AMÉRICA LATINA SEGUNDO O LIVRO AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA
 
AMÉRICA LATINA SEGUNDO O LIVRO AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA
 


Resumo

A pesquisa analisará os dados concernentes ao processo de colonização da América Latina, embasados nas obras de Eduardo Galeano (As Veias Abertas da América Latina), Tzavetan Todorov (A Conquista da América: a questão do outro) e Ruggiero Romano (Os Mecanismos da Conquista Colonial: os conquistadores). Feito isso, o artigo também lançará ao horizonte da crítica alguns pontos de vista deste trio de autores.

Palavras-chaves: conquista, colonização e exploração.

500 ANOS DE SUBMISSÃO

Eduardo Galeano, por ser um jornalista e não um historiador, não se preocupa em seguir uma linha cronológica e tece os seus comentários na formação de uma colcha de retalhos, que é a América Latina.
Na introdução de seu livro "As Veias Abertas da América Latina", Galeano afirma que "A história do subdesenvolvimento da América Latina integra a história do desenvolvimento do capitalismo mundial", quer dizer, os países ocidentais europeus, juntamente com os Estados Unidos, são o que são graças e exclusivamente a apropriação dos recursos existentes nos estados-nações latinos americanos, devido a sua forte e ininterrupta exploração. "O desenvolvimento desenvolve a desigualdade", Galeano.
Eduardo irá retratar com um olhar economicista, como se deu o encontro entre duas formas culturais tão díspares e com objetivos tenazes, longínquos e arraigados. Segundo o autor, os europeus vieram para a América pensando que haviam chegado à Ásia pela rota do oeste (Colombo morreu, depois de suas viagens, ainda convencido deste fato).
Os europeus desembarcaram em terras americanas na busca de metais preciosos, como um meio de pagamento para o tráfico comercial, uma vez que também a Europa inteira necessitava urgentemente de prata, visto que os filões da Boêmia, Saxônia e Tirol, já estavam quase exaustos.
Comparando a obra de Ruggiero Romano "Os Mecanismos da Conquista Colonial" com a obra de Galeano, percebe-se que tanto os castelhanos como os lusitanos, realizaram em um primeiro momento, uma conquista pelas armas ou espadas, uma vez que seus armamentos eram superiores aos dos indígenas. Apesar do número maior de índios, os europeus saíram vitoriosos, por terem armas melhores e por usarem táticas, cachorros e cavalos, que eram vistos como demônios pelos índios. Após esse triunfo, era preciso manter o domínio territorial e cultural, criando assim, o fator de la cruz. Vencidos corporalmente, os índios foram submetidos espiritualmente a uma nova religião, com tradições e traços culturais que não lhes pertenciam, objetivando o total domínio das povoações autóctones.
Ambos os autores são unânimes na sua avaliação de que a exploração extrema que foi imposta ao continente americano, sobre tudo América Latina e Central, são as raízes de toda a pobreza e miséria que o continente ainda enfrenta. Ainda seria possível dizer que é difícil estabelecer o preço de uma civilização em termos de valores materiais; mas aí se observa que ao simples nível dos bens materiais, a conquista lançou certas (apenas certas) premissas de um sistema econômico dos quais todos os defeitos, as inconsistências, as contradições ainda hoje são flagrantes. "O fracasso dos conquistadores também se faz sentir no nível social e econômico". Esta é a opinião de Ruggiero, apesar dele analisar os fatos de uma forma mais imparcial que Galeano, a visão de Ruggiero é a de um historiador, fundamentando suas conclusões em pesquisas e documentos, também por ser um autor de origem italiana, consegue ser mais imparcial. Já Galeano tem a visão muito mais crítica de um jornalista, expõe os fatos de uma forma apaixonada, é de origem uruguaia, portanto o "próprio herdeiro da pampa pobre", segundo suas próprias palavras "a história é um profeta com o olhar voltado para trás: pelo que foi e contra o que foi, anuncia o que será".
De acordo com Galeano, os espanhóis e os portugueses detinham as matérias-primas com as quais tanto cobiçavam, mas só por um tempo limitado. "A Espanha tinha a vaca, mas outros tomavam o leite", Galeano. Havia naquela época uma intensa disputa ou luta européia pela conquista do mercado espanhol que oferecia tanto o mercado como a prata da América. "Quanto mais comércio com os espanhóis tem um Estado, mais prata tem", Galeano. Com o passar dos anos a América tornou-se um negócio europeu, com uso de força de trabalho indígena, principalmente, nas minas como, por exemplo, Potosí. Essa exploração da economia mineradora deu um grande impulso às manufaturas britânicas, uma vez que favoreceu a Revolução Industrial e proporcionava meios para lutar contra as forças nascentes da economia moderna.
