A LEITURA, A IMAGINAÇÃO, A CRIATIVIDADE E ENFIM, A LITERATURA NA VIDA DOS EDUCANDOS.

A literatura é o meio mais utilizado de divulgação de qualquer autor estrangeiro e é por intermédio de traduções que os mais variados autores são conhecidos em todo o globo terrestre. Dessa maneira, muitas pessoas, quando dizem que leram determinadas obras da literatura, na verdade tiveram acesso a tais obras não através de seus respectivos autores em línguas estrangeiras, mas sim por mediação de seus tradutores as obras em língua materna.

            De acordo com Vieira (2004), existem aproximadamente quinze traduções dessa obra para o público infanto-juvenil e aproximadamente quatro para o público adulto. E nessa lista, consta entre os tradutores, nomes importantes de escritores brasileiros, tais como Monteiro Lobato e Clarice Lispector.

            Portanto, o que faz a obra ser uma das mais importantes da literatura é suas numerosas traduções em diversas línguas e esse fato se deve ao fantástico mundo imaginário, presente em várias situações, fascínio exercido pelas aventuras, o estilo simples e fluente, a simpatia que o herói irradia ao leitor, o tratamento de temas da natureza como as relações sociais e o questionamento de valores impostos e vividos pelos seres humanos.

            A obra do escritor irlandês Jonathan Swift, publicada pela primeira vez em 1726, a ironia se destaca como principal elemento da sátira ás instituições sociais relacionadas á ciência, política e religião. A narrativa é uma paródia satírica das narrativas de viagens muito populares na época de Swift. Além disso, a obra contem um elemento fundamental; as observações a respeito da natureza e ao ser humano.

         O domínio da linguagem é imprescindível para a participação efetiva no meio social em que vivemos; portanto simplesmente aprender a falar e a escrever não é suficiente para que o indivíduo seja capaz de interferir e atuar na comunidade da qual é integrante. Sabendo escolher as palavras certas a serem utilizadas em cada tipo de discurso e argumentar de maneira clara e segura, as pessoas trocam informações, emitem e recebem opiniões, exercendo, assim, sua cidadania.

Escrever está diretamente ligado ao hábito de ler muito. Desde os primórdios, a literatura é sempre e essencialmente fantástica tudo isso foi incorporado nas obras literárias para denunciar de forma camuflada as injustiças socias existentes em cada época.

“Leitura é interpretar uma percepção sob as influências de um determinado contexto. Esse processo leva o indivíduo a uma compreensão particular da realidade” (SOUZA, 1992).

Essa é uma perspectiva de ordem, cognitivo-sociológica, pela qual se concebe a leitura como um processo de compreensão abrangente. Sua dinâmica envolve componentes sensoriais, emocionais, intelectuais, fisiológicos, neurológicos, bem como culturais, econômicos e políticos. 

Outra concepção de leitura, observada com maior frequência, denota uma decodificação de signos linguísticos, através de aprendizado estabelecido a partir do condicionamento estímulo-resposta. Tal conceito, de perspectiva behavorista-skinneriana, ignora a profundidade da experiência do contato do indivíduo com os elementos da comunicação humana. No entanto, a escola prioriza a prática desta segunda leitura. Em sala de aula, a criança ou adolescente raramente é estimulada a prática de uma leitura que lhe ocasione prazer, pois é esta que levará o referido aluno a compreensão da realidade.

A obra, composta de quatro partes, apresenta em si uma narrativa simples de um viajante chamado Lemuel Gulliver. Swift designa a esse personagem unicamente a autoria de todas as viagens, uma vez que seu objetivo era também satirizar o romance de viagem ao apresentar situações fantásticas como se fossem verdadeiras.

Esse trabalho é de grande relevância para que os adolescentes ampliem seus conhecimentos, criatividade e aguce o aprendizado adquiridos em anos anteriores.

            A Literatura tem em si uma estrutura complexa e são importantes no processo de aprendizagem, pois neles ocorre uma narrativa perfeita, com a sequência apresentada sempre da mesma forma: cenário, problema, construção da história, ficção, clímax, resolução do problema e desfecho. Além do mais, a identificação emotiva entre os alunos e os personagens predispõe as crianças á leitura. Para aprender a escrever, os alunos criam hipóteses até se tornarem alfabéticos. Esse processo de aprendizagem da leitura completa-se ao longo da escolaridade e mesmo antes de atingirem esse estágio, os alunos devem tomar contato com vários tipos de textos, pois poderão descobrir as suas propriedades, funções sociais e estruturais. É importante que o professor oportunize o aluno á leitura e escrita da história, pois ela oferece diversas situações para estes participarem de suas narrativas de forma direta e indireta, como ler, escrever, dramatizar, ilustrar, reestruturar, etc.

            Na vida do aluno atualmente existe uma grande carência de conhecimentos gerais para facilitar a produção textual, e quando ele é colocado em contato com a história abrem-se as janelas de interesse e fonte inspiradora para novos leitores e autores. Os trabalhos realizados enriquecem a sala de aula que se torna recheada de ideias inovadoras.

