CRESCIMENTO POPULACIONAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

O crescimento populacional vem causando sérios impactos degradadores sobre o meio ambiente neste século. O desenvolvimento da indústria, comércio bem como os diversos ramos do meio rural e urbano são considerados determinantes para as mudanças ambientais. Neste contexto o presente trabalho visa analisar os efeitos do crescimento populacional causados ao meio ambiente. A bibliografia estudada avaliou a relação do homem com o meio ambiente, pois, a influência do ser humano é bastante significativa, quando se leva em consideração o aumento do consumo, os processos de industrialização e a explosão demográfica. Palavras-chave: Crescimento populacional; Impacto ambiental; Desenvolvimento sustentável.

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1 INTRODUÇÃO

O crescimento populacional ou demográfico vem sendo analisado por cientistas como razão do uso intensivo dos recursos naturais. Os estudos demonstram que os países com um rápido crescimento demográfico vêm enfrentando dificuldades para gerar um desenvolvimento econômico sustentável.

As projeções mais recentes das Nações Unidas dos primeiros decênios do século XXI revelam uma diminuição notável do crescimento da população mundial em comparação com projeções similares efetuadas em períodos anteriores. Desta maneira, as projeções atuais, ilustram que a população mundial alcançara a cifra de 7.700 bilhões no ano de 2050, cifras que são respectivamente mais baixas que projetadas no ano de 1990 (11,7 bilhões), ressaltando que a diminuição é prevista em todas as regiões do mundo.

Essas projeções se registram em um mundo em desenvolvimento, onde os países passaram pela transição demográfica e experimentaram um rápido crescimento antes que a população se estabilize. Sem embargo, em termos de sustentabilidade mundial de recursos ambientais a taxa de crescimento populacional ainda é muito importante. Sendo que, essa tendência demográfica é percebida pelos teóricos com profundas conseqüências no mercado de trabalho, sistema de abastecimento e degradação ambiental.

Com isso, o que se observa que mundo deverá produzir mais do dobro de alimentos que já produz; ainda consumir um número expressivo de água, petróleo, moradia, etc. todo isto em um cenário mais desértico, desflorestado, com a maioria das reservas naturais comprometidas.

Neste sentido, nota-se que existem muito tipos de ameaças ao meio ambiente, causados pelo aumento da população.Alguns, como a contaminação do ar e da água, resíduos sólidos não recicláveis, etc.

Ressalta-se que quase todos os problemas ambientais estão diretamente vinculados com o risco, como resultado da expansão da ciência e da tecnologia. Por exemplo, o aquecimento global é o aumento gradual da temperatura da Terra, produto do crescente aumento dos níveis de dióxido de carbono e outros gases na atmosfera. Por sua vez, o aquecimento global pode ter graves conseqüências, entre elas a inundações, propagação de doenças, situações climáticas extremas, etc.

Sem dúvida alguma que este tema é amplo e complexo. Sendo importante mencionar que os fatores que interferem na qualidade do meio ambiente, são derivados de processos de modernização da sociedade, por meio dos aspectos econômicos, biológicos, políticas. Tudo isso tem gerado a preocupação de especialistas, a produzirem um enorme número de trabalhos que destacam o problema do desenvolvimento sustentável nas sociedades atuais. Desde a metade do século passado se produziram importantes análises e informes que tem gerado a reflexão e ação de governos e instituições preocupadas pela continuidade dos sistemas sociais.

Assim o paradigma de relação homem-natureza, se vê envolvido cada vez mais, na limitação tanto das atividades humanas frente à degradação ambiental, como também na própria limitação dos recursos em sua maioria que não são renováveis.Portanto, o esgotamento, a degradação e a escassez dos recursos naturais se impõem como considerações centrais para o desenvolvimento econômico e social.

Percebe-se que nessa relação à dinâmica demográfica é determinante para a mudança ambiental, demarcada no século XIX por Malthus, e que recentemente pretende colocar no contexto acadêmico e cientifico a questão sobre os limites da natureza para atender as demandas de uma população em crescimento.

Ressalta-se que a crise ambiental, surgiu nas últimas décadas, como uma urgência diante da explosão demográfica. Os fenômenos, causas e conseqüências do rápido crescimento da população passaram a ser um tema complexo que requer de análises em distintos campos da ciência.

Frente aos argumentos apresentados o objetivo se concentra em abordar os efeitos do crescimento populacional no meio ambiente. Justificando-se o interesse pelo trabalho, a partir da necessidade de colocar em debate a questão ambiental dentro do contexto da explosão demográfica e social.

A metodologia de análise se baseia na pesquisa bibliográfica aos principais teóricos que dissertam sobre esta problemática. Conforme Salvador (1986) o estudo bibliográfico é uma investigação onde o pesquisador apresenta uma exposição compreensiva do tema, interpretando as idéias expostas e a posição pessoal dos autores, na literatura, através da apresentação de razões e evidências.

2 ABORDANDO O CRESCIMENTO POPULACIONAL

De acordo com a etimologia da palavra população, advém do francês "population" e significa o "conjunto dos habitantes de um país, de uma localidade, etc". Ainda em "conjunto dos seres humanos, animais ou vegetais, que constituem uma categoria especial.

Carvalho, Sawyer e Rodrigues (1998, p.6) conceituam a palavra população como "[...] um conjunto de elementos com características comuns".

