A criança hospitalizada: um estudo sobre a atuação do psicólogo hospitalar
 
A criança hospitalizada: um estudo sobre a atuação do psicólogo hospitalar
 


PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS
Curso de Psicologia













A CRIANÇA HOSPITALIZADA:
Um estudo sobre a atuação do Psicólogo Hospitalar.










Lorena Leos Altamira














Arcos/MG
2010
Lorena Leos Altamira














A CRIANÇA HOSPITALIZADA:
Um estudo sobre a atuação do Psicólogo Hospitalar.










Monografia apresentada ao curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção do título de Psicólogo.

Orientadora: Mestre Fernanda Simplício Cardoso.








Arcos/MG
2010

Lorena Leos Altamira


A CRIANÇA HOSPITALIZADA: UM ESTUDO SOBRE A ATUAÇÃO DO PSICOLOGO HOSPITALAR


Monografia apresentada ao curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção do título de Psicólogo.





____________________________________________
Professora Mestre Fernanda Simplício Cardoso
(Orientadora) ? PUC Minas





_________________________________________________________
Professora Mestre Anna Cristina Pegoraro de Freitas? PUC Minas





___________________________________________________
Professora Maria da Penha Zanotelli Felippe ? PUC Minas









Arcos, 29 de novembro de 2010


























Ao Cleber, meu companheiro incondicional, e a Lívia, minha querida filha, por ser meu maior incentivo. Agradeço seu apoio e compreensão quando mais precisei.
¡Los amo eternamente, sin ustedes no hubiera conseguido este logro!




AGRADECIMENTOS


À professora Fernanda Simplício, minha orientadora, pela grande cumplicidade neste trabalho, obrigada por confiar e me incentivar.
À professora Maria Eugênia Costa pelas infinitas contribuições.
A Raíssa, Laura e Karla pela ajuda, paciência, contribuições e presença insubstituível.












































"A sabedoria superior tolera, a inferior julga; a superior perdoa, a inferior condena. Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar"
(Chico Xavier)





RESUMO


O presente trabalho monográfico pretende investigar através de pesquisa bibliográfica, as possibilidades de atuação do psicólogo com a criança hospitalizada. A relevância deste estudo está na assistência dada também à família e a equipe da criança hospitalizada. A hospitalização é sempre uma situação de extrema dificuldade, que dá origem a experiências negativas, envolvendo também a família e a equipe que lida com os pacientes. A hospitalização infantil demanda um atendimento mais especializado, pois abrange diversos aspectos que podem atingir à criança emocional e psicologicamente quando afastadas do seu ambiente, das suas rotinas e do seu mundo social. A hospitalização da criança é uma fase que traz inúmeras conseqüências negativas se não for bem direcionada, por ser esta fase considerada de pleno desenvolvimento. Com o objetivo de minimizar o sofrimento causado pela hospitalização, a Psicologia Hospitalar, visa o atendimento destes, através de recursos usados pelo psicólogo como possíveis intervenções que, aliados ao tratamento médico, proporcionam benefícios à criança internada.

Palavras - chave: Criança hospitalizada. Intervenções psicológicas. Psicologia hospitalar.













SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 8

2 A CRIANÇA HOSPITALIZADA 10

3 A FAMÍLIA DA CRIANÇA HOSPITALIZADA E A EQUIPE INTERDISCIPLINAR 16

4 AS ATRIBUIÇÕES DO PSICÓLOGO HOSPITALAR E AS POSSÍVEIS INTERVENÇÕES COM A TRÍADE PACIENTE-FAMÍLIA-EQUIPE. 22
4.1 Intervenções com a criança 25
4.2 Intervenções com a família. 28
4.3 Intervenções com a equipe. 29

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 31

REFERÊNCIAS 33






















1 INTRODUÇÃO


O presente trabalho apresenta a explanação de aspectos relacionados ao atendimento psicológico infantil no âmbito hospitalar. Este processo de internação não envolve apenas a criança, mas também a família e a equipe que atua com elas, pois, além de compartilhar experiências, ambos constroem novas possibilidades de lidar com a situação com menos sofrimento.
No início do século XX começou a surgir no mundo a preocupação com o tratamento de crianças hospitalizadas. A psicologia, área de conhecimento, compromissada com o bem estar e formação da saúde, passou a se interessar e desenvolver trabalhos com o objetivo de minimizar o sofrimento causado pela internação.
A Psicologia Hospitalar no Brasil teve início com o trabalho de Matilde Neder, pioneira nessa área. O objetivo da mesma foi compreender como os fatores biológicos, comportamentais e sociais influenciam na saúde e na doença. Nesse sentido, entende-se que, com o processo de doença e hospitalização infantil surgem novos contextos, exigindo a mobilização da criança para se adaptar à situação imposta por essa condição. (Informação verbal) ¹
Segundo Perrin e Gerrity citados por Sousa e outros (2008), cerca de 5 a 10% de todas as crianças apresentam, em alguma época da infância, uma enfermidade prolongada ou incapacidade moderada grave. Quando a enfermidade remete a uma hospitalização, existe a possibilidade desta causar vários efeitos psicológicos negativos, entre eles, destacam-se: depressão, ansiedade, negação da doença, solidão e culpa. Esses efeitos e reações dependem da subjetividade de cada um, de sua situação sócio-familiar, econômica e do tipo da doença.
Diante disso, à medida que se pensa sobre o atendimento infantil percebe-se que há uma grande dificuldade no trabalho por parte dos profissionais que lidam com as peculiaridades desse público. Partindo desse pressuposto, e para alcançar o objetivo do presente estudo, buscou-se através de revisão de literatura a compreensão sobre quais as possibilidades de atuação do psicólogo com a criança hospitalizada, permeando esses conceitos na área da Psicologia Hospitalar.
Portanto, a partir dessas idéias, estabelecem-se os objetivos deste estudo. Pretende-se abordar a história da Psicologia Hospitalar e seu reconhecimento como área de especialidade; as questões que permeiam o espaço do hospital como instituição e as atribuições do psicólogo hospitalar. Além disso, destaca-se a importância da família durante o processo de hospitalização da criança; descreve-se a atuação da equipe com a criança hospitalizada; citam-se e descrevem-se alguns dos possíveis recursos utilizados pelo psicólogo na intervenção com os pilares da Psicologia Hospitalar, paciente-família-equipe, neste mesmo processo.
Para o desenvolvimento e estruturação, o trabalho dividiu-se em três capítulos. No primeiro, discorre-se sobre os desafios que a criança hospitalizada enfrenta, em seus aspectos físico, social, afetivo e psicológico. No segundo capítulo, ressaltam-se os benefícios que o contato com a família traz para a criança e a importância que esta tem no processo de hospitalização; abordam-se os desafios e as características emocionais da família presentes nesse contexto; salienta-se a também a importância da equipe ser interdisciplinar; e ainda citam-se as atitudes e rotinas dessas equipes. Por fim, no terceiro capítulo, faz-se um discurso sobre as possíveis intervenções do psicólogo com a criança hospitalizada, com a família e com a equipe que lida com ela, no intuito de conhecer os recursos utilizados para facilitar a estadia dela no hospital, minimizando assim os efeitos causados pela hospitalização.
Nas considerações finais, propõe-se alertar os profissionais da área de saúde para a necessidade de especialização de cada um, para que tenham uma postura flexível, de modo a facilitar esse difícil processo de internação e, finalmente para modificar a sua postura diante dos impasses que a hospitalização de uma criança traz.
O estudo não pretende com isso esgotar o tema, e muito menos de seguir regras predeterminadas, mas de passar algumas possibilidades e maneiras de atuação junto a infantes hospitalizados.







