O presente artigo almeja, por meio da pesquisa bibliográfica, refletir a história da educação dos surdos, analisando o contexto histórico e social, desde a antiguidade até os dias atuais.

A história dos surdos e da educação dos surdos evolui continuamente apesar de vários impactos marcantes, no entanto, vivemos momentos históricos caracterizados por mudanças, turbulências e crises, mas também de surgimento de oportunidades e tudo isso, contribui para o fortalecimento de conquistas importantes da comunidade surda, uma vez que é preciso conhecer e refletir sobre a história de um povo.  

Desta forma, a ênfase se dará na história da educação dos surdos, posto que, o surdo é visto, atualmente, como um sujeito comum com uma singularidade linguística que deve ser respeitada e valorizada a partir do uso de sua língua natural, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), em se tratando de território brasileiro.

Assim, conhecendo e entendendo o panorama histórico e educacional, analisar-se-á Leis Federais que definem a educação especial e que foram elaboradas no intuito de garantir às pessoas com deficiência o direito a educação na rede regular de ensino, bem como, a especificação sobre como deve ser realizado o atendimento às essas pessoas (em especial, aos surdos).

Em linhas gerais, visa mostrar que, durante muitos anos, os surdos sofreram os mais variados tipos de preconceito e crueldade impostos por uma sociedade excludente e, só depois de muitas lutas em busca da valorização da identidade surda, asseguraram-se, através de leis, direitos exclusivos a eles.

Os fatores sócio-históricos da educação dos surdos, trazem uma grande contribuição para a história da comunidade surda, pois reconhecem o sujeito surdo como alguém que travou diversas lutas ao longo da história, mais que vem conquistando os seus direitos e garantias pela conquista de espaço na sociedade e por intermédio da legislação.

Para compreendermos sobre os aspectos socioculturais da comunidade surda é preciso analisarmos a trajetória histórica na educação das pessoas surdas, que é marcada pela dualidade da comunicação; uma vez que, alguns defendem o uso da língua oral, outros, o uso da língua de sinais e há quem defenda o uso das duas línguas em sistemas bimodais ou em bilinguismo.

Segundo KUBASKI (2009), a aquisição da língua de sinais vai permitir à criança surda, acessar os conceitos da sua comunidade, e passar a utilizá-los como seus, formando uma maneira de pensar, de agir e de ver o mundo. Já a língua portuguesa, possibilitará o fortalecimento das estruturas linguísticas, permitindo acesso maior à comunicação.

Desse modo, independentemente do tipo de escola que o aluno surdo esteja inserido, este tem direito a uma metodologia que atenda às suas necessidades e para que isso ocorra, o professor deve trabalhar com estímulos visuais para que o aluno se aproprie de todos os conceitos.

Observa-se na pesquisa que a história da educação dos surdos ao longo dos anos, foi narrada e escrita por ouvintes e não por pessoas surdas, ou seja, eles são coadjuvantes de sua própria história.

No Brasil, a educação dos surdos é reconhecida dentro do cenário da inclusão escolar, que segundo Sassaki (1997, p. 81), postula uma reestruturação do sistema de ensino, com o objetivo de fazer com que a escola se torne aberta às diferenças e competente para o trabalho com todos os educandos.

Durante a história da educação dos surdos, essa educação passou por duas fases: a primeira, Oralista, tinha como objetivo obrigar o surdo a falar e não era permitido que eles utilizassem a língua de sinais em nenhum tipo de ambiente. A segunda fase foi o Bimodalismo ou Comunicação total, em que era permitido o uso da língua de sinais e a língua oral ao mesmo tempo, no entanto, o principal objetivo era o ensino da Língua Portuguesa.

Na atualidade, a luta da comunidade surda é pela proposta da educação bilíngue, que tem como objetivo uma educação de qualidade, onde os conteúdos são ensinados na primeira língua do surdo (L1), Língua de Sinais (LIBRAS) e a Língua Portuguesa como segunda língua (L2).

A proposta bilíngue, segundo Quadros (1997; p. 32 e 33), consiste em trabalhar todos os conteúdos na língua materna do aluno surdo, ou seja, LIBRAS, e trabalhar a língua portuguesa em momentos específicos das aulas, com leitura e escrita da língua.

