Milenares Xucurus-Kariri de Palmeira dos Índios
 
Milenares Xucurus-Kariri de Palmeira dos Índios
 


Milenares Xucurus-kariri de Palmeira dos Índios

 

                                                                        Thiago da Silva Claro

Resumo

Este artigo esta voltado para a descrição dos habitantes indígenas de Palmeira dos índios, estado de Alagoas. Os índios Xucuru e kariri: Analisar seus passos e compreender um pouco mais sobre sua cultura, crença, religião, hábitos, alimentação e costumes, que mesmo após a chegada dos europeus ainda se faz presente dentro da aldeia. Estes dados serão expostos de forma simples e transparente.

 

Palavras-Chaves: Indígenas, Alagoas, Xucuru Kariri e Habitantes.

 

 

Abstract

This article is intended to describe the indigenous people of Palmeira dos índios, Alagoas State. The Indians Xucuru and kariri: analyze your steps and understand a little more about their culture, belief, religion, habits, food and customs, that even after the arrival of Europeans still is present within the village. This data will be exposed in a simple and transparent.

 

Keywords: indigenous, Alagoas, Xucuru Kariri and inhabitants.

 

Introdução

            A cidade de Palmeira dos Índios localizada no agreste, situada no Estado de Alagoas ganhou este nome por conta de seus primeiros habitantes, os índios Xucuru-kariri. Hoje eles são parte fundamental na formação territorial da cidade.  

      Muito de suas descrições se perderam durante a colonização dos europeus, que a mercê dos brancos domesticados e escravizados, explorados. Com isso muitos morreram vitima do progresso.

Mas boa parte de sua historia e cultura se mantém viva através da oralidade. Hoje ela se faz presente na aldeia acompanhado o cotidiano indígena nos rituais, religião, culinária entre outros aspectos na formação da aldeia.

 

  1. 1.   História

         Aproximadamente a mais de dois séculos, a Coroa Portuguesa encetou no Brasil um novo período de colonização, ocupando e povoando os sertões nordestinos, principiou ainda a história de sofrimento dos indígenas, submetidos à crueldade do Europeu.

No século XVIII estabelecem-se duas tribos na atual cidade de Palmeira dos Índios, a Xucuru e a Kariri. Os Indígenas Xucuru-Kariri são resultado da fusão de duas etnias Xucurus e Kariri. De acordo com alguns historiadores alagoanos, os Xucurus de palmeiras dos Índios vieram de Cimbres, em Pernambuco, mas devido às secas e conflitos existentes no período da colonização os indígenas foram obrigados a se retirarem da região. Com isso, percorreram longos caminhos pelas matas até chegarem à Princesa do Sertão, Palmeira dos Índios, no estado de Alagoas.

           Os Kariris aos poucos foram se dispersando, por razão da seca e da invasão dos europeus. As famílias foram se abrigando em tribos menores, arquivando e perdendo suas tradições, maiormente o idioma.

Os xucurus viviam próximos aos Wakonãn, fugindo dos corsários brancos abandonaram suas aldeias, penetrando cada vez mais no interior em busca de refúgios, se fixando nas Grotas, principalmente na Serra das Palmeiras, com o proposito de viver livres da escravidão.

Na procura por aldeamento, preferiram muitos dos Kariris as plagas do sertão de Cimbres em Pesqueira e outros se fixaram na Serra da Capela, pertencente à sesmaria de Pernambuco, Santo Antônio e Garanhuns.

Os índios xucurus-kariri não possuem nenhum tipo de  escrita, sua historia é transmitida oralmente.

Presentemente os índios Xucurus-Kariri estão divididos em oito frações. São elas:

  • Aldeia Fazenda Canto.
  • Aldeia Mata da Cafurna.
  • Aldeia Capela.
  • Aldeia da Cafurna de Baixo.
  • Aldeia do Boqueirão.
  • Aldeia do Coité.
  • Serra do Amaro.
  • Monte Alegre.

 

  1. 2.   Catequese

A cidade de Palmeira dos Índios fazia parte de uma sesmaria de 30 léguas, concedida pelo governador geral do Brasil ao Desembargador Cristovam de Burgos no ano de 1661, que depois passo a pertencer ao Coronel Manoel da Cruz Villela. Mas depois de um século, chegando à Vila da Palmeira, aproximadamente em 1770 um Frei chamado Domingos de são Jose Chega às terras de Palmeira dos Índios, logo ganha à confiança dos nativos com isso os convence a erguer uma capelinha.

 No ano de 1773 foi oficialmente recebido em doação um terreno para a construção de uma capela em honra do Senhor Boa Jesus da Boa Morte, ao sopé da Serra de Palmeira, hoje designada serra da Boa Vista. Dessa forma foi facilitada a catequese dos índios que viviam na terra dando origem novas culturas.

