A FORMAÇÃO HUMANA
 
A FORMAÇÃO HUMANA
 





A FORMAÇÃO HUMANA
O PAPEL DO PROFESSOR, O PAPEL DA ESCOLA E O PAPEL DA FAMÍLIA
"O Educador é um humano e, como tal é construtor de si mesmo e da história através da ação, sofre as influências do meio em que vive e com elas se autoconstroi? (Luckesi (1992)

WEIMER, Mabel Strobel Moreira (1)
FRAZÃO, Ana Maria Lima (2)
RESUMO:
Neste trabalho pretendemos levar o educador, escola e família a se colocar em uma posição de alerta e procurar urgentemente mudar suas atitudes em relação ao seu papel como agente de formação humana no contexto educacional. O mundo passa por momentos de profundas e aceleradas transformações, causando indecisão no homem que não sabe o caminho certo a seguir, encontrando-se em uma profunda crise, a qual deverá levar esses agentes a repensar valores e atitudes. Neste contexto de incerteza, o papel do profissional da educação, escola e família precisa ser repensado, para que enquanto elementos importantes na formação humana, assumam seus papeis, refletindo sobre os seus valores, suas ações dentro do processo educativo, saindo da obscuridade e da neutralidade, se definindo e tomando uma posição que possa levar a sociedade a ascender, levantar-se, fazendo da educação instrumento de luta, renovação, libertação e formação, de forma que o educando venha a ter uma consciência crítica que supere o seu senso comum.
Palavras-chave: Professor-Escola, Família, Formação Humana

(1) Pedagoga, Mestre em Filosofia na Educação, Professora do UNIVAG e Coordenadora do Estágio Supervisionado do componente curricular Educação e Processo de Formação Humana
(2) Acadêmica do Curso de Pedagogia do Centro Universitário UNIVAG, atuando na área de serviço social da Prefeitura Municipal de Várzea Grande/MT, com experiência na área de educação/formação empresarial (EBCT/MT).

Este artigo surgiu em vista a pesquisas de campo, bibliográfica e sites da internet com o objetivo de apresentar um referencial teórico que aponte para a importância do desempenho do professor, da escola e da família como agentes de formação humana, levantando as seguintes problemáticas: a) Em que sentido o professor é um agente de formação humana? Por quê? ; b) O que há de mais relevante na escola que pode contribuir para o processo de formação humana do aluno?
Nas pesquisas realizadas nas Escolas do Município de Várzea Grande/MT, com as educadoras que lecionam para alunos do segundo ciclo, Edna Botelho dos Santos da Escola EMEB Mamed Untar e Sandra Adriane da Escola EMBE Profª Maria das Graças Pinto, estas nos mostram suas concepções, as quais aqui destacamos.
Perguntamos às Professoras, se elas consideram o professor como um agente de formação humana e Por quê. Na opinião de ambas o professor é um agente de formação porque ele é o mediador do conhecimento e é através dele que o aluno recebe a motivação, apoio e incentivos, trabalha valores, e educa para a vida.
Outro questionamento levantado com as educadoras é sobre o que elas consideram na escola em que atuam que seja o mais importante para a formação humana dos alunos. A educadora Edna expressa que a participação da família é elemento importante, no contexto escolar, para que se concretize a formação humana do aluno. A educadora Sandra nos fala que é necessário trabalhar os valores humanos procurando resgatá-los, pois acredita que infelizmente estão se perdendo.
A partir das reflexões das entrevistas, procuramos buscar neste trabalho, elementos que possam levar os educadores a refletirem sobre o seu cotidiano, sobre o verdadeiro papel do educador, haja vista tantas transformações do contexto vivido. Elencamos também, o papel dos demais integrantes da escola como educadores, que assim devem ser considerados bem como o papel da família.
