Século XVII, Crise e Revolução na Inglaterra
 
Século XVII, Crise e Revolução na Inglaterra
 


A CRISE DO SÉCULO XVII, E A REVOLUÇÃO INGLESA                                                Luciano Braga RamosPalavra-chave:                                Revolução, burguesia, nobreza                                                  INTRODUÇÃOAlguns autores dão muita ênfase aos problemas ,militares como causa do enfraquecimento da nobreza e a possibilidade de ascensão da burguesia. O autor Eric Hobsbawm, (1998,) trás uma visão diferenciada, onde o autor procura fazer uma analise marxista dos fatores que colaboraram para a "crise do século XVII".CRISE E REVOLUÇÃO, PROBLEMAS CONJUNTURAIS NA SOCIEDADE INGLESA

A crise foi uma crise no aumento da superação das praticas econômicas feudais, onde o aumento das forças produtivas leva a desestruturação do modo de produção feudal, dando passagem ao capitalismo, porém um capitalismo mercantil que vai ser a base para a implantação do capitalismo industrial no século XVIII.

O autor em seu trabalho, questiona, porque a Revolução Industrial não encontrou terreno para se desenvolver no século XVI ? Entende-se que é justamente por ser um período de transição do feudalismo para o capitalismo, um momento em que a Expansão Marítima, aliada as medidas mercantilista, vão ser importante para o acumulo de metais, e é nesse acumulo de metais no século XVI, , que dá sustentação, fazendo nascer dentro do mundo feudal com sua economia de subsistência o capitalismo, que dando seus primeiros passos já se mostra desarticulador do sistema feudal.

Sendo assim o autor argumenta que para o capitalismo se desenvolver, a rigidez do sistema feudal terá que ser quebrada, entra muitos fatores que contribuíram para a crise podem ser analisados problemas como a formação das corporações de oficio, entravando a competição entre produtores, e sabemos que o capitalismo é estimulado pela competição. Também os mercados locais autárquicos e com uma mão de obra não assalariada, enquanto o capitalismo incentiva e somente possibilita ao proletário vender mão de obra, porem, um fator importante era que o sistema feudal produzia para a subsistência, e para o sucesso do capitalismo, era preciso estabelecer-se em sua base, a produção em massa.

Então conforme o autor só haverá uma saída para a crise quando , ou só houve uma saída para a crise quando o capitalismo implantar suas bases próprias (mão de obra assalariada, produção em massa e a intensificação de um comercio externo), pois a crise se deu por esse sistema ter nascido dentro de estrutura econômica e política feudal. Pois a Revolução de 1640 na Inglaterra foi uma via de mão dupla, originou-se na Crise do Século XVII, e foi a ascensão para o capitalismo.

Já para Paulo Miceli (1994) em seu trabalho "As Revoluções Burguesas" faz uma analise das condições materiais do povo na Inglaterra do século XVII e da França do século XVIII, embora um período separado por quase ou mais de cem anos, o autor enxerga ai motivos para que , dada a situação dos agentes históricos, estabeleça-se bases para um discurso revolucionário.

É claro queesse discurso revolucionário, dentro de uma perspectiva social estática, com levas de famintos e doentes, encontrou terreno fértil para suas idéias. Discurso esse que se sabe em ambos os casos partiu de uma burguesia ambiciosa por conquistar direitos políticos e econômicos pela queda do absolutismo.

Tentando sintetizar o que o autor quer mostrar, pode-se compreender que o panorama social, entenda-se povo, era caótico havia falta de alimentos como o pão que era à base da alimentação os preços era altíssimo, a expulsão dos campos pelos cercamentos fizeram as cidades aumentarem, e com a pressão demográfica pessoas se acomodavam em casas de um cômodo só, formando um ambiente propicio para doenças. Nesse contexto, muitos caiam em embriagues, e às vezes até para matar a sede, pois as águas dos rios já eram poluídas pelos resíduos das fabricas. Também a bebida era uma maneira de esquecer um pouco a miséria, e até se arranjava algum dinheiro com as garrafas vazias, sem falar nos corpos mal vestidos, pois muitos apenas portava uma muda de roupa.