     Provavelmente os índios Xukuru que migraram para a Serra da Palmeira já estavam catequizados, já que o início do processo de catequese dos Xukuru da vila de Cimbres promovida pela Congregação do Oratório inicia-se em 1683. Em 1746, havia 640 índios na aldeia de Ararobá, segundo autor anônimo. [...]” (Carrara, Douglas. Terra Indígena Xukuru-Kariri/AL, Alagoas 2003, p.23).

 

  1. 3.   Delimitação da terra

             Com a morte do Coronel Manoel da Cruz Vilela, a Sesmaria de Burgos passa a reportar-se a sua esposa D. Maria I, e seus filhos. A terra foi delimitada durante o império, com o auxilio de D. Maria I, pois havia em Palmeira uma capela na aldeia que abrangia a área de uma légua advinda por Palmeira de fora, em direção aos Guedes. Cujo terreno dos índios estava na delimitação. Porem os policiais daquele tempo não admitiram os índios tomar posse, que sem auxilio perderam suas terras.

De acordo com a Fundação nacional do índio – FUNAI. Baseando-se na autoria do relatório de identificação e delimitação da terra indígena Xucuru-kariri da antropóloga Siglia Zambrotti Dória de 17 de outubro de 2008.  “A terra indígena Xucuru-Kariri, localizada na cidade de Palmeira dos índios, estado de Alagoas possui uma população indígena de 1.337 habitantes. Seu perímetro aproximado alcança 9,763 km que contem uma área de 276,54 hab. Porem um grande numero de pessoas que se atribui identidade indígena vive fora das áreas rurais tradicionalmente habitadas por índios e seus descendentes, residindo na periferia
da cidade de Palmeira, ou mesmo nos municípios vizinhos, como Canafístula
e Igaci”.

“Em virtude de diferentes conflitos ocorridos em decorrência de assassinatos inter-famílias algumas famílias foram transferidas para outros estados, com assistência da FUNAI, gerando com isso perda populacional. [...]” (Carrara, Douglas. Terra Indígena Xukuru-Kariri/AL, Alagoas 2003, p.37).

  1. 4.   Colonização

Palmeira abonava boas terras propicias a exploração de cana-de-açúcar e também a cultura da época. Além da terra o europeu pretendia aprimorar a posse iniciada em 1500. A cobiça do português era desumana, tanto que não se importavam com os indígenas, somente com o que Palmeira tinha a proporcionar.

O índio foi derrotado, mas reclamava ter direito histórico sobre a terra, porem os senhores não reconheciam os direitos dos índios que infelizmente foram se apossando das terras dos xucuru-kariri.

Hoje por conta da cobiça do europeu a redução da cultura indígena acarreta a perda de mais da metade de suas crenças, fato que muitos indígenas fazem preces em outras línguas, mas não sabem nem o que estão pronunciando.

[...] os Índios falam apenas a língua portuguesa. Entretanto ainda lembram alguns vocábulos da língua falada pelos Xukuru e Kariri no século XIX [...].”  (Carrara, Douglas. Terra Indígena Xukuru-Kariri/AL, Alagoas 2003, p.33).

 

  1. 5.   Terra dos Xucuru - Kariri

Os xukuru-kariri são os grupos indígenas viventes em Palmeira dos Índios, chegaram na segunda década do século XXI.

Os descendentes dos indígenas que fundaram o aldeamento que deu origem a cidade de Palmeira dos Índios, foram expulsos de suas de suas terras, muitos permaneceram e lutaram pelo direito a terra no qual viviam a mais de cem anos.

“Os índios Cariris e Xucurus foram os primeiros habitantes do atual município, em meados do século XVII. Eles viveram em meio a um abundante palmeiral que constituía a vegetação local, razão pela qual o nome do município passou a ser Palmeira dos Índios [...].” (Oliveira, Alezy. História de Palmeira dos Índios, Alagoas 2008, p. 01).

 

  1. 6.   Crença e Religião

Os xucuru-kariri por não conterem na época qualquer tido alternativa muitos foram catequisados a força, com isso a aldeia possui religião católica. Claro que isso não os proíbe de cultuar sua crença.

“[...] os índios de Palmeira se dizem também católicos e batizam seus filhos na Igreja Católica. O próprio cemitério indígena atual, na Fazenda Canto, segue os costumes tradicionais cristãos.” (Carrara, Douglas. Terra Indígena Xukuru-Kariri/AL, Alagoas 2003, p.29).

O pajé conhecedor de ervas atuava continua atuando como líder religioso e curandeiro, tratando os enfermos com o preparo de remédios.

 

6.1       Terreiro

Eles reúnem-se em um local designado terreiro para poder colocar em pratica seus exercícios religiosos. Por este e outros motivos os indígenas fecharam suas cerimonias para o mundo limitando assim suas crenças.