2 A CRIANÇA HOSPITALIZADA


Neste primeiro capítulo tem-se como objetivo apresentar os principais desafios que a criança hospitalizada enfrenta, assim como outros aspectos decorrentes desse contexto hospitalar. Para isto, primeiramente é necessária a compreensão do conceito criança, pois assim, tornará mais claro o entendimento do mesmo.
Para o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), nos termos do Art. 2° da Lei 8.069/90, no capítulo I, diz que "considera-se criança a pessoa de até 12 (doze) anos de idade incompletos" (ECA, 1990).
Já no tratado da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança e Adolescente (CIDCA) no Art. 1°, aprovado na Resolução 44/25 da Assembléia Geral das Nações Unidas, em 20 de novembro de 1989, diz que "criança é todo ser humano menor de 18 anos, salvo se, nos termos da lei, que lhe for aplicável, atingir a maioridade mais cedo". (CIDCA, 1989).
De acordo com Chiattone, (2003) nos últimos anos, os princípios de saúde e enfermidade gradualmente foram mudados. Os diversos avanços técnicos e científicos na área de saúde mudaram o tipo e atendimento que era oferecido, acabando por conduzir toda a atenção para um proceder somente curativo, desumanizando a prática médica. A conseqüência disso, "o doente é visto e tratado como uma peça da grande máquina que, desajustada/doente, necessita reassumir o equilíbrio entre suas peças/tecidos-sistemas-órgãos".(CHIATTONE, 2003, p. 24).
Ao falar de saúde a mesma autora diz que antigamente presumia-se que esta resultava unicamente no tratamento do enfermo por meio das ponderações médicas, e então ficava complicado referir-se à saúde sem mencionar o termo doença. O trabalho produzido junto a crianças hospitalizadas fornece visivelmente uma postura de mudança no tocante aos aspectos de saúde e doença, trazendo um novo paradigma no acompanhamento ao infante enfermo.
Portanto, entende-se que a criança ao ser hospitalizada passa por diversos desafios, que até então eram desconhecidos por ela, podendo estes influenciar diretamente no seu desenvolvimento. Dentre os principais, estão o afastamento do seu ambiente (lar), o afastamento dos pais, dos objetos de estimação, a tensão emocional, o medo de ser abandonada, o medo de perder os pais ou o afeto deles, o ambiente hostil do hospital, e inúmeras experiências, que não sendo bem direcionadas, repercutirão de forma negativa na sua experiência de hospitalização.
Para Kudo e Pierri citados por Junqueira (2003), há outros fatores que podem desencadear reações negativas a uma criança quando ela é hospitalizada. Exemplos disso é a vivência anterior com situações semelhantes, a própria personalidade da criança, o vínculo afetivo mãe-filho antes da internação, a duração da internação e a atitude da equipe hospitalar, entre outros.
Dessa forma, Baldini e Jornada (1999) afirmam que, quando se trata de crianças doentes, deve-se levar em consideração que as mesmas apresentam, a maioria das vezes, comportamentos regressivos, voltando para fases anteriores ao seu desenvolvimento cronológico. Portanto, é importante considerar que cada paciente é único e individual, e reagirá de modo diferente ao receber informações sobre sua doença e internação, "cada paciente vive a sua dor de forma singular". (CALIL apud CALVETTI; SILVA; GAUER, 2008, p. 231).
Segundo Almeida (2008) conforme a criança cresce, seu corpo muda, assim como os tecidos e os órgãos internos. No início da vida, as crianças são mais suscetíveis às conseqüências negativas decorrentes da doença e internação, já que elas têm uma quantidade limitada de recursos para encarar fatores geradores de estresse.
Chiattone (2003) afirma que a fase que mais conseqüências negativas traz para criança no período de hospitalização é entre os dois e os cinco anos de idade, pois o infante enquadrado nesta etapa já pode distinguir a situação de internação e enfermidade, mas ainda não conta com elementos para compreender os eventos, as perdas e os ataques decorrentes deste processo.
Já autoras como Baldini e Jornada (1999) apontam que a reação da criança à doença e hospitalização, nesta idade, dos dois aos cinco anos, é sobre o medo ao dano corporal, pois têm uma maior sensibilidade à dor, as lesões, ao sangue, e a todos os procedimentos médicos em geral. Por este motivo, torna-se fundamental a informação e preparação dos infantes de tudo que lhes for acontecer. Dos cinco aos sete anos, as mesmas autoras dizem que são visíveis às aflições sobre a morte, ao sumiço ou o medo de se perder para sempre, elas apuram o sentido para seu destino, o dos familiares e o de outros internos. Dos sete aos nove anos, a criança se preocupa se vai ou não perder seu lugar na enfermaria, se ficará inválida para sempre, se vai ficar afastada de casa, da escola, dos amigos, em fim, prevalece o medo de ser abandonada. Dos nove aos doze anos, a criança demonstra aflição própria sobre as questões escolares, do âmbito intelectual, social e físico, ou seja, sobre as conseqüências da não assiduidade à instituição e as repercussões para com os colegas. E, como última fase, dos onze aos treze anos, as autoras mencionam que o infante manifesta inquietações sobre as funções corporais, sobre os produtos orgânicos, sobre a exibição perante a equipe hospitalar e aos outros pacientes, assim como da provável desmoralização dos amigos.
Visto isso, outros traumas decorrentes da hospitalização de uma criança também podem acontecer. Segundo Machado e Martins (2003), quando a criança é hospitalizada, a maioria das vezes tem que suportar muitas limitações em suas atividades em conseqüência de sua enfermidade e do espaço físico, sendo este geralmente limitado. Para as mesmas autoras, há duas situações que contribuem para o aumento do sofrimento físico e psíquico da criança nesta condição:

Algumas crianças vão ao hospital para consultas ambulatoriais e exames rotineiros, sem nenhum sintoma ou sinal de doença perceptível à mãe ou à família, e o medico prescreve a internação. Estas crianças não aceitam a internação com facilidade e sofrem muito na realização dos exames para se determinar um diagnostico. A atuação da equipe é fundamental principalmente se se tratar de um prognóstico negativo, e para a criança que nada sentia, se torna impossível não culpar a hospitalização, a equipe e a família pelo sofrimento pelo qual deve passar. Por outro lado, crianças que estão fisicamente debilitadas, conseguem aceitar melhor a hospitalização na medida em que esta situação trará a diminuição de seu sofrimento físico. Porém a urgência do atendimento e as condutas agressivas também as assustam e deprimem resultando em desânimo e medo diante da necessidade de outras internações (MACHADO; MARTINS, 2002, p. 37-38).