Nossa pesquisa bibliográfica está apoiada em teóricos renomados como Moacir Gadotti, Cipriano Luckesi, José Carlos Libâneo, entre outros, que entendem que o profissional da educação, a escola e a família têm papel importante a desempenhar, educando para a transformação da sociedade atual. Afinal, buscamos uma educação igualitária, com qualidade para todos, e que seja para a formação do ser humano, isto é, uma educação para a vida.
Afinal o que é formação? Formação tem a ver com formar, com forma. E forma é processo ou conjunto de ações ou de procedimentos que dão formato. É dar forma a algo. No caso dos seres humanos pode-se e, julgamos que se deva, falar em dar-se uma forma no conjunto das relações humanas, da razão e da emoção, da ação sobre a natureza, sobre si mesmo e sobre os outros.
Desde os tempos primordiais o homem vem construindo a sua história interferindo na natureza e na sociedade. Esta interferência faz com que o homem descubra e utilize suas leis, para dominá-la e colocá-la a seu serviço, desejando viver bem com ela. É dessa maneira que o homem se forma e transforma o meio natural em meio cultural, isto é, deixa-o de forma útil a seu bem-estar, ao mesmo tempo em que ele humaniza a natureza. Como ele age no meio, assim também o faz com a sociedade, em busca de um horizonte mais humano. Nesse processo ele humaniza a natureza e humaniza a vida dos homens em sociedade. É ai que o ato pedagógico entra em ação. É uma ação do homem sobre o homem, de forma que juntos possam construir uma sociedade mais justa e certamente com maiores chances de todos sentirem-se realizados e em conseqüência mais felizes.
A predominância pedagógica até a década de 1920, era a Pedagogia Tradicional, onde os objetivos eram os de levar os educadores a transmitir a cultura geral humanista e enciclopédica, de forma que atendia às camadas socialmente privilegiadas, mas, tornou-se ineficaz quanto à formação humana do aluno. Ao longo dos tempos surgiram novas predominâncias, como a Escola Nova, onde tinha o objetivo de modernizar o ensino, colocando-o a serviço das necessidades sociais do educando. Seus princípios eram o respeito à individualidade da criança, desenvolvimento e aptidões naturais, aprender fazendo, atividade espontânea, etc. Na escola Nova houve um decrescimento do interesse dos conteúdos em detrimento às habilidades e pesquisas, onde se pensava que a criança chegaria sozinha aos conteúdos. Essa predominância prejudicou as classes populares, e favoreceu de certa forma as crianças das classes mais favorecidas. Os professores por sua vez, se sentiram desobrigados a dominar o conteúdo das matérias, que a nosso ver é essencial dentro do processo de ensino aprendizagem com vistas à formação humana.
Um novo modelo de ação pedagógica é inserido no contexto educacional A Pedagogia Tecnicista, que novamente atende de certa forma somente a um lado, a classe empresarial. Neste modelo a escola funcionava como modeladora do comportamento humano. Através de técnicas específicas, o indivíduo deve estar pronto a adquirir habilidades, atitudes e conhecimentos necessários para se integrarem no sistema social global. A escola atua articulando-se diretamente com o sistema produtivo, empregando a ciência de mudança de comportamento, Trabalha para produzir indivíduos "competentes" para o mercado de trabalho. Na relação professor-aluno, segundo Luckesi (1992), estas são organizadas e estruturadas, o professor administrando a transmissão da matéria, conforme sistema de instruções de forma eficiente e efetivo em termos de resultados, e o aluno receptor, aprendiz fixando as informações transmitidas. O professor é um elo entre a verdade científica e o aluno, este por sua vez é um indivíduo responsivo, não participante da elaboração do programa educacional.
O que se observa até aí é que o interesse pela formação do ser humano enquanto agente necessário para o desenvolvimento de uma sociedade foi deixado de lado. A escola, nessas predominâncias torna-se uma mediação conflitante, como enfoca José Carlos Libâneo:
"É possível considerá-la como uma mediação pela qual se efetua o conflito entre as classes sociais, uma interessada na reprodução da estrutura de classes tal qual é, outra cujos interesses objetivos exigem a negação da estrutura de classes e a supressão da dominação econômica" (1992, pg.95).