A economia colonial estava sustentada e regida pelos mercadores, os donos das minas e, os grandes proprietários de terras (latifundiários), que eram supervisionados pela coroa e por seu principal sócio, a igreja. A grande mão-de-obra disponível e o enorme consumo europeu por produtos e especiarias americanas, tornaram possível uma vultosa acumulação de capitais nas colônias ibéricas. Este dinheiro era desperdiçado nas construções de grandes palácios e templos ostentosos, na compra de jóias, roupas e móveis de luxo e ao desperdício em festas.
Essa forma de exploração mineradora, em Potosí, e agrícola (cana-de-açúcar, no nordeste brasileiro) rendeu bens e capitais, na visão de Galeano, somente para alguns países europeus e deixaram para trás milhões de índios mortos e os latifúndios, desgastaram as terras contribuindo para o processo de desertificação.
Relacionando Galeano com Todorov, ambos os autores afirmam que os europeus, desde Cristóvão Colombo, se sentiam superiores aos indígenas e faziam uso da alteridade não para se colocarem no lugar do outro, mais para impor os seus valores culturais aos demais. Portanto, a alteridade é revelada e recusada ao mesmo tempo pelos europeus para de conduzirem como indivíduos ou seres dotados de inteligência maior aos aborígines.
Em 1597, o papa Paulo 111 emitiu um comunicado a todos os juízes do território paraguaio, dizendo que os índios eram tão seres humanos como os outros habitantes da república. Mas, nem todos resolveram acatar as suas ordens. As terríveis condições de trabalho nas minas continuaram a matar muitos indígenas. A mita, trabalho forçado era uma máquina impiedosa de triturar e aniquilar os aborígines.
O ouro brasileiro mostrou-se de fundamental e vital importância ao progresso tecnológico inglês, agindo como uma força propulsora. Através do tratado de Methuen, de 1703, entre Portugal e Inglaterra, o mercado lusitano abria-se voltado ao mercado britânico, juntamente com as colônias as manufaturas inglesas. Portugal retirava o ouro do Brasil e o entregava a Inglaterra, convertendo-se assim, a um simples intermediário.
Sem esta tremenda e vultosa acumulação de reservas metálicas, a Inglaterra não teria podido enfrentar, posteriormente, as forças militares de Napoleão. Ao Brasil, nação de grandes riquezas minerais restou somente, após o período áureo, recordação da vertigem do ouro, para não mencionar os buracos das escavações e as pequenas cidades abandonadas.
De início, como não foi encontrado ouro em terras que viriam tornar-se o Brasil, Portugal deu vida a imensos canaviais no litoral úmido e quente do nordeste brasileiro. Como diz Galeano, "Imensas legiões de escravos vieram da África para proporcionar, ao rei do açúcar, a forças de trabalho numerosa e gratuita que exigia: combustível humano para queimar." O nordeste do Brasil tornou-se a zona mais rica do território. Esse lugar de tamanhas riquezas atraiu multidões até ser descoberto ouro no núcleo central de Minas Gerais.
Na visão de Galeano, o açúcar brasileiro arrasou o nordeste, convertendo essa faixa úmida do litoral, bem regada por chuvas, muito rica em húmus e sais minerais em uma região de savanas. "Naturalmente nascida para produzir alimentos, passou a ser uma região de fome", Galeano.
Galeano continua realizando levantamentos em sua obra, dentre eles destaca os castelos de açúcar sobre os solos queimados dos estados-nações da América Centra e Sul. Diz que a exploração feita pelo plantio de cana-de-açúcar, cacau, café, algodão e seringueiras, levou a um desnível social gigantesco. Em muitos países, o açúcar era a memória da humilhação.
Muitos indivíduos, por se verem inseridos nesse processo corruptivo e porque não dizer, humilhante, criaram transformações nas estruturas sociais vigentes, provocando um período de habilitação às novas mudanças. Exemplos disso foram a Revolução Mexicana, a Revolução Cubana e a Revolução Peruana.
