Os detentores de Sá procedem de João Afonso de Sá, vassalo do rei D.Afonso IV e do rei D.João I, Senhor da Quinta de Sá, povoado existente no termo de Guimarães, onde é o solar deste sobrenome. Este apelido ?Sá? pertenceu à categoria de nomes que possuem origem habitacional, expressão usada para descrever aqueles nomes de famílias os quais tem sua origem no local de residência do portador inicial. Em alguns casos, tais nomes são derivados do nome da cidade ou região onde o portador original foi nascido ou residia. Na Europa medieval, antes que um sistema estruturado de sobre nomes fosse estabelecido, era prática comum o uso de um segundo nome, o qual servia como meio de distinguir pessoas que possuíam o mesmo nome de batismo. Com relação ao sobrenome Sá, derivado da Quinta de Sá, localizada no distrito de Guimarães, local de origem dessa família, uma das antigas referências a esse nome ou uma variante é o registro de João Rodrigues de Sá, nobre e militar português, falecido em 1390. Pesquisas continuam e esse nome pode ter sido documentado muito antes da data mencionada acima.
Portadores notáveis do sobrenome Sá foram, entre outros: João de Sá, descobridor português citado em 1497; Mem de Sá, nobre, conquistador e governador português no Brasil, falecido em 1572; Estácio de Sá, militar e conquistador português no Brasil, falecido em 1568; Salvador Correia de Sá (1594-1688), militar português que prestou grande serviço no Brasil e em Angola. Outra referência a este sobrenome é o registro de Ana Jovina de Sá, filha de José Caetano de Silva e Ana Perpétua de Sá, nascido em 1760, no Rio de Janeiro. As armas e o brasão dos Sá do Brasil foram concedidos já no Brasil pelas autoridades portuguesas por serviços prestados na colonização. O livro "Fazenda Panela D?Água - Genealogia dos séculos XVII-XX" de Marlindo Pires Leite (1994) traz dados sobre a família Sá afirmando que: "o principio desta família é bastante nebuloso, assim como a origem do apelido, que é da natureza geográfica e que uns autores definem como do solar a Quinta de Sá, no termo de Guimarães e outros assinalam em lugares diferentes." Parece que da série de gerações que se podem dar como mais prováveis, o ascendente de maior antiguidade que se conhece é Rodrigo Anes de Sá, casado com D. Maria Rodrigues de Avelar, pais de Paio Rodrigues de Sá, que se diz ter vivido no reinado de D. Diniz e que era muito herdado no conselho de Latões.
Este foi filho de João Afonso de Sá, que é o maior dos genealogistas e que dá como o primeiro da família, contemporâneo de D. Afonso IV e de D. Pedro I, senhor da Quinta de Sá, no termo de Guimarães, casado com D. Teresa Rodrigues Barreto, de quem teve filhos que seguiram o apelido de Sá e continuaram a linhagem. É possível que se tenha originado várias famílias do mesmo apelido em quintas ou em lugares diversos, mas a que alcançou maior notoriedadef oi a família de João Afonso de Sá, porque se encontram na literatura portuguesa do período trovadoresco, onde a realidade se mistura à ficção, em que constam alusões à figura da cortesã Maria Peres de Saa (do alemão: lugar; do português: chácara, solar ou sítio), uma camponesa entre as várias mulheres cortejadas pelo rei vaqueiro Dom Diniz, ou rei trovador, a quem doou a Quinta de Sá do Distrito de Guimarães, com a qual teve vários filhos fora do casamento real, entre eles João Afonso de Sá. Vários com o mesmo nome aparecem na corte portuguesa, mas entre eles empre figura o de João Afonso de Sá, antecedente do cônego Gonçalo de Sá, pai de Mem de Sá, 3º Governador Geral do Brasil e de mais 12 filhos com mães diferentes. Mem de Sá vem para o Brasil e traz consigo vários primos e sobrinhos, entre eles: Estácio de Sá, Felipe de Sá, Eduardo de Sá, Fernão de Sá e Salvador Correia de Sá, Governador da Bahia e outras figuras de destaque na História do Brasil as quais tratava-as de sobrinhos. Conta-se que, por motivo do sobrenome real não poder aparecer, os filhos eram assumidos com o nome de origem geográfica dele, da toponímia do lugar onde moravam ou do apelido da mãe. No caso de Peres deu origem ao sobrenome Pires que, por serviços prestados e ter acesso à corte ganhou privilégios e brasão de armas da nobreza portuguesa, além de direito à Morgados, Colônias e Quintas e o convite real para seus descendentes colonizarem as terras do sertão do Brasil.
É comum genealogistas pesquisarem as origens das famílias em documentos reais, entretanto, pelos registros dos que emigraram de Portugal para o Brasil, desde o Governo Geral de Tome de Sousa, percebe-se que a idéia de nobreza, em termos de linhagem, é preciso ser afastada para todos os portugueses que vieram com o objetivo de colonizar. Embora as famílias colonizadoras fossem compostas de pessoas dotadas de firmeza e vontade de melhorar de vida, não há indícios de que, as que vieram para o Brasil tivessem origem totalmente nobre ou pertencessem a alguma dinastia. As que tinham brasão de família o conseguiam prestando serviços ao reino ou por descendência bastarda de fidalgos com cortesãs e auxiliaries que frequentavam as côrtes, tanto na Espanha quanto em Portugal. Além disso, eram provenientes de camponeses e, muito raro, de diplomatas, os quais vinham para continuar a trabalhar com a mesma ocupação com a qual a família já lidava em Portugal,pois a profissão na época também era hereditária.
