A EDUCAÇÃO NO SÉCULO XXI: REALIDADES ATUAIS E PERSPECTIVAS DE FUTURO
 
A EDUCAÇÃO NO SÉCULO XXI: REALIDADES ATUAIS E PERSPECTIVAS DE FUTURO
 


A educação na sociedade do conhecimento: as novas tecnologias e as abordagens do processo de ensino-aprendizagem

A educação é a base fundamental de um processo de desenvolvimento. O processo de melhoria da qualidade do ensino passa, além de outros fatores ? como currículo da escola, o projeto político pedagógico, a participação de pais e da comunidade no processo pedagógico, a articulação da escola com a sociedade, novos paradigmas avaliativos, a utilização das novas tecnologias na educação, - pela formação dos professores.
Não basta apenas dotar as escolas com novas tecnologias, comprando equipamentos sofisticados e aumentando o espaço físico, sendo necessário formar e preparar o professor para que ele tire o melhor proveito destas tecnologias que estão à sua disposição em algumas escolas do século XXI.
Os sistemas educativos encontram-se submetidos a um conjunto de tensões, dado que se trata concretamente, de respeitar a diversidade dos indivíduos e dos humanos. Neste aspecto, a educação enfrenta enormes desafios neste século e, depara com uma grande transformação - que é a nova era do conhecimento, da reflexão de suas práticas e, de aprimoramento do seu fazer-pedagógico.
A educação deste século nos chama atenção para algumas necessárias metamorfoses, como: a mudança tecnológica, rápida difusão de novos padrões de organização da produção e da gestão, necessidade de mudanças nos paradigmas avaliativos educacionais, entre tantas outras reflexões emergentes.
Segundo Gohn, in FRIGOTTO, 2002:
"O conceito de educação é visto de forma ampliada; ele não se restringe aos processos de ensino-aprendizagem no interior das unidades escolares formais. Processos de aprendizagem e novas concepções emergem advindas de processos gerados no cotidiano do mundo da vida, dos processos interativos e comunicacionais dos homens e das mulheres, no dia-a-dia, para resolverem seus problemas de sobrevivência, criando um setor novo, da educação não-formal" (Gohn, 1999).
Assim, é possível afirmar que em pleno século XXI os paradigmas educacionais tomaram uma nova forma, ganharam novos olhares e novos conceitos. Os novos tempos afetam a vida das pessoas de forma profunda e, principalmente aqueles que fazem parte da construção do processo educacional.
A escola, como agencia de socialização, de inserção das novas gerações nos valores de grupo social, tem o compromisso de propiciar ao aluno o desenvolvimento de habilidades e competências, como: domínio da leitura, que implica compreensão da escrita; capacidade de comunicar-se; domínio das novas tecnologias da informação e de produção; habilidade de trabalhar em grupo; competência para identificar e resolver problemas; leitura critica dos meios de comunicação de massa; capacidade de criticar a mudança social e, principalmente, capacidade adquirida para saber avaliar o processo de ensino e aprendizagem.
Todas essas habilidades e competências são essenciais para formar o cidadão crítico-reflexivo, inserido no mercado produtivo e, que se posiciona de forma autônoma diante da vida e da educação no contexto atual.
Avaliar é uma ação corriqueira e espontânea realizada por qualquer individuo acerca de qualquer atividade humana, sendo um instrumento fundamental para conhecer, compreender, aperfeiçoar e orientar as ações humanas.
Jussara HOFFMANN trata (1991:67):
"A avaliação como uma das mediações pela qual se encorajaria a reorganização do saber, sendo que professor/aluno busquem idéias para coordenar seus pontos de vista, trocando idéias e reorganizando-as".
Então, o elemento comum entre avaliação educacional, de políticas e de instituições, é a compreensão da avaliação como estratégia de solução de problemas e aperfeiçoamento das ações.
Partindo destes pressupostos, é importante enfatizar que o objetivo de introduzir novas tecnologias na escola é para instigar à inovação nas praticas educativas e pedagógicas, importantes para o desenvolvimento do ensino e aprendizagem dos discentes. O aprendiz, utilizando metodologias adequadas, poderá utilizar estas tecnologias na integração de matérias estanques. Assim sendo, a escola passa a ser um lugar mais interessante, atrativo, que prepara o aluno para o seu futuro. A aprendizagem centra-se nas diferenças individuais e na capacitação do aluno par a torná-lo um usuário capaz de usar vários tipos de fontes de informação e meios de comunicação eletrônica, de forma critica na construção do conhecimento.
Por outro lado, não só o aluno, mas também o professor, necessita estar preparado didaticamente para que possa líder com estas novas ferramentas existentes na educação do século XXI, ferramentas estas que podem servir de base para a melhoria da qualidade de seu trabalho enquanto disseminador do saber.
Para TORRES, (1994, P. 46):
"O currículo globalizado e interdisciplinar se converte assim em uma categoria capaz de agrupar uma ampla variedade de práticas educativas que se desenvolvem nas aulas e é um exemplo significativo do interesse por analisar a forma mais apropriada de contribuir na melhoria dos processos de ensino e aprendizagem".
Entretanto, na chamada Sociedade da Informação ou do Conhecimento, os processos de aquisição do conhecimento assumem um papel de destaque e passam a exigir, de acordo com diversos autores (Dawbor, 1993; Druker, 1993; Valente, 1996; Maseto, 1994) um profissional critico, com capacidade de pensar, de aprender a aprender, de trabalhar em grupo e de se conhecer como individuo. Esse profissional deverá ter uma visão geral, sobre os diferentes problemas que afligem a sociedade, considerando-se numa totalidade.
O papel d educação é formar esse profissional e para isso, esta não se sustenta apenas na instrução que o professor passa ao aluno, mas na construção do conhecimento pelo aluno e no desenvolvimento de novas competências, como: capacidade de inovar, criar o novo a partir do conhecido, adaptabilidade ao novo, criatividade, autonomia, comunicação.
