IMUNIZAÇÃO: HISTÓRICO SOBRE A VACINAÇÃO NO BRASIL
 
IMUNIZAÇÃO: HISTÓRICO SOBRE A VACINAÇÃO NO BRASIL
 


IMUNIZAÇÃO: HISTÓRICO SOBRE A VACINAÇÃO NO BRASIL, VACINAS DISPONÍVEIS NO CALENDÁRIO BÁSICO DA CRIANÇA E VACINAS INDICADAS PELA SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES (SBIm) PARA O CALENDÁRIO DA CRIANÇA DISPONÍVEIS APENAS NA REDE PARTICULAR.

 

 

 Vanni de Jesus Silva[1]

 

 

RESUMO: Durante muitos anos a população mundial foi vítima de diversas doenças que causaram grande número de mortes, chegando-se a exterminar populações inteiras. Com o avanço tecnológico na área da saúde, pesquisadores conseguiram criar medicamentos para combater diversas patologias já instaladas, e produzir também as vacinas que atuam na prevenção. Sabemos que a grande maioria das doenças não podem ser prevenidas por vacinação, mas atualmente existem no mercado diversos tipos de vacinas, que não são do conhecimento da grande maioria da população por não estarem incluídas no calendário básico da rede pública. Este estudo tem como objetivo, trazer um breve histórico sobre vacinação no Brasil, apresentar as vacinas que estão disponíveis para o calendário básico da criança e as vacinas disponíveis apenas na rede particular, não sendo do conhecimento de grande parte da população. Será uma pesquisa exploratória baseada em literatura pertinente ao tema, banco de dados da internet como scielo, bireme e outros, sem determinar um período específico. Buscamos com isso sensibilizar os leitores do grande benefício que as vacinas trazem para saúde das crianças.

 

Palavras  chave: doenças, vacinas, vacinação, calendário vacinal.

 

ABSTRACT: During many years the world-wide population was victim of diverse diseases that had caused great number of deaths, arriving itself it to kill entire populations. With the technological advance in the area of the health, researchers had obtained to create medicines to fight diverse installed pathologies already, and to also produce the vaccines that act in the prevention. We know that the great majority of the diseases cannot be prevented by vaccination, but currently exist in the market diverse types of vaccines, that are not of the knowledge of the great majority of the population for not being enclosed in the basic calendar of the public net. This study it has as objective, to bring a historical briefing on vaccination in Brazil, to present the vaccines that are available for the basic calendar of the child and available vaccines only in the particular net, not being of the knowledge of great part of the population. It will be a based exploratory research in pertinent literature to the subject, data base of the Internet as scielo, biredeems and others, without determining a specific period. We search with this to sensetize the readers of the great benefit that the vaccines bring for health of the children.

 

 

WORDS - KEY:  diseases, vaccines, vaccination, vaccine calendar.

 


INTRODUÇÃO

 

 

Segundo Vranjac (2008), quatro tipos de enfoques são fundamentais no que se refere a atenção à saúde: promoção e proteção da saúde, diagnóstico, tratamento precoce e reabilitação de eventuais sequelas. Na prevenção das doenças infecciosas, as vacinas proporcionam amplos benefícios, o que ficou provado com a erradicação da varíola no mundo, a erradicação da poliomielite e interrupção da circulação autóctone do vírus do sarampo nas Américas.   

 

 

A prática da vacinação envolve diversos aspectos científicos e técnicos operacionais que envolvem os agentes imunizantes e a pessoa a ser imunizada, e para isso se faz necessário que a equipe de vacinação esteja ciente desses aspectos para que possa assumir decisões em situações diferentes das previstas nos manuais de normas técnicas (VRANJAC, 2008).     

 

Vacinas não são produtos genéricos, e quando fabricadas por diferentes empresas têm características distintas, podendo originar frequentemente maior ou menor eficácia e reatogenicidade, fato relacionado às diferentes composições de cada uma delas, e também pelo processo de produção por que passam, mesmo quando são indicadas contra o mesmo agente agressor (MIGOWSKI, 2007).

 

Segundo Migowski (2007), as mais importantes características de uma vacina vão depender da sua natureza, ou seja, do tipo de antígeno que a compõe, podendo ser inativado ou atenuado. Para o autor compreender essa diferença é extremamente importante, pois tal informação proporciona maior segurança quanto a utilização e entendimento dessa poderosa arma da saúde pública.

 

Segundo Luz; Souza; Ciconelli (2007), vacinação é a exposição deliberada, por injeção, ingestão ou inalação de um produto não-tóxico que estimula o indivíduo a produzir anticorpos, e caso o indivíduo seja reexposto ao patógeno contra o qual foi vacinada, a reexposição resulta em uma resposta secundária que inclui a proliferação de células B e formação de anticorpos, que protegem o indivíduo contra o desenvolvimento da doença.

 

A vacinação passou por diversas crises que muito influenciaram e ainda hoje influenciam na resistência e aceitabilidade em relação às vacinas. Muitas são as variáveis que fazem a população ter pensamentos diferentes em relação à importância da vacinação, sobretudo das crianças. Questões demográficas, sócio-econômicas, religiosas, científicas, políticas, falta de confiança devido acidentes apresentados nas primeiras campanhas, entre outras, marcaram os primeiros anos da história da vacinação no Brasil (MOULIN, 2003).   

 

Este estudo tem como objetivo, trazer um breve histórico sobre a vacinação na Brasil, mostrar as vacinas disponíveis no calendário básico da criança e vacinas indicadas pela sociedade brasileira de imunizações (sbim) para o calendário da criança disponíveis apenas na rede particular, que não são do conhecimento de grande parte da população. Será uma pesquisa exploratória baseada em literatura pertinente ao tema, banco de dados da internet como scielo, bireme e outros, sem determinar um período específico. Buscamos com isso sensibilizar os leitores do grande benefício que as vacinas trazem para saúde das crianças.

