QUALIDADE DE VIDA DO IDOSO: ORIENTAÇÕES PARA UM ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL
 
QUALIDADE DE VIDA DO IDOSO: ORIENTAÇÕES PARA UM ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL
 



QUALIDADE DE VIDA DO IDOSO: ORIENTAÇÕES PARA UM ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL
¹ FEITOSA, M.O.

RESUMO
O envelhecimento populacional é um fenômeno na história da humanidade. Nas últimas décadas o Brasil vem vivenciando um processo acelerado de envelhecimento de sua população sem que tenha havido paralelamente uma adequação da infra-estrutura social para lidar com este fato. O desenvolvimento sócio, econômico e cultural aliado à modernidade tecnológica aumentou a longevidade, criando melhores condições de vida. Quando se tem um ambiente adequado e um estilo de vida saudável, há uma grande possibilidade de prolongamento dos anos de vida, onde demanda ações de promoção da saúde para a melhoria da qualidade de vida. O presente estudo teve como objetivo: descrever de acordo com a literatura pertinente, hábitos saudáveis para uma qualidade de vida dos idosos.Trata ? se de uma pesquisa bibliográfica, construída a partir de dados coletados nos acervos das bibliotecas de instituições privadas da cidade de Imperatriz-MA, em artigos científicos de revistas especializadas e no banco de dados da internet. Após a construção do referencial teórico, concluiu ? se que houve uma concordância entre os autores citados no que diz respeito ao envelhecimento saudável estar atrelada à adoção de hábitos saudáveis tais como: prática de atividades físicas, sexuais, lazer, alimentação saudável evitando a ingestão de alimentos gordurosos diminuindo o excesso de sal, açúcar, necessidade de evitar o fumo, álcool, minimizando o stress. A partir da compreensão do tema abordado, este artigo visa contribuir como um ponto de reflexão e partida acerca da necessidade da incorporação de hábitos saudáveis para se obter uma qualidade de vida para um envelhecimento saudável, minimizando assim os efeitos adversos do processo de envelhecimento e as implicações para a sua autonomia e independência na velhice.

Palavras-chave: Qualidade de vida, Hábitos saudáveis, Necessidades para o Envelhecimento



ABSTRACT
Population aging is a phenomenon in human history. In recent decades, Brazil is experiencing an accelerated process of aging of its population that has been without a parallel adaptation of social infrastructure to deal with this fact. The economic and modern technology combined with the increased longevity, creating better living conditions. When you have a suitable environment and a healthy lifestyle, a great opportunity to extend the life´s old, where demand for health promotion activities to improve quality of life. This study aimed to: describe in accordance with the relevant literature, healthy habits for a quality of life of the elderly. This - is a literature search, constructed from date collected in the collections of public and private libraries of the city of João Pessoa, in scientific articles specialized journals in the database and the Internet. Then, the construction of the theoretical framework, concluded - that there was an agreement among the authors explained in relation to aging is tied to the adoption of healthy habits. They needed consider some habits, like to practice of physical activities, sexual, entertainment, healthy food while avoiding the intake of greasy foods, to reduce the excess salt, sugar, avoidance of tobacco, alcohol, minimizing the stress. From the understanding of the subject addressed. this article is intended as a starting point for reflection and about the need for the incorporation of healthy habits for a quality of life to healthy aging, thereby minimizing the adverse effects of the aging process and implications for their autonomy and independence in old age.

Keywords: Quality of life, healthy habits, requirements for the Aging.



INTRODUÇÃO
O envelhecimento populacional é um fenômeno na história da humanidade. Nas últimas décadas o Brasil vem vivenciando um processo acelerado de envelhecimento sem que tenha havido paralelamente uma adequação da infra-estrutura social para lidar com este fato.
Esse envelhecimento vem acompanhado de significativas transformações demográficas, biológicas, sociais, econômicas e comportamentais. Onde a ciência, durante muitos anos, investiu grandes esforços no prolongamento da vida dos indivíduos, obtendo êxito somente no último século (BERZINS, 2003).
A longevidade da população é um fenômeno mundial que traz importantes repercussões nos campos sociais e econômicos. Este processo, no entanto, vem se manifestando de forma distinta entre paises do mundo. Não é possível estabelecer conceitos universalmente aceitáveis e uma terminologia globalmente padronizada para o envelhecimento (VERAS, 1998).
