A Aquisição da Linguagem
 
A Aquisição da Linguagem
 


APRESENTAÇÃO

Neste artigo, apresentarei o resumo de algumas questões básicas sobre a aquisição da linguagem. Estas questões serão consideradas à luz das observações que têm sido feitas sobre as mudanças de comportamento do desenvolvimento lingüístico fisiológico e psicolingüístico da linguagem.

A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM

A linguagem é considerada a primeira forma de socialização da criança e, na maioria das vezes, é efetuada explicitamente pelos pais através de instruções verbais durante atividades diárias, assim como através de histórias que expressam valores culturais. A socialização através da linguagem pode ocorrer também de forma implícita, por meio de participação em interações verbais. Desta forma, através da linguagem a criança tem acesso, antes mesmo de aprender a falar, a valores, crenças e regras adquirindo os conhecimentos de sua cultura. A medida que a criança se desenvolve, seu sistema sensorial, incluindo a visão e audição, se torna mais refinado e ela alcança um nível lingüístico e cognitivo mais elevado, enquanto seu campo de socialização se estende, principalmente quando ela entra para escola e tem maior oportunidade de interagir com outras crianças.

Quanto mais cedo à criança se envolve nas relações sociais, mais benefícios obterá a curto ou longo prazo, tendo em vista as experiências e aprendizagens que resultam de tais interações.

Na aquisição da linguagem, o método como se desenvolve a língua, como se adquire as primeiras palavras, a fala, enfim, é tudo um processo, embora natural, é longo e difícil.

O começo dessa aquisição seria o primeiro choro da criança ao nascer.

Durante o processo, com o passar dos dias, a criança aos poucos vai adquirindo suas primeiras palavras através do comportamento observável, ou seja, a criança cercada da família, observa as palavras e de acordo com a fase em que se encontra, tenta secomunicar com quem os cercam.

Tais fases, a primeira seria a do jargão, em que a criança começa a produzir cadeias de enunciados, meias palavras, ainda não analisáveis, mas que são completamente interpretáveis para nós adultos. Ocorre normalmente aos dezoito meses de vida da criança. A segunda fase será a das palavras, em que a criança através de imitações; gestos desenvolvem as primeiras palavras, ocorrendo por volta dos dois anos de idade. A terceira e última fase seria a das frases onde a criança já empregando estruturas com frases curtas, com erros de gramática e de pronúncia, mais porém não deixa de ser frases compreensíveis, sendo que a criança já é capaz de produzir uma verdadeira comunicação.

Aos poucos, ela vai notando algumas inadequações em sua produção oral, observando o comportamento adulto e modificando-os.

Sendo assim, a língua, para a criança é um instrumento que ela usa para se comunicar e satisfazer suas necessidades.

Muito antes de começar a falar, a criança está habilitada a usar o olhar, a expressão facial e o gesto para comunicar-se com os outros.

Tem também capacidade para discriminar precocemente os sons da fala. Apesar de não estar completamente esclarecido o grau de eficácia com que a linguagem é adquirida sabe-se que as crianças de diferentes culturas parecem seguir o mesmo percurso global de desenvolvimento da linguagem. Ainda antes de nascer, elas iniciam a aprendizagem dos sons da sua língua nativa.

No desenvolvimento da linguagem, duas fases distintas podem ser reconhecidas: a pré- lingüística, em que são vocalizados apenas fonemas( sem palavras) e que persiste até aos 11 e 12 meses, e , logo. A seguir, a fase lingüística, quando a criança começa a falar palavras isoladas com compreensão.

Este processo é contínuo e ocorre de forma ordenada e seqüencial com sobreposição considerável entre as diferentes etapas deste desenvolvimento.

