CAPTAÇÃO DE RECURSOS E GERENCIAMENTO DE PROJETOS NO TERCEIRO SETOR
 
CAPTAÇÃO DE RECURSOS E GERENCIAMENTO DE PROJETOS NO TERCEIRO SETOR
 


Desde tempos mais remotos, a humanidade já se organizava em grupos de trabalho e planejava a realização de projetos, a exemplo da construção das pirâmides ou dos jardins suspensos da Babilônia. Estes, tiveram um tempo determinado para iniciar e terminar e caracterizaram-se como um esforço temporário utilizado para alcançar os objetivos a que se propunham. Certamente milhares de pessoas estiveram envolvidos na construção desses monumentos e os recursos foram cuidadosamente planejados, executados e controlados. Estamos falando de elaboração e Gerenciamento de Projetos!

Enquanto "conceito" de trabalho, o gerenciamento de projetos vêm se aperfeiçoando ao longo do tempo e conquistando espaços nas instituições públicas e privadas.

O terceiro setor, cuja premissa básica é a eqüidade e a justiça social, têm sua atuação materializada através da elaboração e gerenciamento de projetos voltados ao atendimento de necessidades sociais, visando a produção de bens e serviços públicos, que não são atendidas, em sua plenitude, pelo Estado. A manutenção destas instituições no mercado passa pelo necessário esforço de aperfeiçoamento das ações, correta aplicação dos recursos e o atendimento dos objetivos antes delineados.

O atual contexto econômico e social de globalização, transparência e rapidez da informação, impõe inicialmente de forma implícita e em segundo momento de forma mais premente e de importância crescente, a utilização de ferramentas de gerenciamento de projetos que redundam na profissionalização da gestão dos recursos captados pelas organizações do terceiro setor como forma de sobreviver e manter-se competitiva no mercado. A captação e gestão de recursos devem reduzir a vulnerabilidade e possibilitar a conciliação entre as demandas da organização e o atingimento da sua missão.

QUAIS AS INFORMAÇÕES QUE NÃO PODEM FALTAR EM UM BOM PROJETO? O QUE A INSTITUIÇÃO FINANCIADORA QUER "OUVIR" E "SABER"?

Em relação ao projeto em si, podemos elencar basicamente cinco momentos importantes: Primeiro: o seu objetivo deve estar bem claro e evidente. A que se propõe? O que é o projeto? Você é capaz de responder isso em poucas palavras? O avaliador da instituição de fomento consegue identificar de forma rápida e clara o que é o seu projeto? Segundo: como você pretende alcançar o seu objetivo? Não podemos dizer que o objetivo é "alcançar a lua" e dizer que vamos conseguir chegar lá de "ônibus", a não ser que seja o ônibus espacial!. O avaliador identificará logo que há uma discrepância entre o seu objetivo e os métodos que serão utilizados para chegar lá. Não dá! Terceiro: a execução do seu projeto trará benefícios? Para que? Para quem? QUAL É A IMPORTÂNCIA DO SEU PROJETO? Coloque-se no lugar de quem está avaliando e responda: você aprovaria? Os resultados a serem alcançados irão redundar em benefícios para que, para quem? Para a comunidade? Para a instituição proponente? Para a instituição de fomento? O seu projeto é necessário? Quarto: o seu projeto é exeqüível? É possível? Ou você está falando que vai descobrir "o sexo dos anjos"? Além disso, qual a contrapartida que irá ser colocado à disposição do projeto? Qual é a sua parte? Onde e como a sua instituição (proponente) irá apoiar a execução do projeto? Como ele irá se manter depois de finalizado o período de execução? Se não tiver continuidade, certamente ele estará fora do mercado! Nenhuma instituição apóia financeiramente um projeto se ele não tiver sustentabilidade pós-apoio, pós-execução do projeto! Quinto: como a instituição financiadora irá medir o alcance dos resultados? Quais os indicadores utilizados para medir e avaliar se o projeto alcançou os objetivos a que se propôs? Se não tiver claro como medir, ta fora do mercado também!

