ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM À SEXUALIDADE DO IDOSO: Um estudo de campo.
 
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM À SEXUALIDADE DO IDOSO: Um estudo de campo.
 


- Trabalho Apresentado ao Curso de Graduação em Enfermagem do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Paulista para a obtenção do título de Bacharel em Enfermagem.

- Trabalho apresentado como Pôster, "VI CONGRESSO DE EDUCAÇÃO PREVENTIVA EM SEXUALIDADE, DST'S /AIDS, DROGAS E VIOLENCIA: resgatando uma formação integração integral e humanista", realizado na escola de enfermagem de Ribeirão Preto  USP, nos dias 27 e 28 de junho de 2008.

- Trabalho apresentado como pôster, no Congresso de Iniciação Científica e Pesquisa da UNAERP -9º CONIC , no dia 6 de novembro, em Ribeirão Preto, 2008.

RESUMO

Baltazar JS. Assistência de enfermagem saúde sexual e à sexualidade do idoso: um estudo de campo. [Trabalho de Conclusão de Curso] Ribeirão Preto: UNIP; 2008.

A enfermagem é uma ciência que visa cuidar das necessidades humanas básicas do ser humano, principalmente do idoso, de uma forma integral. O objetivo foi verificar, através de um estudo de campo, a percepção do idoso em relação a sua sexualidade, frente à assistência da enfermagem a sua vida sexual. Conhecer a qualidade das relações sexuais deste idoso, identificar o conhecimento em relação à prevenção das DST's, em um serviço municipal de saúde, de uma cidade do interior do estado de São Paulo. Tratou-se de uma pesquisa não experimental, descritiva e exploratória através de uma abordagem quantiqualitativa. A população e a amostra do trabalho foram constituídas por 17 idosos que responderam a um questionário. Através do estudo, concluiu-se que o idoso, da amostra, percebe que tem uma vida sexual não satisfatória e procura através de outras atividades satisfação pessoal. Observou-se, nas falas, que o enfermeiro não assiste o idoso frente as suas necessidades sexuais. Autores colocam que o enfermeiro, durante a assistência sexual ao idoso, pode seguir estratégias, tais como, não dar conselhos, respeitar as ideologias do cliente, o seu "jeito de ser", não passar juízos de valor moral, saber como falar e quando falar e criar um ambiente adequado. Evidenciou-se, frente aos dados, que é necessário um trabalho eficiente junto à política de saúde sexual individualizada para esta população, visto que, pesquisas apontam para um futuro, onde a população de idosos será a maior do nosso país.

Palavras-chave: idoso, assistência da enfermagem e sexualidade.

1 INTRODUÇÃO

 A Enfermagem é a ciência humana, de pessoas e experiências, com um campo de conhecimentos, fundamentações e práticas que abrangem o estado de saúde e doença; portanto, exige dos profissionais, competência técnica, capacidade criativa de reflexão, de análise crítica e um aprofundamento constante de seus conhecimentos técnico-científicos. (1)

         Na promoção da saúde a enfermagem possui planos assistenciais para desenvolver cuidados adequados. O Plano de Assistência de Enfermagem do trabalho está diretamente ligado ao Plano de Tratamento, Plano de Cuidados de Enfermagem e o Plano de Assistência de Enfermagem do trabalho. O plano de assistência de enfermagem é geralmente um programa definido por cuidados de enfermagem destinados a um paciente em particular. Principalmente no Brasil que em um futuro próximo precisa estar pronto para uma população grande de idoso. (1)

Idoso é uma pessoa de 60 anos de idade ou mais. O envelhecimento são as alterações graduais irreversíveis na estrutura e funcionamento de um organismo que ocorrem como resultado da passagem do tempo, processo de envelhecimento em qualquer parte entre o nascimento e a velhice; outros fatores ambientais e culturais promovem o envelhecimento do ser humano. (2)

         A Sexualidade é a constituição de um indivíduo em relação a atitudes ou atividades sexuais (1). O sexo é a terminologia utilizada para referir-se às pessoas que apresentam características físicas e emocionais do sexo masculino ou feminino, relações ou jogos sexuais, totalidade das características de estruturas reprodutivas e funções. Fenótipo e genótipo, que se distinguem de fatores sexuais, estatisticamente amplos em conceito. (1)