 

 

REFERENCIAL TEÓRICO

 

Com o sucesso da Campanha de Erradicação da Varíola (CEV), uma corrente que defendia maiores investimentos para o controle de doenças infecciosas passíveis de prevenção por imunização, foi fortalecida. Neste período que se estendeu de 1973 a 1980, algumas iniciativas importantes permitiram visualizar-se a construção de uma base técnica, política e institucional que só nas décadas seguintes iriam consolidar-se como ferramenta do Estado no controle de algumas doenças prevalentes no país (TEMPORÃO, 2003).

 

A reforma realizada pelo ministro da saúde Rocha Lagoa em 1970, instituiu o Departamento Nacional de Profilaxia e Controle de Doenças, e para o interior, a Divisão Nacional de Epidemiologia e Estatística de Saúde (DNEES). Até então, as atividades de vacinação estavam divididas: enquanto algumas eram operacionalizadas pelos programas verticais do MS, como varíola, tuberculose e febre amarela, outras eram executadas através das secretarias estaduais de Saúde como poliomielite, sarampo e vacina tríplice bacteriana (TEMPORÃO, 2003).

 

Segundo Temporão (2003) uma experiência fundamental na trajetória da DNEES foi a criação em 1971, do Plano Nacional de Controle da Poliomielite, que foi executado mediante campanhas sistemáticas de vacinação em nível estadual, e funcionou até o final de 1973 abrangendo cerca de 14 estados, permitindo acumular grande experiência de campo no controle desta doença, mas nesta época os resultados não puderam ser avaliados pela falta de ações de vigilância epidemiológica estruturadas em âmbito nacional.

 

O Plano Nacional de Controle da Poliomielite permitiu desenvolver investigação científica sobre a eficácia da vacina a ser utilizada; metodologia operacional e avaliação de desempenho em projeto piloto; metodologia de mobilização comunitária e de execução operacional de campanhas; suprimento continuado de vacinas e outros insumos e metodologia para desenvolver a capacitação de técnicos das secretarias estaduais, servindo de ponto de partida para a criação do Programa Nacional de Imunização (TEMPORÃO, 2003).

 

O Programa Nacional de Imunização é um programa do Ministério da saúde do Brasil, criado em setembro de 1973 e institucionalizado pelo decreto nº 78.231 de 12 de agosto de 1976, com o objetivo de promover o controle das doenças preveníveis por imunização, estabelecendo normas e parâmetros técnicos para a utilização de imunobiológicos para estados e municípios. O PNI também tem as funções de coordenação e supervisão da utilização dos imunobiológicos, e ainda participação na produção dos imunobiológicos produzidos no país (RIBEIRO, 2008).

 

Antes da criação do PNI, os imunobiológicos eram utilizados apenas para o controle de doenças específicas como a febre amarela ou a varíola, mas após sua implantação, a vacinação foi incorporada na rotina dos serviços de saúde, e o número de doenças contempladas com essa medida de prevenção foi ampliado, sendo que atualmente o PNI disponibiliza 12 vacinas para o calendário básico, são elas: BCG, contra hepatite B, vacina oral contra poliomielite, vacina tetravalente (DTP + Hib, contra difteria, tétano, coqueluche e infecções pelo haemophilus influenzae b), antimalárica, tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola), tríplice bacteriana DTP (contra difteria, tétano e coqueluche), dupla bacteriana dt (contra tétano e difteria), dupla viral (contra sarampo e rubéola), contra influenza, contra rotavírus e antipneumocócica (RIBEIRO, 2008).

 

Com a evolução do PNI, a sua abrangência passou a contemplar novas necessidades, como no caso de pessoas que necessitam de imunização diferenciada pelo fato de serem portadores de agravos a saúde que comprometem o sistema imunológico. Para suprir tais necessidades, o PNI implantou em 1993, os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais  CRIE. Na atualidade, existem 38 unidades de imunobiológicos especiais, tendo pelo menos um CRIE em cada estado e no Distrito Federal (RIBEIRO, 2008).

 

Os CRIEs mediante prescrição, realizam profilaxia pré e pós-exposição a determinados grupos de risco; substituição de imunobiológicos quando aqueles da rotina não puderem ser utilizados em razão da ocorrência de eventos adversos e imunização de pessoas imunodeficientes. Atualmente estão disponíveis nesses centros, a vacina antimeningocócica C conjugada, antipneumocócica, vacina pentavalente (DTP + Hib + HVB), DTP acelular, vacina VIP (Salk), contra varicela, contra hepatite A, contra hepatite B, contra influenza, contra Hib, contra febre tifóide. Também estão disponíveis soros homólogos anti-hepatite B, antitetânico, antivaricela zoster e anti-rábico (RIBEIRO, 2008).

 

O PNI tem como meta operacional vacinar 100% das crianças menores de um ano com as vacinas indicadas para faixa etária no calendário básico. Sobretudo para interromper a cadeia de transmissão das doenças imunopreveníveis são preconizadas metas mínimas de cobertura para a faixa etária indicada, sendo estas de 95% para tetravalente, antipoliomielite, hepatite B e tríplice viral; 90% para BCG e 100% para dupla adulta em mulheres em idade fértil nos municípios de risco para tétano neonatal (RIBEIRO, 2008).

 

Vacinar as crianças no primeiro ano de vida é fundamental para a prevenção de várias doenças transmissíveis e é um dos fatores associados com a redução da taxa de mortalidade infantil. A identificação da cobertura vacinal e dos fatores responsáveis pelo retardo ou pela falta de imunizações é fundamental para a adequada monitorização dos programas de vacinação e para se identificar e atingir as crianças que não são vacinadas (SILVA ET AL, 1999).

