A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO DA GEOGRAFIA
 
A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO DA GEOGRAFIA
 



Manuela Rocha Paixão
Professora de Geografia, licenciada pela
Faculdade de Tecnologia e Ciências FTC/Ead e
especialista em Educação Ambiental pela Unidade
Baiana de Ensino Pesquisa e Extensão - UNIBAHIA


A Geografia é uma disciplina que instiga no aluno o observar, analisar, interpretar e pensar criticamente a realidade, visando sua transformação. Restringindo a Educação Ambiental a tal saber pode-se dizer que quase todos os conteúdos previstos em torno do Meio Ambiente podem ser abordados pelo olhar da Geografia. Assim sendo, suscita a necessidade de discussão e de reflexão quanto à relevância do ensino da Geografia na educação atual e na Educação Ambiental em particular. Tal inquietação se justifica em virtude da Geografia ser uma disciplina que visivelmente tem estreita relação com as questões ambientais, uma vez que ao longo da sua história sempre se tem preocupado com as relações homem/meio Nessa perspectiva esta pesquisa objetiva identificar as relações entre o conteúdo da Geografia e as práticas educativas relacionadas à Educação Ambiental nas séries finais do Ensino Fundamental da rede pública do município de Poções - Bahia. Sendo assim, propõe-se, investigar os aspectos teóricos e metodológicos que envolvem o ensino da Geografia vinculado às práticas de Educação Ambiental. No aprofundamento da temática escolhida, foi consultado um referencial teórico que integra Educação, Meio Ambiente e Geografia, permitindo associar as especialidades destas três áreas, a fim de ratificar informações a este estudo e ao recorte proposto. Trata-se de uma pesquisa qualitativa-quantitativa, de caráter exploratório e descritivo, com base no estudo de caso. Para tanto, faz-se necessário conhecer o perfil dos professores da área, enfatizando dados de sua formação e de seu trabalho docente, com o intento de analisar a prática educativa desses profissionais, bem como a transversalidade com as questões ambientais. Nessa perspectiva infere o reconhecimento da importância de se trabalhar uma Geografia voltada à formação socioambiental dos alunos, no sentido de despertar o habitual cuidado com o Meio Ambiente, promovendo teorias voltadas para ações concretas dentro e além do meio escolar, a fim de suscitar mudanças de caráter ambiental no pensamento e nas atitudes de uma parcela significativa da população. Espera-se contribuir para a reflexão crítica quanto à importância de práticas significativas de Educação Ambiental nas escolas, em especial, acompanhadas ao exercício do ensino da Geografia, destacando o valor educativo dessa ciência.

Palavras-chave: Ensino. Geografia. Educação Ambiental. Meio Ambiente. Transversalidade.



1 INTRODUÇÃO

A Geografia é uma ciência que se dedica ao estudo das relações entre a sociedade e a natureza, e as mudanças realizadas pelas sociedades estabelecendo novos valores sociais, criando novos espaços geográficos. Também estuda a distribuição dos fenômenos físicos, biológicos e humanos, as causas desta distribuição e as relações locais desses fenômenos.
Nessa perspectiva, esta disciplina instiga no aluno o observar, analisar, interpretar e pensar criticamente a realidade, visando sua transformação. Sabendo que essa realidade é uma totalidade que envolve sociedade e natureza, cabe a Geografia levar a compreender o espaço produzido pela sociedade em que vivemos, relacionando suas desigualdades e contradições, bem como as relações de produção que nela se desenvolvem e a apropriação que essa sociedade faz da natureza.
A Educação Ambiental se tornou uma fonte importante do conhecimento como ciência social, implicando diretamente nas transformações mundiais, que se dão, no caráter da espacialidade de toda prática social onde há uma dialética entre o homem e o lugar, pois este espaço contribui para a formação do ser humano, contudo isto provoca alterações e transforma o espaço. Essa dialética deve ser compreendida pelos alunos para que possam tomar consciência de que eles e toda a sociedade são agentes no espaço, ou seja, são sujeitos das transformações ocorridas no lugar onde vivem, ou não. Este espaço se refere tanto à realidade micro (sua rua, seu bairro e a região), quanto no macro (sua cidade, seu estado, país e continente), sendo necessário analisar suas estruturas.
As questões ambientais demandam a busca de novos valores e princípios que fundamentam as necessárias mudanças nos conteúdos e orientações metodológicas dos diversos programas educativos, tanto da educação formal quanto da educação não-formal. Conforme Carneiro (1993), a dimensão ambiental da educação escolar diz respeito ao "conjunto integrado de perspectivas ou aspectos de conteúdo e método para o desenvolvimento da educação ambiental no contexto de um dado currículo escolar (...)", enfocando três dimensões: "a cognitiva ? conhecimentos científico-escolares e saberes de professores e alunos e de outros atores sociais quanto à questão ambiental; a metodológica ? tratamento pedagógico-didático da realidade ambiente como conteúdo de conhecimento; e a afetivo-social ? desenvolvimento atitudinal de professores e alunos a respeito da questão ambiental.
Dentre as áreas do currículo, consideradas como principais parceiras para o desenvolvimento dos conteúdos ambientais, está a Geografia, pela própria natureza do seu objeto de estudo (BRASIL, 1998, p. 49). Conforme Alexandre e Diogo (1997, p. 33) pode-se afirmar que a evolução recente da ciência geográfica demonstrou claramente que, para além das questões puramente acadêmicas, o geógrafo tem-se preocupado com um vasto leque de problemas de caráter social, dos quais o "Ambiente" constitui uma das muitas variáveis. É neste contexto que Educação Ambiental e a Educação Geográfica constituem dois grandes eixos estruturantes para a organização de uma sociedade sustentável.
Em evidência, há a necessidade de discutir e de refletir sobre a importância do ensino da Geografia na educação atual em geral e, na Educação Ambiental em particular. Tal inquietação se justifica em virtude da Geografia ser uma disciplina que visivelmente tem estreita relação com as questões ambientais, uma vez que ao longo da sua história sempre se tem preocupado com as relações homem/meio.
Segundo Cavalcanti (2002) a Educação Ambiental, no sentido de formação para a vida no ambiente, está cada vez mais presente nas formulações teóricas e nas indicações para o ensino de Geografia. Considerando-se que os paradigmas de interpretação da realidade interferem no trabalho pedagógico e afetam diretamente o que se pretende ensinar, faz-se pertinente a necessidade de entender quais os fundamentos teóricos e metodológicos em que os professores de Geografia se baseiam na prática pedagógica no que diz respeito à Educação Ambiental, bem como uma análise dessa práxis referente à relação do Ensino da Geografia com as questões ambientais.
Nesse sentido, esta pesquisa objetiva identificar as relações entre o conteúdo da Geografia e as práticas educativas relacionadas à Educação Ambiental nas séries finais do Ensino Fundamental da rede pública do município de Poções - Bahia. Sendo assim, propõe-se, investigar os aspectos teóricos e metodológicos que envolvem o ensino da Geografia vinculado às práticas de Educação Ambiental. No aprofundamento da temática escolhida foi consultado um referencial teórico que integra Educação, Meio Ambiente e Geografia, permitindo associar as especialidades destas três áreas, a fim de ratificar informações a este estudo e ao recorte proposto. Trata-se de uma pesquisa qualitativo-quantitativa, de caráter exploratório e descritivo, com base no estudo de caso. Para tanto, faz-se necessário, por meio de diagnóstico de caráter objetivo/subjetivo conhecer o perfil dos professores da área, enfatizando dados de sua formação e de seu trabalho docente, com o intento de analisar a prática educativa desses profissionais, bem como a transversalidade com as questões ambientais
Espera-se contribuir para a reflexão crítica quanto à importância de práticas significativas de Educação Ambiental nas escolas, em especial, acompanhadas ao exercício do ensino da Geografia, destacando o valor educativo dessa ciência.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 Histórico do Ambientalismo Geográfico
A Geografia é considerada por muitos estudiosos como uma das mais antigas disciplinas acadêmicas. Segundo Mamigonian (1999), a Geografia teve origem na Grécia antiga ? a primeira civilização a produzir estudos geográficos ?, e uma segunda origem alemã, remonta o início do século XIX, a partir dos trabalhos pioneiros do naturalista Alexander Von Humboldt (1769/1859), e do filósofo e historiador Karl Ritter (1779/1859), que institucionalizou a Geografia como ciência, ambos de abordagem positivista[1] e descritiva.
Segundo Mendonça e Kozel (2002) o ambientalismo geográfico naturalista compreende a fase que vai desde a origem da geografia científica até meados das décadas de 50/60 do século XX. Nessa fase o meio ambiente é compreendido apenas como a descrição do quadro natural, tais como clima, relevo, solo, águas, flora e fauna, o homem estava dissociado da abordagem ambiental dessa época.
Humboldt descrevia os aspectos naturais dos ambientes e Ritter descrevia as várias organizações espaciais dos homens sobre os lugares. Juntando os dois conhecimentos, ambos fundaram a geografia científica. Nasce uma ciência que, desde a sua origem, estava preocupada diretamente com o que hoje se entende por meio ambiente (MENDONÇA; KOZEL, 2002).
Alexander Von Humboldt (1769-1859) e Karl Ritter (1779-1859), reconhecidamente os dois fundadores da Geografia Moderna, já demonstravam preocupações relativas ao meio ambiente. Humboldt era naturalista, todavia apresentava interesse pelo homem em seus aspectos sociais e políticos, acreditando que estes aspectos tinham "relação íntima com as condições naturais" (ANDRADE, 1987). Karl Ritter, diferentemente de Humboldt, tinha uma formação voltada às ciências humanas (filósofo/historiador) e, por isso, demonstra uma preocupação em explicar a evolução da humanidade no contexto das relações entre o povo e o meio natural (ANDRADE, 1987). Conforme Moraes (1998), esse enfoque relacional entre o homem e o meio natural era dado sob uma visão antropocêntrica, à medida que na opinião de Ritter "o homem é o sujeito da natureza". Segundo, ainda, Moraes (2005), ele dá origem ao debate geográfico sobre a relação sociedade-natureza, considerando-a como um dos principais focos da Geografia.
Ainda no século XIX, mais precisamente em sua segunda metade, destaca-se Friedrich Ratzel (1844-1904), que enfoca a Geografia como estudo da influência das condições naturais sobre a humanidade. No primeiro volume de sua obra Antropogeografia, cunha a teoria do determinismo geográfico[2], no qual admite que, além da influência das condições naturais, o homem também é condicionado pelas condições históricas e culturais. Vale ressaltar que as proposições de Ratzel deram origem à chamada escola ambientalista, caracterizada, mais recentemente, pelo estudo do homem em relação aos elementos naturais do meio em que ele se insere. Esta escola propõe um determinismo atenuado, em que o meio natural não é visto como determinação, mas como suporte da vida do homem (ANDRADE, 1987; MORAES, 1997; SANSOLO; CAVALHEIRO, 2003).
A Geografia alemã de Friedrich Ratzel (1844/1904) irá compreender o Estado como um organismo vivo, e define o homem como determinante do meio geográfico.
Para Ratzel, os Estados necessitam de espaço, assim como as espécies, e "nenhum Estado existe sem o domínio do território". Sua teoria influenciou e justificou o processo de unificação alemã, ajudou a legitimar a nação, o Estado alemão e as ações de expansão territorial.
Assim, durante a II Guerra Mundial, há o renascimento da Geografia Ratzeliana com um novo nome: a Geopolítica. Nesta época surgem expressões como: "espaço é forma de vida" e "espaço é poder", suas idéias originaram a política do "espaço vital" e do direito de conquista dos povos "inferiores pelos "superiores", mais tarde utilizada por Hitler para justificar sua expansão nazista através da Europa.
Contemporâneo de Ratzel, Paul Vidal de La Blache (1845-1918), acreditava que o objeto da Geografia era a região, pois nela estavam sintetizados os aspectos naturais e a intervenção humana (SANSOLO; CAVALHEIRO, 2003). Se opondo a Ratzel, ele classificava o homem como um ser dinâmico que é influenciado pelo meio natural, mas que também atua sobre ele e modifica-o por meio da sua ação. La Blache, fortemente influenciado por sua formação original em História, criticou a visão passiva do homem nas teorias de Ratzel, defendendo o aspecto criativo (liberdade) nas ações humanas, que não seriam apenas uma resposta às imposições do meio. Sua forma relativizada de conceber as relações entre o homem e o meio físico deu origem à teoria denominada de possibilismo[3] francês em reação ao determinismo ambiental alemão, que inaugurou uma nova visão, segundo a qual, a natureza passou a ser vista como possibilidade para a atividade humana e os diferentes tipos de meios dariam origem a diversos gêneros de vida (ANDRADE, 1987; MORAES, 1997). La Blache também redefine o conceito de gênero de vida, herdado do determinismo: trata-se não mais de uma conseqüência inevitável da natureza, mas de "um acervo de técnicas, hábitos, usos e costumes, que lhe permitam utilizar os recursos naturais" (CORRÊA, 1995)
Na abordagem da Geografia positivista de La Blache, que ficou conhecida como Geografia Tradicional, não havia explicação dos fatos, apenas sua descrição. Nos bancos escolares e nos livros didáticos obras de Aroldo de Azevedo caracterizam esta abordagem que influenciou principalmente o período de 50 a 70 do século XX.
No ensino, essa Geografia se traduziu (e muitas vezes ainda se traduz) pelo estudo descritivo das paisagens naturais e humanizadas, de forma dissociada dos sentimentos dos homens pelo espaço. Os procedimentos didáticos adotados promoviam principalmente a descrição e a memorização dos elementos que compõem as paisagens como dimensão observável do território e do lugar. Os alunos eram orientados a descrever, relacionar os fatos naturais e sociais, fazer analogias entre eles e elaborar suas generalizações ou síntese (BRASIL; 1998).