Todavia, cabe salientar que a idade cronológica não se apresenta como um indicador preciso para as mudanças que acompanham o processo de envelhecimento, uma vez que vários fatores podem contribuir para influenciar esse processo durante a trajetória de vida. Deve-se ter em mente que envelhece-se de diferentes maneiras e que nem todas as pessoas da mesma faixa etária apresentam características semelhantes. (3)

O corpo, além de expressão, é fala, é linguagem; é essa janela que nos permite comunicar com o mundo, é o veículo do ser no mundo, pois permite todo o movimento de ir e vir, ou seja, de especialidade que ora aproxima, ora distancia o outro no processo de coexistência. Essa concepção permite que nos projetemos para e no mundo, e que esse se projete para dentro de nós, logo não temos corpo, somos corpo, da mesma forma não temos sexo, somos sexuados. (4)

É importante que os idosos aproveitem à vida, contudo mais importante, ainda, é que eles zelem pela sua saúde. Ter relações sexuais sem a prevenção necessária significa ter os mesmos riscos de contaminação de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST's) como qualquer outra pessoa. (5)

As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) são doenças causadas por vários tipos de agentes. São transmitidas, principalmente, por contato sexual sem o uso de camisinha, com uma pessoa que esteja infectada e, geralmente, se manifestam por meio de feridas, corrimentos, bolhas ou verrugas. (6)

Os idosos sempre foram imaginados como aqueles que estão se despedindo da vida: aposentou-se do seu trabalho, de sua função, aposentou-se da vida. Este preconceito de concepção da sociedade acaba por privar os idosos de varias coisas como a sexualidade e o lazer. O sexo na terceira idade está envolto em preconceitos, delírios de grandeza, complexos e frustrações, mas a terceira idade não é necessariamente uma barreira para uma vida sexual ativa. Homens e mulheres devem estar conscientes das mudanças que estão ocorrendo em seu corpo, e os parceiros devem investir mais em caricias, toques, beijos e carinhos durante todo o dia e não só na hora do ato sexual. (7)

Apesar de inicialmente associada a adultos jovens, houve um aumento no número de pessoas com diagnóstico de DST's no Brasil, na faixa etária acima de 60 anos, que foram notificados até junho de 2006. Isto pode ser resultado do aumento das relações sexuais mantidas pelos idosos, que provavelmente por questões educativas, culturais, econômicas, dentre outras, deixam de usarem preservativos. (8)

Sabemos que o envelhecimento é uma etapa da vida humana, assim como tantas outras, mas percebemos que a ela estão associadas outras representações negativas, tais como perdas e a idéia de final de vida. Acreditamos que, para assistir adequadamente a população idosa no sentido de contribuir para qualidade de vida e a promoção da saúde, é necessário formação de recursos humanos despertos para  as reais necessidades desta clientela. Em contrapartida, também identificam a velhice à idéia de experiência de vida, autonomia e independência. (9)

Algumas questões surgiram, durante a vida acadêmica dos pesquisadores frente à assistência de enfermagem junto aos idosos: Como o idoso percebe a sua vida sexual e sexualidade? Quais as ações da enfermagem existentes descritas pelo idoso, frente a sua sexualidade?

Identificação prévia dos conhecimentos, das medidas de promoção à saúde sexual do idoso e das medidas preventivas acerca das DST's pelos idosos, será fundamental para que o enfermeiro desenvolva programas educativos específicos, assistência e orientações adequadas junto à população que vivência a terceira idade.

2 OBJETIVOS

2.1 Objetivo Geral

Verificar, através de um estudo de campo, a percepção do idoso em relação a sua sexualidade, frente à assistência da enfermagem a sua vida sexual.

2.2 Objetivo Específico

Conhecer a freqüência e dificuldades encontradas nas relações sexuais dos idosos.

Identificar o conhecimento em relação à prevenção das DST's, em um serviço municipal de saúde, de uma cidade do interior do estado de São Paulo.