De acordo com a Organização Pan Americana de Saúde ? OPAS (2005), a definição de pessoa idosa é diferenciada entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, pois está ligada à qualidade de vida de população. Nos países desenvolvidos são considerados idosos os indivíduos à partir de 65 anos. Nos países em desenvolvimento são idosas as pessoas com 60 anos ou mais.
Na história da humanidade, sempre foram preocupantes, os problemas causados pelo envelhecimento, não só relacionado ao binômio saúde ? doença, mas principalmente no que se refere ao perfil sócio, cultural e econômico da pessoa idosa (NETTO, 2002).
O desenvolvimento sócio, econômico e cultural aliado à modernidade tecnológica aumentou a longevidade, criando condições de vida. Quando se tem um ambiente adequado e um estilo de vida saudável, há uma grande possibilidade de prolongamento dos anos e de oferecer uma situação biológica favorável para se viver saudavelmente (KACHAR, 2003).
Segundo Azevedo (2011), a adoção de hábitos de vida saudáveis ajuda a manter o corpo e a mente protegida do envelhecimento precoce, e de doenças crônicos degenerativas. Portanto é necessário adotar hábitos de alimentação saudável, pratica de atividade física regular, redução de exposição a fatores estressantes, para que na medida que o corpo envelheça a adoção desses hábitos contribua para um envelhecimento saudável.
Luckenotte (2002), adverte que não existe melhor ambiente para os idosos do que o convívio familiar, pois o afeto e o carinho constituem grandes "vacinas" contra o envelhecimento social, psíquico e portanto para manutenção da qualidade de vida.
A Organização Pan Americana de Saúde ? OPAS (2005), considera o envelhecimento populacional como uma história de sucesso das políticas de saúde pública e social e, portanto a maior conquista da humanidade no último século. O envelhecimento não é problema e sim vitória. O problema será se as nações desenvolvidas ou em desenvolvimento não elaborarem programas para promoverem o envelhecimento saudável que contemple essa faixa etária.
Torna-se, portanto, necessário a adoção de políticas que habilitem os idosos e respaldem a continuidade deles em nossa sociedade, estabelecendo nossos papéis sociais promovendo o desenvolvimento da independência e autonomia na vida social. Sendo o grande desafio, de conformidade com OPAS, o fortalecimento dessas políticas e programas para a promoção de uma sociedade inclusiva reconhecendo o direito à vida, a dignidade e a longevidade da pessoa idosa.
Portanto a realização de um estudo abordando a qualidade de vida da pessoa idosa como fator necessário para um envelhecimento saudável, veio da percepção como profissional de saúde que uma grande maioria dos idosos eram admitidos com problemas de saúde decorrente da adoção de um estilo de vida inadequado durante o curso da vida com implicações para a sua saúde na velhice e um aumento da morbidade.
Considerando essa temática me conduzo ao seguinte questionamento: quais hábitos saudáveis deveriam ser adotados para uma boa qualidade de vida do idoso. Frente a essa compreensão o presente estudo objetiva descrever de acordo com a literatura pertinente, hábitos saudáveis para uma qualidade de vida do idoso.

CONSIDERAÇÕES METODÓLOGICAS
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica. Segundo Gil (2002), pesquisa bibliográfica é desenvolvida em material já elaborado, constituído principalmente de livros, revistas e artigos científicos.
Após o levantamento bibliográfico em literaturas pertinentes a essa temática, foi realizada uma criteriosa seleção do material lido, avaliando a opinião dos autores especializados. Finalmente, foi construído o referencial teórico para alcance do objetivo pretendido com a pesquisa.

REVISÃO DE LITERATURA
O envelhecimento é conceituado com um processo dinâmico e progressivo, no qual há modificações morfológicas, fisiológicas, bioquímicas e psicológicas que determina com a perda progressiva da capacidade de adaptação do individuo ao meio ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade e incidência de processos patológicos que terminam por conduzir o idoso a morte ( NETTO, 2002).
Segundo Nahas (2001), a qualidade de vida é definida com sendo a condição humana resultante de um conjunto de parâmetros individuais e sócios ? ambientais modificáveis ou não, que caracterizam as condições em que vive o ser humano.