Segundo Libâneo a escola se encontra como uma estrutura mediadora entre as classes sociais dominantes e dominadas. Está entre o desejo da camada popular que almeja superar a sua condição de dominada pela estrutura dominante e a pressão desta classe que quer a qualquer custo manter sua posição e a dominação. A escola media este conflito de classes. Mas defendemos a possibilidade de que ela seja um agente de mudança devendo dar condições aos seus alunos de superar as suas dificuldades e sua condição de classe dominada, através do acesso ao saber. Na visão de Libâneo, a escola, tanto pode servir para organizar e negar às classes sociais populares o acesso ao conhecimento como para garanti-los.
Dentro deste contexto, o homem enquanto educador precisa conhecer a sociedade em que atua e o nível social, econômico e cultural de seus alunos, lembrando que estes são seres humanos, e são seres de relações. O educador de um modo geral tem como obrigatoriedade ter um comprometimento político com o que faz, e ter um posicionamento firme dentro da sociedade, e para tal necessita olhar a comunicação como uma necessidade e fator imprescindível no processo de formação humana. É através da comunicação com seu aluno que ele exerce e assume o papel de educador para a formação humana, como afirma Gadotti (1988).
Dentro deste enfoque, além do compromisso político é necessária a competência técnica, não é somente ensinar por ensinar, mas é preciso ter paixão, um paixão manifestada de forma afetiva e ao mesmo tempo política, desejar fazer parte deste processo, querer ver modificações desta sociedade que apresenta tantas desigualdades. O professor que tem paixão pelo que faz procura levar em consideração as individualidades de cada aluno, como seus medos, preconceitos, paixões, conflitos, esperanças e valores muitas vezes esquecidos ou mesmo perdidos, e ainda, procura despertar a motivação para a existência. Gadotti cita em seu livro Pensamento Pedagógico Brasileiro (1988), as palavras de Schiller: "A educação não é qualquer ação, é uma atividade criadora que a traz a existência aquilo que ainda não existe" (p.49). Somente para ilustrar, reportamo-nos para os ensinamentos bíblicos onde no livro de Hebreus em seu Cap. 11:1 nos fala que a "fé é a certeza de coisas que se esperam a convicção de fatos que se não vêem". Portanto, defendemos que o educador trabalha baseado em uma fé que possa ser transformadora do ser humano.
Ainda citando Gadotti (1988), podemos dizer que "o educador é aquele que emerge junto com os educandos desse mundo vivido de forma impessoal. Educar é tornar-se pessoa". Analisando esta fala de Gadotti, entendemos que essa formação nasce e cresce no conjunto professor-aluno, onde alunos aprendem com o professor e este aprende também com os alunos, quando valoriza seus sentimentos, suas experiências. É um educador que planeja suas ações, refletindo sobre o que já existe de concreto com relação aos educados, o que ele como educador quer alcançar, quais os meios que ele pretende agir para atingir esse objetivo principal (formação humana) e como ele vai avaliar o atingimento desse objetivo.
Observando o fim principal da educação, para além das Pedagogias Tradicional, Escola Nova e Tecnicista, que é como o aluno enfrentará as problemáticas sociais, e escolher ações que venham a proporcionar que este seja elemento ativo na vida social, é neste sentido o educador tem a responsabilidade de dar uma direção, para o aluno enquanto participante desse processo sócio-cultural, político e econômico, onde ele aprende e se desenvolve, formando-se como sujeito ativo de sua história tanto pessoal quanto da sociedade.