3 METODOLOGIA

3.1 Tipo de estudo:

Tratou-se de uma pesquisa de campo, não experimental de caráter descritivo, exploratório, através de uma abordagem quantitativa e qualitativa.

Na pesquisa não experimentala relação entre fenômenos são estudadas sem intervenção experimental. Não há "manipulação". Não há tentativa deliberada e controlada de produzir efeitos diferentes através de diferentes manipulações. (10)

Pesquisa exploratória é pouco ou nada estruturada em procedimentos e seus objetivos são pouco definidos, seus propósitos imediatos são os de ganhar maior conhecimento sobre um tema, desenvolver hipóteses para serem testadas e aprofundar questões a serem estudadas. (10)

A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se preocupa com um nível de realidade que não pode ser quantificado. (11)

Questionários são instrumentos escritos e planejados para reunir dados de indivíduos a respeito de conhecimento, atitudes, crenças e sentimentos. A pesquisa survey baseia-se quase inteiramente em interrogar os sujeitos da pesquisa, ou com entrevistas, ou com questionários. (10)

[...] A diferença entre qualitativo-quantitativo é de natureza. Enquanto cientistas sociais que trabalham com estatísticas apreendem os fenômenos apenas a região visível, ecológica, morfológica e concreta, a abordagem qualitativa aprofunda-se no mundo dos significados das ações e relações humanas, um lado não perceptível e não captável em equações médias e estatísticas. O conjunto de dados quantitativos e qualitativos, porém, não se opõem. Ao contrário, se complementam, pois a realidade abrangida por eles interage dinamicamente, excluindo qualquer dicotomia. (12)

3.2 Local da Pesquisa

Ribeirão Preto, fundada em 19 de junho de 1856, em uma clareira onde, um século antes os Bandeirantes estiveram de passagem, a cidade ganhou impulso com a lavoura de café, cultivada pelos imigrantes e fertilizada pela terra vermelha. A antiga clareira, banhada por dois córregos, logo se transformou em uma importante cidade, ligada ao país por ferrovia, telefonia e rodovias. O desenvolvimento trouxe novas culturas, como a cana-de-açúcar, a soja, o milho, o algodão, a laranja e implantou uma forte agro-indústria.

Situado no centro de Ribeirão Preto, o SASSOM, Serviço de Assistência à Saúde dos Municipiários de Ribeirão Preto é uma autarquia que tem por finalidade prestar serviços de assistência à saúde dos servidores públicos municipais e seus dependentes. Conta com duas unidades de serviço.

3.3 População e amostra:

A população deste estudo foi composta por sujeitos de 60 anos ou mais trabalhadores de um serviço municipal de saúde, de uma cidade do interior de São Paulo.

A amostra foi composta por 17 idosos que aceitaram participar da pesquisa e assinaram o termo de consentimento livre esclarecido (anexo 1). Foi assegurado aos participantes a questão do sigilo dos dados e a identificação pessoal.

Foram considerados critérios de exclusão para este estudo, os sujeitos com a faixa etária inferior a 60 anos, que estiveram em período de férias; que não são usuários do serviço e não aceitarão participar voluntariamente da pesquisa e não assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. (anexo 1)

3.4 Procedimento de Coleta de dados

A coleta de dados foi realizada no mês de setembro, do ano de 2008, em dias alternados durante uma semana. O instrumento de Coleta dos dados da Pesquisa de Campo foi um questionário estruturado (apêndice 1), desenvolvido pelos próprios pesquisadores para a coleta, composto por  questões abertas e fechadas, descritivas e concisas, advindas das inquietações dos pesquisadores.

Após assinarem o termo de consentimento livre e esclarecido (anexo 1) em uma sala reservada. Respondiam perguntas abertas e fechadas referentes às suas características e sua sexualidade (apêndice 1). A duração média da entrevista foi de dez minutos para cada sujeito.

3.5 Ética em pesquisa com seres humanos:

Este estudo foi aprovado pelo do CEP-UNIP Comissão de Ética em pesquisa  da Universidade Paulista os pesquisadores estão cientes da Resolução CNS 196/96 de 10 de Outubro de 1996, do Conselho Nacional de Saúde e Comissão Nacional de Ética em Pesquisa  CONEP. Sua aprovação pelo CONEP gerou o protocolo 216/08 em 15/08/08, (Anexo 1).