Esta fase negra, hoje vista e perceptível da América Latina, não foi simplesmente a custa dos países europeus. Os Estados Unidos, com cara de bonzinho, contribuíram para deixarem a sua marca danosa e maligna nos países latinos americanos. Industrialização financiada pelo tráfico de negros, os EUA tornaram o que são hoje graças e exclusivamente a manipulação e exploração econômica, política e social que realizaram em todos da América do Sul e Central. Utilizaram de artimanhas políticas para controlar Cuba, através da produção de açúcar, até a revolução cubana. E enquanto os EUA forem a maior economia planetária, nenhum outro país da América tornará desenvolvido, devido haver a necessidade de importação e exportação que ditam as leis do mercado mundial, com suas regras econômicas.
Na época da exploração sem limites, o ciclo da borracha mostrou-se outro meio pelo qual era possível subtrair bens materiais das colônias ibéricas. Alguns estudiosos calculam que meio milhão de nordestinos sucumbiu às epidemias, a tuberculose e a beribéri na época do auge da goma. Acostumados a regiões áridas, encontraram em plena selva amazônica, pântanos de seringueiras, recheados de febre. E não só febre, também os aguardavam, na floresta, um regime de trabalho bastante parecido com a escravidão. O trabalho pagava-se em espécies de artigos de subsistência até que o seringueiro saldasse suas dívidas, milagre que raras vezes ocorria. Em 1913, de um só golpe, o desastre abateu-se sobre a borracha brasileira: o preço despencou.
Até os princípios da década de 50, a América Latina abastecia as quatro quintas partes do café que se consumia no mundo. A concorrência do café robusta, da África, de qualidade ruim, mas de preço baixo, acabou reduzindo a participação latina americana nos anos seguintes.
Os europeus e norte-americanos iniciaram a voracidade ao chocolate. No Brasil, o cacau deu trabalho aos camponeses do nordeste. O Brasil desfrutou por um bom tempo do preço favorável do mercado internacional, lucrando, obviamente. Não demorou, porém, para encontrar sérios competidores no continente africano. Por volta da década de 20, Gana tornou-se o maior exportador de cacau.
Com a abolição da escravidão, permaneceram em territórios latinos americanos grandes latifúndios. Estes concentravam riquezas em mãos de poucas pessoas. Era, portanto, necessário criar a primeira reforma agrária da América Latina. "Frustração econômica, frustração social, frustração nacional: uma história de traições sucedem à independência. A América Latina desgarrada por suas novas fronteiras, continuou condenada a monocultura e a dependência", Galeano. Essa reforma agrária ocorreu no Uruguai, com José Artigas, liderando o movimento que encarnou uma revolução agrária. Contudo, a intervenção estrangeira acabou com tudo aquilo que Artigas tinha idealizado e posto em prática. A oligarquia levantou a cabeça e vingou-se passando por cima da legislação e invalidando as doações de terras.
Desde então, vem se tentando com um grande grau de falsidade e hipocrisia, realizar reformas agrárias em alguns países da América Latina. O México tentou por longos anos e com interferências norte-americanas contínuas, realizar o tão sonhado objetivo. Mas, com a presidência de Lázaro Cárdenas (1934-1940), foi feita a reforma agrária e a população recebeu créditos, educação e meios de organização para o trabalho.
Tentando responder a uma velha pergunta relacionada à economia da América (por que as colônias do norte americano são ricas enquanto as do sul são pobres?), Galeano salientará que com relação à matriz colonial, na realidade, no norte e sul, tinham produzindo sociedades pouco parecidas e a serviço de fins que não eram os mesmos. No norte da América não tinha ouro nem prata, nem civilizações indígenas com densas concentrações de população já organizadas para o trabalho. Em virtude do clima e pelas características dos solos, não ofereciam a metrópole uma produção para complementar as necessidades européias. Esses fatores, segundo o autor, contribuíram para a consolidação dos Estados Unidos, como um sistema autônomo, voltado para o mercado interno, e não para os quereres das metrópoles da Europa, acumulando a riqueza em seu próprio cerne.
Os EUA não possuem recursos naturais que lhes permitam uma sobrevivência sem necessitar de importações feitas, principalmente, da América Latina. Os norte-americanos importam à sétima parte do petróleo que consomem. Compram a quinta parte do cobre que gastam. Essa dependência externa crescente, em relação aos fornecimentos, faz com que os EUA invistam em recursos minerais mesmo fora de suas fronteiras, com o objetivo de manter a sua própria segurança.
Devido a sua influência, os EUA passaram por cima de governos, para, de certa forma, terem acesso àquilo que eles queriam e que era e é essencial ao seu progresso desenvolvimentista: recursos minerais a todo custo. Para Simon Bolívar, enquanto os países latinos americanos não se unirem em só Estado político, não deixaremos de servir-nos aos interesses dominadores dos EUA.