Segundo Libâneo (1992), educar (vem do latim, e-ducare) é conduzir um estado a outro, é modificar numa certa direção, o que é suscetível na educação. Sendo assim, o papel do educador torna-se a base na formação, transformação e desenvolvimento de uma sociedade, conduzindo seus alunos para um estado ainda não conhecido, pois se assim não o fosse não haveria médico, professor, e os demais profissionais que movem esta mola chamada mundo. Neste sentido, temos que ter uma visão de que a educação é para vida e na vida. Observemos o que nos diz a este respeito Arendt:
"A educação é ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fossem a renovação e a vinda dos novos e dos jovens. A educação é, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos, e tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós, preparando-as em vez disto com antecedência para a tarefa de renovar um mundo comum". (Arendt, 1972, p.274 - citado em Veiga, 2001)

Se enquanto seres humanos somos escritores da história de nossas vidas, como integrantes de uma sociedade escrevemos também a história dessa sociedade. O mundo precisa de nossas idéias para ser um mundo melhor, e somente através da ação pedagógica é que podemos aprender a construir nossa própria estrada. O educador bem preparado é responsável pela descoberta do aluno, de si mesmo, seus valores, seus princípios e porque não dizer sua vocação para o futuro. Trabalhar em prol de educar o coração e instruir a mente, para um mundo melhor.
Nesse ato de conduzir pessoas para uma formação ou transformação, é primordial entendermos que não existe um conhecimento absoluto e que a cada segundo o mundo está em transformação. Como diz Gadotti (1998), "todo saber traz consigo sua própria superação". Portanto, devemos estar cientes de que não há saber nem ignorância absoluta. E o educador enquanto elemento importante na formação humana do aluno, e "por encontrar-se num nível mais elevado de desenvolvimento das suas capacidades e por deter um patamar cultural mais elevado deverá ocupar o lugar de estimulador do avanço do educando" (Luckesi, 1992), não pode se colocar na posição de "ser superior", que ensina a um grupo de pessoas sem conhecimento algum. Deve sim, estar engajado nesse processo de transformação social, que está carente de profissionais que acreditam na educação como instrumento que oportunizará a transformação da sociedade em que está inserido, e que esteja comprometido consigo mesmo e com seu aluno.
Entende-se nesse contexto, que a sociedade estando embasada num saber mais elaborado possa vir a se organizar para a construção ou reconstrução de uma sociedade para melhor, deixando de ser excludente, e realmente democrática. Sabemos que essa organização social não surge do nada ou espontaneamente, mas sim em decorrência do processo educativo. Assim sendo o profissional da educação assume aqui um papel fundamental na formação e na mudança dessa sociedade. É preciso que o educador enquanto ser humano e profissional precisa necessariamente confiar nessas mudanças e esperar o inesperado.
Dentro deste contexto de formar e transformar devemos também levar em conta que o papel da escola é e poderá ser de relevância, pois tem sua participação no processo de formação humana do aluno, o que nos leva a refletir sobre a escola com seus diversos setores, que a nosso ver deve ter mais atenção por parte dos gestores educacionais devendo haver uma preocupação quanto à formação e capacitação dos demais profissionais que atuam na escola, pois é indiscutível a relevância a sua atuação no desenvolvimento de ações pedagógicas. E ainda que essas funções não sejam exclusivas da instituição escolar (muitos são até terceirizados), como secretaria, os serviços administrativos, limpeza, merenda etc. há de se considerar que esses profissionais exercem uma função educativa junto aos estudantes.
Quanto a isto, devemos ter em mente uma escola que se proponha a assumir a sua finalidade social, onde as relações sociais existentes sejam trabalhadas e modificadas em direção a um processo de verdadeiramente assumir o papel de formação e transformação social, dando o suporte ao educador para que este realmente seja um agente de formação humana do aluno, tendo em vista que é na escola que a criança, como educando tem a sua personalidade construída.
Gadotti (1988) explicita que "o meio escolar, o espaço físico e o humano da escola é um elemento que pode tanto ser motivador para os alunos quanto inibidor das disposições da aprendizagem". Se a escola não oferecer condições favoráveis ao desenvolvimento humano, de quase nada valerá os esforços do educador. Não podemos considerar o aluno fora do contexto em que vive, e a escola deve respeitar e se estruturar para favorecer a este aluno as condições necessárias para o seu desenvolvimento de forma integral.
