A INFLUÊNCIA DO CLIMA NA SAÚDE HUMANA DA MICRORREGIÃO DE ARACAJU
 
A INFLUÊNCIA DO CLIMA NA SAÚDE HUMANA DA MICRORREGIÃO DE ARACAJU
 


A INFLUÊNCIA DO CLIMA NA SAÚDE HUMANA DA MICRORREGIÃO DE ARACAJU

SANTOS, Gleison Santana dos
[email protected]
SANTOS, Juliana Martins
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RAMOS, Leila Silveira
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SANTOS, Fábia Verônica dos. (Orientadora)
Graduada em Geografia, Mestre em Geografia, Profª. do Curso de Geografia: Licenciatura Plena da Universidade Tiradentes ? UNIT.
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RESUMO
Este artigo buscou estabelecer relações entre o clima e a saúde, considerando que as variações do tempo atmosférico causam ou agravam a existência do vetor da dengue. Nessa perspectiva, objetivou-se analisar a influência dos fatores climáticos urbanos na incidência de casos de dengue, para isto, tomou-se a microrregião de Aracaju como estudo de caso. Para o estudo da cidade em questão, foram coletados, tratados e organizados dados meteorológicos - precipitação e temperatura, obtidos junto a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH) e posteriormente, correlacionados com os casos de pessoas infectadas pelo mosquito da dengue ? registrados pela Secretaria de Estado da Saúde. Foi constatado que, em períodos de estiagem com chuvas passageiras e oscilações de temperatura de 25°C a 30°C, houve aumento do número de casos de pessoas infectadas com dengue. Desta forma, é possível concluir que as condições climáticas contribuem para o aumento no caso da dengue, porém, é importante que a população esteja informada sobre a época do ano de maior propagação do vetor, locais onde ocorre maior incidência da doença para que a população possa desenvolver ações de preservação e controle de doença.
PALAVRAS-CHAVES: Clima. Dengue. Espaço urbano. Saúde.

1 INTRODUÇÃO


Na atualidade, as mudanças climáticas tem sido campo para muitas pesquisas no meio científico, porém não existem, até o presente momento, decisões concludentes sobre o grau de participação dos elementos responsáveis (naturais ou antrópicos) pelas alterações globais. O clima é um sistema de alta complexidade, onde sua regulação é resultado resultante de múltiplas interações entre a atmosfera, o oceano, a hidrosfera e a biosfera.
O clima é um fator indissociável e de suma importância para a sociedade, tendo em vista que ele estabelece alguns parâmetros sobre essa, a exemplo do jeito de vestir. O pouco conhecimento da população sobre os aspectos climáticos e suas variabilidades somadas ao não aproveitamento das informações do tempo atmosférico a deixa desprotegida, ficando sujeito aos azares climáticos, como os temporais, ondas de calor, chuvas passageiras, entre outros.
Dentro desse contexto é importante o conhecimento de alguns elementos pertinentes ao clima, como as estações do ano e o comportamento dessas, pois se deve ter em vista que o clima também pode ser um veículo transmissor de doenças. A dengue, campo alvo da pesquisa vem nos últimos anos se tornando uma real ameaça à sociedade o que se deve em boa parte a falta de informação da população.
A relação do homem com o clima está inserida em um espaço, o espaço geográfico. A mudança deste espaço se relaciona com as atividades humanas dentro de um contexto histórico do seu desenvolvimento. O avanço na tecnologia, nos meios de transportes e de comunicação fez surgir à diferenciação das classes sociais em virtude das diferenças tanto economicamente quanto culturalmente.
Para fazer uma análise do espaço que foi construído historicamente nas relações sociais Milton Santos diz:

O espaço é matéria trabalhada por excelência. Nenhum dos objetos sociais tem tanto domínio sobre o homem, nem está presente de tal forma no cotidiano dos indivíduos. A casa, o lugar de trabalho, os pontos de encontro, os caminhos que unem entre si estes pontos são elementos passivos que condicionam as atividades dos homens e comandam sua prática social. A práxis, ingrediente fundamental da transformação da natureza humana, é um dado sócio-econômico, mas é também tributária das imposições espaciais. Como disse Callois (1964, p. 58) o espaço impõe a cada coisa um conjunto de relações porque cada coisa ocupa um certo lugar no espaço (Apud SENE, 2004, p.124 ).

