Libras: Aspectos Históricos, Conceituais e Sociais e Estudos Lingüísticos
 
Libras: Aspectos Históricos, Conceituais e Sociais e Estudos Lingüísticos
 


Libras: Aspectos Históricos, Conceituais e Sociais e Estudos Lingüísticos

A língua Brasileira de Sinais (Libras) surge com a perspectiva de apoiar a implementação da Educação Especial Educação Especial tão enfocada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. O Poder Público instituiu a Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, regulamentada pelo Decreto nº 5626, de 22 de dezembro de 2005, que dispõem sobre a Língua Brasileira de Sinais como disciplina, assegurando aos surdos o atendimento especializado. Dentro desse contexto, alicerça-se uma proposta inovadora sempre com o objetivo de consolidar a comunicação e a efetiva integração na vida em sociedade. (PINTO. Daniel Neves, p.1).
Libras é a sigla pronunciada nacionalmente para a Língua Brasileira de Sinais difundida pela federação Nacional de Educação e Integração de Surdos (FENEIS). Também é conhecida como LSB (Língua de Sinais Brasileira) por seguir padrões internacionais de denominação das línguas de sinais, assim como a American Sign Language (LSA), ou seja, Língua de Sinais Americana, entre outras denominações de outros países. A sigla Libras significa Li de Língua de sinais e Bras de brasileira, portanto a grafia deve ser em minúsculo e não toda em maiúsculo (LIBRAS). Explicava-se essa última grafia com o significado LI de línguas e BRA de brasileira e S de sinais. E a primeira língua dos surdos e não se constitui simplesmente de mímicas e gestos avulsos, ela possui estruturas gramaticais próprias e é composta também pelos níveis lingüísticos fonológico, morfológico, sintático e semântico. Portanto, o que é denominado palavra ou item lexical nas línguas oral-auditivas é denominado sinal nas línguas de sinais, a única diferença é a modalidade visual-espacial.
Existem algumas diferenças entre a Língua Brasileira de Sinais e a língua portuguesa: Com a língua de sinais fala-se com as mãos, é visual-espacial, é baseada nas interações culturais surdas, não é alfabética. Apresenta uma sintaxe espacial incluindo os classificadores, utiliza a estrutura tópico- comentário e estrutura de foco através de repetições sistemáticas;utiliza a referências anafóricas através de pontos estabelecidos no espaço que exclui ambigüidades, possíveis na língua portuguesa, além de não ter marcação de gêneros e atribuir um valor gramatical ás expressões faciais.
A língua portuguesa comunica-se com a boca, é oral-auditiva, é baseada nos sons; usa uma sintaxe linear utilizando a descrição para captar o uso de classificadores; evita a utilização de estrutura tópico- comentário possui marcação de gênero.
Nos registros históricos os surdos possuíam algumas conotações. No Egito os surdos eram adorados, na China eram lançados ao mar pra não reproduzirem, na Gáulia sacrificavam os surdos e em Esparta eram jogados do alto dos rochedos. Na Grécia, os surdos eram tratados como incompetentes, os romanos tinham idéias semelhantes, na Turquia serviam como bobos e a Igreja Católica, através de Santo Agostinho, acreditavam que era uma forma de punição aos pais terem filhos surdos. Como se pode notar, as explicações permeiam o campo religioso, somente no fim da Idade Média a deficiência passa a ser analisada sob a ótica médica e científica. Durante a Idade Moderna diferenciou-se surdez de mudez. Na França, em 1712 foi criada a primeira escola de Surdos do mundo, o Instituto Nacional de surdos-mudos, em Paris. Jean Massieu foi um dos primeiros professores surdos do mundo.
Da Idade Contemporânea até os dias de hoje nos Estados Unidos, Thomas Hopkins Gallaudet abriu uma escola para surdos em Abril de 1817, a Escola de Hart Ford, instituindo nessa escola a Língua Gestual Americana. Na Alemanha, o grande marco foi a criação de sessenta gestos (sinais) para se comunicar com os familiares de Hellen Keller, que ficou surda aos 19 meses de idade por causa de uma doença. Em 1880 aconteceu o Congresso de Milão e um grupo de ouvintes tomou a decisão de excluir a língua gestual do ensino de surdos, substituindo-a pelo oralismo. Em conseqüência a isso, o oralismo foi a técnica preferida na educação dos surdos durante fins do século XIX e grande parte do século XX. No Brasil, no período de 1500 a 1855, já existiam muitos surdos, a educação era precária até que em 1855 o professor francês Hernest Huet veio a convite de D. Pedro II para fundar a primeira escola de meninos surdos, a Imperial Instituto de Surdos ? Mudos, atualmente Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) no Rio de Janeiro. Atualmente boa parte das escolas do método oral adotou a comunicação total. A primeira vez que aconteceu um intercâmbio entre intérpretes do Brasil foi em 1988, quando aconteceu o I Encontro Nacional de Intérpretes de Língua Brasileira de Sinais, organizado pelo FENEIS.Também foi discutido a ética do profissional Intérprete. Só em 24 de Abril de 2002 a Língua Brasileira de Sinais foi reconhecida como língua oficial das comunidades surdas no Brasil.