3.6 Análise dos Dados da Pesquisa de Campo

Posteriormente a aplicação do questionário, foi realizada a análise dos dados, seguindo as etapas. (10)

  1. Leitura completa e presença sensível na transcrição do que o participante descreveu. (10)
  2. Especificação das expressões importantes em cada segmento de pensamento, usando as palavras do participante. (10)
  3. Síntese preliminar de significados fundamentais de todos os segmentos de pensamento para cada participante com um foco na essência do fenômeno que esta sendo estudado. (10)

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 Caracterização da amostra

A amostra foi composta de 17 idosos totalizando 100% dos sujeitos. Quanto ao gênero 70,58% são do sexo feminino e 24,42% do sexo masculino.

Quanto ao estado civil dos 100% dos sujeitos entrevistados, 41,17% são casados, 23,52% são solteiros, 23,52% são viúvos e 11,76% são amasiados.

Quanto ao grau de escolaridade dos sujeitos, verificou-se que 58,82% com ensino fundamental incompleto, 23,52% com ensino fundamental completo, 11,76% com ensino médio completo e8,88% com ensino superior.

Quanto à quantidade de filhos dos sujeitos entrevistados, verificou-se que 5,88% com um filho, 35,29% com 2 filhos, 11,76% com 3 filhos, 11,76% com 4 filhos, 17,65% com nenhum filho.Quanto ao tipo de prevenção durante a relação sexual, 82,35% relataram que não usam preservativo, 11,76% utilizam o condon masculino e 0,00% dos sujeitos condon feminino.

Na questão intitulada qual o tipo de relação sexual os sujeitos, tiveram a oportunidade de responder mais de uma alternativa da questão, 70,58% usam a forma de coito vaginal em sua relação sexual, 17,65% relatam que se masturbam 70,58% usam de beijos e caricias 17,65% referiram não ter de relação sexual.

O sexo na terceira idade está envolto em preconceitos para ambos os sexos, as mudanças são gradativas não havendo nenhuma idade ou fase crítica. Ocorrem mais no campo da freqüência e do vigor, do que no modo e na qualidade do prazer. Havendo os sentimentos de ser querido, necessário, importante a capacidade de receber amor e afeição, o sexo só acaba quando tudo se acaba: na morte. Para o idoso significa muito mais que o coito e sim as caricias. Relação sexual é todo e qualquer ato afetivo - e não somente o coito - sendo uma prova de amor, assim como a gravidez também. (13)

Embora efetuada, a masturbação feminina ainda é algo não muito comentado. A masturbação, feminina ou masculina, não faz mal à saúde. (14)

Nesse contexto, a "sexualidade é dimensão ontológica que se manifesta na

corporeidade, expressa nossa maneira de ser e de estar no mundo mediante os erros que permeiam o cotidiano humano". É uma característica humana que não se perde com o tempo, mas vai se desenhando, conforme a história vivenciada pelo corpo vivente em sua trajetória existencial. (15)

Verificou-se que na vida sexual do idoso da amostra 35,29% referiram não ter relações sexuais, 35,29% possuem eventuais relações sexuais e 29,41% dos idosos são sexualmente ativos.

Denotando a exclusão da abordagem sobre sexualidade nos meios de comunicação e nas campanhas voltadas a prevenção das DST's para a população idosa que demonstra grande lacuna nas múltiplas referências dos fatos em que se constrói a epidemia. É crescente o número de pesquisas que mostram o indivíduo acima de 60 anos está cada vez mais ativo sexualmente, fato este observado principalmente após a liberação do uso de medicamentos que melhoram o desempenho sexual do homem, principalmente o Viagra. (4)

Devemos ter em mente que envelhecemos de diferentes maneiras e que nem todas as pessoas da mesma faixa etária apresentam características semelhantes. Reconhece-se que caracterizar a pessoa idosa é um desafio, uma vez que a condição humana apresenta-se complexa e peculiar, o que torna difícil estabelecer um perfil comum a todos. (16)

Nas respostas sobre os problemas na relação sexual 70,58 % declararam não apresentar problema durante a relação sexual, 23, 52% relataram dificuldades na ereção, ejaculação precoce e lubrificação ineficaz da vagina e 5,9% relataram não ter relações sexuais.