A partir dessa interpretação e dos problemas apresentados notou-se a necessidade de uma maior obtenção de informações sobre a doença, diante disso foram analisados fatores referentes à origem e o desenvolvimento dessas, assim como a analise das variações climáticas e de outros elementos como crescimento populacional, urbanização e o mau funcionamento dos sistemas de saúde. Diante o esclarecimento dessas questões, realizar um trabalho de combate a doença junto à população e aos órgãos competentes.
No presente trabalho, foi analisado o espaço geográfico com a incidência da dengue na microrregião de Aracaju, nos quais foram utilizados dados da manifestação do mosquito registrados pela Secretaria de Estado da Saúde, em 2008 em comparação com os dados metereológicos registrados pela SEMARH em 2008.
Os procedimentos metodológicos utilizado no presente contexto é o método indutivo, pois serão analisadas particularidades como a temperatura, a umidade, a precipitação, a variação dos elementos climáticos, e as incidências da dengue. A partir de uma analise comparativa e estatística das características acima apresentadas, como a ocorrência da dengue decorrentes da variabilidade climática, com o propósito de atingir a conclusão acerca da analogia do clima urbano com a saúde humana. Através de gráficos e médias anuais do clima no município de Aracaju e da microrregião, deve-se esclarecer a associação entre a ocorrência do vetor com as condições térmicas e pluviais de Aracaju, além de ser verificada uma possibilidade de mapear as ocorrências das doenças.
As informações necessárias para desenvolver essa pesquisa foram recorrer a fontes secundária, utilizando livro, artigos científicos e visita a campo realizada junto a Secretaria de Estado da Saúde, com a finalidade de obter dados referentes ao problema da dengue proveniente do clima e da incidência registrada na SES. Além dos dados climáticos da estação meteorológica da SEMARH.
Essa pesquisa é de grande importância, pois se constitui em um arcabouço de informações referentes à dengue e a variabilidade climática, tendo em vista que a dengue é um problema que vem afetando a saúde da população aracajuana. Na pesquisa foi analisada a interferência do clima na dengue, assim como suas variações. Mostra-se aqui a importância de um maior conhecimento da população sobre as épocas do ano onde é maior a incidência de epidemias de dengue, pois com esse conhecimento, a população estará se preparando para combater esse problema.


2 O CLIMA, HOMEM E SAÚDE


O clima é um elemento natural que exerce uma forte influência sobre a vida do homem. Tendo em vista que ele é construído por vários elementos que são de suma importância para a sobrevivência humana, como o ar, a água, a temperatura e a umidade. O homem se torna dependente do clima que também o influencia no modo do homem viver e se vestir, e também influencia na produção de alimentos.
Ao longo do tempo, o homem passou a influenciar nos aspectos físicos, logo alterando o ambiente natural, estimulados pelo modo capitalista de produção. Segundo Monteiro (1976) ao fazer reflexões sobre mudanças climáticas, afirma que:

A alteração antrópica na atmosfera é pelo processo de urbanização, isto é, nos lugares onde estão construídas as cidades, as condições do ar atmosférico transformam-se em produto com o ambiente urbano edificado pelo homem, que, em conseqüentemente, altera o fluxo de energia pela concentração de poluentes e partículas solidas em suspensão; esse dado espaço terrestre e a urbanização delimitam o clima urbano (Apud TEODORO e AMORIM, 2008, p. 31).