Com o início do século XX, desenvolve-se na Geografia uma corrente que propunha outra forma de conceber os fenômenos, a Geografia Regional. Esta, caracterizada por ser menos empírica e mais voltada para uma metodologia dedutiva. Alfred Hettner (1859-1941) e Richard Hartshorne (1899-1992) foram os pioneiros de tal perspectiva. Pode-se dizer que esta corrente racionalista enriqueceu os estudos acerca das relações homem-natureza, encontrando um ponto de equilíbrio entre o determinismo e o possibilismo (MORAES, 1997; SANSOLO; CAVALHEIRO, 2003). Para Hartshorne (1939) in Silva; Oliveira (1998) a Geografia era uma ciência destinada a estudar as diferenciações entre as áreas da superfície terrestre, sendo uma ciência, ao mesmo tempo, da sociedade e da natureza. Na concepção de Hettner e Harshorne, os estudos geográficos deveriam preocupar-se com a "diferenciação da superfície terrestre", a partir das inter-relações dos elementos ou fenômenos no espaço. Eles acreditavam que a Geografia era ao mesmo tempo uma ciência da natureza e do homem, pois em suas óticas, o homem e a natureza são intrínsecos ao caráter particular das áreas, não se podendo separar um do outro. Hettner vinculava o conhecimento geográfico à ecologia, na medida em que se preocupava com a ação do homem, usando e degradando a paisagem natural (ANDRADE, 1987; MORAES, 1997; SANSOLO; CAVALHEIRO, 2003).
Em meados do século XX, o Brasil começa a sofrer modificações radicais do ponto de vista social e econômico. É o início do desenvolvimentismo, o país entra no processo de modernização incentivando a substituição de importações, há intenso processo de urbanização, mecanização e industrialização da agricultura. Em escala mundial, surge após a 2ª Guerra Mundial, na Inglaterra, Estados Unidos e Suécia a Geografia Teorética-Quantitativa, também chamada de Nova Geografia, primeiramente proposta por Manley (1966) in Silva; Oliveira (1998). Essa Nova Geografia foi sustentada metodologicamente pelo Positivismo, tendia-se a um estudo que procurava explicações objetivas e quantitativas da realidade, na qual se utilizaram freqüentemente técnicas estatísticas e matemáticas com o emprego da geometria e de modelos normativos. Essa foi a Geografia oficial do Brasil durante o período da ditadura militar. As relações do homem com a natureza eram estudadas de forma objetiva, desprezando-se as relações sociais, abstraindo assim do homem o seu caráter social. A didática baseava-se principalmente na descrição e na memorização dos elementos que compõem as paisagens, tendo em vista que esses constituem a dimensão passível de observação do território ou lugar.
Paralelamente a Geografia teorética, desenvolve-se uma corrente de pensamento que fará análises sobre os aspectos ideológicos, econômicos e sociais para compreensão da realidade. Com este fim, uma tendência crítica a Geografia tradicional surge nos anos 60 com a Geografia Marxista que utiliza o método do materialismo histórico dialético (método proposto pelo marxismo) desenvolvido no fim do século XIX. A Geografia Radical teve como destaque as obras de Marx e Engels, trouxe como preocupação estudar as relações de trabalho na sociedade, as formas de apropriação da natureza e do território a fim de compreender as desigualdades na distribuição da renda, da riqueza e de como se manifestam no espaço, surge uma corrente geográfica preocupada em ser crítica e atuante. Com a geografia marxista, a ciência geográfica passou a ter um papel político transformador e desmistificador. Assim, procurando seguir outras sendas filosóficas, que constetam a linhagem positivista, a Geografia Radical, a Geografia Humanística[4] e a Geografia Idealista são três tendências que ganharam ímpeto nos últimos anos. (SILVA; OLIVEIRA, 1998).
Dessa forma, a partir das décadas de 60, 70 e 80, especialmente a partir do desenvolvimento da "Geografia Radical", de cunho marxista, que adota um posicionamento contestatório e crítico quanto à organização e produção do espaço geográfico, ou seja, está voltada ao engajamento político-ideológico, em busca de uma sociedade mais igualitária, propondo transformações da realidade social. A Geografia ficou extremamente voltada para a crítica das relações capitalistas de produção, contudo contribuiu muito pouco para a discussão da temática ambiental, mostrando-se quando o fez muito pobre e limitada (MENDONÇA, 2002). Segundo ainda Mendonça (2002), não é possível afirmar que haja "uma total semelhança entre geografia crítica e geografia ambiental"; assim, a perspectiva ambiental parece não ter tomado uma feição tão marcante para ser considerada como um novo segmento ou uma nova corrente do pensamento geográfico.
A corrente humanística do pensamento geográfico tem como base os trabalhos realizados por Yi-Fu Tuan, Anne Buttiner, Edward e Mercer e Powell, e possui a fenomenologia existencial como a filosofia subjacente, possuindo raízes mais antigas, em Kant e em Hegel. Estudam os aspectos do homem que são mais distintamente humanos: significações, valores, metas e propósitos (ENTRIKIN, 1976 in SILVA; OLIVEIRA, 1998).
A partir da metade da década de 1970, alguns geógrafos passaram a apresentar preocupações com a problemática do meio ambiente, denunciando o desenvolvimentismo progressista e defendendo juntamente com os movimentos ambientalistas, uma política mais humana e mais ecológica. Nesse contexto de preocupação com o problema do meio ambiente surge a Geografia Ecológica. Muitos geógrafos da área de Geografia Física passaram de trabalhos específicos de morfologia, clima, hidrografia etc, para pesquisas sobre o meio ambiente, ou permaneceram em suas especificidades, contudo utilizando os conhecimentos especializados nos estudos sobre impacto dos elementos naturais pela sociedade (ANDRADE, 1987).
A perspectiva de degradação das condições de vida diante da problemática ambiental disposta nas últimas décadas tornou-se um dos principais problemas para a humanidade. Cientistas, em geral; e geógrafos, em particular, não poderiam ficar de braços cruzados sobre o risco de conveniência com os crimes que sucessivamente vem sendo cometidos contra a natureza. Com isso, um grupo de geógrafos fundou uma corrente, onde a preocupação com os problemas ambientais é o cerne de seus estudos. Como figuras de grande importância dessa corrente podemos citar o agrônomo René Dumont e o economista Ignacy Sachs.
Em nível internacional, Jean Tricart (geógrafo francês) foi um dos expoentes desse movimento, utilizando o método dialético[6], trabalhou em países subdesenvolvidos e publicou um livro que apresenta uma visão global de uma Geografia Ecológica, Ecogeographie. Em nosso país, destacam-se nesta perspectiva: os geógrafos Hilgard O´Railly Sternberg, Aziz Nacib Ab?Saber, Reinhard Maack e Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro, que incorporam em suas produções a preocupação com temas como: os problemas da devastação das florestas pela expansão agrícola e urbano-industrial; o impacto ambiental provocado pela construção de barragens; a poluição do ar dos centros urbanos em decorrência da industrialização (emissão de gases poluentes produzidos pelos veículos e fábricas) e sua influência no clima (geração das "ilhas de calor" e da "inversão térmica"), entre outros (ANDRADE, 1987; MENDONÇA, 2002).
Desde sua institucionalização como ciência até meados do século XX, a Geografia concebeu o ambiente (ambientalismo) e a natureza (naturalismo) como sinônimos; sendo este o primeiro momento da abordagem ambiental no âmbito do pensamento geográfico (MENDONÇA, 1993).
Nessa conjuntura, conforme Mendonça (2002), ocorre um segundo momento do ambientalismo, em que alguns geógrafos, ao romperem com a característica essencialmente descritiva do ambiente natural, passam a abordá-lo na perspectiva da interação sociedade-natureza, propondo intervenções de recuperação da degradação e melhoria das condições de vida.
Nas décadas seguintes, ou seja, 1980 e 1990 até os dias de hoje, ocorre um avanço no debate teórico acerca da questão ambiental, passando de uma predominância do enfoque ecológico, baseado na vertente naturalista, preocupada essencialmente com a defesa do meio natural (recursos naturais), para uma perspectiva calcada no ambiente, em que sociedade e natureza interagem dialeticamente. Portanto, "nesta corrente, a problemática ambiental na geografia deixa de ser identificada apenas como ligada à geografia física e passa a ser geográfica" (MENDONÇA, 2002). Assim, para que se efetive um trabalho na perspectiva da Geografia Socioambiental, é imprescindível a reflexão em torno das tensões, conflitos e problemáticas resultantes da interação sociedade-natureza, sendo elas próprias referências ao tipo de enfoque necessário, ora mais ligado à dimensão natural, ora mais ligado à dimensão social; contudo, sempre buscando as soluções de problemas, já que esta é a meta fundamental dos estudos ambientais (MENDONÇA, 2002).
Diante do exposto percebe-se que os princípios básicos e os objetivos principais, assim como o objeto de estudo da geografia, desde a sua origem como ciência, são de caráter eminentemente ambientalista. A geografia é, sem sombra de dúvida, a única ciência que desde a sua formação se propôs o estudo da relação entre os homens e o meio natural do planeta ? o meio ambiente atualmente em voga é propalado na perspectiva que engloba o meio natural e social. Observando-se a história da evolução da ciência moderna percebe-se que a geografia é a única ciência de cunho ambientalista desde sua origem, sendo que as outras são mais específicas no tratamento da referida temática.
Pode-se afirmar que existe uma forte aliança entre a educação geográfica e a educação ambiental, pois elas têm um domínio em comum: a relação sociedade-meio natural. Dentre as várias leituras que a Geografia deve fazer hodiernamente em relação ao espaço geográfico, está aquela relacionada à problemática socioambiental, ou seja, analisar o espaço geográfico sob a perspectiva das mudanças, das interferências que as práticas sociais vêm causando ao meio, enfim, das relações que estão sendo estabelecidas entre a sociedade e o meio natural. Na realidade, a Geografia, desde suas origens, tratou conteúdos ambientais. Conforme Mendonça (2001):
Desse modo, a profícua parceria entre a Geografia escolar e a educação voltada ao meio ambiente, exige como ponto de partida:

[...] a eleição de novos paradigmas que, no mínimo, sejam capazes de não tomar Homem e Natureza como pólos excludentes. A adesão a tais pressupostos nos impõe, em decorrência, que nos recusemos a ver a natureza como mera fonte de recursos ilimitados à disposição de um Homem-centro do mundo (GONÇALVES, 2002).


O desenvolvimento desses valores ambientais na educação geográfica leva o professor a possibilidade de transmitir ao educando o raciocinar geograficamente sob a abordagem socioambiental, a partir da "localização, das estruturas, dos processos espaciais e, principalmente, das causas desses elementos" (ALEXANDRE; DIOGO, 1997).
Diferentemente da maioria das ciências, a Geografia tem em comum com a Educação Ambiental a preocupação "com a degradação dos meios onde a vida se passa" (DEBESSE-ARVISET, 1974), ou seja, as respostas da natureza à interferência humana e os resultados das profundas transformações realizadas no meio ambiente sem cuidados prévios, fazem parte dos estudos de ambas (PACHECO; FARIA 1992).

2.2 A educação ambiental no mundo e suas repercussões no Brasil

Em meados da década de 60, os problemas sócio-ambientais passaram a ecoar mundialmente, mobilizando diversos grupos sociais. No ano de 1962 o Livro "Primavera Silenciosa" de Rachel Carson - alertava sobre os efeitos danosos de inúmeras ações humanas sobre o ambiente, como por exemplo, o uso de pesticidas. (MEC, 2009)
Por volta de 1968 nasce o Conselho para Educação Ambiental, no Reino Unido. Neste mesmo ano, surge o primeiro alerta político, um relatório intitulado "Os limites do crescimento" (The limits to growth), do Cube de Roma (1968) liderado por Dennis L. Meadows, (MEC, 2009)que fez um diagnóstico dos recursos terrestres concluindo que a degradação ambiental é resultado principalmente do descontrolado crescimento populacional e suas conseqüentes exigências sobre os recursos da terra, e que se não houver uma estabilidade populacional, econômica e ecológica os recursos naturais que são limitados serão extintos e com eles a população humana. Estes estudos lançaram subsídios para a idéia de se desenvolver, mas preservando, denotando a necessidade da diminuição significativa das atividades produtivas em todo o mundo.
Em 1970 entidade relacionada à revista britânica The Ecologist elabora o "Manifesto para Sobrevivência" onde insistiam que um aumento indefinido de demanda não pode ser sustentado por recursos finitos. (MEC, 2009)
Contudo, só a partir da I Conferência Mundial do Meio Ambiente, realizada em Estocolmo em 1972, que as nuances ambientais ganharam dimensões políticas mundiais (NUNES, 2007). Promulga a Declaração Sobre o Ambiente Humano ou Declaração de Estocolmo, cujo conteúdo versa sobre a necessidade de, "tanto as gerações presentes como as futuras, tenham reconhecidas como direito fundamental, a vida num ambiente sadio e não degradado" (TAMANES, 1977 in MEC,2009); a partir das discussões formuladas em tal documento, a ONU dá origem ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA, sediado em Nairobi. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul criou o primeiro curso de pós-graduação em Ecologia do país. (MEC, 2009)
Em resposta às recomendações da Conferência de Estocolmo, em 1975 a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO promoveu em Belgrado (Iugoslávia) um Encontro Internacional em Educação Ambiental onde criou o Programa Internacional de Educação Ambiental - PIEA que formulou os seguintes princípios orientadores: a Educação Ambiental deve ser continuada, multidisciplinar, integrada às diferenças regionais e voltada para os interesses nacionais (MEC, 2009). A Carta de Belgrado constitui um dos documentos mais lúcidos e importantes gerados nesta década. Fala sobre a satisfação das necessidades e desejos de todos os cidadãos da Terra. Propõe temas que falam que a erradicação das causas básicas da pobreza como a fome, o analfabetismo, a poluição, a exploração e dominação, devam ser tratadas em conjunto. Nenhuma nação deve se desenvolver à custa de outra nação, havendo necessidade de uma ética global. A reforma dos processos e sistemas educacionais é central para a constatação dessa nova ética de desenvolvimento. A juventude deve receber um novo tipo de educação que requer um novo e produtivo relacionamento entre estudantes e professores, entre escolas e comunidade, entre o sistema educacional e sociedade. Finaliza com a proposta para um programa mundial de Educação Ambiental.
Houve em 1976 a criação dos cursos de pós-graduação em Ecologia nas Universidades do Amazonas, Brasília, Campinas, São Carlos e o Instituto Nacional de Pesquisas Aéreas - INPA em São José dos Campos. (MEC, 2009)
Realizada em 1977 a Conferência Intergovernamental de Educação Ambiental em Tbilisi (ex-URSS) organizada pela UNESCO com a colaboração do PNUMA. Foi o ponto culminante da primeira fase do Programa Internacional de Educação Ambiental, iniciado em 1975. Definiram-se os objetivos, as características da Educação Ambiental - EA, assim como as estratégias pertinentes no plano nacional e internacional. No Brasil, o Conselho Federal de Educação - CFE tornou obrigatória a disciplina Ciências Ambientais em cursos universitários de Engenharia. (MEC, 2009)
Por volta de 1978 os cursos de Engenharia Sanitária já inseriram as matérias de Saneamento Básico e Saneamento Ambiental. (MEC, 2009)
Realização do Seminário de Educação Ambiental para América Latina, realizado pela UNESCO e PNUMA na Costa Rica no ano de 1979. No mesmo ano o departamento do Ensino Médio/MEC e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo - CETESB publicam o documento "Ecologia - Uma proposta para o Ensino de 1º e 2º graus". (MEC, 2009)
A ONU criou em 1983 a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - CMMAD, a qual foi presidida por Gro Harlem Brundtland primeira ministra da Noruega (que ficou conhecida como Comissão Brundtland) e tinha os seguintes objetivos: reexaminar as questões críticas relativas ao meio ambiente, e reformular propostas realísticas para abordá-las; propor novas formas de cooperação internacional nesse campo de modo a orientar as políticas e ações no sentido das mudanças necessárias, e dar a indivíduos, organizações voluntárias, empresas, institutos e governos uma compreensão maior desses problemas, incentivando-os a uma atuação mais firme (CMMAD, 1991).
Os trabalhos foram concluídos em 1987, com a apresentação de um diagnóstico dos problemas globais ambientais. A Comissão propôs que o desenvolvimento econômico fosse integrado à questão ambiental, surgindo assim uma nova forma denominada desenvolvimento sustentável, que recebeu a seguinte definição: "Desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades dos presentes sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades" (CMMAD, 1991).
No Brasil em 1985 parecer 819/85 do MEC reforça a necessidade da inclusão de conteúdos ecológicos ao longo do processo de formação do ensino de 1º e 2º graus, integrados a todas as áreas do conhecimento de forma sistematizada e progressiva, possibilitando a "formação da consciência ecológica do futuro cidadão". (MEC, 2009)
Estratégia Internacional de ação em matéria de educação e formação ambiental para o decênio de 90 - documento final do Congresso Internacional sobre Educação e Formação Relativas ao Meio-ambiente, realizado em 1987 em Moscou, Rússia, promovido pela UNESCO. Ressalta a importância da formação de recursos humanos nas áreas formais e não formais da EA e na inclusão da dimensão ambiental nos currículos de todos os níveis. Plenário do CFE aprovou por unanimidade, a conclusão da Câmara de Ensino a respeito do parecer 226/87 que considerava necessária a inclusão da Educação Ambiental dentre os conteúdos a serem explorados nas propostas curriculares das escolas de 1º e 2º graus, bem como sugeria a criação de Centros de Educação Ambiental. (MEC, 2009)
Ainda a UNESCO/PNUMA realizou em Moscou o Congresso Nacional sobre Educação e Formação Ambiental, onde foram analisadas as conquistas e dificuldades na área de EA desde a conferência de Tbilisi e discutido uma estratégia internacional de ação em educação e formação ambiental para a década de 90.
Deste modo a partir da década de 80, tais discussões passam a estar presentes no cotidiano escolar.
Em 1988 realização do Primeiro Congresso Brasileiro de Educação Ambiental no Rio Grande do Sul e do Primeiro Fórum de Educação Ambiental promovido pela Coordenadoria Executiva de Cooperação Universitária e de Atividades Especiais da Universidade de São Paulo - CECAE/USP, que mais tarde foi assumido pela Rede Brasileira de Educação Ambiental.
No mesmo ano, a Constituição da República Federativa do Brasil dedicou o Capítulo VI ao Meio Ambiente e no Art. 225, Inciso VI, determina ao "... Poder Público, promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino..."
Na Constituição Federal promulgada em 1988, é explicitado à preocupação com o meio ambiente, como descrito abaixo:

Capítulo VI
Do Meio Ambiente
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (...)
VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente;
1989, realização da 3º Conferência Internacional sobre EA para as Escolas de 2º Grau com o tema Tecnologia e Meio Ambiente, em Illinois/USA.
Em 1990 a Declaração Mundial sobre Educação para Todos: Satisfação das Necessidades Básicas de Aprendizagem, aprovada na Conferência Mundial sobre Educação para Todos, realizada Jontien, Tailândia, de 5 a 9 de março de 1990, reitera: "confere aos membros de uma sociedade a possibilidade e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de respeitar e desenvolver a sua herança cultural, lingüística e espiritual, de promover a educação de outros, de defender a causa da justiça social, de proteger o meio ambiente...." (MEC, 2009).
No ano de 1991 a portaria 678/91 do MEC, determinou que a educação escolar deveria contemplar a EA permeando todo o currículo dos diferentes níveis e modalidades de ensino. Foi enfatizada a necessidade de investir na capacitação de professores. Já a portaria 2421 /91 do MEC, institui em caráter permanente um Grupo de Trabalho de EA com o objetivo de definir com as Secretarias Estaduais de Educação, as metas e estratégias para a implantação da EA no país e elaborar proposta de atuação do MEC na área da educação formal e não-formal para a Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. (BRASIL, Portal MEC). Houve ainda o encontro Nacional de Políticas e Metodologias para a Educação Ambiental, promovido pelo MEC e Secretaria do Meio Ambiente - SEMA com apoio da UNESCO/Embaixada do Canadá em Brasília, com a finalidade de discutir diretrizes para definição da Política da EA.
1992 acontece a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, RIO -92. O MEC promoveu em Jacarepaguá um workshop com o objetivo de socializar os resultados das experiências nacionais e internacionais de EA, discutir metodologias e currículos. Do encontro resultou a Carta Brasileira para a Educação Ambiental.
A partir da II Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92), realizada no Rio de Janeiro, a busca pelo desenvolvimento sustentável ganhou espaço na mídia e, nos meios acadêmicos. A comunidade internacional, durante a Rio-92, acordou à aprovação de um documento contendo compromissos para mudança do padrão de desenvolvimento no próximo século, denominando-o Agenda 21. O problema ambiental é visto como um desequilíbrio produzido pelo "estilo de vida" da sociedade moderna. As razões para o desequilíbrio seriam de duas ordens gerais: o tipo de desenvolvimento econômico e o tipo de racionalidade envolvida ? cartesiana[7], particularista[8]. Dessa maneira, seria necessária a construção de outro estilo de vida e de uma nova racionalidade.
Esta nova racionalidade seria holística e implicaria uma nova ética de respeito diversidade biológica e cultural, que estaria na base da sociedade sustentável.
A Agenda 21 com seus 40 capítulos e 800 páginas, editada na referida conferência, lançou o conceito de sustentabilidade assim como diretrizes da nova forma de desenvolvimento, o sustentável ou sustentado. Portanto, as diretrizes principais para se alcançar o desenvolvimento sustentável estão na CMMAD (Comissão Brundtland) e na Agenda 21.
Em 1993 a Portaria 773/93 do MEC, institui em caráter permanente um Grupo de Trabalho para EA com objetivo de coordenar, apoiar, acompanhar, avaliar e orientar as ações, metas e estratégias para a implementação da EA nos sistemas de ensino em todos os níveis e modalidades - concretizando as recomendações aprovadas na RIO -92 (MEC, 2009).
Surge em 1994 propostas do Programa Nacional de Educação Ambiental - PRONEA, elaborada pelo MEC/MMA/MINC/MCT com o objetivo de "capacitar o sistema de educação formal e não-formal, supletivo e profissionalizante, em seus diversos níveis e modalidades."
Foi criada em 1995 a Câmara Técnica temporária de Educação Ambiental no Conselho Nacional de Meio Ambiente - CONAMA, determinante para o fortalecimento da Educação Ambiental.
Em 1996 a Lei nº 9.276/96 que estabelece o Plano Plurianual do Governo 1996/1999, define como principais objetivos da área de Meio Ambiente a "promoção da Educação Ambiental, através da divulgação e uso de conhecimentos sobre tecnologias de gestão sustentável dos recursos naturais", procurando garantir a implementação do PRONEA (BRASIL, 2009. Portal MEC). Ainda, a coordenação de Educação Ambiental promove 3 cursos de Capacitação de Multiplicadores em Educação Ambiental - apoio do Acordo BRASIL/UNESCO, a fim de preparar técnicos das Secretarias Estaduais de Educação, Delegacias Regionais de Educação do MEC e algumas Universidades Federais, para atuarem no processo de inserção da Educação Ambiental no currículo escolar.
A Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade: Educação e Consciência Pública para a Sustentabilidade ? Thessaloniki, 1997 houve o reconhecimento que, passados cinco anos da Conferência Rio-92, o desenvolvimento da EA foi insuficiente. Entretanto esse encontro foi beneficiado pelos numerosos encontros internacionais realizados em 1997, na Índia, Tailândia, México, Cuba, Brasil, Grécia entre outras. O Brasil apresentou o documento "Declaração de Brasília para a Educação Ambiental", consolidado após a I Conferência Nacional de Educação Ambiental ? ICNEA. Reconhece que a visão de educação e consciência pública foi enriquecida e reforçada pelas conferências internacionais e que os planos de ação dessas conferencias devem ser implementados pelos governos nacionais, sociedade civil (incluindo Organizações não governamentais - ONGs, empresas e a comunidade educacional), a ONU e outras organizações internacionais. No referido ano, houve a elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs com o tema "Convívio Social, Ética e Meio Ambiente", onde a dimensão ambiental é inserida como um tema transversal nos currículos do Ensino Fundamental.
Em1999 é promulgada a Lei nº 9.795 de 27 de abril de 1999 que institui a Política Nacional de Educação Ambiental, a que deverá ser regulamentada após as discussões na Câmara Técnica Temporária de Educação Ambiental no CONAMA (MEC, 2009). Portaria 1648/99 do MEC cria o Grupo de Trabalho com representantes de todas as suas Secretarias para discutir a regulamentação da Lei nº 9795/99 MEC propõe o Programa PCNs em Ação atendendo às solicitações dos Estados (MEC, 2009). Meio Ambiente uns dos temas transversais, será trabalhado no ano 2000.
È importante salientar que a Educação Ambiental no Brasil, como descrito na Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB 9.394/96 representa um processo essencial na formação de valores humanos que são inerentes ao contexto educacional. Ao educando é reservado o papel de elemento central do processo de ensino/aprendizagem pretendido, tornando-o capaz de diagnosticar os problemas ambientais e buscar as soluções, sendo formado para intervir na realidade à qual está inserido, através do desenvolvimento de habilidades e formação de atitudes, através de uma conduta ética, condizentes ao exercício da cidadania. A ênfase das ações educativas justifica-se pela necessidade de formar um novo homem, aquele que seria capaz de viver em harmonia com a natureza. (MAZZOTTI, 1997)
Esse breve panorama da Educação Ambiental no mundo e no Brasil, mostra a importância dessa dimensão no processo educativo, para o desenvolvimento de novos valores e atitudes em prol da melhoria das condições de vida e da sustentabilidade socioambiental em nosso planeta. Contudo, apesar da mobilização mundial e também nacional em relação às questões do meio ambiente, no caso do Brasil, essa dimensão educacional ainda não se consolidou "em termos de política pública de caráter democrático, universal e includente" (LOUREIRO, 2004). Por isso, é importante que a comunidade de EA permaneça engajada na busca de consolidar o seu espaço, dentro e fora da escola, pois apenas dessa forma, a sociedade se mobilizará no sentido de exigir dos governantes a criação e o cumprimento de leis que resguardem os interesses em estabelecer uma melhor relação entre sociedade e meio natural.
Nesse sentido, a prática pedagógica, com base na orientação socioambiental, deve possibilitar uma nova relação entre o homem e o meio natural sobre o foco da sustentabilidade do meio natural e social, a partir de um processo educativo que analise os problemas do meio ambiente em perspectiva multidimensional (econômica, política, social, cultural, tecnológico-científica etc.) e, portanto, inter-relacional, em vista da compreensão e solução dos mesmos, especialmente no que diz respeito às situações concretas de vida dos educandos.
Diante do histórico apresentado evidencia-se dessa forma, a eminente preocupação das autoridades dos mais variados níveis, com relação ao meio ambiente; tendo a educação ambiental função primordial para atender os anseios da sociedade com relação à proteção do meio em que se vive.
No entanto, não apenas o estado possui o dever de proteger e cuidar do meio ambiente; a escola como formadora de seres viventes em sociedade possui uma função que vai além daquela delegada ao estado, pois ela termina por auxiliar na formação de uma consciência coletiva que transcende os muros da escola e alastra por toda a sociedade. Como descrito por Singer, 2001:

Não é só o poder do Estado que tem de ser transformado, mas todo poder exercido autoritariamente: do patrão na empresa, do professor na escola, do oficial no exército, do padre na igreja, do dirigente no sindicato ou no partido e, por fim, mas não por último, do pai na família (...) as lutas anti-autoritárias tem de ser suscitadas em todas as instituições no pressuposto, confirmado pela experiência, que as práticas de libertação tendem, em geral, a se reforçar mutuamente, na medida em que a legitimidade de todas é reconhecida, ao passo que a tentativa de se considerar uma luta específica como prioritária e contendo em si a solução das demais - ?uma vez conquistado o poder e eliminada a propriedade privada dos meios de produção, tudo o mais se resolve sem atrito sem demora?- só tende a dividir os movimentos de libertação e sectarizá-los.
2.3 Consciência ambiental