Á insuficiência estrogênica observada na terceira idade pode haver déficit de lubrificação vaginal (transudação) por dois fatores: atrofia ou hipotrofia da mucosa vaginal e diminuição da vascularidade local. E também com o aparecimento de doenças agudas e crônicas há séria preocupação com saúde, ou mesmo com a morte, faz com que as pessoas usualmente não se sintam tentadas ao exercício da sexualidade. Logo as doenças debilitantes, além disso, interferem com o metabolismo em geral, podendo comprometer o metabolismo da testosterona e diminuindo ou abolindo o desejo. (13)

As drogas hipotensoras, alguns vasodilatadores e diuréticos, "podem" causar disfunção erétil de intensidade variável e, em algumas mulheres, certa dificuldade de lubrificação vaginal, podendo causar dispareunia, o conceito de dispareunia é algia ao coito, podendo incidir em ambos os sexos. É muito mais freqüente no sexo feminino. As manifestações sexuais da excitabilidade no homem podem acontecer como alterações da ereção; e na mulher, como alterações da lubrificação vaginal. (13)

Quanto ao conhecimento que possuem sobre a prevenção de DST's verificou-se que 82,35% relataram que conhecem como se previne estas doenças e 11,77% não conhecem o assunto.

Quanto ao meio ou forma adquiriram o conhecimento sobre as DST's, 64,70% dos sujeitos relataram que foi através da televisão, 23,53% através de outros meios e 11,76% através do profissional da medicina.

[...] A educação sexual, que deveria ser uma dimensão fundamental da medicina, também é eficaz como uma forma de apoio, permitindo aos indivíduos e aos casais superar os seus problemas sexuais. Em segundo lugar, existe uma necessidade de orientação para os indivíduos e os casais que tenham problemas um pouco mais complexos; esta pode ser assegurada pelas enfermeiras, parteiras, médicos, generalistas, ginecologistas e outros profissionais. (15)

 

Quando responderam sobre a possibilidade de usar algum meio de prevenção durante a relação sexual, verificou-se que dos 100% da amostra, 58,82% relataram que possuem parceiros conhecidos e fixos, 11,77% usam camisinha na relação e 29,41% verificou-se a pratica do tabu em usar preservativos durante a relação sexual e o fato de parceiro conhecido e fixo ser um método errôneo de prevenção de DST's.

Sabe-se que em tempos de aids e DST's não usa-se mais a orientação de grupo de risco e sim comportamento de risco, desta forma, mesmo com parceiros fixos e conhecidos é necessário e fundamental o uso do preservativo. (17)

Existe um plano desenvolvido apenas para aconselhar os profissionais da saúde onde encara os idosos como grupos sociais podem viver circunstâncias desfavoráveis à percepção adequada de riscos ou à adoção de medidas de prevenção eficazes, em decorrência de sua vulnerabilidade. (18)

Observando as recomendações para a prevenção pelo governo Brasileiro achamos e concordamos com o uso de preservativos em todas as relações sexuais ser o método mais eficaz para a redução do risco de transmissão, tanto das DST quanto do vírus da aids. (18)

Ser vulnerável, no contexto das DST's e HIV/aids, significa ter pouco ou nenhum controle sobre o risco de se infectar e, para aqueles já infectados, ter pouco ou nenhum acesso a cuidados e suportes apropriados. Nesse sentido, é fundamental que o profissional de saúde esteja disponível e sensível para identificar as condições de maior ou menor vulnerabilidade de seus clientes. Dessa forma, será possível desenvolver um plano de redução de risco que seja compatível com as questões específicas do cidadão em atendimento e, portanto, ter maior chance de resolutividade. (18)

Há um aumento expressivo nos grupos com mais idade. Ao comparar a prevalência dos indivíduos de 40 anos ou mais com os de idade inferior, observa-se diferença estatisticamente significativa, estimando-se para os mesmos um risco significativamente maior, quase o dobro, de estarem infectados pelas DST's. (18)

Ao responderem sobre as ações de enfermagem junto à sexualidade do idoso dos 100% da amostra verificou-se que 52,94% referiram que não recebeu informações de um profissional de enfermagem, 17,64% referiram que receberam algum tipo de informação de enfermeiros através de palestras e 29,42% relataram que a orientação veio do profissional da medicina.

