O ENSINO E A APRENDIZAGEM DA LEITURA E DA ESCRITA
 
O ENSINO E A APRENDIZAGEM DA LEITURA E DA ESCRITA
 


INTRODUÇÃO
O processo de aprendizagem pode ser definido, de forma sintética, como sendo a forma com que os seres adquirem novos conhecimentos, desenvolvem competências e mudam o seu comportamento.
Muitos educadores têm uma visão idealizada da instituição escolar e buscam um clima de harmonia, acreditando estar aí à possibilidade de um mundo escolar sem fracassos. No entanto, a sala de aula é um mundo de diversidade de opiniões, comportamentos, vontades e desejos. Na sala de aula encontra-se um ambiente multifacetado, por que ali se reúne um grupo
de sujeitos que busca, cada um a sua maneira, formas variadas de compreender o processo pedagógico.
Contudo, o ensino tem sido marcado por inúmeras dificuldades de aprendizagem, sobretudo na leitura e na escrita, levando muitos a considerar que vivemos no século das inadaptações escolares.
Logo, em virtude desta problemática, vamos tratar das deficiências na aprendizagem, nomeando-as e descrevendo-as, de forma sucinta, visando compreender a realidade encontrada na sala de aula.
Há diversos fatores que podem influenciar a não aprendizagem da leitura. Dentre eles pode-se destacar a dislexia, os problemas emocionais, os fatores escolares, familiares e os individuais.

DESENVOLVIMENTO
A aprendizagem da leitura e da escrita é um verdadeiro ato de abstração, pois supõe modificações nos modos de pensar, de refletir e expressar-se e, conseqüentemente, mudanças nas estruturas cerebrais. Segundo Macedo (2006),

[...] a criança se depara com um conjunto de conhecimentos construídos e estabelecidos socialmente e inicia um processo de socialização que implica no aprendizado do contexto simbólico da sociedade na qual está inserida. A realidade constituída por nossas sociedades possibilitou a construção desse universo simbólico complexo onde o homem deve aprender a viver e, nesse contexto, a escola passa a ser responsável pela aprendizagem e transmissão cultural. É ela que tem o objetivo de desenvolver o aprendizado da leitura e da escrita permitindo o acesso aos conhecimentos (p.71).

Nessa mesma direção, Soares (2004) afirma que separar a alfabetização e o letramento é um equívoco, pois a entrada da criança e do adulto, que não está alfabetizado, no mundo da escrita ocorre simultaneamente por dois processos: pela alfabetização ? que é a aquisição do sistema convencional de escrita ? e pelo letramento ? que é o desenvolvimento de habilidades de uso do sistema de alfabetização em atividades de leitura e escrita, na prática social que envolve a língua escrita.
Para a autora, trata-se de processos indissociáveis e interdependentes, pois "a alfabetização desenvolve-se no contexto de práticas sociais de leitura e de escrita e por meio delas, ou seja, através de atividades de letramento, que só podem desenvolver-se no contexto da e por meio da aprendizagem das relações fonema x grafema, em dependência da alfabetização" (SOARES, 2004, p. 5).
Diante dessas duas dimensões da aprendizagem da língua ? a escrita e a oral ? é preciso integrar a alfabetização e o letramento, sem perder a especificidade de cada um desses processos.
"A necessidade de reconhecimento da especificidade da alfabetização, que se desenvolve num contexto de letramento e refere-se à etapa inicial da aprendizagem da escrita, pressupõe a participação em eventos variados de leitura e escrita e, conseqüentemente, o desenvolvimento de habilidades de uso da leitura e da escrita nas práticas sociais que envolvem a língua escrita e de atitudes positivas em relação a essas práticas" (MAIO; WATAKABE, 2007, p. 397).