O processo de aquisição da linguagem envolve o desenvolvimento de quatro sistemas interdependentes: o pragmático, que se refere ao uso comunicativo da linguagem num contexto social, o fonológico envolvendo a percepção e a produção de sons para formar palavras, o semântico, respeitando as palavras e seu significado e o gramatical, compreendendo as regras sintáticas e morfológicas para combinar palavras em frases compreensíveis. Os sistemas fonológico e gramatical conferem à linguagem a sua forma. O sistema pragmático descreve o modo como a linguagem deve ser adaptada a situações sociais específicas, transmitindo emoções e enfatizando significados.

As crianças em processo de aprendizagem de uma língua materna, utilizam-se de vários métodos para se expressarem, como através de uma linguagem não-verbal, com expressão facial, sinais, e também quando a criança começa a responder, questionar e argumentar. Essa competência comunicativa reflete a noção de que o conhecimento da linguagem a determinada situação e a aprendizagem das regras sociais de comunicação é tão importante quanto o conhecimento semântico e gramatical. As dificuldades de aprendizagem, podem ocorrer quando existem, retardo mental, distúrbio emocional, problemas sensoriais, ou motores, ou, ainda ser acentuadas por influências externas, como, por exemplo, diferenças culturais, instrução insuficiente ou inapropriada.

O processo de aquisição da linguagem é bastante complexo e envolve uma rede de neurônios distribuída entre diferentes regiões cerebrais.

O cérebro é um órgão dinâmico que se adapta constantemente as novas informações. Como resultado, as áreas envolvidas na linguagem de um adulto podem não ser as mesmas envolvidas na criança, é possível que algumas zonas do cérebro sejam usadas apenas durante o período de desenvolvimento da linguagem.

Em pesquisas observou-se que as dificuldades de aquisição da linguagem existem devido a interferência de alguns distúrbios como a dislexia; um atraso congênito de desenvolvimento ou diminuição na capacidade de traduzir sons e símbolos gráficos e compreender o material escrito.

Vários são os fatores que descrevem as causas da dislexia entre eles, déficits cognitivos, fatores neurológicos, prematuridade, influências genéticas e ambientais.

As dislexias podem ser divididas em dois tipos: central e periférica.

Na central ocorre o comportamento do processo lingüísticos dos estímulos, alterações no processo de conversão da ortografia para fonologia.

Na periférica, ocorre o comportamento do sistema de análise vísuo-perspectiva para a leitura, havendo prejuízos na compreensão do material lido.

Todos os estudos descritos de aquisição e desenvolvimento da linguagem, dizem que os comportamentos destacados ocorrem e o fazem na ordem descrita.

CONCLUSÃO

É importante ressaltar que existe uma combinação dos fenômenos biológicos e ambientais no aprendizado da linguagem escrita, envolvendo a integridade sócioemocional.

Sabe-se que as causas de alterações da aquisição da linguagem apesar de existirem muitos estudos indicando fatores neurológicos para tais problemas. Avanços na compreensão da neurobiologia dos processos de desenvolvimento da linguagem e aprendizagem certamente irão contribuir para uma melhoria na abordagem da aprendizagem.

Todas as atividades de estimulação da linguagem escrita devem ser realizadas de forma lúdica, através de jogos e brincadeiras, para que a criança sinta prazer em ler e escrever. Em casa, o estímulo deve ser iniciado com a leitura de histórias infantis pelos pais para os filhos, a estimulação de jogos de rimas, que ajudam na consciência fonológica, jogos com letras e desenhos, para a criança já ir se familiarizando com a escrita, a leitura de rótulos e propaganda.

Enfim, nunca se deve obrigar uma criança a ler um livro, e sim faze-la ter vontade de ler e conhecer sua história.

Fazendo dessa forma estaremos contribuindo para que a criança não se prejudique durante o processo da aquisição da linguagem.

 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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Sobre este autor(a)
Waléria Caminha, 23 anos.Natural da cidade de Aracati - CE.Formada em Letras pela Faculdade do Vale do Jaguaribe-FVJ, Pós-Graduada em Gestão e Coordenação Escolar, na mesma. E-mail: [email protected]
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