Néri (1999), afirma que o envelhecimento bem sucedido depende da capacidade e da forma que o individuo idoso possui para responder e adaptar-se aos desafios resultantes das transformações do corpo, da mente o do ambiente. Para se ter um envelhecimento sucedido é necessário adquirir um estilo de vida saudável para diminuir a ocorrência de um envelhecimento patológico. Através do cultivo de novos hábitos mentais e físicos.
Colaborando com o foi mencionado, Guedes (2001), complementa afirmando que é considerado como estilo de vida saudável além da pratica de atividade física, a necessidade de evitar fumo, álcool, bem como a auto - medicação. O envelhecimento pode ser saudável se as pessoas estiverem abertas às mudanças de seus estilos de vidas.
O envelhecimento é sem dúvida um processo biológico cujas alterações determinam mudanças estruturais no corpo e em decorrência modificam suas funções, no entanto, envelhecer é inerente a todo ser vivo e no caso do homem esse processo assume dimensões que ultrapassam o limite do ciclo biológico e pode acarretar também conseqüências sociais e psicológicas implicando na qualidade de vida (OKUMA, 2002).
O envelhecimento satisfatório não é apenas uma resposta isolada dos hábitos de vida, mas sim um resultado da interação dos indivíduos vivendo numa sociedade em transformação. Para obter um envelhecimento saudável, segundo o autor, devemos administrar as dificuldades, identificar-se na vida profissional, exercitar a memória, convívio familiar saudável, bons hábitos, estilo de vida prazeroso, atitude positiva diante da vida e melhoria da auto ? estima (GUEDES, 2001).
Ressaltando um dos pontos destacados acima que é a melhoria da auto - estima para se obter um envelhecimento saudável. Conforme a autora Guerra (2006), a auto ? estima é definida como a capacidade que uma pessoa tem de confiar em si própria, de si enfrentar os desafios da vida, e saber expressar formas adequadas de si para os outros, em suma é ter amor próprio, gostar de si mesmo, gostar de cuidar ? se.
A auto - estima é a base do equilíbrio para o ser humano. É a cura das dificuldades e sofrimentos para todas as doenças de origem emocional. As mudanças fisiológicas, psicológicas, e sociais que ocorre com o processo de envelhecimento poderão influenciar de maneira decisiva no comportamento e auto ? estima da pessoa idosa (ZAGO, 2006).
A velhice é, portanto, resultado dos anos vividos, não havendo segredos ou mágicos. Havendo uma relação corrente entre a qualidade de vida e o processo de envelhecimento, onde a partir das experiências vividas no passado e no presente que se pode prevê como será a velhice (NERI, 1999).

Hábitos saudáveis como fator determinante para qualidade de vida do idoso
Segundo a primeira diretriz da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (2006), que é a promoção do envelhecimento ativo e saudável, isto é, envelhecer mantendo a capacidade funcional e a autonomia. É reconhecidamente a meta de toda ação de saúde, ela permeia todas as ações de cuidados desde as áreas de atendimento ao pré - natal até a fase da velhice.
A abordagem do envelhecimento ativo baseia-se no reconhecimento dos direitos das pessoas idosas e nos princípios de independência, participação, dignidade, assistência e auto - realização determinados pela Organização Pan Americana de Saúde ? OPAS (2005).
Guedes (2001), ressalta que a velhice satisfatória é o resultado de uma boa interação do individuo com a sociedade em constante transformação. Apresentando alguns componentes para se obter um envelhecimento benéfico através de um estilo de vida saudável com prática de atividades físicas, lazer, alimentação saudável evitando, o stress, a ingestão de alimentos gordurosos diminuindo o excesso de sal, açúcar, necessidade de evitar o fumo, álcool.
A atividade física regular é fundamental para preservação da qualidade de vida dentro de um envelhecimento saudável. De todas as faixas etárias, as pessoas idosas são as mais beneficiadas pela atividade física. Os riscos de adquirir muitas doenças em geral comuns na velhice, diminuem com a prática regular de exercícios físicos (NIEMAN, 1999).
A prática regular de atividades físicas como caminhada, natação, hidroginástica e a dança trazem vários benefícios para os idosos. Dentre os benefícios das atividades físicas destacam ? se a melhoria do condicionamento físico, aumento da densidade óssea, auxilio no controle do Diabetes Mellitus, das doenças cardíacas, da artrite, melhora da ingestão de alimentos, diminuição da depressão e de acidentes domiciliares ( NAHAS, 2001).
