Desigualdade social e as consequências do desemprego

A história da sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes.

Karl Marx

Capitalismo, desigualdades e o trabalho

O Humano, possui cabeça, tronco e membros;

Neymar, jogador de futebol, é humano, possui cabeça, tronco e membros;

José da Silva, catador de recicláveis, é humano, possui cabeça, tronco e membros; Logo, todos os humanos são iguais! ERRADO, pois, não são esses acessórios que nos torna humanos, mas, o dom da inteligência. Senão teríamos a nossa humanidade atrelada a braços e pernas, e na ausência deles, o que seríamos?

A raça humana em sua fisiologia é homogênia e isto é incontestável, somos iguais, como homens, pessoas nascidas de mulher e reconhecidas pela Lei que rege os direitos humanos. Todavia, este ser igual, é também igualmente capaz em sua luta pela igualdade, de evidenciar o quanto somos desiguais. Muito embora, tenha uma fisiologia como que cópia uns dos outros, os seres humanos nunca aceitaram ser comparados e relacionados como iguais, e realmente essas diferenças existem, porém, não tão visíveis como querem que sejam, e são diferenças, não desigualdades.

Na formação humana, foi incluído algo que a leva a reconhecer a sua igualdade e também querer ser diferente: a inteligência, ou podemos chamar de “ livre arbítrio”. Este elemento é o fomentador das diferenças, já que todos o possuem. Então, como possuidores de mais essa dádiva que prova a homogeneidade de características humanas, também são por ele inseridos em um mundo de competições. O homem, compete até com ele mesmo, e descobri a cada dia, maneiras diferentes de dominar o mundo, inclusive seu igual. Essa igualdade natural do homem, não é suficiente forte para controlar e manter-se em destaque nas diversas relações, às quais os homens são impelidos a promover.

Como os fatores naturais apenas igualam os homens em suas origens e não necessariamente em genética, surgem fatores intrínsecos de suas relações. Esses, podemos denominá-los como meios de dominação, pelo fato de serem originados de conceituações dicotômicas como: feio/bonito; forte/fraco; rico/pobre; analfabeto/letrado e etc. Todavia, esse aparato de léxicos são analisados e recebem significados conforme o livre arbítrio. O homem no uso dessa faculdade, mede todas as coisas, e como ser altamente competitivo, encontra como meio de valoração o seu próprio EU, estando nisso o ponto causador de divergências entre os criados pela natureza como iguais. Por este, o ser humano encontra mais um motivo para contradizer sua gênesis.

Os muitos adjetivos são usados desde os primórdios, mas são meios de segregação que invadem as relações provocando antagonismo e o famigerado etnocentrismo: elementos causadores das dificuldades existentes nas relações sociais que permeiam o universo humano, e que avançam sem fronteiras pelas relações mais relevantes dessa existência.

A disputa torna-se comum, mas, é no campo do trabalho onde a desigualdade é mais forte, mais visível e com resultados mais catastróficos. O trabalho que no passado era visto como sinônimo de indignidade, no capitalismo ganha uma maior atenção e envolve um número maior de pessoas e dá ao termo desigualdade um novo horizonte, uma nova perspectiva. Aquilo que era só para escravizados, agrega agora homens livres, deixando de ser apenas para os ditos, sem virtudes. Com a valorização do trabalho o mundo é impulsionado a uma jornada de “livres escravos” e a uma nova forma de analisar as relações .

Nessa nova etapa, sob a possibilidade de que todos os livres podem também ser escravos, o capitalismo( capital=dinheiro; ismo=doença), torna-se o mais novo carrasco, o doutrinador das relações, que, como um deus, determina o destino de todo o vivente sobre a terra, facilitando para uns e criando cada dia maiores dificuldades para outros. Exigindo dos homens, que abandonem seus próprios sonhos, em outras, que sonhe o sonho do opressor, reapresentando-os como rivais, criando a desigualdade e oferecendo a esta um vasto campo onde reinará junto à anomia.

O dependente do trabalho, enfrenta como destino a árdua competição e a segregação, onde, na prática, quem tem mais oportunidades terá maior sucesso. Digo na prática, pelo fato de paralelo às atrocidades, o sistema imprimir, ou buscar imprimir a ideia de que somos e conseguimos o que queremos,  dizendo que tudo depende de nós!

Gerada pelo embate entre fortes e fracos, a pobreza, pela visão de que o trabalho era peculiar às atividades dos escravos, mantinha uma intimidade com a desigualdade,  e essa última, se dava pelo fato de os escravos constituírem uma classe. Hoje, dizem não haver escravos, mas, há a desconfiança de que os sacrifícios , as perdas ideológicas e psicológicas são maiores, por serem livres.

A desigualdade não mais compõe a sociedade, ela é a mola impulsionadora, a maior característica do capitalismo, que, com seu discurso animista busca convencer que a responsabilidade pelo sucesso é individual, empurrando o trabalhador para uma paranoia, movendo-os pelo sentimento de fracasso e imprimindo em suas mentes perspectivas fantasiosas .

Essa forma de sociedade salienta os maiores defeitos humanos , e os joga no mundo da insegurança, embora, empurre quem está em cima, mais para cima, e quem está em baixo, mais para baixo, dá falsas esperanças aos subalternos e torna imprevisível e inseguro o caminho do rico, tornando a carga mais pesada para quem está abaixo dele.

Nesse contexto de aceleração desenfreada os homens se lançam numa luta incessante, atropelando uns aos outros, salientando defeitos individuais e tornando marcas de diferenças em desigualdades. Todos sofrem, mas, sofre mais quem tem menos.

Apesar da maioria dos seguimentos religiosos pregarem a igualdade racial e outras diversas, é comum encontrar cenas que depõem contra a origem humana e contra os laços que unem os homens. O grande paradoxo desta história é que o homem é um ser sociável, contudo, não consegue conviver com ele mesmo.

O capitalismo suscita discórdia entre ricos, entre pobres, e entre pobres e ricos e nessa história são os subalternos que levam desvantagem. Mas nem sempre ele existiu, ele é simplesmente um fazer humano, não é um deus, tampouco uma instituição, é o resultado da ganância dos homens. É uma ação escravizadora movida pelo desejo de ter e ser, que criada pelo livre arbítrio em seus primórdios, depõe contra os direitos naturais e contra a liberdade.

O grande desafio na contemporaneidade é como conviver com o capitalismo sem mecanizar-se, sem deixar de ser humano.

O povo que subjuga outro, forja suas próprias cadeias.

Karl Marx

Toda Educação humana deve preparar cada um a viver para os outros”

August Comte