Sobre a família Sá de Salgueiro conta-se o caso de Manuel de Sá, filho de José de Sá Araújo e de D. Maria Carvalho (Carvalha), nascido na fazenda Canabrava, do atual município de Belém do São Francisco ? PE, então freguesia de Cabrobó, no inicio do século passado, que exerceu, segundo Antônio Araújo, a função de arrecadador de dizimo, desde jovem, por determinação da Igreja. Chegando à região de Jardim no Ceará, a serviço de sua missão, foi hospedar-se na casa do Tenente Antônio da Cruz Neves (Tonico), onde conheceu Quitéria da Cruz Neves. Casados vieram residir na fazenda Boa Vista, onde se dedicaram à criação de gado e à pequena agricultura.Seus filhos: Raimundo de Sá, Joaquim de Sá Araújo, Francisco de Sá, Mariana de Sá- de Belém, Antônio de Sá- do Cantinho e outros. Com a morte de Quitéria, Manoel de Sá casou-se em segunda núpcias com Cândida da Cruz Neves, filha de Tonico, sobrinha de Quitéria, de quem teve: João de Sá, Amâncio de Sá, de Terra Nova, D. Maria de Sá Neves, Donira, Generosa e Antônio de Sá.(Ver Genealogia da Panela D?Água, de Marlindo Pires).
De todos os seus filhos, destacou-se Raimundo de Sá, o menino que se perdeu na fazenda Boa Vista e foi encontrado, onde se acha hoje sua estátua. Esse fato levou quase ao desespero os seus pais que fizeram uma promessa com Santo Antônio,segundo a qual, se encontrasse seu filho com vida construiriam uma capela ao Santo e festejavam, por toda a vida. Assim surgiu Salgueiro, tendo como fundador Manuel Sá Araújo que construiu a capela e doou uma área de terreno para construir o patrimônio de Santo Antônio. Mas tarde, na idade adulta, Raimundo de Sá conseguiu em1864, a autonomia do município, tendo sido seu 1º Intendente, liderança equivalente a prefeito que conservou durante 32 anos. O outro filho que se sobressaiu foi Joaquim de Sá Araújo, o tenente Quincas, que, sabendo das atrocidades da Guerra do Paraguai contra o Brasil, incorporou-se a um contingente de voluntários e foi para a guerra, onde, brigou valentemente até a vitória final, voltando coberto de glórias, recebendo do imperador a Condecoração da Ordem das Rosas e com o título de Tenente.
Entretanto, são visíveis as relações entre as Famílias Alencar, Agra, Sá, Sampaio, Costa, Rodrigues, Silva, Correia, Rêgo, Sousa, Caetano e Pires (os antepassados eram vizinhos em Portugal, principalmente da Quinta de Sá, da Beira, e dos distritos portugueses de Guimarães, Santarém, Óbidos, Vigia e Viseu). Os Sá se associaram em Pernambuco aos sertanistas Caetanos Correias, Caetanos de Sousa e Sousa Mendonça, os quais saíram do Rio de Janeiro, percorreram Bahia e Minas e rumaram para o Norte do Brasil, especialmente para o Maranhão e Pará (Província do Grão ?Pará), com os objetivos de amansar índios para escravizar e buscar negros fugidos com a estratégia de fazer indígenas entrar em combate com tribos rivais para desocuparem as terras, permitindo assim a formação de cidades, ou seja, possibilitando a colonização,acontecendo com os Cariri,Carijó eTruká o mesmo que ocorreu com os Tapajó de Santarém e os Parintintins do Amazonas que foram dizimados pelos bandeirantes e sertanistas da mílicia portuguesa e da Guarda Nacional com a ajuda dos Munduruku.
Outras famílias vinculadas aos Sá foram: Coelho, Sampaio, Correia e Costa que foram para o Nordeste, principalmente, Bahia, Piauí, Ceará, Paraíba e Pernambuco. A maioria deles abriu fazendas, instalou capelas e os que eram da Guarda Nacional criaram suas dinastias, currais eleitorais, redutos e povoações de mestiços, negros e índios, espaços que se transformaram em importantes cidades, como: Cabrobó, Salgueiro, Petrolina, Ouricuri, Parnamirim, Terra Nova, Lagoa Grande e Exu. É comum associar-se à família Sá, os Rodrigues, os Pereira, os Carvalhos, Os Pires, os Leites, os Duda e os Zuza, pois além de seus antepassados terem origem na mesma região campesina de Portugal também vieram para o Brasil pela mesma razão: participar da distribuição de áreas abandonadas pelos primeiros capitães portugueses, cujas medidas ocupacionais alcançavam espaços rurais dos sertões do norte e nordeste, com os mesmos objetivos de preservar a religião católica e dedicar-se a algum ofício necessário à formação de povoados, tais como: plantar, bater ferro, serrar madeira, curtir couro, fazer calçados, tecer, costurar, construir residências e manter a ordem e segurança nas sedes das fazendas, profissões essas motivadoras de alguns apelidos que se tornaram sobrenomes oficiais, tais como: os Rodrigues (operário das rodas de engenho), os Nogueira (cortadores de nó ou toras de lenha), Leite (ordenhadores), os Pereira (agricultores), os Pires ou Peres (cozinheiros, copeiros),Carvalhos ( conhecedores da Floresta) etc .



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