Outro fator dessa realidade era a mendicância. Por todos os lados havia mendigos, a ponto de se criarem leis para a mendicância. Cada paróquia cuidava de seus mendigos, esses não podiam sair de seus locais de origem, e até mesmo se proibia de mendigarem com repressões e detenções, amputações e enforcamentos.

O que importa aqui e destacar que dentro desse contexto de miséria o capitalismo encontrava seus braços para o trabalho, uma reserva de mão de obra. Mas também uma massa de manobra importantíssima que devido a sua realidade social, estava aberta ao discurso burguês de dias melhores. Percebemos assim os sujeitos, os receptores, as condiçõesmateriais e espirituais dessas sociedades , Inglesa que é o nosso foco ,mas poderia servir para à francesa , e como esses fatores foram importantes para a possibilidade de se fazer "as Revoluções", ou seja não se faz revolução sem conteúdo social.

Se tratando da situação da Inglaterra para compreendermos seu desenvolvimento social `época da Revolução Inglesa, temos que lançar um olhar para os conflitos religiosos da época. A idéia protestante diferentemente da católica, ela é mais pratica atende aos interesses mais econômicos, se contudo desligar-se do espiritual. Não se pode dizer que os puritanos são menos crentes que os católicos por suas atitudes mais praticas, é pelo contrario, a questão da predestinação para aquela mentalidade era coisa seria, eles eram convictos de que os homens são predestinados e que suas medidas econômicas são para glorificar a obra de Deus. Pois nos temos que procurar ver essa idéia a partir da visão de mundo da época, a partir da visão dos puritanos daquele contexto, para não atribuirmos valores que são nossos para aquela época.

Pois se assim não fosse, como explicar o fanatismo religioso dos puritanos, e uma vida de privações. Como foi possível Cromwell recrutar e arregimentar seu "exercito modelo" dentro dessa perspectiva se essas pessoas não estivessem convictas de sua crença da quilo que para eles eram desígnios de Deus.

O puritano este é mais ligado a elementos calvinistas que elegem ou não, mas todos são criaturas de Deus, mas o eleito, ou seja o que tem posses, é porque Deus o quis assim, então o trabalho e o acumulo de lucro, é para manter o individuo a onde Deus o colocou, fazendo assim eles acreditam não estarem caindo na usura, mas sim, glorificando aquele que os escolheu.

Agora o protestantismo, por suas pratica colaborou para as nações que o adotaram, lançar-se à frente dos países católicos, que viram sua economia

travar na ética católica. Um exemplo disso é a Inglaterra.

Na obra de arruda (1998), entre os aspectos econômicos políticos e sociais, a dimensão econômica nos parece o ponto de partida para compreendermos os aspectos das demais demissões sociais dentro desse contexto trabalhado. A economia é o centro das transformações e que de certa forma vai influenciar diretamente nas mudanças das outras estruturas.

O período anterior ao período da Revolução Inglesa, dentro do século XVII é, o momento da própria "Crise do Século XVII". Economicamente o país vivia os entraves da economia de subsistência feudal, como já foi dito anteriormente, mas num momento de transição para o capitalismo que por sua vez encontrava entraves nas corporações, e nos monopólios concedidos a uma parcela da burguesia que apoiava o rei. Esses monopólios tornavam o custo de vida caro, principalmente aos pobres. Eram concedidos monopólios para o alume, arrenque, sal, lã, e produtos de primeira necessidade.

Anteriormente aos cercamentos, os servos levavam uma vida mais amena em relação à sua expulsão da terra. Pois tinha uma propriedade que passava para seus filhos, tinha habitação e alimento, e a proteção do senhor.

