O presente trabalho tem por objetivo descrever sobre o ensino das Libras como língua materna para o aluno surdo, uma vez que o professor deve estar ciente de que o aluno surdo deve aprender primeiro a língua de sinais, para depois aprender a língua portuguesa.

As línguas de sinais, assim como as línguas orais, também apresentam todas as propriedades inerentes às línguas humanas. Elas são flexíveis, pois podem referir-se a qualquer tempo ou coisa; são arbitrárias, porque em muitos sinais não há nenhuma explicação clara para a relação entre as suas formas e os seus respectivos significados. A Língua Brasileira de Sinais não deve ser estudada tendo como base a Língua Portuguesa, pois as línguas de sinais não são derivações das línguas orais auditivas, elas possuem uma gramática específica e independente.

Democratizar a Libras garante ao surdo a possibilidade de reconhecimento e legitimação desta forma de comunicação, desprezando formas impositivas de padronização. Cabe ressaltar, também, que a utilização das Libras propicia que os surdos se compreendam também como comunidade com características comuns e que deve ser reconhecida como tal e uma vez, democratizada, não existirá barreiras entre surdos e ouvintes.

Embora, a Língua Brasileira de Sinais tenha sido reconhecida pela lei 10.436/2002 como segunda língua oficial do Brasil, o professor deverá alfabetizar o aluno surdo primeiramente, na língua de sinais e posteriormente, na língua portuguesa.

Neste sentido, Guarinello destaca:

 

[…] para que as crianças surdas venham adquirir a língua de sinais como primeira língua, é necessário que elas sejam expostas a usuários competentes dessa língua, ou seja, adultos surdos fluentes, que vão responder tanto pela exposição como pelo ensino da gramática para as crianças e seus pais, que, em 95% dos casos, são ouvintes. (GUARINELLO, 2007, p. 48).

 

No entanto, na maioria dos casos, as famílias dos alunos não sabem Libras e por conseguinte, não ensinam para as crianças nos primeiros anos de vida e até mesmo depois quando estes começam a frequentar a escola.

Goldfeld, aborda a importância da aprendizagem da Libras no ambiente familiar, que deve acontecer nos primeiros anos de vida das crianças surdas para que esta possa interagir e dialogar de forma ampla:

 

Aquilo que a criança ouvinte pode aprender informalmente, ouvindo os pais conversando, assistindo a televisão ou por intermédio de outros informantes, a criança surda deve aprender pelo diálogo direto ou observando outras pessoas conversando em Libras. (GOLDFELD, 2002, p. 166)

 

Observamos que quando o aluno surdo ingressa no ambiente escolar, ele não tem uma língua base como referência, não sendo, deste modo, fluente na língua de sinais. Portanto, o ensino das Libras é primordial e determinante, uma vez que propicia as relações sociais, constituição da identidade e a aprendizagem dos conteúdos curriculares ministrados pelos professores.

Por derradeiro, a Libras é entendida como língua natural, pois as crianças surdas adquirem na infância de maneira espontânea, sem que haja treinamento ou ensino específico. A língua favorece aos surdos a estruturação do pensamento, o acesso ao conhecimento de mundo, a aprendizagem dos conteúdos curriculares. A aprendizagem da língua de sinais deverá efetivar-se nos primeiros anos de vida, pois assim a língua poderá trazer benefícios tanto para os próprios surdos quanto para a dinâmica familiar e escolar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

FERREIRA BRITO, Lucinda. Integração social e educação de surdos. Rio de Janeiro: Babel, 1995.

GUARINELLO, A. O papel do outro na escrita de sujeitos surdos. São Paulo: Plexus, 2007.

KARNOPP, L. B. Língua de sinais e língua portuguesa: em busca de um diálogo. In: LODI, A. C. B. (orgs) Letramento e minorias. Porto Alegre: Mediação, 1999.

QUADROS, R .M. Educação de Surdos – Aquisição da Linguagem. 1º Edição. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

_______________; SCHMIEDT, M. L. P. Ideias para ensinar português para alunos 

surdos. Brasília : MEC, SEESP, 2006.

RANGEL, G.M.M.; STUMPF, M.R. A pedagogia da diferença para o surdo. In LODI, A.C.B.; MÉLO, A.D.B.; FERNANDES, E. Letramento, bilinguismo e educação de surdos. Porto Alegre: Mediação, 2012.

LIDIANE DA SILVA XAVIER - Graduada em Pedagogia; Especialista em Educação Infantil e professora na Rede Municipal de Ensino Público na cidade de Rondonópolis. 

RAQUEL SANTOS SILVA - Graduada em Letras; Especialista em Educação Infantil e professora na Rede Municipal de Ensino Público na cidade de Rondonópolis.

VALQUIRIA RODRIGUES DIAS- Graduada em Pedagogia (UFMT); Especialista em Psicopedagogia (UNISERRA) e professora na Rede Municipal de Ensino Público na cidade de Rondonópolis.