Em relação à instituição proponente, podemos elencar basicamente quatro momentos importantes: Primeiro: ela tem definida claramente a sua missão? Qual é o "negócio" da sua instituição? O projeto a que se propõe está dentro do escopo de trabalho? Se a sua instituição tem o foco de trabalho na criança e adolescente, não adianta se aventurar e propor um trabalho com presidiários, por exemplo. Qual é o foco de atuação da sua instituição? Segundo: as suas prestações de contas estão redondinhas? As suas certidões estão todas em dia? Estes são indicadores de "saúde" da sua instituição! É uma das maneiras que as instituições de fomento têm de medir como anda a sua instituição, se ela é confiável, ética, transparente. Terceiro: a sua equipe está preparada para captar recursos, executar e gerenciar projetos? Você se preocupa em capacitar o seu pessoal? O mercado é concorrido, não dá prá se destacar trabalhando de forma amadora: fortaleça e capacite a sua equipe! Quarto: a sua instituição tem infra-estrutura para executar e gerenciar o projeto? A sua capacidade física suporta o pessoal necessário para trabalhar no projeto? Dispõe de equipamentos suficientes? Dispõe do apoio logístico necessário?

Poderíamos elencar ainda mais "n" fatores. Mas cada projeto é um projeto diferente e existem nuances específicas para cada um deles, para cada instituição financiadora, para cada edital ou chamada pública. Projeto é igual à filho, cada um é único e especial em seu modo de ser! E só se aprende sobre ele parindo, criando e cuidando, ou melhor, elaborando e gerenciando.

A NECESSÁRIA PROFISSIONALIZAÇÃO DO TERCEIRO SETOR NA CAPTAÇÃO DE RECURSOS E GESTÃO DE PROJETOS

Diante de tantas observações e cuidados, o terceiro setor defronta-se com a grande questão da ciência econômica: recursos escassos e necessidades ilimitadas. Os recursos são escassos e a corrida a estes recursos é cada vez maior, numa verdadeira "corrida ao ouro". Como diferenciar-se neste cenário e conseguir promover a sustentabilidade das instituições, a correta execução dos seus projetos e o alcance dos objetivos dentro de prazo, escopo e custos previamente planejados, e ainda: atender a expectativa das instituições financiadoras?

A profissionalização no uso dos recursos alocados por instituições que pleiteiam apoio financeiro ou econômico para a execução dos seus projetos passa pela profissionalização das pessoas e das ferramentas utilizadas para gerenciar seus projetos.

Ainda que o cenário atual demonstre a necessidade de profissionalização do terceiro setor, ainda há muito que caminhar. Nem sempre existe um planejamento estratégico que direcione o caminho a seguir e os objetivos a alcançar. Muito menos a escolha formal e a utilização de ferramentas de gerenciamento de projetos que possibilite acompanhar e medir resultados dos projetos. Mas, por outro lado, já existe a consciência da necessidade de se ajustar à realidade de mercado e as instituições ainda que devagar, estão buscando parcerias com outras instituições, formando redes de cooperação visando qualificar seus profissionais e adquirir novas competências.

PORQUE GERENCIAR PROJETOS?

Estudiosos do assunto afirmam que instituições que investem tempo e recursos na fase de planejamento do projeto têm duplicada a chance de sucesso. Os problemas decorrentes da ausência de ferramentas de gerenciamento são inúmeras e responsáveis em boa parte pelo atraso nas entregas e finalização dos projetos, ou seja, pelas falhas nos projetos. Mas são várias as razoes pelos quais os projetos falham: vão desde problemas com a definição de metas, passando pela falta de padronização, dimensionamento errado dos recursos necessários à execução dos mesmos até a falta de acompanhamento dos resultados do projeto, entre outras.

É inquestionável a importância da utilização de ferramentas de gerenciamento de projetos não só para o sucesso dos mesmos como também para a sustentabilidade das instituições do terceiro setor. O gerenciamento de projetos adotado como política da instituição poderá contribuir na redução de incertezas e riscos de insucesso dos projetos, apoiar a tomada de decisões das instituições proponentes e torná-las mais eficazes, gerando melhores resultados aliado à otimização dos recursos.

 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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Sobre este autor(a)
Maria Helena, paraibana, residente atualmente em Rondonópolis - MT. Docente da UNIC - Universidade de Cuiabá e Vice-presidente do I-GEOS - Instituto Tecnológico, de Gestão Estratégica e Organização Social Sustentável. Economista (UFPB), Especialista em Qualidade e Produtividade e Mestre em Ciências ...
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