 

Segundo Silva et al (1999), no início da década de 80, as coberturas vacinais no Brasil estavam bem abaixo da meta preconizada pelo PNI. Na PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 1981, dentre as crianças de 1 a 4 anos, 74,1% estavam vacinadas contra o sarampo, 65,9% tinham recebido a BCG, 74,9% receberam 3 doses da vacina DPT (difteria, coqueluche e tétano) e 94,4% haviam tomado 3 doses da vacina Sabin, sendo que apenas 38,3% das crianças tinham recebido todas estas vacinas citadas e completado o esquema básico de vacinação. Em 1996, na Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde mostrou-se que as coberturas vacinais aumentaram, comparando-se com a década anterior, atingindo 92,6% para BCG, 80,3% para 3 doses da vacina DPT, 80,7% para 3 doses da vacina Sabin, 87,2% para a vacina anti-sarampo; 72,5% tomaram todas as vacinas. Um dado importante desta pesquisa foi que além de não se ter atingido a meta do Ministério da Saúde, foram identificadas grandes desigualdades regionais nas coberturas vacinais, sendo as mesmas mais elevadas nos Estados do Sul e Sudeste e mais baixas na região Nordeste.

 

Apesar da melhoria nas coberturas vacinais observada no Brasil, uma parcela das crianças continua sem ser vacinada adequadamente, mesmo em locais com ampla disponibilidade de serviços de saúde. Vários estudos de avaliação da cobertura vacinal e dos fatores relacionados à não-vacinação realizados em amostras representativas da população infantil foram desenvolvidos no mundo e no Brasil no sentido de elucidar esta questão. Dentre os fatores de risco para a não-vacinação destacam-se: baixa renda, residência em área rural, extremos de idade materna, maior número de filhos, baixa escolaridade materna, maior número de moradores no domicílio, residência há menos de 1 ano na área, falta de conhecimento acerca das doenças preveníveis por imunização, dificuldades de transporte, conflitos trabalhistas motivados pela perda de dias de trabalho para o cuidado dos filhos, ausência de seguro-saúde e presença de doença na criança (SILVA ET AL, 1999).

 

Não somente fatores relacionados com os usuários estão associados a níveis mais baixos de cobertura vacinal. Fatores estruturais relacionados aos serviços de saúde tais como retardo no agendamento das consultas, falta de consultas noturnas ou nos finais de semana, filas, tempo de espera, falta de brinquedos e distrações para as crianças durante a espera também dificultam as vacinações. Outra causa da não-vacinação ligada aos serviços de saúde são as oportunidades vacinais perdidas. Estas ocorrem quando a criança não é vacinada na presença de doença leve ou quando a criança comparece à consulta na unidade de saúde na época de receber a vacina e não é vacinada (SILVA ET AL, 1999).

 

 

Entre os instrumentos de política de saúde pública, a vacina ocupa, por certo, um lugar de destaque. No Brasil, as estratégias de vacinação têm alcançado altos índices de eficiência e servido de parâmetro para iniciativas semelhantes em outros países. Exemplos como os das campanhas contra a varíola e a poliomielite, bem como a proximidade da erradicação do sarampo em nosso território, demonstram os bons resultados dos programas de cobertura vacinal coordenados pelo Ministério da Saúde (PORTO; PONTE, 2003).

 

 

CALENDÁRIOS DE VACINAÇÃO

 

Segundo Migowski e Reis (2007), os calendários de vacinação são instrumentos que servem para orientar os médicos e profissionais de saúde que lidam com vacinas, em relação ao número de doses de cada imunobiológico e os intervalos recomendados, em geral o intervalo mínimo, entre as doses. Informam também a idade mínima para administração de determinadas vacinas.

 

Os calendários são documentos atualizados periodicamente, e em virtude desta periodicidade, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Academia Americana de Pediatria (AAP) divulgam calendários todos os anos. As alterações são baseadas na incidência das doenças, novas pesquisas e a opinião de especialistas (MIGOWSKI; REIS, 2007).

 

No Brasil três instituições divulgam calendários de vacinação, sendo a primeira o Ministério da Saúde por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), que publica calendários para crianças, adolescentes e adultos/idosos; a segunda é a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que publica um calendário vacinal para crianças e adolescentes; e a terceira a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), que publica todos os anos calendários atualizados para a vacinação de crianças, adolescentes, adultos, mulheres gestantes ou não, e mais recentemente o calendário vacinal para o bebê prematuro (MIGOWSKI; REIS, 2007).

 

 

Calendário de Vacinação da Criança

Programa Nacional de Imunizações (Ministério da Saúde)

IDADE

VACINAS

DOSE

DOENÇAS EVITADAS

Ao nascer

BCG

HB (Hepatite B)

Dose única

1ª dose

Tuberculose

Hepatite B

1 mês

HB (Hepatite B)

2ª dose

Hepatite B

2 meses

Tetravalente (DTP-Tríplice bacteriana + Hib-contra Haemophilus influenzae do tipo b)

VOP (Sabin)

VORH (Vacina oral de rotavírus humano)

1ª dose

 

 

 

1ª dose

1ª dose

Difteria, tétano e coqueluche +

Meningite e outras infecções causadas pelo Hib

 

Poliomielite (paralisia infantil)

Diarréia por rotavírus

4 meses

Tetravalente (DTP-Tríplice bacteriana + Hib-contra Haemophilus influenzae do tipo b)

VOP (Sabin)

VORH (Vacina oral de rotavírus humano)

2ª dose

 

 

 

2ª dose

2ª dose

Difteria, tétano e coqueluche +.

