A recente polêmica da “Cura Gay”, em que o Brasil praticamente parou para discutir esse assunto, senti-me encorajada a compartilhar opiniões, com as quais eu concordo, para ter uma ideia do que estava acontecendo na cabeça das pessoas. Qual não foi a minha surpresa, constatar uma espécie de cabo de guerra entre a direita e a esquerda. O que pensei ser um assunto sexual, era na verdade, politico; o que vi foi uma guerra de egos sem precedentes. Sentindo o perigo iminente de um linchamento virtual, caso eu continuasse a expor a minha opinião, não importando nem mesmo o lado em que eu me posicionasse, sai do ar correndo, afinal, não queria ter razão, queria manter os meus amigos? Sim. Tem gente que confunde sua opinião com a pessoa. Depois de uma pequena pausa, lá estou eu de novo, falando sobre a nova polêmica, do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Assunto sexual novamente. Será que FREUD explica? Pensando em como poderia eu me posicionar, sem envolver uma teoria psicológica profunda, deixei por conta do meu inconsciente, que rapidamente, trouxe-me um conto, que na época em que li, não fazia muito sentido: A Roupa Nova do Rei! (sugiro que leiam).

Esse conto trouxe-me reflexões sobre os questionamentos sexuais e políticos da atualidade. Afinal, essa estória fala de um Rei egocêntrico e vaidoso (algum político com essas características?); fala de mentiras (ver a roupa que não existe), por medo de ficar fora do contexto, perder o apreço do Rei e ou a “boquinha” e, principalmente, ser visto como burro ou pouco inteligente. Fala de malandragem dos tecelões vigaristas, que conseguiram enganar a todos, (conhece algum?), e claro, como toda boa estória, fala da sinceridade e da inocência da criança, que tem seu ego puro e apolítico e pode ver o que de fato é. Afinal, para o bem ou para o mal, “não vemos o mundo como é, mas como somos.” Um fato é um fato. O que fazemos com ele é que cria a estória.

O que pensamos ser real, muitas vezes não passa de uma percepção limitada e restrita a nossa forma de olhar sobre um fato ou situação, que julgamos segundo nossos conteúdos. Esses conteúdos são padrões, valores, crenças e conceitos que formam nossa personalidade. São programações adquiridas pelo meio, pela sociedade, por nossa ancestralidade. Agimos e reagimos por essas programações, que na maioria das vezes aceitamos sem questionamento e vemos o mundo com estes filtros. Um fato não pode ser mudado, mas a forma de olhar para ele, interpretar e reagir, sim.

Adultos podem ver o mundo deturpado por suas projeções. Quanto mais nos envolvemos em discussões do tipo “cabo de guerra”; mais vemos o mundo através de projeções, ou seja: cada um dá a interpretação conforme suas próprias lentes. O ideal seria que todo indivíduo buscasse o essencial nas situações; o que lhe é próprio; empregando a consciência. Deixando de lado as ideias feitas e preconceitos. Rubem Alves nos conta esse fato: “Havia um ipê amarelo que florescia no mês de julho. O chão ficava dourado com suas flores. Mas a dona da casa em frente ao ipê e a sua incansável vassoura deram o nome de “sujeira” ao dourado das flores caídas. E, um belo dia, a árvore amanheceu com um anel cortado na sua casca. As veias pelas quais sua seiva circulava haviam sido seccionadas durante a noite. O ipê morreu. A vassoura triunfou”. Essa mulher não via a beleza do Ipê. Só via o “lixo” provocado pelas flores caídas.

Assim, com o meu filtro, arrisco-me a dizer, que, o ocorrido no MAM, ou seja: a mãe, por motivos dela, escolheu submeter a filha a esse episódio: (tocar um homem nu), e muitos adultos incentivaram e aplaudiram a atitude da mãe e da criança. Resta-nos saber se, essa menina viu com a mesma inocência do menino do conto, que Viu que o Rei estava nu. 

Por: Bernadete Freire Campos.

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