Se a finalidade da escola é difundir o conhecimento elaborado e simultaneamente nortear a socialização do aluno no mundo social, é através do educador devidamente preparado que se pode chegar à humanização do educando, levando-o a viver de uma forma melhor, aprendendo a refletir sobre sua própria existência e a realidade do meio em que vive. Os objetivos da escola devem ser atingidos, e em todas as suas atividades deve trabalhar para desenvolver relações de afetividade com os educandos, considerando que deve ser um espaço onde se aprende e se vive prazerosamente, mas de forma disciplinada. A escola como um todo tem que envidar esforços no sentido de que seus educandos venham a adquirir legados culturais elaborados no contexto histórico social, e que venham a se tornar efetivamente positivo.
Assim sendo, uma escola que busca uma relação democrática, demonstra o seu principal objetivo ? a formação humana do aluno ? elevando significativamente o seu modo de ser, ver e viver, e é de se esperar que ela tenha condições para que aluno faça escolhas de forma saudável, planejando e desenvolvendo atividades que contribuam para que ele se torne um cidadão responsável e comprometido com o seu bem estar e com o bem-comum.
Outro ponto importante que a escola como um todo deve levar em consideração, no processo de formação humana, é a questão dos sentimentos, dos valores que as crianças, jovens e adolescentes trazem em suas experiências. Pois entendemos que durante o processo de formação as crianças, jovens e adolescentes entrarão em contato com a frustração, com o erro, com as limitações, com exigências de disciplinas e assim com o apoio da escola, dos educadores e da família aprenderão a melhor entender e consolidar os valores e conceitos como tolerância, respeito, moral, ética, compreensão e profundidade nos seus sentimentos.
Madalena Freire, citada em Gadotti (1988), demonstra que é possível aplicar o diálogo desde a primeira educação sem desvincular conhecer e viver. Enfatiza que a "hora do lanche" não é simplesmente a hora do "meu lanche", Mas do prato de todos" em que se aprende a ser solidário. A criança aprende desde cedo a conviver, a respeitar e a valorizar a presença do outro. Ainda em Madalena Freire (Gadotti, 1988), "O ato de conhecer é tão vital como comer ou dormir, e não podemos comer ou dormir por alguém. E que a escola não deve impedir a construção do conhecimento tanto pelas crianças quanto pelos professores".
Diante disso, é que a escola deve optar pela constância na sua finalidade, definindo claramente sua Missão, não se desviando de seus objetivos, utilizando de estratégias que lhe permitam atingir os propósitos determinados e caminhar em direção a um futuro melhor. Deve, portanto, pensar no amanhã, com pés plantados no presente, sempre dando uma olhadinha no passado, incorporando conteúdos atualizados e sendo flexível para acompanhar as mudanças históricas, sociais e culturais, reconstruindo seus currículos, reformulando seus projetos, sempre pensado "que tipo de cidadão quer formar?" É seu papel preparar o aluno para o futuro e para a convivência no mundo social e por que não dizer do trabalho.
Se a escola se reorganizar, fortalecer e assumir sua finalidade social de modificação do meio através do ensino-aprendizagem deve provocar mudanças nas relações homem x homem. Cabe a ela se preparar para dar suporte e melhores condições concretas aos seus alunos para superar sua condição atual enquanto classe social de maneira tal que possa superar seus próprios medos e marchar rumo a uma sociedade mais igualitária e solidária.
Assim sendo, defendemos neste artigo, o papel da escola que pensa nos seres humanos, acreditando que é possível através desses seres haver a possibilidade de viver-se num mundo melhor, é uma escola que busca a qualidade nos serviços prestados à comunidade.