Ao começar realizar qualquer atividade física, o idoso deve levar em consideração algumas regras para o bom desenvolvimento dessas atividades como: acompanhamento e autorização médica, realizar alongamento antes da prática de atividade física, respeitar um período de recuperação suficiente após exercício, evitar esforços violentos e adaptar ? se aos exercícios conforme a idade, os antecedentes esportivos, desejos e capacidade de realização da atividade física (LÉGER et al, 1994).
Um tipo de atividade física que proporciona ao individuo um esforço uniforme e bem dosado é a caminhada que proporciona a oportunidade de apreciar a natureza a socialização com outras pessoas que também praticam a caminhada. Onde uma boa caminhada diária contribui para o coração trabalhar melhor, bombeando mais sangue, aumentando a capacidade respiratória, tonificando os músculos beneficiando todo o organismo (OTTO, 1987).
Léger et al (1997), acredita que um dos fatores preponderantes a ser observado em programas de atividades físicas para idosos é a dosagem exata dos exercícios que deverá ser levado em consideração, assim como também programas individuais observando a estrutura e morfologia de cada sujeito.
Outra atividade física é a corrida considerada ideal para resistência e agindo nas articulações. A corrida deve ser praticada por idosos que se encontram bem fisicamente. Considerando que para o individuo obter um resultado positivo ele deve manter o tronco reto, os braços oscilar naturalmente, sem cruzar em frente ao tronco, cotovelos em ângulo reto, as mãos descontraídas, os pés tocar o chão do calcanhar até as pontas (OTTO, 1987).
A natação também é um excelente exercício porque atua em todos os músculos, melhora a coordenação motora, corrigi a postura, alonga e fortalece a musculatura, não agride o corpo diminuindo o impacto das articulações e os riscos de lesões. Indicada para o tratamento e prevenção da asma, bronquite, hipertensão e problemas ortopédicos. Sendo assim a natação constitui uma ótima forma de atividade física para os idosos (MANSO, 1997).
Segundo Nogueira (1994), a hidroginástica além de promover o bem estar dos praticantes ainda atua de maneira eficaz no combate a obesidade, na prevenção da osteoporose, como auxiliadora no tratamento de desvio da coluna vertebral, atuando para o retardamento de uma série de doenças crônica - degenerativa.
A prática da hidroginástica permiti que o corpo reduza os impactos evitando o surgimento de lesões. Na hidroginástica o individuo consegue determinar a força a ser usada nos exercícios de acordo com a capacidade de vencer a resistência da água, diminuindo os riscos de ultrapassar seus limites e de desenvolver varizes, uma vez que o sangue circula melhor pelo corpo com a pressão de água (GONÇALVES, 1997).
De acordo com Léger et al (1994), outro tipo de atividade física como também uma atividade de lazer é a dança muito apreciada pelas pessoas idosas. Pois a mesma é como um jogo que traz alegria. Ela é um bálsamo para as dificuldades do momento e ainda facilita a utilização do corpo. A dança estimula as relações e introduz o contato físico e mobiliza afetos e representações sexuais.
A dança é importante por permitir ao idoso desenvolver e integrar três importantes áreas da psicomotricidade que são: a área motora: com exercícios que estimulem uma boa postura, condicionamento físico e coordenação motora. A área afetiva: trabalha a libertação de emoções, sentimentos e idéias. O campo cognitivo: busca desenvolver a capacidade de concentração, memorização e assimilação dos ensinamentos (BARRILI, 2001).
A qualidade de vida da terceira idade está também atrelada à nutrição adequada. Visto que os idosos passam por uma série de problemas e necessidades nutricionais relacionadas com as alterações físicas, socioeconômicas e ambientais associadas ao processo de envelhecimento. Dessa maneira, faz ? se necessário à ingestão nutrientes nas quantidades recomendadas para uma nutrição adequada (BASSOUL et al, 1998).
De acordo com Mitchell et al (2002), a nutrição é a ciência do alimento e sua atuação e interação é um balanço em relação entre a saúde e a enfermidade, é o processo através do qual o organismo ingere, digere, absorve, transporta, utiliza e excreta os nutrientes.
