O USO DE LINGUAGENS EM SALA DE AULA ? HISTÓRIA
 
O USO DE LINGUAGENS EM SALA DE AULA ? HISTÓRIA
 


A construção deste trabalho tentará alcançar os objetivos de mostrar a importância da utilização de linguagens novas no contexto escolar, facilitando a aquisição e a formação do conhecimento histórico bem como demais conhecimentos; utilizar filmes como meio de contextualização eficaz na busca de dar significado e de estimular os alunos a participarem mais ativamente do processo de ensino aprendizagem.
Diante das inúmeras dificuldades de transformar a sala de aula em um lugar atrativo e cumpridor do seu papel de local de construção de conhecimento, os educadores devem fazer uso de todas as formas possíveis que estimulem e dêem significado aos conteúdos e currículos trabalhados no ambiente escolar. Diante disso o emprego da linguagem cinematográfica traz consigo uma imensurável contribuição para se atingir o interesse esperado por parte dos alunos. Isso claro, diante de uma série de cuidados e orientações que fazem dos filmes parte integrante do processo de aprendizagem e não apenas uma forma de "enrolar as aulas".
A elaboração deste trabalho assim como a execução do plano de aula a ser exposto e trabalhado trará o domínio e o entendimento da importância do uso das diversas linguagens em sala de aula, ampliando os conhecimentos necessários para formação latu sensu oferecida por este curso, enriquecendo a minha pratica docente, especialmente no que tange a importância da reflexão para a seleção e elaboração de materiais e recursos didáticos.
Dentro do que será exposto neste trabalho, está à fundamentação teórica da importância de se trabalhar as diversas formas de linguagem, especificamente a linguagem cinematográfica na disciplina História em turmas do ultimo ano do ensino médio no que se refere a o período da ditadura militar dando ênfase a Guerrilha do Araguaia, sendo que esse episodio faz parte do passado dos alunos em questão, uma vez que a cidade onde esses alunos moram foi o local de atuação da guerrilha e de enfrentamentos entre exercito e revolucionários (São Domingos do Araguaia-Pa).
Para a composição deste trabalho serão utilizados estudos e pesquisas bibliográficas recomendadas pelos autores dos livros Ensino de Geografia "Pratica e textualizações no cotidiano" e "O Saber histórico na sala de aula" que estruturam as disciplinas ENSINO DE GEOGRAFIA E SUAS LINGUAGENS e o ENSINO DE HISTÓRIA E SUAS LINGUAGENS, além de pesquisas na internet, onde depois de feito todo esse estudo, será elaborado um plano de aula que contemple o uso de um filme que facilite o entendimento dos conteúdos a serem trabalhados e envolva de forma mais efetiva o aluno no processo de ensino aprendizagem.

REVISÃO TEÓRICA.

A utilização das novas linguagens em sala de aula, como suporte para se
Transmitir e produzir conhecimento aos alunos, está muito em voga nas discussões pedagógicas atuais principalmente as que resultam das novas tecnologias, dentre essas linguagens, será abordada o cinema, ou melhor, a reprodução dos filmes como fonte de análise e discussão em sala de aula e sua utilização no estudo da História.
O que motivou a escolha dessa linguagem cinematográfica (O filme na prática do ensino da História), é que, desde o surgimento da sétima arte, são inúmeras as películas que trazem como temática um acontecimento histórico. Algumas vezes como mero pano de fundo. Para contar uma estória (em sua maioria de amor) em outras, todo o enredo está direcionado para relatar a História propriamente dita, podendo ser não-ficcional (documentários) ou pura ficção.
É importante ressaltar, no entanto, que não é só com a História que o cinema mantém relação, nem é essa a única linguagem a qual deve ser utilizada em sala de aula. Muito pelo contrário, o filme é apenas um recurso num universo que vem crescendo e se desenvolvendo tanto quanto o mundo tecnológico e que deve ser aproveitado de forma intensa pelos educadores. Só que essa utilização deve ser diferente da que vem acontecendo atualmente. Os elementos eletrônicos devem servir para elevar o interesse dos alunos pelas aulas, além de torná-los pessoas mais críticas no meio que os cerca. Como afirma Pontuschka,
Paganelli e Cacete (2007 p. 59):

"Diante do Avanço tecnológico e da enorme gama de informações disponibilizadas pela mídia e pelas redes de computadores, é fundamental saber processar e analisar esses dados. A escola, nesse contexto, cumpre papel importante ao apropriar-se das várias modalidades de linguagens como instrumentos de comunicação, promovendo um processo de decodificação, análise e interpretação das informações e desenvolvendo a capacidade do aluno de assimilar as mudanças tecnológicas que, entre outros aspectos, implicam também novas formas de aprender".