Meningite e outras infecções causadas pelo Hib

 

Poliomielite (paralisia infantil)

Diarréia por rotavírus

6 meses

Tetravalente (DTP-Tríplice bacteriana + Hib-contra Haemophilus influenzae do tipo b)

HB (Hepatite B)

VOP (Sabin)

 

Difteria, tétano e coqueluche.

Meningite e outras infecções causadas pelo Hib

 

Hepatite B

Poliomielite (paralisia infantil)

9 meses

FA (Febre Amarela).

 

Febre Amarela

12 meses

SRC (Sarampo, rubéola e caxumba)

 

Sarampo, rubéola e caxumba

15 meses

DTP (Tríplice bacteriana)

VOP (Sabin)

1º reforço

reforço

Difteria, tétano e coqueluche

Poliomielite (paralisia infantil)

4 a 6 anos

DTP (tríplice bacteriana)

SRC (Sarampo, rubéola e caxumba)

VOP (Sabin)

2º reforço

Reforço

 

reforço

 

10 anos

Febre Amarela

reforço

Febre Amarela

Fonte: Brasil, 2007

 

 

Calendário de Vacinação da Criança

Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm)  2005/2006

IDADE

VACINAS

DOSE

DOENÇAS EVITADAS

Ao nascer

BCG

HB (Hepatite B)

única

1ª dose

Tuberculose

Hepatite B

1 mês

HB (Hepatite B)

2ª dose

Hepatite B

2 meses

Tetravalente (DTP-Tríplice bacteriana + Hib-contra Haemophilus influenzae do tipo b)

SALK (Poliomielite vírus inativado)

VORH (Vacina oral de rotavírus humano)

PNEUMOCÓCICA 7-VALENTE

1ª dose

 

 

 

1ª dose

1ª dose

 

 

1ª dose

Difteria, tétano e coqueluche +

Meningite e outras infecções causadas pelo Hib

 

Poliomielite (paralisia infantil)

Diarréia por rotavírus

 

 

Doenças causadas pelo pneumococo

3 meses

MENINGOCÓCICA CONJUGADA DO TIPO C

1ª dose

Doenças causadas pelo meningococo

4 meses

Tetravalente (DTP-Tríplice bacteriana + Hib-contra Haemophilus influenzae do tipo b)

VOP (Sabin)

VORH (Vacina oral de rotavírus humano)

PNEUMOCÓCICA 7-VALENTE

2ª dose

 

 

 

2ª dose

2ª dose

 

1ª dose

Difteria, tétano e coqueluche +.

Meningite e outras infecções causadas pelo Hib

 

Poliomielite (paralisia infantil)

Diarréia por rotavírus

 

Doenças causadas pelo pneumococo

5 meses

MENINGOCÓCICA CONJUGADA DO TIPO C

2ª dose

Doenças causadas pelo meningococo

6 meses

Tetravalente (DTP-Tríplice bacteriana + Hib-contra Haemophilus influenzae do tipo b)

HB (Hepatite B)

VOP (Sabin)

PNEUMOCÓCICA 7-VALENTE

INFLUENZA (Gripe)

3ª dose

 

 

 

3ª dose

3ª dose

 

 

1ª dose

Difteria, tétano e coqueluche.

Meningite e outras infecções causadas pelo Hib

 

Hepatite B

Poliomielite (paralisia infantil)

Doenças causadas pelo pneumococo

Gripe

7 meses

INFLUENZA (Gripe)

2ª dose

Gripe

9 meses

FA (Febre Amarela).

1ª dose

Febre Amarela

12 meses

SRC (Sarampo, rubéola e caxumba)

HEPATITE A

MENINGOCÓCICA CONJUGADA DO TIPO C

1ª dose

 

1ª dose

reforço

Sarampo, rubéola e caxumba

 

Hepatite A

Doenças causadas pelo meningococo

15 meses

DTP (Tríplice bacteriana)

VOP (Sabin)

CONTRA VARICELA

1º reforço

reforço

1ª dose

Difteria, tétano e coqueluche

Poliomielite (paralisia infantil)

Varicela (Catapora)

18 meses

INFLUENZA (Gripe)

 

HEPATITE A

reforço anual

2ª dose

Gripe

4 a 6 anos

DTP (tríplice bacteriana)

SRC (Sarampo, rubéola e caxumba)

VOP (Sabin)

CONTRA VARICELA

2º reforço

reforço

 

reforço

reforço

Difteria, tétano e coqueluche

Sarampo, rubéola e caxumba

14 anos

DTP do tipo adulto

reforço

Difteria, tétano e coqueluche

Fonte: Migowski; Reis, 2007.

 

 

VACINAS DISPONÍVEIS NA REDE BÁSICA QUE COMPÕEM O CALENDÁRIO VACINAL DA CRIANÇA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

 

BCG  vacina contra tuberculose

 

A vacina contra a tuberculose é o BCG (bacilo de Calmette & Guérin) liofilizado, obtido pela atenuação do Mycobacterium bovis, apresentada em ampolas com múltiplas doses. Deve ser aplicada a partir do nascimento, pela via intradérmica. Caso não tenha sido administrada na unidade neonatal, a vacina deve ser feita ao completar o primeiro mês de vida ou quando o RN comparecer pela primeira vez à unidade de saúde. Pessoas com qualquer idade podem ser vacinadas (BRASIL, 2000).

 

É indicada principalmente para prevenir as formas graves da tuberculose (miliar e meníngea) em crianças com menos de cinco anos de idade, mais freqüentes em menores de um ano. Está indicada, também, e o mais precocemente possível, nas crianças HIV-positivas assintomáticas e filhos de mães HIV-positivas. É contra-indicada nos indivíduos HIV-positivos sintomáticos (BRASIL, 2000).