O enfermeiro com suas competências ao prestar assistência integral de qualidade ao idoso, não omitindo a questão da sexualidade e nem tratando-o como um ser assexuado, podem apresentar algumas dificuldades no exercício da sua sexualidade, mas a sexualidade deve sempre ser estudada e trabalhada, pois, desde o nascimento até a morte somos sexuados. (17)

Verificou-se que o idoso não perde a sexualidade, mas a redescobre, e nessa perspectiva devemos olhar as possibilidades criativas construídas pelo corpo vivido (7). Isso significa olhá-la de outra forma, e esse novo olhar possibilita o vivenciar da sexualidade de uma maneira diferente, uma vez que se manifesta na corporeidade que é a expressão do corpo, motivo pelo qual é fundamental compreendê-lo como "primeiro e único lugar da experiência humana", a fonte de todos os nossos desejos ou Eros. (18)

Verificou-se que os idosos formaram uma população que não fica livre das doenças, que precisam de um plano de saúde diferenciado, que são vulneráveis e susceptíveis as doenças sexualmente transmissíveis como às demais, classes da população, desta forma nos enfermeiros necessitam identificar suas limitações frente à sexualidade humana.

Verificou-se que os idosos possuem uma falha na assistência da enfermagem com relação a sua sexualidade e o sexo. Os profissionais mais procurados para receberem as orientações sexuais são profissionais da medicina, e através do meio de comunicação.

Verificou-se que os idosos, estão conscientes de como ter uma boa sexualidade cuidando da sua saúde, a sua percepção em relação a sua sexualidade é sutil, que poderia ter mais carícias e companheirismo de seus parceiros. Falta livrar-se dos tabus, da imposição da sociedade machista.

A população idosa não possui nível de escolaridade em ensino fundamental completo, a antiga 8ª série, e apesar de terem família numerosa em irmãos possuem menos filhos que os seus pais. Não usam o condon masculino que é distribuído nas unidades de saúde. Confiam em seus parceiros ficando susceptíveis as doenças.

A maioria concorda em que o idoso com todas as suas dificuldades em ereção, ressecamento vaginal, doenças crônicas, tem pouca relação sexual, mas os que fazem são de qualidade com caricias e beijos. Tratam o assunto da sexualidade com vergonha como algo proibido, com tabus, verificou-se nas entrevistas realizadas que eles sentem vergonha em falar que gostam de receber caricias, do ato sexual, do coito em si.

Conhecem como se prevenir das DST's, mas não o fazem. Referem que por possuir parceiro fixo e conhecido estão protegidos. Estes resultados foram fundamentais para a conclusão a seguir desse estudo.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pode-se concluir que a enfermagem precisa atuar e dar instruções sobre a sexualidade. É evidente que se faz necessário incluir no currículo do curso de enfermagem a disciplina de Sexualidade Humana. No momento, é pertinente, visto que a transmissão das DST's e do vírus HIV por via sexual é um fato. O profissional enfermeiro tem que fazer-se presente na atuação continua junto à assistência sexual aos idosos, como forma de saúde e bem estar psicossocial.

Os autores referendados nesta pesquisa colocaram para o enfermeiro algumas implicações para uma assistência de enfermagem, à sexualidade do cliente idoso, tais como: mudanças de atitude ao controlar a ansiedade do enfermeiro no momento da assistência ao idoso.

Evitar dar conselhos trabalhando a necessidade básica do paciente e não o que ele queria ouvir.