Os nutrientes se apresentam sob diversas formas com variações em seu estado físico e composição química, com suas propriedades organolépticos que é toda propriedade que pode ser percebida com os sentidos humanos: visão, audição, olfato, paladar e tato, através de sua capacidade de provocar o apetite de seu consumidor (EVANGELISTA, 2001).
Para melhor esclarecer a respeito do que seja alimento e nutrientes Guedes (1998) assim se posiciona relatando que alimentos são produtos obtidos na natureza, seja de procedência animal ou de origem vegetal, consumidos para atender as necessidades orgânicas manifestadas pela fome. Onde nutrientes, por sua vez, são componentes que constituem e integram os alimentos.
Os nutrientes constituem matéria prima para a fabricação dos materiais de renovação do organismo. Onde a manutenção da quantidade ingerida na alimentação é fundamental para a população geral e também para o idoso. Além de suprir os gastos vitais das atividades diárias, ela se torna, na pratica, o principal responsável na manutenção de um bom estado nutricional (EVANGELISTA, 2001).
A ingestão adequada de todos os nutrientes nas quantidades recomendadas deve ser um aspecto observado diariamente por todos os idosos que se preocupam com sua saúde, seu bem estar físico e cognitivo e seu futuro. E ainda pretendem evitar, ou pelo menos retardar o aparecimento das doenças crônicas e degenerativas mantendo sua capacidade funcional preservada (BASSOUL et al, 1998).
Os princípios de planejamento para uma dieta básica que engloba todos os nutrientes presentes nos alimentos com moderação, equilíbrio e variedade, então demonstrados no guia da pirâmide alimenta. É importante consumir refeições densas com nutrientes saborosos e de consistência apropriada em média de 4 à 5 refeições diárias (MAHAN e STUMP, 2005).
Segundo Nahas (2001), no inicio dos anos 90 introduziu ? se uma nova proposta para alimentação saudável das pessoas através da pirâmide alimentar, enfatizando uma reeducação alimentar com a ingestão de cereais integrais, frutas, verduras. Esse modelo, chamado "Pirâmide Alimentar", é um guia simples e prático de consumo, na proporção adequada, dos alimentos mais nutritivos e indispensáveis para sua saúde. Conforme mostra a figura abaixo:
Figura ? 1: A pirâmide alimentar: um guia para alimentação saudável
Raramente
Gorduras, açúcares, álcool
Estruturais (2 a 3 porções diárias)
Carnes, leite e derivados, ovos, leguminosas e sementes
Reguladores (3 a 5 porções diárias)
Legumes, verduras e frutas
Energéticos (6 a 11 porções diárias)
Cereais, pães e massas
Fonte: Sociedade Americana de Nutrição

Essa pirâmide alimentar estabelece prioridades e proporções diárias. Onde Pesquisas científicas levaram os nutricionistas a criar esse modelo de orientação alimentar visando não só ao bem estar físico e ao retardo do envelhecimento, como à proteção contra determinados tipos de câncer, doenças cardíacas, derrames cerebrais, etc (WILLANS, 2000).
Dietas ricas em gorduras (saturadas) e sal, pobres em frutas e legumes e que suprem uma quantidade insuficiente de fibras e vitaminas, combinadas ao sedentarismo, são os maiores fatores de risco de problemas crônicos como diabetes, doenças cardiovasculares, pressão alta, obesidade, artrite e alguns tipos de câncer em idosos (BRASIL, 2005).
Conforme Mahan e Stump (2005) é indicada a ingestão calórica media de 2.000 Kcal/dia para homens e de 1.600 Kcal/dia. Uma ingesta de 1,o g ou 1,5 g de proteína por Kg de peso por dia, os carboidratos devem permear em torno de 45% a 55% de calorias totais diárias dadas ênfase aos carboidratos complexos como leguminosas, hortaliças, grãos integrais e frutas para fornecer vitaminas e minerais essenciais à manutenção da saúde do idoso.
Uma dieta normal deve conter variados nutrientes com múltiplas funções, classificados em: alimentos construtores e alimentos energéticos e reguladores. Na classe dos alimentos construtores se encontram as proteínas, sais minerais, água e eletrólitos. E na classe dos alimentos energéticos são incluídos as gorduras e os carboidratos e na classe das reguladoras se encontram as vitaminas (KAMEL e KAMEL, 1998).