O século XXI é o século da Sociedade do Conhecimento, em que o setor empresarial moderno necessita cada vez mais da educação para o seu próprio desenvolvimento, como cursos especializados, organização do espaço científico domiciliar e espaços do conhecimento comunitário, exigindo, segundo Dowbor, (1993, p. 121) "colocar a educação a serviço de uma comunidade que moldará o universo de conhecimentos que necessita segundo os momentos e a dinâmica do seu desenvolvimento". O conjunto de instrumentos e, as novas conquistas tecnológicas poderá ser utilizados, num processo em que o educador é mais um facilitador do potencial local do que propriamente fonte de saber.
Segundo Garcia (1996), os processos de inovação passam por diferentes fases: planejamento, difusão, adaptação, implementação e institucionalização. Cada uma destas fases requer um tipo de trabalho diferente e dependendo das perspectivas que se adotem a respeito da inovação, surgirão uns papeis ou outros aos professores.
Com base nisso, é possível afirmar que a introdução de novas tecnologias na educação não pode ser considerada apenas como uma mudança tecnológica, não é simplesmente a substituição do quadro negro ou livro didático pelas novas tecnologias. A introdução das novas tecnologias na educação do século atual pode estar associada, segundo Teodoro (1991, p. 42), "a mudança do modo como se aprende, mudanças das formas de interação entre quem aprende e quem ensina, à mudança do modo como se reflete sobre a natureza do conhecimento".
Diante desta realidade, as transformações que ocorrem na educação atual e conseqüentemente na sociedade, provocadas pela tecnologia, passam a exigir uma adaptação dos indivíduos às novas formas de aprendizagem. O paradigma presente nas escolas atuais defende que os alunos vêm a escola com cabeças iguais, nas quais os conteúdos tem formato igual a todos e estes são tratados como "produto" que são enviados o mercado de trabalho e o conhecimento é visto como conjunto de fatos. O aluno é testado periodicamente através de avaliações, enfatizando-se a memorização dos fatos. Me diante esta realidade o professor torna-se um participante ativo e o aluno participante passivo. No final do processo temos um aluno "formado", pronto para o mercado de trabalho, sem necessidade de estudos posteriores?
Talvez o professor possa pensar que sua metodologia não chegue a expor o aluno tão radicalmente, mas a questão é que o sistema de avaliação empregado ainda hoje, em que para o aluno "a nota" é o mais importante porque, para seguir enfrente precisa de estar dentro dos parâmetros quantitativos, com relação à notas, é conseqüência da pratica pedagógica que vem adotando há anos, em que o professor tem a função de "transmitir os conteúdos e fiscalizar a absorção do transmitido", cabendo à avaliação servir como fonte de controle dentro deste processo.
Porem, não é esta a função controladora que a avaliação deve desempenhar no processo educativo atual. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNS, 1998, Brasil), propõe que a finalidade da avaliação seja a de garantir a construção de conhecimento e a aprendizagem efetiva e significativa por parte dos alunos, com as pertinentes mediações do professor.
Para Candau (1992) a didática predominante continua enfatizando a transmissão de um conhecimento pronto, a repetição e a memorização, a aplicação e a realização de exercícios mecânicos de reforço ou de aplicação de conceitos, leis ou princípios a situações particulares. A educação na maior parte das vezes não estimula a capacidade do aluno de ter dúvidas, indagações, incertezas.
Um novo paradigma exige a utilização de ambientes apropriados para a aprendizagem e, a aplicação de instrumentos avaliativos de possam contribuir para a aquisição do conhecimento e, não para servir de mero instrumento de medição.
Para Gardner (1993), o paradigma deste século instiga a apropriação de novas tecnologias de comunicação, que valorize a capacidade de pensar e de se expressar com clareza, de solucionar problemas e tomar decisões adequadamente, na qual os alunos possuem conhecimentos segundo os seus "estilos" individuais de aprendizagem.
A aprendizagem se da através da descoberta e o professor passa a ser um mediador do seu aluno. Por isso a aprendizagem passa a ser uma tarefa constante na vida profissional e pessoal de todos e, o uso adequado e a interação com as tecnologias desta nova Era permitem maior interatividade , desmassificação e aulas menos tediosas.
Obviamente, o professor precisa unir a cultura geral, a especialização disciplinar e a busca de conhecimentos conexos com sua matéria, porque formar o cidadão hoje é, também, auxilia-lo a se capacitar para lidar praticamente com noções e questões surgidos nas mais variadas situações, tanto do trabalho quanto sociais, culturais e étnicas. Freqüentemente, os professores estarão trabalhando com situações-problemas, temáticas integradoras, que requerem uma alfabetização cientifica e tecnológica. Santos (1994).
Em pleno século XXI é impossível pensar a educação sem tomar consciência de que a aprendizagem é uma tarefa para toda a vida do sujeito e, que a mesma está também baseada na utilização intensiva das novas tecnologias.
Educação e comunicação sempre andaram juntas na reflexão pedagógica, porem, nos dias atuais estão muito mais próximas, visto que, toda comunicação é educativa, conforme escreveu o educador norte-americano John Dewey, porque ela é o processo de compartilhamento da experiência comum e, com isso, não só proporciona aos indivíduos disposições emocionais e intelectuais como prevê experiências mais ampla e mais variada.
Diante desta realidade, está cada vez mais disseminada a idéia de que os indivíduos precisam aprender a aprender, isto é, "ser capaz de realizar aprendizagens significativas por sí mesma em uma ampla gama de situações e circunstancias" (Coll, 1992, p.41). Na Sociedade do Conhecimento, é essencial que se crie um novo espaço de aprendizagem "a partir da ampliação e transformação de contextos, eliminando distancias físicas e promovendo a construção do conhecimento".(Nevado, 1996, p. 4).
Portanto, as novas tecnologias, associada a uma boa proposta pedagógica de ensino, aprendizagem e avaliação, são de grande importância a partir do momento em que são vistas como ferramentas educacionais podendo ser facilitadoras da aprendizagem, tornando-se mediadoras, por facilitar ao aluno construir seu próprio conhecimento, na qual ele passa a ter o papel ativo e não mais passivo, buscando resolver sua necessidades, para que possa ser um cidadão critico e reflexivo no contexto da atual educação do século XXI.


REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
CANDAU, V. Informática na Educação: um desafio. Rio de Janeiro: Tecnologia educacional, 20 (98-99): 14-23, jan/abr, 1992.
COLL, C. Psicologia y Currículum: una aproximación psicopedagógica a La elaboración del curriculum escolar. Barcelona, Paidós, 1992.
DOWBOR, L. O Espaço do Conhecimento. In: A revolução Tecnológica e os Novos Paradigmas da Sociedade. Belo Horizonte: IPSO, 1993.
DRUKER, P. Sociedade pós-capitalista. São Paulo: Pioneira, 1993.
GARDNER, H. Teoria das Inteligencias Múltiplas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
GENTILI, Pablo & FRIGOTTO, Gaudêncio (org.). A Cidadania Negada: políticas de exclusão na educação e no trabalho. 3ª Ed. São Paulo: Cortez [Buenos Aires, Argentina]; CLACSO, 2002.
GOHN, Maria da Gloria (1990). "Conselhos Populares e Participação Popular", in, Revista Serviço Social & Sociedade. (São Paulo: Cortez), n. 34.
HOFFMANN, J. Avaliação: mito ou desafio. São Paulo: Cortez, 1991.
LIBANEO, Jose Carlos. Adeus Professor, Adeus Professora?: novas exigências educacionais e profissão docente. 11ª Ed. São Paulo: Cortez, 2009.
MASETTO, M; ALONSO, M. Formar Educadores para um Mundo em Transformação. São Paulo: PUC/SP, 1996.
NEVADO, P. Processos Interativos e a Construção de Conhecimento por Alunos de Cursos de Licenciatura em Contexto Telemático. Porto Alegre: Anais do X Congresso Internacional LOGO e I Congresso do Mercosul de Informatica Educativa. Novembro 1995, pp. 132-142.
TEODORO, V. Educação e Computadores. Portugal, Ministério da Educação, 1992, pp. 9-25.
TORRES, J. Globalização e Interdisciplinaridade: o currículo integrado. Porto Alegre: ArtMed, 1997.
MORIN, E. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. São Paulo: Cortez, Brasilia, DF: UNESCO, 2003.


 
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Sobre este autor(a)
Doutoranda em Educação (UCSF-AR); Mestre em Ciências da Educação (UI-PT); Especialista em Programação do Ensino de Geografia (UPE); Interdisciplinaridade na Educação Básica com Habilitação em Metodologia do Ensino Superior (FACINTER-PR) e em Psicopedagogia Clinica e Institucional (FAP). Professora ...
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