A questão ambiental tem origem na preocupação com os problemas ambientais causados pelas atividades humanas no planeta. O processo de exploração da natureza teve uma evolução contínua e gradual. O avanço da ciência e a tecnologia associada à ideologia do progresso econômico, até pouco tempo, não reconhecia a importância da natureza, e contribuiu para destruição indiscriminada dos recursos naturais.
Esta separação homem-natureza é o fundamento da ciência positivista, base instrumental do modelo de desenvolvimento das sociedades ocidentais e que começa a ser questionado somente no fim do século XX.
A ciência positivista que se desenvolve no século XIX teve como princípio o controle da natureza pelo ser humano, a partir da racionalidade e do conhecimento.
Nesta oposição (homem ? natureza), a natureza é concebida como objeto e não mais como morada, torna-se um meio exterior ao homem do qual não se vê como parte dependente e integrante.
A necessidade de conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental, duas questões antes tratadas separadamente levaram à formação do conceito de desenvolvimento sustentável, que surge como alternativa para a comunidade internacional. A consciência de que é necessário tratar com racionalidade os recursos naturais, uma vez que estes podem se esgotar mobiliza a sociedade no sentido de se organizar para que o desenvolvimento econômico não seja predatório, mas sim, "sustentável". Tal aspecto é lembrado por Leff (2001), ao afirmar que "a questão ambiental não é ideologicamente neutra nem distante dos problemas sociais e interesses econômicos". Nesse sentido, as estratégias de ação política sobre os processos ecológicos vinculam-se as ações práticas de desenvolvimento social, sendo relevante nesse processo, a compreensão da manifestação da subjetividade humana, ou seja, a conformação de novos valores e na construção de novas interpretações da relação homem e natureza, buscando como base novos padrões cognitivos.
Contudo, a complexidade da questão ambiental colocou para o mundo contemporâneo o debate que hoje presenciamos, ou seja, os investimentos das nações no sentido de valorizar o paradigma ambiental que tira a natureza de uma posição de passividade e inércia, concebendo o meio ambiente como expressão de criatividade, diversidade e depositário da inter-relação de todos os seres, visando à boa sobrevivência e qualidade de vida, a construção de uma ética ambiental, entendida como a conscientização ambiental que exige a intervenção das ciências com apelo preponderante para valores de preservação.
Falar em uma consciência ambiental implica na busca e na consolidação de novos valores na forma de ver e viver no mundo, a partir da complexidade ambiental, que possibilita a construção de novos padrões cognitivos na relação homem/natureza, ou seja, na produção de processos cognitivos que reconheçam a interdependência e o inacabamento de qualquer ação, de (des)construir e (re)construir o pensamento a partir da ciência, da cultura e da tecnologia, a fim de mover o processo criativo humano para gerir novas possibilidades diante dos fenômenos da vida e da sobrevivência a partir da sinergia existente no tecido social, ambiental e tecnológico. (LEFF, 2001)
Portanto, a educação ambiental, de cunho cultural e político, relaciona-se diretamente com a construção da consciência ideológica das posições assumidas pelos setores sociais e os movimentos ecológicos, bem como das estratégias adotadas para captar adesão aos princípios ambientais. A emergência, a formação e a consistência de sujeitos sociais voltados para as questões ambientais rimam com a consolidação de dimensões fundamentais da cidadania.
Dessa forma, a consciência é, indiscutivelmente, o fator mais importante que deve nortear as ações e o desenvolvimento humano, pois considerando o atual estado de caos instalado nas pessoas e, conseqüentemente, no planeta, verifica-se o quanto é necessário estarmos atentos aos nossos sentimentos, pensamentos e ações que devem ser cada vez mais integrados, unificando a consciência individual e coletiva, afinal, quanto mais consciência, menos conflito, logo menos caos.
Nesse contexto, é de suma importância fortalecer uma ética socioambiental capaz de salvaguardar toda forma de vida e a vida como um todo. Precisamos despoluir esse mundo, a começar pela mente, pelo espírito e pelo coração. Urge combater com ousadia todas as poluições nossas de cada dia.
Assim, no âmbito escolar, a educação ambiental tem por objetivo mostrar aos alunos, a importância do ambiente em que vivemos que deve ser preservado como um tesouro que temos a responsabilidade de guardar, e que não devemos destruir nem desperdiçar. Cuidar do meio ambiente pode ser entendido como mais um dos princípios morais e éticos que também são objeto de preocupação dos educadores. Leff (2002) assinala que:
(...) a crise ambiental leva-nos a interrogar o conhecimento do mundo, (...) corporifica um questionamento da natureza e do ser no mundo, com base na flecha do tempo e na entropia vistas como leis da matéria e da vida, com base na morte vista como lei limite na cultura que constitui a ordem simbólica do poder e do saber. (...) A complexidade ambiental inaugura uma nova reflexão sobre a natureza do ser, do saber e do conhecer, sobre a hibridização de conhecimentos na interdisciplinaridade e na transdisciplinaridade; sobre o diálogo de saberes e a inserção da subjetividade, dos valores e dos interesses nas tomadas de decisão e nas estratégias de apropriação da natureza.

2.4 A Geografia no contexto dos Parâmetros Curriculares nacionais
A Geografia é uma área de conhecimento comprometida em tornar o mundo comprometido em tornar o mundo compreensível para os alunos, explicável e passível de transformações. Neste sentido assume grande relevância dentro do contexto dos PCNs, em sua meta de buscar um ensino para a conquista da cidadania brasileira. As temáticas com as quais a Geografia trabalha na atualidade encontram-se permeadas por essa preocupação (PCN, 1998).
È importante dizer, também, que a Geografia abrange as preocupações fundamentais apresentadas nos temas transversais, identificando-se, portanto, com aquele corpo de conhecimentos considerados como questões emergenciais para a conquista da cidadania. "A educação geográfica é indispensável para o desenvolvimento de cidadãos responsáveis e ativos no mundo atual e no futuro." (CEG, 1992)
Outro aspecto essencial é que os conteúdos geográficos assumem o peso e a responsabilidade de trabalhar os meios pelos quais os alunos do ensino fundamental recebam a informação e a formação. Pois o estudo da Geografia proporciona aos alunos a possibilidade de compreenderem sua própria posição no conjunto de interações entre sociedade e natureza.
Nesse sentido, a geografia tem por objetivo estudar as relações entre o processo histórico na formação das sociedades humanas e o funcionamento da natureza por meio da leitura do lugar, do território, a partir de sua paisagem. Na busca dessa abordagem relacional, trabalha com diferentes noções espaciais e temporais, bem como com os fenômenos sociais, culturais e naturais característicos de cada paisagem, para permitir uma compreensão processual e dinâmica de sua constituição, para identificar e relacionar aquilo que na paisagem representa as heranças das sucessivas relações no tempo entre sociedade e a natureza em sua interação (PCN, 1998).
Assim, o espaço na Geografia deve ser uma totalidade dinâmica em que interagem fatores naturais, sociais, econômicos e políticos.


2.5 Meio Ambiente e a transversalidade proposta pelos PCNs de Geografia

Muitas são as propostas de interdisciplinaridade, uma das mais atuais são os PCNs preparados pelo MEC. Eles introduzem a idéia dos temas transversais. Esses temas são uma forma de se tentar viabilizar a interdisciplinaridade, introduzindo assuntos que devem ser tratados pelas diversas disciplinas, cada uma a sua maneira. O currículo passa a ser organizado em disciplinas e em temas transversais.
Nessa perspectiva, os PCNs têm uma proposta transversal em relação ao currículo do tipo disciplinar, e isso revela através da preocupação de que a prática pedagógica venha a expressar a perspectiva política, social e cultural de nossa sociedade. Baseando-se na premissa de que os temas considerados nas diferentes áreas não podem configurar um aprendizado a parte e valorizando a compreensão integral de cada tema, a transversalidade, abre um espaço oportuno tanto para o estabelecimento de um novo diálogo em sala de aula, onde professores e alunos são incentivados a discutir, como para a valorização dos saberes que estão além do âmbito escolar.
Os Temas Transversais ao compreenderem um conjunto de assuntos, os quais transversalizam as áreas do currículo e são vivenciados cotidianamente, perpassam determinadas áreas do conhecimento ou disciplina. Dessa forma, proporciona o aprender significativo sobre a realidade, na realidade e da realidade com vistas a interferir positivamente para transformá-la. Os Temas Transversais, portanto expressam conceitos e valores básicos para a democracia e para a cidadania e devem ser trabalhados de modo coordenado e contextualizado, ou seja, eles representam o eixo unificador em torno do qual as disciplinas devem ser trabalhadas. Para Garcia:

Como os temas transversais não constituem uma disciplina, seus objetivos e conteúdos devem estar inseridos em diferentes momentos de cada uma das disciplinas. Vão sendo trabalhados e uma e em outra, de diferentes modos. Interdisciplinaridade e transversalidade alimentam-se mutuamente, pois para trabalhar os temas transversais adequadamente não se pode ter uma perspectiva disciplinar rígida. (GARCIA, 2004 p.1)


Segundo os PCNs A principal função do trabalho com o tema Meio Ambiente é contribuir para a formação de cidadãos conscientes, aptos a decidir e atuar na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade, local e global. Para isso é necessário que, mais do que informações e conceitos, a escola se proponha a trabalhar com atitudes, com formação de valores, com o ensino e aprendizagem de procedimentos. E esse é um grande desafio para a educação.
A questão ambiental está cada vez mais presente no cotidiano da sociedade contemporânea, e principalmente no desafio da preservação da qualidade de vida da população das nossas cidades. Nesse cenário, o processo educativo pode conduzir à formação de atores sociais que conduzirão uma transição em direção a sustentabilidade socioambiental. A educação Ambiental desponta como novos conhecimentos, metodologias e habilidades numa perspectiva interdisciplinar. Assim, representa um instrumento essencial para a transformação do padrão existente de degradação socioambiental.
A compreensão das questões ambientais pressupõe um trabalho interdisciplinar. A análise de problemas ambientais envolve questões políticas, históricas, econômicas, ecológicas, geográfica, enfim, envolve processos variados, portanto, não seria possível compreendê-los e explicá-los pelo olhar de uma única ciência. Como o objeto de estudo da Geografia, no entanto, refere-se às interações entre a sociedade e a natureza, um grande leque de temáticas de meio ambiente está necessariamente dentro do seu estudo.
Restringindo a Educação Ambiental a tal ciência pode-se dizer que quase todos os conteúdos previstos no rol do documento de Meio Ambiente podem ser abordados pelo olhar da Geografia. Evidentemente, dentro de suas abordagens metodológicas, alguns conceitos têm tratamento diferente. No entanto, o tema Sociedade e Meio Ambiente é o que sugere maior aproximação, pois, ao tratar da formação socioespacial, das novas territorialidades e temporalidades do mundo, aborda-se de forma ampla os processos que geram uma determinada ocupação do solo, as demandas por recursos naturais, o crescimento populacional e urbanização, entre outros. No quarto ciclo, propõe-se um trabalho mais detalhado com a modernização, modos de vida e a problemática ambiental. Ao cuidar dos temas desse eixo, o professor poderá dar um tratamento mais aprofundado, abordando o campo da ecologia política, discutindo temas tais como as mudanças ambientais globais, a questão do desenvolvimento sustentável ou das formas de ocorrência e controle da poluição. A proposta de Geografia para estudo das questões ambientais favorece uma visão clara dos problemas de ordem local, regional e global, ajudando a sua compreensão e explicação, fornecendo elementos para a tomada de decisões e permitindo intervenções necessárias.
O estudo mais detalhado das grandes questões do Meio Ambiente (poluição, desmatamento, limites para uso dos recursos naturais, sustentabilidade, desperdício), permite o trabalho com a espacialização dos fenômenos geográficos por meio da cartografia. Permite, também, o trabalho com as estatísticas, base de dados, leitura e interpretação de gráficos que são importantes nos estudos comparativos, nas simulações e na idéia inicial sobre planejamento que os alunos podem ter. Ainda com conteúdo procedimental, trabalhar com a formulação de hipóteses, produção de gráficos e mapas, coleta, organização e interpretação de dados estatísticos, prática da argumentação etc.
Desse modo, parecem evidentes as possibilidades de a Geografia integrar-se ao tema Meio Ambiente. Convém chamar a atenção para o seguinte ponto: as questões ambientais também irão se constituir nos contextos significativos a partir dos quais serão desenvolvidos conceitos e procedimentos geográficos.