As proteínas são constituintes fundamentais das células e tem como principal função à reconstituição dos tecidos. Os alimentos ricos em proteínas podem ser classificados de acordo com sua origem, em animal e vegetal. Onde podemos encontrar essas proteínas nas carnes, leites, ovos, leguminosas e sementes (QUIRINO, 2006).
Os sais minerais são alimentos plásticos que são destinados ao crescimento e reparação do organismo desgastado, tomando parte na formação dos tecidos que sustentam todo o organismo, como podemos constatar a presença nos glóbulos vermelhos, tecido ósseo, dente s e cartilagem (KAMEL e KAMEL, 1998).
As gorduras (lipídios) têm papel funcional na alimentação, podendo ser considerada benéfica ou prejudicial ao organismo. Podemos dividir as gorduras em alimentares em: saturadas, geralmente de origem animal, e não saturadas, de origem vegetal. As gorduras saturadas seriam prejudiciais ao organismo, predispondo ? o a aterosclerose, enquanto que as não saturadas teriam ação reversa, isto é, previne a aterosclerose (MAHAN e STUMP, 2005).
As vitaminas são compostas que tem ação reguladora sobre o aproveitamento dos alimentos. É imprescindível que as doses satisfaçam as necessidades dos idosos, como a vitamina A que deve ser menos ingerida porque se deposita e é utilizada com menos eficiência. Onde é preciso mais vitamina D porque os idosos se expõem menos ao sol, mais piridoxina (B6), sua carência afeta as funções do sistema nervoso (WILLANS, 2000).
Vale ressaltar ainda a importância das fibras alimentares na ação preventiva de doenças, em decorrência de contribuírem para redução da exposição a agentes carcinogênicos, aumento do bolo fecal e/ou diminuição do tempo de transito do bolo intestinal, produção dos ácidos graxos de cadeia curta que reduzem o PH do bolo intestinal e desempenham função fisiológica relevante ao tecido epitelial e hepático (QUITÃES e OLIVEIRA, 2005).
A ingestão adequada de todos os nutrientes nas quantidades recomendadas deve ser um aspecto observado diariamente por todos os idosos que se preocupam com sua saúde, seu bem estar físico e cognitivo e seu futuro. Alem disso, ainda pretendem evitar, ou pelo menos retardar o aparecimento das doenças crônicas e degenerativas mantendo sua capacidade funcional preservada (BASSOUL et al, 1998).
Estudos realizados relatam a importância dos alimentos funcionais que é definido como todo alimento que além das funções nutricionais, tem componentes ativos que produzem efeitos benéficos à saúde , sendo seguros para consumir sem supervisão medica. Esses alimentos podem promover a longevidade e da qualidade de vida da pessoa idosa, pois além de nutrir, previne o aparecimento de doenças (QUITÃES e OLIVEIRA, 2005).
Vale ressaltar alguns alimentos funcionais com seus componentes ativos, propriedades benéficas e exemplos de alimentos funcionais mencionados pela Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais, conforme exposto na tabela 1, abaixo:
Tabela 1. Relação dos alimentos funcionais com seus princípios ativos, propriedades benéficas e exemplos de alimentos:
Componentes ativos Propriedades benéficas Exemplos de alimentos funcionais que contém o componente
Isoflavonas Ação estrogênica (reduz sintomas menopausa) e é anti- câncer Soja e derivados
Proteínas da soja Redução do nível de colesterol Soja e derivados
Ácidos a-linolênico Estimula o sistema imunológico e tem ação antiinflamatória. Óleos de linhaça, colza, soja; nozes e amêndoas.
catequinas Reduzem a incidência de certos tipos de câncer,reduz o colesterol e estimulam o sistema imunológico Chá verde,cerejas,amoras, framboesas,mirtilo uva roxa, vinho tinto
Licopeno Antioxidante,reduz níveis de colesterol e o risco de certos tipos de câncer como de próstata Tomate e derivados,goiaba vermelha pimentão vermelho ,melancia
Luteina e zeaxantina Antioxidantes; protegem contra degeneração muscular Folhas verdes ( luteina) pequi milho(zeaxatina)
Indóis e isotiocianatos Indutores de enzimas protetores contra o câncer,principalmente de mama Couve flor ,repolho ,brócolis ,couve de Bruxelas ,rabanetes e mostarda
flavonoides Atividades anti-câncer,vasodilatadora anti inflamatória,e antioxidante Soja,frutas cítricas,tomate,salsa pimentão,alcachofra,cereja.