Segundo Milton Santos, o espaço deve ser considerado como uma totalidade. Entretanto, tendo como elemento as cidades, esse espaço vem sendo ocupado de maneira desordenada e desigual, deixando transparecer a existência de uma estrutura hierarquizada.
A microrregião de Aracaju está apresentando um rápido crescimento populacional, passando de 218.993 habitantes em 1970, para 759.998 em 2007, dados registrado no censo demográfico de 1970 e estimativas de 2007 pelo IBGE. O processo de mudança do espaço da microrregião de Aracaju está associado ao crescimento urbano com a implantação de indústria de extrativo-mineral que a partir da década de 70 provocou um aumento do fluxo migratório para as cidades, com a esperança de encontrar boa qualidade de vida.
Dessa forma foram criados grandes conjuntos habitacionais principalmente nas áreas próximas da capital, dando início a metropolização com a junção dos municípios que compõe a microrregião com a capital do estado pelo conjunto Eduardo Gomes e adjacências, em São Cristovão, o conjunto Jardins e o complexo habitacional Taiçoca, em Nossa Senhora do Socorro.
Essa área sofre muitas conseqüências decorrentes do rápido crescimento populacional no centro urbano, não se diferenciando das demais cidades do país que convivem com a falta de infra-estrutura causada pelo crescimento desordenado, essa falta de estrutura gera problemas de ordem social como violência, desemprego e ausência de boa qualidade na saúde e na educação.
Nos municípios da microrregião, principalmente em Aracaju, grande centro da microrregião, observa-se uma grande concentração humana no centro urbano, sendo que esse aspecto somado a fatores como construção de edifícios, asfaltamento das ruas e poluição de carros e indústrias geram condições para que se altere o clima urbano. Essa alteração provocada por intervenção antrópica é responsável pela ocorrência de enchentes e ilhas de calor nos centros urbanos.
Segundo Gonçalves, em sua colaboração para o livro Clima Urbano, afirma que:

No mundo atual, em que pesem o grande avanço tecnológico e os esforços para o conhecimento das forças da natureza, as sociedades permanecem, ainda, bastante vulneráveis e parecem tornar-se cada vez mais indefesas diante de "eventos naturais extremos", particularmente aqueles de origem meteorológica, hidrológica e geológica. Embora possa parecer um paradoxo, evidencia-se, entretanto, que à medida e que a população do planeta cresce numa progressão geométrica e que a ocupação se faz em áreas cada vez mais extensas, também aumentam a chance e o risco diante de tais eventos. Quaisquer que sejam suas origens e onde quer que ocorram, tem uma característica comum: acarretam grandes perdas e prejuízos as economias nacionais e às populações afetadas (In MONTEIRO, 2003, p. 69).

Diante dessa longa história de relação com a natureza e modificações nos aspectos físicos, o homem dentre outras maneiras vem sofrendo influências da natureza através do clima, essa influência pode constituir em fatores positivos ou fatores negativos. Referentes aos fatores positivos podem-se citar a chuva e o vento, e quanto aos negativos podem ser citados: as enchentes, as secas, as tempestades e os vendavais. É importante citar que muitos desses fatores negativos foram agravados pela ação antrópica, que na busca por conforto e uma melhor qualidade de vida acabam realizando ações que modificam a dinâmica natural da Terra.
O clima pode induzir o aparecimento de doenças e/ou ser utilizado como veículo para essas, que por sua vez se enquadram nos parâmetros climáticos das estações do ano e de suas variabilidades. É sobre essa variabilidade que o vetor da dengue vem se tornando um problema de ordem mundial, levando preocupação as autoridades sanitárias.
Trabalha-se na expectativa que ações ocasionadas pelo homem como o aquecimento global tenha contribuído para a disseminação da doença, esse não é o único fator, a ploriferação do vetor se deve também em boa parte a falta de preparo da sociedade, pois o vetor está associado à ação antrópica que disponibiliza as condições necessárias para a sua ploriferação, como os descuidos com o armazenamento da água. Podem-se citar também outros fatores de riscos como o crescimento populacional e as migrações. As epidemias de dengue resultam também em danos econômicos, são gastos todos os anos bilhões de dólares para tentar solucionar o problema.
A relação clima e homem é fato. Como também a importância do clima nas atividades antrópicas. O homem sofre a influência do clima, mas por sua vez também influencia tornando suas ações cada vez menos previsíveis. Sobre esse contexto o homem vem sofrendo com a maior variabilidade climática e com as conseqüências por ela trazidas.