A presença dos pais junto à criança hospitalizada é outro aspecto bastante estudado. No Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei 8069/90, no capítulo I, Artigo 12, diz que se "garante o direito de acompanhamento familiar em tempo integral à criança /adolescente internado". (ECA, 1990). Este assunto, segundo Lima (2004) foi legalizado depois do lançamento da campanha "Mãe Participante", estimulada pela Sociedade de Pediatria de São Paulo, em 1988. O programa conseguiu comprovar que a presença da mãe diminuía a mortalidade e também a estadia da criança no hospital. Outros trabalhos realizados em enfermarias pediátricas do estado de São Paulo, igualmente constatam o fato, negando o que se pensava anteriormente: que as mães aumentavam o nível de risco de infecções das crianças.
No entanto, de todos os aspectos negativos decorrentes do fato dos pais não estarem presentes nesse momento tão difícil para a criança, o maior de todos é a separação da criança doente de sua mãe, ou seja, a privação materna. (CHIATTONE, 2003).
De acordo com Baptista e Dias citado por Mendonça (2009, p.16), "a criança sente maior segurança ao estar acompanhada de sua mãe, principalmente no processo de hospitalização".
Segundo Chiattone (2003), as crianças privadas dos cuidados maternos sofrerão fracassos no desenvolvimento de sua personalidade na medida em que é a mãe, nos primeiros anos de vida, quem lhes proporcionará os dados essenciais para esse desenvolvimento. A privação materna durante a hospitalização traz à criança muita angústia, uma exagerada necessidade de amor, sentimentos de vingança e, conseqüentemente, culpa e depressão. Todas as crianças estão sujeitas aos efeitos físicos, intelectuais, emocionais e sociais da privação materna, sendo esses já bem discerníveis desde as primeiras semanas de vida. Portanto, as crianças que não tem a presença da mãe no hospital poderão sentir-se abandonadas, angustiadas, com sentimentos de vingança, culpa e depressão. "A forma pela qual a criança reage a estas perturbações pode resultar em distúrbios emocionais graves e numa personalidade instável". (CHIATTONE, 2003, p. 29).
Existe ainda outro fator importante relatado pelas crianças privadas de suas mães ou familiares, sendo este, segundo Chiattone (2003), a motivação.

A criança estimulada que recebe reforço de seus familiares por suas conquistas sente-se animada a prosseguir. A criança que se encontra privada do contato de sua mãe ou de familiares só tem o próprio impulso interno a estimulá-lo. E o conjunto de fatores negativos ligados à privação e à institucionalização quase sempre afeta e dificulta o desenvolvimento desse impulso. (CHIATTONE, 2003, p. 32).

Visto isso, percebe-se que a criança precisa se adaptar à hospitalização, e para isto, necessita de meios para enfrentar adequadamente os efeitos negativos que desta possam decorrer. Um fato que pode determinar se a situação da hospitalização é invasiva e abusiva é a falta de respeito para com os pacientes, sejam estes crianças ou adultos. Segundo Camon (2006), a forma como alguns procedimentos são realizados destacam ainda mais essa invasão e abuso dentro do contexto hospitalar, pois tudo é visto dessa forma pelo paciente devido à necessidade de aceitação que tem da condição em que se encontra.
Outro ponto que merece destaque por sua necessidade de entendimento é a despersonalização do paciente no hospital. Essa despersonalização pode potencializar o sofrimento e fazer dessa estadia no hospital uma fase da vida marcada por inúmeras conseqüências negativas. Segundo Camon (2006), o paciente perde seu nome, deixando de ser ele passa a ser a patologia que o levou à internação ou o número de leito em que se encontra. O mesmo autor afirma que, a posição de hospitalizado será uma experiência única enquanto vivência. Além disso, suas rotinas e costumes se transformarão diante da hospitalização e da doença,

Se a doença for algo que o envolva apenas temporariamente haverá a possibilidade de uma nova reestruturação existencial quando do restabelecimento orgânico, fato que, ao contrário das doenças crônicas, implica necessariamente numa restauração vital. (CAMON, 2006, p. 17).

Sobre a despersonalização da criança, Chiattone (2003) afirma que é um dos fatores que causam mais efeitos negativos na sua personalidade. Ao passar pelo processo de internação a criança é despida de tudo que era conhecido por ela, tendo assim, muitas humilhações e degradações que a levam ao profanamento do seu "eu", sendo automaticamente mortificada. Para a mesma autora, o infante é classificado nos padrões da "máquina administrativa do hospital", tirando-lhe seus pertences, pois todas seguem o mesmo modelo estereotipado (vestem-se roupas iguais, usam-se camas iguais).
Dessa situação decorrem várias mudanças, portanto, Sarti citado por Lima (2004), afirma que a criança pode ter duas raízes que dêem origem à sua ansiedade quando hospitalizada. A primeira é a externa e a segunda a interna. A ansiedade externa diz dos fatos reais e concretos vindos do contexto hospitalar. A ansiedade interna se manifesta pela aflição ou agonia ocasionada pela própria enfermidade ou da idéia que o infante tem da mesma.
Outro aspecto que merece destaque ao discutir esse assunto são os esclarecimentos dados a ela sobre sua situação. Se a criança estiver bem informada sobre os fatos facilitará algumas rotinas e cooperará em seu tratamento. Para Lima, a criança "tem o direito de acompanhar o que se passa com ela, de acordo com seu nível de maturidade e com suas possibilidades de compreensão" (LIMA, 2004, p. 82).
Para a mesma autora essas informações ajudam ao infante a organizar suas emoções levando-o assim, a buscar recursos internos, essenciais para o enfrentamento de tal situação. Vale ressaltar que o lado desconhecido da enfermidade só favorecerá o aumento do sofrimento psíquico. Contudo, isso não significa que a criança que está informada de tudo que lhe está acontecendo esteja pronta psicologicamente para encarar os fatos decorrentes da hospitalização.
Segundo Almeida (2008), como a criança ainda não possui a competência de prescindir e abreviar, ela pode precisar de muito esforço para entender os acontecimentos quando as informações são passadas unicamente por meio de palavras.
Nesse sentido, é imprescindível que se fomentem condições ideais para que a criança possa se desenvolver plenamente. No entanto, para que isso aconteça não se pode deixar de avistar o papel da família e da equipe hospitalar, já que eles aportam sustentação no crescimento da criança, como veremos a seguir.