No caminho para o terreiro os indígenas emitem urros sucessivos, em fila indiana. Ao chegar eles prestam veneração inclinando o corpo a Metra que é a mãe do terreiro.

“[...] As cerimônias que realizam no terreiro do "ouricuri" são consideradas privativas dos índios da mesma etnia. Excepcionalmente representantes de outras etnias são convidados a participar.“ (Carrara, Douglas. Terra Indígena Xukuru-Kariri/AL, Alagoas 2003, p.29).

6.2 Ouricuri

A dança oração mais respeitável dos xucurus-kariri é o Ouricuri, tanto que nenhuma mulher pode participar. O Ouricuri baseia-se em uma limpeza espiritual.            Esta cerimônia dura aproximadamente três dias. No Ouricuri os indígenas que participam não podem ter relações sexuais à noite anteriores, pois impede a sintonia com os quaquis. A vestimenta mais adequada para o Ouricuri é uma roupa de palha de fibra cobrindo totalmente da cabeça aos pés.

O instrumento empregado no Ouricuri é a maraca feita com o fruto de coité, que convém para marcar o ritmo dos canto-oraçoes. Já a flauta é composta de bambu e sua espessura pode variar de tamanho.

 

6.3 Entidades religiosas

Suas entidades religiosas são responsáveis pelo que advém em sua volta desde o plantio até a proteção de cada um individuo.

Os xucurus também acreditam em céu e inferno. Para eles o nirvana que é a verdadeira alegria depois da morte vincula-se rever os parentes falecidos.

 

     6.4 Cachimbo

O cachimbo não influi vicio, mas sim um contorno de purificação do corpo físico para o mesmo se encontrar ou receber os seres espirituais. O fumo do cachimbo é misturado com ervas: Juca, Maconha, Umburema, Alfavaca e muitos mais.

 

6.5 Bebida

A bebida indígena também obedece a um cerimonial religioso. Entre suas bebidas destaca-se o aluá e a quexá. Já os vinhos, destaca-se a Jurema ou Santa Maria cujo preparo é denominado sagrado, pois quem toma inevitavelmente terá visões do além.

  1. 7.   A alimentação

Os Xucuru-Kariri são bons preparadores de alimentos, pois antigamente, antes da chegada dos europeus eles tiravam seu sustendo da natureza.   A alimentação era por meio de legumes, hortaliças e até carne. Muitas das receitas são preparadas com mandioca e peixe frito.

Logo após a invasão europeia sua culinária foi se abafando e com isso recebendo influência da cozinha europeia.

Os indígenas também são bons preparadores de bebidas, pois aprenderam a fazer vinho da mandioca já que este é um legume abundante na região.

A bebida para as crianças era apenas uma combinação de mel ou rapadura. O que hoje se refere a um refrigerante.

 

  1. 8.   Mata da Cafurna

A  aldeia indígena Mata da Cafurna onde se encontra uma fração dos indígenas de Palmeira dos Índios é composta por três áreas que foram ocupadas em períodos distintos. Todas estão sendo habitadas pelos Xucuru-Kariri as quais também ocupam para plantações.

 Atualmente a aldeia possui uma escola chamada Escola Estadual Mata da Cafurna que oferece alfabetização e ensino fundamental I para as crianças da Aldeia. A escola foi atualmente reformada. Conta com um acervo de material de didático e um laboratório de informática.  A escola se encontra sobre os cuidados da diretora Tânia.

Já na mata da Cafurna onde se localiza uma fração de floresta atlântica conservada, Algumas nascentes constituintes da bacia do rio Coruripe se estende por todo o solo da floresta.

Realmente esta aldeia é um ótimo lugar para se habitar. Os moradores se encontram livres da poluição do ar e do movimento árduo do dia a dia na cidade.

Alem das vibrações positivas transmitidas através das belezas visíveis, pássaros como sabiá, bem-te-vi e guriatan nos permitem voltar em tempo onde todas as pessoas são iguais, e o preconceito não existe mais.

 

 Considerações Finais

Pode-se concluir que os Índios Xucuru-Kariri alem de constituírem a camada menos favorecida, foram os primeiros habitantes de Palmeira dos Índios. Sua historia enriquece o acervo cultural alagoano, mesmo que grande parte do registro Xucuru-kariri tenha sido apagada com a metade de seu povo durante a chegada dos europeus, muito do registro foi transmitido pela oralidade. Com o passar dos tempos os indígenas Palmeirenses foram escravizados, explorados e expulsos de suas terras. Hoje os Xucuru-Kariri continuam com a luta pelo direito de suas terras e prevenção de sua cultura. Povo este que deve ter por mérito nossa admiração e respeito.

 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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