Não podemos deixar de falar na família que é considerada como uma importante instituição de aprendizagem dos alunos, pois é nela que se dão as suas primeiras experiências de vida e os conhecimentos informais, recebidos dos familiares e das pessoas que o cercam. É na família que temos um agente de socialização primária transmitindo às crianças, desde o nascimento os padrões de vida e de comportamentos, hábitos, costumes, padrão de linguagem, maneiras de pensar, de agir, de se expressar etc. e que são internalizados no seu "Eu".
A família e a escola devem formar uma equipe, sendo fundamental que tanto a escola quanto a família trilhem o mesmo caminho no que diz respeito a princípios e critérios, para que os objetivos que desejam atingir sejam possíveis. É de se esperar, que cada uma faça a sua parte para que realmente atinja o objetivo principal, conduzindo crianças e jovens a um futuro melhor. Os pais, pela sua importância e moral, oferecem um exemplo real, que tem força de convencimento e motivação para o processo de formação humana.
Segundo Elen Campos Caiado Graduada em Fonoaudiologia e Pedagogia "O ideal é que família e escola tracem as mesmas metas de forma simultânea, propiciando ao aluno uma segurança na aprendizagem de forma que venham criar cidadãos críticos capazes de enfrentar complexidades das situações que surgem na sociedade".

E ainda segundo a autora:
"Diversas contribuições podem ser dadas tanto pela família quanto pela escola e que podem propiciar o desenvolvimento pleno dos seus filhos e dos seus alunos".
Conforme essa abordagem a contribuição da família pode ser em selecionar a escola baseada em critérios que lhe garantam a confiança da forma como a escola procede diante de situações importantes; manter diálogo com o filho sobre o conteúdo que está vivenciando na escola, cumprir as regras estabelecidas pela escola de forma consciente e espontânea, dar oportunidade ao filho para resolver por si só determinados problemas que venham a surgir no ambiente escolar, em especial na questão de socialização, valorizar o contato com a escola, participar das reuniões e entrega de resultados, informar-se das dificuldades apresentadas pelo seu filho, bem como seu desempenho. A ação da família neste sentido contribui com o crescimento pessoal do aluno reforçando as mudanças dentro do processo educacional escolar.
Ainda segundo a autora, cabe à escola com relação à participação da família cumprir a proposta pedagógica apresentada para os pais, sendo coerente nos procedimentos e atitudes do dia-a-dia, propiciar ao aluno liberdade para que possa manifestar-se na comunidade escolar, e que seja considerado como elemento principal do processo educativo, marcar reuniões com os pais para esclarecimento do desempenho do aluno, exercer o papel de orientadora mediante as possíveis situações que possam vir a necessitar de ajuda, abrir as portas da escola para os pais, para as atividades que a escola dispõe, aproximando o contato e a relação entre família-escola, e que mantenha professores e recursos atualizados, assim oferecendo um ensino de qualidade para seus alunos.
A parceria da família com a escola sempre será fundamental para o sucesso da educação de todo indivíduo. Portanto, pais, escola e educadores necessitam serem grandes e fiéis companheiros nessa trajetória direcionada para a formação humana do aluno.
Quanto mais representativo for o relacionamento família x escola, condições mais propícias existirão para a realização do objetivo principal ? formação humana do aluno, e sendo este um representante de hoje e das futuras gerações deve também, estar comprometido e engajado neste processo, apossando-se de uma consciência clara de sua responsabilidade pelo seu próprio crescimento, assumindo um papel de destaque na construção e na transformação como ser humano e cidadão.