3 CONDIÇÕES CLIMÁTICAS NA MICRORREGIÃO


Sabe-se que no conjunto dos condicionantes geotérmicos, a atmosfera é uma camada muito importante, pois ela é responsável pelas condições de tempo e de clima. Essas condições são de grande influência nas manifestações dos tipos de dengue.
A radiação solar, a temperatura, a pressão, o vento, a umidade e a evaporação associados à contaminação atmosférica e ao desmatamento, compõem um arcabouço de elementos modificadores do clima, esse que associado a fatores como falta de informação sobre a doença em estudo e falta de consciência são determinantes para a propagação ou não da doença.
O território sergipano devido a sua posição latitudinal é regulado pelas principais zonas de pressão do globo, a zona de convergência intertropical (ZCIT) constituindo-se na linha de convergência de ventos, zona de altas pressões subtropicais do atlântico e do pacifico, e a zona de baixas pressões subpolares.
O estado de Sergipe possui temperaturas predominantemente quentes, obedecendo aos controles físicos comuns que a baixa latitude, as correntes marinhas ao longo do litoral, os efeitos topográficos e a continentalidade, elementos esses relacionados ao sistema de circulação atmosférica. Sendo que o declínio de temperatura está associado às elevações superiores a 250 m e a outros fatores como nebulosidade, a estação chuvosa e a intensidade de ventos, esses fatos levam a crença que o inverno é a estação chuvosa e de que o verão é a estação seca.
A microrregião de Aracaju campo de realização da pesquisa, por ser uma área litorânea tem seu clima afetado pelas brisas litorâneas que durante o dia sopram do mar para a terra, devido ao maior aquecimento e menor pressão terrestre. Essa brisa muda sua posição à noite soprando da terra para o mar, onde há um maior aquecimento da água do mar em relação ao continente, essas brisas litorâneas raramente trás chuvas e tem uma grande importância no verão no alivio do intenso calor.
O clima predominante na microrregião de Aracaju é o subúmido, clima esse que abrange todo o litoral sergipano. Na microrregião em outubro ocorrem as chuvas residuais que são decorrentes da influência da superfície oceânica através das temperaturas das águas. O município de Aracaju tem seu clima diferenciado dos demais municípios da microrregião sendo modificado pela estrutura urbana que é resultado da concentração populacional associada a um aumento do número de edificações.
Esses elementos juntos aos ventos, a chuva e a temperatura em pequenos espaços geram os microclimas, que se diferenciam de acordo com alguns aspectos como uso do solo e traçado da rede viária. O aquecimento resultante de aspectos como edificações e pavimentação de ruas vem ocasionando a diminuição do albedo e conseqüentemente provocando calor constante durante o ano.
Tendo em vista que a dengue se reproduz e tem seus riscos de epidemias maximizados com o aumento do calor associados à precipitação, esses fenômenos desencadeados pela ação antrópica tem aumentado os riscos de contaminação com a doença.
Outro fator determinante para as incidências de dengue são as condições pluviométricas, onde a microrregião de Aracaju é privilegiada devido à proximidade com o oceano, o que lhe assegura um suprimento de umidade. Essa precipitação ocorre com maior intensidade no mês de maio, sendo essa devido à atuação de dois sistemas meteorológicos, a propagação da frente polar atlântica e as correntes perturbadas do leste, sendo que primeiro e responsável pela intensidade das chuvas.


