Será?

Será que se fosse amanhã, seria melhor do que hoje?                                                             Por que não deixar para amanhã quando terei mais tempo para decidir, para resolver  o que e como fazer? Talvez seja o  mais certo. Talvez...   Por que não?

Descontente que era, estava sempre a se questionar, sempre a querer que tudo fosse bem diferente do que a ele se apresentava.

A  indecisão o acompanhava desde sempre, era sua companheira de caminhada. Fazia parte de seus dias, que se apresentavam distorcidos, trazendo sempre as mesmas dúvidas. Nunca respondidas. Nunca.

Estava sempre a querer saber, que se realmente deixasse algo para amanhã, talvez fosse a melhor maneira de resolver o que o acabrunhava, embora não entendesse quais as razões que o levavam a ter esse pensar, esse sentimento de incerteza. Seria a falta de confiança em si mesmo? Na vida? No outro?

Um dia a mais seria suficiente para resolver suas pendencias há tanto tempo acumuladas, conseguir dosar sua ansiedade, fazê-lo manifestar-se com as palavras que pensava serem as mais certas? Será?

Ao ler um livro, cuidava de grifar o que mais lhe chamava a atenção. Quem sabe um dia precisasse ler novamente essas palavras... Mas esse dia nunca chegava e se chegasse não se lembraria em que página de que livro foi. Onde será que estariam aquelas palavras que chamaram tanto sua atenção?

Gostava de olhar vitrines sempre a imaginar que aquela roupa que tanto queria, poderia ser comprada quando estivesse mais magro, ou quando fosse a uma festa onde precisasse mostrar seu melhor exterior. Mas acontece que essa roupa vestiria outros corpos, que não deixavam  a compra para ser feita num outro dia.

Era um eterno sonhador, que sequer sabia que quando seus sonhos fossem realizados, dariam lugar a outros mais. E então sonhava com o amanhã, enquanto o presente dele se distanciava a olhos vistos. Eram sonhos e mais sonhos presentes em sua vida, sonhos que ao chegarem ao primeiro lugar da fila, eram colocados de volta ao lugar de onde nunca deveriam ter saído. Vida feita de procrastinações infindas.

Por que não se contentava com a realidade tal qual ela se apresentava e resgatava  a alegria, a aceitação? Por quê? Não sabia, ou não queria saber?

Será que precisava criar novos hábitos, mudar seu estilo de vida e fazer as substituições necessárias para manter-se no presente? Será? Mas como?

O protelar fazia parte de seus dias, vazios de uma análise clara e objetiva, que o fizessem entender os seus porquês, sem se melindrar, e lhe dessem plena certeza de que cada dia deve ser vivido antes que o outro se apresente. Cada um no seu tempo.

Ou não?