 

Vacina contra hepatite B

 

O PNI atualmente recomenda a vacinação universal das crianças contra hepatite B. Quando não for aplicada na unidade neonatal, a vacina deve ser feita na primeira consulta ao serviço de saúde. Pode ser aplicada simultaneamente com a vacina BCG. A vacina contra hepatite B também é priorizada para grupos de risco como os hemofílicos, usuários de hemodiálise, portadores de outras doenças que implicam alto risco de transfusões de sangue ou utilização de produtos sangüíneos, profissionais de saúde, comunicantes domiciliares de portadores, reclusos e participantes de outras comunidades fechadas, prostitutas e homossexuais masculinos. Em áreas de alta endemicidade, a vacinação da população de 0 -14 anos de idade sob a forma de campanhas, deve ser implantada e mantida a cada ano, considerando o alto risco da transmissão da infecção nessas regiões, desde os primeiros anos de vida (BRASIL, 2000).

 

Vacina oral contra poliomielite (VOP)

 

A VOP é indicada para a prevenção da poliomielite e é produzida a partir de vírus vivos atenuados em cultura de células derivadas especialmente de tecido renal de macacos da espécie Cercopthecos aethiops. A vacinação de rotina é recomendada a partir dos dois meses de idade, administrada por vi oral. Situações epidemiológicas especiais podem indicar a vacinação a partir do nascimento da criança. Em campanhas maciças, a vacina é administrada nas crianças com menos de cinco anos de idade, independente de já ter sido feita previamente (BRASIL, 2000).

 

As vacinas contra poliomielite são muito eficazes, tanto a vacina de vírus vivo quanto a de vírus inativado, sendo a imunidade permanente com aplicação do esquema completo na primeira infância (GILIO, 2006).

 

Vacina oral de rotavírus humano (VORH)

 

A vacina é composta de rotavírus atenuados isolados de humanos, monovalente, contendo também estabilizantes e conservantes. Previne gastrenterites por rotavírus em menores de um ano. É aplicada em duas doses, a partir dos dois meses, idade mínima de um mês e quinze dias, sendo que a segunda dose não deve ser aplicada após cinco meses e quinze dias (RIBEIRO; AGUIAR, 2008).

 

A proteção para todas as diarréias por rotavírus é de aproximadamente 70%, para as formas graves é de 86%, e na hospitalização por diarréia por rotavírus é de 80%. Não existem estudos sobre a persistência da imunidade (GILIO, 2006).

 

Vacina tetravalente (DTP + Hib)

 

É uma associação dos toxóides diftérico e tetânico com Bordetella pertussis inativada em suspensão e polissacarídeo capsular purificado do Haemophilus influenzae tipo b (Hib), além de outros componentes como hidróxido de alumínio, timerosal e lactose. Está indicada para proteção contra difteria, tétano, coqueluche e doenças causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b (meningite e outras infecções). É utilizada a partir dos dois meses com esquema de três doses, até menores de um ano, com duas doses de reforço (RIBEIRO; AGUIAR, 2008).

 

Vacina contra difteria, tétano e coqueluche (vacina tríplice DTP - tríplice bacteriana).

 

A vacina tríplice DTP contém toxóide diftérico, toxóide tetânico e Bordetella pertussis inativada em suspensão, tendo como adjuvante hidróxido ou fosfato de alumínio, sendo apresentada sob a forma liquida em ampola ou frasco ampola com dose única, ou frasco-ampola com múltiplas doses, e deve ser aplicada a partir dos dois meses de vida, pela via intramuscular profunda, no vasto lateral da coxa em crianças menores de dois anos (BRASIL, 2000).

 

Após quatro doses a eficácia contra difteria é de 90% a 95%; contra coqueluche após esquema básico é de 77% a 95% e contra o tétano após esquema básico é de aproximadamente 100%.  A persistência da imunidade requer reforços a cada dez anos para difteria e tétano, e no caso da coqueluche, não se recomenda reforço após os sete anos de idade com a vacina triplica bacteriana com células inteiras, podendo ser usada após 10 anos de idade a vacina tríplice acelular tipo adulto (GILIO, 2006).

 

 

 

Vacina contra difteria e tétano (vacina dupla bacteriana)

 

A vacina dupla bacteriana contém toxóide diftérico e toxóide tetânico, tendo como adjuvante hidróxido ou fosfato de alumínio. É apresentada sob a forma líquida em ampola com dose única ou em frasco-ampola com múltiplas doses. Há dois tipos de vacina dupla: vacina dupla do tipo infantil (DT) e vacina dupla do tipo adulto (dT). A vacina dupla do tipo infantil (DT) contém a mesma concentração de toxóide diftérico e de toxóide tetânico presente na vacina tríplice (DTP), enquanto a dupla do tipo adulto (dT) contém menor quantidade de toxóide diftérico (BRASIL, 2000). A vacina dupla do tipo infantil dT poderá ser aplicada em menores de sete anos e a dupla do tipo adulto dT a partir desta idade, sendo a via de administração a mesma da tripla bacteriana (BRASIL, 2000).

 

Vacina contra sarampo

 

Vacina de vírus vivos atenuados, apresentada sob a forma liofilizada, em frasco-ampola com uma ou múltiplas doses, administrada pela via subcutânea a partir dos nove meses de vida (BRASIL, 2000).

 

A eficácia da vacina contra sarampo é de 95%, com proteção duradoura quando aplicada após um ano de idade. São considerados imunes os pacientes que recebem duas doses de vacina, com intervalo mínimo de um mês, após um ano de idade, podendo a imunidade persistir por toda vida. No entanto para garantir a imunidade, está indicada uma nova dose quando a criança estiver na faixa etária de 4 a 6 anos (GILIO, 2006).