Eduardo Roberto da Silva, Diretor da Escola Nossa Senhora das Graças, no Estado de São Paulo, expressa sua opinião, quando questionado sobre o que considera meios para se obter êxito no Processo Educacional. Enfatiza:


"Da família e da escola. A família é responsável pela educação dos filhos. Ela deve escolher uma escola que pratique os mesmos valores da família e que tenha uma proposta pedagógica que vá ao encontro dos seus objetivos frente à formação educacional dos filhos. Assim, é possível estabelecer uma condição de parceria e confiança mútua: condições essenciais para o sucesso do processo educacional"

E comenta ainda, que a família deve ser incentivada a acompanhar a vida escolar dos filhos, quando solicitada, deve participar das atividades propostas pela escola. Os acompanhamentos podem ser feitos através do boletim, de diálogos com os filhos e os seus colegas, e não deixar de participar das reuniões, visitas e exposições propostas pela escola, e se necessário, manter interação com professores e coordenadores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando a afirmativa de Luckesi, "Tomando como base que educador e educando são seres humanos e sujeitos da práxis pedagógica", verificamos que o papel do educador está em criar condições para que o aluno aprenda e se desenvolva, de forma ativa, inteligível e sistemática, e os questionamentos feitos às educadoras da nossa pesquisa: Em que sentido o professor é um agente de formação humana? Por quê? Fica claro que ao educador compete refazer a educação com suas atitudes, recriá-la fornecendo condições objetivas para uma educação democrática e possível, criando alternativas pedagógicas de forma que favoreça o surgimento de um novo tipo de pessoas, solidárias, preocupadas e superando as dificuldades, o individualismo e o egocentrismo existente em si mesmo. Este novo modo da educação, não poderá ser elaborado nem vir em forma de Leis, impostas pela burocracia educacional, mas que seja pensada e renovada no dia-a-dia do educador. Portanto, o professor/educador é um agente cuja responsabilidade de formação humana do aluno, está em suas mãos.
Quanto ao segundo ponto questionado O que há de mais relevante na escola que pode contribuir para o processo de formação humana do aluno? Consideramos que o professor não poderá desempenhar sozinho este papel, mas é de suma importância contar com apoio do gestor escolar da equipe de apoio da escola e da família, pois somente assim será possível a construção de uma nova cultura com cidadãos críticos e participantes ativos no processo de mudanças, que darão sua contribuição para futuras gerações, através dos seus conhecimentos, habilidades, valores morais e sociais, atitudes mais humanas, que são hoje reflexos de um esforço de construção do mundo, ao mesmo tempo em que vão se construindo como ser humano individual e coletivo.



























Referências Bibliográficas:
CAIADO, Elen Campos, Graduada em Fonoaudiologia e Pedagogia, Equipe Brasil Escolas Site- www.educar.g12br/site/arquivo/jornal/2-2009.pdf
GADOTTI, Moacir, Pensamento Pedagógico Brasileiro, 2ª Edição, Ed. Ática, 1988.
LIBÂNEO, José Carlos, Democratização da Escola Pública - A Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos, Ed.Loyola, 1992.
LUCKESI, Cipriano Carlos, Filosofia da Educação, 5ª Edição, Ed. Cortez, 1992.
RAMOS, Cosete, Excelência na Educação, 1ª Edição, Ed. Qualitymark, 1992.
SILVA, Eduardo Roberto da, Diretor da Escola Nossa Senhora das Graças, São Paulo
(post foi publicado de quarta-feira, 01 de julho de 2009 às 15H59, e arquivado em Entrevistas. Instituto Ayrton Senna ? Site, www.educacaoetecnologia.org.br.)
VEIGA, Ilma Passos Alencastro, Projeto Político Pedagógico da Escola ? Uma Construção Possível, 13ª Edição, Papirus Editora, 2001.












 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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Sobre este autor(a)
Licenciada em pedagogia, em término de pós graduação em DOCÊNCIA SUPERIOR, 58 anos, aposentada, tenho dois filhos, Leonardo, Ana Carolina, tres netas. Moro em Várzea Grande/MT, há 25 anos. Ex- funcionária dos Correios, onde aprendi muito. Sou sincera em minhas afirmativas, gosto de ler bons livros e...
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