3 A FAMÍLIA DA CRIANÇA HOSPITALIZADA E A EQUIPE INTERDISCIPLINAR


Este segundo capítulo, discorrerá sobre a família da criança hospitalizada, abordando dificuldades desta diante de situações de crise, colocando ênfase à presença da mesma neste processo. Igualmente se falará sobre a equipe que lida com esta criança, deixando clara a importância de sua atuação durante o período de internação.
Para isto, faz-se necessária a compreensão do conceito família por se considerar básico e fundamental no entendimento do estudo a seguir, apesar destes conceitos não abarcarem a variedade de significados e modelos atuais de família.
Do latim familia que significa conjunto das propriedades de alguém, incluindo escravos e parentes; vem de famulus que significa criado doméstico. De acordo com o dicionário Aurélio (2010), a definição de família é "grupo de seres ou coisas que apresentam características comuns"; "todas as pessoas do mesmo sangue, filhos, irmãos, sobrinhos, etc."
É relevante considerar que no trajeto natural do crescimento da família aconteçam fatos que geram crises, estas causadas pelas alterações conseqüentes da travessia por estas fases. Caplan citado por Oliveira e Sommermam (2008), diz que depois da chegada de uma crise na família, esta pode vir acompanhada do ciclo de desordem e transtorno, tentando soluções que nem sempre são coroadas de êxito.
Para a família, a hospitalização pode ser uma das questões mais angustiantes, uma vez que, segundo Oliveira e Sommermam (2008), quando um evento importante atinge um dos membros do grupo familiar, não há como os demais serem poupados; todos são afetados, pois a hospitalização é sempre um evento gerador de estresse, rompendo por vezes, com as certezas e a rotina de vida de cada um.
De acordo com Chiattone (2003), quando um infante se enferma, a família também tem esse sentimento, pois a maior parte do tempo se culpa pelo acontecido. Esse grupo familiar às vezes imagina que desejou ou realmente provocou a doença da criança, e esse sentimento de culpa, geralmente aparece vinculado à má alimentação, ao descaso e aos maus tratos. O grupo familiar representa uma estrutura organizada e ao aparecer a doença, nota-se que a família se desorganiza.
As reações mais comuns da família à enfermidade e internação de uma criança, segundo a mesma autora, são: medo, insegurança, confusão, apatia, desespero, abandono do lar, separações conjugais, angústia, impaciência, pouca tolerância ao sofrimento da criança, entre outros.
Para Oliveira e Sommermam (2008), a maior dificuldade vista pela família quando se vê acometida pela enfermidade e a internação de um ser muito estimado, é a quebra do cotidiano, experimentando desamparo e separação.
Chiattone (2003) assegura que depois do surgimento da doença e o desequilíbrio do grupo, a família busca sua reestruturação anterior, reorganizando seus pesos emocionais e afetuosos. Dessa forma, podem-se ter dois tipos de família: a superprotetora e a hostil. A primeira diz dos sentimentos totalmente livres e voltados para a criança, a qual, geralmente revela um enorme sentimento de culpa. E a segunda, comumente demonstra a agressividade anterior ao surgimento da enfermidade, fazendo com que este grupo familiar não se redima e deseje o óbito do paciente.
Segundo Chiattone (2003), sempre que uma criança é o paciente hospitalizado, a família responde com muita dificuldade. Afirma com isto que, todo o curso da doença e os sentimentos decorrentes da mesma podem estar ligados a precedentes como o nascimento não desejado ou muito desejado, problemas que os pais atravessavam na época, entre outros. Por esses motivos, a forma de reagir a eles sempre será com culpa e desespero, sentindo que pediram muito da criança.
Após a experiência de hospitalização, tratando-se de doenças agudas, segundo Rodrigues (2004), a família sempre procura sua reacomodação como grupo. Se a criança se enferma repentinamente, ainda que seja por um curto período de tempo, o grupo familiar tentará criar novas formas para suportar as necessidades advindas desse processo. No caso de doenças crônicas, as modificações tendem a fixar-se perante um evento que se prolongará por tempo indefinido, ou permanentemente, o que retrata uma crise essencial relevante.
Para a mesma autora, compreender a doença na sua tipologia e fase é imprescindível, pois a enfermidade de uma criança para o grupo familiar nunca é vivenciada de igual maneira que à doença de um adulto.
Ao disscorrer mais sobre o tipo de doença, autores como Oliveira e Sommermam (2008) dizem que os problemas decorrentes de uma doença aguda são muitos, mas o que destaca-se como principal, é o fato do diagnóstico ser inesperado, pois a família vê-se diante da ameaça à vida do membro do seu grupo, tendo esta que reorganizar-se, em curto espaço de tempo, para tomar determinações, na tentativa de encarar essa nova situação da melhor forma possível, pois é uma enfermidade para a qual não puderam planejar nada.
Sobre a doença crônica, as mesmas autoras afirmam que esta exige mais ajustamento e modificação das posições na estrutura familiar, porque este tipo de doença é indeterminada e não previsível.
Portanto, deve-se considerar que todas as famílias, ao passar por esta experiência de hospitalização, constroem novas histórias, geralmente repletas de dor e sofrimento. Com isto, esse grupo familiar criará muitas expectativas no que diz respeito à equipe que cuida do seu ente querido, demandando-lhe uma atenção mais redobrada. Para que isto se torne eficaz e concreto é necessária a participação ativa da equipe que lida com essa criança hospitalizada.
Segundo Chiattone (2003), trabalhar com crianças revela um esforço mais específico e detalhado, o que requer uma disponibilidade de tempo e preparação para os profissionais que lidam com esta área.

O trabalho junto a crianças doentes e hospitalizadas mostra basicamente quanto se deve lutar pela humanização do atendimento, quanto se deve proteger a criança, esse ser tão dependente de outro(s), de um atendimento técnico, impessoal e agressivo. (CHIATTONE, 2003, p. 26).

Para a mesma autora, todos os profissionais da área de saúde devem ter noção clara de que a criança ao passar por este processo da doença estará afetada em sua integridade e em seu desenvolvimento emocional. Assim, os profissionais da saúde devem ser preparados, desenvolvendo recursos para minimizar o sofrimento da criança hospitalizada, uma vez que, além dos fatores inerentes à hospitalização, a criança pode ser acometida pelas conseqüências decorrentes dela.
Segundo Almeida (2008), na hospitalização infantil é imprescindível que todos os profissionais de saúde entendam o choque que a enfermidade e a hospitalização trazem na vida da criança, além das consequentes repercussões de cada etapa do desenvolvimento.
A mesma autora afirma que para trabalhar de forma efetiva junto à criança hospitalizada, a atitude da equipe é vital, pois, necessita transparecer confiança, com o objetivo de permitir uma aproximação de segurança entre ambos. Deve sempre existir entre paciente e equipe um relacionamento baseado no respeito e cordialidade.
Chiattone (2003) pontua que, a forma como a equipe de saúde executa seu trabalho no contexto hospitalar é um aspecto relevante a se levar em consideração quando se questionam os efeitos malignos causados pela internação.

Uma equipe de saúde extremamente profissional que não consegue visualizar a criança como um todo doente, que não consegue ampliar seu campo e ação e assumir comportamentos e atitudes flexíveis e carinhosas é certamente uma equipe que terá pouco sucesso junto a crianças hospitalizadas. (CHIATTONE, 2003, p. 39).

