Estamos todos mortos!

Ao amor nenhuma porta,

Nem a mínima fração do universo!

 

Toda emoção ficou encerrada

Em um único monossilábico verso:

O mais silencioso da última poesia.

 

O sentimento desfigurou-se,

Foi posto à margem, ultrapassado

Pela mecanização do coração humano,

 Ora entorpecido; cruel máquina fria!

 

Às lágrimas sentidas ausência de nexo,

Afinal, o dinheiro e o sexo

Dão a tônica destes novos dias!

 

Regozijarmo-nos com o outro

É besteira, futilidade, pura fantasia!

O amor, já quase ridicularizado,

É superada fraqueza dos nossos ancestrais.

 

O prazer de ter, sentir prazer e nada mais

Confina-nos numa tola e aparente comunhão.

Não importam mais as dores, as nossas feridas.

 

Tentamos seguir entre as máquinas ambulantes

Sem flores, nem tempo de sorrir.

Próximos, mas distantes uns dos outros

Definhando-nos burramente,

Quando assim pensamos nos construir.

 

Aos poucos, morremos

Sem palco, nem história!

Da existência sumiremos num instante.

 

 E faleceremos sem despedida

Anônimos, atônitos e mecanizados!

Urgentemente e sem sequer havermos provado

Do  gosto mais pleno da humana vida.

 

 

 

 

Revisado por Editor do Webartigos.com