Durante muito tempo o positivismo manteve a transmissão oral e escrita como pilares de sustentação da produção de conhecimento ficando o uso de imagens a margem do processo de ensino aprendizagem, sendo que no contexto de transmissão e recepção de conhecimento essa linguagem não atendia aos interesses de quem gerenciava os meios educacionais. Assim currículos e livros didáticos eram elaborados para promover os interesses ideológicos e econômicos da classe dominante.
Nas últimas décadas, tem-se observado uma modificação nestes parâmetros de ensino, cuja motivação encontra-se, principalmente, no advento de novos meios de comunicação que se inseriram ativamente no cotidiano da sociedade moderna, implicando numa mudança não apenas comportamental, mas de ações como um todo. Uma dessas ações encontra-se na inserção dessas novas tecnologias nas salas de aula.
Desse modo o espaço escolar não deve se excluir desse processo, uma vez que os alunos já estão inseridos na sua maioria num ambiente tecnológico onde muitos são os atrativos que os fazem mesmo que não seja de forma sistematizada adquirirem conhecimento.
Assim deve-se utilizar de forma crítica as imagens, afinal, são as formas mais antigas do homem representar o que pensa e o que sente. Sua validade no processo de aprendizado é inquestionável uma vez que envolve de forma efetiva os alunos e da mais significado a sua permanência no espaço escolar. É inegável o valor da linguagem imagética nos processos de aprendizagem atuais. O investimento cada vez maior no aprimoramento das produções cinematográficas e televisivas, sem falar nas inovações constantes no campo da informática (sites de pesquisa na internet, cd-roms, etc), fazem do audiovisual um auxiliar poderoso ao ensino. O aluno não se vê mais como mero coadjuvante no binômio transmissão-recepção de conhecimento. Agora ele pode estabelecer, junto com o professor, uma relação entre o que vê e o que ouve.
Porem ainda se sabe que o uso dessa linguagem ainda é coberta de receios e de discriminação por parte de professores que ainda não entendem os avanços tecnológicos como meios efetivos de se produzir conhecimento, pois ainda se prendem em praticas tradicionais que fazem da escola um ambiente sem atrativos e sem significado pros alunos.








APRESENTAÇÃO DO CONTEÚDO ESCOLHIDO.


A escolha do período da ditadura militar especificamente o tocante a guerrilha do Araguaia, teve como motivo o fato de ter de trabalhar esse conteúdo com os alunos do terceiro ano do ensino médio regular e explorar esse conteúdo no seu contexto local uma vez que a guerrilha do Araguaia ocorreu justamente na localidade onde esses alunos residem, sendo que, seus pais e avós foram personagens desse episódio negro da história do Brasil. Para a maioria dos alunos a guerrilha é assunto comum, porem as causas e motivos que culminaram com a guerrilha e seu combate por parte dos militares ainda não era entendida nem por alunos muito menos por grade parte da população dessa localidade. Como a violência sem limites foi uma das ferramentas usados pelo exercito para conter os revolucionários, muitos ribeirinhos e camponeses foram vitimas do aparelho repressor do estado sendo muitos deles torturados e mortos pelo exercito, isso faz desse assunto um tabu para os que viveram essa história a ponto do silencio ser ainda hoje fomentado pelo medo da população local uma vez que existem instalações permanentes do exercito na região.
Tudo isso atrelado a uma visita do governo federal junto com a comissão da anistia nacional e internacional a pequena cidade de São Domingos do Araguaia no sudeste do Pará para pedir desculpas oficiais do governo aos ribeirinhos e camponeses pelos atos absurdos de violência e humilhação cometidos pelo exercito em nome do Estado e ainda mostrar o resultado do julgamento de dezenas de pedidos de indenizações onde foram citados vários pessoas que seriam beneficiadas e seus parentes, pois muitos morreram sem serem indenizados, fizeram despertar ainda mais o interesse por parte da população sobre o que foi realmente a guerrilha do Araguaia e como ela se desdobrou e quais as suas conseqüências para a história daquela localidade.
Diante desse aparato de situações, a escolha desse conteúdo era mais que adequado para fazer da aula de história uma aula de vida e cidadania para esses alunos que ansiavam por conhecimento.