No caso desta análise o termo população faz referência à espécie humana, que para Carvalho, Sawyer e Rodrigues (1998) necessita de uma caracterização para o alcance de seu conceito.

Deste modo, os autores descrevem que é preciso definir o tamanho (quantidade de pessoas em determinada localidade, em determinado tempo); composição (idade), sexo, situação econômica; taxa de natalidade, taxa de mortalidade, migração, entre outros elementos que vão responder a particularidade de cada grupo populacional.

É nessa dinâmica demográfica que se aponta os principais componentes do crescimento populacional. Natalidade, mortalidade e migração, particularmente contribuem para a montagem de um cenário social no qual suscita a busca científica dos fenômenos demográficos contemporâneos.

Ainda na abordagem sobre o crescimento populacional é válido destacar a transição demográfica que segundo Vermelho e Monteiro (2002), é o reflexo da dinâmica demográfica dentro da composição de uma população. É através dela que se pode explicar porque o crescimento da população mundial disparou nos últimos tempos.

Ressaltam os autores que o processo de transição demográfica foi descrito pela primeira vez na década de 1940, em referência aos efeitos das mudanças nos níveis de fecundidade, natalidade e mortalidade da época. Desta maneira, se identificam quatro estágios da transição demográfica (VERMELHO e MONTEIRO, 2002):

  1. Fase pré-industrial ou primitiva – percebe-se um equilíbrio populacional, onde as taxas de natalidade e mortalidade, principalmente infantil, são elevadas;

  2. Fase intermediária (divergência de coeficientes) – as taxas de natalidade permanecemaltas enquanto decrescem as taxas de mortalidade. Observa-se um ritmo aumento de crescimento populacional, caracterizando o que seria chamado de "explosão populacional";

  3. Fase intermediária (convergência de coeficientes) – a taxa de natalidade diminui em ritmo mais acelerado que a mortalidade, cujo efeito mais notável é um rápido "envelhecimento" da população;

  4. Fase moderna ou de pós-transição – retorno ao equilíbrio populacional, com aproximação dos coeficientes em níveis mais baixos. A população torna-se estável, onde os valores de fecundidade se aproximam do nível de reposição. Como conseqüência, a esperança de vida aumenta, a população envelhece e em geral, observa-se uma ampliação da proporção de mulheres.

Desta maneira, Alves (2008, p.3) resume:

O mundo está passando por um dos melhores momentos demográficos de toda a história da humanidade. Isso se deve a um dos mais inopinados fenômenos sociais ocorridos na história da racionalidade humana: a transição demográfica. A transição demográfica, de modo geral, começa com a queda das taxas de mortalidade e, depois de certo tempo, prossegue com a queda das taxas de natalidade, o que provoca uma forte mudança na estrutura etária da pirâmide populacional.

Com isso, observa-se que essas transições afetaram diretamente e de forma significativa a estrutura da população. Passou-se de uma pirâmide de base larga e triangular, com característica de sistemas demográficos com altas taxas de natalidade e de mortalidade, para outra mais uniforme e de base reduzida (típica de sistemas com grande redução na fecundidade).
Gráfico 1 - Brasil - Distribuição Relativa da População por Idade e Sexo - 2000-2050

Fonte: United Nations (1997)

De acordo com Gráfico 1, nota-se uma drástica variação na estrutura etária da população brasileira entre 2000 e 2050, onde as pirâmides etárias são apresentadas para cada um dos decênios do período 2000-2050. São projeções das Nações Unidas (1998) para o Brasil apontando em 2000 uma população de 170 milhões de habitantes, dos quais 49 milhões com menos do que 15 anos de idade e 8,7 milhões acima de 65 anos. Para 2050, as Nações Unidas projetaram que a população nacional ampliaria para 244 milhões, sendo constituída por 49 milhões de jovens e 42,2 milhões de idosos.

Explica Alves (2008) que as principais explicações para os altos e baixos níveis de mortalidade na transição demográfica nas últimas décadas se devem a melhoria do padrão de vida da população em decorrência do desenvolvimento industrial e o avanço na medicina, nos programas de saúde pública, e o acesso ao saneamento básico e melhoria da higiene pessoal.

Contudo, o avanço da qualidade de vida da sociedade a partir do século XX, levou a implicâncias também no meio ambiente, fazendo com que a demografia passasse a ter um maior destaque não somente no meio acadêmico, como nas políticas governamentais.

Corrobora Matos e Lima Filho (2006) que a relação entre o crescimento demográfico e a questão ambiental, insurge como um fenômeno que ganhou uma maior visibilidade a partir do século XX. Dentro de um marco da teoria da transição demográfica, é que os investigadores começaram a explicar a evolução da dinâmica populacional.

Assim foram vários os encontros internacionais realizados para debater as questões que envolvem os problemas populacionais e ambientais. Com destaque para a Conferência Mundial sobre População (Bucareste, 1974); Conferência Internacional de População (México, 1984); Conferência sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio de Janeiro, 1992); Conferência Internacional e Desenvolvimento (Cairo, 1994) e Conferência Mundial sobre a mulher (Beijing, 1996), estudos estes que começaram a vislumbrar a importância de investigações e ações públicas voltadas as questões demográficas e ambientais (MENDANHA e SILVA, 2004).

Alves (2002) dissertando sobre o embate entre os teóricos Condorcet e Malthus sobre o futuro da humanidade, coloca em destaque o crescimento populacional como um ponto central para avaliar as limitações e oportunidade o progresso da sociedade humana.

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