A aquisição da leitura e da escrita é vista como possibilidade de mudanças da realidade social que as crianças vivem tornando-se importantes fatores dessa mudança. Assim, a importância da leitura e da escrita está na capacidade de transformar a vida de todos, sobretudo dos jovens alunos. Dessa forma, pode-se dizer que o aprendizado é um meio de superação de vida e das dificuldades que a ela se apresentam, pois, é através da leitura e da escrita que o homem se comunica e compreende o mundo, tornando-se esta indispensável para o seu desenvolvimento.
Entretanto, ninguém aprende a lidar com a língua e a escrita de modo automático e espontâneo. É preciso que alguém ensine o aluno a desenvolver suas habilidades enquanto educando e aprendiz. Deste modo, devemos salientar a importância do professor e do acompanhamento da família.
O processo de aprendizagem pode ser definido, de forma sintética, como sendo a forma com que os seres adquirem novos conhecimentos, desenvolvem competências e mudam o seu comportamento.
Muitos educadores têm uma visão idealizada da instituição escolar e buscam um clima de harmonia, acreditando estar aí à possibilidade de um mundo escolar sem fracassos. No entanto, a sala de aula é um mundo de diversidade de opiniões, comportamentos, vontades e desejos. Na sala de aula encontra-se um ambiente multifacetado, por que ali se reúne um grupo de sujeitos que busca, cada um a sua maneira, formas variadas de compreender o processo pedagógico.
Para tanto, sendo o professor a peça chave do processo pedagógico de uma escola, espera-se e cobra-se muito que esses educadores atinjam os objetivos propostos, sendo necessário, por parte deles, a criação de forma que propiciem a real aprendizagem de todos os alunos.
Contudo, o ensino tem sido marcado por inúmeras dificuldades de aprendizagem, sobretudo na leitura e na escrita, levando muitos a considerar que vivemos no século das inadaptações escolares.
Se o conceito de leitura está geralmente restrito à decifração da escrita, sua aprendizagem, no entanto, liga-se por tradição ao processo de formação global do indivíduo, à sua capacitação para o convívio e atuações sociais, política, econômica e cultural [...] (COELHO &MORAES, 2003, p. 23).

