interdisciplinar para
promover a sustentabilidade cultural e social dessas comunidades.
4. Considerações Finais
A comunidade Atikum, assim como outras comunidades indígenas, enfrentou diversas dificuldades
decorrentes da deficiência de espaços convencionais e da marginalização cultural. Este trabalho espera
investigar estas dificuldades, com destaque excepcional para a urgente necessidade de espaços suficientes
para a proteção, valorização e revitalização da cultura, especialidades e modos de vida da comunidade
indigena Atikum.
A comunidade indígena "desaldeados" Atikum possui uma rica história e cultura, bem alicerçada nos
costumes tradicionais e no contato harmonioso com a natureza. Compreender estas raízes é crucial para
apreciar a importância de proteger e nutrir a cultura.
Esta parte atende aos problemas contemporâneos observados pela comunidade Atikum, incluindo a
deficiência de domínios, dificuldades financeiras, deturpação social e o perigo para a gestão ecológica. Estas
variáveis são significativas para a exigência séria de espaços protegidos para proteção e preservação cultural.
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A preservação, valorização e revitalização da cultura dos indígenas "desaldeados" Atikum são cruciais para a
personalidade, confiança e prosperidade da comunidade. Estas componentes sociais são igualmente
essenciais para a transmissão intergeracional de informações e a manutenção de práticas tradicionais
sustentáveis.
Espaços apropriados, por exemplo, centros de cultura, museus, escolas tradicionais e regiões para práticas
de artesanato, assumem um papel crucial na proteção e transmissão da cultura Atikum. São espaços de
reafirmação da personalidade e aprendizado constante.
São propostas metodologias eficazes para a preservação, valorização e revitalização da cultura Atikum,
incluindo a elaboração de abordagens de segurança social e de promoção, reforçando a prática da indústria
das viagens e capacitando a cooperação dinâmica dos jovens na transmissão de valores sociais
5. Recomendações
Este trabalho apresenta a importância de criar e manter espaços apropriados para a preservação,
valorização e revitalização da cultura, especialidades e modos de vida da comunidade Atikum. A conservação
do legado social é imperativa para a comunidade atual, mas também para a sociedade em geral, promovendo
a variedade social e o respeito comum entre os indivíduos. A preservação da cultura indígenas "desaldeados"
Atikum deve ser muito importante, garantindo que as pessoas no futuro possam apreciar e beneficiar deste
legado rico e significativo.
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