* Artigo escrito e publicado em 2010

Em outro artigo, publicado sob o título “Vida Extraterrestre: Uma Certeza, Não Uma Hipótese”, defendo veementemente a existência de seres em outros mundos. No mesmo texto menciono a existência do projeto SETI (Busca por Inteligência Extraterrestre, na sigla em inglês), que utiliza ondas de rádio subespaciais para tentar contato com outras civilizações, ficando, entretanto, tal possibilidade condicionada às mais diversas questões de tempo e distâncias astronômicas. E são justamente tais condições de tempo e distâncias astronômicas que levam muitos cientistas, com razão, a duvidar do fato de o nosso planeta ter sido ou estar sendo visitado por alguma inteligência extraterrestre. Afinal, se a civilização tecnológica mais próxima estiver a uma distância de muitas centenas ou milhares de anos-luz (e levando-se em conta que, além do fato de até hoje ninguém ter conseguido refutar Albert Einstein em suas considerações sobre a relatividade e a velocidade da luz, é bastante improvável que alguma forma de vida animal, inteligente ou não, viva tanto tempo), no nosso caso os contatos por meio de viagens interestelares são virtualmente impossíveis, não se podendo, por conseguinte, acusar o governo americano de estar ocultando a existência de OVNIs. Entretanto, várias pessoas na comunidade científica especulam sobre a vantagem temporal que civilizações mais avançadas teriam sobre a nossa. Uns falam que estariam milhares ou milhões de anos à nossa frente, ao passo que outros dizem que seria de até um bilhão de anos. Tempo, portanto, nada modesto para se criar tecnologias que subvertam as leis físicas de tempo e espaço. Supondo-se, então, que tal possibilidade realmente tenha ocorrido (bem como se a civilização mais próxima com capacidade de exploração espacial estiver a uma distância astronomicamente curta, em que seja possível o contato por meio de viagens interestelares sem a subversão das leis físicas), e que os relatos de avistamentos oriundos de todo o mundo sejam, de fato, verídicos (especialmente o chamado “Caso Roswell”, em que um suposto OVNI caiu no deserto do Novo México, EUA, no final da década de 1940, tendo os militares americanos classificado os destroços encontrados como um balão meteorológico) é bastante provável que o governo dos EUA tenha conhecimento de fatos absolutamente impressionantes, e que, assim, SETI seja apenas uma fachada para encobrir os contatos anteriormente realizados. A Hipótese de Ocultação de OVNIs Muitas pessoas se perguntam por que, na hipótese de haver OVNIs em poder dos dirigentes dos EUA, os mesmos se negam a fazer tamanha revelação. O que temem se dita informação vier a público? Inicialmente, cabe afirmar que o mais antigo e eficiente meio de controle social não é o Direito ou a repressão, mas sim a religião. Desde o momento em que nosso cérebro passa a crer em um deus onipotente que exige a observância de certas normas de conduta, somos biologicamente condicionados a segui-las, vez que há o íntimo medo da inevitável e infalível punição, que nem sempre o Direito é capaz de aplicar. Além do mais, as normas religiosas são, no contexto da odisséia histórica humana, a base para a formação do Direito laico, razão pela qual freqüentemente se confundem, funcionando a religião como controle de conduta subsidiário e mais eficiente que a lei. Assim, há a transmissão de valores religiosos desde a infância, já que a formação da personalidade é de difícil alteração posterior, de tal modo que a crença recebida e aprendida nos primeiros anos de vida faz com que muitas pessoas se abstenham de cometer toda sorte de delitos – inclusive a desobediência civil - não por receio da lei, mas pelo temor àquele deus. Nos EUA, país cujo surgimento e identidade nacional se devem à fuga, da Europa Ocidental, de protestantes aspirantes à liberdade de culto, a religião é um dos pilares sociais mais valorizados, e, então, para a maioria de sua população a existência daquele deus está indissociavelmente vinculada ao seguimento de uma doutrina ditada pela religião. Portanto, um dos sustentáculos da manutenção da religião como chama viva do cotidiano americano, e, conseqüentemente, doutrina de controle das massas, foi bastante estimulado no governo republicano de George W. Bush: o obrigatório ensino, em muitas escolas, do Criacionismo (descrito na Bíblia e segundo o qual há um Criador que fez o homem “à sua imagem e semelhança”) como fundamento maior da existência da vida, em oposição à Teoria da Evolução, que é alvo de constantes ataques por parte da extrema-direita religiosa, em um selvagem debate que envolveu questões éticas, individuais e jurídicas, como o direito à liberdade de religião (ou de não tê-la) e de expressão. Criacionismo x Evolução, eis o âmago da questão. Conseqüências da Revelação Após uma viagem às Ilhas Galápagos, no Equador, verificando que ali havia animais não encontrados em nenhuma outra parte do mundo, o cientista britânico Charles Darwin publicou, em 1859, o clássico “A Origem das Espécies”, em que afirmava serem as formas de vida descendentes de um ancestral comum, mas diversas por terem se adaptado, interna e externamente, aos mais variados e mutantes ambientes com o escopo de sobrevivência e transmissão de seus padrões genéticos a uma geração posterior, ou seja, evoluíram para não serem eliminadas pelo duro mecanismo da Seleção Natural (assim, aquelas que não conseguem evoluir para a devida adaptação são, em seguida, eliminadas). A Teoria de Darwin provocou muita polêmica, com acirrados defensores no meio científico e inúmeros detratores remanescentes de quaisquer correntes religiosas por contradizer a dominante aceitação do Criacionismo, enquanto que, segundo a própria Teoria Evolutiva, o homem não escapa aos mecanismos da Evolução, descendendo de símios. Considerando que a Teoria da Evolução (intrinsecamente associada à Seleção Natural) esteja correta, não é razoável afirmar que é uma característica exclusiva do nosso planeta. Em todos os bilhões de mundos onde existe vida a mesma sofrerá idênticos percalços para sobreviver e prosperar. A revelação, portanto, da presença extraterrestre na Terra seria o triunfo definitivo da Evolução sobre o Criacionismo, eis que: (a) a existência de inteligência diversa da nossa sepultaria o que resta de antropocentrismo, e, por conseqüência e para muitas pessoas, a crença de que Deus fez o homem “à sua imagem e semelhança”; (b) se Deus não nos fez, e nem a inteligência extraterrestre, à sua imagem e semelhança, resta somente o recíproco surgimento pela Evolução. Então, os sistemas religiosos entrariam em colapso. Sem um deus, sem norma moral para a maioria, significando a implosão da identidade nacional dos EUA, vinculada à religião. Com as sagradas escrituras invalidadas, as massas ficariam incontroláveis pela ausência de um referencial, sua desobediência civil imperaria e só o Direito não seria capaz de contê-las. Seria o fim do Estado americano, e, em várias outras partes do mundo, dos mais diversos Estados nacionais como os conhecemos e o início, nos mencionados locais, de uma Era atéia. Não é irônico imaginar que pode ser a descrição perfeita de “Apocalipse”, da Bíblia? P.S. Hoje, a maior parte dos europeus acredita que a Evolução foi guiada por Deus, não enxergando, necessariamente, uma dissociação entre ciência e religião. Sua crença é dupla e simultânea.