"Fechar ao mal de amor nossa alma adormecida é dormir sem sonhar, é viver sem ter vida. Ter, a um sonho de amor, o coração sujeito é o mesmo que cravar uma faca no peito. Esta vida é um punhal com dois gumes fatais: não amar é sofrer; amar é sofrer mais" (Menotti del Picchia, trecho de Juca Mulato)


Apaixonar-se... Um erro se você for a pessoa errada (no momento mais incerto da vida), ou se você gostar da pessoa errada (seja pela forma como vocês se relacionam ? no amor, na amizade ou na superficialidade). Talvez não seja errado se apaixonar (não pelo sentimento em si, mas quem sabe pela incapacidade de suportar o amor). A incapacidade de amar. Neste sentido, o coração acaba "arrastando correntes pelos dias e pelas noites", acaba resignando-se em si nesta sofreguidão de um sentimento puro e verdadeiro, mas que não merece mais do que morrer sufocado. Apaixonar-se... Não conseguir dizer não, quando não se quer dizer sim. Apaixonar-se... Fazer imbecilidades aos prantos (pequenos "mimos"), e aos prantos chorar mais por não ter nem uma negativa como resposta. É a tal da indiferença que te afasta mais daquela tal felicidade. Apaixonar-se e não poder demonstrar concretamente todo o amor preso (que mais parece ser um refém da vida em um cativeiro frio e triste). Apaixonar-se... É o amor denunciado pelo teu olhar quando tem a pessoa amada na sua frente... Mas não se pode fazer nada (é o tal punhal com dois gumes fatais). O amor visível aos olhos e imperceptível por toda a correria da tua vida, e todas as tuas preferências e prioridades (dentre elas, jamais estará este amor, esta pessoa: não é mesmo?). Apaixonar-se... E não poder mostrar ao mundo o tanto que se ama (e dói ver um amor reprimido desta forma ? não precisava disso, por que?)... É o teu misto de prazer e agonia. E tem sido a tua marca do dia-a-dia. Apaixonar-se... E simplesmente seguir a vida. Parece que você não vai dar conta de tudo isso, parece que vai sempre doer esse vazio no coração (e as lacunas da alma doem também, como dói a incompreensão da extensão dos teus problemas, das tuas mazelas, das tuas deficiências físicas e emocionais). E logo, chegando no fim, sobrarão somente lágrimas... Lágrimas, estes restos de palavras que não puderam ser ditas...