A desconsideração de aspectos biopsicossociais e a rigidez do profissional, o excesso de trabalho, a desumanizacão e o desinteresse determinarão também um ambiente de trabalho carregado de hostilidade.
Por vezes, a equipe de saúde, conforme Guedes citado por Fossi e Guareschi (2004), aparece perante o paciente de forma não disponível. Geralmente a escuta médica, pode estar unicamente interessada nas informações da enfermidade, portanto, a forma do médico agir com rejeição diante do paciente faz com que ela tenha suas outras relações insatisfeitas. Assim, a recuperação do paciente, pode ser atingida pela hostilidade do relacionamento médico-paciente e assim, revelar conseqüências boas ou ruins na sua trajetória de adoecimento.
Na ciência do século XXI, segundo Almeida citado por Ribeiro e colaboradores (2004), a forma de trocar conhecimentos é indispensável entre as diversas disciplinas, pois promove com isso a interdisciplinaridade. Esta equivale à união de diferentes matérias, ligadas a um mesmo tema, com distintos níveis de coesão, sem a prepotência de uma disciplina se sobrepor às outras.
Com isso, Camon (2000) afirma que um só profissional não é o suficiente para investigar os enfermos no contexto hospitalar nos diferentes aspectos, proporcionando assim um diagnóstico exato e resoluto. O labor em grupo destaca-se pela homogeneidade dos alvos a serem alcançados. Desta forma, o trabalho executado em equipe é visto como um agrupamento de pessoas com diferentes formações profissionais, atuando de maneira interdependente, interrelacionando-se no mesmo contexto de trabalho, através de notificações formais ou não.
Portanto, as consequências de análise de cada área deverão ser avaliadas e comentadas por todos e deverá ser apresentado um exame diferenciado, pontuando a exatidão e obstáculo vistos em cada paciente.
Para Bruscato e colaboradores (2004), entende-se por trabalho multiprofissional aquele em que as disciplinas interagem entre elas, desde a troca de informações até a coesão verdadeira de termos, métodos e sistematizações. Já o labor desenvolvido em equipes multiprofissionais interdisciplinares, usa técnicas metódicas, projetos conceituais e de avaliação de diversos campos do saber com o objetivo de integrá-los.
Dando continuidade ao pensamento da autora, ela afirma que numa equipe interdisciplinar de saúde, o exame e os planos são realizados em conjunto, de maneira interdependente, adicional e orientada. Não se trata só de um encontro entre as diversas áreas do saber. São notados os relacionamentos entre esses campos, mas sem descuidar-se das outras especialidades. Isso significa que todos os profissionais participantes agem ampliando sua sabedoria, cooperando assim com os outros profissionais, porém não deixando sua especificidade e o domínio da sua técnica.
Então, percebe-se que de qualquer maneira, na área de saúde, as equipes são tão diversificadas quanto às instituições (hospitais) nas quais essas equipes trabalham, variando em seu nível de formalidade, ou seja, adequando-se a cada uma delas.
Segundo Chiattone citado por Fossi e Guareschi (2004), os demais profissionais também se adaptam à demanda orgânica do paciente e às determinações médicas para depois agregar seu exercício ao atendimento hospitalar. As diversas ocasiões árduas e não esperadas que formam parte da vida dos usuários dos hospitais gerais, repercutem na prática da equipe, o que demonstra que uma única especialidade profissional não logra a diversidade de questões que a enfermidade e hospitalização trazem.
Para Oliveira e Sommermam (2008), existe entre a equipe de saúde e a família uma relação delicada, apesar de ambas as partes concordarem sobre a relevância da recuperação do enfermo. As necessidades de uma e outra nunca serão as mesmas, desconhecendo-as por vezes.
Uma particularidade que se observa com freqüência, é que o grupo familiar, mergulhado em sua dor, responde mal colocando empecilhos entre ele e a equipe. Vários problemas surgem derivados deste aspecto, como por exemplo, o fato dos profissionais não compartilharem dados ou observações sobre o estado do paciente com a família. As mesmas autoras corroboram a importância de transmitir as informações de maneira clara e concisa, mantendo as limitações e necessidades de cada família.
É nestes momentos, que o psicólogo hospitalar tem papel imprescindível com este dois grupos, juntamente com o paciente, atuando como facilitador nessa relação, com o objetivo de favorecer a comunicação, reflexão e conscientização de todos os envolvidos neste difícil processo, como veremos a seguir.


















4 AS ATRIBUIÇÕES DO PSICÓLOGO HOSPITALAR E AS POSSÍVEIS INTERVENÇÕES COM A TRÍADE PACIENTE-FAMÍLIA-EQUIPE


Este terceiro capítulo apresentará um dos vastos campos de atuação para os profissionais psicólogos, a Psicologia Hospitalar, sendo esta uma das áreas de especialização, reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia.
Faz-se um breve percurso pela história, possibilitando uma compreensão mais ampliada sobre a área acima mencionada, sobre o hospital como espaço físico e sobre as questões que permeiam este espaço como instituição.
Para finalizar, apresentam-se algumas das possíveis intervenções do psicólogo com a criança hospitalizada no intuito de conhecer os recursos utilizados para facilitar a estadia dela no hospital, minimizando assim os efeitos causados pela hospitalização.
Verificando o conceito histórico, observa-se que, antes do século XVIII, o hospital era basicamente uma instituição de assistência aos pobres, mas desde a antiguidade a idéia de que o hospital era feito para curar vem se alastrando. Na atualidade, o Ministério da Saúde (MS), definiu a instituição hospitalar da seguinte forma:

O hospital é parte integrante de uma organização Médica e Social, cuja função básica, consiste em proporcionar à população assistência médica sanitária completa, tanto curativa como preventiva sob qualquer regime de atendimento inclusive o domiciliar, cujos serviços externos irradiam até o âmbito familiar [...] (MINISTÉRIO DA SAÚDE, s.d.).