4 A RELAÇÃO DOENÇA E CLIMA


A dengue é transmitida por duas espécies de mosquito o Aedes eagypte e Aedes albs pectus, sendo que o primeiro é o mais comum e se reproduz dentro ou próximo a habitações já o segundo não é muito comum, pois não costuma freqüentar domicílios.
O Aedes eagypte tem cor café ou preta e possui listras brancas no corpo e nas pernas, esse vetor mede menos que um centímetro e tem como características ser um mosquito urbano, dessa maneira os seus ovos ou larvas dificilmente são encontrados em reservatórios de água nas florestas.
Outra característica do Aeades eagypte é sua rápida reprodução, uma só fêmea chega a colocar de 150 a 200 ovos de cada vez, sendo que ela só copula uma vez com o macho, armazenando os espermatozóides em seu reservatório dentro do aparelho reprodutor chamado de espermáticas. Essa fêmea, uma vez que esteja infectada com vírus da dengue, torna-se vetor permanente da doença, fala-se na probabilidade entre 30 e 40% de chances de suas crias nascerem infectadas.

O Aedes eagypte tem se caracterizado como um inseto de comportamento estritamente urbano, sendo raro encontrar amostras de seus ovos ou larvas em reservatórios de água em áreas rurais. Uma vez com o vírus da dengue, a fêmea torna-se vetor permanente da doença e calcula-se que haja uma probabilidade entre 30 e 40% de chances de suas crias já nascerem também infectadas (KNUDSEN & SLOOFF, 1992; COSTA & NATAL, 1998. P. 3.).

Os ovos são depositados milímetros acima da lâmina de água armazenada em garrafas, latas, pneus, vasos de plantas entre outros. Com a ocorrência da chuva o nível da água sobe, e entrando em contato com os ovos fazem esses eclodirem em aproximadamente 30 minutos.
Esse processo em sua maioria das vezes ocorre dentro de residências, que é um dos locais mais favoráveis ao mosquito, tendo em vista que esse tem entre 25°C a 30°C sua temperatura favorável para seu desenvolvimento, em ambientes com temperaturas abaixo ou acima dessas o mosquito diminui sua atividade e acima de 42°C e abaixo de 5°C ele morre.

Gráfico 2: Comparação do total de casos de dengue de Sergipe (alta incidência) com a microrregião de Aracaju.
Fonte de dados: SINAN, Janeiro a Junho de 2008.


A dengue em suas fases, dengue clássica, com complicações e hemorrágica vêm se constituindo um problema de saúde publica que preocupa as entidades voltadas a saúde publica. Em Sergipe esse quadro não é diferente, sendo que de acordo com os dados da incidência da doença referentes a julho ate novembro de 2008 o estado se encontra em uma classificação de baixo risco.

A forma clássica e a hemorrágica são as duas formas de dengue. Na forma clássica, apresenta-se geralmente febre, dor de cabeça, no corpo, nas articulações e por trás dos olhos e, mas raramente mata. Já na forma hemorrágica, a situação se torna mais grave, pois além de febre, dor de cabeça, no corpo, nas articulações e por trás dos olhos é possível ocorrer sangramento, ocasionalmente choque e conseqüências trágicas, como a morte (BRASIL: 2005. S/P).

Gráfico 1: Casos de dengue (alta incidência) na microrregião de Aracaju/SE.
Fonte de dados: SINAN, Janeiro a Junho de 2008.


O Programa Estadual de Controle da Dengue (PECD), que segue as diretrizes do ministério da saúde, fez uma caracterização das áreas do estado de acordo com a taxa de incidência, de acordo com essa caracterização de áreas, são consideradas áreas de baixa incidência as regiões ou municípios com a taxa menor que 100 casos por 100.000 habitantes, já as áreas de média incidência teriam taxa entre100 e 300 casos por 100.000 habitantes e por fim as áreas de alta incidência registram taxa maior que 300 casos por 100.000 habitantes.


