Actualmente há uma crescente sensibilidade em relação aos problemas ambientais em Moçambique. Porém, essa sensibilidade é de domínio duma certa elite (académica ou com um certo grau de alfabetização académica). Essa elite tem tentado incutir à sociedade sobre a necessidade de conservar e preservar o ambiente. Entretanto, muitas dessas tentativas têm sido frustrada, os indivíduos continuam com suas práticas que prejudicam o meio ambiente. Este texto tem como objectivo reflectir sobre os desafios que os ambientalistas têm no processo de sensibilização sobre os problemas ambientais. Na verdade, defendo que esses desafios estão no facto dos ambientalistas se preocuparem mais com os problemas práticos (intervenção) e ignorarem os problemas conceptuais (cientifico).

Consciência Ambiental e Representação Ambiental 

Uma distinção que eu acho importante fazer-se hoje em Moçambique no debate sobre os problemas ambientais e a crise ecológica, é a diferenciação entre representação ambiental/socioambiental e consciência ambiental. Isso não é a mesma coisa. Todos nós temos representações ambientais, mas nem todos temos uma consciência ambiental. A representação ambiental ou socioambiental (RA) é todo conhecimento ou ideia que os indivíduos têm sobre o meio ambiente e esse conhecimento é adquirido a partir dum processo de socialização. Tal conhecimento influencia na maneira como o homem se relaciona com o meio ambiente, tanto em práticas de conservação, assim como nas práticas de destruição do meio ambiente. As representações ambientais podem ser mitos, crenças, saberes locais, etc. relacionadas a natureza. A vida social em si constituída essencialmente das representações. E, existem múltiplas representações Durkheim (2002) 3 . As representações ambientais fazem parte desse universo. Essas representações têm um caracter prático no cotidiano dos indivíduos, na maneira como esse relaciona-se como o mundo (Moscovic, 1978) 4 . Os problemas ambientais e a crise ecológica que vivemos hoje _ resultam da relação homem-ambiente, essa relação é influenciada pela maneira como o homem compreende à natureza, essa compressão também afecta na forma como Ele interfere na própria natureza. Enquanto, que, a consciência ambiental (CA) é algo muito recente e remota dos anos 1960/70. Surge com os movimentos ambientalistas. A consciência ambiental tem à ver com a sensibilidade que o homem tem com os problemas ambientais e a crise ecológica. Está relacionada com a valorização, defesa, prevenção e conservação da natureza. Com a crise ecológica, o homem tentou reconciliar-se com a natureza, dando-lhe o valor que antes (com o advento da modernidade) havia-lhe tirado, dando-lhe assim o lugar de sujeito. Por exemplo o conceito de “desenvolvimento sustentável” é resultado da reconciliação do homem com a natureza. Na verdade a consciência ambiental sempre existiu nas representações humanas. Entretanto, numa fase específica da história o homem tentou fazer uma ruptura com essa CA, tratando a natureza como um recuso a dominar. Todavia, a consciência ambiental actual difere-se da CA antes da idade Moderna, porque esta surge por causa da crise ecológica causada pelo processo modernizador e em particular com avanço científico-técnico. Em outras palavras, o avanço técnico-científico causou os problemas ambientais que vivemos hoje (como o aquecimento global, o buraco de ozono e o efeito estufa), paradoxalmente, é a partir do próprio conhecimento científico que somos capazes de identificar os reais problemas que vivemos hoje. Portanto, a consciência ambiental, hoje, é reforçada pelo conhecimento produzido dentro das universidades e institutos/centros de investigação. [...]