Porém na Inglaterra o rei sempre tratou com outros senhores como soberano, diferente da França onde o rei era suserano. Então para atender os interesses da burguesia o rei apóia os cercamentos e garante o apoio contra as ultimas casas feudais. Assim a criação de ovelhas passou a ser um atrativo para os ingleses, e com a crescente industria têxtil. Era preferível produzir lã e expulsar os camponeses, que por suas vez vão engrossar as fileiras de trabalhadores assalariados das cidades onde estão se desenvolvendo as indústrias. Thomas Mours, na Utopia, vai dizer, que a Inglaterra é um estranho país onde ovelhas devoram homens.

A base da economia vai ser a industria têxtil, as terras ocupadas com ovelhas, há uma diminuição na produção de alimentos tornando-se mais graves as condições de vida da população.

Outro setor que vai ser prejudicado com essas medidas era a pequena burguesia que não encontrava espaço para se desenvolver, pela conseqüência dos monopólios concedidos à alta burguesia que apoiava o rei. Com os cercamentos o rei acabava perdendo seus súditos, e então houve uma tentativa de controlar o processo de cercamentos, mas pouco mudou, levando o rei a cobrar mais impostos sobrecarregando outros setores contribuindo para minar as bases da monarquia.

Dentro da Inglaterra não se pode falar de uma nobreza homogênea, pois o que estava em jogo são os interesses comerciais. Havia uma nobreza conservadora, que apoiava o rei. Este encontrava apoio na alta burguesia. No Parlamento A Câmara dos Comuns era composta pela pequena burguesia, que encontrava apoio de uma nobreza empreendedora com interesses liberais, é neste seguimento que esta a disposição para uma mudança política e econômica. A economia já esta nas mãos da burguesia, porém a política era absoluta nas mãos do rei que concedia monopólios, cobravam impostos, descontentando parte da pequena nobreza e burguesia. A Coroa por sua vez acabou ficando na dependência de seus colaboradores, pois ela não tinha um acumulo suficiente de divisas e nem um exercito permanente, suas relações com os paises católicos, permitiu que paises como a Espanha prosperassem economicamente, a Holanda dominasse o transporte marítimo, isso limitava o crescimento da economia.

Já havendo liberdade econômica, no sentido de que os burgueses, e suas idéias capitalistas encontravam terreno, o importante agora no momento da Revolução de 1640, era buscar mais flexibilidade nas relações políticas, quebrando monopólios e privilégios. Por isso que a Revolução é uma encruzilhada para a ascensão definitiva do capitalismo, era necessário destruir os resquícios feudais que entravavam a economia, e estes estavam nas mãos do rei, não se queria num primeiro momento cortar a cabeça do rei, e nem destituí-lo do trono, mas perante a inflexibilidade real não se teve outra saída.

Pode-se dizer que as vésperas da Revolução, a economia estava entravada no absolutismo político, a burguesia que fez a revolução apoiada pelo povo, tinha interesses próprios, configurando-se após a guerra civil como uma Revolução burguesa, que esfria após seus objetivos políticos e econômicos serem alcançados, e ficando o povo diante de um processo que para ele pouco mudou sua situação econômica, de mão de obra para a industria têxtil e umas agriculturas capitalistas, que seguiram cheias de injustiças. Porém economicamente os dez anos de república colocaram a Inglaterra em posição de potencia no mundo, e seus resultados vão se concretizar com a Revolução Industrial.

Referência:

ARRUDA, José Jobson de Andrade. A Revolução Inglesa. SP: Brasiliense, 1988.

HOBSBAWM, Eric J. . A crise geral da economia européia no século XVII. In: Santiago, Do Feudalismo ao Capitalismo. SP: contexto, 1998.

MICELI, Paulo. As Revoluções Burguesas. São Paulo: Atual, 1994.

 
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Sobre este autor(a)
Licenciado em História ULBRA Gravataí, RS. Monitor do Laboratório de Arqueologia da ULBRA Gravataí, Bolsista de História, UFRGS, no estudo e reconhecimento de territórios quilombolas, no RS em 2008. Estudante de Pós-Graduação, em História do Rio Grande do Sul, UNISINOS, 2011.
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