Para Mozachi e colaboradores (2009), o termo hospital vem do latim hospitiu, que significa "local onde se hospedam pessoas" em referência aos lugares fundados pelo clero, no século IV d.C, cujo objetivo era munir de cuidados os doentes e proporcionar abrigo aos viajadores peregrinos.
Outro significado importante de hospital, segundo o dicionário da língua portuguesa, é "estabelecimento público ou particular, aparelhado com todos os recursos médicos e cirúrgicos para o tratamento dos doentes". (AURÉLIO, 2010).
De acordo com Mozachi e colaboradores (2009), pela natureza dos hospitais, estes podem ser classificados segundo o seu tipo: Hospital Geral ou Hospital Especializado. No hospital geral o atendimento é oferecido nas quatro especializações médicas básicas: clínica médica, clínica cirúrgica, clínica gineco-obstétrica e clínica pediátrica. Já no hospital especializado a assistência é dada com base em uma só especialização, como maternidade, neurocirurgia, pediatria, etc.
Com base nessas informações e segundo Mozachi e colaboradores (2009), os hospitais também são classificados segundo sua resolutibilidade, ou seja, pelo seu nível de atendimento, sendo de caráter secundário ou terciário; e sobre a sua propriedade, sendo estes Hospitais Públicos e Hospitais Privados ou Particulares.
Sobre os elementos institucionais, Camon (2003) diz que o hospital se divide em duas grandes estruturas: estrutura estática e estrutura dinâmica. A estrutura estática da instituição refere-se completamente à parte física: térreo, primeiro andar, segundo e/ou terceiro andar.
A segunda estrutura, a dinâmica, diz dos seguimentos de funcionamento e das relações interpessoais da instituição. Portanto "é por meio de sua análise que os aspectos inerentes ao relacionamento dos profissionais que atuam na instituição se tornam claros e precisos". (CAMON, 2003, p. 3). Nesta estrutura tem-se o tipo de hospital, vínculo da instituição com a comunidade, vínculo dos médicos com a instituição, interação da equipe médica com os demais profissionais de saúde, multidisciplinaridade do setor, trajetória hospitalar do paciente, vínculo médico-paciente, vínculo paciente-hospital, dentre outros.
Diante isso, é importante salientar o trabalho do psicólogo neste campo. Portanto, faz-se imprescindível discorrer sobre a Psicologia e suas implicações em instituições de saúde, através de teorias e técnicas psicológicas, dando espaço ao trabalho do profissional nesse contexto hospitalar.
A história da Psicologia Hospitalar, segundo Bruscato (2004), data do ano de 1818, quando, no Hospital McLean, de Waverly, no estado americano de Massachusetts, criou-se a primeira equipe multiprofissional, na qual o psicólogo fazia-se presente.
A Psicologia nos hospitais do Brasil, segundo Lhullier citado por Silva, Tonetto e Gomes (2006) começou na década de 40, quando a psicologia era apenas concebida como apoio teórico à prática médica, pois eram os médicos que integravam o corpo e a mente e só a eles lhes era permitida a compreensão dos aspectos mentais. As atividades psicológicas em contextos hospitalares no Brasil começaram em 1950, tempo em que nos EUA já se tornava uma profissão. Vale a pena salientar que este fato aconteceu antes da profissão de psicólogo no país ser regulamentada, em 1962.
Os primeiros trabalhos encontrados no Brasil tiveram início com a atuação de Matilde Neder, pioneira nessa área. Segundo Botega e DeMarco citados por Bruscato (2004), Matilde Neder, em 1954, instalou num Hospital Geral, o primeiro Serviço de Psicologia Hospitalar, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Segundo Dittrich e Zendron citados por Silva, Tonetto e Gomes (2006), a equipe médica observou que a inquietude demonstrada pelas crianças após cirurgias provocava danos às peças de gesso e comprometiam a sua recuperação. O trabalho psicológico então foi desenvolvido para melhorar a aderência ao tratamento.
De acordo com Silva, Tonetto e Gomes (2006), o I Encontro de Psicólogos na Área Hospitalar , em 1983, foi o marco histórico para a reunião de troca de experiências entre os profissionais. Figura entre os responsáveis pela organização do evento a psicóloga Bellkiss Wilma Romano Lamosa, profissional que desde 1974 atua no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, sendo hoje uma das psicólogas mais reconhecidas de todo o país.
A mais rica contribuição para o fortalecimento do serviço psicológico em hospitais gerais foi a mudança no conceito de saúde. A Organização Mundial de Saúde (OMS) propôs a definição de saúde como "um estado positivo e multidimensional, envolvendo três domínios: saúde física, psicológica e social". (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, s.d)
Visto a crescente demanda desta área, na qual o psicólogo pode se desenvolver como profissional, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) reconheceu o título de especialista ao Psicólogo que atua na área hospitalar, através da Resolução CFP n.013/2007, definindo que o mesmo:

Atua em instituições de saúde, participando da prestação de serviços de nível secundário ou terciário da atenção à saúde [...] Atende a pacientes, familiares e/ou responsáveis pelo paciente; membros da equipe multiprofissional e eventualmente administrativa, visando o bem estar físico e emocional [...] Oferece e desenvolve atividades em diferentes níveis de tratamento [...] visando basicamente a promoção e/ou recuperação da saúde física e mental. Promove intervenções direcionadas à relação medico/paciente, família/paciente e do paciente em relação ao processo do adoecer, hospitalização e repercussões emocionais que emergem neste processo [...]. (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA ? Resolução CFP n.013/2007, p. 21-22).

Diante disso, a atuação do profissional junto a pacientes hospitalizados, através de recursos psicológicos, visa a diminuição do sofrimento inerente a este processo, podendo atuar no ambulatório, Pronto Socorro, UTI, entre outros, pois o objetivo do mesmo é compreender como os fatores biológicos, comportamentais e sociais influenciam na saúde e na doença.


4.1 Intervenções com a criança


Para minimizar o sofrimento das crianças no contexto hospitalar e favorecer um ambiente menos hostil, independentemente do tempo e da doença que as levaram à internação, o psicólogo pode utilizar vários recursos dos quais podem se destacar: o brincar, a brinquedoteca, o livro infantil e o desenho. Estes instrumentos mostram-se válidos ao atendimento psicológico dado à criança hospitalizada.
O brincar coloca-se como primeiro recurso, sendo este o mais utilizado na hospitalização infantil. A palavra brincar na língua portuguesa origina-se do latim vinculum, que significa união ou laço, sendo esta uma atividade essencial entre as crianças. No contexto hospitalar de acordo com Alcantara (2008), o brincar, é uma ferramenta valiosa, pois garante a aderência ao tratamento e a promoção da continuação do desenvolvimento infantil.
Para Chiattone (2003) o objetivo não é fazer com que as crianças brinquem por brincar, mas sim que através do brinquedo verbalizem e elaborem seus sentimentos enquanto pacientes. Para ela, o brincar também é um meio efetivo de obter informações.

Enquanto o paciente brinca, o psicólogo permanece junto, apoiando, conversando, brincando. Os resultados são surpreendentes, na medida em que, enquanto brincam, as crianças conseguem exprimir seus medos, falar sobre a doença, sobre o tratamento, o hospital, a saudade da família, sobre a morte, etc. Brincando e conversando, os medos, as dúvidas, os acontecimentos e as condutas são elaborados, explicados exaustivamente, conseguindo-se quase sempre aliviar e esclarecer os pacientes de uma forma eficaz. (CHIATTONE, 2003, p. 56).