Gráfico 3: Evolução da dengue de 2002 a 2006.
Fonte de dados: SINAN, Janeiro a Junho de 2008.
Dentre essas áreas de alta incidência estão os município da microrregião de Aracaju campo alvo da pesquisa, onde existe uma predominância da dengue do tipo clássica. Diante desse quadro preocupante o governo de Sergipe a partir do ano de 2007, somou-se ao governo federal e as prefeituras municipais, dentre essas a de Aracaju.
Essa soma de forças tem como objetivo o trabalho intenso e a colocação em pratica de medidas necessárias ao combate do mosquito vetor da doença o Aedes aegypte. Entre as medidas a serem tomadas estava à participação e conscientização da população, sendo que essa tem um papel muito importante para essa luta, além de capacitação para médicos e enfermeiros de toda rede básica de saúde e rede hospitalar, onde estão incluídos tanto a rede publica quanto a privada, também foram capacitados agentes comunitários de saúde, agentes de endemias, auxiliar de enfermagem e técnicas e coordenadores de programas municipais de controle da dengue.
Outras ações ainda foram tomadas no momento da epidemia como a contratação de 37 enfermeiros e 72 auxiliares de enfermagem, investimento de R$ 1.090.318,95 para o auxilio aos municípios no combate, distribuição de soro de hidratação e medicamento na quantidade de 55mil frascos soros fisiológicos, 65mil envelopes de rehidratação oral e 40mil comprimidos de paracetamol, brigada contra a dengue nas quais foram mobilizadas centenas de escolas para a conscientização da população sobre a importância de combater os criadouros do mosquito da dengue, ampliação da frota de doze para quatorze carros fumacê, elaboração do plano de contingência para a assistência aos pacientes da dengue, capacitação de 100% dos agentes de endemias somando 900 pessoas, mobilizações sociais e comunicação, envio de projeto ao ministério da saúde para a implantação de um laboratório de virologia para a dengue, além do educar saúde que em parceria com a secretaria de educação capacitou mais de 2mil alunos e professores da rede estadual de ensino.
Essas ações foram de grande importância para o combate a epidemia da doença, mas, para se evitar uma nova epidemia, outras medidas de prevenção foram adotadas como uma reunião entre os secretários municipais de saúde e o secretario do estado onde os municípios foram alertados sobre os riscos de uma nova epidemia no verão de 2008/2009.
Diante disso foram elaboradas e distribuídas notas técnicas para nortear os municípios nas ações de controle e prevenção, capacitação para agentes de saúde no manejo e operacionalização de bombas portáteis para serem utilizadas nas ações de bloqueio de foco e dos casos de dengue, além de envio de oficio circular individual alertando os gestores municipais sobre a situação do seu município e a classificação de baixo, médio e alto risco estabelecido pelo ministério da saúde através da adoção de alguns critérios.
A precipitação e a temperatura são as principais condicionantes físicos para a ploriferação da dengue de acordo com o estudo desses aspectos, e dos meses de manifestação, observou-se que a época mais propícia de infecção esta entre o período de verão e inverno, sendo que no outono principalmente em abril que ocorre um alto índice de precipitação e altas temperaturas.
Na estação de outono ocorre a reposição da precipitação que tende a diminuir nas demais estações. No verão é onde estão os maiores índices de temperatura, alem disso é nessa estação que estão às menores medias de umidades relativas. A ausência da chuva se constitui no principal fator para o desenvolvimento do vetor, porém as chuvas de verão podem ser de grande preocupação nessa estação.

O clima pode influenciar na incidência e reincidência de certas doenças em tempos distintos. Estas moléstias que afligem o homem demonstram em suas incidências coincidências íntimas com as condições climáticas e com a estação do ano. Neste caso, o clima pode afetar tanto a resistência do corpo humano a algumas moléstias como a propagação e a difusão de alguns organismos patogênicos ou de seus hospedeiros. (AYOADE, 1996. S/P.).

