A OPÇÃO PELA ENFERMAGEM: UM ESTUDO SOBRE INGRESSO,PERMANÊNCIA E EVASÃO
 
A OPÇÃO PELA ENFERMAGEM: UM ESTUDO SOBRE INGRESSO,PERMANÊNCIA E EVASÃO
 


CENTRO UNIVERSITÁRIO DE SANTO ANDRÉ ? UNIA

ANDRÉ RUIZ
DAYANE MOREIRA TRISTÃO
GABRIELA REGINA ALEXANDRE
LEO TABAJARA BRASIL BRAGA RESENDE MACIEL
MARIA CAROLINA RODRIGUES DOS SANTOS

RESUMO: Trata-se de um estudo de caráter exploratório de abordagem qualiquantitativa, com o qual se propõe analisar as relações existentes entre o ingresso, a permanência e quais fatores contribuem para a evasão do graduando no curso de enfermagem no Centro Universitário de Santo André (Unia). Para coleta e análise dos dados, foi aplicado um questionário (APÊNDICE II) com perguntas fechadas e abertas a fim de se conhecer o graduando. Dele participaram 163 graduandos dos 1os e 5os semestres, de ambos os sexos. As questões versavam sobre os motivos que os levaram ao ingresso no curso; à permanência; à evasão e às perspectivas em relação ao mesmo. Dos resultados apresentados, destacam-se os três motivos que levaram os estudantes a optar pelo curso de Enfermagem: I) Ajudar /cuidar das pessoas; II) Afinidade/identificação com a área da saúde e III) Continuar na área que já atuam.

PALAVRAS-CHAVE: Enfermagem; Ingresso; Permanência; Evasão.

1 INTRODUÇÃO

Toda sociedade possui determinantes que servem de modelos a serem seguidos no momento da escolha de um curso superior. Ribeiro (2005) cita Bohoslavsky (1980) e afirma que ao estruturar desejo e sistema produtivo, o indivíduo gera a escolha e, aos poucos, constrói sua identidade profissional.
Ainda para Ribeiro (2005), ao citar Bourdieu (1974) ressalta que cada indivíduo age dentro de um campo social constituído pelo seu habitus , que inclui sua família, suas relações sociais e, a partir desta construção, monta seu projeto de vida. Este processo centra-se no sujeito como construtor de sua própria história, num espaço e tempo deslocado por ele. Assim, ao ingressar na universidade, há uma diversidade de sujeitos que constroem suas histórias de vida de forma diferente. Alguns estudantes escolhem um curso superior, após ouvirem a opinião dos pais ou familiares. Desta forma, sentem-se seguros ao corresponderem às expectativas destes. Em contrapartida, há aqueles estudantes que não têm este aspecto familiar garantido, pois não há modelos de curso superior a serem seguidos em sua família.
Essa diversidade, muito evidenciada atualmente, principalmente no discurso da democratização do ensino, pressupõe uma universidade formada por grupos heterogêneos, seja nas diferenças de desempenho no ensino médio, nas condições sócio-econômicas, na bagagem cultural, entre outros fatores.
Há, ainda, outros motivos que, somados ao desejo e habitus do sujeito, impulsionam o estudante no momento da escolha do curso superior, como optar por cursos com maior retorno financeiro, fazer a opção baseada na identificação com algumas disciplinas escolares ou optar por profissões evidenciadas pela influência da mídia etc.
É fato que cada vez mais cedo, os jovens ingressam no Ensino Superior, oriundos de situações sociais, econômicas e culturais distintas. Uma vez na universidade, estes almejam alcançar uma profissão, que lhes oriente na vida em sociedade.
Alguns destes jovens, baseados em critérios e pautados por um processo de autoconfiança, fazem a opção que julgam mais acertada e perduram nas suas escolhas. Para eles, optar por um curso com o mercado de trabalho saturado, por exemplo, significa apostar no potencial que os diferenciará dos outros profissionais. Essa visão positiva do ingresso, faz que eles enxerguem não somente as barreiras da profissão, mas as potencialidades intrínsecas nessa possível vocação profissional.
JORGE (1996) cita VISCOTT (1982) e ressalta que existem duas espécies de sentimentos relacionados ao momento da escolha profissional: os negativos e os positivos:
Os sentimentos positivos ampliam nosso senso de força e bem-estar, produzindo prazer, uma sensação de inteireza, vida, plenitude e esperança, enquanto que os sentimentos negativos interferem no prazer, consomem energia e nos deixam com sensação de truncamento, vazio e solidão.

Já outros, por alguma circunstância, decepcionam-se com o curso escolhido e, não raro, evadem-se do convívio acadêmico e trancam suas matriculas, como se tivessem escolhido a opção errada. Desta forma, seguindo o mesmo exemplo acima, ao se depararem com o entendimento do mercado de trabalho saturado relacionado ao curso que escolheram, descartam as possibilidades futuras, perdem o interesse pelo curso, culpam a universidade ou a própria sociedade, eximindo de si toda responsabilidade, evadindo-se do curso.
De acordo com os dados do Ministério da Educação (MEC) num Censo realizado em 2008, acerca das Estatísticas Básicas e Indicadores da Educação Superior por Categoria Administrativa, os índices de evasão nos cursos superiores são alarmantes. Em instituições privadas, por exemplo, 45% dos alunos que ingressaram nas universidades se evadem ao longo do curso. Mas essa taxa tem várias explicações.
De um lado, o comportamento dos estudantes, tendo em vista as consequências de escolhas bem sucedidas ou não, e, de outro, as atividades docentes, conduzindo, enfim, o processo da Educação. Essa relação professor/ aluno gera discussões e questionamentos, dada a diversidade que cerca o ambiente acadêmico.
Entender Educação, principalmente no Ensino Superior, de acordo com Masseto (2003) é entender a relação intrínseca que existe entre conteúdo e aprendizagem significativa. O autor afirma que essa relação só é possível quando se coloca o aprendiz como "sujeito deste processo". Em suas palavras: "O aluno começa a ver no professor um aliado para sua formação, e não um obstáculo, e sente-se igualmente responsável por aprender". O autor ainda sugere que o trabalho com pesquisas e novas tecnologias são caminhos interessantes que facilitam o desenvolvimento dessa parceria.
Neste sentido, escrever sobre as etapas pelas quais passa o aluno ingressante até a conclusão do seu curso de graduação é, antes de tudo, compreender a realidade do professor e do aluno, para que possa existir uma co-participação, no desenvolvimento das habilidades e competências de ambos, num ambiente em que haja o reconhecimento de toda essa diversidade.
 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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