De maneira geral e sucinta a citação de Coelho e Moraes mostram o ideal de todos nós, educadores ou não. Pois, todos nós esperamos que as crianças, ao ingressarem na vida acadêmica, tornem-se cidadãos preparados para construir um mundo mais digno para se viver.
A história da leitura, desde os gregos e romanos, não era acessível a todos e o aprendizado se baseava em métodos rígidos e analíticos, ou seja, obedecia-se a regras e a etapas para acontecer a alfabetização.
Hoje, apesar dos séculos de civilização, as coisas não são muito diferentes, pois muitos educadores não conseguem se atualizar e os que buscam este diferencial não encontram um método eficiente para aplicar em sua sala de aula. Assim, pelo alto índice de analfabetismo, podemos concluir que a pedagogia do sacrifício, do aprender por aprender a ler ? sem se preocupar da sua importância para o individuo e para a sociedade ? ainda prevalece no cotidiano dos educandos e, pior ainda, muitas famílias não se preocupam ou até mesmo não estão preparadas para orientar seus filhos.
Segundo Cagliari (1995), a alfabetização é a aprendizagem da leitura, uma vez que ler e escrever são atos lingüísticos, portanto, para aprender a ler e escrever é preciso pensar sobre a escrita e o que ela representa e como se apresenta graficamente, ou seja, se não houver compreensão sobre a fala e a escrita, não haverá leitura e, a falta desta implicará em vários problemas futuros como dificuldades enormes de continuar na escola, acarretando a evasão escolar.
Uma incapacidade para ler, não somente cria problemas para a aprendizagem escolar, como limita a maturidade social, as relações sociais e a tomada de responsabilidade, principalmente porque a falta da leitura leva a dependência em relação a outras pessoas.
Há diversos fatores que podem influenciar a não aprendizagem da leitura. Dentre eles pode-se destacar: a dislexia, os problemas emocionais, os fatores escolares, familiares e os individuais.
Vejamos a seguir cada um desses aspectos que interferem no processo de aquisição da leitura.
Dificuldades na Escrita
Segundo Cagliari (1986, p.257), "os erros que as crianças cometem são frutos de uma decisão errada que tomaram. Uma decisão [que] é o fruto prático de um processo de reflexão sobre um determinado assunto".
Percebemos que quando o professor faz uma criança tomar iniciativa referente a um determinado assunto, deve ser cauteloso e consciente do que está propondo, porque a sua afirmação tanto pode ajudar quanto prejudicar o aluno. Sendo assim, quando o professor propõe uma atividade relacionada à escrita, este deve proporcionar ao aluno meios que despertem o prazer e o entusiasmo pela escrita, buscando recursos que auxiliem no processo de aprendizagem.
A criança aprende a ler e a escrever, lendo e escrevendo, porém não é só isso, é preciso dar sentido a esse aprendizado, isto quer dizer que quanto mais a criança se sente incentivada no processo de aprendizagem, mais condições terá de superar seus erros.
O aprendizado da escrita deve ser bem incentivado e trabalhado, alcançando o interesse da criança. Quando o professor trabalha essa realidade é necessário que ele vá, pouco a pouco, sanando as dificuldades de leitura e de escrita, de modo a que ele seja um bom mediador e observador da sua sala de aula.
Falta de Qualificação Profissional
A alfabetização, apesar de ter passado por diversas mudanças como a troca de métodos ? do sintético para o analítico ou global ? continua não atendendo a sua função precípua que é a de formar cidadãos capazes de viverem numa sociedade informatizada, onde a escrita se encontra muito presente na vida das pessoas Logo, esta mesma sociedade, que busca pessoas preparadas e instruídas para serem inclusas no seu meio sócio-econômico, tem cobrado das instituições governamentais e das de ensino e, consequentemente, dos professores, soluções para o fracasso na educação.
Porém, o que tem ocorrido e se tornado corriqueiro é um verdadeiro jogo de acusações. Ninguém quer assumir a culpa pela evasão escolar, tão freqüente nos dias de hoje. Certamente, o primeiro alvo tem sido o educador, que está mais próximo dos alunos e que, acredita-se, se preparou para enfrentar e solucionar as mais variadas dificuldades no ensino.
Ainda que o repertório de leitura dos professores fosse apontado como o aspecto de maior deficiência no ensino da leitura, devemos considerar também a deficiência na metodologia, no embasamento teórico e no planejamento do currículo de leitura. Tal uniformidade parece indicar que tudo contribui, em certa medida, para o fracasso da leitura escolar. Os comentários reiteram a falta de condições para que a leitura aconteça no espaço da escola e reforçam a necessidade de professores que sejam efetivamente leitores para formar alunos leitores.
Falta de Interesse dos Alunos e Participação da Família
Fatores familiares e os individuais, fazem com que pensemos na familia como um alicerce indispensável no desenvolvimento das potencialidades do ser humano. Verificamos ainda que a participação da familia é de fundamental importância na vida escolar da criança, pois está comprovado, através de pesquisas, que o acompanhamento dos pais ou responsável ajuda no desenvolvimento cognitivo do educando. A falta desses suportes pode causar na criança desinteresse, tristeza, revolta, entre outros. Isso dificulta tanto o trabalho do professor, como a vida escolar do aluno, uma vez que, escola, pais, professores e alunos devem caminhar juntos para obter êxito.
Dessas constatações vem-nos as perguntas: Como ensinar uma criança a ler e escrever quando o próprio fato de ir para a escola já se constitui numa obrigação? Como convencer os alunos sobre a importância da leitura? Como motivá-los quando é o número de páginas ou a quantidade de figuras, que parece ser o aspecto de motivação? Como deve ser a atividade de leitura em casa? Será que os pais incentivam a leitura de seus filhos?
Sendo assim, dialogando com os alunos, confirmamos o que já esperavamos. A participação da familia no aprendizado dos filhos, embora seja de grande importância, é praticamente nulo, salvo algumas exceções em que a mãe ou o pai, a caminho do trabalho, passasse pela escola para saber como seu filho estava.
Os pais, por necessidade ou omissão, parecem não entender que o professor sozinho não consegue alcançar os objetivos de despertar o interesse pela leitura no aluno. A relação família-escola deve ser estabelecida desde o ingresso da criança naquele espaço. Pais que acompanham a vida escolar dos seus filhos, desde o princípio, podem identificar, precocemente, as dificuldades que a criança possa estar apresentando. Desta forma, poderão colaborar e reativar o interesse do filho pelas atividades escolares ou pelas disciplinas em que ele se saiu mal.

