O PAPEL DA ENFERMAGEM NA SAÚDE DO IDOSO DENTRO DO PSF
 
O PAPEL DA ENFERMAGEM NA SAÚDE DO IDOSO DENTRO DO PSF
 


*SANTANA, Juliana Espíndola

Resumo: O cuidado de idosos por parte da enfermagem foi durante muito tempo deixada quase que para segundo plano, embora a enfermagem estivesse entre as poucas profissões envolvidas com os idosos. Ações de prevenção de doenças, como os PSF, estavam quase que limitadas exclusivamente ao âmbito hospitalar. Mas, atualmente essas ações migraram para os ambientes comunitários, trazendo melhor qualidade de vida aos idosos.

Palavras-chave: Enfermeiro; idoso; saúde.

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* Acadêmica do 3o semestre de Enfermagem da faculdade de Quatro Marcos-FQM


1. Introdução:
O envelhecimento provoca mudanças no organismo do indivíduo, trazendo consigo algumas doenças como a Osteoporose, Hipertensão Arterial, Incontinência Urinaria, Diabetes, Alzheimer, Câncer, entre outras. O cuidado de idosos por parte da enfermagem foi durante muitos anos uma prática quase que esquecida. As enfermeiras geriátricas por muito tempo foram consideradas de capacidade inferior às demais enfermeiras de outros ramos da profissão, no entanto a enfermagem sempre esteve entre as poucas profissões envolvidas com os idosos. Ações de promoção da saúde antes da criação do Programa Saúde da Família (PSF) estavam quase que limitadas exclusivamente ao âmbito hospitalar. Mas, atualmente, essas ações migraram para os ambientes comunitários. Os idosos podem beneficiar-se ao máximo das ações de promoção da saúde desenvolvidas pelos enfermeiros do PSF, que os ajudam a manter a sua independência e um envelhecimento saudável, melhorando assim sua qualidade de vida.