Os aparelhos auditivos também passaram por transformações significativas, em 1898 eram usados cornetas ou tubos acústicos e só em 1948 apareceram aparelhos com pilhas, e em 1953 o transistor em próteses. Em 1970 apareceram as primeiras tentativas de implantação coclear. Apesar de os aparelhos serem importantes para a comunicação entre os surdos, eles também se utilizam de uma comunicação espaço-visual. Dentro da comunidade surda existem três tipos de surdos, os surdos sinalizadores, que utilizam seu meio de comunicação única e exclusivamente através da língua de sinais; os surdos oralizadores, que se comunicam apenas pela oralização, ou seja, pela leitura labial e fala; e os surdos bimodais, que se utilizam dos dois modos anteriores ao mesmo tempo. Sob os aspectos biológicos o surdo pode apresentar uma perda leve ou ligeira (26 a 40 dB), perda moderada (41 a 70 dB), perda severa (71 a 90 dB) e perda profunda (superior a 90 dB), onde nenhuma sensação auditiva verbal pode ser captada espontaneamente, escutam somente sons graves como os de trovões, aviões, etc. As causas podem ser desde a hereditariedade até as doenças adquiridas pela mãe durante a gestação, a exemplo da rubéola, sífilis, toxoplasmose, citomegalovírus, além de medicamentos Oto tóxicos, anomalias craniofaciais, exposição aos raios x desnutrição materna e incompatibilidade sanguínea. Também pode acontecer durante ou após o parto, como a herpes, hipóxia, baixo peso do bebê, também uso de medicamentos Oto tóxicos, distúrbios metabólicos, ventilação mecânica, permanência em incubadora por mais de sete dias, infecção por vírus e bactérias, traumas acústicos, lesões traumáticas e também a presbiacusia, perda auditiva gradual devido ao fator idade, acontece mais em comumente em pessoas com mais de 65 anos. Por fim, pode ocorrer também a surdez por condução por excesso de cera no ouvido, secreção na orelha média, infecções agudas no ouvido, infecções crônicas do ouvido, perfuração timpânica, erosões dos ossículos, otosclerose ou aderências, tumores na orelha média. Para o diagnóstico existem alguns métodos que vão desde o teste do pezinho, que detecta doenças precocemente, o da orelhinha, que é um programa de avaliação da audição em recém ? nascidos e outros como a audiometria de tronco cerebral (BERA), imitanciometria, timpanometria e reflexo estapédico.Através desses exames é possível descobrir o nível de lesão e diagnosticar o tipo de surdez que pode variar entre surdez pré verbal, que são os surdos que perderam a audição antes de qualquer desenvolvimento de fala e linguagem; pós verbal, que perderam a audição após o desenvolvimento da linguagem; e surdo cegueira, que apresenta perda da audição simultaneamente com a visão. Então podem ser classificadas em surdo cegueira total, surdez profunda com resíduo visual, moderada ou leve com cegueira, moderada com resíduo visual e perdas leves, tanto auditivas quanto visuais. Os tipos podem ser cegueira congênita e surdez adquirida, cegueira e surdez adquirida, surdez congênita e cegueira adquirida, baixa visão com surdez congênita ou adquirida e cegueira e surdez congênita.
A Língua Brasileira de Sinais possui elementos de uma gramática formada das palavras ou itens lexicais, conjunto de palavras que as pessoas de uma determinada língua têm à sua disposição para expressar-se, oralmente ou por escrito que se estrutura a partir de mecanismos morfológicos, sintáticos e semânticos. Também se articula através de sinais iconicos, que são os gestos de fácil compreensão e através dos sinais arbitrários, esses necessitam um pouco mais de conhecimento da Língua de Sinais.As estruturas sub-lexicais também fazem parte da Língua de Sinais e compõe-se de cinco parâmetros: Configuração das mãos (CM), pontos de articulação (PA), que são os lugares de onde a mão predominante configurada se aproxima ou incide; Movimento (MV), as mãos do sinalizador representam o objeto, enquanto o espaço é área onde se realiza o movimento; Expressão facial e/ou corporal, componentes extremamente importantes para qualquer transmissão em Lígua de Sinais; Expressões não manuais.
A Língua de Sinais possui também um sistema de estrutura e formação de palavras como nas línguas orais, caracterizando quanto ao genero, tempo, grau e negação. Os morfemas lexicais ou gramaticais nem sempre formam palavras equivalentes ao português e é a partir de suas unidades mínimas de significação que teremos os morfemas em Libras. O aspecto verbal pontual distingue-se por se trazer a uma ação ou evento ocorrido e finalizado em algum ponto bem definido, enquanto o aspecto verbal continuativo da a continuidade e se dá uma outra palavra. Em Libras não existem os tempos verbais, as palavras vem todas no infinitivo, por isso a utilização da expressão corporal nesse momento é muito importante, os sinais também determinam intensidade e quantificação. O método de incorporação de argumento é muito frequente devido às características espaciais e as palavras formadas por derivação são formadas através dos sinais e não da escrita, as primeiras palavras são constituídas a partir de seus radicais aos quais se ligam aos afixos ou morfemas gramaticais. As diferenças básicas em Libra são : Palavras ? sinais que utilizam a configuração das mãos oriundos do alfabeto ou números; Palavras simples ? para elas, não há necessidade de configuração da mão ser oriundo do alfabeto ou dos números, mas, deverão ser feitos também com a sua mão predominante e não ter Ponto de Articulação braço e mão; Palavras compostas ? são combinações de dois ou mais sinais formando a palavra; Palavras de duas configurações diferentes ? palavras realizadas com dois movimentos diferentes; Palavras de movimentos iguais; Palavras de sentidos e sinais distintos; Palavras dessemelhantes na grafia e com o mesmo sinal; Frases com apenas um sinal.

Palavras chaves : Surdez ? Libras - História ? palavras ? sinais

 
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