 

Vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (vacina tríplice viral).

 

Vacina combinada de vírus vivos atenuados contra o sarampo, a caxumba e a rubéola (SCR - tríplice viral), apresentada sob a forma liofilizada, em frasco-ampola com uma ou múltiplas doses, aplicada pela via subcutânea a partir dos doze meses de vida (BRASIL, 2000).

 

 

Vacina contra sarampo e rubéola (vacina dupla viral)

 

Vacina combinada de vírus vivos atenuados contra o sarampo e a rubéola (SR, dupla viral), apresentada sob a forma liofilizada, em frasco-ampola com uma ou múltiplas doses. A via de aplicação e a idade são as mesmas da tríplice viral (BRASIL, 2000).

 

Vacina contra rubéola

 

Vacina de vírus vivos atenuados, apresentada sob a forma liofilizada como produto monovalente, ou combinada sob a forma de vacina tríplice viral, contendo as vacinas contra o sarampo e a caxumba, ou dupla viral, contendo a vacina contra o sarampo. A idade e a via para administração são as mesmas da dupla e tríplice viral (BRASIL, 2000).

 

Vacina contra febre amarela

 

A vacina contra febre amarela é constituída de vírus vivos atenuados, apresentada sob a forma liofilizada em frasco de múltiplas doses. É feita em dose única com reforço a cada dez anos, aplicada pela via subcutânea a partir de seis meses de idade nas áreas endêmicas (onde há casos humanos). Nas regiões onde há casos de febre amarela entre macacos, mas não em seres humanos, a vacina é utilizada a partir dos nove meses, simultaneamente com a vacina contra o sarampo (BRASIL, 2000).

 

 

VACINAS RECOMENDADAS PELA SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES (SBIm) PARA O CALENDÁRIO DA CRIANÇA DISPONÍVEL APENAS NA REDE PARTICULAR

 

Vacina contra Hepatite A

 

Vacina de vírus inativado com formaldeído, com antígeno viral purificado que provém de culturas de fibroblasto humano infectado pelo vírus da hepatite A. As vacinas disponíveis no mercado fornecem proteção máxima de 100% após esquema completo. A duração da imunidade ainda não foi determinada e até o momento não existe recomendação para doses de reforço, nem de intervalo necessário para fazê-lo. Estudos sugerem que a proteção por esta vacina possa durar 30 anos (GILIO, 2006).

 

A vacina deve ser aplicada por via intramuscular, preferencialmente no músculo deltóide, com repetição da dose (dose de reforço) um ano depois da primeira dose. Está indicada para pessoas que vão viajar para áreas de risco, moradores de locais com surtos freqüentes da doença, e grupos de risco como militares, usuários de droga injetáveis ilícitas, funcionários e crianças em centros de saúde, profissionais de saúde, profissionais e internados de instituições de saúde mental, trabalhadores que lidam com esgotos, indivíduos com atividades sexual de alto risco, hemofílicos, pessoas que recebem produtos derivados de sangue, pessoas que lidam com animais primatas, manipuladores de alimentos, indivíduos com doença hepática crônica, pessoas que costumam ingerir alimentos de alto risco de contaminação (MIGOWSKI; REIS; GODINHO, 2007).

 

Vacina antipneumocócica conjugada 7-valente

 

Vacina conjugada com o toxóide diftérico CRM 197 e sacarídeos dos antígenos capsulares de sete sorotipos de pneumococo que são: 4, 6B, 9V, 14, 18C, 19F e 23F. Nos EUA a eficácia desta vacina foi de 97%, já no Brasil, estima-se que o potencial de proteção para doença invasiva seja de 70%. Um aspecto interessante da vacina antipneumocócica conjugada é o seu efeito de imunidade de rebanho, que é a proteção para faixas etárias não vacinadas. Foi observado que em países onde essa vacina foi incluída no calendário básico das crianças até 24 meses de vida, uma redução das taxas de doença invasiva por pneumococo em outras faixas etárias, como nas crianças de 0 a 90 dias, naquelas acima de 5 anos e nos pacientes acima de 65 anos de idade (GILIO, 2006).

 

Por conta da tecnologia da conjugação, a vacina antipneumocócica conjugada apresentou uma melhor resposta imunológica à série primária de vacinação e memória imunológica que pode chegar a uma imunidade persistente. Não está indicada para profilaxia pós-exposição. Deve ser aplicada exclusivamente por via intramuscular, no vasto lateral da coxa em crianças abaixo de dois anos, e nas maiores de dois anos, no vasto lateral ou deltóide (GILIO, 2006).

 

O esquema de vacinação da vacina antipneumocócica conjugada 7-valente varia de acordo a idade, sendo de 3 doses com intervalo de 2 meses entre as doses para crianças de 2 a 6 meses, com uma dose de reforço entre 15 e 18 meses; 2 doses com intervalo de 2 meses para crianças de 7 a 11 meses; com uma dose de reforço após 2 meses da 2ª dose; 2 doses para crianças de 12 a 24 meses, sem necessidade de reforço; uma dose para crianças imunocompetentes acima de 24 meses, sem necessidade de reforço e 2 doses para crianças imunocomprometidas acima de 24 meses com intervalo de 2 meses, com uma dose da vacina polissacarídica 2 meses após a 2ª dose (GILIO, 2006).