Segundo Carmo (2008), através do brincar a criança vê e constrói o mundo, e pode expressar o que tem dificuldade de colocar em palavras. Para Angerami (1992) além de recreativo, um programa de terapia pelo brinquedo é um meio saudável de auxiliar a criança a expressar sua ansiedade, facilitando os canais de expressão verbal, comportamental e simbólico.
Este autor destaca ainda que a utilização do brinquedo enquanto instrumento de diagnóstico, visa à ampliação do conhecimento sobre a vida mental da criança hospitalizada e suas reações aos eventos da hospitalização, refletindo o significado de experiência para ela e as distorções a que está sujeita, as quais podem exigir intervenção imediata ou posterior do profissional.
Desta forma, Alcantara (2008) salienta que o brinquedo é um elemento que pode ser utilizado como ferramenta terapêutica, objetivando a expressão dos medos e aflições.
Para Carmo (2008) são inúmeras as atividades e brincadeiras que podem ser utilizadas com função terapêutica. Uma delas é utilizar os próprios objetos médicos, que quando manipulados, deixam de ser assustadores e passam a ser brinquedos.
Portanto, as crianças ao brincar e ao fazer uso dos brinquedos, conseguem enfrentar as condições estressantes da hospitalização e, como conseqüência disso, os procedimentos médicos a que se sujeitam.
De acordo com Chiattone (2003), existem duas categorias com brinquedos, as quais podem ser subdivididas em brinquedo dirigido e brinquedo livre. Ao utilizar o primeiro tipo, o psicólogo escolhe previamente brinquedos como malinhas de médico, as bonecas paciente, as seringas, os estetoscópios, ambulâncias, enfermeiras, cadeirinhas de rodas, macas, instrumentos cirúrgicos, camas, materiais para primeiros socorros, famílias, radiopatrulha, carrinho de funerária, caixão, casinhas, bombeiros, polícia, um pequenino hospital, etc., pois estes objetivam facilitar a elaboração dos sentimentos referentes à doença e hospitalização. A atividade do brinquedo livre é desenvolvida, segundo a mesma autora, usando-se diversos brinquedos disponíveis. Apesar do aspecto livre da atividade, as crianças são observadas, orientadas e apoiadas durante todo o período, e pela própria escolha dos brinquedos ela aponta por qual caminho se deve adentrar e os conteúdos a se trabalhar. Essas atividades programadas para o atendimento da criança hospitalizada costumam ser mais efetivas porque contêm estratégias que facilitam a adaptação ao contexto hospitalar.
O segundo recurso é a brinquedoteca. As brinquedotecas, segundo Moleta (2010) surgiram no Brasil a partir dos anos 80 com o objetivo de proporcionar estímulos para que os infantes pudessem brincar livremente, aumentando seu desenvolvimento emocional, cognitivo, social e psicomotor. Levando-se em consideração a relevância do lúdico no desenvolvimento humano, e somando-se a isto a dor de um infante que necessita ficar hospitalizado, aparece a brinquedoteca no contexto hospitalar, com o intuito de amenizar o sofrimento das crianças nesta situação. Este espaço valoriza muito as atividades lúdicas, pois contribui na formação efetiva da criança.
Para Saggese e Maciel, citados por Motta e Enumo (2004, p. 20), "os programas hospitalares que utilizam a recreação visam geralmente à ocupação de tempo ocioso. Porém, propõem que a atividade lúdica, nesse contexto, seja olhada como instrumento terapêutico a serviço da intervenção médica".
Vale ressaltar como um terceiro recurso ludoterápico, o livro infantil.
Segundo Soares (2010):

Os livros bem selecionados têm grande valor por ser um método que tem por objetivo informar a função dos procedimentos médicos, identificar a percepção da criança com relação à doença e hospitalização, incentivar a verbalização de sentimentos e pensamentos em face da condição de hospitalização. (SOARES, 2010, p. 1).

Neste sentido, Whaley & Wong citados por Soares (2010) afirmam que tal recurso pode ser usado quando os pacientes não têm energia para dispensar em brincadeiras, preferindo então, que alguém leia para eles.
Verifica-se, então, que a leitura dos livros pode permitir que o paciente lide melhor com a complexidade do contexto hospitalar e, conseqüentemente, aumente sua capacidade de compreensão.
Como último recurso citado neste estudo, tem-se o desenho. Segundo Chiattone (2003), as crianças conseguem externar através do desenho seus sentimentos, medos e fantasias. Para elas, conversar sobre suas produções é uma atividade muito rica, pois trabalha a ansiedade e a intranqüilidade. Para o psicólogo, ter contato com o material das crianças facilita o vínculo das relações entre eles porque consegue assim, aliviar as angústias das mesmas.
Para Ferreira citado por Camargo e colaboradores (2003):

No desenho, a criança expressa o significado e sentido que vê nos objetos, mas não desenha a realidade como ela é, e sim, a realidade conceituada, como esta é percebida e memorizada por ela. Como processos complexos, a memória e a imaginação transparecem no desenho por meio dos esquemas figurativos dos objetos reais que fazem sentido para a criança e que estão carregados de significação. (FERREIRA apud CAMARGO e COLS, 2003, p. 104).

Visto isso, percebe-se que cada intervenção tem sua razão de ser, sendo esta a particularidade do trabalho do psicólogo com crianças hospitalizadas. Portanto, entende-se que o lúdico tem suas potencialidades se usado através de diversas atividades para além de um objetivo puramente recreativo.


4.2 Intervenções com a família


O psicólogo hospitalar, segundo Alcantara (2008), cumpre seu cargo de mediador estimulando as famílias, compreendendo a dinâmica do grupo, auxiliando-a para dialogar acerca de suas dificuldades e questões sobre a crise que estão vivenciando, para depois trabalharem juntos nessa situação.
Para Favarato e Gagliani (2008), a resposta dos pais durante a hospitalização é comumente de muita ansiedade, o que torna difícil que eles ajudem o filho a manejar melhor sua condição, desconversando sobre a enfermidade e o tratamento a que ele será sujeitado. O fato deles se encontrarem angustiados também impede o entendimento do diagnóstico e atuação médica. O medo de apartar-se do filho intensifica os pensamentos de que o filho não será cuidado eficazmente pela equipe hospitalar. Ademais disso, o fato dos pais terem outros filhos pode produzir sentimentos confusos neles, pois, ao mesmo tempo em que querem estar acompanhando o filho doente, magoam-se pelo fato de não poder assistir aos outros herdeiros.
Nesse sentido, Gonçalves citado por Alcantara (2008) diz que, o psicólogo é o encarregado de ajudar à família na compreensão dos sentimentos que surgem quando o filho é hospitalizado, e, sobretudo quando a criança se encontrar em fase terminal. "Para a família, ter um filho com doença terminal muitas vezes é sinônimo de incompetência e fracasso no desempenho das funções materna e paterna". (GONÇALVES apud ALCANTARA, 2008, p.51).
De acordo com Chiattone (2003), o trabalho desenvolvido junto às famílias, envolve uma atuação sólida no tocante às reações que a hospitalização lhes dá. Essa atuação deve focar-se na comunicação e estabilidade funcional da base do grupo familiar, fazendo dessa família um elemento participativo no processo de doença e internação, sendo este um requisito essencial para o sucesso do tratamento.
A escuta diferenciada do psicólogo em situações como a hospitalização, é de muito valor, pois para Favarato e Gagliani (2008) isso facilita que os pais manifestem os sentimentos ocultos e não suportáveis. Essa atuação pode-se dar, além dos atendimentos individuais, em atendimentos grupais, visto que, através desses momentos, a família percebe que outros pais vivem situações semelhantes, tornando-se, contudo, uma vivencia útil e positiva. A identificação do grupo, também colabora para diminuir a angústia, ademais de proporcionar-lhes ambiente proveitoso para a troca de conhecimentos e experiências.
Sobre este assunto, Carvalho (2008) afirma que a família necessita de momentos propícios para dizer sobre a enfermidade, sobre seus medos, sobre a morte, sobre o desenvolvimento da doença, mostrando assim, todas suas questões internas e subjetivas. Quanto mais preparado o grupo familiar estiver, em todos os aspectos, (cognitivo, emocional, físico) melhor poderá enfrentar todas as conseqüências decorrentes que a hospitalização traz. Portanto, percebe-se que é indispensável a atuação do psicólogo nesses momentos, pois poderá ajudar a preparar os familiares a passar por essa difícil situação.