Para Hegel havia determinadas nações que conduziriam as outras ao caminho da liberdade, daí a importância desta para a história do mundo. Mas para Galeano há nações que se desenvolveram mais que outras e passam a monopolizar o mercado externo e obriga os países menos industrializados a servirem as suas vontades, principalmente, com matérias-primas. Um exemplo foi o acordo militar assinado com os Estados Unidos, em 1952, que proibiu o Brasil de vender as matérias-primas de valor estratégico ? como o ferro ? aos países socialistas. E devido a estas necessidades, provocaram o regime militar brasileiro que entregou o ferro e todo o resto a uma empresa norte-americana.
O petróleo continua sendo o principal combustível dos países que pões em marcha o mundo contemporâneo, uma matéria-prima de crescente importância para a indústria química e o material estratégico primordial para as atividades militares. Galeano afirma que os países ricos ganham muito mais por se darem ao trabalho de consumi-lo, do que os países pobres em produzi-lo. Galeano argumentará em sua obra que cabe a estes países subdesenvolvidos latinos americanos nacionalizar as reservas petrolíferas, pois do contrário, os impostos deixados nesses países produtores por multinacionais, são mínimos, pequenos e baixos. O Uruguai foi o primeiro país que criou uma refinaria estatal da América Latina, 1931. Eduardo dirá que o petróleo não provocou somente golpes de estado na América Latina, mais desencadeou uma guerra, a do Chaco, de 1932 a 1935.
De volta aos países europeus, a máquina a vapor, o tear mecânico e o aperfeiçoamento da máquina de tear amadureceram a revolução industrial na Inglaterra. A economia britânica pagava com tecidos de algodão os couros do rio da Prata, o guano e o nitrato do Peru, cobre do Chile, o açúcar de Cuba, o café do Brasil. Enfim, do ponto de vista de Galeano, a Inglaterra industrializou-se financiada nos recursos latinos e percebeu aqui, um mercado para consumir os seus produtos industriais. A Inglaterra se aproveita dessa zona de consumidores e proporciona todo capital necessário para melhorias internas no Brasil, fabricando todos os utensílios de uso prático, do alfinete ao vestido mais caro.
A guerra em que o Brasil, Uruguai e Argentina (tríplice aliança) travaram contra o Paraguai aniquilou a única experiência com êxito de desenvolvimento independente. O Paraguai foi à única nação em que o capital estrangeiro não tinha deformado. O governo do ditador mão de ferro Gaspar Rodríguez de Francia incubou na matriz de isolamento, um desenvolvimento econômico autônomo e sustentado. Francia apoiou nas massas camponesas para esmagar a oligarquia paraguaia, conquistando a paz interior e estendendo um rigoroso cordão sanitário frente aos antigos países do vice-reinado do rio da Prata.
Por volta de 1865, o Paraguai contava com uma linha telegráfica, uma ferrovia e uma boa quantidade de fábricas de materiais de construção, tecidos, lenços, papel, e tintas, louça e pólvora. A balança comercial mostrava um superávit grandioso. Tinha uma moeda forte e estável e dispunha de suficientes riquezas para realizar enormes inversões públicas sem recorrer ao capital externo. "A esponja imperialista não absorvia a riqueza que o país produzia", Galeno. O país praticava um zeloso protecionismo. Porém, à medida que o Paraguai ia se desenvolvendo ou avançando neste processo, sua necessidade de romper a reclusão se tornava mais aguda, visto que, o Estado não queira ajoelhar-se ante aos mercadores britânicos. A Inglaterra se sentindo incomodada, com o progresso paraguaio, utiliza-se da tríplice aliança para aniquilar e destruir as bases desenvolvimentistas paraguaias e iniciou a matança demoníaca.
Com o término da guerra de Secessão, houve a vitória dos centros industriais do norte, que defendiam a todo custo o protecionismo, sobre os plantadores de algodão e tabaco no sul, que eram adeptos do livre cambismo. As operações militares de conquista que arrebatavam ao México mais da metade de sua superfície, também contribuíram e muito para o progresso com as matérias-primas, indispensáveis a industrialização norte-americana.
