Os oleiros da minha rua

 

Eles saem bem cedo,

Andam que nem camelos,

Estrada a fora brincando,

Suas funções são oleiros.

Um adjunto de oito,

Meninos iguais nos trajes,

Saem de manhã bem cedo,

Voltam ao cair da tarde.

Eu procurava e não via,

Marmitas nas mãos oleiras,

O que os meninos comiam,

Eu interrogava à incerteza.

Um dia os acompanhei,

Por um quilômetro de estrada,

E vi que os meninos comiam:

Abios, jenipapo e goiabas.

Despreocupados e fagueiros,

Coiceando que nem jumentos,

Amassam o barro da vida,

Sem demonstrar sofrimento.

Sem garantias, sem sindicato,

Sem carteira, sem documentos,

Talvez por ventura constem

De algum recenseamento.