O pressuposto do bilinguismo é que o surdo deve adquirir a língua de sinais como língua materna, ou seja, como língua natural, e a língua oficial do país como segunda língua (GOLDFELD, 2001).

Nesse sentido, Quadros contribui dizendo que: “Quando me refiro ao bilinguismo, não estou estabelecendo uma dicotomia, mas sim reconhecendo as línguas envolvidas no cotidiano dos surdos, ou seja, a Língua Brasileira de Sinais e o Português no contexto mais comum do Brasil.” (2000, p.54).

Destarte, frente a conquistas políticas de âmbito nacional, estadual e municipal, avanços podem ser observados; porém, o cotidiano escolar é desafiador, incluindo falta de recursos humanos qualificados, de estrutura física, de apoio tecnológico, de reflexões pedagógicas, de condições de permanência dos alunos nas escolas.

Pensar, propor e discutir a educação de surdos requer esforços coletivos, estabelecendo-se diálogos e negociações entre as diferentes frentes que pensam a educação de surdos: comunidades surdas, lideranças políticas, educadores, educandos surdos, pesquisadores etc..

Desse modo, para que o surdo possa ter voz e assumir o seu papel dentro de sua própria história, é necessário desenvolver pesquisas e encampar lutas para garantir os direitos dos sujeitos surdos.

 

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BRASIL MEC/SEESP. Educação Especial. Língua Brasileira de Sinais. Série Atualidades Pedagógicas - Caderno III. Brasília/DF, 1997.

FELIPE, T.  A. e MONTEIRO, M. S. Libras em contexto: programa Nacional de Apoio à Educação de Surdos, curso básico. Brasília, MEC: SEESP:2001 

Fernandes, Sueli. Língua Brasileira de Sinais: Libras. Curitiba: IESDE Brasil, 2018.

FERNANDES, Sueli. Educação de Surdos. 2ͣ ed. Curitiba: Editora IBPEX, 2011.

GESSER, Audrei. Libras? Que língua é esta? - crenças e preconceitos em torno da língua de sinais e da realidade surda. São Paulo: Parábolas Editorial, 2009.  

GOLDFELD, Márcia. A criança surda: linguagem e cognição numa perspectiva sociointeracionista. São Paulo: Plexus Editora, 2001.

GUARINELLO, Ana Cristina. O papel do outro na produção da escrita de sujeitos surdos. São Paulo: Plexus, 2007.

LIILO-MARTIN, D. Estudos de aquisição de línguas de sinais: passado, presente e futuro. In: QUADROS, R. M.; VASCONCELLOS, M. L. B. (Org.). Questões teóricas das pesquisas em línguas de sinais. Petrópolis, RJ: Arara Azul, 2008, p. 199-218.

LORENÇO, Érica Aparecida Garrutti. Educação bilíngue para surdos. São Paulo : Alameda, 2017.

QUADROS, R. M.; PIZZIO, A. L.; REZENDE, P. L. F. Língua de Sinais Brasileira I. Florianópolis: UFSC, 2009.

QUADROS, R.M. de. Alfabetização e o ensino da língua de sinais. Canoas: Textura, 2000.

SKLIAR, Carlos. A surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre: Medição, 1998.

SASSAKI, R. H. Inclusão: Construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA, 1997.

STROBEL, Karin. As imagens do outro sobre a cultura surda. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2008.

Disponível em: http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/artigos_edespecial/biliguinguismo.pdf . Acesso em: 25 de Junho de 2022.

LIDIANE DA SILVA XAVIER - Graduada em Pedagogia; Especialista em Educação Infantil e professora na Rede Municipal de Ensino Público na cidade de Rondonópolis.  

NOEMI BRAGA DE REZENDE- Graduada em Pedagogia e História (FALBE e UFMT); Especialista em Psicopedagogia (UNIGRAN) e professora na Rede Municipal de Ensino Público na cidade de Rondonópolis.

RAQUEL SANTOS SILVA - Graduada em Letras; Especialista em Educação Infantil e professora na Rede Municipal de Ensino Público na cidade de Rondonópolis.