2.6 O ensino da Geografia e a Educação Ambiental

Sendo a questão ambiental uma das preocupações dos pesquisadores de diversas ciências, são os geógrafos que têm ganhado um amplo campo de pesquisa, pois seu leque de estudos abrange problemas ambientais, políticos, culturais, econômicos e ético-sociais na busca da "formação de indivíduos e grupos sociais capazes de identificar, problematizar e agir em relação às questões socioambientais, tendo como horizonte uma ética preocupada com a justiça ambiental" (CARVALHO, 2004).
A abordagem ambiental na Geografia, assim como em outras ciências, é composta de estudos compartimentados da natureza para se compreender os processos naturais terrestres e sua dinâmica. O estudo interdisciplinar, do meio ambiente necessita compreender essas relações para assim controlar os impactos humanos e suas conseqüências para a vida na terra.
Entretanto, não se pode esquecer que cada disciplina tem sua própria história, conceitos e métodos. Juntar as partes de cada uma, pensando em formar uma metadisciplina que retome o conceito de todo indivisível é, no mínimo, um terrível engano (SANTOS, 2004).
Não obstante, a educação geográfica é indispensável para o desenvolvimento de cidadãos responsáveis e ativos no mundo atual e no futuro (CEG, 1992).
Para tanto, deve-se ter bem claro o objetivo do ensino de Geografia para não se perder na diversidade de conteúdo. Muitos autores definem como o principal objetivo da Geografia no ensino: a alfabetização do aluno na leitura do espaço geográfico, em suas diversas escalas e configurações. Acrescenta-se a reflexão:

O ensino de Geografia no século XXI, portanto deve ensinar, ou melhor, deixar o aluno descobrir, o mundo em que vivemos com especial atenção para a globalização, e as escalas local e nacional, deve enfocar criticamente a questão ambiental e as relações sociedade-natureza (...), deve realizar constantemente estudos do meio (...) e deve levar os educando a interpretar textos, fotos, mapas, paisagens (VESENTINI,1995).


Tudo isso se resume ao que é defendido pelo PCN?s (1998:) "a Geografia é uma área de conhecimento comprometida em tornar o mundo compreensível para os alunos".
Trabalhar com as categorias de análise da Geografia é um item fundamental de qualquer currículo e são defendidos também nos PCN?s. Constituem categorias fundamentais: "espaço geográfico", "território", "lugar", "paisagem" e "região".
Assim, sendo o objeto da Geografia o espaço geográfico, a transversalidade da questão ambiental é de uma evidência notável. Não há como se praticar a Geografia sem considerar-se boa parte dos temas levantados na questão ambiental, afinal, o que se chama "Degradação do Meio Ambiente" e "Impacto ambiental" refere-se ao núcleo dos estudos geográficos, pois nesse caso está se falando da construção do espaço pelo ser humano. (BRASIL, 1998).
O "espaço geográfico", segundo Milton Santos (1997) é produto da história, cristalização de experiências passadas, do indivíduo e da sociedade corporificadas em formas sociais (sistemas de objetos e ações) e também configurações espaciais (território). O termo espaço refere-se à materialidade (sucessivas relações localizadas entre homem e natureza) e as relações sociais. O termo território refere-se ao domínio sobre a materialidade e relações sociais.
Tomando a sociedade como um dos objetos de estudo da Geografia, Corrêa aponta seus conceitos fundamentais "como ciência social a Geografia tem como objeto de estudo a sociedade que, no entanto, é objetivada via cinco conceitos-chave que guardam entre si forte grau de parentesco, pois todos se referem à ação humana modelando a superfície terrestre: paisagem, região, espaço, lugar e território."
Outros autores também enfatizam essas categorias, destacando sua importância para o ensino aprendizagem.
O conceito de paisagem deve ser abordado, propiciando não só uma descrição visível do lugar, mas como indica a geografia da percepção, uma composição mental resultante de uma seleção e estruturação subjetiva a partir da informação emitida pelo entorno, mediante o qual este se torna compreensível ao homem e orienta suas decisões e comportamentos, da qual se verifica os signos que estruturam a paisagem. Para o geógrafo Milton Santos (1997):

"A paisagem se caracteriza por uma dada distribuição de formas-objetos providas de um conteúdo técnico específico. (...) um sistema material relativamente imutável, considerada em si mesma é apenas abstração"

A região deve ser estudada como sendo imprescindível no conteúdo da geografia, relacionando-a a percepção do aluno frente às teorias do conceito de região.
Promover a discussão teórico-metodológica sobre o lugar na ciência geográfica ultrapassando a idéia de um simples conceito de localização, discutindo com o aluno os seus conceitos e noções subjetivas ligando-as ao conceito teórico.
Lugares são os espaços com os quais as pessoas têm vínculos afetivos.


"(...) O lugar é onde estão as referências pessoais e sistemas de valores que direcionam as formas de perceber e construir o espaço geográfico". O lugar é onde ocorre a relação homem-mundo" (SANTOS, 1997)".


Para que ocorra o aprendizado, como procedimento o professor deverá buscar formas para que o aluno chegue a explicação para as categorias e não apenas descrição. Ao tratar os temas para explicação de fenômenos locais ou globais deve-se lembrar que ambas as escalas interagem mutuamente.

2.7 O papel da educação

Focando o tema Educação e buscando compreendê-la melhor como elemento-chave na construção de uma sociedade baseada na informação, no conhecimento e no aprendizado. Trata-se também de formar os indivíduos para "aprender a aprender", de modo a serem capazes de lidar positivamente com a contínua e acelerada transformação do espaço.

O papel da educação é de nos ensinar a enfrentar a incerteza da vida; é de nos ensinar o que é o conhecimento, porque nos passam o conhecimento, mas jamais dizem o que é o conhecimento. ( ?) Em outras palavras, o papel da educação é de instruir o espírito a viver e a enfrentar as dificuldades do mundo. (MORIN, 2001).


A escola no seu papel educacional não deve omitir-se do compromisso das mudanças que priorizam a construção da cidadania, permitindo o cidadão refletir as diferentes facetas da conjuntura histórica social mostrando-se como um lugar propício para a formação democrática, contribuindo significativamente para o seu desenvolvimento crítico. Dessa forma, a construção dos saberes e da cidadania nos lembra Paulo Freire "Impregna de sentido tudo que nos rodeia".
Assim, a formação das novas gerações tem recebido crescente atenção na busca de métodos e procedimentos que eduquem para a tolerância, a criatividade, a flexibilidade, a curiosidade intelectual, a ética, a ecologia, sem abrir mão dos valores humanos, da cultura e do conhecimento até aqui acumulados. Na concepção de Morin (2001), "a educação é ao mesmo tempo transmissão do antigo e abertura da mente para receber o novo".
Então se faz importante o professor captar e fornecer ao aluno, as informações básicas e elementares para um acesso amplo do conhecimento geográfico atrelado a temas relevantes como: socioeconômicos, políticos e ambientais, para que de forma mais fiel e precisa, o aluno possa interpretar a realidade que o cerca, de forma a posicionar-se e atuar de forma critica e reflexiva no ambiente em seu entorno.
Os educadores têm grande responsabilidade na formação das pessoas que vão ter de lidar com uma realidade permeada de situações conflitantes entre o mundo natural e a organização social e se posicionar diante delas. Dessa forma, o papel dos educadores é o de desenvolver o conhecimento e a capacidade de julgamento consciente dos indivíduos que partilham uma mesma realidade (SEGURA, 2001 apud CANIVEZ, 1991)
É mister, o educador acordar que o conhecimento dos conteúdos geográficos, vão além da sala de aula, do professor e de seu material didático. A quantidade de informação que dispomos; faz-se presente dentro da responsabilidade conceitual, em que todo conteúdo destacado precisa de base e critérios para não se tornar vazio e irrelevante; mas envolvido com tudo que nos cerca e direcionado à sociedade e o que se passa com ela, diversificando condutas e ao mesmo tempo trabalhando as transformações vigentes. Nesta perspectiva que a Geografia é uma ciência do conhecimento comprometida em tornar o mundo compreensivo para os alunos, explicável e passível de transformações.
Do mesmo modo a abordagem das temáticas ambientais deve ter como princípio básico, o propósito de despertar nos jovens cidadãos a responsabilidade da construção do desenvolvimento sustentável, ou seja, um desenvolvimento justo e não-excludente.
É preciso mostrar para a juventude que a solução de problemas ambientais vai muito além da separação do lixo, da reciclagem de papel ou da economia de água ao escovar os dentes. Assim o lócus está em formar pessoas que, além de conhecerem o ambiente em que vivem, exercitarão a cidadania, cientes de que sua ação individual e a de sua comunidade têm efeito global;
É imperativo que a escola instrumentalize seu aluno, para este atuar de forma significativa no meio social. Contudo, a Educação enfatiza como condição necessária para as próximas gerações, quatro saberes fundamentais: aprender a aprender, aprender a fazer aprender a ser e aprender a conviver. Estas concepções demarcam um novo olhar sobre a função educativa: não mais a transmissão de conteúdos, e sim a formação de sujeitos cognitivos com competências e habilidades para enfrentar situações inesperadas, solucionar problemas inéditos, acompanhar o desenvolvimento do conhecimento em suas áreas de interesse e respeitar a pluralidade cultural planetária.