            Trabalhar com obras literárias em sala de aula é, pois, de extrema importância para o aluno, pois aguça também a imaginação, criando e recriando histórias, descrevendo um universo fictício, além de proporcionar um encontro com grandes nomes da literatura.

            Exercer o papel de escritores, revisores e ilustradores, seguindo as normas para apresentação do livro, pode ser procedimentos fundamentais para que se compreendam dados culturais da sociedade e, além disso, precisam ocupar um espaço vivo na escola, não apenas para o desenvolvimento das atividades que possam ser relacionadas a eles, mas pelo significado que eles possuem na história da humanidade, pois eles fazem parte da história e memória coletiva, e precisam estar na escola, em casa e em outros espaços onde a leitura se faça necessária.

            A escola, que muitas vezes, não deu devida atenção aos textos literários, ficando com os textos didáticos, ou apenas com trechos, ou que valorizou as leituras feitas pela televisão ou cinema, deixou de lado, muitas vezes, a fonte destas narrativas.

            O incentivo á leitura causa um descontentamento na maioria de nossos educandos devido a falta de costume relacionado á leitura e isso é notável no momento da produção. Diante dessa situação, propôs-se trabalhar de forma motivadora e criativa sobre a obra literária “Viagens de Gulliver” de Jonathan Swift, acreditando assim, que os educandos terão mais facilidade na prática de leitura e produção. E como já dizia Freire, é praticando que se aprende.

Sabe-se que o papel da literatura na vida social é de plurifuncionalidade. Além da função estética, uma obra literária pode possuir a função lúdica.

Os aspectos comuns nessa obra, o autor joga diretamente com o fictício e o imaginário do leitor; os personagens principais da obra necessita afastar-se das relações de origem e sofrer transformações; é possível observar a valorização da utilização do autor na representação dos animais e das simbologias presentes na obra. Por fim, a maior e mais forte característica, é que ambos passam por alterações de tamanhos, no decorrer das narrativas.

Na obra ‘Viagens de Gulliver’, de Jonathan Swift encontramos uma história de aventuras fantásticas aliadas a uma sátira terrível contra as mesquinhezes e vícios humanos. Esse livro pode ser lido como sátira ao gênero humano. Swift pensava em, mostrar todas as qualidades do ser humano, ele ridiculariza o homem, faz críticas e satiriza profissões e estudos científicos. Mostra aversão ao organismo humano e as coisas relacionadas á natureza. Apresenta a racionalidade dos animis a ponto de verdadeiramente compará-los ao homem.

Ao encontro dessa possibilidade gerada pela literatura, nos deparamos com a grande necessidade atual, apresentada por nossos adolescentes, de imaginar, criar, construir significados para sua própria existência e, por que não dizer, estruturar mecanismos para interagir com o mundo.

“A literatura destinada á leitura de crianças e adolescentes ultimamente tem despertado muito interesse, pois se percebeu sua fundamental importância para o desenvolvimento da personalidade humana. Desde a primeira infância, ainda antes de completar a alfabetização, a criança deve ser posta em contato com livros que contam historinhas ilustradas para despertar sua imaginação” (D’ONOFRIO, 2007, p. 94).

  A Literatura encanta sempre, talvez por que quando se lê descobrem-se pontos de vista diversos. Com eles desatam-se nós, desfazem-se os ( pré ) conceitos. Compreende-se que as histórias têm outras feições, outros jeitos, outras formas. Aprende-se sob uma ótica diferente a reescrever histórias.            Reescrever é de grande relevância para o desenvolvimento cognitivo das pessoas em geral, principalmente da criança ou adolescente, pois instiga a sua capacidade criativa, fazendo com que o indivíduo reflita sobre o que está produzindo, expressando aí seu pensamento relacionado a uma determinada época ou período. Não importa se o que se reescreve, todos têm sua importância, haja vista, o autor precisa, antes de escrever, conhecer toda a estrutura que dá origem á obra, bem como, os elementos que o compõem. Como diz Kaufman: “Toda obra tem ações centrais, núcleos narrativos, que estabelecem entre si uma relação causa “(1995:21)”. Sendo, portanto, necessária a reflexão acerca do que se irá produzir, mesmo antes de começar a escrever, ou seja, não basta apenas ler uma obra para reescrevê-la, mas sim estudar os fatores que o constituem”.

    • KAUFMAN, Ana Maria e RODRIGUEZ, Maria Elena, Escola, Leitura e Produção de Textos. Artess Médicas : Porto Alegre, 1995.
    • ECO, Umberto. Leitura do texto literário: a cooperação interpretativa nos textosliterários, Lisboa; editorial Presença, 1993.
    • ORWWELL, C. 2005. Política versus literatura: uma análise de Viagens de Gulliver. In G. Orwell, São Paulo: Companhia das letras.
    • SOARES, L. C (2001). Ciência, religião e ilustração: Revista Brasileira de História, 21 – 41.