Atualmente muitos países ou nações da América Latina se encontram em um estágio de desenvolvimento tecnológico que podemos dizer que são países industrializados. Dentre eles, destacam-se o Brasil, que teve uma industrialização tardia, a Argentina e o México. Mas as filiais das grandes corporações saltam de um pulo as barreiras aduaneiras latino americanas, paradoxalmente levantadas contra a concorrência estrangeira e se apoderam dos processos internos de industrialização. Exportam fábricas ou, frequentemente, encurralam e devoram as fábricas nacionais já existentes.
"A exploração não acabou", como afirma Galeano. Não faltam políticos e alguns técnicos dispostos a demonstrarem que a invasão do capital estrangeiro industrializador beneficia as áreas aonde irrompe. A diferença do antigo com este novo imperialismo, implica uma ação em verdade civilizadora, uma bênção para os países dominados, de modo que pela primeira vez a letra das declarações de amor da potência dominante de turno coincidiria com suas intenções reais. Segundo Galeano, "A industrialização da América Latina se identifica cada vez menos com o progresso e com a libertação nacional. A burguesia industrial da América Latina ocorreu à mesma coisa que acontece com os anões, chegou à decrepitude sem terem crescido". O crescimento fabril da América Latina fora iluminado através de órgãos externos como, por exemplo, o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A industrialização nesses países subdesenvolvidos não foi resultado de uma política planificadora em direção ao desenvolvimento nacional, nem ocorreu à maturação de forças produtivas, nem resultou de revoluções entre os latifundiários e um artesanato nacional. Para Galeano, "A indústria latino americana nasceu do próprio ventre do sistema agro exportador, para dar resposta ao agudo desequilíbrio provocado pela queda do comércio exterior". Já em contrapartida, tanto nos EUA como na Europa, a burguesia industrial apareceu em um outro contexto histórico de outra maneira cresceu e passou a consolidar o seu tamanho e incalculável poder.
Durante a era militar brasileira houve contínuas desnacionalizações de várias empresas, justificadas para adequar o mercado interno ao externo. Desse grave erro cometido, as maiores empresas e que lucravam mais no território do Brasil, são estrangeiras. A colocação em prática das receitas do Fundo Monetário Internacional serviu para facilitar que os conquistadores estrangeiros entrassem pisando em terras arrogadas e aptas a receberem filiais transnacionais. Em toda a América Latina, o sistema produz muito menos do que necessita consumir, e a inflação resulta desta impotência estrutural. O FMI lança suas cargas de cavalaria contra as conseqüências, arrasando ainda mais a mesquinha capacidade de consumo do mercado interno.
O capitalismo dos dias atuais, em seu centro universal de poder, é composto por extensos monopólios privados que, ao mesmo tempo em que capitalizam alguns países, destroem economicamente nações que dependem da economia e tecnologia de Estados dominadores. No meio a tudo isso, não existe caridade internacional, pois a ajuda externa desempenha uma função interna, se ajuda a si mesma. Para Galeano, muitas adagas, com venenos mortais, brilham sob a capa da assistência aos países pobres.
De acordo com Galeano, a industrialização não altera a organização da desigualdade no mercado mundial. Os investimentos imperialistas na área industrial na América Latina não modificaram em absoluto os termos de seu comércio internacional. Por pressão do Banco Mundial e do FMI, temos várias universidades e faculdades que formam grandes mentes, porém, são exportadas. "Damos-nos ao luxo de proporcionar aos Estados Unidos nossos melhores técnicos e cientistas mais capazes, que emigram tentados pelos altos salários e as grandes possibilidades abertas, no norte, a pesquisa", Galeano.
Relacionando Antony Giddens com o autor Galeano, fica-se evidente que ambos concordam que a modernidade desconsidera e alonga as fronteiras de todas as nações. E esse alongamento mostra-se claro, com relação aos Estados Unidos que integraram as nações latinas americanas, para manipular e controlar melhor as suas zonas territoriais, para que atendam as todas as suas necessidades.

GALEANO, Eduardo. As Veias Abertas da América Latina. 5º ed. Editora: Paz e Terra. São Paulo, 1978.

TODOROV, Tzavetan. A Conquista da América: a Questão do outro, 3º edição. Editora: Martins Fontes. São Paulo, 2003.

ROMANO, Ruggiero. Os Mecanismos da Conquista Colonial: Os Conquistadores, 3º edição. Editora: Perspectiva. São Paulo, 2007.
 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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