CONCLUSÃO
A educação, assim como tudo que nos circunda, sofre transformações e necessita estar sempre se reestruturando, procurando inovações e soluções. O mundo em que vivemos está cada vez mais competitivo e, consequentemente, a sociedade mais exigente, sendo assim, o professor assume o papel de preparar o educando para ser um cidadão critico e autêntico, qualidades essas necessárias para enfrentar o mercado de trabalho.
Para tanto, o desafio inicial, e não menos importante, para os professores é ensinar a ler e a escrever. A eles cabe apresentar a leitura e a escrita como algo primordial na vida das pessoas, uma vez que ambas exigem o máximo de dedicação, reflexão, conhecimento interior e exterior, participação, interesse pessoal e familiar, senso de interpretação, que são matérias-prima para o processo de construção de um cidadão.
Quanto à leitura, podemos dizer que o ato de ler é mais que uma decodificação de símbolos, do que meras habilidades mecânicas. É a leitura do mundo que nos permite relacionar uns com outros, e fazendo esta troca de valores e idéias poderemos assumir e construir uma postura crítica e própria.
Em relação à escrita, podemos dizer que seu valor não é menos importante. Através da escrita podemos registrar as variações da língua e da humanidade ao longo dos anos. O ato de escrever nos permite eternizar nossa passagem pela vida, nosso modo ser, de agir e de pensar.
Sendo assim, analisando a importância da leitura e da escrita no cotidiano de todos nós, sobretudo durante a vida escolar, e sabendo das dificuldades dos alunos em relação a esses dois processos de aprendizagem, decidimos investigar as causas das dificuldades na leitura e na escrita, por alunos de séries iniciais.
Tais problemas vêm se tornando um agravante crescente na educação brasileira, resultando, acima de tudo, no fracasso e na evasão escolar. De acordo com algumas teorias, o fracasso da educação pode estar associado a alguns fatores como: desmotivação de alunos e professores, métodos de ensino inadequados ou ineficientes, problemas familiares e individuais, entre outros.
Podemos inferir que a maioria dos problemas da educação escolar, que persistem até o terceiro ano, é proveniente de dificuldades com a leitura e escrita. Tais "anomalias" têm atrapalhado o desenvolvimento dos alunos impossibilitando-os de serem críticos com suas atividades escolares, e, uma vez que não possuem segurança e estímulo para se expressar e tomar decisões, dificilmente se tornarão cidadãos conscientes dos seus direitos e deveres. Por essa razão trouxemos a baila essa questão que enfatiza a importância da leitura e da escrita enquanto processo que permite a reflexão do sujeito, com relação a si mesmo, ao seu lugar no mundo, bem como, o seu papel na sociedade.
Mesmo convivendo em uma era da tecnologia avançada, faz-se necessário uma preparação de qualidade no que diz respeito à leitura e escrita, pois são esses os aspectos que garantem a formação de indivíduos aptos para viver em uma sociedade moderna e, sobretudo, exigente. Sendo assim, é preciso que formemos cidadãos críticos e preparados para enfrentar o mundo, tomando posição entre aqueles que detêm o poder econômico e os que obedecem cegamente, por não terem buscado e se dedicado ao curso preparatório como deveria.
Os erros e acertos caminham juntos no processo de aprendizagem e devemos priorizar a leitura e escrita, pois se tratam de processos infinitamente importantes na formação do aluno, por isso a preocupação em se identificar as causas das dificuldades nesses dois processos fundamentais da educação e, mais ainda, tentar buscar e praticar soluções para essa deficiência educacional.

REFERÊNCIAS

ANTUNES, Paulo. Disponível em www.debateeducacao.blogs.sapo.pt/6002.html. Acesso em 02 de outubro de 2008.

CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e Lingüística. 8ª ed., São Paulo: Scipione, 1995. Leitura e escrita na vida e na escola. ________. Leitura: Teoria e Prática. Porto Alegre: Scipione, 1986.

FREIRE, Paulo. A importância do Ato de Ler. Em três Artigos que se complementam. São Pulo. Cortez, 1996.

MACEDO, Nilza Isaac. A aprendizagem da leitura e da escrita. Revista Científica, 2006.

SOARES, M. Letramento e Alfabetização: as muitas facetas. REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO. Abril, 2004. ¬¬¬¬________. Alfabetização e Letramento. São Paulo. Abril, 2004.

TEBEROSKY, Ana. Aprendendo a escrever. 2ª ed. São Paulo: Ática, 1995. _________. Psicopedagogia da linguagem escrita. Trad. Beatriz Cardoso. Prefácio: Cláudia Lemos. 9ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.

WATAKABE, MAIO R. A alfabetização letrada nas séries iniciais do ensino fundamental. Ed. Arq. Mudi: 2007.

ZILBERMAN, ET SILVA - Gragoatá, 1996 - Instituto de Letras, Programa de Pós-Graduação, Universidade PUC/RS.





 
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