Respeitar as Ideologias do Paciente evitando questioná-las, por exemplo; contestar uma crença religiosa é perigoso e às vezes inútil. Não é fácil lutar contra raízes já firmes ao longo da vida ou desde a infância. É comum perdermos a credibilidade se isso for mal, além de ser inutilmente feito.

Respeitar o "Jeito de ser" do Paciente: Muitas vezes, por não conseguirmos reconhecer e nos livrar de preconceitos, podemos inconscientemente "discriminar" o paciente pela sua maneira de ser ou pensar.

Evitar a descriminação racial, de idade, sexual (homossexualismo), jeito de vestir-se, de falar e ideologia política. Essas descriminações, mesmo que estejam em nível inconsciente, são facilmente captadas pelo paciente. Isso, sem duvida, é empecilho à evolução da assistência de enfermagem.

Respeitar a "Meta da assistência de enfermagem": Lembrar que há diferença entre a assistência clínica de enfermagem diária e a assistência de enfermagem sexual. Quem estabelece a meta é o paciente e não o enfermeiro.

Evitar passar Juízos de Valor Moral. O enfermeiro não é juiz ou padre, torna-se incabível, em qualquer consulta de enfermagem, passar valores do profissional como seres humanos aos pacientes. O que é bom para o enfermeiro pode não ser bom aos pacientes, do ponto de vista pessoal.

"Saber Quando e Como Falar". Saber falar no momento certo é fundamental e se aprimora com a prática, por isso necessitamos de tempo e maior diálogo com o paciente.

Ambiente Mais Adequado Possível: Devemos falar com o paciente em ambiente favorável que exija maior privacidade, pois no contexto sexual estaremos conversando sobre a intimidade do paciente. O enfermeiro deve procurar evitar interrupções, telefonemas ou qualquer outro fator que interrompa a concentração bilateral.

Evitar prometer Cura ou Tempo de Tratamento. O enfermeiro não deve prometer cura. E esse termo não deve ser utilizado. Cura é para quem está doente e é útil frisarmos que o paciente necessariamente não esteja doente, e sim necessitando de ajuda para alcançar o objetivo de satisfação e preservação de sua saúde, que pode ser assegurado pelo auxilio do enfermeiro se esse for comprometido com a assistência de enfermagem.

Estar bem com a própria sexualidade. O enfermeiro que estiver comprometido com a assistência sexual do idoso deve estar isento de qualquer disfunção ou inadequação sexual, deve primeiro cuidar de si, para só depois pensar em ajudar os outros.

Essas implicações remeteu-nos á reflexão de que os profissionais de saúde, principalmente os enfermeiros, necessitam de preparo para assistir adequadamente a integridade sexual do idoso. O enfermeiro precisa rever a anatomia e fisiologia do sistema sexual humano, desta forma, compreender a sexualidade do idoso, seus impulsos e seus centros de prazer. Estudar estratégias para o uso do preservativo e orientações sobre DST's.

Acredita-se que após esta pesquisa de campo, sua apresentação e publicação, o passo seguinte será o elaborar e testar um modelo de assistência sexual ao idoso, de maneira que, o enfermeiro possa ajudá-lo na resolução do problema sexual e contribuir para a adaptação sexual positiva.

A adaptação positiva sexual após os 60 anos é fundamental, assim sendo, pode e deve ser fonte de prazer, afeto e conforto ao idoso.

REFERÊNCIAS

1 MEDLINE [base de dados na Internet]. Bethesda(MD): National Library of Medicine (US);C1998[citado em 12 de março de 2008].Disponível em: http://decs.bvs.br

2 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE- Estimativa da população idosa no Brasil em 20 anos. [Citado em 16 de março de 2008]. Disponível em: http://www.ibge.gov.br.

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4 Simões, R. Corporeidade e terceira idade:a marginalização do corpo idoso.

Piracicaba: Unimep, 1994.

5 Ribeiro LCC, Jesus MVN. Avaliando a incidência dos casos notificados de Aids em idosos no estado de Minas Gerais no período de 1999 a 2004. Cogitare Enfermagem 2006 maio-ago; 11(2): 113-116.