2. Desenvolvimento:
A longevidade adquirida por meio de melhor qualidade de vida da população, melhor condição alimentar, de higiene, sanitárias e, particularmente, condições ambientais no trabalho e nas moradias muito melhores que antigamente, vem proporcionando o envelhecimento da população brasileira (ARAÚJO, 2003). Aliada à longevidade, vem a queda da mortalidade e o aumento da fecundidade registrados nas ultimas décadas no Brasil, e podem também serem incluídos como fatores que têm proporcionado o envelhecimento, fazendo com que o resto da população passe a viver por mais tempo (BRASIL, 2002). Envelhecer hoje passou a ser uma experiência que pode ser vivida por um número cada vez maior de pessoas não só no Brasil como no mundo, contudo envelhecer com saúde ainda é para poucos. Somente envelhecer não é suficiente, pelo que VERAS, 2003, p. 708, afirma que: "o envelhecimento da população é uma aspiração natural de qualquer sociedade, mas não basta por se só. Viver mais é importante desde que se consiga agregar qualidade aos anos adicionais de vida". Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) entre 1950 a 2025 a população brasileira de idosos crescerá 16 vezes, enquanto que a população total crescerá cinco vezes, com isso é provável que em 2025 o Brasil tenha a sexta maior população idosa do mundo, com aproximadamente 32 milhões de pessoas pertencentes a esse grupo. Daí a necessidade de os profissionais de saúde colocarem em prática as políticas públicas voltadas aos idosos (BRASIL, 2002). Essa conjuntura acarreta um grande desafio para a sociedade e principalmente, para o setor saúde que sofreu um grande impacto, porque esse envelhecimento vem acontecendo muito rápido e sem que tenha ocorrido previamente, uma sustentável melhoria das condições de vida da população. Contudo, envelhecer não necessariamente tem que estar associado a doenças e incapacidades, mas infelizmente doenças crônico-degenerativas freqüentemente são encontradas nessa faixa etária (ALVES, 2004). Estudos mostram que mais de 85% de nossos idosos apresentam pelo menos uma enfermidade crônica, e que cerca de 15%, apresentam pelo menos cinco. Alguns indivíduos podem atingir idades avançadas em excelente estado de saúde e sem nenhuma doença crônica, mas infelizmente isso acontece com um número muito pequeno de idosos. Contudo, ter uma doença crônica não significa dizer que os idosos percam suas capacidades funcionais, como também não necessariamente idosos independentes não tenham algum tipo de doença. Isso implica dizer que a maioria dos idosos é capaz de tomar decisões e viver sem nenhuma necessidade de ajuda (BRASIL, 2002). Muitos problemas encontrados nos idosos poderiam ser facilmente identificados precocemente, retardando ao máximo suas conseqüências, sendo que estas muitas vezes passam despercebidas pelos médicos no hospital que se guiam em uma queixa principal e encaixam todos os sinais e queixas em uma única doença (BRASIL, 2002). Programas de promoção da saúde do idoso são cada vez mais necessários, devido ao crescente aumento dessa faixa etária em todo o país. Em 1999 surgiu a Política Nacional de Saúde do Idoso que tem como principais diretrizes, a promoção do envelhecimento saudável, a manutenção da capacidade funcional, a assistência às necessidades de saúde do idoso, a capacitação de recursos humanos especializados, a reabilitação e apoio a pesquisa e estudos nessa área (MS. PORTARIA Nº 1395/1999). O Pacto pela Vida de 2006 determina que devam ser seguidas, algumas diretrizes norteadoras de suas ações em relação aos idosos como: estimulo as ações intersetoriais, implantação de serviços de atenção domiciliária, promoção do envelhecimento saudável, atenção integrada e integral a saúde da pessoa idosa, fortalecimento da participação social, acolhimento preferencial em unidades de saúde, provimento de recursos capazes de assegurar a qualidade da atenção à saúde da pessoa idosa e divulgação e informação sobre a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa para profissionais de saúde, gestores e usuários do SUS (MS. PORTARIA Nº 399/2006). Através do Programa de Saúde da Família (PSF) criado em 1994, o Sistema Único de Saúde do Brasil (SUS) enfoca a atenção básica voltada à comunidade. Nesse contexto, a enfermagem tem implantado e desenvolvido políticas e programas de saúde, para isso o enfermeiro tem que ter conhecimentos interdisciplinares, atuar com outros profissionais alem de competências e habilidades exclusivas da profissão. Lugares geograficamente distantes dos grandes centros urbanos estão cada vez mais se integrando aos programas de atenção básica de saúde, levando com isso o deslocamento de profissionais de enfermagem para regiões cada vez mais distantes, e é justamente na atenção básica que os enfermeiros do Brasil estão mostrando sua força, compromisso e competência, dando sustentação as ações de promoção a saúde e prevenção de doenças (SANTOS, 2007). Segundo as normas de operacionalização da assistência a saúde (NOAS), a principal função dos enfermeiros na atenção básica é:
Prestar assistência individual e coletiva, levando em conta as necessidades da população, aliando a atuação clínica à prática de saúde coletiva, realizando cuidados diretos de enfermagem nas urgências e emergências clínicas, realizando consulta de enfermagem, solicitando exames complementares, prescrevendo ou transcrevendo medicações. Executa as ações de assistência integral a criança, a mulher, ao adolescente, ao adulto e ao idoso. (SANTOS, 2007, p. 403-404).
Segundo BRUNES & SUDTARTH (2005) ações de promoção da saúde antes da criação do PSF estavam quase que limitadas exclusivamente ao âmbito hospitalar, atualmente essas ações migraram para os ambientes comunitários. Tornar o próprio indivíduo responsável sobre se mesmo é fundamental para uma promoção de saúde bem sucedida, pois cada indivíduo é responsável pelas escolhas que determinam o seu estilo de vida. O enfermeiro deve promover a saúde dos indivíduos pertencentes a qualquer faixa etária, pode-se afirmar que a promoção da saúde começa antes do nascimento estendo-se até a velhice, uma vez que a saúde da criança pode sofre alterações tanto positivas como negativas dependendo das práticas de saúde da mãe no pré-natal. O Programa Saúde da Família (PSF) é hoje dito como estratégia principal de organização da atenção básica no Brasil. Ações de proteção, promoção, recuperação da saúde e prevenção de doenças são desenvolvidas com enfoque multiprofissional, entre os integrantes da equipe está o profissional de enfermagem, que tem uma grande responsabilidade na promoção da saúde do idoso. Para os idosos a promoção da saúde é tão importante quanto para as outras faixas etárias, apesar de um grande número de idosos apresentarem uma ou mais doenças crônicas e exibirem limitações em suas atividades; a promoção da saúde apresenta-se de forma positiva, uma vez que os idosos apresentam ganhos significativos para sua saúde, essas limitações e incapacidades não podem ser eliminadas, contudo, os idosos podem beneficiar-se ao máximo das ações de promoção da saúde desenvolvidas pelos enfermeiros do PSF, que os ajudam a manter a sua independência e um envelhecimento saudável, melhorando assim sua qualidade de vida. Como as projeções futuras é que a população idosa brasileira aumente cada vez mais, fica evidente a necessidade de se abrir às portas da atenção básica, por meio dos profissionais da Estratégia Saúde da Família (ESF) para os nossos idosos. A enfermagem como parte essencial do PSF e como fonte desse estudo, deve prestar aos idosos de sua área de cobertura, uma assistência integral e isso só é possível quando se conhece as particularidades da pessoa idosa.

3. Considerações Finais:
Os PSF têm sido de fundamental importância na promoção da saúde familiar e, em especial, dos idosos porque ajuda a evitar uma série de enfermidades. Procura uma saúde preventiva, em vez de tratamentos hospitalares curativos, que são muito mais trabalhosos e custam mais. Com a tendência de uma população idosa cada vez mais no País, este tipo de trabalho será de fundamental importância no sistema de saúde, economizando para os cofres do Governo e melhorando a qualidade de vida da população, especialmente dos idosos.


Bibliografia:

ARAÚJO, M. A. S. et al - Perfil do idoso atendido por um programa de saúde da família em Aparecida de Goiânia ? GO. Revista da UFG, Vol. 5, No. 2, dez 2003. Disponível em: Acesso em: 15 de Set. 2008.
BRASIL. Ministério da Saúde. Estatuto do Idoso ? 1. Ed. 2ª. Reimpressão. ? Brasília: Ministério
BRUNNER & SUDDARTH. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica / Suzanne C. Smeltzer, Brenda G. Bare, e mais 50 colaboradores; [revisão técnica Isabel Cristina Fonseca da Cruz, Ivone Evangelista Cabral, Márcia Tereza Luz Lisboa; trad. José Eduardo Ferreira de Figueiredo]. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.
SANTOS. M. O Idoso na Comunidade: Atuação da Enfermagem. In: Papaléo Neto, Matheus (org). Tratado de Gerontologia. Matheus Papaléo Netto. 2.ed., ver. e ampl. ? São Paulo: Editora Atheneu, 2007, p.403-413.
VERAS, R. Em busca de uma assistência adequada à saúde do idoso: revisão da literatura e aplicação de um instrumento de detecção precoce e de previsibilidade de agravos. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 19(3): 705-715, mai-jun, 2003.

 
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