 

Vacina antipneumocócica polissacarídica 23-valente

 

Vacina composta de antígenos de polissacarídeo capsular purificado dos 23 sorotipos mais prevalentes identificados na Europa e nos EUA. No Brasil aproximadamente 85% das infecções graves são causadas por sorotipos contidos nessa vacina. Essa vacina não é eficaz para crianças menores de dois anos de idade. Em adultos, idosos e pacientes com doença de base a eficácia para formas graves da doença está em torno de 75%. Para as crianças com idade entre dois e dez anos com anemia falciforme, imunodepressão ou síndrome nefrótica, recomenda-se revacinação após três anos. Não é indicada para profilaxia pós-exposição ao antígeno (GILIO, 2006).

 

Está indicada para grupos com maior risco de desenvolver a doença pneumocócica como os adultos acima de 60 anos; adultos e crianças acima de dois anos de idade que apresentem uma das condições clínicas: insuficiência cardíaca, hepática (cirrose), pulmonar, renal, diabetes mellitus, alcoolismo e fístula liquórica; adultos e crianças acima de dois anos de idade que apresentem síndrome da imunodeficiência adquirida ou AIDS congênita; pessoas acima de dois anos de idade que sejam portadores de anemia falciforme ou outra hemoglobinopatia, asplenia funcional ou anatômica; pessoas acima de dois anos com doenças mieloproliferativas como linfoma Hodgkin e não-Hodgkin, mieloma múltiplo e adultos e crianças a serem submetidas a transplante ou transplantados de órgãos (GILIO, 2006).  

 

Vacina contra varicela

 

Vacina de vírus vivo atenuado, cepa Oka, com capacidade de imunizar contra infecções causadas pelo vírus varicela-zóster. Em estudos realizados em crianças, observou-se eficácia de 95% a 100%, com períodos de observação de até sete anos. Mesmo quando o paciente vacinado apresentou infecção, esta foi de grau leve, com febre baixa e número muito menor de lesões. Nos adultos a proteção foi menor, atingindo de 89% a 94%, exigindo a utilização de duas doses (GILIO, 2006).

 

A vacina contra varicela está indicada para profilaxia após a exposição até 72 horas após o contato com pessoa infectada. É recomendada a vacinação universal de todas as crianças imunocompetentes a partir de um ano de idade, com esquema de  dose única para crianças de 1 a 13 anos incompletos,  e duas dose para crianças acima de 13 anos, com intervalo de 4 a 8 semanas (GILIO, 2006).

 

Vacina contra Haemophilus influenzae (gripe)

 

Conjunto de vacinas conjugadas com o polissacáride da cápsula do Hib. As vacinas disponíveis no mercado conferem proteção de aproximadamente 95% após esquema vacinal completo, com evidências de que a proteção persista por pelo menos 20 anos. Estão indicadas para uso de rotina em todas as crianças de dois meses a cinco anos de idade. Acima dos cinco anos estão indicadas para crianças com asplenia, anemia falciforme ou quaisquer imunodeficiências, incluindo os HIV-positivos assintomáticos ou sintomáticos. Não estão indicadas para profilaxia pós-exposição (GILIO, 2006).

 

Existem no mercado dois tipos de vacina anti-haemophilus, a produzida com toxóide tetânico (polissacáride) e a produzida com polissacáride capsular covalente purificado, ambas com apresentação de 0,5 ml e aplicação por via intramuscular. O esquema de vacinação varia conforme a idade de início da aplicação, sendo de 4 doses para crianças de 2 a 6 meses, 3 doses com intervalo de 2 meses com reforço entre 15 a 18 meses; 3 doses para crianças de 7 a 11 meses, 2 doses com intervalo de 2 meses e reforço entre 15 e 18 meses, no mínimo 2 meses após a 2ª dose; 2 doses para crianças de 12 a 14 meses com intervalo de 2 meses e uma dose para crianças de 15 a 59 meses (GILIO, 2006).

 

Vacina anti-meningocócica

 

Existem no mercado dois tipos de vacina antimeningocócica: a vacina polissacarídica e a vacina conjugada do grupo C. A conjugada do grupo C, é utilizada para prevenção da doença invasiva causada pelo N-meningitidis sorogrupo C, estimulando o organismo a produzir sua própria defesa, que são os anticorpos, contra a doença. Está indicada para imunização ativa de crianças a partir dos 2 meses de idade, adolescentes e adultos (MIGOWSKI; REIS; GODINHO, 2007).

 

A administração deve ser pela via intramuscular no vasto lateral da coxa em crianças menores de um ano e de preferência no deltóide em indivíduos com idade superior a dois anos. Para crianças menores de um ano, o esquema é de duas doses, com intervalo mínimo de dois meses entre as doses, e para crianças maiores de um ano, adolescentes e adultos o esquema é de dose única (MIGOWSKI; REIS; GODINHO, 2007).

 

A eficácia da vacinas conjugadas do grupo C é excelente em todas as faixas etárias, incluindo os lactentes a partir de dois meses de vida, induzem uma resposta imune T-dependente e estimulam memória imunológica mesmo nos lactentes com menos de um ano de idade, e não induzem fenômeno de tolerância (GILIO, 2006).   

 

A vacina polissacarídica trata-se de um conjunto de vacinas de polissacáride da cápsula do meningococo, e entre este grupo existem apresentações para meningococos A, C, Y e W135. As vacinas para meningococos B contêm material protéico de membrana do meningococo B, combinados com polissacáride capsular do meningococo do sorogrupo C. As vacinas polissacarídicas de maneira geral, só são imunogênicas a partir de dois anos de idade, porque os polissacárides induzem imunidade T dependente e não estimulam memória imunológica nas crianças menores de dois anos, com exceção do sorogrupo A, que pode ser imunogênica a partir de três meses de idade, desde que utilizada em duas doses com intervalo de três meses (GILIO, 2006).