Sulfetos alilicos (alilsulfetos) Reduz colesterol ,pressão sanguínea, melhoram o sistema imunológico e reduz risco de câncer gástrico Alho e cebola
ligninas Inibição de tumores hormonais dependentes Linhaça e noz moscada
Tanino Antioxidante,anti-séptico,vaso constritor Maçã,sorgo,manjericão, sálvia, uva, caju, soja, etc
Estanóis e esteróis vegetais Reduzem risco de doença cardiovasculares Extraídos de óleos vegetais como soja e de madeira
Probioticos bifidobacterias lactobacilos Favorecem as funções gastrintestinais ,reduzindo o risco de constipação e câncer de colon Leites fermentados, iogurtes e outros produtos lácteos fermentados
Ácidos graxos omega ? 3
( EPA e DHA) Redução do LDL ? colesterol; ação anti ? inflamatório. Indispensável para o desenvolvimento do cérebro e retina do recém nascido. Peixes marinhos como sardinha, salmão, atum, anchova, arenque, etc.
Fonte: Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais
Portanto, faz ? se necessário a promoção da saúde através de uma boa qualidade de vida, sendo fundamental que o idoso aprenda a lidar com as transformações de seu corpo e tire proveito dessa condição, prevenindo e mantendo um bom nível de sua autonomia. Para isto, é necessário que procure estilo de vida saudável para sua vida cotidiana promovendo assim um envelhecimento saudável.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com o propósito de realizar um estudo abordando a qualidade de vida da pessoa idosa como fator necessário para um envelhecimento saudável, foi realizada uma investigação literária avaliando a opinião dos diversos autores especializados no tema em questão. Entendeu ? se que todos os autores pesquisados concordam que há uma estreita relação entre estilo de vida e o processo de envelhecimento saudável.
Neste estudo podemos perceber entre os autores anteriormente citados, houve uma concordância entre os mesmos no que diz respeito ao envelhecimento saudável estar atrelada à adoção de hábitos saudáveis tais como: prática de atividades físicas, sexuais, lazer, alimentação saudável evitando a ingestão de alimentos gordurosos diminuindo o excesso de sal, açúcar, necessidade de evitar o fumo, álcool, minimizando o stress.
Conforme estabelece a Política Nacional de Saúde do Idoso (2006), em sua primeira diretriz que ressalta a promoção do envelhecimento ativo e saudável. Envelhecer, portanto, deve ser com saúde, de forma ativa, livre de qualquer tipo de dependência funcional, o que exige promoção da saúde em todas as idades, não apenas na velhice.
Quanto à prática de exercícios físicos, são unânimes em ressaltar os seus benefícios, entretanto considerando a capacidade individual de cada idoso, neste sentido destacamos a caminhada, a corrida, a natação, a hidroginástica a dança, para o proporcionar uma qualidade de vida saudável durante o envelhecimento.
Outro fator dado ênfase pelos autores, no tocante a qualidade de vida para um envelhecimento saudável, está atrelada a ingestão adequada de nutrientes para evitar o retardo de doenças crônicas degenerativas associadas ao processo de envelhecimento.
Destacando também a importância dos alimentos funcionais tanto pelos componentes ativos e propriedades benéficas, que além de nutrirem previnem de doenças em especial as cardiovasculares, contribuindo também contra as doenças crônicas degenerativas e de maior incidência entre as causa de mortalidade dos idosos.
O aprofundamento dessa temática se reveste de importância não somente pela construção de um corpo de conhecimento, como também um ponto de reflexão e partida acerca da necessidade da incorporação de hábitos saudáveis para se obter uma qualidade de vida para um envelhecimento saudável, minimizando assim os efeitos adversos do processo de envelhecimento e as implicações para a sua autonomia e independência na velhice.

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Sobre este autor(a)
Enfermeira especialista em saúde da família e saúde coletiva, mestranda em ciências ambientais pela UNITAU. Docente do curso de enfermagem da FABIC e docente da UFMA
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