A Gestão Democrática do PPP.
 
A Gestão Democrática do PPP.
 


A Gestão Democrática do PPP.

No Brasil o movimento de democratização da educação ganha força no final dos anos 1980 com a promulgação da constituição federal (1988) e efetiva-se em meados dos anos 1990 através da implantação da lei 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), é nesse momento de reestruturação que alguns aspectos da organização escolar são também redefinidos. Dentre os aspectos esta a gestão democrática das escolas,tendo por plano de fundo o aumento da autonomia das instituições de ensino apresenta como uma de maiores mudanças a abertura para que cada unidade de ensino elabore democraticamente seu Projeto Político pedagógico, porem tal fato não concretizou-se instantaneamente talvez devido ao fato de que as escolas ainda estavam impregnadas de estigmas oriundos de décadas de centralização do poder.
Atualmente compreendo que para a construção do Projeto Político Pedagógico ( PPP ) é necessário o conhecimento da realidade da escola, da comunidade a qual esta inserida, bem como disposição dos autores participantes do desde sua elaboração até a efetivação prática das ações. Tal concepção é fruto de minha experimentação ao longo dos dez anos que trabalho na educação no cargo de professor da Secretaria Estadual de Educação do Estado de Mato Grosso.
No início da carreira docente o meu conhecimento a respeito do PPP era bem superficial, praticamente nenhum, não tinha idéia do que era o PPP pois nunca havia participado de sua elaboração e pouco for a abordado sobre o tema em minha formação acadêmica (licenciatura em geografia).
Trabalho a dez anos na mesma unidade escolar, posso afirmar que nos quatro primeiros anos de atividade docente o PPP da escola não passava de um conjunto desencontrado de idéias, o mesmo não compreendia uma dialógica, visto que era produzido por grupos de profissionais isolados, que limitavam-se a uma visão superficial da escola. Os objetivos e metas elencados no PPP não eram bem definidos, o que culminava em ações desencontradas que não condiziam com a realidade da escola e comunidade local respectivamente.
O documento do PPP não passava de um esquema burocrático, que ocupava espaço no arquivo na sala da direção e devido a ser elaborado de forma compartimentada recebeu de nós o sutil apelido de "Fanksthein", em alusão ao monstro cinematográfico meio vivo concebido através de pedaços cadavéricos. Percebemos então que, nosso conhecimento a respeito da elaboração e implantação prática do PPP não correspondia a uma necessidade mais ampla, a de criar um aparelho que norteasse nossas ações em busca de uma educação escolar de maior qualidade. A partir dai deu-se um movimento de conscientização partindo dos docentes e atingindo outros setores envolvidos na escola. Tal processo desencadeou reuniões, estudos teóricos, discussões a respeito do tema e mais tarde culminaria na elaboração de um "Projeto Político Pedagógico Real" esse fruto do trabalho coletivo.
A tarefa mais contundente na elaboração do PPP esta centrada na mobilização da comunidade. Para que essa participe da mesma, o ideal é esclarecer qual a responsabilidade de cada membro da comunidade escolar, convidando a participar, definindo então "os papéis" que cada um deve desempenhar no processo.
Outro dos grandes entraves é o de encontrar dentro da comunidade escolar, pessoas com disposição de tempo para o trabalho de elaboração do PPP, então é importante que os elaboradores organizem formas de flexibilizar os horários baseadas nos princípios da democracia.
Dar conhecimento a comunidade escolar de como é produzido e para que serve o PPP é um mecanismo democrático que favorece a participação coletiva. Isso pode ser feito em reuniões de pais, do Conselho Deliberativo da Comunidade Escolar ( CDCE), com os alunos (líderes de sala), com os professores (reuniões por áreas do conhecimento), entre outras.
Dentre as estratégias facilitadoras do processo de mobilização da comunidade escolar para a construção do PPP, esta a ação democrática por parte dos gestores. Então incentivar, fazer com que cada individuo reconheça que é parte integrante do processo e que sua participação determinara se os objetivos traçados serão ou não atingidos pelo Projeto Político Pedagógico da escola, pois segundo Dias "o processo de elaboração e implementação do Projeto Político-Pedagógico é fundamental porque envolve as pessoas que atuam na escola, dá a elas sensação de pertencimento, de envolvimento com a instituição escolar. Isto, pois, não há relação agradável entre submissão e satisfação. Ninguém fica satisfeito sendo apenas submisso" (DIAS, 1998,p.268).
A afirmação de Dias contraria uma idéia a meu ver simplista, que ainda permeia o imaginário social, refiro-me a ótica despolitizada de enxergar o bem público como algo pertencente apenas ao estado, ou ao gestor, sendo assim organizar e gerir tal bem é responsabilidade apenas destes. Tal pensamento pouco contribui para a superação do autoritarismo e individualismo ainda hoje presentes no cotidiano de muitas escolas, uma peça fundamental para a superação dessas estruturas organizacionais ultrapassadas é a intervenção do coordenador pedagógico, como facilitador no processo.
O coordenador pedagógico apresenta-se como elemento importante no planejamento escolar, o mesmo é responsável em articular as praticas pedagógicas através de uma gama de ações inerentes a sua função como a participação na gestão do PPP, a articulação da aprendizagem, o planejamento das aulas por parte dos professores( conteúdos, atividades, avaliações, etc.), o planejamento/organização curricular, apoio a projetos e oficinas, a formação continuada do docente (projeto Sala do Professor), reuniões pedagógicas (podem ser gerais, por áreas do conhecimento ou individuais por disciplina),observação da escrituração do diário de classe (atualmente a rede estadual de educação de Mato Grosso utiliza o sistema eletrônico on-line para o preenchimento dos diários). Alem dessas atividades tantas outras acabam por integrar o fazer pedagógico dando ao coordenador um caráter de ambigüidade,provocando-lhe uma verdadeira "crise de identidade profissional", muitas das vezes temos que deixar o foco de nossas atribuições nos concentrando em atividades de caráter administrativo, em cuidar da infra-estrutura física da escola (rede de água, rede elétrica, pequenos reparos), cuidados co alunos ( muitas vezes doentes, indisciplinados, que se machucaram na escola, e com problemas familiares ou emocionais), elaboração de eventos na escola (organização da estrutura fisica do evento ou "decoração"), enturmação dos alunos, confecção do horário das aulas etc.
Para lidar com este contexto atribulado entre "o que se é e o que se faz", o coordenador pedagógico deve assumir uma postura única reconhecendo-se em seu fazer, Araújo ressalta que o professor coordenador pedagógico surge para "exercer o papel de coordenar, apoiar, acompanhar, assessorar e avaliar as atividades pedagógicas com estratégias diferenciadas daquelas usadas por especialistas " (ARAÚJO, 2007, p. 96).
Para encerrar recorro ao texto " O Maestro", que faz uma analogia entre a escola uma orquestra, ele enfatiza que o professor coordenador pedagógico deve assumir um papel de liderança, socializando as diferenças, os saberes individuais, na construção do conhecimento em busca da superação dos problemas que permeiam a organização da escola.

Bibliografia:

ARAÚJO, Sâmara Carla Lopes Guerra de. Ser professor coordenador pedagógico: sobre o
trabalho docente e sua autonomia Dissertação, (Mestrado em Educação) - Faculdade de
Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007.
BARREIRA, Karla Vignoli Vegas. Prática em extinção ou em processo de renovação? um
estudo sobre a supervisão educacional. Dissertação, (Mestrado em Educação) - Faculdade de
Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006.


 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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