6 Brasil. Ministério da Saúde. O que são DST. [Citado em 10/10/2008].

Disponível em: http://www.aids.gov.br/data/Pages/LUMIS1DA1127BPTBRIE.htm

7 Sandi SF. Reflexões sobre as disfunções sexuais e o orgasmo feminino. J.bras. med.; 2000 abr; 78(4): 41-3.

8 Gir E, Moriya TM, Hayashida M, Duarte G, Machado AA. Medidas preventivas contra a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis conhecidas por universitários da área de saúde. Rev. Latino-Americana de Enfermagem 1999 jan; 7(1): 11-7.

9 Novaes MRV, Derntl AM. As imagens da velhice: o Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) como método de investigação. Mundo de Saúde 2002; out-dez; 26(4): 503-508.

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12 Bardin L. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2008.

13 Mannocci J F. Disfunções sexuais. 2. ed. São Paulo: fundação BYK; 2004.

14 Fraiman A P. Coisas da idade. 2. ed. São Paulo: Alexa Cultura; 2004. p.83-4.

15 Giami, A. Saúde sexual: medicalização da sexualidade e do bem estar. Rev. Brasileira de Sexualidade Humana, 2007; jan- jun.; 18 (1): 267.

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17 Freitas MRI, Gir E, Furegato ARF. Sexualidade do portador do vírus da imunodeficiência humana (HIV): um estudo com base na teoria da crise. Rev. Latino-Americana de Enfermagem 2002 jan-fev; 10(1): 70-6.

18 Figueiras S L, Fernandes N M, Gonçalves J E M. Aconselhamento em DST e HIV: Diretrizes e Preceitos Básicos [livro eletrônico]. Brasília [citado em 28 de setembro] Disponível em: http://www.aids.gov.br/data/documents/storedDocuments/%7BB8EF5DAF-23AE-4891-AD36-1903553A3174%7D/%7B8A794725-DAA5-4A15-A5FC-1E8745811641%7D/074_01aconselhamento.pdf

APÊNDICE 1

Questionário Roteiro Estruturado.

 

A- Caracterização dos sujeitos

A 1. Sexo 1()M2()F

A 2. Estado Civil: 1() Casado2()Solteiro3()Viúvo4()Amasiado

A 3. Número de filhos: _________________________________________________

A 4. Escolaridade:

() Analfabeto

() Ensino fundamental completo

() Ensino fundamental incompleto

() Ensino médio completo

() Ensino médio incompleto

() Superior completo

() Superior incompleto

B- Dados sobre atividade sexual após os 60 anos.

B1.Como você descreve sua vida sexual após os 60 anos?

B1.1 Mantém relações sexuais: ()Sim()Não

B1.2 Se sim, responda as questões abaixo:

B1.3. Possui parceiro sexual fixo: () Sim() Não

B 2 .Apresenta algum problema na relação sexual: () Sim() Não

B 2.1.Se sim: Qual?___________________________________________________

B2.2.Usa algum medicamento para ativação sexual?() Sim() Não

B2.3.Se sim: Qual?

B 3. Qual o tipo de relação sexual mais freqüente:

B3.1() Coito vaginalB3.4() Masturbação

B3.2() Coito analB3.5() Beijos e caricias

B3.3() Sexo oralB3.6() Uso de aparelhos sexuais

Outros: ________________________________________________________

B 4. Qualo seu conhecimento sobre a prevenção das DSTs após os 60 anos de idade?______________________________________________________________

B 5.Você tem conhecimento sobre as Doenças Sexualmente Transmissíveis DSTs?

()Sim() Não

B 6.Se sim: Quem ensinou para você esse conhecimento(s) sobre a (s) doença (s) DSTs?_____________________________________________________________

B 7.Você utiliza algum tipo de prevenção durante a relação sexual para evitar as DSTs ?() Sim() Não

B7.Se sim: Qual?_____________________________________________________

7.b.Se não: Por que?________________________________________________

B 8.Quais as ações da enfermagem junto a sua sexualidade e vida sexual?

___________________________________________________________________

B 9. Profissionais da enfermagem forneceram algum conhecimento sobre o sexo para você?

( ) Sim() Não

B 10.Como? Atraves de qual meio?

 

 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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