BRINCANDO DE SOLETRAR, TAMBÉM SE APRENDE

RESUMO: O ensino e aprendizagem da gramática da Língua Portuguesa vêm causando descontentamento nas escolas, devido a dificuldade encontrada para ensinar e aprender tantas regras. No entanto, é perceptível que no meio educacional o ensino das regras gramaticais ás vezes, causa insegurança e trauma nos alunos, devido ás dificuldades que os mesmos encontram em aprender e contextualizar essas normas. Mediante esta situação propõem-se trabalhar de maneira motivadora e criativa as regras gramaticais bem como, de forma que seja trabalhada tanto a forma oral quanto á escrita. Acredita-se, assim, que os alunos terão mais facilidade em por em prática essas palavras de forma construtiva e proveitosa dentro de vários contextos. E como já dizia Freire, é praticando que se aprende.

INTRODUÇÃO: O projeto tem como tema BRINCANDO DE SOLETRAR, TAMBÉM SE APRENDE cujo objetivo é fixar a grafia correta das palavras.

            Na atualidade existem muitas dúvidas, tanto em sala de aula quanto fora dela, referentes á grafia e ao emprego de algumas palavras e sabendo que a brincadeira é uma forma interessante de se aprender, pois tudo que dá prazer é realizado com entusiasmo, e o ato de expressar-se exige uma elaboração contínua, decidiu-se trabalhar tais dificuldades ortográficas fazendo um trabalho  lúdico em nossa unidade de ensino.

            Quanto á aplicabilidade do presente projeto procurar-se-á valorizar a leitura e a interpretação de palavras, principalmente, fazendo a interação entre alunos, pois é sabido que trabalhos em grupos apresentam melhores resultados, visto que há uma troca de conhecimentos, e é com esse intuito que se pretende aplicar tal projeto. Para isso, faz-se necessário aprofundar e fundamentar os conhecimentos em teóricos especializados no assunto como Sacconi, Pasquale, Piaget, Paulo Freire, entre outros.

            O projeto foi desenvolvido com turmas de 5º ao 9º ano, do Centro Municipal de Ensino Fundamental “Sílvio Paternez”, orientado pelas professoras de Língua Portuguesa e pelas orientadoras pedagógicas, sendo que o local das atividades será dentro e fora do referido centro de ensino.

Objetivo Geral: Despertar o interesse dos alunos pela Língua Portuguesa aumentando o vocabulário de forma criativa, proporcionando-lhes o conhecimento de novas palavras e o emprego correto das palavras aprendidas.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: Ortografia é a parte gramática que trata da escrita correta das palavras. Decidiu-se pela adoção de um projeto que viesse sanar as principais dificuldades ortográficas de nossos alunos, detectados pelos professores de Língua Portuguesa, e as dúvidas mais comuns levantadas pelos alunos. O projeto ora apresentado propõe a realização de um trabalho metodológico, envolvendo todos os educandos do 5º ano ao 9ºano do Centro Municipal de Ensino Fundamental “Sílvio Paternez”, proporcionando aos mesmos o aperfeiçoamento do conhecimento já adquirido das regras ortográficas, desenvolvendo assim suas habilidades no campo da oralidade e da escrita. Através de uma brincadeira “séria”, de intenção pedagógica, por meio lúdico e competitivo; considerando-se que expressar-se de forma competente na própria língua é uma necessidade inegável para o bom desempenho de atividades que envolvam palavras, é necessário apropriar-se das normas e estruturas do chamado padrão culto da língua.

            Acredita-se que o jogo seja um convite á reflexão sobre a língua em uso, falada e escrita, assim, ganha o professor, que se sente mais realizado com o envolvimento dos alunos e ganha o aluno, que aprende mais do que aprenderia na situação de simples receptor de informações, desenvolvendo habilidades importantes, úteis não só na escola, mas na própria vida, lidando com a informação de forma construtiva e proveitosa, aprendendo a selecionar, organizar, priorizar, analisar e sintetizar.

            Soletrar é uma das inúmeras formas de se adquirir conhecimentos acerca da ortografia em determinado idioma, pois para soletrar corretamente uma palavra o indivíduo precisa ter contato com a mesma, preciso lê-la algumas vezes, ou seja, precisa estar familiarizado com ela. Por mais que uma pessoa seja culta sempre tem mais a aprender, sempre tem alguma dúvida de como se escreve determinada palavra. Como diz Paulo Freire “Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre”.

            A preocupação com o bom uso do nosso idioma sempre merece atenção, principalmente quando é feito com seriedade, pois se sabe que muitas vezes vai-se pronunciando certas palavras deforma inadequada e acaba se tornando hábito. Escrever de acordo com o nosso sistema ortográfico vigente não faz mal a ninguém, pelo contrário enriquece ainda mais nosso intelecto. Como diz Luiz Antonio Sacconi:

"Um indivíduo só pode dizer-se inteiramente livre, no âmbito da comunicação linguística, quando conhece todas as modalidades da língua a seu dispor e escolhe aquela que melhor convém ao momento do discurso. É pouco, portanto, conhecer apenas uma língua funcional ou a sua variante sociolinguística. O ideal é que o indivíduo seja um poliglota dentro da sua própria língua". ( 2000 ).