2.8 Da Teoria à Prática

Indubitavelmente, a preservação do meio ambiente revela-se fator de extrema importância para a humanidade. Assim como, neste mesmo contexto, a educação exerce a imperiosa função de contribuir para que o meio ambiente seja preservado. Diversas foram as leis, em especial no cenário da educação, que auxiliaram nesse processo de tentar conciliar desenvolvimento com sustentabilidade. Para Gadoti:

O desenvolvimento sustentável tem um componente educativo formidável: a preservação do meio ambiente depende de uma consciência ecológica e a formação da consciência depende da educação. É aqui que entra em cena a ecopedagogia. Ela é uma pedagogia para a promoção da aprendizagem do sentido das coisas a partir da vida cotidiana. (GADOTI, 2002, p. 79)

A LDB (1996), ao mesmo tempo em que promulga a universalização da educação ambiental, faculta também às Unidades Executoras de Ensino, a autonomia no que concerne às formas com que tal disciplina é ofertada no ensino regular.
A importância da educação ambiental, não reside na oferta da disciplina em si, mas na capacidade de tal tema/disciplina se inter-relacionar com as demais do currículo regular com o objetivo de promover uma conscientização ampla, capaz de educar o individuo para a convivência em sociedade de forma harmônica e auto-sustentável.
A distorção existente entre o que se pretende fazer e o que de fato é feito no ambiente escolar, provoca a ineficácia da ecoeducação, desestimulando o aluno, que não consegue relacionar os conteúdos teóricos apresentados com a realidade a qual está inserido. Para além da necessidade de ofertar tal disciplina, é necessário formar o profissional que a leciona; para que o fato desta ser uma disciplina transversal, não a faça uma disciplina optativa, para "completar" o currículo da escola e a carga horária de alguns professores.
A chamada educação Ambiental não contém uma especificidade, isolada, desconectada; ela só existe na estreita relação da produção de um fazer educação mais ampla com processos de transformação de toda a educação. Se a considerarmos não como uma construção teórica fechada/acabada, mas compreendermos sua inserção prática, sua existência condicionada ao fazer e ao interferir, verificaremos sua condição eminentemente interdisciplinar, construída na interseção de matrizes teórico-disciplinares, assentadas em leituras interessadas em novas construções pedagógicas/didáticas/escolares. (CASCINO, 1999)
O desafio que se coloca é de formular uma educação ambiental que seja crítica e inovadora, em dói níveis ? formal e não-formal -, devendo se acima de tudo um ato político voltado para a transformação social. O seu enfoque deve buscar uma perspectiva de ação holística que relaciona o homem, a natureza e o universo, tomando como referência a esgotabilidade dos recursos naturais e conscientizando-se de que o principal responsável pela sua degradação é o homem.
Nesse sentido, a análise da prática da EA na escola é importante à medida que procura desvendar a natureza do trabalho educativo e como ele contribui no processo de construção de uma sociedade sensibilizada e capacitada a enfrentar o desafio de romper os laços de dominação e degradação que envolve as relações humanas e as relações entre a sociedade e natureza. Interessa saber, assim, se a natureza do trabalho educativo favorece em maior ou menor grau a criticidade, a autonomia, a participação, a criatividade e o aprendizado significativo. Tomo como pressuposto, então, que a EA não é neutra e que sua prática visa promover uma mudança de valores a relação entre os seres humanos e destes com o mundo que os cerca. (SEGURA, 2001:.22)


3 ASPECTOS METODOLÓGICOS

O estudo foi do tipo qualitativo-quantitativo, proporcionando, em virtude da subjetividade do tema o estimulo a pensar e falar livremente, mediante dados descritivos, e ainda, intercalando à questionamentos diretos possibilita complementar as experiências e a realidade abordada, enriquecendo as constatações delineadas. Segundo Minayo (1993), considera a pesquisa como "atividade básica das ciências na sua indagação e descoberta da realidade. É uma atitude e uma prática teórica de constante busca que define um processo intrinsecamente inacabado e permanente. É uma atividade de aproximação sucessiva da realidade que nunca se esgota, fazendo uma combinação particular entre teoria e dados". Constitui, do ponto de vista dos objetivos, de caráter exploratório e descritivo, a fim de identificar as relações entre o conteúdo da Geografia e as práticas educativas relacionadas à Educação Ambiental nas séries finais do Ensino Fundamental da rede pública do município de Poções - Bahia. Sendo assim, propõe-se, investigar os aspectos teóricos e metodológicos que envolvem o ensino da Geografia vinculado às práticas de Educação Ambiental. Com base nos procedimentos, aplica-se o estudo de caso, onde dispor-se-à de diagnóstico de caráter objetivo/subjetivo aplicado aos professores da área de Geografia.

3.1 Local e sujeito da pesquisa

A pesquisa de campo foi realizada no município de Poções, estado da Bahia. Inicialmente foi levantada junto à Secretaria Municipal de Educação a relação dos professores com habilitação em Geografia que fazem parte do quadro docente das séries finais do Ensino Fundamental do município, a qual foi apresentada uma lista compondo um total de 11 professores, ressaltando o nível de formação e a lotação escolar. Para tal análise, constituíram como sujeitos de pesquisa 07 educadores da área que lecionam na rede municipal da referida cidade, uma vez que os demais professores não se encontram em sala de aula e/ou não compromissaram com a entrevista descritiva que lhes foram apresentadas.

3.2 Instrumentos de Coleta de Dados

Foi elaborado um questionário de cunho objetivo/subjetivo, estruturado em 05 questões subjetivas e 05 objetivas, o qual norteou a abordagem aos entrevistados e proporcionou traçar o perfil dos professores da área de Geografia do município, destacando elementos de seu trabalho docente com o intento de analisar a prática educativa desses profissionais, bem como a transversalidade com as questões ambientais.

3.3 Aspectos Éticos

Os informantes da pesquisa foram devidamente esclarecidos quanto aos objetivos do trabalho, ficando livres para participar, seguindo as recomendações da Portaria 196/96 do CNS/MS que envolve pesquisa com seres humanos.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A partir da relação dos professores habilitados em Geografia, verifica-se como descrito no gráfico abaixo, um total de 11 professores que compõem o quadro docente das séries finais do Ensino Fundamental do município. Destes, 09 encontra-se com nível de graduação completa e 02 incompleta. Para tal pesquisa, constituiu uma amostragem de 07 educadores da área, sendo que, 05 possuem graduação completa e 02 incompleta.

Figura 1: Perfil dos Professores do município com habilitação em Geografia


Dentre os conceitos de Educação Ambiental, está a definição oficial de Educação Ambiental, do Ministério do Meio Ambiente: "Educação ambiental é um processo permanente, no qual os indivíduos e a comunidade tomam consciência do seu meio ambiente e adquirem conhecimentos, valores, habilidades, experiências e determinação que os tornam aptos a agir ? individual e coletivamente ? e resolver problemas ambientais presentes e futuros". O CONAMA define a Educação Ambiental como "um processo de formação e informação, orientado para o desenvolvimento da consciência critica sobre as questões ambientais, e de atividades que levem à participação das comunidades na preservação do equilíbrio ambiental". A Lei Federal nº 9.795 define a Educação Ambiental como "o processo por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade" (art.1º, Lei Federal nº 9.795, de 27/4/99). Para a UNESCO "A educação ambiental é um processo permanente no qual os indivíduos e a comunidade tomam consciência do seu meio ambiente e adquirem conhecimentos, habilidades, experiências, valores e a determinação que os tornam capazes de agir, individual ou coletivamente, na busca de soluções para os problemas ambientais, presentes e futuros" (UNESCO, 1987).

Tendo em vista tais concepções, a pergunta inicial proposta no questionário de entrevista foi: O que você entende por Educação Ambiental? Em virtude dos conceitos apresentados, nota-se que os professores reconhecem a importância da Educação Ambiental, relacionando-a a preservação dos recursos naturais e geográficos e a formação socioambiental dos cidadãos presentes e futuros. "Educação Ambiental significa contribuir para o conhecimento dos elementos naturais, sua importância e a necessidade de utilizá-los racionalmente, promovendo a preservação e recuperação de suas fontes" (Profº 1). "Tem por objetivo exercer uma política de preservação ao meio ambiente por meio da conscientização e de práticas que visam por em práticas tal processo" (Profº 2). "A construção de conceitos que contribuam para o desenvolvimento das relações de equilíbrio entre natureza e sociedade humana" (Profº 3). "As práticas voltadas para o entendimento da relação entre sociedade e natureza na tentativa de educar o cidadão para a atuação consciente de uso, preservação e conservação dos recursos naturais" (Profº 4). "Educação Ambiental contribui para educar o homem no sentido de que, possa interagir na natureza sem causar danos a mesma e de maneira geral conscientizar o cidadão com relação às ações práticas no meio em que vive" (Profº 5). "Dentro de uma perspectiva Geográfica, a educação ambiental precisa e deve estar pautada nos princípios de preservação dos recursos naturais e também materiais, ou seja, todos aqueles que estão ao nosso redor" (Profº 6). "Creio que a Educação Ambiental é bem mais que uma disciplina curricular, pois ambiente é todo o nosso espaço de vivência e educar para a manutenção e sobrevivência do nosso espaço é educar para a vida. Por tanto Educação Ambiental é a arte da boa convivência com seu espaço" (Profº 7).

Em relação à relevância da urgência da temática ambiental na atualidade, a maioria dos professores relaciona a urgência de abordar as questões ambientais na atualidade com o capitalismo, a globalização e o consumismo. Adverte-se ao fato de que o mundo transformou-se após a evolução do capitalismo à Revolução Industrial, pois, com o ágil processo de fabricação, a indústria trouxe o desenvolvimento, o qual proporcionou a Globalização, que por fim leva a sociedade contemporânea ao consumismo alienado de produtos. "A temática ambiental é urgente, porque chegamos quase ao colapso, nesse sentido, a sociedade urbana industrial transforma a natureza em mero recurso e tem causado a degradação do meio ambiente em níveis alarmantes, portanto é necessário abordar a temática ambiental no seu sentido social, econômico, político e contribuir para a mudança dos hábitos que geram desperdício e degradação dos elementos da natureza" (Profº 1). "O capitalismo vem se expandindo consideravelmente, tal processo vem se concretizando por meio da globalização que vem gerando de forma intensa uma sociedade extremamente consumista, daí a necessidade de discutir as questões ambientais" (Profº 2). "Está em nosso cotidiano, na televisão, em jornais, no imaginário, no coletivo" (Profº 3). "Diante das práticas inadequadas de exploração dos recursos naturais e as contradições do modo de produção capitalista que impera nos países surge a necessidade de se (re)pensar as práticas humanas em relação no trabalho exercido sobre a natureza" (Profº 4). "Os problemas ambientais como: poluição dos rios, do ar e do solo, precisam que ações urgentes sejam implementadas, pois a cada ano aumentam e sem grandes resultados positivos para diminuir" (Profº 5). "Estamos passando por um momento de consumo sem precedentes e essa avassaladora onda de consumo está atingindo negativamente o nosso planeta, neste sentido tratar da questão ambiental é uma questão de sobrevivência" (Profº 6). "Partindo da idéia de que o urgente ocorre de forma tardia e atribulada conclui que a preocupação com o meio ambiente que está a beira do caos, gritando por socorro acontece devido a falta de cuidado e preocupação de nós homens com o nosso meio" (Profº 7).