No inverno as temperaturas são mais baixas e as medias de umidade relativa são as maiores, devido à diminuição média das temperaturas as manifestações de dengue tendem a ser mais baixas. No panorama a partir do mês de outubro a umidade relativa começa a cair, e junto com ela vem o aumento da temperatura, a primavera e a estação onde as menores médias de manifestações de dengue.


CONCLUSÕES

A pesquisa mostra que ao realizar algumas atividades o homem modifica a paisagem local. Ao construir edifícios, impermeabilizar o solo e utilizar combustíveis poluentes o homem altera o difícil balanceamento entre a superfície e a atmosfera, essas alterações influenciam diretamente na saúde humana.
Com o crescimento desordenado nos espaços urbanos, a movimentação de veículos, a implantação de indústrias e o aumento constante de uma população de consumo, originadas a partir da introdução do modo capitalista de produção, diante disso o homem altera a dinâmica natural do clima.
O estudo comprova a relação entre a variação climática e a dengue, onde essa variabilidade corrobora para que a doença se prolifere, aumentando os casos registrados.
O estudo buscou uma melhor compreensão da influência do homem no clima considerou-se como estudo de caso a microrregião de Aracaju. Os municípios que a compõem, juntos fazem parte da unidade territorial do estado de Sergipe, em que há a maior concentração populacional, e também uma maior alteração na paisagem provocada pela ação antrópica. A pesquisa mostra que a microrregião possui uma variabilidade climática marcada por verões quentes e temperaturas altas e invernos chuvosos com temperaturas amenas, a análise dos dados mensais, tanto meteorológicos, quanto de incidências de dengue, demonstraram correlações. Nos meses de abril, maio e junho os casos de incidência da doença tendem a aumentar, isso se dar devido à maior presença de chuva e as altas temperaturas que estão entre 25 e 30°C. Essa soma de fatores é propicia a proliferação do vetor.
A variabilidade climática é fator importante para maior incidência da dengue. Desta forma, observou-se que os elementos meteorológicos associados a fatores como crescimento desordenado das cidades e falta de informação de qualidade a população contribuíram para o aumento do vetor, porém cada indivíduo possui diferentes condições de vida e níveis de vulnerabilidade socioambiental desigual.
Diante dos resultados obtidos na pesquisa, sugere-se então que haja um planejamento urbano, visando uma melhor qualidade de vida para a população. Uma boa infra-estrutura nas ruas da cidade, um bom sistema de saúde e mais eficiência nas políticas de informação a sociedade. Esses fatores são fundamentais para que a população fique menos vulnerável as conseqüências da variação climática.










REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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SENE, Eustáquio de. Globalização e Espaço Geográfico. 2ª ed. São Paulo: Contexto, 2004.

SOUZA, Camila Grosso de; NETO, João L. Sant?Anna. Ritmo Climático e Doenças Respiratórias: interações e paradóxos. In: Revista Brasileira de Climatologia - Associação Brasileira de Climatologia. v. 3/4, n. 3, 2008. Presidente Prudente: ABClima, 2008.

TEODORO, Pacelli H. Martins; AMORIM, Margarete C. de C. Trindade. Mudanças Climáticas: algumas reflexões. In: Revista Brasileira de Climatologia - Associação Brasileira de Climatologia. v. 3/4, n. 3, 2008. Presidente Prudente: ABClima, 2008.

V SBCG, V Simpósio brasileiro de climatologia geográfica: Mudanças globais e especificidades climáticas regionais e locais: avanços e desafios da climatologia contemporânea. Curitiba: 2002. (CD-ROM).

V SBCG, O clima e a produção do espaço no Brasil. In: Anais do simpósio brasileiro de climatologia geográfica: Rondonópolis, 2006. (CD-ROM).

VIII SBCG, VIII Simpósio brasileiro de climatologia geográfica: Evolução tecnológica e climatológica. Alto Caparaó, 2008. (CD-ROM).




 
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