            E para tornar-se um poliglota dentro da própria língua é necessário bastante estudo. Confirmando-se, assim, que quanto mais conhecimento a pessoa adquirir mais facilidade de comunicação ela terá, melhores oportunidades surgirão no âmbito social, pois a pessoa que possui amplo vocabulário sabe quando e onde utilizá-lo. Quem escreve sempre se depara com dificuldades do português. Afinal, quem nunca teve dúvidas ao escrever determinadas palavras? “Conhecer a norma culta, é sentir-se mais livre para comunicar-se. Norma culta, ou seja, a língua utilizada segundo os padrões estabelecidos pelos clássicos pode comparar-se a etiqueta social: não é preciso usá-la para viver, mas é absolutamente indispensável conhecê-la para conviver”. ( SACCONI, 2000 )

            Tendo em mente que ortografia é convenção, conclui-se que ela deve ser ensinada e aprendida. Não se deve imaginar que este seja um processo fácil, exige do professor clareza de que durante todas as suas aulas ele deverá trabalhar ortografia, fazer o aluno refletir sobre ela em todas as oportunidades, e que não é responsabilidade apenas do professor de Língua Portuguesa, mas de todos os componentes curriculares. Ensinar ortografia não significa decorar “forma”, ou o “desenho” das palavras. É preciso ensinar o aluno a escrever de acordo com a grafia correta, é preciso informa-lo sobre a organização da nossa norma ortográfica.

            Sendo assim, não há melhor forma de aprender senão escrevendo, praticando, pois como diz Paulo Freire “Se é praticando que se aprende a nadar, se é praticando que se aprende a trabalhar, é praticando também que se aprende a ler e a escrever” ( 2001 ). E uma maneira fácil e divertida de aprender é através de brincadeira e, principalmente, tendo como desafio a competição, pois ninguém gosta de perder. “As brincadeiras e jogos exercem um papel muito além da simples diversão possibilitam aprendizagem e são meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual da criança” (PIAGET, 1976).

            Como se sabe as dúvidas só aparecem quando as palavras são desconhecidas, pouco usadas ou mal escritas. Palavras conhecidas não nos fazem perder tempo. O que nos faz saber ortografia é a nossa memória visual, que é tão maior, quanto mais se lê mais se aprende. O que aprimora a nossa memória visual é o bom hábito da leitura.

A competência para grafar corretamente as palavras está diretamente ligada ao contato íntimo com essas mesmas palavras. Isso significa que a frequência do uso é que acaba trazendo a memorização da grafia correta. Além disso, deve-se criar o hábito de esclarecer as dúvidas com as necessárias consultas ao dicionário. Trata-se de um processo constante, que produz resultados a longo prazo. ( PASQUALE ) 

            Sabe-se que a forma que se fala ou se expressa mostra e mede o seu preparo, a sua formação. Hoje na vida profissional não se admitem deficiências na expressão verbal e escrita. Segundo Pasquale, os novos tempos exigem que se abra a boca e “o abrir a boca é dominar o conteúdo com clareza e saber estruturar as informações. Quem não abre a boca hoje está perdido. E quem abre a boca melhor, sai-se melhor”. Continua dizendo que “é preciso estar inquieto, ser curioso, é precisos pesquisar”.

            Compreende-se, também, que com a globalização e a conversa via internet, a ortografia ficou em segundo plano, e fica cada vez mais difícil encontrar adolescentes dispostos a estudar a grafia correta de palavras; trata-se, portanto, de um desafio. Segundo Pasquale, o exercício que não pode faltar no aprimoramento do idioma é o ato de ler e reconhece a dificuldade que envolve a leitura na vida atual: “Ler é uma atividade penosa, exige concentração, silêncio, solidão, raciocínio. (...) em tempos da vida moderna, do celular, cadê a concentração? Cadê a solidão? Nestes tempos ler é difícil”. Por isso, quando surgem estudantes dispostos a encarar certos desafios, como é o caso do projeto ora em fundamentação, é necessário que lhes sejam dados todas as orientações possíveis, na busca de conhecimentos. O domínio do vocabulário só vem com o uso, portanto deve-se utilizá-lo, não economizar no aprendizado. Quanto mais amplo e abrangente for o vocabulário, mais pronta, desenvolta e segura será a comunicação.

Considerações finais: A avaliação é um recurso integrador entre aprendizagem e ensino. É através dela que o professor percebe os acertos e as deficiências de seu docente. Sendo assim, a avaliação, é um processo constante, pois toda a atividade produzida em sala de aula deve ser valorizada segundo seus objetivos, não devendo ser apenas um processo classificatório, pois isso impede o crescimento intelectual do aluno. Sendo a avaliação “um julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade para uma tomada de decisão, [...] um instrumento de dinamismo e progresso” ( LUCKESI, 1994, p. 172).

            A avaliação foi realizada de forma contínua, levou-se em consideração, a interação entre alunos, a assiduidade, a pontualidade e, principalmente, o interesse demonstrado pelo aluno no desenvolvimento das atividades propostas no decorrer da realização do projeto Brincando de Soletrar, Também se Aprende, bem como sua capacidade criativa na produção do minidicionário, sendo um processo constante e neste projeto não teve efeito de nota, apenas serviu como meio de reflexão e aperfeiçoamento no uso da Língua Portuguesa.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

PIAGET, Jean. Psicologia e Pedagogia. Trad. Por Dirceu Accioly Lindoso e Rosa Maria Ribeiro da Silva. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.

PASQUALE, Cipro Neto & Ulisses Infante, Gramática da Língua Portuguesa. 2ª edição, Editora SCIPIONE, 2004.

FREIRE, Paulo. A Importância do Ato de Ler. 41ª edição. São Paulo: Cortez, 2001.

SACCONI, Luiz Antonio. Não Erre Mais. 25ª edição, São Paulo: Atual, 2000.

CEREJA, William Roberto. MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português: linguagens, 8ª série / 2ª edição. – São Paulo: Atual, 2002.

MESQUITA, Roberto Melo. Linguagem & Participação 8ª série – 2ª ed. – São Paulo: Saraiva 1999.

TERRA, Ernani. NICOLA, José de. Gramática de Hoje. 6ª ed. – São Paulo: Scipione, 1999.