No item questionado, como inserir os conteúdos de Educação Ambiental na sala de aula. As propostas metodológicas abordadas pelos professores vislumbram a inserção da Educação Ambiental em sala de aula tranversal não só ao ensino da Geografia, mas também interdisciplinar, trazendo a educação ambiental para dentro da disciplina, multidisciplinar, de forma a envolver várias disciplinas no trabalho com as questões ambientais e transdisciplinar, possibilitando uma abordagem que perpassa a escola, promovendo o despertar para os problemas ambientais local e global. "Quase todos, ou todos eu diria, conteúdos de Geografia possuem necessariamente um viés que permite inserir a temática ambiental. Então sempre é o momento de inserir a Educação ambiental, cada vez que se discute a importância dos solos, da vegetação, da água ou mesmo questões como urbanização, industrialização, etc. Através de textos, músicas, poemas, notícias de jornal pode se levar a conscientização que a educação Ambiental propõe" (Profº 1). "Através de discussões e debates em sala de aula, promovendo por meio de vários mecanismos metodológicos o despertar para tais questões" (Prof 2). Através de projetos ambientais e da conscientização dos alunos" (Profº 3). "Em sala de aula este trabalho esta voltado para a análise, discussão e propor soluções nas escolas, local, regional e global. É importante também procurar fazer um trabalho interdisciplinar buscando relacionar a questão ambiental com as diversas áreas do conhecimento" (Profº 4). Promovendo palestas sobre os problemas ambientais locais, para depois partir para uma escala global" (Profº 5). "Os conteúdos devem ser inseridos por meio de projetos que podem ser promovidos pela escola ou pelo próprio professor e em sala de aula" (Profº 6). "É preciso antes de despertar no aluno sua consciência ambiental, fazê-lo entender que o mesmo está inserido ao seu ambiente, e a sala de aula consequentemente será espaço de discursão sobre as temáticas ambientais, vejo ainda a necessidade de se estabelecer metas reais como ações reflexivas como exemplo limpar a sala de aula, plantar árvores nos entornos da escola ou até mesmo ouvir uma música que fale dos problemas e da beleza do meio ambiente" (Profº 7).

Em relação ao papel da geografia frente às questões ambientais, as respostas delineadas foram: "É importante tratar da construção e transformação permanente do espaço geográfico sem tratar necessariamente as questões ambientais. O papel da Geografia, portanto, é contribuir na formação de conhecimentos tratando a questão ambiental articulada ao fazer e ao viver humano num sentido amplo e, a partir daí, contribuir para a construção de idéias e práticas que contribuam na sustentabilidade" (Profº 1). "A geografia por estudar e tentar compreender o espaço, deve ter como um dos principais objetivos procurar despertar a sociedade para se voltar a questão ambiental, bem como a sua presevação" (Profº 2). "Analisar, sob o ponto de vista espacial, as relações existentes entre sociedade e natureza" (Profº 4). "A geografia como uma ciência que busca estudar e entender a sociedade e suas transformações, sem dúvida irá intervir nas questões ambientais e preocupar com a vida, bem como as estruturas ambientais que permite as condições de sobrevivência" (Profº 5). "O papel da geografia como ciência do espaço x homem é contribuir com uma sociedade melhor, um ambiente melhor, uma vida melhor" (Profº 6). "Discutir, esclarecer, provocar, pois a geografia tem como papel ler o mundo sobre tudo, estraí-lo do abstrato tornando-o concreto e o meio ambiente nada mais é do que todo o espaço que a geografia propõe estudar" (Profº 7).

A respeito da freqüência com que é inserida na prática pedagógica, as temáticas ambientais aos conteúdos de Geografia, todos os professores entrevistados responderam que sim, ou seja, que inserem frequentemente as temáticas ambientais em suas aulas de Geografia. Isso, devido à grande ligação que a ciência geográfica tem com as temáticas ambientais, pois, sendo a Geografia a ciência responsável pela reflexão e discussão destas temáticas leva a necessidade de associar esses dois saberes, bem como a grande relevância de discutir tal assunto na atualidade.

Os professores possuem concepções semelhantes quanto à relação da Educação Ambiental com o Ensino da Geografia, uma vez que as consideram entrelaçadas. Visto que, partindo do aspecto que a Geografia é a ciência que estuda o homem no meio ou no espaço, a relação entre ambas, está em analisar as conseqüências reais da ocupação e apropriação do meio pelo homem. Nesse sentido, privilegiam a geografia por ser uma disciplina que pode abordar as temáticas ambientais em seu temário conceitual (grade curricular), bem como por meio de projetos, palestras, buscando entender a espacialização dos fatos e fenômenos em escala local e global e vivenciar em aulas práticas de campo.

Tabela 1 ? Materiais freqüentemente utilizados para preparar as aulas de Geografia transversais às temáticas ambientais

1ª OPÇÃO 2ª OPÇÃO 3ª OPÇÃO
Manuais 1
Jornais e revistas 1 1 1
Livros com temática ambiental 2
Livro didático 6
Televisão 1 1
Internet 5 1
Artigos publicados em periódicos 1
Outros

Verifica-se que 85,68% dos entrevistados utilizam com freqüência, como primeira opção, o livro didático como referencial de pesquisa para preparar as aulas de Geografia transversais as temáticas ambientais e 14,28% jornais e revistas. Como segunda opção a maioria, cerca de 71,4% dos entrevistados utilizam a internet, seguida de televisão (cerca de 14,28%), jornais e revistas (cerca de 14,28%) . A terceira o opção, mostra 28,56% livros diversos que tratam a temática ambiental, e o restante encontra-se distribuída entre manuais, jornais, revistas, livros diversos que tratam a temática ambiental, televisão, internet e artigos.

Tabela 2 ? Metodologias preferidas e de maior prática para a abordagem das temáticas ambientais nas aulas de Geografia
1ª OPÇÃO 2ª OPÇÃO 3ª OPÇÃO
Saída de campo 1 1
Debates/simulações 2 1 2
Trabalhos de pesquisa 4 2
Jogos
Aulas tradicionais/expositivas 3 1
Outros 1

Figura 2 - Percentual das ações concretas dos professores em relação à prática de Educação Ambiental na sua escola



Nas aulas de geografia, os professores entrevistados abordam as questões ambientais preferencialmente utilizando como metodologia aulas tradicionais/expositivas 42,84% dos entrevistados, debates/simulações 28,56% e 14,28% saída de campo. A segunda opção de metodologia frequentemente empregada são os trabalhos de pesquisa cerca de 57,12%, 14,28% debates/ simulações e outras metodologias como exibição de filmes e músicas. Como alternativa na terceira opção, em empate as opiniões, 28,56% de cada, utilizam trabalhos de pesquisa e debates/simulações, o restante saída de campo e aulas tradicionais.

Segundo dados, todos os professores de Geografia entrevistados atuam em sala de aula de forma a conscientizar os alunos quanto aos problemas ambientais, seguida de orientação para o cuidado com o ambiente escolar e/ou realiza palestras e conversas com os alunos. Porém nenhum professor apresentou além dessas possibilidades de atuações apresentadas, alguma outra prática que tenha feito ou faz em sala de aula para o desenvolvimento do trabalho com Educação Ambiental.


Tabela 3 ? Opinião dos professores em relação aos itens que estão faltando para trabalhar Educação Ambiental nas escolas do município de Poções - BA


%
Preparação/formação dos professores 14,28
Ônibus para fazer excursões e pesquisas de campo 42,84
Conscientização 71,4
Fitas de vídeo 14,28
Maiores informações teóricas e esclarecimento sobre o assunto
Cursos de capacitação na área de Educação Ambiental 57,12
Apoio da comunidade e das autoridades 57,12
Lugar adequado na escola para trabalhar Educação Ambiental 14,28
Vontade política 42,84
Materia apoio da comunidade e das autoridades locais l didático 42,84
A implantação definitiva da Educação Ambiental na grade curricular 42,84
Laboratório prático 14,28
Outros


A maior parte dos professores entrevistados demarcou, além de outros itens, a falta de conscientização como fator principal que impossibilita o trabalho com Educação Ambiental nas escolas do município de Poções ? BA. Além deste, apontaram ainda, em sequência, a deficiência de cursos de capacitação na área de Educação Ambiental e o apoio da comunidade e das autoridades locais. Em seguida, a ausência de vontade política, a não implantação definitiva da Educação Ambiental na grade curricular e a dificuldade de adquirir ônibus para fazer excursões e pesquisas de campo.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O perfil dos professores de Geografia do município de Poções ? BA, frente às questões ambientais ilustra ao reconhecimento próprio da importância de se trabalhar uma Geografia voltada à formação socioambiental dos alunos, no sentido de despertar o habitual cuidado com o Meio Ambiente natural e geográfico e na concepção de promover a sustentabilidade das espécies, a partir de ações específicas e/ou locais. É evidente a consciência desses profissionais quanto à urgência de enfatizar na atual conjuntura as problemáticas ambientais e avançar no que diz respeito ao desenvolvimento consciente, crítico e reflexivo de cidadãos presentes e futuros.
A pesquisa revela que a prática pedagógica dos professores de Geografia do município em Educação Ambiental acontece concomitantemente ao ensino da ciência geográfica em sala de aula, uma vez que todos informaram introduzir com freqüência as questões ambientais transversais aos conteúdos da Geografia. Para tal atuação, o livro didático é o recurso mais usado para a elaboração e efetivação das aulas, seguido da internet. Ao mesmo tempo, a metodologia mais utilizada são as aulas expositivas acompanhadas de trabalhos de pesquisa. As abordagens ambientais vinculam a conscientização dos alunos quanto aos problemas ambientais e a orientação para o cuidado com o ambiente escolar.
Os professores mencionaram ainda que, os maiores impasses para desenvolver Educação Ambiental nas escolas do município são, a falta de conscientização daqueles envolvidos, assim como apoio da comunidade e das autoridades locais que não oferecem cursos de capacitação na área de Educação Ambiental e material didático e prático. O que demonstra que as atuações ambientais nas escolas entrevistadas, embora aconteça frequentemente atrelada aos conteúdos de Geografia, numa escala geral são superficiais, pois tais ações acontecem por empenho característico daqueles que fazem parte do corpo interno das escolas, faltando assim apoio expressivo externo, em relação à promoção da capacitação docente para a atuação ambiental e a disponibilidade de recursos específicos para as escolas, com a finalidade de desenvolver um trabalho ambiental amplo e significativo.
Em suma, é notório a relação da Educação Ambiental com a Geografia, desde sua origem como ciência à contemporaneidade trata da relação homem x meio, porém, no âmbito escolar, a abordagem dos temas ambientais deve ser prioridade de todas as disciplinas, pois para mudar pensamentos, idéias e atitudes, é preciso que aqueles que são os formadores de opiniões, tenha esse ideário, assim como uma postura ambiental, promovendo uma teoria voltada para ações concretas dentro e além do meio escolar. E fora da escola, cabe aos dirigentes promoverem políticas públicas educacionais de apoio instrucional e material aos educadores, para que esses profissionais possam suscitar mudanças de caráter ambiental no pensamento e nas atitudes de uma parcela significativa da população.

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Sobre este autor(a)
Professora de Geografia, licenciada pela Faculdade de Tecnologia e Ciências - FTC/Ead e especialista em Educação Ambiental pela Unidade Baiana de Ensino Pesquisa e Extensão - UNIBAHIA
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