 

Por serem antígenos T-dependentes, os polissacárides não induzem memória imunológica eficaz. Está indicada formalmente para crianças acima de dois anos com asplenia, anemia falciforme ou outras hemoglobinopatias, imunodeficiências, particularmente nas deficiências do sistema complemento. Também estão indicadas para viajantes para áreas endêmicas. Ao contrário das vacinas conjugadas, a imunização rotineira com as vacinas polissacarídicas não é recomendada porque elas não são eficazes para as crianças menores de dois anos, o tempo de proteção é curto e existe a possibilidade do desenvolvimento de tolerância, além de não reduzir o estado de portador (GILIO, 2006).

 

 

CONCLUSÃO

 

Com base nesta pesquisa bibliográfica podemos concluir que a vacinação no Brasil passou por vários obstáculos e adaptações para chegar ao que hoje temos por direito, e de grande importância para saúde pública, que são as vacinas do calendário básico vacinal da criança, e os Centros de Imunobiológicos Especiais que disponibilizam vacinas para crianças com patologias que afetam o sistema imunológico. 

 

 Sabemos que o calendário básico da criança do Ministério da Saúde ainda não é o ideal, mas não podemos perder de vista que muitas doenças típicas da infância já podem ser evitadas se todos os pais cumprissem o esquema básico completo para cada faixa etária, mas de acordo com pesquisas realizadas sobre cobertura vacinal no Brasil, existem diversos fatores sócio-econômicos que contribuem para que as metas não sejam atingidas.

 

O trabalho mostrou também vacinas de grande importância para cobertura de doenças que afetam grande número de crianças, mas que só estão disponíveis na rede particular, e que além do preço elevado, não é do conhecimento de grande parte da população, mesmo daqueles que tem poder aquisitivo para adquirir o produto.

 

Fato importante é saber que a vacinação no Brasil, atualmente, não se limita apenas aos imunobiológicos disponibilizados pelo Ministério da Saúde, oferecendo outras opções de imunização para crianças, adolescentes, adultos e idosos, sobretudo para aqueles que têm interesse e condições para adquirir os imunobiológicos que ainda estão disponíveis apenas nas casas de vacinas particulares. Esperamos que em breve tais imunobiológicos, possam ser disponibilizados pela Saúde Pública, para que todos sejam favorecidos e diminua cada vez mais a incidência de patologias imunopreveníveis.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


REFERÊNCIAS

 

 

BRASIL. Manual de Normas de Vacinação. 3ª ed. Brasília, junho de 2001.

 

GILIO, A.E.. Manual de Imunizações: Centro de Imunizações Hospital Israelita Albert Eistein. 3 ed. São Paulo: Office Editora e Publicidade, 2006.

 

LUZ, K. R.; SOUZA, D. C. C.; CICONELLI, R. M. Vacinação em pacientes imunossuprimidos e com doenças reumatológicas auto-imunes. Rev. Bras. Reumatologia, v.47, n.2, São Paulo mar./abr., 2007.

 

MIGOWSKI, E.. Vacinas. In: MIGOWSKI, E.. Vacinas: riscos e benefícios  um guia prático e rápido. São Paulo: BBS Editora, 2007. p 19-27.

 

MIGOWSKI, E.; REIS, B.R..Calendários de vacinação. In: MIGOWSKI, E.. Vacinas: riscos e benefícios  um guia prático e rápido. São Paulo: BBS Editora, 2007. p 53-75

 

MIGOWSKI, E.; REIS, B.R; GODINHO, A. C. B. F..Bulário. In: MIGOWSKI, E.. Vacinas: riscos e benefícios  um guia prático e rápido. São Paulo: BBS Editora, 2007. p 77-260.

 

MOULIN, A.M.. A hipótese vacinal: por uma abordagem crítica e antropológica de um fenômeno histórico. Hist. cienc. saude-Manguinhos vol.10 n.2. Rio de Janeiro, 2003.

 

 

PÔRTO, A.; PONTE, C. F.. Vacinas e campanhas: as imagens de uma história a ser contada. Hist. cienc. saude-Manguinhos vol.10  n.2 Rio de Janeiro,  2003.

 

RIBEIRO, M.C.S. Programa Nacional de Imunização  PNI. In: DAVID, R.; ALEXANDRE, L.B.S.P.. Vacinas: Orientações Práticas. São Paulo: Martinari, 2008.

 

RIBEIRO, M.C.S.; AGUIAR, Z.N.. Calendário Nacional de Vacinação. In: DAVID, R.; ALEXANDRE, L.B.S.P.. Vacinas: Orientações Práticas. São Paulo: Martinari, 2008.

 

RIBEIRO, M.C.S.; AGUIAR, Z.N.. Aspectos básicos dos imunobiológicos que compõem o calendário vacinal. In: DAVID, R.; ALEXANDRE, L.B.S.P.. Vacinas: Orientações Práticas. São Paulo: Martinari, 2008.

 

SILVA, A. A. M. et al. Cobertura vacinal e fatores de risco associados à não-vacinação em localidade urbana do Nordeste brasileiro, 1994. Rev. Saúde Pública, v.33, n.2 São Paulo, abril 1999.

 

TEMPORÃO, J.G. O Programa Nacional de Imunizações (PNI): origens e desenvolvimento. Hist. cienc. saude-Manguinhos. Vol.10, n.2. Rio de Janeiro, 2003.

 

VRANJAC, A.. Norma técnica do programa de imunização. São Paulo: CVM, 2008.

 

 

 


1-       Acadêmico do 7º Semestre do Curso de Enfermagem, pela Faculdade São Francisco de Barreiras  FASB. 

 

 
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Sobre este autor(a)
Enfermeiro graduado pela Faculdade São Francisco de Barreiras-FASB. Atualmente trabalho no setor de Emergência do Hospital Regional de Santo Antonio de Jesus-BA.
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