JUSTIFICATIVA DA ESCOLHA DA LINGUAGEM


Utilizar a linguagem cinematográfica em sala de aula é um meio muito que eficaz de envolver a atenção e o interesse dos alunos por determinado conteúdo ou assunto, sendo que para isso o professor deve seguir uma serie de métodos e meios que tornem essa pratica mais dinâmica e consientizadora, não transformando essa linguagem em um mero instrumento de transmissão mecânica do saber, desprovidos de análise crítica, o que acaba servindo a um propósito contrário ao projeto primordial da inserção da linguagem imagética em sala de aula. Como afirma Nelson de Luca Pretto (1996, p.136):

"obrigar o audiovisual, cinema, vídeo, televisão e, agora, as multimídias a entrar à força nas categorias preexistentes da educação é o mesmo que não utilizá-lo."

O conteúdo termina por tornar-se inútil, visto que a informação é somente fixada sem provocar o questionamento ou motivar a pesquisa. A função do audiovisual não é agir como mero suporte na transmissão tradicional do saber.
Assim o professor deve elencar alguns procedimentos ao utilizar filmes em sala de aula:
§ Analisar os fatores historiográficos contextualizados pelo cineasta;
§ Analisar os "fatos" e o tempo histórico explorado nos filmes para uma possível desmistificação de uma história positivista, dominante e, portanto, regionalista;
§ Observar como os grupos sociais, bem como, as contextualizações do lugar sociais são representadas no filme;
§ Perceber os filmes-documentários como elemento problematizador do conhecimento historiográfico;
§ Analisar qual conceito de História o cineasta apresenta na contextualização das tramas;
§ A relação entre cinema-história como instrumento para o ensino-pesquisa;
§ Aproximar os conteúdos historiográficos, através da cinematografia, com a vida cotidiana dos alunos.
Os alunos também tem de se perceber que toda produção humana seja ela escrita eu cinematográfica tem inserida nela a forma de pensar do autor, sua visão política e ideológica, nenhuma é isenta ou neutra, cabendo ao professor e aos alunos identificar essas tendências e não telas como verdades absolutas, pois essas em história não existem. Como defende Cabrini. (1994. p. 36)

"As transformações sociais se dão em um tempo diferenciado, num ?tempo histórico?, que deve exprimir e explicar essa mudança. É a esse tempo ? que chamaremos de tempo histórico ? que devemos ficar atentos e não somente ao que podemos chamar de tempo físico ou tempo cronológico. O tempo histórico exprime, explica o processo que sofre a realidade social em estudo".
Assim não se pode dissociar o filme histórico da realidade vigente, pois ele esta sempre condicionado ao presente.
Diante desse contexto a linguagem da sétima arte é uma das mais úteis e efetivas na formação do conhecimento histórico dos alunos, por ser multidisciplinar e por contemplar também o sentido da audição e outros vários recursos visuais que atraem muito mais os alunos do que as enfadonhas aulas expositivas onde o aluno sente-se cada vez mais longe do contexto histórico abordado.
O filme escolhido "Araguaia a conspiração do silencio" diante do que já foi exposto, reúne varias abordagens históricas do período da ditadura militar como a censura, tortura, violência, guerrilha urbana e rural, movimento estudantil e a critica situação de miséria e abandono da região norte daquele período. Podendo os alunos contemplarem a esfera local dando ainda mais significado a exibição, analise histórica e entendimento da historia nacional e local.
 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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