4.3 Intervenções com a equipe


Para Campos citado por Carvalho (2008), o psicólogo necessita da colaboração e conscientização de todos os profissionais para a realização de um trabalho multiprofissional. Dessa forma, ele pode ajudá-los a perceber suas funções, a definir seus objetivos e a facilitar a comunicação com outras equipes, com os pacientes e com os familiares. Diante disso, o mesmo autor afirma ser conveniente que junto à equipe profissional, o psicólogo discuta os casos ou situações emergentes no ambulatório ou enfermaria, visando melhor compreensão da situação do paciente, criando espaço para as manifestações emocionais do paciente e da família.
Para dar suporte à equipe, "a relação do psicólogo com os demais profissionais de saúde deve abranger a totalidade das possibilidades dessa interação". (CARVALHO, 2008, p. 20).
De acordo com Amorim, Lopes e Bruscato, (2004), por este motivo, o Serviço de Psicologia incorporou às suas atividades, desde 1999, ações de cunho investigativo e de intervenção junto às equipes de saúde, considerando-se como diretrizes os seguintes itens:

a) focalizar junto à equipe alguns aspectos emocionais intervenientes na tarefa assistencial junto aos pacientes e seus familiares.
b) propiciar oportunidade de auto-reflexão sobre o papel profissional
c) formar multiplicadores em saúde mental no contexto hospitalar, instrumentalizando a equipe a identificar disfunções emocionais nos pacientes e familiares ao longo da doença e tratamento, bem como a adotar formas de manejo mais satisfatórias, em nível primário de intervenção.
d) fornecer, para as equipes, indicadores relativos à necessidade de avaliação e acompanhamento mais especializado de pacientes e familiares pela equipe de Psicologia da Instituição. (AMORIM, LOPES, BRUSCATO, 2004, p. 197).

A partir disso, considera-se que para cada instituição e equipe deve haver um projeto de intervenção, seguindo estes direcionamentos.
Diante de tais perspectivas, nota-se a relevância do trabalho em equipe, uma vez que o mesmo, "além de acrescentar conhecimentos e dividir ansiedades, favorece o surgimento de soluções. É importante que o psicólogo busque sua integração na equipe, estando presente onde estiverem acontecendo os fatos". (CARVALHO, 2008, p. 20).
Favarato e Gagliani (2008) dizem que, ao psicólogo cabe a árdua tarefa de acolher e reconhecer as necessidades emocionais dos pacientes e buscar junto à equipe um trabalho integrado e conjunto. Essa idéia corrobora o posicionamento de Campos citado por Carvalho (2008), no qual, a inter-relação entre os diferentes profissionais é necessária para ver o paciente como um todo, sendo tratado de forma humanizada.
Nesse sentido, cabe ao psicólogo transmitir os conhecimentos e percepções do paciente aos membros da equipe, para que todos tenham uma visão integral do mesmo.

5 CONSIDERAÇOES FINAIS


No inicio do trabalho, se propôs compreender como as crianças hospitalizadas são atingidas psíquica, social e emocionalmente. Pode-se dizer que este estudo possibilitou a compreensão da relevância do papel do psicólogo no processo de hospitalização da criança.
Os aspectos decorrentes da hospitalização da criança como o afastamento do seu lar, da sua família, dos seus pertences, da sua rotina, tornam este processo, por vezes, mais difícil e doloroso para a criança. A hospitalização é sempre uma experiência angustiante para todos os envolvidos, principalmente para a família.
Diante disso, percebe-se a importância da família no processo de hospitalização da criança. A família da criança hospitalizada tem um papel fundamental nesse processo, pois assim como a criança, ela também se sente impotente diante da internação. Dessa forma, é necessário que as intervenções psicológicas sejam estendidas aos familiares dessa criança.
A criança, a família e a equipe, podem demandar atendimento psicológico. Nesse sentido, o psicólogo hospitalar que trabalha em instituições de saúde, deve focar sua atenção nessa tríade. Dessa forma, a relevância do trabalho deste profissional, objetiva o atendimento a pessoas hospitalizadas de diferentes faixas etárias, cada uma com sua especificidade, mas sempre visando o bem estar do paciente.
A equipe que lida com crianças hospitalizadas, também pode demonstrar sentimentos de impotência diante da hospitalização da mesma, pois a pesar de tratar cotidianamente com estes pacientes, cada um tem sua particularidade.
Salienta-se assim, a necessidade de que nos hospitais haja um profissional especialista para as intervenções no tratamento da criança, da família e da equipe da criança hospitalizada, assegurando o avanço da qualidade de vida no decorrer da internação, oferecendo-lhe grandes possibilidades de recuperação.
Constatou-se como os possíveis recursos utilizados pelo psicólogo podem influenciar positivamente no desenvolvimento da criança, oferecendo-lhe uma continuidade no seu crescimento e facilitando sua estadia nesse contexto hospitalar. Eles surgem para minimizar o sofrimento infantil, proporcionando uma melhor qualidade de vida, apesar do ambiente em que se encontram ser, às vezes, hostil.
Entende-se também, que o atendimento médico, associado ao atendimento psicológico pode proporcionar mais benefícios à criança hospitalizada, principalmente quando este é estendido à família e a equipe de saúde que lida com o infante.
Desta pesquisa bibliográfica, conclui-se que, os recursos utilizados pelo psicólogo são intervenções que podem deixar resultados satisfatórios com os pilares da Psicologia Hospitalar, dentro desse contexto.
Percebe-se que o tema não se esgota, e que ainda há aspectos que deveriam se explorar mais, assim como aprofundar-se nos que já foram mencionados. Uma falha no presente estudo, é que o mesmo não aborda a morte da criança hospitalizada e sua repercussão na família e na equipe.
Espera-se que o presente estudo possa oferecer informações úteis a serem compartilhadas com psicólogos, familiares de crianças hospitalizadas e equipes que atuam nesse contexto, a fim de que compreendam os aspectos da hospitalização que podem interferir no desenvolvimento da criança e, a partir desses, possam buscar formas cada vez mais eficientes de atender a mesma.
Cabe salientar, que não se trata de um modelo de atendimento psicológico, já que as intervenções psicológicas sempre devem ser individualizadas e contextualizadas.











REFERÊNCIAS


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